unifatos 19ª edição

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jornal unifatos 19ª edição...

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  • Jornal Laboratrio do Curso de Jornalismo Univel Ano VIII N19 1 Quinzena Setembro/2009

    Violncia no trnsito fruto daglamourizao do desrespeito

    Pg. 03

    LEI SECAH um ano em vigor, a LeiSeca no reduziu o nmerode acidentes nas rodovias.

    Pg. 06

    MENORES

    A Copacol investiu R$ 15 mi-lhes no maior complexo in-dustrial de peixes do Pas.

    Pg. 07

    Muitos jovens dirigem semhabilitao e pem em riscoa vida de muitas pessoas.

    Pg. 04

    INVESTIMENTOS

    Congresso RegionalA Univel sede do 7 Con-gresso Regional da Escola daMagistratura e da 7 SemanaJurdica, um dos maiores emais tradicionais eventos narea jurdica de Cascavel.

    Pg. 08

    Divulgao

    Tatiana Schicowski

  • 02 1 Quinzena Setembro/2009EDITORIALEDITORIAL

    CHARGECHARGE

    DIRETORA GERAL DA UNIVELVIVIANE DA SILVA

    COORDENADOR DO CURSO DEJORNALISMO

    CEZAR ROBERTO VERSA

    PROFESSOR ORIENTADORJEFERSON POPIU

    EDITORACARLA HACHMANN

    PAUTEIROS E REPRTERESCARLA HACHMANN, CARLA ROSANA,CLEVERSON PRAXEDES, IZLA CORRA

    CAVALCANTI, JULIANA VAZ, KELLYMENESES, PMELA GURTAT, RODRIGO

    DIEFENTHALER, RODRIGO DIAS E TATIANASCHICOWSKI

    DIAGRAMAOTATIANA SCHICOWSKI

    TIRAGEM: 1000 EXEMPLARESIMPRESSO: GAZETA DO PARANJORNAL LABORATRIO DO 3 ANO DO

    CURSO DE COMUNICAO SOCIALCOM HABILITAO EM JORNALISMO DA

    FACULDADE DE CINCIAS SOCIAISAPLICADAS DE CASCAVEL.

    FONE: (45) 3036-3636

    Os artigos assinados so de inteiraresponsabilidade de seus autores

    EXPEDIENTE

    Cascavel reconhecida como uma das cidades com o trnsitomais violento do Pas. Este ano 39 pessoas j perderam a vida nopermetro urbano, vtimas de acidentes automobilsticos. E os fatorespara a triste realidade so muitos, vo desde grande frota, vias largasque incentivam a alta velocidade, imprudncia e, principalmente,desrespeito vida.

    Entrevistado especial nesta edio, o mdico Jorge Trannin apre-senta mais um motivo para a catica situao: a glamourizao dosabusos, da velocidade, do som alto, da desobedincia s leis. Issoreflete o desvirtuamento dos conceitos sociais da nova gerao, queaparece com destaque nas estatsticas.

    O incentivo ao consumo de bebidas alcolicas, o uso sem restri-es de entorpecentes, a tentativa de imitar produes cinematogrfi-cas como Velocidade Mxima motivam os jovens a ignorarem os si-nais, a fazerem rachas pelas ruas da cidade, a surfarem sobre asmotocicletas em rodovias, enfim, a desafiarem a morte sobre rodas.

    Quando as tragdias acontecem, restam o sofrimento e as lgri-

    A vida como brinquedomas. A dor da perda acompanha as famlias para sempre. A indig-nao s menor que o sentimento de impotncia.

    Leis so mudadas com o objetivo de coibir os abusos, de tentarimpor respeito a quem desconhece esse conceito. Quanto mais leisso criadas ou tm suas restries ampliadas, mais so as infraescometidas, escancarando sua ineficcia.

    Para mudar esse cenrio que se compara a guerras civis preci-so uma total reviso dos valores sociais, do que bonito e do que feio, do que pode e do que no pode, do que deve e no deve serfeito para agradar a galera.

    Educao e respeito ao prximo so conceitos primordiais parauma sociedade viver em harmonia e devem ser institudos dentrode casa, nos primeiros anos de vida. Impossvel esperar que asregras do Estado possam substitu-los.

    A vida o bem mais precioso que temos. Enquanto isso no forconsenso geral, veremos nossos amigos e familiares sendo levadosprematuramente por inconsequentes nas ruas deste Pas.

  • 03

    Violncia no trnsito: glamour o maior viloENTREVISTAENTREVISTA

    Carla Hachmann

    Mdico do Siate traa perfil dos motoristas envolvidos em acidentes e diz que problema social

    O Siate (Servio Integrado de Atendi-mento ao Trauma e Emergncias) h dezanos, o mdico Jorge Trannin ainda se co-move com alguns casos que se depara nasruas de Cascavel. Mas ele duro ao avali-ar a situao e diz que ela continuar ti-rando vidas enquanto no houver umamudana de conceitos sociais, como maiseducao e respeito ao prximo.

    Para ele, o maior problema oglamour que h em desrespeitar as leis,

    Caps-AD garante atendimentoambulatorial a usurios

    Unifatos Houve mudana nesses dez anosem que atende pelo Siate de Cascavel?

    Jorge Trannin Nesse perodo s vejo amesma situao, a de irresponsabilidade geral,de falta de educao. Antigamente, numa tardeatendamos a 15 acidentes; agora so 12, dez.Parece que diminuiu um pouco. Mas cresceubastante o nmero de colises automvel commoto e aumentou a violncia. Antes havia umesfaqueado, um baleado por semana, agora aten-demos a um por dia.

    Unifatos Os fins de semana so real-mente o perodo de maiores ocorrncias?

    Trannin - Sexta-feira noite comea o show.So na maioria jovens, geralmente bbados, emalta velocidade. Ou brigam nos bares ou se matamno trnsito, ou as duas coisas. Para cada pessoamorta, quatro ficam internadas nos acidentes. Duma mdia diria de ocupao de um leito de UTI(Unidade de Terapia Intensiva) por acidente.

    Unifatos A maioria dos envolvidos emacidentes jovem, ento?

    Trannin O perfil de pessoas de 15 a 35 anos,geralmente alcoolizados, que esto dirigindo.

    Unifatos Qual a causa dessa situao?Trannin - O problema que um glamour,

    bonito sair em alta velocidade. As meninasolham, acham bonito, e eles fazem isso mesmo.

    1 Quinzena Setembro/2009

    o que explica o comportamento dos jo-vens nas ruas da cidade.

    Trannin j foi chefe da 10 Regionalde Sade e hoje tambm atua como ad-vogado, cuja formao concluiu h pou-co tempo na Univel. Nessa dcada deatendimento a pessoas feridas poucacoisa mudou, diz Trannin, apenas umaumento no caso de homicdios e tenta-tivas, alm de mais colises envolvendomotos. Confira a entrevista na ntegra.

    esconder as garrafas. At o morrer faz partedo glamour. Quem tem conhecido que mor-reu, que est no hospital, de bengala, achambonito. D status. Enquanto isso no aca-bar, no haver mudana.

    Unifatos Campanhas de conscientizaoso eficientes?

    Trannin - No adianta campanha, pois di-rigir de maneira deseducada bonito. Quemarranca, leva o motor s ltimas bonito. Ve-mos que as pessoas esto emocionadas, mas bonito ser amigo da vtima. As campanhasso ineficientes porque no abordam essetema. Est atacando o lcool, mas ataca a pro-paganda que sustenta a mdia.

    Unifatos Mas o que pode ser feito pararesolver esse problema?

    Trannin - Numa fase inicial, tem de sertolerncia zero. E ento mudar os conceitos,

    Eles gostam de passar na tev ou estar na fo-tografia sem brao, cheio de machucados. igual ao filme Velocidade Mxima, batem o car-ro, bonito, tipo macho americano. A mulheradaacha interessante, vem a polcia, o jornal, temfama, tem glamour envolvido na histria. Ou-tro dia falei com um garoto com som alto e eleme disse: A mulherada olha.

    Glamour o fator principal; o segundo afalta de educao. As pessoas no tm educa-o, no tm noo de trnsito, acha que podepr os pneus na faixa, que pode ultrapassarquando o sinal est quase abrindo, que podecortar pela direita, que pode parar no meio dapista, no tm noes de trnsito. E o terceiroproblema o lcool. No o lcool o maiorproblema, por trs de um que bebeu est umsujeito que acha bonito beber, que no temrespeito pela vida dos outros.

    Unifatos Isso quer dizer que o problemaso os conceitos sociais?

    Trannin Exatamente. Antigamente tinhao cigarro, era bonito fumar, seguir o [ator] ClarkGabble, e todos comearam a fumar. Agora bonito encher a cara. Quanto mais bebe maishomem . E as mulheres esto fazendo a mes-ma coisa. um problema de conceitos soci-ais. Percebemos claramente que as pessoasse orgulham de sair na rua e contar, na facul-dade, que pararam em uma blitz e tiveram de

    Divulgao

    Jorge Trannin: preciso mostrar que no

    dia a dia feio, quecheiro de sangue

    ruim

    as campanhas de publicidade, da mdia. NosEstados Unidos os motoristas do prefern-cia ao pedestre no por medo de ser preso,mas porque bonito respeitar a lei; e aqui o contrrio. Vejo com frequncia o cidadoandando devagar na esquerda e o que estatrs que se dane. E, se estiver com pressa,faz de tudo no trnsito.

    Unifatos A Lei Seca no ajudou?Trannin - Proibir a bebida alcolica hi-

    pocrisia legislativa. Primeiro deve-se acabarcom a beleza, com o glamour. E isso poss-vel por meio da mudana da propaganda. Aspessoas tm de ver na televiso as famliaschorando na beira do caixo, isso no boni-to. Mostrar que no dia a dia feio, que cheirodo sangue ruim, que cheiro do cadver ruim. E isso tem de se dar por meio da mdia.Com o cigarro mudou, agora tem de mostrarclaramente que a bebida um mal.

    Unifatos Os pais tm responsabilidade nisso?Trannin Claro que tm. Os pais enchem a cara e

    os filhos acham aquilo bonito. uma questo deexemplos. Minha filha no vai me ver furando sinal,bebendo antes de dirigir, parar sobre a faixa de pe-

    destre, desrespeitar a velocidade.

  • Fonte: BPTran - P/3 Planejamento e CTI (Centrode Tecnologia e Informaes); Polcia Militar do

    Paran; Batalho de Polcia Rodoviria Estadual;DPRF (Departamento de Polcia Rodoviria

    Federal).Nota: Os dados do DPRF foram colocados na

    faixa etria no informada nos anos de 2007 e2008 e no foram computados no primeiro

    semestre de 2009. Faltam dados de novemunicpios do interior do Estado em 2009.

    Faixa Etria 2007 2008 2009 (jan a jun)Menores de 18 anos 1.567 1.547 644

    18 a 29 anos 26.442 28.436 1.66230 a 59 anos 30.168 31.647 13.382

    60 anos e mais 3.680 3.567 1.485No informada 10.792 12.168 2.82