Jornal ABRA - 19 edio

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Jornal ABRA - 19 edio, de junho/julho de 2009. Jornal laboratrio do curso de Jornalismo do Centro Universitrio Franciscano (Unifra), Santa Maria - RS.

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    Santa Maria, junho/julho de 2009 Jornal Experimental do Curso de Comunicao Social - Jornalismo - UNIFRA

    Carne est fora de cena

    Batman, em 70 anos de aventuras

    Namorar ou no namorar, eis a questo

    Locadoras rivalizam com DVDs piratas

    O cavaleiro das trevas apareceu nos quadrinhos, em 1939. Depois ganhou novas histrias, novos persona-gens e dominou at mesmo os cinemas, para a diverso de seus admiradores.

    Pgina 9

    O Dia dos Namorados uma data especial para quem est acompanhado. Com pre-sentes ou no, sob medida para expressar carinho.

    Pgina 10

    Frio e frias combinam quando o assunto ficar em casa, assistindo a um bom filme. Nesta poca, a procura por DVDs aumenta.

    Pgina 7

    O vegetarianismo a opo de muita gente. Qualidade de vida, conscincia ecolgica e preocupao com os animais e com a sociedade esto entre os fatores que levam as pes-soas a aderirem a essa dieta, que exclui a carne. A restrio, por vezes, tambm abrange ovos, leite e derivados. A preocupao, ressaltam os especialistas, manter o equi-lbrio nutricional, que pode ficar prejudicado se a protena animal for retirada do card-pio sem o devido cuidado.

    Pgina 6

    O cardpio vegetariano se caracteriza por ser

    pobre em gordura saturada e colesterol e rico em antioxidantes, o que ajuda a prevenir

    doenas cardiovasculares e cancergenas

    gAbRIElA pERUFo

    Achados e guardados nas bolsas femininas

    Que modelos as mulheres preferem e com o que elas recheiam suas inseparveis bolsas? A questo respon-dida por suas usurias, que no as dispensam nos vrios momentos do dia, seja para trabalhar ou se divertir.

    Pgina 5

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    junho/julho 2009

    Expediente

    EditorialMade in ndia

    Jornal experimental interdisciplinar produzido sob coor-denao do Laboratrio de Jornalismo Impresso e Online do curso de Comunicao Social Jornalismo do Centro

    Universitrio Franciscano (Unifra)

    Reitora: Prof Iran RupoloDiretora de rea: Prof Sibila RochaCoordenadora do Curso de Comunicao Social - Jornalismo: Prof Rosana Cabral ZucoloProfessores orientadores: Iuri Lammel Marques (Mtb/RS 12734), Laura Elise Fabrcio e Sione Gomes (MTb/SC 0743)

    Redao - aprendizEditor-chefe: Juliano PiresDiagramao: prof. Iuri Lammel MarquesEquipe de reportagem: Cassiano Cavalheiro, Fellipe Bernardini, Francielle Bueno, Jucineide Ferreira, Juliana Bolzan, Leandro Rodrigues, Liciane Brun, Patric Chagas, Sofia Vieiro e Vanessa Moro.Fotografia: Arili Ziegler, Carolina Moro, Cassiano Cavalheiro Ediane Alves, Evandro Sturm, Gabriela Perufo, Leandro Rodrigues Maiara Bersch e Ricardo Borgignon, sob coordenao do Laboratrio de Fotografia e Memria.

    Se voc tiver crticas, sugestes ou quiser ser um colaborador do Abra envie um e-mail para ns! abra@unifra.br

    Impresso: Grfica Gazeta do SulTiragem: 1000 exemplaresDistribuio: gratuita e dirigida

    Entre brmanes, xtrias, vaixs, sudras e dalits, uma nova cultura tem se estabilizado no mercado de bens simblicos: a indiana. Com uma ajudinha do cinema, e da televiso, os holofotes da mdia tem se virado cada vez mais em direo ao pequeno e populoso pas.

    No h dvidas que o longa de Danny Boyle, Quem quer ser um milionrio? (2009), traz para discusso um pouco da realidade vivida pelos habitantes da ndia, e de apresentar elementos at ento desconhecidos (visu-almente) da maior parte da populao mundial. Na trama, a cada pergunta respondida por Jamal Malik, o expectador experimenta tanto a euforia pela resposta certa, quanto dilemas e angstias vivenciadas pelo jovem. O filme ganha os mritos no apenas por vencer oito Oscares e quatro Globos de Ouro, mas tambm por no privilegiar e distorcer, em prol do enfoque da trama, a cultura representada, como acontece na abrasileirada Caminho das ndias, da Rede Globo.

    A diferena entre as duas abordagens gera outra dis-cusso em torno do papel que a mdia tem diante de suas representaes. visvel a recusa dos meios de comuni-cao em aceitar o poder e a influncia que exercem, o que se torna generalizvel a partir do momento em que exaltam os sucessos e recusam as falhas: quando h um consumo positivo, a mdia assume o papel de propaga-dora de culturas e modas, situao que se inverte radi-calmente diante elementos negativos, como a violncia.

    Baguan Keli, diria um indiano diante da tela da Globo. engraado, mas o etnocentrismo presente na novela capaz de seduzir at mesmo o mais radical muul-mano. O choque cultural, no entanto, ocorre quando se abre as pginas de uma revista como a Superinteressante de junho, onde o leitor se depara com o complemento da realidade apresentada no filme de Boyle: 18 lnguas ofi-ciais, milhares de dialetos, uma sociedade marcada pela instabilidade entre as crenas religiosas, com o trabalho e o destino das pessoas definidos no momento do nascimento atravs da classificao em castas, e o desafio de conviver assistindo s diferenas entre os sexos. Are Baba!

    Diante desse quadro fica claro como o recorte arbi-trrio de um determinado contexto social e histrico prejudica a compreenso e compromete a qualidade do que informado e romanceado. As diferenas existem, sim, e precisam ser mais valorizadas nas construes para no haver a sobreposio de culturas, como j se pode projetar no final clich entre Bahuan e Maya. Jamal e Latika deixam claro que toda realidade tem um final feliz e adequado sua trama. Atch!

    Boa leitura e Namast!

    A profissionalizao do amor

    Carta a um grande amorQuerido. Aguardo sua chegada

    impacientemente, assim como uma criana aguarda pelo seu presente de natal. Sei que as coisas mudaram muito desde a ltima vez que nos vimos, mas assim como o tempo mudou nossas concepes de mundo, creio que ele tambm tenha varrido todas as nossas mgoas. Tambm sei que as coisas no funcionam exata-mente como queremos e que, s vezes, tambm no medimos as palavras em uma briga. Palavras essas que guar-damos e carregamos pela vida toda por ser muito difcil de nos livrarmos das memrias do passado. Mas com o seu regresso minha vida acredito que as coisas sero bem melhores.

    Sentada na poltrona vermelha da sala que voc tanto ama, e olhando uma foto sua em frente lareira

    enquanto escrevo esta carta, espero muitos anos por esse Dia dos Namo-rados em que, depois de todo esse tempo a esperar, enfim, voc voltar para casa e talvez nem leia esta carta, mas tive que escrev-la. Era como uma promessa, um pacto que fiz no dia de sua partida e que, quando retornasse, eu a escreveria lhe dando as boas-vindas antes mesmo de chegar. Eu s queria poder dizer, antecipadamente, atravs desta, que eu te amo muito e que essa data tem uma importncia to singular em minha vida que voc no faz ideia.

    Seja como for e mesmo no sendo exatamente como eu imaginei todos esses anos, eu ainda serei ento completamente feliz quando ouvir a campainha e quando enxergar seu rosto, tocar seus lbios, te abraar

    bem forte, chorar no seu ombro, poder dizer na sua frente o quanto voc representa em minha vida o quanto eu me sinto completa agora. Eu estou aqui meu querido. Eu estou aqui, como no dia em que voc partiu, de braos abertos, esperando o seu regresso. E no vai importar o que tenha mudado em ns dois ou o que voc tenha feito ou deixado de fazer longe de mim. Tenho a cons-cincia limpa e alma lavada pronta e disposta a lhe amar, mais uma vez.

    Com todo o amor do mundo e toda a sinceridade de meu ser lhe desejo ento um feliz Dia dos Namorados e assim, contudo, estarei te espe-rando, com a sede de quem ama e a impacincia de quem vive.

    Por Fellipe Bernardini

    Quando pensamos em amor, logo vem a ideia de sentimento que nasce no corao e de uma relao de carinho entre duas pessoas. Quando pensamos em negcios, logo vem a idia de pro-paganda, investimento, administrao e a busca pelo lucro. Mas uma dvida desponta: qual a semelhana entre o amor e os negcios empresariais? maior do que pensamos.

    A relao entre esses dois aspec-tos distintos a mais nova clusula do contrato amoroso vivido nos rela-cionamentos de hoje em dia. fcil de denotar a analogia, para isso basta darmos uma olhada nos vnculos dos casais que nos rodeiam e analisar como tratado o tema amor. Ao conhecer uma pessoa, no estamos livres de sermos pegos pelo famoso amor primeira vista e que se torna uma linda histria. Isso, claro, se ele sobreviver aos desencontros, s (des)afinidades, localizao, s diferen-as de (real)idade e a vrios outros empecilhos que o impea de se trans-formar em um felizes para sempre.

    A fim de evitar que essa possibi-

    lidade desaparea, comea a entrar em jogo a propaganda pessoal, com o propsito de atrair a pessoa dese-jada. O primeiro passo mostrar as intenes e deixar claro a que se veio, revelar os interesses pessoais, o que faz e, principalmente, onde mora e a forma de deslocamento. Marke-ting esse que no se restringe apenas a posses materiais, mas que est pre-sente tambm no crculo social e at mesmo de amizades

    A prxima etapa encontrar o par ideal: o momento de fazer investimen-tos. A relao entre amor e negcio se torna mais prxima quando chega a hora de pagar a conta do telefone, e ver aquele mesmo nmero de telefone que foi discado quase todos os dias, a conta do restaurante, escolhido a dedo para impressionar e conhecer melhor o convidado(a), a lembrancinha, para no cair no esquecimento, e a gaso-lina, afinal de contas se a montanha no vem at Maom, Maom vai at a montanha. Isso tudo, alm de estar implcito na propaganda, justifica o dito de que nem o amor de graa.

    A afirmao traz uma certa pre-ocupao, pois mostra que no h um empenho conjunto de ambas as partes, o que acarreta em vantagens para alguns e prejuzos para outros. Esse desequilbrio tambm exige domnio e talento para que a adminis-trao faa a relao progredir e obter lucros. Lucro que vem da unio de vantagens individuais dos parceiros e das conquistas construdas durante a convivncia como casal. A falta de competncia , na maioria das vezes, o que leva as empresas falncia. E nos relacionamentos amorosos no diferente. Administrar um NO no para qualquer um.

    Ento, quando for se envolver, tente pensar como um empresrio. Seja empreendedor, tenha recursos para investir, trabalhe a criatividade para evitar crises, tenha ambio de ir adiante e, principalmente, consiga um assessor (conselheiro) amoroso. Afinal, Hitch (2005) provou que quem segue as regras consegue o que quer.

    Por Jucineide Ferreira

    Feche os olhos e entre na danaEra uma vez uma menina peque-

    nina, mas que no queria ser baila-rina, como a da poesia de Ceclia Meireles. Ela nunca teve muita disci-plina, detestava rotina e sentia que a vida lhe apresentaria algo diferente. Embora a vida tivesse lhe imposto obstculos sem d, ela nunca andou de r. E mesmo que todos lhe dis-sessem no, ela no perdia a f. Do nascer ao pr-do-sol, algo lhe dizia para jamais deixar de confiar em si.

    Passou o tempo e a menina j no era mais pequenina. Diziam que vivia fora do ar e que nada fazia alm de sonhar. Na verdade, sem seus sonhos no poderia viver, pois era a fantasia que no a deixava fenecer. Nunca contou a ningum que, muitas vezes, quis desistir, mas que, depois de fechar os olhos por um instante, voltava a sorrir. Sabia

    que era preciso prosseguir.Cada dia lhe proporcionava uma

    surpresa e, em qualquer canto, ela encontrava beleza. A paixo permi-tia menina enxergar as coisas e as pessoas alm do bvio ou, talvez, tivesse nascido com uma dose extra daquilo que chamamos de encanto. Certa vez, sentiu-se incomodada com aquilo tudo, muita sensibili-dade poderia lhe atrapalhar se como jornalista decidisse trabalhar.

    Ainda bem que estava enganada e transformou a emoo em sua aliada. A menina, que agora aos poucos se tornava mulher, percebeu que no seria fcil, que no teria tempo para namorar, que iria se irritar, que muito cedo teria que acordar. Conciliar a jornalista com a mulher seria algo difcil, e deixou de fazer as unhas e cortar o cabelo, mas sentia prazer

    em trabalhar. No quis mais parar.Mesmo que as noites fossem mal

    dormidas e que as costas doessem, a menina sabia o quanto seu ofcio era importante. No dia 17 de junho de 2009, aquela notcia a abalou sim, e outra vez teve vontade de desistir, mas bastou fechar os olhos por um instante para que a certeza nova-mente aparecesse: no largaria tudo assim. E ela lembrou que durante a sua vida, soube transformar todos os nos em combustvel para seguir adiante. Escrever se tornou sua dana e sua vocao, e ela fazia aquilo com toda a paixo... Abandonar o jorna-lismo? No, no e no...

    A menina no mais pequenina, no pode simplesmente esquecer-se da dana e dormir como criana.

    Por Sofia Viero

    OPINIO

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    junho/julho 2009

    A crise do Jornalismo

    No a obrigatoriedade do papel que nos far desistir dos nossos sonhos. Ser jornalista no apenas gostar muito do que faz, pois gosto temos por muitas coisas. Porm, amor no encon-tramos em qualquer lugar.

    O que foi chorado, batalhado e conquistado ao decorrer de nossa trajetria acadmica jamais ser perdido. Quantas crticas j ouvimos em nossas vidas? No importa se ela foi boa ou no, cor-rees fazem parte de nosso coti-diano. As conquistas dependem apenas de nossa determinao e garra para seguir em frente.

    O que vamos fazer agora? Ficar de braos cruzados esperando o tempo passar o que no pode. Somos gladiadores em uma arena de supremos, e o jogo pode ser invertido se nos mobilizarmos e mostrarmos ao pblico que, mesmo existindo os novos cida-dos jornalistas, as pessoas ainda precisam de algum que realmente conte a elas a realidade em torno dos acontecimentos e dos fatos.

    Mesmo que a briga seja difcil, o que importa lutar por direitos e deveres, e que esses sejam res-peitados. Com ou sem diploma, a graduao ser nossa e os obje-tivos permanecero os mesmos, e no sero oito pessoas que decidiro nosso futuro. Somos jornalistas por formao no por diplomao, pois o que real-mente importa que faamos a diferena onde quer que seja.

    Por Francielle Bueno

    Revolta, indignao e decep-o. Foram esses os trs senti-mentos que predominaram em acadmicos e profissionais for-mados em jornalismo desde o ltimo dia 17, quando em uma deciso reconhecidamente infe-liz, o Supremo Tribunal Federal decidiu pela no-obrigatoriedade do diploma para o exerccio da profisso. A deciso do STF, alm de desprezar a profissionaliza-o e a qualidade da informao recebida pela sociedade, aumen-tou ainda mais a instabilidade e a disputa pelas fatias especficas do mercado de trabalho. O que antes era definido pela formao acadmica, agora passa a ser atri-budo a facilidades de execuo e a indicaes e apadrinhamentos.

    Mas, passado o momento leite derramado e da terapia do grito em grupo, e conscientes de que se estabeleceu um clima de no-aceitao constante, con-solidado o momento de fazer a diferena. Da mesma forma que entrar no mercado de trabalho parece ter se tornado mais difcil, tambm preciso levar em conta

    que certos elementos continuam os mesmos, como o piso salarial para os jornalistas formados e a lgica organizacional que privile-gia os obedientes.

    Diante desse quadro, mais do que nunca, e indo alm do pro-testo de cara pintada, preciso mostrar a criticidade inteligente, no melhor estilo vivido durante os anos de chumbo. Assim como existem aqueles que, por um lado, preferem optar pelas armas, de outro, esto os que, sem perder a diplomacia, lite-ralmente atacam pela frente das entrelinhas e com uma acidez capaz de derreter o orgulho de qualquer alvo sem tocar na moral dos mesmos.

    Toda crise carrega, junto com os problemas trazidos, a obrigao pela transposio desses obst-culos impostos. Com freqncia, ouvia-se falar em uma crise do jornalismo, momento no qual seria necessrio dar uma virada de mesa, romper com paradig-mas, estabelecer novas formas de execuo e rever teorias. E, final-mente, tal episdio ocorreu.

    Falar sobre o fim dos cursos de graduao em jornalismo e no favorecimento das organi-zaes e empresas jornalsticas chover no molhado. O futuro incerto, e muitas evidncias esto se revelando, mas tambm no se pode afirmar com certeza que era est surgindo.

    A concorrncia entre os profis-sionais, sim, promete se acirrar. Porm, fundamental que os competidores jamais se esque-am que, interesses financeiros e egocntricos a parte, o perodo no de aes e pensamentos centralizadores e individualis-tas, como acontece at ento. E que, simultaneamente, atravs da disputa que o melhor predo-mina e acontece a segmentao e a diviso, ainda mais quando ela instigada por interesses de terceiros e envolve elementos mercadolgicos.

    Se a academia tem entre seus princpios o de estimular o pen-samento crtico, o que vere-mos a partir de agora, porque mais do que profissionais prec-rios, fazem-se necessrios jor-

    nalistas de formao que no se encolham atrs de seus cubcu-los redacionais para garantirem seus empregos, e que formem cidados capazes de se posicio-nar ao se sentirem ameaados e prejudicados, como est acon-tecendo nessa guerra da (des)informao brasileira.

    Jornalista no cozinheiro, mas a analogia do presidente do STF vlida. especialidade de saber elaborar uma sopa de letras indigesta para quem d nome ao prato, um novo e desconhecido ingrediente ser adicionado, e que promete dar, alm da tradi-cional dor de cabea, muita ins-nia e dor de barriga.

    Embora seja paradoxal falar em um lado positivo, vou me arriscar. Se ser jornalista envolvia talento e paixo pelo ofcio, agora que vamos ver quem tem competn-cia para sacudir a poeira da aco-modao, superar os obstculos dessa crise e, ainda assim, deixar de lado o individualismo tpico de quem tem medo de trabalhar em prol do grupo.

    Por Juliano Pires

    A realidade do sonho

    Em 1918, a Associao Bra-sileira de Imprensa realizou seu primeiro congresso, em que um dos pontos discutidos foi a formao especfica para ser jornalista. J se tinha uma preocupao com o tema em uma poca em que os jorna-listas aprendiam a profisso apenas na prtica do dia-a-dia. Um dos pontos citava a necessidade de criao de uma Escola de Jornalismo, impres-cindvel para habilitar o futuro jornalista. O curso servi-ria para elevar o nvel moral da profisso, manter a tica, aproximar os jornalistas e teria durao de cinco anos.

    Aqueles, que no eram for-mados, plantaram a semente que germinou em 1947, quando foi fundada a Facul-dade de Comunicao Social Casper Libero. Isso colocou a profisso em um novo patamar. Havia a graduao, mas ainda era uma poca em que no era exigido diploma para o exer-ccio da profisso. Entretanto, isso no foi empecilho para que muitas pessoas concorres-sem a estas vagas.

    Em 1969, foi estabelecido o Decreto-Lei 972, de autoria da Junta Militar que governava o pas. O documento estipu-lava que s poderiam trabalhar como jornalistas os cidados que tivessem a formao e o diploma especficos da rea. Agora, passado 40 anos, esse direito foi revogado por uma deciso do Supremo Tribunal Federal. Mas lembremos que o diploma, mais do que uma folha de papel, tem uma srie de sentidos inseridos. O prin-cipal deles o de reconheci-mento pelos quatro anos de curso, que alm de promover o aprendizado por meio da teoria, permite que a prtica seja compreendida. Essa srie de aprendizados s faz com que a qualidade de nossa capa-cidade seja lapidada.

    Portanto, daqui para frente vamos mostrar o que j era pensado em 1918: a impor-tncia da formao para o exerccio do jornalismo e o que diploma representa. E, acima de tudo, mostrar sociedade uma atuao tica e responsvel, que se reflita no resultado da apurao e na qualidade do trabalho reali-zado. So esses os elementos que faro nosso diferencial diante dos outros, que no passaram por isso e que agora conquistaram a oportuni-dade de exercer a profisso.

    Por Leandro Rodrigues

    O diferencial da formao

    OPINIO

    Eles tentaram nos derrubarDepois de tanto suspense com

    duas votaes adiadas, eis que surge o resultado: no existe mais a obrigatoriedade do diploma jornalstico. Foram-se 40 anos, e ento derrubada a lei que exige a formao para o exer-ccio da profisso. Agora, tanto um mdico, um advogado, um professor, quanto uma domstica podem ser jornalistas. Aulas de redao, conhecimento das tcni-cas de reportagem, entendimento sobre os critrios de noticiabili-dade e quatro anos de curso em que aprende sobre antropologia, sociologia e filosofia: tudo foi considerado desnecessrio pelo Supremo Tribunal Federal. E mesmo assim, l podero estar

    todas as outras profisses, em uma sala de redao ou estdio de TV formando opinies.

    Afinal, o que pensam os supe-riores ministros do STF? O direito da liberdade de expresso para todos. Concordo, e acres-cento: o direito a ter uma infor-mao de qualidade tambm para todos. E j que os cidados tm esse direito, merecem ser atendidos. Quem, no sendo qua-lificado, sabe informar devida e corretamente? Escrever bem, muita gente escreve. Mas h uma diferena abismal entre escrever bem e escrever jornalisticamente. A entra a compreenso sobre as tcnicas e os aparatos disponveis e que s ser adquirida atravs

    de uma formao e qualificao acadmica.

    Talvez os ministros do STF no saibam com o que consentiram no momento da votao. Talvez no tenham percebido que a deciso tomada no dia 17 desvalorizou a comunicao da sociedade, apu-nhalou os jornalistas por forma-o e deixar o jornalismo cada dia mais precrio. Mas querem saber? No vou desistir assim. Algum, um dia, em algum lugar, vai entender e valorizar o jorna-lista que pensa. E isso que se aprende na academia, e nossos futuros concorrentes no-diplo-mados no aprendero a viver e a pensar como jornalista de fato.

    Por Liciane Brun

    Cad a Unifra!?!?

    Depois que o airbus 447 sumiu, e o diploma de jornalismo caiu,

    tudo possvel!

    Por Cassiano Cavalheiro

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    junho/julho 2009

    Alcanar a realizao profissional junto com a entrada no mercado de trabalho uma busca que se divide em etapas. A primeira e mais difcil delas a escolha da rea de atuao, muitas vezes iniciada ainda na adolescn-cia, quando o indivduo precisa optar por um curso de gradu-ao que o realize pessoal ou financeiramente. Escolha essa que acaba por envolver diversos fatores, inclusive a presso dos pais e a vocao natural para o ofcio.

    Passado esse dilema e con-cretizado o caminho a seguir, o graduando precisa projetar seu futuro e buscar a qualificao para manter as portas do mer-cado abertas para receb-lo. Um bom emprego quase sempre vem acompanhado de um bom est-gio, realizado durante a facul-dade. Foi por essa trilha que passou a turismloga Larissa da Ross Schafer, 26 anos. Antes de ser efetivada como funcio-nria do Hotel Continental em 2005, Larissa foi estagiria do estabelecimento durante o ano anterior, enquanto ainda estava na graduao. Depois de se formar, em janeiro de 2006, ela preferiu largar o emprego e se mudar para Santa Catarina, em busca de uma especializao.

    O estgio, alm de ser uma forma de adquirir experincia, tambm permite que o gradu-ando possa conhecer as diferen-tes reas de atuao e o mercado de trabalho para, em seguida, ver onde melhor se adapta. O acadmico de design, Rodolfo Rolim Dalla Costa, 20 anos, explica que o estgio na editora da Unifra, embora no seja na rea que ele pretenda trabalhar no futuro, o ajuda a se envolver mais com o curso. No exis-tem muitas oportunidades de emprego para design em Santa Maria, por isso pretendo me formar e ir para Bento Gonal-ves, comenta Dalla Costa.

    Mas conseguir um estgio no uma tarefa to fcil, e no Grupo RBS no diferente. Damos preferncia de vaga para os esta-girios, mas depende dos critrios de seleo. Primeiro, abrimos vagas internamente. Existindo pessoas para trabalhar nas vagas que foram abertas, no abrimos vagas para fora, comenta Alba Gorete dos Santos, consultora RH do Grupo RBS.

    O mercado de trabalho pode parecer meio assustador para

    alguns, mas alm dos estgios, que so uma oportunidade de entrar no mercado, ainda existe o Sistema Nacional de Empregos (Sine), onde as pessoas interessa-das podem cadastrar seus currcu-los. Segundo o delegado regional da Secretaria da Justia e Desen-volvimento Social, Leandro Carvalho Sanson, a seleo das pessoas para as vagas oferecidas atendem alguns pr-requisitos: A triagem s pode ser feita atra-vs da escolaridade e experincia profissional, no podemos discri-minar por idade.

    Estatsticas do Sine revelam que as reas mais procuradas so as relacionadas sade. Em contraponto, as menos pro-curadas pertencem s cincias exatas. E a que mais emprega a de servios. O cadastro das pessoas feito gratuitamente e no exige pr-requisitos para sua realizao, apenas a apre-sentao da carteira de trabalho, pois no feito o cadastramento de profissionais autnomos. O Sine Santa Maria est locali-zado na Rua Alberto Pasqualini, 121, e funciona das 8h s 17h. Os telefones so 3222-9005 e 3221-2260, e o e-mail stama-ria@fgtas.rs.gov.br.

    Outra forma de ingressar no mercado de trabalho, para quem est estudando, o Centro de Integrao Empresa-Escola (CIEE), que indica os acadmi-cos de acordo com seus cursos. O endereo da agncia Rua Venncio Aires, 2035, sala 504. Os telefones so 3222-5833 e 3223-5937. O horrio de aten-dimento das 8h s 11h30 e das 13h30 s 18h.

    Juliana Bolzan

    Solues do mercado de trabalho Aos 11 anos, ele queria ser o

    melhor guitarrista do mundo. Hoje j no tem essa preten-so, mas, por trs vezes con-secutivas, foi eleito pela crtica o melhor guitarrista do ano. Graas a seu irmo mais velho e ao av, Duca Leindecker entrou no mundo da msica. lder da banda gacha Cidado Quem. Alm da guitarra, as compo-sies, palavras envoltas em livros e telas de cinema tambm so suas paixes.

    Duca dirigiu o curta Ch de frutas vermelhas, que foi ao ar na RBS TV no encerramento da edio 2009 de Curtas Ga-chos. Tambm o idealizador do seu prprio estdio, o Sub-marino Amarelo. L, foram produzidas as msicas de seu novo projeto, em parceria com Humberto Gessinger, Pouca Vogal, que esteve no dia 22 de maio em Santa Maria. Estou adorando esse projeto. muito bom sair do seu universo nico, que ser lder de uma banda, e entrar na banda de outro lder. um aprendizado muito grande, explica Duca.

    Alm de todas as atribuies que podem ser dadas a Duca Leindecker, o msico sempre teve uma relao muito forte com o paraquedismo. Foi uma coisa muito legal que aconteceu na minha vida e muito horrvel tambm, relembra. Ele diz que se divertiu muito, teve prazer e emoo, mas tambm tristeza por causa da morte do baterista da banda e grande amigo Cau Hafner, que morreu saltando em 1999. Por isso eu acabei, aos poucos, parando de saltar.

    A Casa da Esquina (1999) e A Favor do Vento (2003) so os seus livros publicados. Fices mescladas com a vida real: o que h de autobiogrfico em A Casa

    da Esquina? Tudo, responde Duca. No documental, porque no tem compromisso com a verdade, e adaptei algu-mas coisas. Mas ele baseado em histrias da minha vida. Descobertas, infncia, a famlia e a perda so temas que predo-minam em sua narrativa.

    No tendo nenhuma formao em curso superior, Duca sempre optou por fazer o que realmente gosta. No faz nenhuma facul-dade porque ocupa o seu tempo com o seu grande prazer: a msica. Mas, se sobrasse tempo para fazer, teria preferncias. Existe faculdade de culinria? Era o que eu faria, culinria e direito.

    Ele sempre teve medo de morrer jovem. Talvez pelo fato de seu pai ter ido cedo. O menino Duca tinha apenas oito anos. Por isso, o pai de Guilherme resolveu compor O amanh colorido, como um testamento ao seu pequeno de cinco anos. Lgrimas umede-cem seus olhos. Eu gostaria que ele soubesse como eu vejo a vida. Melhor do que dinheiro ou qualquer coisa que eu deixe, a minha forma de ver a vida, confessa o msico.

    Duca sempre teve a convico que o mais importante na vida acreditar no que est fazendo e fazer com vontade. Inde-pendente de onde eu estivesse agora, Duca Leindecker, do jeito que ele , estaria com a mesma realizao que tem hoje com a msica, sendo cozinheiro ou advogado. Porque se voc gosta, no se importa de passar o tempo inteiro fazendo, comenta. Mas ele no deixaria a msica. Dela, ele sempre gostou. Por isso, tamanha realizao.

    Liciane Brun

    No ritmo de um amanh colorido

    Duca Leindecker: o mais importante acreditar no que faz

    Para Dalla Costa, o estgio aumenta interesse no curso

    Sine considera escolaridade e experincia na triagem para vagas

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    maiara bersch

  • A mulher possui uma companheira insepar-vel, de todas as horas, e no sai de casa sem sua amiga fiel. um acessrio importante e essencial no dia-a-dia do mundo feminino. J adivinhou do que de trata? So as bolsas. Grandes, pequenas ou exti-cas, no importam os tamanhos e os formatos, o contedo das bolsas um mistrio para o mundo masculino e desperta a curiosidade deles. Para mostrar que no s de maquiagem que as bolsas das mulheres sobre-vivem, o ABRA foi conversar com alguns homens e mulhe-res para checar se eles sabem que outros objetos integram a rotina delas.

    O estudante Vinicius Gomes da Silveira, 20 anos, arrisca que as mulheres se restringem a carregar maquiagem, carteira, documentos e absorvente. Ele comenta que sua me possui em mdia 40 bolsas, dos mais variados tamanhos e uma para cada ocasio. Inspirado na experincia vivida em casa, o aposentado Joo Miguel Pulsi-nelli, 67 anos, garante que elas tambm levam agenda, batom, carto de crdito e celular. Para ele, o acessrio d um toque especial beleza feminina. Mulher sem bolsa no ele-gante, afirma.

    Adepto das bolsas masculi-nas, o estudante lisson Jean Coletto, 23 anos, destaca que no usa carteira e celular nos bolsos da roupa para no deixar aparecer o volume. Segundo ele, a bolsa no serve apenas para carregar documentos, mas tem outras serventias e define o acessrio como a casa da pessoa. Coletto conta que, independente do sexo, quanto maior for a bolsa mais se coloca dentro, e que j chegou a abrir a bolsa de sua me porque estava

    curioso para saber o que tanto ela carregava e a deixava volu-mosa e pesada.

    Materiais de trabalho como mquina fotogrfica e fita mtrica so contedos normais dentro da bolsa da designer Dariana do Canto, 27 anos, que confecciona adesivos de parede. Alm desses, ela acrescenta que escova de cabelo, maquiagem e remdio para dor de cabea so elementos essenciais no seu dia-a-dia e sempre presentes na bolsa. A enfermeira Dalva

    Rezer, 49 anos, comenta que carrega o bsico e adora bolsas grandes, tanto que quando faz compras tem a mania de colocar as embalagens dentro do aces-srio, pois no gosta de carre-gar na mo e em sacolas.

    A fonoaudiloga Marisa Finger, 50 anos, diz que pre-fere bolsas de tamanho mdio e confessa que os objetos que nunca saem de dentro do aces-srio so a mquina de calcular, as fotos dos filhos e a agenda. J o carto de crdito e talo

    de cheque ela costuma deixar em casa devido aos assaltos a bolsas. Segundo a vende-dora Tura Costa Fernandes a procura na loja por bolsas de tamanho mdio. Ela escla-rece que as mulheres preferem os modelos que tm divises internas e fecho para propiciar maior segurana.

    As bolsas alm complementar a esttica do visual, transmitem um pouco da personalidade da mulher. Aquelas que tm um estilo mais bsico optam por

    cores mais neutras, j as sofis-ticadas preferem acessrios com brilho. Enquanto para a rotina diria as transpassadas so as mais adequadas e fazem sucesso, para as festas e sadas noite, as mais recomendadas e apropriadas so as pequenas. Mas, independentemente da ocasio, vlido ter em vista a utilidade, a praticidade e, prin-cipalmente, a criatividade na escolha do acessrio.

    Vanessa Moro

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    junho/julho 2009

    O mistrio das bolsas femininas

    Todo ms de junho assim, centenas de bandeirinhas colo-ridas forram lojas e ptios de escolas denunciando a chegada de mais uma data caracterstica: as festas de So Joo. Entre ps-de-moleque, quentes, foguei-ras e quadrilhas, a tradio da festa junina perdura desde o sculo IV, iniciada na Europa e trazida ao Brasil por coloniza-dores portugueses.

    As festas de So Joo so orga-nizadas nas diferentes regies do pas, cada qual com sua peculia-ridade. A estudante Brbara Dal Rosso, 17 anos, conta que, em

    Mato Grosso, algumas prefei-turas organizam festas juninas em seus municpios. Na minha cidade, havia concursos entre as escolas para a melhor quadrilha. As turmas de faculdade tambm organizam as festas para arre-cadar dinheiro, conta Brbara, que morou em Tangar da Serra, com aproximadamente 80 mil habitantes.

    J no nordeste, as comemo-raes so muito maiores. Os nordestinos tratam a data com extrema importncia e devoo aos santos. Alguns trocam os per-odos de folga do Natal por dias de

    folga em junho, em funo das comemoraes. Por estarem em uma regio prejudicada pela seca, aproveitam a data para agrade-cer s raras chuvas. Essas festas tambm movimentam o turismo no nordeste.

    O personagem Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, um tipo social caboclo, definido como um homem que morava no mato, em uma casa miservel. Sua indumentria exatamente igual a que as crianas utilizam na festa junina, explica o pro-fessor de histria da Unifra, Carlos Rangel. O professor

    acredita que uma lstima que hoje esse tipo social seja repre-sentado como uma stira social nas festas juninas, sem que haja uma reflexo sobre os nveis de preconceitos que esto subja-centes aos ritos dessa festa.

    Os significados das fogueiras nas festas juninas tambm so os mais diversos. Por um lado, elas podem remeter a um ritual de purificao, como forma de agradecimento aos deuses pelas colheitas. J para os catlicos, a origem do fogo vem da comu-nicao entre Maria, me de Jesus, e Isabel, que acendeu a

    fogueira para anunciar o nasci-mento de seu filho, Joo.

    So Joo considerado o santo festeiro, por isso existem tantas comemoraes no seu dia, 24 de junho, ou durante o ms. Porm, em meio a barracas de comida e tendas de brincadeiras em suas festas, necessrio refletir at que ponto essa festa conside-rada religiosa. A festa religiosa superficialmente e se converte, na maior parte das vezes, em opor-tunidade ocasional de comrcio, conclui o professor Rangel.

    Liciane Brun

    Uma data para ser conhecida

    As com divises e fecho so as preferidas, segundo Tura

    Materiais de trabalho tm vez na bolsa da design Dariana

    Marisa tem preferncia pelos modelos de tamanho mdio

    Mulher sem bolsa no elegante, afirma Joo

    Miguel Pulsinelli

    O estudante lisson Jean Coletto adepto das bolsas masculinas

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    A opinio deles

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    junho/julho 2009

    As dietas vegetarianas so alvo de discus-ses e de pesquisas na rea da sade, pois elimi-nam do cardpio alimentos de origem animal. Os seguido-res do vegetarianismo tm os mais variados motivos para no consumirem carnes, ovos, leite e derivados. Entretanto, a conscincia ecolgica, a preo-cupao com os animais e com a sociedade esto entre alguns dos fatores que levam as pes-soas a aderirem a essa dieta.

    O fato de ter frequentado fri-gorficos enquanto cursava a faculdade de zootecnia, e ter pre-senciado a dor e sofrimento dos animais abatidos, foi decisivo para o universitrio Mauricio Santalucia aderir dieta ovolac-tovegetariana (ver quadro). Ele adepto da dieta h quatro anos e explica que no gosta de se ali-mentar da dor de outro ser: Os seres humanos morrem de medo da morte, mas no refletem que da morte que se alimentam. Santalucia acrescenta que os animais fazem parte da natureza e, por isso, o homem deveria respeit-los, alm de valorizar a si prprio e ao planeta.

    A acadmica Francieli Jordo, 20 anos, revela que o interesse pelo vegetarianismo comeou pela questo de con-sumir pouca carne. A partir disso, ela fez pesquisas e assistiu a documentrios sobre o assunto, como o A Carne Fraca, do Instituto Nina Rosa. O prximo passo de Francieli, que h quatro anos ovolac-tovegetariana, foi se tornar vegetariana estrita.

    A nutricionista Bianca Passa-mani explica que o vegetaria-nismo uma filosofia, um estilo que proporciona qualidade de

    vida, e no uma dieta que leva boa forma ou perda de peso. O cardpio se caracteriza por ser pobre em gordura saturada e colesterol e rico em antioxi-dantes, o que ajuda a prevenir doenas cardiovasculares e cancergenas. Bianca ressalta que jamais se deve programar um cardpio por conta prpria, e que para isso fundamental o acompanhamento de um pro-fissional, caso contrrio podem surgir sinais de deficincia nutricionais, como a carncia de vitamina B12, clcio, ferro, zinco, selnio e protena.

    Para suprir a ausncia de nutrientes no organismo, algumas pessoas costumam tomar suplementos alimen-tares, mas esse no o caso do acadmico Felipe Angelin Trebin, 23 anos, que procura ingerir alimentos que forne-am vitaminas, carboidratos e protena de soja. Ele, que vegetariano estrito h quatro anos, conta que o mais difcil foi aprender a cozinhar, e que quando vai ao supermercado fica atento a leitura dos rtu-los para no comprar produtos que tenham sido testados em animais. Roupas em couro e l tambm no fazem parte do seu vesturio. Trebin escla-rece que nunca pensou em ser vegetariano, mas reconhece que sofreu influncia do meio musical.

    Segundo a nutricionista, essa dieta no recomendvel para as crianas, as adolescentes gestantes e as mes que estejam em fase de lactao. Ela explica que, nessas fases, a necessi-dade de vitaminas e minerais maior.

    Por Vanessa Moro

    Dieta dos opositores da carneA conscincia ecolgica, a preocupao com os animais e com a sociedade e a busca pela qualidade de

    vida esto entre as principais motivaes para as pessoas adotam o vegetarianismo como filosofia

    reportagem

    Francieli tratou de informar-se antes de mudar a alimentao

    A nutricionista Bianca Passamani alerta que o vegetarianismo no uma opo para quem busca apenas a perda de peso

    Cardpio se caracteriza por ser rico em antioxidantes e pobre em gordura saturada e colesterol

    Vegetariano estrito ou vegano: alimentam-se exclusivamente de vegetais. No consomem qual-quer produto de origem animal (leite, ovos, mel) e tambm no utilizam produtos feitos com couro, l, seda e cosmticos que contenham ingredientes ani-mais ou que tenham sido testados em animais.

    Lactovegetariano: no consomem carnes e nem ovos, mas incluem na dieta, alm dos alimentos vege-tais, queijo e outros laticnios.

    ovovegetariano: permitem a incluso de ovos, mas laticnios e carne esto excludos.

    ovolactovegetariano: a carne est excluda, mas ovos e laticnios so admitidos no cardpio.

    Conhea os diferentesgraus de vegetarianismo

    EvaNdro Sturm

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    junho/julho 2009

    Alugar um filme algo corriqueiro desde a inveno do videocas-sete, h quase trs dcadas. Porm, em meados dos anos 90, as fitas de vdeo deram lugar aos DVDs. Pegando carona nessa onda, as videolocadoras se ren-deram a essa nova forma de assistir filmes por volta do ano 2000, quando o preo do DVD Player comeou a reduzir.

    Em Santa Maria, existem mais de 20 locadoras de DVDs que sobrevivem numa poca em que se tornou muito fcil conseguir um filme no mercado da pirataria ou por meio de download. Fernando Vasquez, 27 anos, um dos proprietrios da Mundo Cinema Videoloca-dora, conta que, mesmo com a concorrncia desleal da pirata-ria, resolveu investir na idia de alugar filmes. Prova disso que a locadora j tem mais de um ano de funcionamento. Fide-lizar o cliente o caminho, enfatiza Vasquez.

    O empresrio explica que o fatu-ramento do ms definido pela quantidade de finais de semana que ele possui, e destaca que nos meses de inverno a demanda de locaes aumenta: a melhor poca. Frias e frio.

    Um cliente assduo e que concorda com a afirmativa de Vasquez o bancrio Giovani Dunsch, 38 anos. Para ele, assistir a um filme no inverno combina com vinho, pizza e a companhia da namorada. E para no estragar o clima, Dunsch prefere alugar o filme do que baixar da internet. O download me desanima por que demora e, muitas vezes, a qualidade ruim. Nunca se sabe se o que vai vir mesmo o filme desejado, diz. Em relao aos filmes piratas, ele refora que prefere alugar, pois mais seguro.

    A grande vil do negcio: a pirataria

    O comrcio informal algo tradicional no centro de Santa Maria, onde muitas vezes o pro-duto mais oferecido o DVD pirata, e desde que esse comr-cio se instalou muitas loca-doras tiveram que fechar suas portas. A reportagem do ABRA acompanhou um dos pontos de venda instalados na Avenida Rio Branco durante uma hora, e constatou que 33 pessoas adquiriram esse tipo de merca-doria, onde possvel comprar at quatro filmes por R$10,00.

    Uma das clientes desse comr-cio informal a costureira Nilza Coelho, 55 anos. Ela, que no tem o hbito de alugar, explica que sua neta gosta de assistir os filmes mais de uma vez. muito caro pegar emprestado na locadora a toda hora. Aqui

    eu adquiro vrios (filmes), e so meus. Em relao ilegalidade do DVD pirata, Nilza reco-nhece que ilegal a compra que fez, mas que isso j se tornou normal. Muita gente compra. Eu sou mais uma, finaliza.

    Como o prprio nome indica, o comrcio informal surge

    como alternativa diante da necessidade de sobrevivncia. O vendedor ambulante N. P. C., 50 anos, devido baixa esco-laridade e ao desemprego, foi uma das pessoas que precisou entrar para a informalidade de vender filmes. Em dia bom, sem chuva, vendo mais de 600

    cpias, mas tem muitas pes-soas que enganam a gente e devolvem para trocar por outro. Dizem que est estragado. Eu troco para no me incomodar, comenta o vendedor.

    Segundo a Associao Anti-Pirataria Cinema e Msica, em 2008 foram apreendidos

    no Brasil 44 milhes de DVDs e CDs piratas e foram conde-nadas 195 pessoas por viola-o dos direitos autorais. O Cdigo Penal Brasileiro prev priso de dois a quatro anos para estas pessoas.

    Por Leandro Rodrigues

    Videolocadoras enfrentam a concorrncia da internet e do comrcio infiormal e reconhecem que julho, quando o inverno e as frias escolares se somam, a poca de maior movimento

    reportagem

    Alugam-se filmes, alugam-se sonhos

    Proprietrios e clientes concordam que locar um DVD e assistir a um filme uma das melhores programaes para os dias de frio

    Observao feita durante uma hora registrou 33 pessoas adquirindo DVDs piratas em bancas instaladas nas ruas centrais da cidade

    fotos Leandro rodrigues

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    junho/julho 2009

    Preciso de ajuda! Por favor, me ajudem! Socorro!, Fogo! Fogo! Chamem os bombeiros!. Um acidente de trnsito, um incndio ou qual-quer outra situao que coloque vidas em risco. Esses so alguns dos momentos em que eles so chamados para entrar em ao. Ao ouvir uma sirene, voc logo imagina que algum, em algum lugar, precisa de ajuda. Treina-dos para salvar vidas, mesmo em circunstncias de extremo perigo, os bombeiros se espe-cializaram em desempenhar esse tipo trabalho.

    Quando a tarefa socorrer algum que precise de ajuda, no importa a hora, o dia, o clima ou o lugar, a misso pre-cisa ser atendida e concluda. A coragem, a determinao e a dedicao esto sempre prontas quando o telefone toca, e assim eles partem para atender s chamadas de emergncia, sem imaginar a proporo e quais os desafios que lhe esperam. E, acredite, ser bombeiro no para qualquer um.

    A funo dos bombeiros dentro da sociedade o com-promisso com a proteo da vida e do patrimnio, e no se restringe apenas a combater transtornos ou fatalidades, mas tambm de prevenir que ocor-ram, seja atravs de palestras ou cursos. Alis, no somente de desastres e acidentes que o cotidiano dos bombeiros com-posto. Circunstncias inespera-das, como partos, resgates ou outras situaes de risco em vias pblicas, mostram que, alm de soldados do fogo, os profissio-nais tambm esto prontos para ajudar quando algum chama, transformando-os em verdadei-ros heris da vida.

    Vidas de aprendizados e trocas constantes

    Aptido para a profisso, tra-balhar salvando vidas ou um sonho de criana. No importa o caminho ou a motivao, todos eles levaram a um mesmo destino: vestir a farda de bom-beiro. Essas ponderaes tambm fizeram parte da vida de Reginaldo Chaves Machado tenente Chaves , 54 anos e h 30 na profisso; e Anderson Fontella soldado Anderson , 28 anos e h um atuando como bombeiro; ambos integrantes do 4 Comando Regional de Bom-beiros de Santa Maria. Os dois profissionais, que contrapem conhecimentos e experincias de vida, ingressaram na corpo-rao de maneiras e com condi-es de trabalho diferentes.

    Ao longo da carreira profis-sional, o tenente Chaves acom-panhou a evoluo da profisso, procurando aperfeioar seu tra-

    balho e o dos novos colegas: Procuro sempre passar o meu conhecimento para aqueles que esto entrando na corporao, e ao mesmo tempo eu tambm aprendo com eles. Ele, que por muito tempo atuou em misses de resgate e de salva-vidas, con-fessa que passar por momen-tos de sufoco normal nesta profisso. O tenente recorda de uma situao no litoral em que precisou fazer salvamento arriscado: Estvamos apenas eu e mais um colega quando 11 pessoas estavam se afogando no mar. At chegar ajuda vi a morte bem de perto.

    Em contraponto s dificul-dades, tenente Chaves acredita que a recompensa por enfren-tar os desafios dirios est no aprendizado e na lio adquirida aps cada ocorrncia atendida. O oficial avalia sua trajetria profissional como uma histria de vida: Se tivesse que esco-lher uma profisso novamente, seria a de bombeiro, e comea-ria tudo de novo.

    A gratificao do tenente Chaves compartilhada pelo soldado Anderson. Para ele, que desde criana pensava em ser bombeiro, o dia a dia da profis-so uma experincia recom-pensadora. Eu j era militar antes de fazer o concurso para a Brigada e tive a oportunidade de escolher a vaga para bombeiro.

    Por outro lado, a diferena entre as idades e as experin-cias dos bombeiros acaba se refletindo na forma de lidar com os desafios da profisso. E, para buscar um equilbrio do conjunto, a troca de experin-cias tem se mostrado o caminho mais indicado: Procuro absor-ver tudo o que eles passam para melhorar cada vez mais meu conhecimento, destaca o sol-dado Anderson.

    Entretanto, os desafios e os momentos de sufoco acabam sendo parecidos para ambos os profissionais. Prova disso foi a primeira misso enfrentada pelo bombeiro principiante em um incndio que ocorreu na Feira do Livro de Porto Alegre. O lugar era de difcil acesso e com muita fumaa. Tivemos que entrar para resgatar poss-veis vtimas l dentro, relata o soldado, que prefere no lem-brar do acontecido.

    Uma rotina de trabalho que envolve a presena constante da adrenalina, aliada a situa-es que nenhuma pessoa gos-taria de vivenciar, alm de ter que dedicar a vida s outras, faz com que a profisso de bobeiro se transforme em uma mistura de coragem, herosmo e sufoco, com histrias tristes e boas lem-branas.

    Por Jucineide Ferreira

    A profisso que a ultrapassa limitesO dia 2 de julho o momento de homenagear aqueles que esto

    preparados e sempre prontos para o desafio de salvar vidas

    reportagem

    A sua adversidade oincio da nossa capacidade

    A rotina de trabalho dos bombeiros esperar sempre por chamados 24 horas por dia, sete dias por semana. Quando surge uma chamada de emergncia, uma campainha acionada para que a equipe se coloque a postos em at dez segundos.

    Ao receber todas informaes necessrias sobre a misso e que, em muitos casos, so insuficientes, devido ao desespero vivido por quem est ligando , um sino tocado para que os bombeiros embarquem e se dirijam rapidamente para o local. Caso o proce-dimento seja executado como manda a sistemtica, a previso dos bombeiros de chegar ao local da ocor-rncia em cinco minutos, independentemente de onde o fato esteja ocorrendo.

    Treinamento constante habilita os profissionais a lidarem com os riscos cotidianos e os imprevistos

    Superar dificuldades faz parte da rotina de ser bombeiro

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    O heri sob a sombra do homemToda boa histria de super-heri marcada pelo con-flito do bem contra o mal e a eterna disputa entre mocinhos e bandidos. E foi aqui, no mundo ocidental, onde o mal se veste de preto, que em 18 de maio de 1939 surgiu um dos mais cle-bres super-heris de todos os tempos. Batman, o cavaleiro das sombras, ao contrrio do que sugere o nome, foi criado para trazer um pouco de esperana para uma poca marcada pela severidade do cotidiano.

    O perodo era de extremo desengano. Em 1929, aps a quebra da Bolsa de Nova Iorque, a desiluso se abateu sobre o povo americano. Alm dos problemas financeiros naquele pas, a Europa sofria nas mos de homens como Adolf Hitler e Mussolini. Ou seja, era o ambiente propcio para a criao de personagens que trouxessem um pouco de sonho para a vida das pessoas. Nascia a chamada poca de ouro dos quadrinhos.

    A primeira apario do homem-morcego foi nas pgi-nas da revista Dectetive Comic Magazine, hoje DC Comics. Nas tramas, o heri lutava contra ele-mentos que se assemelhavam a mafiosos como Al Capone e que espalhavam terror pelas ruas de Chicago. Batman foi gerado atravs das mos de Bob Kane, que idealizou um heri natural do nosso planeta, ao contrrio do outro personagem que tambm fazia sucesso na poca, o Super-man, originrio de Krypton.

    Uma das inspiraes de Kane foram as histrias de detetives, marcadas pela violncia mos-trada em tons de branco e preto, e acentuadas por sombras. Outra caracterstica da criao de Kane que chama a ateno foi a esco-lha do morcego, que na Idade Mdia era sinnimo de duplici-dade e na era bblica represen-tava o drago alado com asas dos habitantes do inferno.

    Aps Bob Kane apresentar o personagem para o roteirista Bob Finger, de apenas 22 anos, e os dois fazerem algumas mudan-as, o homem-morcego estava pronto. Os cidados de Gothan City ganharam um justiceiro que pagava o mal com o mal, e que levava uma vida dupla, como o bilionrio e gentil Bruce Wayne. Assim, a ambigidade do mor-cego tornava-se o disfarce per-feito para encarar o crime.

    No incio, tanto na manso Wayne, quanto a Bat-caverna, habitavam apenas Batman/Wayne e seu mordomo Alfred, o nico que sabia todos os segre-dos do patro. nesse momento que Jerry Robinson, assistente de Kane, tem a idia de acabar com essa solido: surge Robin, o menino prodgio. Agora, acompanhado, Batman conti-nuaria a saga de fazer justia e vingar-se de todos os bandidos pela ausncia dos pais, mortos por dois ladres quando tinha 12 anos.

    Outra contribuio de Robin-son foi trazer doses de humor para as aventuras e, dessa forma,

    acabam surgindo dois arqui-ini-migos bem conhecidos, o Pin-gim e o Coringa. Porm, com a chegada dos anos 70, nos quais a vida nas grandes cidades passa a se tornar cada vez mais perigosa e

    o dia-a-dia dos norte-americanos marcado pela tenso do Vietn e pela corrida tecnolgica, o heri cai nas mos do desenhista Neal Adams. O desenhista, ao buscar inspirao no trao de seu cria-

    dor, Bob Kane, atribuiu um clima ainda mais sombrio ao ambiente das histrias, transformando-o totalmente.

    Essa fase do homem-morcego durou at os anos 80, quando Batman comea a aparecer na srie de televiso Superami-gos com uma imagem de heri adocicado e mais voltado para o pblico infantil. Em 1985, os dois caminhos se cruzam. Frank Miller, conhecido como o mo-de-ouro, cria a srie chamada O Cavaleiro das Trevas, marcada pelas sombras excessivas. O heri se transforma em um ser muito mais morcego do que homem e apresenta um Batman alucinado que combate o mal com o mal. Os traos de Miller revelam um mundo pesado e parecido com o pesadelo no qual o persona-gem se desloca, expondo toda a complexidade psicolgica de Wayne. Na srie de Miller, Batman incorpora e representa a filosofia pregada pelo autor, quando este diz que ningum pode sair impune de um con-fronto direto com a vida.

    Outra passagem que marca a trajetria do recm septuagenrio heri a morte de Robin, na his-tria intitulada Morte na Fam-lia, criada por Jim Aparo e Jim Starlim. A trama Piada Mortal, ambientada em um parque de diverses abandonado, e que tem o Coringa como personagem principal pode ser qualquer coisa, menos uma aventura inocente.

    Patric Chagas

    Da mesma forma que passou por diversas reformulaes nos quadrinhos, o homem-mor-cego tambm ganhou diferentes adaptaes para o cinema. Algumas bem sucedidas, outras nem tanto.

    Batman - O filme (1989)Aps presenciar a morte dos pais, Bruce Wayne jura proteger e livrar Gothan City de todos seus criminosos e passa a ajudar a policia em sua luta contra o crime. O filme traz no papel principal o ator Michael Keaton, e o ator Jack Nicholson na pele de seu inimigo Coringa. O longa foi premiado com o Oscar de melhor direo de arte.

    Batman O retorno (1992)A sequncia, estrelada por Michael Keaton no papel principal, conta a histria de um menino deformado que jogado por seus pais em rio de Gothan City e que, 30 anos mais tarde, ressurge como o criminoso Pingim, interpretado por Danny DeVito. O filme concorreu a dois Oscar e traz a atriz Michelle Pfeiffer no papel da Mulher-Gato.

    Batman Eternamente (1995)Interpretado pelo ator Val Kilmer, a novidade da sequncia de Batman fica por conta do apare-cimento do menino prodgio, Robin, interpre-tado por Chris ODonnell. Os viles da vez so o temido Duas Caras, alterego do promotor Harvey Dent, e o pirado (e engraado) Charada, interpretado por Jim Carrey.

    Batman e Robin (1997)A trama mantm Batman e Robin juntos. A novi-dade a presena de George Clooney protago-nizando o homem-morcego. A histria traz como vilo Senhor Frio, interpretado pelo atual governa-dor da Califrnia, Arnold Schwarzenegger, e Uma Thurman como Hera Venenosa, alm de Alicia Sil-verstone como Batgirl. Em 1997, o longa recebeu 11 indicaes ao Framboesa de Ouro, espcie de o Oscar s avessas para os piores filmes.

    Batman Begins (2005)Aps alguns anos de descanso, o cavaleiro das sombras volta telona. A nova verso base-ada em duas histrias clssicas do heri: Ano I e O Longo Dia das Bruxas. Dessa vez, a histria conta os passos de Bruce Wayne at se tornar o homem-morcego. Com Christian Bale como Batman e mais um elenco de apoio que conta com nomes como Morgan Freeman, Michael Cayne, Lian Neeson, entre outros. O filme foi muito elogiado e ganhou uma indicao ao Oscar na categoria de Melhor Fotografia.

    Batman O cavaleiro das trevas (2008)A sequncia de Batman Beggins foi o filme mais esperado de 2008. O ponto forte do filme a luta pessoal entre Batman e Coringa. O vilo tenta de maneira anrquica por a prova a moral do cavaleiro das sombras. Chris-tian Bale permanece no papel do cavaleiro das trevas, mas quem rouba a cena Heath Ledger, ao interpretar o vilo Coringa. O ator foi premiado, postumamente, com o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. A produo tornou-se a quarta maior bilheteria da hist-ria, arrecadando US$ 1 bilho, e ainda abo-canhou outra estatueta na categoria Melhor Edio de Som.

    O cavaleiro das trevas nas telonas

    O justiceiro, que foi criado em 1939 e migrou das histrias em quadrinhos para a tv e o cinema, comemorou 70 anos em 2009

    FOTOS CAROLINA MORO

    repOrtagem

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    junho/julho 2009

    Msicas romnticas, cartes com recados de amor, vitrine enfeitadas com coraes. Tudo vlido para lembrar o dia 12 de junho. Mas e como ficam os solteiros diante da data que celebra a unio?

    Estar sozinho no Dia dos Namorados, tanto por opo, quanto por no ter encontrado a pessoa certa (ou errada) no significa estar excludo ou enca-lhado. Da mesma forma que estar comprometido, essa uma fase de aprendizado e amadure-cimento pessoal. A diferena a de que, estando sozinha, a pessoa precisa buscar a auto-suficincia e a independncia, enquanto acompanhada, o desafio outro, o de aprender a conviver com outra pessoa e de lidar com todas as dificuldades que esse relacio-namento implica.

    Exatamente por isso, estar solteiro acaba privilegiando quem quer curtir um tempo sozinho e respirar outros ares, alm de possibilitar apre-ciar bons momentos com os amigos, com a famlia, fazer festa ou se dedicar a tarefas profissionais. As amigas Dian-dra Lima, 20 anos, Fabiola Moura, 21, e Michele Rocha, 20, que no momento esto solteiras, acreditam que fazer festa entre amigos a melhor forma de passar a data.

    Os colegas de Jornalismo e solteiros, Lucian Ceolin, 21 anos, Felipe Rosa, 22, e Evan-dro Leo, 19, deixam como dica de programa para o Dia dos Namorados, para quem quer aproveitar a fase de solteirice, ir ao clube danar, sair com os amigos para uma rodada de cer-

    veja e dormir mais cedo. Por outro lado, existem os sol-

    teiros que por terem terminado o relacionamento recentemente, ou de maneira inesperada, ainda no se recuperaram total-mente. No caso da acadmica de Direito Larissa Frana, 18 anos, o fator que decretou o fim do namoro, h dois meses do Dia dos Namorados, foi a distncia. Ser um dia normal. Porm, um pouco triste, ressalta ela.

    Entre os que preferem se dedi-car a uma carreira solo e enca-rar o 12 de junho como outro dia qualquer est o tambm solteiro e acadmico de Jor-nalismo Giulianno Olivar, 20 anos. Tenho outra prioridades, como a minha faculdade, e no tenho tempo para me dedicar a uma pessoa, esclarece Olivar.

    O fato de se estar s no Dia

    Beijos, abraos, afagos e palavras carinhosas so alguns dos gestos que caracterizam o 12 de junho, conhecido no Brasil como o Dia dos Namorados. E como toda data comemorativa, de uma forma geral, acaba tendo atrelada sua celebrao algum elemento que se vincule ao consumo, colo-cando em segundo plano o lado sentimental e afetivo. E acompa-nhando os batimentos dos cora-es apaixonados, o comrcio foi inovando cada vez mais at chegar ao formato atual, que ofe-rece infinitas opes para todos os gostos e idades.

    Entretanto, o Dia dos Namora-dos possui uma peculiaridade: ao mesmo tempo em que valoriza a presena do presente, no per-mite que os sentimentos percam a importncia que possuem, e ainda proporciona s pessoas a possibilidade de perceberem de que existem inmeras formas de agradar seus companheiros. Seja com cartes romnticos, choco-lates, flores ou presentes, o que vale no deixar a data passar em branco. Criar algo diferente e que surpreenda a ordem do dia.

    Um jantar a luz de velas ou uma viagem a dois para um lugarzinho mais frio so formas bem criativas de agradar o com-panheiro e, ao mesmo tempo, um motivo para fugir da rotina. Segundo Nara Santos, 30 anos, funcionria da agncia Guinarte Campos Viagens & Turismo, os casais que optam por viagens preferem destinos onde o frio ajude a esquentar a relao, como Buenos Aires, Chile e serra gacha. H tambm quem pre-fira os ares da fronteira, como

    Mais do que bons amigos

    Com presentes, flores, beijos e outros gestos carinhosos, o Dia dos Namorados a data para reforar os laos afetivos

    Lucian (a partir da esquerda), Felipe, Evandro e Giulianno no se preocupam por passar o Dia dos Namorados desacompanhados

    o caso de Thays Cervi Ceretta, 17 anos, que decidiu celebrar a data em Rivera, com o seu namo-rado. Do mesmo modo, existem aqueles casais que, para reforar seus votos, preferem passar o dia juntos e noite degustar um belo jantar romntico, como planeja-ram Dandara Flores, 19 anos, e Leandro Minato, 21, que namo-ram h quase trs anos.

    Nessa perspectiva de agradar o namorado, emoo e criatividade no faltam para a acadmica de jornalismo Liciane Brun, 19 anos, que pretendia fazer uma surpresa para o namorado: uma camiseta com poemas e frases romnticas ou uma caixa com vrios presen-tinhos para ele. No momento de responder sobre o que gostaria de ganhar ou fazer de diferente

    no dia, Liciane direta: Quero flores, muitas flores.

    As flores ganham destaque entre os smbolos porque acabam representando o sentimento daquele que presenteia, e mesmo que no seja um presente que v durar por muito tempo, elas se transformam em uma lembrana que passa a ser guardada no corao de quem as recebe. Na floricultura onde Marta Londero trabalha, o Dia dos Namorados a data em que o estabelecimento mais procurado depois do dia das mes. Segundo ela, a maior parte dos clientes que procura por flores so homens, pois ainda existe um pouco de preconceito das namoradas em presentear os companheiros dessa forma.

    Mas o Dia dos Namorados

    tambm serve para celebrar a unio dos casais mais entrosa-dos e que esto em nveis mais avanados de relacionamento, como morando juntos ou casa-dos, o que atribui data um carter de reforo dos laos e do amor que os membros desses casais sentem um pelo outro. Marta destaca que a inteno que gira em torno das flores no se restringe ao dia dos namora-dos: Os nossos clientes geral-mente so casais que mandam flores no s nesta data, mas quase sempre.

    A proprietria da floricultura, Jussara Rosa, explica que as flores so uma boa opo para quem quer emocionar a pessoa amada. Ganhar flores o mesmo que ganhar uma jia, pois a sen-

    Enquanto isso, os solteiros...

    sao a mesma. Fica marcado na emoo, ressalta ela.

    No mesmo embalo do impacto causado pelas flores, nada melhor do elaborar uma programao diferenciada e que v alm do beijo e do abrao. Pensou boba-gem no foi? Mas o casal Amanda Lopes, 21 anos, e Antonio Santos, 23, explica. Eles, que namoram h um ano e oito meses, sabem que programas a dois no faltam. No sabemos ao certo o que vamos fazer, talvez assistir um filme a dois ou sair para jantar, sugere Santos.

    Aqueles que preferem home-nagear com palavras, poemas ou uma msica e no tem coragem ou acreditam que vo gaguejar, a tele-mensagem por telefone ou carro de som se transforma em uma alternativa. Segundo Sil-vana Trindade, dona de um tele-mensagem, a busca pelo servio aumenta bastante no Dia dos Namorados. A procura muito boa pelas mensagens, tanto por eles, quanto por elas. O nosso tra-balho dobra, comenta Silvana.

    Independentemente do presente e da ocasio que se esteja plane-jando, o mais importante no Dia dos Namorados so os sentimentos que envolvem o relacionamento e de que forma eles sero expres-sos. O que pode ser feito tanto em programas externos, como res-taurantes e viagens, quanto casei-ros, e sem perder o romantismo necessrio data. Assim pensa o namorado de Daiane Meinerz, 21 anos, e acadmico de publicidade e propaganda, Maurcio Lavarda, 21: A melhor declarao no aquela que dita, mas o que voc for fazer pela pessoa amada. Isso sim declarar o amor.

    dos Namorados acaba sendo avaliado de diversas maneiras e depende muito do ponto de vista e a fase experimentada por cada pessoa. O certo que existem diferentes formas de se alcanar

    a felicidade e a realizao pes-soal tendo companhia ou no. E s depende de cada um.

    Jucineide Ferreira e Francielle Bueno

    gabriela perufo

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    rEportagEM

  • As cortinas se abrem perante plateia ansiosa. De maneira sincronizada com as sombras que desapare-cerem diante das luzes que se intensificam, o homem passa a dar espao e vida para o persona-gem. A cada ao que, aleatoria-mente, conjuga a arte apreendida com a necessidade do improviso, a realidade vai se mesclando arte. Dessa forma, o palco, a plateia, o improviso, as cenas e a ao deixam de serem simples palavras e passam a caracterizar o cotidiano de um ofcio nem to simples assim: os atores de teatro, que tem o palco como uma segunda casa, e a interpretao de histrias e personagens como a paixo de suas vidas.

    o prazer de viver histrias semelhantes a essas que atraiu o estudante Jarbas Franceschi, 19 anos, que h mais de dois anos integra o projeto Literatura em Cena. O grupo de teatro apre-senta de uma forma diferente as obras que integram as leituras obrigatrias do vestibular, e que tem como principal objetivo o de facilitar a memorizao. As obras encenadas so exclusiva-mente voltadas para vestibulan-dos, nossas apresentaes so nas salas do cursinho, na biblio-teca pblica e em algumas esco-las, explica o estudante.

    Outro personagem que atua no contexto teatral de Santa Maria, e que tambm integra o projeto Literatura em Cena o ator Jader Guterres, 34 anos. Ele, que teve o primeiro contato com o teatro na 5 srie do Instituto de Educao Olavo Bilac, bacharel em Inter-pretao Teatral pelo curso de Artes Cnicas da UFSM. Alm de encenar, o ator j dirigiu apro-ximadamente 15 espetculos, e explica que a afinidade com a arte veio desde pequeno. O teatro a mais completa das artes. Engloba artes visuais, msica, dana, arquitetura, literatura e tudo mais, complementa o ator.

    E ao falar em teatro torna-se impossvel no fazer referncia ao Santa Cena, que h oito anos realizado em Santa Maria. O evento coordenado pela pro-fessora de teatro, e formada em Publicidade e Propaganda e Artes pela UFSM, Ftima Marques. O festival nasceu de um acordo entre a Associao Santa-Mariense dos Professo-res de Artes Cnicas (Aspac) e a Secretaria de Cultura. Foi idealizado visando colocar na vitrine toda produo teatral de Santa Maria. A cada ano, abor-damos um tema, mostrando um aspecto do teatro no mundo, explica Ftima. Segundo ela, j foram retratados temas do

    teatro no Brasil, no Rio Grande do Sul e na America Latina, e a prxima edio pretende dar destaque para elementos da escola francesa. Vamos mos-trar o teatro francs, a erudio e a cultura da Frana, comenta a coordenadora.

    Uma das caractersticas do Santa Cena a entrada franca, que permite que a comunidade assista, gratuitamente, s apre-sentaes. Na contramo da iniciativa que busca garantir o acesso da populao cultura, est a falta de colaborao dos rgos pblicos. No ano pas-sado foi difcil. O festival se montou sem dinheiro, explica Ftima, que destaca que a situ-ao financeira desse ano est tranquila. Segundo Jader, o governo municipal poderia investir mais no setor cultural e patrocinar festivais como o Santa Cena. Existe mo de obra teatral excelente aqui, o que no existe incentivo, protesta.

    Entretanto, outro problema de Santa Maria com relao ao teatro a falta de infraestrutura. De acordo com Ftima, a criao de um teatro popular que com-portasse 900 pessoas ampliaria o espao destinado ao pblico e, como conseqncia direta, o cenrio cultural local, o que no acontece com os 300 lugares dis-ponibilizados pelo Teatro Treze de Maio. Eu aposto na nossa cidade, existe uma vida cultu-ral muito grande aqui. Tanto faz se ou no a cidade cul-tura. No adianta colocar esse ttulo na cidade sem construir nada antes, ressalta Ftima. Ela acredita que preciso empenho poltico, movimento de unio e esforo da populao para que a cidade engrene cada vez mais em busca pela ampliao do cenrio cultural. O artista no corre atrs, ele cava seu espao, conclui a professora.

    Por Liciane Brun

    abra 19 impresso 11

    junho/julho 2009

    Em busca do cenrio perfeito

    Para Jader Guterres (acima, como palhao, e ao lado, interpretando Noel Rosa):

    o teatro uma arma. Basta us-la de maneira correta e para o bem.

    Atores de teatro tm no palco uma segunda casa e, na interpretao de histrias e personagens, a paixo de suas vidas

    Os grupos teatrais lutam por dar sequncia a suas atividades apesar da falta de infraestrutura adequada em Santa maria

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    fotos aRquivo pessoal

  • juNHO e julHO / 2009

    jornal experimental do Curso deComunicao Social - jornalismo - uNIFRA

    abra@unifra.br

    19 Impresso

    Falar em comunicao, e mais especfico em jor-nalismo, remete, para a maior parte das pessoas dis-tantes desse campo, ideia de escrever para jornais e apre-sentar telejornais. Essas duas reas, no entanto, so apenas duas dentre tantas que os profis-sionais podem optar e aos quais so apresentados durante a gra-duao. Correndo por fora dos holofotes da preferncia dos acadmicos est a comunicao comunitria, que se apresenta como um dos carros-chefes da Unifra, e que, reconhecida-mente, aproxima o aprendizado terico e prtico do cotidiano das comunidades da cidade.

    A cada semestre, os acadmi-cos de jornalismo da instituio elaboram e colocam em prtica diferentes projetos de extenso que aliam o gosto por determi-nado veculo comunicacional e a necessidade de alguma comu-nidade ou entidade.

    Um desses trabalhos desenvol-vidos a oficina de fotografia, que pretende mostrar comuni-dade de Santa Maria o dia-a-dia das crianas do Lar de Joa-quina. Os acadmicos sugerem, a cada aula, diferentes ativida-des que visam estimular o olhar crtico e criativo das crianas e tambm do noes de ngulo, foco, enquadramento e outras caractersticas tcnicas da foto-grafia. Ao final do trabalho, ser realizada uma exposio no Lar de Joaquina, na Unifra e nos shoppings da cidade para apre-sentar as fotografias feitas pelas crianas. A autoria do projeto dos acadmicos Ananda Dele-vati, Cassiano Cavalheiro, Lais Bozzeto, Manuela Silveira, Marta Kochann e Potira Souto.

    Os problemas ecolgicos expostos em blog

    J o Blog do Eco (www.blogdoeco.blogspot .com), elaborado pelos acadmicos Bernardo Bortolotto, Gilberto Rezer, Rita Barchet, Andrez Granez e Osvaldo Henriques buscou conciliar a conscien-tizao junto com a incluso

    digital. O trabalho envolve a realizao de uma oficina de produo textual com os alunos da escola Jos Oto e pretende alertar e expor para a comunidade alguns problemas ecolgicos. Nas aulas minis-tradas, os acadmicos ensinam aos alunos noes bsicas de construo textual e formas de detectar e divulgar os proble-mas de sua comunidade como forma de buscar por melhorias e solues. Alm dos textos elaborados em aula, samos pelas ruas em torno da comuni-dade tirando fotos e realizando entrevistas para, mais tarde, divulgarmos no blog, explica Osvaldo Henriques. Os alunos da escola Jos Oto tambm visitaram a Unifra e participa-ram da gravao de um pro-grama radiofnico transmitido na Rdio Cara FM.

    A TV tem um grande poder de abrangncia e visibilidade, e

    foram esses princpios que moti-varam as acadmicas Vanessa Moro, Francine Boijink, Ediane Alves e Denise Braga a produ-zirem uma reportagem televi-siva sobre o Lar Vila das Flores, da zona norte de Santa Maria.

    A entidade foi escolhida por ser uma ONG que desenvolve ati-vidades e projetos com o obje-tivo de melhorar a qualidade de vida e o fortalecimento dos laos sociais. Aps visitarmos alguns beneficiados e familia-

    res que moram nas redondezas dos trilhos e do Arroio Cadena, vimos a importncia do Lar na comunidade. Foi o que motivou o grupo, afirma Vanessa.

    A acadmica tambm escla-rece que grande parte dessas famlias no possui vnculo empregatcio e sobrevive da coleta de materiais reciclveis, alm de morarem em casas insalubres instaladas em terre-nos invadidos nas margens dos trilhos do trem.

    Nessas trs iniciativas dos aca-dmicos de jornalismo da Unifra, a comunicao se transforma em um meio de alcanar e levar benfeitorias s comunidades e trazer tona a realidade vividas por elas, e que, muitas vezes, de desconhecimento do restante da populao justamente por no serem retratadas e enfocadas pela mdia tradicional.

    Cassiano Cavalheiro

    A servio da comunidade

    As crianas do Lar Vila das Flores (acima)

    participaram de uma reportagem

    televisiva. J a garotada do Lar de Joaquina (ao lado) mergulhou

    nos mistrios do olhar e

    aprendeu a lidar com a mquina

    fotogrfica

    EdianE alvEs

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