19ª Edição Fev / Mar 2012

Download 19ª Edição Fev / Mar 2012

Post on 22-Mar-2016

217 views

Category:

Documents

2 download

DESCRIPTION

19 Edio Fev / Mar 2012

TRANSCRIPT

  • Ano 3 . N 19 . Fevereiro / Maro 2012

    ISSN 2179-6653

    O que nOs aguarda em 2012?Uma perspectiva para as commodities ao longo deste ano.

    Aps quatro edies falando dos mercados do leite, carne, caf e sucroalcooleiro, saiba as expectativas para 2012.

  • 2Fev / MAr 12

    H 35 anos no mercado, a Grfica Nacional agora oferece o que h de melhor no mundo em termos de

    tecnologia grfica, uma moderna impressora japonesa RYOBI GE 524.

    A RYOBI GE 524 possui recursos tecnolgicos de ltima gerao, garantindo preciso, rapidez e uniformidade das cores desde as primeiras folhas impressas.

    Grfica Nacional, inovando para melhor atend-los.

    CONSTRUINDO LAOS

    Rua Marechal Deodoro, 856 - Centro - Gov. Valadares - MG | 33 3272-1414Rua Caets, 35 - Lj. 04 - Iguau - Ipatinga - MG | 31 3822-8828

  • 3Fev / MAr 12

    Entre matrias, entrevistas, anlises de mercado e da-dos estatsticos, fazemos mais um aniversrio. uma conquista para ns da Revista Agrominas festejar dois anos em maro e entrar em nosso terceiro ano editorial. Muitos amigos foram feitos, histrias foram compartilhadas, conhe-cimento estendido e a sensao de que estamos cumprindo nosso papel: o agronegcio da sua regio em nossas mos, de modo a fomentar o setor e valorizar os produtores do sul baiano, norte capixaba e de Minas Gerais.

    Agradecemos aos nossos colaboradores por fazerem parte desta famlia. Sabemos que a importncia de divulgar tecno-logia, novidades e notcias do agronegcio, pelas mos des-ses conhecedores tcnicos, engrandece a nossa publicao. A vocs que dedicam um tempo de seu ms para nos ajudar a produzir a Revista Agrominas, nosso muito obrigado.

    Agradecemos tambm aos nossos leitores: produtores rurais, estudantes, professores e profissionais do setor que veem na Agrominas um veculo educativo e de potencial dentro do agronegcio. Desta forma, nos preocupamos em fazer um contedo cada vez mais antenado nas novidades do setor e uma revista sempre em crescimento.

    Neste ritmo de mudanas, para melhor claro, estamos preparando mais dois cadernos tcnicos para as prximas edies. Mas as novidades no param por a. Procurando a ampliao do nosso objetivo, o nosso leitor ter outra no-vidade: o que antes ficava s impresso no papel ou online, ser digitalizado para a TV: vem ai o Programa Agrominas. Ficou curioso? Pois ento aguarde os prximos captulos.

    Boa leitura!

    Editor-ChefeDenner Esteves FariasZootecnista - CRMV-MG 1010/Z

    Jornalista Responsvel / RedaoLidiane Dias - MG 15.898

    Jornalistas ColaboradorasAlessandra Alves - MG 14.298 JP

    Diagramao Finotrato Design

    Contato PublicitrioElisa Nunes - (33) 3271.9738 comercial@revistaagrominas.com.br

    Colaborao- Alexandre Sylvio - Eng. Agrnomo- Emater/IMA/Idaf/Adab- Humberto Luiz Wernersbach Filho - Zootecnista- Mariana de Arago Pereira - Prof. Ruibran dos Reis - Climatempo- SCOT Consultoria

    DistribuioVale do Rio Doce, Vale do Mucuri, Vale do Jequitinhonha, Vale do Ao, Extremo Sul Baiano e Norte Capixaba.

    Tiragem: 5.000 exemplares

    Impresso: Grfica Nacional

    A Revista AgroMinas no possui matria paga em seu contedo.

    As ideias contidas nos artigos assinados no expres-sam, necessariamente, a opinio da revista e so de inteira responsabilidade de seus autores.

    Administrao/Redao - Revista AgroMinasRua Ribeiro Junqueira, 383 - Loja - Centro 35.010-230 | Governador Valadares-MG Tel.: (33)3271-9738 E-mail: jornalismo@revistaagrominas.com.br

    Denner Esteves FariasEditor-Chefe

    4 Giro no Campo6 Entrevista10 Entidade de Classe

    12 Grandes Criatrios

    15 Dia de Campo

    18 Sade Animal20 Caderno Tcnico23 Forragicultura26 Agroviso

    28 Sustentabilidade30 Perfil Profissional31 Meteorologia32 Mercado34 Cotaes35 Mo na Massa36 Emater | IMA | Idaf | Adab40 Aconteceu42 Culinria

    Uma publicao da Minas Leiles e Eventos Ltda.

    edIt

    orIA

    l

    NdI

    ce

    http://www.facebook.com/revistaagrominasRevista On-Line:www.minasleiloes.com.br

    Siga-nos:twitter.com/RevistAgrominas

  • 4Fev / MAr 12

    GIro

    No

    cAM

    po

    O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuria, que a soma das riquezas geradas pelo setor, cresceu 3,9% em 2011 sobre o mesmo perodo do ano anterior. Em va-lores correntes, chegou a R$ 192,7 bilhes. O percentual ficou acima do PIB da economia que, em igual perodo, cresceu 2,7%, segundo dados do IBGE divulgados na tera-feira, 6 de maro. Os dados mostram ainda que no perodo, a indstria cresceu 1,6% e os servios 2,7%.

    Na avaliao do coordenador de Planejamento Estra-tgico do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abasteci-mento (Mapa), Jos Garcia Gasques, o bom desempenho do PIB da Agropecuria reflete os resultados positivo de

    produtos como o algodo, caf, cana-de-acar, milho e soja. Tambm deve ser considerada a evoluo dos pre-os agrcolas que foram favorveis no ano passado.

    O quarto trimestre de 2011 foi o melhor do ano, com crescimento do PIB Agropecurio de 8,4%, ante 1,4% do PIB brasileiro. A variao da indstria foi negativa (0,4%) e do segmento de servios o crescimento foi pe-queno (1,4%). Para Gasques, o aumento da produtividade na agricultura e os bons desempenhos de produes espe-cficas, como laranja, mandioca, fumo e feijo foram pre-ponderantes para esse desempenho no trimestre. (Fonte: Assessoria de Imprensa MAPA)

    Agropecuria tem o melhor ndice do pIB

    exportaes de cooperativas

    tm novo recordeAs exportaes das cooperativas brasileiras

    apresentaram crescimento de 21% em janeiro de 2012, quando comparadas ao mesmo per-odo do ano passado. No primeiro ms do ano, foram exportados US$ 352,9 milhes. Este foi o melhor resultado alcanado desde a srie em 2006. Historicamente, a balana comercial das cooperativas apresenta saldo positivo e alcan-ou US$ 329,9 milhes em janeiro, resultado tambm recorde para o perodo. Hoje, 93 pases importam produtos de cooperativas brasileiras. Em janeiro passado, eram 11 destinos a menos. O levantamento das operaes de exportao e importao das cooperativas brasileiras elabo-rado pelo Ministrio do Desenvolvimento, In-dstria e Comrcio (MDIC).

    Entre os principais produtos exportados pe-las cooperativas destacam-se os do agronegcio. O mais vendido foi o caf e representou 20,3% do total exportado, com montante de US$ 71,7 milhes. O farelo de soja movimentou 60,1 milhes (17%). Em seguida aparecem: acar refinado, pedaos e miudezas comestveis de frango e etanol. (Fonte: ASCOM MAPA)

    Imag

    em Il

    ustra

    tiva

    MAp

    AVariao do PIB da agropecuria

    2009-3,1%

    20106,3%

    20113,9%

    exportao de mel cresce em Minas Gerais

    Caf, acar, carne e soja no foram os nicos produtos que se des-tacaram no cenrio das exportaes do agronegcio de Minas Gerais em 2011. De acordo com informaes da Secretaria de Estado de Agri-cultura, Pecuria e Abastecimento (Seapa), com base nos dados do Mi-nistrio de Desenvolvimento, Indstria e Comercio Exterior (MDIC), as exportaes do mel vm se destacando em Minas Gerais e somaram US$ 1,7 milho em 2011, apontando um crescimento de 18% em rela-o ao ano anterior. O volume de exportaes tambm cresceu: foram 559 toneladas, o maior volume desde 2004, quando 290 toneladas do produto deixaram o pas.

    Minas Gerais o quinto maior produtor de mel do Brasil. A regio que mais produz Jequitinhonha/Mucuri, representando 22,7%, segui-do por Central (15,2%), Sul de Minas (14,5%), Rio Doce (12,8%), Zona da Mata (11,3%), Norte de Minas (9,3%), Centro Oeste (6,4%), Trin-gulo (4,2%), Alto Paranaba (2,3%) e Noroeste (1,2%). O mel brasileiro teve como principal destino o Estados Unidos. As compras americanas aumentaram 66,4% entre 2010 e 2011. O pas comprou, em 2011, US$ 1 milho, correspondendo 58,7% da produo exportada, totalizando 327,2 toneladas. (Fonte: SEAPA)

  • 5Fev / MAr 12

    SAFRAS & Mercado divulgou na l-tima semana de fevereiro as projees das exportaes do complexo soja brasileiro em 2012, aps a contabilizao parcial das perdas de safra em funo da estiagem e depois de ter fechado o ano passado com recordes histricos de volume e de valor.

    O novo relatrio apontou volume to-tal a ser embarcado no complexo de 48,6 milhes de toneladas, perto de 1% inferior aos 49,08 mls de t registrados em 2011.

    Por conta da combinao de menor vo-lume com preos mdios mais baixos, a receita total das exportaes do setor deve ter uma forte queda de quase 10%, passan-do de US$ 24.15 bilhes para US$ 21.75 bls. Dessa maneira, a participao do setor na pauta geral de exportaes deve recuar para apenas 7,8%, depois do salto at 9,4% ocorrido no ano que passou. (Fonte: Fa-brizio Gueratto)

    restrio dos eUA carne suna pode ser revista preo dos

    alimentos no mundo sobe mais uma vez

    As restries dos norte-americanos carne bovina brasileira devem sofrer alteraes depois da visita da presidente Dilma Rousseff a Washington, nos Estados Unidos, em abril. Ela visitar o pas entre os dias 9 e 11 do prximo ms. O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, disse que est confiante na abertura do mercado norte-americano ao produto brasileiro.

    J me acenaram com a liberao [da carne bo-vina] em 13 estados, alm de Santa Catarina, onde a carne suna j foi liberada [em janeiro], e eu sa bem otimista do encontro. Agora, temos uma via-gem aos Estados Unidos da presidenta Dilma. Eu quero, inclusive, acompanh-la e trazer alguma coisa mais objetiva de l, disse o ministro. Apesar de importarem grande quantidade de carne suna, os Estados Unidos tambm exportam, o que difi-culta aos produtores brasileiros a venda de grandes volumes para o pas. Em janeiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (cuja sigla em ingls USDA) comunicou o reconhecimento de equivalncia do servio de inspeo de carne suna do Brasil. (Fonte: Agncia Brasil)

    Pelo segundo ms consecutivo, os preos de alimentos no mundo su-biram, trazendo de volta temores com a inflao. Segundo dados divul-gados em 08 de maro pela Organizao das Naes Unidas para Agri-cultura e Alimentao (FAO), parte do problema foi o aumento do preo do acar por conta das condies climticas no Brasil, maior exportador mundial. Cereais tambm registraram altas. A nova elevao vem com a previso da FAO de que este ano a produo de trigo atingir nveis prximos ao do recorde de 2011. No total sero produzidos 690 milhes de toneladas. O volume apenas 1,4% abaixo do recorde de 2011, mas bem acima da mdia dos ltimos cinco anos. Mas isso no foi suficiente para frear os preos. Em fevereiro, a inflao nos alimentos no mundo foi de 1,0% em comparao ao ano passado. Em relao a janeiro, a alta foi de 2,4%. (Fonte: Jamil Chade / O Estado de So Paulo)

    depois de recordes, exportaes de soja devem recuar em volume e valor em 2012

    Imag

    em Il

    ustra

    tiva

    Imag

    em Il

    ustra

    tiva

  • 6Fev / MAr 12

    eNtr

    evIS

    tA

    desafios, certezas e incertezasanO nOVO traz nOVas exPectatIVas Para O agrOnegcIO BrasIleIrO

    Para muitos 2012 um ano pro-ftico que acabar no dia 21 de de-zembro. Para outros apenas uma histria. Bom, se o mundo ir acabar ou no, ai j no com a gente. Isso outro assunto. Porm, esse ano reserva expectativas para o agrone-gcio. Positivo ou no, um novo ano e investimentos em tecnologias, mo de obra e conhecimento, so alternativas para uma busca de bons resultados em 2012. Nas edies de nmeros 15, 16, 17 e 18, abordamos os mercados do leite, carne, caf e su-croalcooleiro, respectivamente. Agora, em perspectiva, abordamos os quatro mercados para esse ano.

    O cafOs desafios para 2012 so muitos.

    Na produo de caf, por exemplo, o custo de mo de obra especializada ser o maior desafio, segundo enque-te lanada pela CafPoint aos leitores. Entre os desafios expostos aos leito-res, estavam tambm as incertezas climticas e a importncia da gesto de custos. O custo de mo de obra especializada ficou em primeiro lu-gar com 18,79% dos votos. Segundo o site de consultoria, os trabalhado-res veem mais estabilidade em seus empregos fixos e com a contratao burocrtica, h dificuldade em se conseguir mo de obra para a poca de safra, o que eleva o preo dos tra-balhadores. Preocupao para os pro-dutores na poca da colheita, pois isso gera outro contraponto: a escassez de trabalhadores especializados.

    Embora os desafios tenham seu espao, como em qualquer commo-dity, o panorama para o mercado do caf ao longo desse ano bom. o que acredita o ex-Secretrio de Pro-

    duo e Agroenergia do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abaste-cimento, Manoel Vicente Fernandes Bertone. Os estoques internacio-nais so baixos, inclusive e princi-palmente nos pases produtores e o Brasil produzir uma safra de ciclo alto que apesar de ser nossa maior safra de todos os tempos ser apenas suficiente para manter o equilbrio de um mercado crescente e com produ-o estagnada em nossos principais concorrentes. Ser uma safra em que o Brasil ter excelentes condies de se aproveitar de oportunidades de crescimento no mercado internacio-nal de caf, aponta Bertone.

    No primeiro levantamento feito em janeiro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou--se uma safra entre 48,97 e 52,27 milhes de sacas beneficiadas. O crescimento entre 12 e 20% se com-parado safra anterior. Minas Gerais, maior produtor do caf Arbica, tem uma fatia significativa, girando em torno dos 25 e 27 milhes de sacas. O gerente de Cultura Caf da Bayer CropScience, Jos Frugis, informa que o cenrio deve continuar positivo para a cafeicultura brasileira. Para 2012, tudo indica que o setor perma-necer com estoques apertados, visto que a produo se mantm estvel e o consumo prossegue em alta, o que ajuda na manuteno dos bons preos da commodity.

    Em 2011 o consumo interno de caf no ficou para trs. Houve um crescimento de 3,11%, como in-formou os indicadores da Associa-o Brasileira da Indstria de Caf (ABIC). O levantamento per capita feito pela entidade apontou que o consumo do gro cru foi de 6,10 kg,

    quase 82 litros por brasileiro no ano. Para esse ano a ABIC cogita um au-mento de 3,5% em volume, elevando o consumo para 20,41 milhes de sacas. O Brasil um dos maiores produtores de caf do mundo e o con-sumo interno vem crescendo conside-ravelmente com o maior valor agre-gado dos gros, colocando o Brasil nos mesmos nveis de pases tradicio-nalmente consumidores na Europa, como Frana e Itlia, salienta Frugis.

    Bertone informa que a cafeicultu-ra brasileira grande e diversificada, o que resulta em regies com proble-mas e outras nem tanto. A diferena dessas safras, de ciclo alto e de ciclo baixo esto melhores. Pensando globalmente isso no ruim, pois podemos manter certa estabilidade de oferta no mercado e atender bem nossos clientes, sem os traumas de antigamente, quando soframos secas ou geadas intensas. A situao atual mdia e isso bom para o comporta-mento favorvel dos preos. Frugis lembra ainda que o clima influenciou negativamente a safra 2011/12, pois no perodo de florada houve estiagem nas principais regies produtoras do pas. Porm, os cafezais apresentaram uma melhora significativa na qualida-de dos gros e em produtividade de-vido aos investimentos dos produto-res nos ltimos anos em tecnologias, boas prticas agrcolas, preveno e manejo adequado de pragas e doen-as. O resultado: maior competitivi-dade nos mercados interno e externo.

    Bertone alerta que preciso ter cuidado nesse mercado. preciso considerar que os produtores tive-ram um perodo longo de preos baixos, o que ainda ter que se re-cuperar em uma ou duas safras. As

  • 7Fev / MAr 12

    R$ 1.317.601,00Bnus Fidelidade

    R$ 44.361.864,00Patrimnio Lquido

    R$ 7.428.427,00Impostos recuperados

    R$ 3.279.000,0017 novos caminhes na frota

    R$ 4.634.742,00Sobras distribudas na Assembleia

    Melhorar a qualidade do leite e do rebanho.Essa a nossa vocao.

    Venha ser nosso cooperado e faa parte da

    famlia cooperativista.(33) 3202.8300

    R$ 1.317.601,00Bnus Fidelidade

    R$ 44.361.864,00Patrimnio Lquido

    R$ 7.428.427,00Impostos recuperados

    R$ 3.279.000,0017 novos caminhes na frota

    R$ 4.634.742,00Sobras distribudas na Assembleia

    Melhorar a qualidade do leite e do rebanho.Essa a nossa vocao.

    Venha ser nosso cooperado e faa parte da

    famlia cooperativista.(33) 3202.8300

    perspectivas so boas, a mdio e longo prazo o Brasil melho-rar ainda mais sua posio de grande protagonista do setor no mundo, aumentar sua participao nos blends interna-cionais, alcanar em dois ou trs anos a primeira posio no mercado consumidor. Mas temos que dosar nosso cresci-mento ao crescimento do mercado, sob o risco de evoluirmos novamente para uma situao de desequilbrio que, no caso do caf, demora anos para se ajustar, considera o secretrio.

    O leIteJ para o lado dos produtores de leite, o maior desafio

    apontado pelos leitores na enquete da MilkPoint foi o custo de produo. Na pesquisa 36% dos internautas acreditam que o custo de produo ser o grande impasse ao longo deste ano, superando at mesmo o preo do leite, que ficou em terceiro lugar com 12% das respostas. Clima, mo de obra, adequao da qualidade do leite e outros, estiveram entre os desafios citados na enquete.

    O diretor executivo, Marcelo Pereira de Carvalho e a Coordenadora de Contedo e analista de mercado do Portal MilkPoint, Maria Beatriz Tassinari Ortolani, informam que em 2012 o mercado do leite continue estvel em bons pata-mares de preos ao produtor. A oferta de leite j no incio de 2012 foi marcada por uma acentuada estiagem na regio sul e chuvas na regio Sudeste. Por outro lado, o produtor est estimulado pelos longos meses de relativa estabilidade de preos em 2011, em patamares interessantes. Esses dois fatores com efeitos opostos esto hoje em equilbrio, que pode ser alterado caso a seca seja mais longa ou caso a pol-tica de preos favorea a produo: se houver forte estmulo produo, ainda mais em um cenrio de custos relativa-mente controlados, o resultado poder ser o de elevao mais significativa na oferta e consequente reduo de preos no segundo semestre, fazendo com que os preos em janeiro de 2013 se assemelhem mais ao comportamento verificado em anos como 2008/07, 2009/08 e 2010/09 do que nos ltimos dois anos, conjectura Ortolani.

    O zootecnista e consultor da Scot Consultoria, Rafael Ri-beiro de Lima Filho, aponta que a taxa de crescimento deve aumentar e a demanda do leite deve continuar firme. Segundo o consultor, os investimentos em alta tecnologia deram ao leite uma boa rentabilidade em 2011. Ganhamos em escala e pro-dutividade. A produo interna atende a demanda brasileira e deve crescer nos prximos anos. Para o produtor ser mais um ano bom pago pelo leite. Em relao ao custo ainda incerto, mas a gente trabalha com um nmero menor que 2011. Quan-to aos desafios, Filho v que o produtor ter uma dificuldade quanto qualidade do leite devido s mudanas na nova con-tagem bacteriana que entraram em vigor em janeiro deste ano.

    Ortolani analisa que o pas um dos mercados com maior crescimento de consumo do mundo. De 2006 at 2010 houve um

  • 8Fev / MAr 12

    crescimento de 1,3 bilho de litros/ano. Os preos pagos ao produtor esto entre os mais elevados. Porm, mesmo com essa condio, nos ltimos anos nossa produo no acompanhou o consumo e aumentamos as importaes, que s no foram maiores em funo de acordos com a Argentina e tarifas de importao de outros pases. O que explica um se-tor comparativamente bem remunerado no conseguir manter uma taxa de cres-cimento que mantenha sua condio de auto-suficincia? Alm da questo cam-bial, que dificulta nossa competitividade, h a eficincia dos sistemas de produo e a elevao dos custos, que nos colocam em uma posio desfavorvel. Nossa perspectiva de mdio/longo prazo vai depender da forma com que solucionare-mos essas questes.

    carneEntre demanda e oferta, no cenrio

    da carne estima-se que em 2012 a pro-duo nacional cresa mais que o con-sumo. De acordo com dados da Cepea, a taxa de crescimento da produo in-terna nos ltimos 10 anos de 3,57%. O zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria, Alex Santos Lopes da Silva diz que 21% da pecuria cres-ceu no ano passado. Para o consultor, preciso pesar fatores como a instabi-lidade econmica mundial, o que gera uma insegurana na populao, e o va-lor do dlar, que perdeu a sustentao e fez com que a carne brasileira perdesse competitividade no mercado externo.

    Mesmo diante de tais fatores, o po-der aquisitivo do brasileiro tem aumen-tado e consigo o consumo de carne. 2011 teve um nmero menor que 2010 em relao ao consumo interno, porm Silva ressalta que o consumo ainda foi bom e deu vazo para a produo que poderia ser exportada. Em 2012 acre-dito que devemos continuar com esse consumo. A economia nos permite que a gente tenha um consumo suficiente de carne bovina. Tem uma equao en-tre carne bovina e renda da populao:

    se a populao aumenta 1% sua renda, ela aumenta em 0,5% o consumo de carne bovina, compara Silva. Salien-ta ainda que o momento que estamos vivendo hoje de baixo ciclo pecurio. Desde 2007 est havendo reteno de fmeas, para a produo de bezerros, posteriores bois gordos, para o abate. Mas quando os preos abaixam de-mais, o produtor faz o sentido inverso: comea abater as fmeas para aumen-tar a escala de ganhos.

    O ndice FAO aponta que nos ltimos dez anos a carne foi o produto menos va-lorizado. O produtor precisa ficar alerta para a importncia dos investimentos tecnolgicos no gado para que se tenha produtos de alta competio no mercado. Os maiores desafios para 2012, vendo a atual situao do mercado para a carne, segundo o consultor da Scot, so o au-mento da produtividade, a diminuio nos custos, a profissionalizao, a pres-so do mercado e a tecnologia. Haver um crescimento gradual. Porm preci-so trabalhar custos, ficar de olho na crise econmica e ter mais competitividade. Precisamos evoluir muito na pecuria.

    sucrOalcOOleIrOA palavra do sculo XXI bioener-

    gia. Buscar alternativas e fazer inves-timentos em tal setor tm seu mercado garantido no Brasil. Entretanto, um fa-tor preocupa: conseguir suprir a deman-da do etanol. A safra 2011/2012 teve uma produo menor, perdeu competi-tividade em relao gasolina e pres-sionou a inflao. Se o mercado interno no est sendo suprido, quem dir as exportaes. No incio desse ano, uma notcia boa direto dos Estados Unidos foi de que a sobretaxa de US$ 0,54 so-bre o galo de etanol de cana-de-acar exportado pelo Brasil, foi eliminada. A informao seria melhor se o mercado no estivesse nessa situao.

    Escassez de chuvas, as pragas nas lavouras, solo compactado foram al-guns dos empecilhos. Mesmo diante desse cenrio, a expectativa de que

    neste ano haja uma melhora nos inves-timentos no setor. O gerente comercial de etanol do Grupo Delta Energia, Alexandre Astacio diz que uma srie de fatores contribuiu para esse cenrio: Comeamos com a crise de crdito no mercado financeiro, gerando fal-ta de caixa e investimentos em tratos culturais pelas unidades produtoras, a safra de 2009 extremamente chuvosa e estiagem em 2010. Esta soma de pro-blemas impactou drasticamente a safra 2011, que aps 10 anos de crescimen-to contnuo, teve uma quebra de 12%. Com isso, houve aumento do preo do etanol hidratado, que se manteve prxi-mo ao nvel de 70% de paridade sobre a gasolina C. Em contrapartida, ocorreu a queda do consumo de etanol anidro de-vido reduo de mistura imposta pelo governo de 25% para 20%, somada ao alto ndice de etanol anidro importado dos EUA. No mercado regional, preci-samos de mecanismos como incentivos e exonerao de impostos que tornem nosso produto mais competitivo, pois o Esprito Santo paga hoje uma das maio-res taxas de impostos na cadeia sucroal-cooleira, ressalta.

    Para Josil Jnior, superintenden-te do Grupo Delta Energia, a regio do norte capixaba teve uma situao diferente das outras regies, onde a safra 2011/12 foi consideravelmente produtiva e, em funo dos problemas regionais, houve uma sobra de cana--de-acar. Na ltima safra, houve diminuio da capacidade de moagem, o que desestimula o produtor a inves-tir na cultura. A mdio prazo devemos ter diminuio da produo por falta de investimentos no plantio e tratos, informa o superintendente. Esse ano, diante dessa estagnao, a expanso dever ser menor que no ano passado. Porm, de extrema importncia que so necessrios investimentos em to-dos os setores. S assim o Brasil pode-r ter um destaque no agronegcio em todas as cadeias produtivas.

  • 9Fev / MAr 12

  • 10Fev / MAr 12

    eNtI

    dAde

    de

    clAS

    Se

    Ahh... A Bahia! Terra de um povo alegre e fes-teiro. Porm, que tambm trabalha e tem seu espao no agronegcio brasileiro. E a preguia brin-cada em muitos programas de humor? Caracterstica que d lugar a lutas constantes no nordeste do pas. Os investimentos em tecnologias e no avano do estado, mostram o que que o baiano tem, como j cantou Carmen Miranda.

    Entre os desafios da Bahia desse Brasilzo de meu Deus, esto as entidades do setor agropecurio, que so base dos produtores rurais. O Sindicato dos Produtores Rurais de Mucuri que o diga. Criado pela necessidade de se resolver a crise da cacauicultura na

    cidade, tanto no valor da cultura, quanto de tecnologia, hoje com quase 42 anos de existncia, a entidade luta pela organizao do produtor, deixando mais fortes as lutas desse setor.

    Os produtores rurais de Mucuri, cidade situada no extremo sul baiano, no tinham representao. Com o apoio da CEPLAC, entidade federal promotora da Assistncia Tcnica Rural, por meio dos tcnicos da mesma, o Sindicato dos Produtores Rurais de Mucuri foi fundado no dia 07 de outubro de 1970. O primeiro presidente foi Andr Silva Castro, que permaneceu no cargo durante 08 anos, e atualmente o sindicato tem como presidente Pedro Correia Leite.

    Sindicato dos produtores rurais de MucuriO que que a BahIa tem?

    A sede do sindicato

    Foto

    : ped

    ro c

    orre

    ia

  • 11Fev / MAr 12

    Cinco presidentes j estiveram frente do sindicato: Andr Silva Castro (1970 a 1978), Firmino Griffo Ribeiro (1978 a 1990), Wilson Costa Oliveira (1991 a 1996), Fre-derido Najar Castro (1997 a 2003) e Pedro Correia Leite (2003 at hoje). A diretoria composta por 12 membros: Aloysio de Souza (vice-presidente), Achiles Eduardo Guerra Ramos (1 secretrio), Osmando Miranda Azeve-do (2 secretrio), Manuel Loures Alves (1 Tesoureiro), Ruy de Souza Neves (2 Tesoureiro), Marciano da Con-ceio, Pedro Giuberti e Jorge Ricardo Zon Prando (con-selheiros fiscais efetivos), Jos Salgado Neto, Ramalho Coelho Xavier e Ranolfo Alves dos Santos (suplentes).

    Um (01) funcionrio, auxiliar de administrao, faz parte da equipe da entidade. O sindicato, que tem sede prpria desde a sua fundao, localizado na Rua Ruy Barbosa, atende as necessidades dos associados, segun-do o presidente Pedro Correia. Junto aos produtores, o sindicato atua na promoo de cursos de capacitao e assistncia tcnica no campo, apoio jurdico, represen-tatividade e estabelecendo parcerias no municpio para melhor atender os produtores rurais. O presidente desta-ca que trabalham promovendo a adoo de novas tec-nologias, como o Balde Cheio, pagando parte da con-sultoria, estabelecendo novos empreendimentos rurais,

    como Apicultura. Parceiro na criao do Entreposto de Mel, aponta. Os dois programas citados acima des-taque para o presidente devido promoo junto pe-curia de leite e a apicultura. As parcerias so citadas por Correia como parte de aes que alm de ajudar a promoo do homem do campo, melhoram a qualidade de vida dos associados.

    Na criao do sindicato, 35 produtores rurais de Mu-curi se filiaram entidade. Atualmente, o sindicato possui 136 associados. No passado, o presidente informa que j chegaram a atender 600 produtores. Porm, com a aquisi-o das terras, de parte desses produtores, pelas empresas de celulose, o nmero caiu bastante. Os associados contri-buem com uma mensalidade no valor de 2% do salrio m-nimo. O sindicato complementa sua renda com aluguis e a contribuio sindical repassada pela CNA. Mesmo no possuindo rea prpria para eventos, o sindicato de Mucuri investe na realizao de eventos como Simpsio do Leite, exposies e feiras agropecurias. Para se filiar entidade, necessrio ser produtor rural e possuir uma propriedade dentro do municpio. A expresso popular, a unio faz a fora, s justifica o trabalho desses sindicatos. O produtor rural fica representado e a agropecuria mais forte em todos os cantos do pas.

  • 12Fev / MAr 12

    GrAN

    deS

    crIA

    trI

    oS

    A emoo da velocidade, a beleza dos msculos e a habilidade. Caractersticas condizen-tes com a raa Quarto de Milha. Um animal forte e verstil, que vira alvo de admirao onde quer que passe. A raa teve origem nos Estados Uni-dos por volta de 1600, resultado do cruzamento dos garanhes trazidos da Arbia e Turquia com as guas da Inglaterra. Assim, surgiu cavalos compactos, musculosos e com velo-cidade em corridas curtas. O nome tem origem nessas corridas promovi-

    das nas ruas e estradas do pas, com distncia de um quarto de milha, ou 402 metros.

    Essas caractersticas no seriam diferentes com o plantel da Fazenda Nossa Senhora de Ftima, perten-cente ao produtor rural valadarense, Lorenzo Benetti. A propriedade est situada no municpio de Governa-dor Valadares, s margens da linha frrea no Km 300, sentido Tumiri-tinga. Com 166 alqueires a proprie-dade dividida em dez piquetes. Na estrutura, uma pista de treino de 100

    x 40 metros proporciona aos ani-mais de prova um local de treinos dirios durante 1h.

    Cinquenta e um animais com-pem o criatrio, entre eles guas, garanhes, animais sendo treinados para provas e potros. Os trs gara-nhes da propriedade, Fishes To Fly, Fishes Daring e El Palomino, so criados nas baias. As guas e as potras so soltas a pasto, recebem rao nos piquetes e a gramnea que reveste a fazenda a Aruana. Obje-tivando a venda de animais, os mes-

    Quarto de Milha: Beleza, robustez e agilidade

    na prtica de esportes

    cOnhea um POucO da fazenda nOssa senhOra de ftIma e a crIaO da raa

    Foto

    s: lid

    iane

    dias

    Pista de treinamento

  • 13Fev / MAr 12

    mos esto sendo treinados para pro-porcionar aos cria-dores interessados no plantel, Quartos de Milha geneti-camente qualifi-cados e aptos para competies como Team Penning (Team = equipe e Pen = curral. Uma prova onde preciso separar uma quanti-dade de reses, do restante do gado e levar at o curral), provas de tam-bor, vaquejada, dentre outras.

    A estao de monta acontece de novembro a janeiro. A partir dos

    seis meses os potros so apartados da me para a venda. Vendas de smen tambm fazem parte do criatrio. At janeiro, por exemplo, com seis meses depois de ter comprado Fishes To Fly, 17 s-

    Foto

    : Fer

    nand

    o Ul

    hoa

    Carol

  • 14Fev / MAr 12

    mens do garanho tinham sido vendidos. Dois mdicos veterinrios do assistncia tcnica na propriedade: um na parte de reproduo e o outro no manejo sanitrio, dinamizando e cuidando da sade dos produtos da fa-zenda. O manejo sanitrio por sua vez, segue o calend-rio de vacinao. A preocupao com a anemia equina, influenza e o aborto so constantes. O produtor informa ainda que vinculado Associao Brasileira de Cria-dores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM).

    Um dos funcionrios da propriedade, Sisnando Car-los Dias da Silva, 22 anos, trabalha h um pouco mais de dez meses na fazenda, lidando com o manejo dos cavalos, treino e doma. Gosto de mexer com cavalos. um trabalho muito importante e de grande responsa-bilidade. Tem que ter dedicao no treino dos animais para que eles se saiam bem nas provas.

    O investimento na alimentao um auxlio. Benetti informa que a alimentao dos animais de corrida balan-ceada o ano todo, principalmente em poca de competio. Alfafa super balanceada, alm de vitaminas. O plantel se alimenta durante trs vezes ao dia: s 6h, s 11h e s 15h. Dois funcionrios trabalham no manejo com os animais.

    O produtor aponta que a versatilidade do Quarto de Milha que chamou a sua ateno. O foco da proprieda-de criar animais para prova atravs do melhoramento

    gentico, na venda de animais bem treinados e alimen-tados, alm dos smens dos garanhes. O investimento em biotecnologia alto, mas o que garante a qualidade do plantel, segundo Benetti. As matrizes so inseminadas com smens de cavalo de corrida. Eu gosto de veloci-dade e o Quarto de Milha uma raa que se enquadra nessa caracterstica. Antes de qualquer escolha, preciso ter conscincia que necessrio fazer investimentos. Os custos so altos, tem que se fazer um bom trabalho, criar animais de qualidade gentica e gostar da raa. S assim que se alcana resultados, salienta.

    O garanho Fishes To Fly

  • 15Fev / MAr 12

    Numa cidade pequena do Vale do Rio Doce, com um pouco mais de 4.000 habitantes, o gosto pela terra e a criao do gado de leite, tpica da regio. O defensor do gado Girolando 5/8 Holands, resistente ao clima e com boa produo, foi o alvo desse Dia de Campo. A cidade Marilac, a localizao da propriedade no Km 3, da MG 451. A fa-zenda Amsterd, onde o rebanho Holands, Gir e Girolando compem o plantel, pertence h 20 anos ao produtor rural Marco Antnio de Souza Braga, 54 anos. Casado com a pro-fessora Maria Renildes Bicalho Braga, 50 anos, natural de Peanha, mas mora em Marilac desde o nascimento.

    Numa rea de 9 alqueires, o plantel composto por 50 va-cas e dois reprodutores: um Nelore e um Holands. A repro-duo dos animais, j feita atravs de inseminao artificial, hoje feita com monta natural. Com o reprodutor Nelore feito o cruzamento com as matrizes 5/8 e com o Holands feito a monta com as fmeas 3/4. Durante todo o ano acon-tecem cruzamentos, porm, como o pico do cio das vacas ocorre em agosto e setembro, a estao de monta feita nesse perodo. Dessa forma, entre maio e junho o perodo de pa-

    rio. As fmeas entram em produo em torno dos 30 a 32 meses, com um intervalo de 12 meses entre os partos.

    A alimentao dos animais feita a pasto e a pastagem predominante a Braquiria. A alimentao complementa-da diariamente com volumoso no cocho. Essa silagem feita na prpria fazenda com sorgo ou milho plantados na rea que irrigada. Na poca da seca os animais recebem suplementa-o de concentrado. O sistema de gua atravs de um poo artesiano e de um lago que passa na propriedade. No curral h caixas dgua, destinadas aos bebedouros.

    Dividida em piquetes, h separao para os animais: dois piquetes so destinados aos bezerros e cinco para as vacas. O pastejo rotacionado, s que de forma semanal. Trs funcio-nrios ficam por conta do manejo: ordenha, irrigao, lim-peza dos currais que feita todos os dias, dentre outros. O plantio do sorgo feito em novembro, a colheita em janeiro e fevereiro, torna a colher em maio e no mesmo lugar que planta o sorgo, planta o milho em maio e junho. Um mdico veterinrio d assistncia tcnica na propriedade, cuidando da sanidade dos animais. O curral tambm apresenta a mesma

    Fazenda Amsterd e a produo leiteira

    dIA

    de c

    AMpo

    Foto

    : lilia

    ne d

    ias

  • 16Fev / MAr 12

    diviso, onde dois espaos so para os bezerros e cinco so para as fmeas, sendo que um (01) destes tem sombrite.

    Um tanque de resfriamento com capacidade total de 1870 litros utilizado para o armazenamento do leite. Em mdia por dia, a produo leiteira do rebanho gira em tor-no de 13,5 Kg. Duas vacas hoje se destacam quanto lac-tao: a Brasileira e a Jangada, que do em mdia 30 Kg/dia. A ordenha feita com ordenhadeiras, duas vezes ao dia: s 5h da manh e as 14h30.

    Mesmo com os custos altos, Braga informa que nas pe-quenas propriedades a produo leiteira o que d retorno hoje. Mas acrescenta que a venda de animais, tambm fei-ta na fazenda, complementa a renda e aumenta os lucros. Os animais 5/8 so destinados para as vendas, feitas de forma direta.

    Para garantir uma boa produo, o produtor aponta que preciso ter animais de boa qualidade e uma boa alimen-tao. J participou de quatro concursos leiteiros a nvel de fazenda quando fornecia para outro laticnio. Desses concursos, ganhou trs e ficou em segundo lugar no outro. Quanto raa, aposta no Girolando como a melhor opo. Eu sou um defensor do 5/8. Eu trabalho fazendo o 5/8 porque eu acho que o melhor gado para a regio, para o nosso clima. De experincia eu tenho uns dias. Todo o meu gado nascido na propriedade. No compro animal, s vendo. O que importante na produo porque assim eu conheo meu plantel, tenho todos os dados da histria dos animais. Mas o mais importante para produzir gado de leite gostar, se no gostar no adianta, pontua.

    Ordenhadeiras mecnicas

    Plantao de Sorgo

    Uma das matrizes da propriedade, Brasileira tem uma produo mdia de 30 kg por dia

    Foto

    s: lid

    iane

    dias

  • 17Fev / MAr 12

  • 18Fev / MAr 12

    So tanto os bernes quanto as miases, causadas por larvas de algumas espcies de moscas, que pelo fato de serem carnvoras necessitam penetrar na pele de algum animal, para se nutrirem da sua carne, e assim cum-prirem seu ciclo biolgico, transformando-se em seguida em insetos adultos.

    Diferenciam-se os bernes das miases cutneas, alm do fato de serem as larvas de espcies de moscas diferentes, pela particularidade biolgica dos bernes serem encontra-dos sempre isolados - uma nica larva em determinado lu-gar - nunca mais de uma larva num mesmo loco, a no ser quando pelas suas proximidades, poderem vir a se unirem os locais de ambos pelo desenvolvimento posterior das lar-vas. J nas miases cutneas, alm das larvas serem meno-res que as das larvas de moscas do berne, so encontradas larvas em nmero em geral grande, que chega at algumas centenas, todas em comum no mesmo local da penetrao, formando verdadeiras crateras na superfcie do corpo de suas vtimas.

    So vrias as famlias que pertencem tais moscas, po-rm sob o ponto de vista clnico-parasitolgico, so as mes-mas agrupadas em dois grandes grupos:

    l - Larvas que se nutrem de tecido vivo - Larvas biontfagas;

    2 - Larvas que se nutrem de tecido morto - Larvas necrobiontfagas.

    Como ressaltado anteriormente, so encontradas as lar-vas de moscas que constituem a doena com o nome de BERNE, sempre isoladas, em lcus individuais, por isso denominadas tambm de furunculosas e pertencentes s se-guintes espcies de insetos:

    Dermatobia hominis - Constitue-se a espcie tipo, que recebe no Brasil o nome de berne e na regio Amaznica o nome de Ura. Mede o inseto quando adulto, de 14 at 17 mm e chama a ateno o colorido metlico de cor azulada da sua regio abdominal; O trax castanho escuro com to-nalidade azulada manchada de negro, apresentando as bo-chechas de cor amarelo escura e brilhante.

    Como todo inseto, seu ciclo evolutivo passa por fa-ses: Os insetos adultos alados, acasalando-se entre si do origem a ovos que so postos pelas fmeas, e destes em seguida nascem larvas, que no caso por serem carnvoras necessitam se alimentar de tecido vivo de outros animais, vindo ento a parasitarem suas vtimas, constituindo-se

    SAd

    e AN

    IMAl

    Bernes dr. carmello liberato thadei

    Mdico veterinrio crMv-Sp-0442 retirado do site Sade Animal

    Imag

    em Il

    ustra

    tiva

  • 19Fev / MAr 12

    Bernes essa fase propriamente o que chamado de berne. Completa-do seu desenvolvimento no local em que se instalaram, essas larvas abandonam o local para continuarem seu desenvolvi-mento, transformando-se ento em pupa, para darem em se-guida origem ao nascimento de novos insetos adultos. Vinte e quatro horas aps a mosca ter abandonado o invlucro pupal, efetua-se a primeira cpula, iniciando-se a postura no stimo dia; Os ovos so depositados diretamente sobre a parte la-teral do abdome de outros dpteros (insetos com duas asas), como moscas silvestres e mesmo a mosca domstica (Musca domstica). Da o fato da Dermatobia procurar animais visi-tados assiduamente pelas moscas silvestres e por culicneos (famlia a que pertencem os pernilongos).

    A Dermatobia pe em geral somente 15 a 20 ovos pr vez, e pr inseto que apreende, porm pode chegar sua postura at a 400 ovos. Estes outros insetos, e no a pr-pria Dermatbia, so os veculos pelos quais a mesma se serve para levar seus ovos, e com eles, as larvas que vo em seguida, tendo contato com outros animais, e mesmo o homem, penetrar na sua pele, constituindo o que de-nominado BRNE. No local em que se alojam referidas larvas aps a penetrao na pele, custa da prpria carne de suas vtimas vo se desenvolvendo, pois o tecido vivo seu alimento; Ao cabo de 40 dias completado seu desen-volvimento, o que em alguns casos pode chegar a 70 dias, deixam o local em que estavam alojadas, e caindo no solo, transformam-se em pupas, as quais ao cabo de alguns dias do nascimento ao inseto adulto, para novamente repetirem um novo e idntico ciclo.

    A larva desta mosca facilmente identificvel pelo seu tamanho, por ser das maiores que se conhece, em torno de at 10 mm e outras caractersticas s visveis ao exame com lupa ou microscpio entomolgico. Outras espcies de in-setos parecidos com a Dermatobia, como as abaixo nome-

    adas, determinam doenas agora no aparelho digestivo de animais, com ciclo prprio de desenvolvimento:

    Gastrophilus veterinus e G. intestinalis - Ambos, em suas fases de larvas, tm localizao no aparelho digestino de animais da espcie bovina.

    Gasterophilus haemorrhoidalis e G. nasalis - Os hos-pedeiros habituais so cavalos e outros equdeos. Quando adultos no se alimentam e por isso tm vida curta. As f-meas pem os ovos nos plos dos animais e destes, as lar-vas que eclodem vo ter boca, vivendo em tneis cavados no tecido sub-epitelial da mucosa bucal e da lngua. Seu desenvolvimento larval completa-se no estmago ou nos intestinos, onde penetram na mucosa desses rgos, provo-cando escaras que algumas vezes podem inclusive provo-car perfuraes com complicaes graves pela associao com germes patognicos contidos no interior do aparelho digestivo. Ambas podem provocar no homem, ainda que raramente, miase do tipo larva migrans (Dermatose linear serpiginosa).

    Hypoderma bovis - H.lineatum - As larvas desses in-setos muito se assemelham s da Dermatobia, com a di-ferena de serem parasitas habituais de animais, principal-mente bovinos. Causam prejuzos considerveis ao couro dos animais explorados na produo de carne, pelo fato de seus couros ficarem danificados quando no imprestveis ao aproveitamento na indstria do couro.

    Oestrus ovis - Estes insetos tm a particularidade de serem parasitas habituais de animais das espcies ovina e caprina, e com localizao nasal em sua fase de larva. J assinalado como hspede do homem, porm sem haver che-gado a sua fase adulta. Em ovelhas, tm localizao sempre nasal, ou nos seios frontais e maxilares, causando forte irri-tao e excitao em seus hospedeiros, com sintomatologia que pode ser confundida com outras doenas.

  • 20Fev / MAr 12

    cAde

    rNo

    tcN

    Ico

    Por que no raro observamos tantas diferenas no desempenho econmico de sistemas de produo pecurios, mesmo em condies de clima e solo seme-lhantes? Certamente h diferenas nos objetivos de pecu-aristas individuais, assim como em suas capacidades de investimento. Mas o que realmente chama a ateno o estilo gerencial destes gestores rurais e suas habilidades em administrar o negcio pecurio.

    Sabe-se que a maioria dos pecuaristas brasileiros toma decises e as implementa com base na intuio. A intuio, segundo Nuthall (2011), reflete os anos de ob-servaes prticas e experincias, tanto prprias quanto aprendidas com terceiros, podendo incluir as influncias familiares. At certo ponto, o uso da intuio importan-te, pois economiza tempo e evita desgastes mentais com anlises desnecessrias, principalmente em situaes ro-tineiras. Apesar de essencial na gesto da propriedade ru-ral, o uso da intuio por si s pode ser insuficiente para que pecuaristas consigam responder a tempo, e eficien-temente, s demandas de mercado, s mudanas tecnol-gicas e s exigncias legais. E ai que outras habilidades gerenciais ganham importncia.

    Habilidade gerencial um conjunto de fatores tcni-cos, psicolgicos e sociais que determina a capacidade dos indivduos em resolver problemas. O sucesso de um gestor, portanto, depende essencialmente de como ele identifica os pontos de estrangulamento da produo, aplica os conhecimentos adquiridos ao longo do tempo para solucionar os problemas e monitora o resultado de suas aes. Nesse processo, diversos aspectos so rele-vantes entre eles: inteligncia, nvel educacional, perso-nalidade, experincia, estilo gerencial (ex. centralizador, consultivo etc.) alm dos objetivos pessoais. As influn-cias sociais, isto , de pessoas e instituies com as quais os pecuaristas interagem, tambm colaboram na defini-o de suas habilidades gerenciais.

    Tendo em vista que normalmente pecuaristas procu-ram minimizar os riscos envolvidos em suas decises,

    uma habilidade gerencial importante a capacidade de estimar o efeito de uma ao proposta. Em geral, quanto menor a diferena entre o estimado e o realizado, melhor a habilidade do pecuarista nesse quesito. Por exemplo, um pecuarista analisando a possibilidade de suplementar a recria na seca, calcula que o resultado ser um ganho dirio de 250g a um custo X. Depois de implementada a suplementao de seca e acompanhados os resultados reais, ele nota que a mdia diria de ganho de peso foi 255g. Essa informao fica armazenada em sua memria e indica que o planejado superou levemente o realizado. Quando, do contrrio, o realizado inferior ao estimado a primeira pergunta que ele se faz : Por qu?. Na bus-ca por respostas, ele analisa a situao e encontra o que limitou o resultado, se comprometendo a super-lo em um outro momento (ou a mudar a estratgia). Ao lon-go dos anos, esse processo se repete, gerando uma srie histrica de ao/resultado (seja mental ou formalmente registrada). Com isso, o pecuarista aprimora cada vez mais sua capacidade de estimar os resultados, aprenden-do com resultados anteriores.

    Assim sendo, o papel do aprendizado no aprimora-mento das habilidades gerenciais um fator que merece destaque, visto que o processo da aprendizagem permi-te que o pecuarista se torne cada vez mais preciso em suas previses de resultados. Existem diversos meios de aprendizado, tanto formal quanto informal. O aprendiza-do formal ocorre principalmente nas escolas e universi-dades, incluindo cursos de nvel tcnico, universitrio, ps-graduao ou treinamentos especficos na rea agro-pecuria. O aprendizado informal engloba as mltiplas interaes com atores da sociedade (conhecido como network) incluindo familiares, amigos, outros pecua-ristas e produtores rurais, consultores, pesquisadores e diversas instituies. J o aprendizado informal ocorre no dia-a-dia, atravs das observaes de campo e das experincias prticas na fazenda. Embora boa parte do aprendizado informal fique registrado na memria do

    Habilidade gerencial: um fatOr crucIal nO desemPenhO de sIstemas PecurIOs

    Mariana de Arago pereirapesquisadora da embrapa Gado de corte

    campo Grande, MS

  • 21Fev / MAr 12

    pecuarista, possvel fazer uso das diversas ferramentas de gesto disponveis e potencializar esse processo de apren-dizagem, com impacto nas habilidades gerenciais como um todo. Algumas dessas ferramentas so discutidas a seguir.

    usO de ferramentas de gestO nO desenVOlVImentO de haBIlIdades gerencIaIs

    Diversas ferramentas de gesto podem, e devem, ser usadas no suporte ao aprendizado informal de modo a for-maliz-lo dentro da propriedade rural, e assim contribuir no aprimoramento global das habilidades gerenciais dos pecuaristas. Tais ferramentas aplicam-se s principais re-as de concentrao gerencial, ou seja, organizao, plane-jamento e controle, assim como as subreas de produo, comercializao/marketing, financeiro/econmico e recur-sos humanos. O uso dessas ferramentas permite o registro de informaes que se tornam disponveis para consulta a qualquer momento e, teoricamente, por qualquer pessoa. Dadas as atuais exigncias de mercado, em especial a ras-treabilidade, essa disponibilidade de informaes sobre o

    sistema de produo tem se tornado crucial. A rea de organizao da empresa rural define a orga-

    nizao dos recursos produtivos, incluindo o uso da terra, os nveis de insumos a serem utilizados, as atribuies da mo-de-obra assim como o fluxo de servio dirio, mensal e anual. Tudo isso deve estar devidamente registrado e cla-ro para todos os envolvidos no processo produtivo. Uma ferramenta simples, barata e muito til na organizao das atividades o mural de atividades (foto).

    Arqu

    ivo p

    esso

    al

  • 22Fev / MAr 12

    Neste mural, usado por um pecuarista da Nova Zeln-dia, so registradas a lista de atividades a serem executa-das nas prximas duas semanas e os responsveis (Sche-dule), depois o planejamento dirio, seguido de uma lista com atividades pendentes e um mapa da fazenda com a identificao de cada piquete, sua rea e utilizao. A l-tima coluna, cujo detalhe no aparece na foto, ilustra um calendrio anual onde as principais atividades de manejo (ex. estao de monta) so anotadas para fim de planeja-mento de pessoal, maquinrio e recursos financeiros. Os itens a serem inclusos no mural variam caso a caso e cabe ao pecuarista definir que tipo de informao pertinente e til. O uso dessa ferramenta portanto permite a visualizao do fluxo de servio no curto e mdio prazo, favorecendo o desenvolvimento de habilidades ligadas a comunicao e ao planejamento da produo.

    Na rea de planejamento, tambm so vrias as ferra-mentas de gesto disponveis atualmente. Em geral, elas visam criar a oportunidade de o pecuarista analisar criti-camente o futuro, estabelecendo as aes que no presente o conduziro ao cumprimento de suas metas, habilidade essa de extrema importncia para a gesto estratgica do negcio. Alternativamente, a rea de planejamento e suas ferramentas de suporte a deciso podem ajudar o pecuarista a criar diversos cenrios para seu sistema de produo e escolher o mais vantajoso. Esse o caso dos programas Ge-renpec e Embrapec, desenvolvidos pela Embrapa Gado de Corte e disponibilizados gratuitamente em sua pgina na internet (http://www.cnpgc.embrapa.br). Ambos permi-tem que o pecuarista simule mudanas nos indicadores ou no manejo da propriedade e observe o impacto de longo prazo nas pastagens, ganho de peso, margens econmicas entre outros. O Embrapec (Embrapa, [n.d.]), porm, por ser mais sofisticado que o Gerenpec (Costa et al., 2006), requer maior capacitao de quem o estiver manuseando. H ainda o Embrapa Invernada, disponvel gratuitamente no site http://www.invernada.cnptia.embrapa.br. Este sof-tware incorpora dados climticos e de alimentos e simula o crescimento de pastagem e de animais, permitindo a anlise de cenrios, alm da formulao de raes.

    J na rea de controle, as ferramentas disponveis visam o registro de dados tcnico-econmicos do sistema de pro-duo, tanto para fins de auditoria (nos casos de rastreabi-

    lidade e certificao) quanto para a gerao de informaes qualificadas para a tomada de deciso gerencial. O controle tcnico consiste na anotao de dados relativos produo, incluindo registros genealgicos, estoque de rebanho, ga-nho de peso, consumo de concentrados, uso de medicamen-tos, vacinao e outras prticas sanitrias, controle de m-quinas, consumo de combustveis, esquemas de adubao/irrigao, uso de herbicida/pesticida entre muitos outros. Na rea de controle financeiro, o objetivo registrar recei-tas e despesas para o clculo de margens econmicas.

    Os controles podem ser feitos atravs de anotao em ca-dernos, agendas e planilhas eletrnicas ou ainda de softwares especficos para esse fim. A Embrapa Gado de Corte dispo-nibiliza gratuitamente algumas dessas ferramentas de contro-le gerencial como por exemplo fichas de controle zootcni-co (Corra et al., 2002) e o Controlpec (Costa & Corra, 2006), software de controle financeiro para pecuria de corte. Outras unidades da Embrapa, assim como empresas privadas, tambm oferecem diversas opes de ferramentas de gesto que podem ser utilizadas pelos pecuaristas.

    O uso contnuo das ferramentas de gesto, como as cita-das anteriormente, promove o aprimoramento da tomada de deciso por parte do pecuarista, e por consequncia, um in-cremento em suas habilidades gerenciais. Acredita-se que, no longo prazo, a melhoria dessas habilidades acarrete em sistemas de produo mais eficientes, competitivos, susten-tveis e com melhor retorno econmico.

    referncIas BIBlIOgrfIcasCorra, E. S., Costa, F. P., Amaral, T. B., Cezar, I. M. Fichas para

    controle zootcnico de bovinos de corte. Campo Grande: Embrapa Gado de Corte, 2002. 30 p. (Documentos,132).

    Costa, F. P., Corra, E. S. Controlpec 1.0: controle financeiro sim-plificado para a fazenda de pecuria de corte. Campo Grande: Embrapa Gado de Corte, 2006. 23 p. (Documentos,162).

    Costa, F. P., Corra, E. S., Feij, G. L. D. Gerenpec: aplicativo para planejamento da fazenda de gado de corte. Campo Grande: Em-brapa Gado de Corte, 2006. 33 p. (Documentos,143).

    Embrapa. [n.d.] Modelo bioeconmico de pecuria de corte. Dispo-nvel em: http://www.cnpgc.embrapa.br/produtoseservicos/embrapec/. Acesso em 03 Novembro 2011.

    Nuthall, P. Understanding managerial ability critical factors and their improvement. In: International Farm Management Association Congress, 18, Methven, New Zealand, 2011. Vol.1, p. 324-334.

  • 23Fev / MAr 12

    Certa vez a Brachiaria sp estava com alguns proble-mas de sade e resolveu ir ao mdico. Chegando l, o doutor perguntou por que ela achava que estava doente. Ento a pastagem respondeu que j no comportava a mesma quantida-de de gado, sua capacidade de rebrota j no era mais a mesma, que plantas invasoras estavam infestando sua rea e uma parte do seu solo estava sendo perdida quando chovia muito. Aps esse relato, concluiu-se que a pastagem estava com uma doen-a sria, a sndrome da degradao do pasto.

    Aps o diagnstico, o mdico disse que havia cura, mas que eram vrios tratamentos, e se fossem feitos s escuras, o custo poderia ser muito alto, e pasto no tem plano de sade. Ento o doutor fez mais uma sria de perguntas a paciente para ver onde estava o problema.

    A primeira pergunta que o mdico fez foi se ela compor-

    tava a quantidade de gado que estava alojada naquele mo-mento, e ela disse que j comportara uma lotao bem maior, mas que, em funo da doena, sua capacidade de suporte estava menor e que no suportava a carga animal atual. En-to, o mdico disse que a primeira medida de tratamento era diminuir a lotao e permitir um repouso ao pasto, para que ele pudesse se recuperar. Por isso, recomendou um descanso aps uma boa chuva e que em noventa dias retornasse ao seu consultrio para que fosse feita uma nova avaliao.

    Chegando a nova consulta, a Brachiaria sp menos ofe-gante, com melhor aspecto disse que o descanso ajudara muito, mas que ocorreram dois problemas nesse perodo. O primeiro, era onde colocar os animais que foram retirados de sua rea; o outro era que, apesar da melhora da rebrota, a mesma fora muito lenta e que, se fosse maior, poderia

    como anda a sade do seu pasto?

    Forr

    AGIc

    UltU

    rA

    Imag

    ens

    Ilust

    rativ

    as

    Humberto luiz Wernersbach FilhoZootecnista MSc / Supervisor de pesquisa

    Fertilizantes Heringer S/A

  • 24Fev / MAr 12

    ser utilizada novamente de forma mais rpida, ou suportar maiores lotaes.

    Esse problema era previsto, pois o gado era quem pa-gava os custos do tratamento e tambm manuteno de toda estrutura, por isso, no se podia trabalhar de qualquer maneira com o rebanho, pois corria-se o risco de no con-seguir arcar com os custos. Por isso, o doutor disse que a prxima etapa do tratamento era fazer com que parte da pastagem seja capaz de receber o excesso do gado retirado da rea que fora para descanso; e que a rea descansada teria sua capacidade de crescimento aumentada para se ter uma lotao maior na poca seca, que era uma das preocu-paes. A prxima etapa do tratamento era fazer correes e adubaes estratgicas da pastagem.

    Nessa nova situao que surgiu, o mdico preocupado com o custo, lembrando que o pasto no tinha plano de sade, solicitou um exame muito importante, uma anlise de solo. Subitamente, o pasto perguntou a ele qual importncia da-quele exame, ento o doutor respondeu que ele necessitava de 16 nutrientes essenciais, mas que as quantidades de cada um variavam. Carbono (C), hidrognio (H) e oxignio (O), que correspondiam a 95 % do seu peso eram assimilados via luz, sol, ar e gua os quais a natureza se encarregava de forne-cer. Mas os outros 13 nutrientes restantes que so: nitrognio (N), fsforo (P), potssio (K), clcio (Ca), magnsio (Mg), enxofre (S), zinco (Zn), boro (B), cobre (Cu), mangans (Mn), ferro (Fe), molibdnio (Mo) e cloro (Cl), que corres-pondiam por 5 a 10 % do seu peso, eram retirados do solo. Por isso, era necessrio verificar se ele estava sendo capaz de suprir suas necessidades nutricionais e se no suprisse, quais nutrientes estavam limitando. Pois se somente um limitasse, bastava corrigi-lo sem a necessidade de corrigir o restante, reduzindo assim o custo do tratamento.

    Feita a anlise, numa nova consulta, o diagnstico. Se-gundo o mdico, o solo apresentava acidez, excesso de alu-mnio, que era txico as razes do pasto, baixos nveis de fsforo e alguns micronutrientes, potssio em nveis m-dios e baixos teores de matria orgnica, que era uma das fontes de nitrognio para as plantas. Nesse cenrio, havia-se

    a necessidade de se corrigir a acidez permitindo uma melhor absoro de grande parte dos nutrientes, alm de neutralizar o alumnio txico que inibia o crescimento das razes. Para isso, o tratamento era uma calagem, feita dentro dos critrios recomendados pela cincia, de forma econmica, de prefe-rncia no final das chuvas, pois assim teria umidade para ir solubilizando e tempo para reao antes das adubaes sub-sequentes. A outra etapa fazer adubaes corrigindo fs-foro que estimula o crescimento de razes, micronutrientes que ajustam o crescimento da planta e nitrognio, que um dos responsveis pelo aumento na capacidade de rebrota da pastagem. Nesse caso, no seria necessrio aplicar potssio, haja vista que os teores no solo esto adequados e a maior reciclagem desse nutriente no sistema.

    Ento, aguardaram o perodo chuvoso, que era a poca indicada para os tratamentos, realizaram a aplicao dos nu-trientes. Nesse momento, a Brachiaria sp indagou o doutor se a aplicao dos nutrientes poderia ser em cobertura, ou se haveria a necessidade de incorporao, mas ele respon-deu que no, pois o sistema radicular e a palhada morta por cima da pastagem faria com que as pequenas razes, que esto muito prximas a superfcie do solo, absorveriam os insumos aplicados.

    Atualmente, a paciente s faz consulta de rotina. Mas segue cheia de obrigaes, como: ajuste na lotao, reser-va para seca, suplementao volumosa quando necessria e adubao de manuteno. Hoje, est vigorosa e produtiva e, acima de tudo, com maior capacidade de suporte e me-lhores ganhos em peso.

    errataNa ltima edio (18) foi veiculada uma tabela de Re-

    comendao de altura de entrada e sada de diversas gram-neas tropicais. Na referida tabela 1, desta seo, na linha da espcie Marandu, consta 251-452 de entrada e 151-252 de sada. Porm, os nmeros 1 e 2 deveriam estar sobrescritos como nota (as notas vm logo abaixo da tabela). Portanto, o correto seria 25 45 de entrada, correspondente a nota 1; 15 25 de sada, correspondente a nota 2.

  • 25Fev / MAr 12

  • 26Fev / MAr 12

    A nova ordem mundial clara: reduo da emis-so de carbono para atmosfera visando reduzir o processo de aquecimento global conforme preconizam muitos pesquisadores pelo mundo afora. Apesar de muito sensacionalismo e controvrsias no podemos desconside-rar que noventa milhes de barris de petrleo extrados das profundezas da terra e queimados diariamente no causem qualquer tipo de alterao no clima. E o carvo mineral? E as queimadas que consomem nossas matas e a de outros pases? Analisando todos estes eventos no podemos atual-mente enxergar o homem explorando o planeta e seus recur-sos naturais sem ter como um dos seus princpios a susten-tabilidade. Vamos imaginar o ciclo das guas que depende da evapotranspirao das florestas para a manuteno das chuvas alimentando continuamente os lenis de gua, as nascentes e os rios. Sabemos que sem gua no existe a agricultura nem a pecuria. O homem desmata tudo para plantar; compromete o ciclo das guas, reduz as chuvas tor-nando a regio, ao longo do tempo, rida sem condies de cultivo de espcies vegetais de alto rendimento, e a pergun-ta que fica : onde est a lgica do processo? Para sustentar os sete bilhes de habitantes do planeta no necessitamos

    mais desmatar novas reas, principalmente no Brasil. As tecnologias desenvolvidas pela pesquisa agropecu-

    ria comprovam isto com significativos aumentos de produ-tividade das culturas na mesma rea. Por conta da pesquisa e do investimento em tecnologia somos o pas com maior produtividade mdia de soja do mundo. E a cana-de-acar? Nossa mdia de produtividade j supera as 80 toneladas por hectare. Mas agora vivemos um novo desafio: compensar a grande liberao de CO2 para a atmosfera causada pelo desmatamento que foi realizado para implantao da agri-cultura e das pastagens, ou seja, retirar o CO2 da atmosfera e mant-lo no solo na forma orgnica, processo chamado de sequestro de carbono. Alm de beneficiar a atmosfera retirando o CO2, o carbono orgnico do solo melhora sua estrutura, aerao, reteno de gua e drenagem, fatores que beneficiam o crescimento das razes das plantas alm de liberar nutrientes minerais que favorecem a sua produ-tividade. Durante a colheita dos gros as palhadas como caules, folhas e razes ficam no campo, mas com o excesso de preparo do solo estes restos vegetais so rapidamente degradados pelos micrbios do solo liberando o CO2 para a atmosfera e acabando com a matria orgnica do solo. Uma

    Alexandre Sylvio vieira da costa engenheiro Agrnomo; dSc. em produo vegetal;

    professor titular/Solos e Meio Ambiente - Universidade vale do rio doceasylvio@univale.br

    Agropecuria de Baixo carbonoAG

    rovI

    So

    Imag

    em Il

    ustra

    tiva

  • 27Fev / MAr 12

    tcnica simples, mas muito eficiente, em que o produtor no mexe com o solo chamado plantio direto, reduz a ao dos micrbios sobre a palha, mantendo-a no campo por mais tempo. Alm do beneficio de sequestrar o carbono, man-tendo-o na forma orgnica, esta prtica de manter os restos da colheita sobre o solo, reduz os processos de eroso que degradam intensamente os solos. Em muitos casos a quanti-dade de restos de cultura que so mantidos no solo equivale presena de uma mata quando se trata da quantidade de carbono sequestrado. Outro grande benefcio desta prtica indireta: a reduo da utilizao de mquinas no preparo do solo reduz o consumo de combustveis fsseis como o leo combustvel, reduzindo a emisso de CO2.

    Atualmente temos outro desafio: possumos o segundo maior rebanho bovino do mundo com cerca de 220 milhes de cabeas. Animais que, devido s caractersticas de seu sistema digestivo, liberam constantemente gases decorren-tes de fermentaes dos alimentos. Parte destes gases pro-duzidos o gs metano (CH4), muito mais danoso a atmos-fera em termos de aquecimento do que o CO2.

    A agricultura e a pecuria, se manejadas de forma ade-quada e sustentvel tendem a contribuir para a reduo da quantidade de gases do efeito estufa da atmosfera e melho-rar o rendimento da prpria agropecuria deixando de lado o rtulo de vilo, entrando para o rol das atividades que interagem de forma positiva com o meio ambiente.

  • 28Fev / MAr 12

    De maneira geral, a sociedade tem muita dificuldade em manter o foco no uso consciente da gua... e o desperdcio vai se perpetuando, principalmente nas grandes cidades. certo tambm que o uso da gua pelo ser humano representa uma fatia pequena do consumo total, uma vez que cerca de 70% do uso vai para a agricultura, 20% para uso na indstria (nos produtos e processos) e apenas 10% da gua serve ao ser humano de forma direta. Isso significa que seria necessrio rever vrias das atividades humanas, se realmente queremos obter um maior impacto no uso mais racional deste recurso natural. um grande desafio, sem dvida.

    Acho importante chamar a ateno para outro problema grave e que est matando nossa gua, principalmente de que quem vive nos grandes aglomerados urbanos a falta de coleta e tratamento dos esgotos. mesmo um desastre ambiental dirio e silencioso. Menos de 44% da populao est ligada a uma rede de esgotos e menos de 30% do es-goto tratado, segundo dados do Ministrio das Cidades - Sistema Nacional de Informaes sobre Saneamento (Snis)

    2008 -, ento so bilhes e bilhes de litros de esgotos jo-gados in natura todos os dias nos nossos rios, lagos, bacias e mar. Isso significa um impacto ambiental grave que deve ser ferozmente combatido, se realmente queremos um pas sustentvel, econmica, social e ambientalmente.

    Poluda, a gua passa de grande aliada do ser humano a seu um inimigo mais poderoso ao transmitir vrias doenas, como mostrado pelo Instituto Trata Brasil em seu ltimo estu-do Esgotamento Sanitrios Inadequados e Impactos na Sa-de da Populao. Este estudo, realizado com dados das 81 maiores cidades do Pas (acima de 300 mil habitantes), mos-tra que as diarreias respondem atualmente por mais de 50% das doenas relacionadas ao saneamento bsico inadequado, e o pior de tudo, que o grupo mais vulnervel dessa tragdia so as crianas de at 5 anos de idade - em 2008 foram 67,3 mil crianas dessa faixa etria internadas por diarreias, nme-ro que representou 61% de todas essas hospitalizaes.

    Outro tema que beira o absurdo o nvel mdio de per-da de gua no Brasil que de 40%, um nmero assustador

    dia da gua: temPO de cOmemOrar... e reIVIndIcar

    SUSt

    eNtA

    BIlI

    dAde

    dison carlos Instituto trata Brasil

    publicado em planeta Sustentvel

    Imag

    em Il

    ustra

    tiva

  • 29Fev / MAr 12

    quando pensamos que de cada 100 litros de gua coletada da natureza e tratada para envio populao, 40 litros em mdia so perdidos, seja por vazamentos, seja por roubo ou outros fatores. H cidades no pas aonde as perdas de gua chegam a 70% ou at mais... o que dizer? certo que h tambm bons exemplos de empresas com fortes investimentos e que esto reduzindo as perdas para atingir nveis abaixo de 20%, mas o desafio grande e tem que ser perseguido diariamente. Cabe aos gestores pblicos responsveis, ou seja, Governo Federal, Governadores e Prefeitos, olharem atentamente a gesto das empresas operadoras em sua cidade ou Estado e cobrar estas melhorias, cobrar metas de avano em coleta e tratamento, cobrar transparncia dos dados sociedade, etc.

    S assim, com fiscalizao, com investimentos constantes na soluo dos esgotos, com amplas campanhas de informa-o sociedade e comprometimento dos governantes con-seguiremos ver nossos cursos dgua melhorarem trazendo de volta o ecossistema natural do oceano, dos lagos, rios e das bacias hidrogrficas, to importantes para o equilbrio da vida, para o abastecimento de gua das cidades, para o lazer e tantas outras coisas importantes ao ser humano.

    tempo de comemorar o Dia Mundial da gua (22 de maro), mas tambm de usar toda nossa energia na cobran-a das autoridades e na mobilizao da sociedade.

  • 30Fev / MAr 12

    perF

    Il p

    roFI

    SSIo

    NAl

    Para exercer qualquer funo ou atividade necessrio esforo, dedicao e conhecimento. Com o tempo e a prtica, todo trabalho aperfeioado. Com a rotina do produ-tor rural no seria diferente. Um trabalho instvel, dependente de fatores como o clima, o solo ou os animais, a atividade exige do profissional um trabalho rduo. Vendo como a base da manuteno das mesas no sustento dirio, conto agora um pouco da histria de um produtor rural.

    Aos 69 anos, natural de Santa Tereza (ES), o produtor rural, Jos Miguel Merlo, mora em Governador Valadares (MG) h 55 anos e trocou a vida de comerciante pela pecuria de corte. Em 1967 comprou a primeira propriedade rural, onde exerceu simul-taneamente ao comrcio. Em 1980, com a evoluo dentro da ati-vidade, preferiu se dedicar exclusivamente pecuria. Adquiriu outras propriedades ao longo dos anos e hoje possui cinco.

    Miguel Merlo trabalha com recria e engorda. Escolheu o foco pela falta de tempo de se dedicar integralmente, do que se fosse escolher a pecuria de leite, por exemplo. Com fornecimento da produo durante todo o ano, informa que procura vend-la para as empresas da cidade, movimentando a economia de Governa-dor Valadares. Para ele, preciso manter a credibilidade, dedica-o e gostar do negcio para ser um bom produtor rural. Se voc proprietrio de terra e no gosta, no adianta ser. fundamental que voc se dedique de corpo e alma. Depois, preciso ter a capa-cidade administrativa para gerenciar o seu negcio.

    Frisa que os gargalos da atividade so a falta de investi-mento, crdito em larga escala e o mercado final para a ven-da do gado de corte. O camarada para ser produtor rural no Brasil ele tem que ser artista porque no tem garantia de nada. Ele s tem garantia das despesas que aumentam todo o ms. Voc tem que jogar com a sorte. Ns temos que trabalhar com muita segurana, acompanhar o nosso negcio, tomar conta das nossas propriedades, porque seno fica difcil. preciso conscientizar o produtor de melhorar o rebanho, fazer aplicao de tecnologia para se ter um gado de qualidade.

    Totalmente integrado ao setor, procura sempre unir os seto-res do agronegcio. Porque, para Merlo, s atravs da unio que se ultrapassa as dificuldades. Filiado s entidades do setor, gosta de fazer parte da liderana destas: foi presidente e diretor comercial da Cooperativa Agropecuria do Vale do Rio Doce durante nove anos, scio-fundador da Unio Ruralista Rio Doce (URRD) e do Sicoob Crediriodoce, fez parte da diretoria do Sindicato dos Produtores Rurais de Governador Valadares e da URRD. Toda a experincia profissional que tenho hoje aos 69 anos eu agradeo de corao a essas entidades que eu pude e estou participando delas. Sou um vencedor. Tudo o que pretendia e almejava, eu estou conseguindo ao longo desses 45 anos de atividade e s tenho a agradecer tudo o que Governador Valadares me proporcionou at hoje.

    A vocao aliada experincia:

    um BreVe relatO de um PrOdutOr rural

  • 31Fev / MAr 12

    Met

    eoro

    loGI

    A termina o perodo chuvosoprof. ruibran dos reis

    prof. da pUc Minasdiretor regional da climatempo - Minas Gerais

    Imag

    em ilu

    stra

    tiva

    O perodo chuvoso em Minas Gerais comea em outubro e termina em abril. Entretanto, nas regies norte, nordeste e leste do estado o perodo chuvoso termina em maro. So as guas de maro fechando o vero, conforme disse Tom Jobim, e a presena da massa de ar seco vo dando caractersticas no final do ms de outono no estado.

    Neste ano, o fenmeno La Nia est atuando, e isto sedia, significa a temperatu-ra da gua do mar na costa do Peru e do Equador esto abaixo da mdia, h pouca evaporao e, consequentemente as massas de ar frio vo chegar mais cedo. A pre-sena de frentes frias durante o outono e inverno em Minas Gerais causam chuvas de fraca intensidade nas regies da Zona da Mata, leste e nordeste.

    As chuvas do ms de maro so tradicionalmente na forma de pancadas de final de tarde, devido ao calor e a disponibilidade de umidade. Os temporais ocorrem de forma isolada. H previso da presena de pelo menos uma frente fria em Minas Gerais, que dever causar chuvas abaixo da mdia histrica, com atuao entre os dias 8 a 15 de maro.

    No se deve comparar o que est acontecendo neste perodo chuvoso com o do ano anterior, pois neste ano as chuvas foram muito atpicas, e apesar do ms de maro do ano anterior ter sido chuvoso, os modelos mostram que as chuvas devero ficar entre 30 a 40% abaixo do valor esperado nas regies leste e nordeste do estado.

  • 32Fev / MAr 12

    Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatsti-ca (IBGE) os abates de bovinos no terceiro trimestre de 2011 somaram 7,28 milhes de cabeas, resultado 1,5% inferior ao do mesmo perodo de 2010, quando foram abati-dos 7,39 milhes de animais. Vale destacar que estes abates se referem queles sob algum tipo de inspeo, municipal, estadual ou federal. A informalidade no estimada.

    Em julho foram abatidas 2,39 milhes de cabeas, quanti-dade 6,8% inferior do mesmo perodo em 2010. Em agosto os abates superaram os do mesmo ms de 2010 em 4,0%. Foi o nico no trimestre com abates maiores que em 2010. O re-sultado em setembro foi 1,3% menor que no mesmo perodo do ano anterior.

    A participao de fmeas nos abates, considerando a rela-o entre vacas e a soma de bois e vacas, ficou em 36,1%, ante 31,9% no mesmo trimestre de 2010. No acumulado dos primei-ros nove meses de 2011 foram abatidos 21,45 milhes de bovi-nos, quantidade 2,8% menor que no mesmo intervalo de 2010.

    Foram 7,40 milhes de vacas e 11,20 milhes de bois. No-vilhos, novilhas, vitelos e vitelas somaram 2,85 milhes. Enquanto os abates de bois caram 9,4%, houve aumento de 12,1% na quanti-dade de vacas que foram para o gancho, na comparao com 2010. A relao entre vacas e o total de bois e vacas ficou em 39,8% nos primeiros nove meses do ano passado. Esta foi maior participao desde 2008, quando as vacas compuseram 40,2% desse total. Em 2009 a relao foi de 37,4% e em 2010 ficou em 34,8%.

    Apesar dos resultados ruins da ltima estao de monta terem influenciado um abate maior de fmeas no incio de 2010, a manuteno de nveis maiores de participao desta categoria merece ateno quanto alterao de tendncia nos preos. A oferta modesta de bois ao longo do ano acaba in-fluenciando a demanda dos frigorficos por vacas, para com-porem as escalas, na falta de bois. Os preos da reposio, embora firmes, no tiveram valorizaes expressivas ano passado, o que pode ter pesado na opo do pecuarista pela venda, considerando os preos atrativos das fmeas.

    As vacas continuam indo para o gancho

    Mer

    cAdo

    por Hyberville NetoZootecnista | Scot consultoria

    Imag

    em Il

    ustra

    tiva

  • 33Fev / MAr 12

    por Jssyca GuerraScot consultoria

    Segundo levantamento da Scot Consultoria, em 2011 o pecuarista recebeu mais pelo litro de leite do que em 2010. Na mdia ponderada no Brasil o preo pago ao produ-tor foi de R$0,80/litro, 13,4% maior que em 2010.

    Entretanto o custo de produo tambm subiu. Este foi puxado principalmente pela alta nos preos dos alimentos (milho e soja), fertilizantes, defensivos e sementes. Em 2011 o custo da pecuria leiteira ficou 32,9% maior que em 2010.

    Na figura 1 pode-se observar que a rentabilidade mdia da atividade leiteira de alta tecnologia em 2011 foi menor que a de 2010, mas mesmo assim maior do que a rentabilidade da maioria das atividades agropecurias. Tambm rendeu mais que a poupana e ficou acima da inflao no ano. Figura 1.

    A diferena da rentabilidade da pecuria leiteira de alta tec-nologia para a de baixa tecnologia de 7,1 pontos percentuais.

    Isso mostra a necessidade do pecuarista investir na ativi-dade. No necessariamente adquirindo mquinas e equipa-mentos caros, mas investindo na nutrio do rebanho para que a produtividade seja constante durante todo o ano, fazen-do manejo e adubao do pasto, selecionando os melhores animais e descartando os piores, cuidando da sade dos ani-mais e fazendo um manejo preventivo.

    Para 2012 espera-se que os preos do leite ao produtor continuem em patamares elevados e que o custo de produo seja ligeiramente menor que em 2011.

    Entretanto, este cenrio vai depender principalmente do comportamento do mercado do milho. Ainda h muitas incer-tezas quanto oferta e demanda do produto nesta temporada.

    Figura 1. Rentabilidade mdia da atividade leiteira alta e baixa tecnologia.

    Fonte: Scot Consultoria www.scotconsultoria.com.br

    rentabilidade da pecuria leiteira

    em 2011

    Agentes do setor cafeeiro iniciaram 2012 otimistas. A produo na temporada 2012/13, tanto brasileira quanto mundial, pode no ser suficiente para acompanhar o crescimento da demanda global e recompor os estoques em mbitos brasileiro e mundial a volumes que tragam alvio ao setor. Esse cenrio, por sua vez, pode fazer com que os preos sigam atrativos.

    As demandas nacional e mundial tm sido crescentes. Estima-tivas do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Uni-dos) indicam que, entre 2002/03 e 2011/12, o consumo mundial cresceu 16%, totalizando 133,85 milhes de sacas de 60 kg na atual temporada. Para o Brasil, o consumo interno aumentou 46% no mesmo perodo, alcanando cerca de 19,8 milhes de sacas de 60 kg na temporada 2011/12, segundo dados do USDA. De modo geral, previses de consultorias internacionais apontam que o consumo global deve se manter no mesmo patamar indicado pelo USDA, caso a crise econmica nos pases ricos no se acentue.

    Em contrapartida, a oferta no tem acompanhado o mesmo ritmo. Segundo a srie histrica do USDA, desde a safra 1977/78, o maior volume j produzido no mundo foi de 136,377 milhes de sacas, na temporada 2010/11. Para a safra 2011/12, de bie-nalidade negativa, o USDA estima produo de 133,8 milhes de sacas volume bastante similar ao consumo mundial. Com o consumo mundial praticamente igual produo global, no foi possvel elevar os estoques nesta temporada. Assim, o estoque de passagem da temporada atual deve ser um dos menores dos ltimos 10 anos, totalizando apenas 24 milhes de sacas (USDA).

    Anlise conjuntural ArBIcA e coNIlloN

    Anlise do mercado cafeeiro elaborada pelo cepea.

    equipe: dra. Margarete Boteon, caroline lorenzi e Mayra viana

    Cotaes Maro 2012 / Coocaf Arbica

    Bebida Dura Tipo 6 | R$ 390,00Rio Tipo 7 | R$ 310,00

    Cereja Descascado Fino | R$ 400,00

    Imag

    em Il

    ustra

    tiva

    Imag

    em Il

    ustra

    tiva

  • 34Fev / MAr 12

    cotA

    eS

    Boi Gordo (r$/@)

    Fonte: Beefpoint

    data VIsta a PrazO

    IndIcadOres eslaq / Bm&f BOVesPaBOI gOrdO

    02/03

    05/03

    06/03

    94,97

    94,81

    94,41

    96,00

    95,69

    95,64 Fonte: Beefpoint

    VencImentO fechamentOdIferena dO dIa

    anterIOr

    Mar/12

    Abr/12

    Mai/12

    93,65

    93,00

    93,02

    (r$/l)cOtaes dO leIte cruPreOs PagOs aO PrOdutOr

    preos do leite

    r$/lItrO rs scPrsPmg gO Ba

    Jan /12 0,8220 0,8083 0,8733 0,8385 0,8396 0,7408 0,8269

    Fev / 12 0,8388 0,8286 0,8681 0,8355 0,8480 0,7353 0,8338

    Set/11 0,9065 0,8201 0,9395 0,8770 0,9240 0,7615 0,8747

    out/11 0,8962 0,8225 0,9397 0,8692 0,9326 0,7482 0,8812

    Nov/11 0,8606 0,7665 0,9208 0,8594 0,8769 0,7431 0,8354

    dez/11 0,8400 0,8037 0,8969 0,8430 0,8565 0,7566 0,8435

    Fonte: cepea - esalq/USp

    -0,80

    -1,00

    -0,61

    mercadO futurO (Bm&fBOVesPa) 03/12

    3434AGoSto 2011

  • 35Fev / MAr 12

    Hidroponia pode ser soluo para cultivo em ambientes pequenos

    projeto do dr Jorge Barcelos da labHidro da Universidade Federal de Santa

    catarina - retirado do Site ciclo vivo

    A hidroponia a cincia que cultiva plantas sem a necessidade de solo (substrato). As razes ficam embebidas em gua da qual recebe uma soluo com nu-trientes essenciais, em quantidade necessria para o desen-volvimento saudvel do vegetal.

    materIal:- 1 pote de sorvete de dois litros (com tampa);- 6 garrafas PET de cinco litros (uma para recortar e cinco para dissolver os nutrientes);- 1 rolo de fita adesiva aluminada, bem reflexiva;- 1 medidor de 10 mL;- 1 kit de adubo;- 1 muda de alface (adquirida em agropecuria. Mas, possvel comprar a semente de alface e fazer a prpria muda em casa).

    mtOdO: Faa uma abertura na tampa do pote de sorvete do ta-manho da tampinha da garrafa de cinco litros. Em seguida pegue uma garrafa PET e recorte a parte superior, para fazer um funil de 4 cm de altura. Na tampinha faa duas aberturas, deixando uma parte intacta no meio para que a raiz no caia. Envolva todo o pote de sorvete, inclusive a tampa, com a fita adesiva aluminada. Feche o pote de sorvete e encaixe o funil na abertura.

    PreParO da sOluO: Colocar um pouco de gua potvel nas cinco garrafas PET e adicionar um saquinho de adubo em cada uma delas. Para dissolver completamente, feche a garrafa e agite bem. A seguir, complete todas as garrafas com gua potvel (5L no total). As garrafas devem ser ar-mazenadas em local totalmente protegido da luz.

    cOmO adIcIOnar a sOluO nutrItIVa e a muda: Encha o pote de sorvete at a metade com gua potvel. Retire com o medidor 10 mL de cada garrafa (soluo) e adicione no pote de sorvete. Lembrando que o medidor dever ser lavado antes de retirar do prximo. Feche o pote e em seguida pegue o fu-nil com tampa, coloque a muda no orifcio e encaixe o bico da garrafa na tampa do pote. Complete com gua potvel at que encoste na base da tampa do funil, o ideal que ultrapasse a base da tampa cerca de 2 mm. Mantenha a planta protegida da chuva e sempre exposta ao sol. Elas precisam de horas de exposio, se isso no acontecer ou ficar a meia sombra a muda poder atrofiar e no se desenvolver.

    manutenO da muda: Cerca de seis dias depois o nvel da soluo com nutrientes comea a baixar, ento neces-srio fazer a reposio (adicionar mais soluo), para isso a maneira mais prtica de fazer deixar preparada e mis-turada em um balde com tampa e protegido da luz. Retire com uma caneca a quantidade de soluo suficiente para completar o nvel do pote de sorvete.

    *exemPlO de PreParO da mIstura: em um balde 20L complete 19,5L de gua + 100 mL de cada adubo = 20 L de mistura.

    Mo

    NA

    MAS

    SAFo

    to: l

    ab H

    idro

  • 36Fev / MAr 12

    eMAt

    er

    Instruo Normativa 62 IN62, do MApA entra em vigor

    Marcelo Bomfimcoordenador regional de Bovinocultura

    UreGI Guanhes eMAter MGeng Agrnomo

    especialista em Bovinocultura de leite

    O mInIstrIO da agrIcultura, PecurIa e aBastecImentO reVIsOu a In51 de 2002, que cOntm as nOrmas de PrOduO, qualIdade e

    transPOrte dO leIte, atraVs da PuBlIcaO da In62

    ndice medido (por propriedade ou por tanque

    comunitrio)

    cBt contagem Padro em Placas (cPP), expressa em ufc/ml

    (mnimo de 01 anlise mensal, com mdia geomtrica sobre

    perodo de 03 meses)

    ccs contagem de clulas somti-cas (ccs), expressa em cs/ml (mnimo de 01 anlise mensal, com mdia geomtrica sobre

    perodo de 03 meses)

    A partir de 01.7.08 At 31.12. 2011 regies: S / Se / co

    A partir de 01.7.10 at 31.12.12regies: N / Ne

    750.000

    750.000

    A partir de 01.01.12 at 30.6.2014 regies: S / Se/ co

    A partir de 01.01.13 at 30.6.15regies: N / Ne

    600.000

    600.000

    A partir de 01.7.14 at 30.6.16regies: S / Se / co

    A partir de 01.7.15 a 30.6.2017regies: N / Ne

    A partir de 01.7.16regies: S / Se / co

    A partir de 01.7.17regies: N / Ne

    300.000

    500.000

    100.000

    400.000

    A IN51 implantada em 2002, constitui a legisla-o sanitria do Plano Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite, vem de maneira gradual implan-tando padres para a reduo dos limites permitidos de Contagem Bacteriano Total CBT e da Contagem de Clulas Somticas - CCS. Nos nove anos de sua im-plantao, foram alcanados resultados muito positivos nestes parmetros, mas devido principalmente a falta de infraestrutura, tais como: energia eltrica nas proprieda-des e estradas rurais para o escoamento da produo e tambm na capacitao dos produtores nas boas prticas de manejo e de controle sanitrio, os produtores no al-canaram os padres de qualidade definidos nesta IN.

    Devido estes acontecimentos e com base em estudos da EMBRAPA Gado de Leite e no histrico dos programas de qualidade dos laticnios, foi publicada no Dirio Oficial da Unio a Instruo Normativa 62 IN62, no dia 30 de dezembro de 2011, onde sua principal regra j comea a ter validade partir o dia 1 de janeiro de 2012, quando os

    produtores das regies Sul, Sudeste e Centro-Oeste tero novos limites para a Contagem Bacteriana Total CBT e Contagem de Clulas Somticas CCS.

    Todos estes estudos e anlises histricas chegam concluso, que reflete um consenso de toda a cadeia pro-dutiva do leite, levando em considerao o pedido de produtores que no conseguiram cumprir o prazo para a reduo dos limites previstos na IN51, mesmo com o esforo dos produtores, laticnios e as empresas de ex-tenso pblicas e particulares. Os novos ndices e prazos determinados pela IN62 esto descritos na tabela abaixo.

    Esta normativa tambm incrementa o texto original, complementando o controle sanitrio de brucelose e tu-berculose, alm de normatizar itens no esclarecidos no texto original, como a obrigatoriedade da realizao de anlise para pesquisa de resduos de inibidores e antibi-ticos no leite e outras lacunas observadas nestes nove anos de execuo da legislao.

  • 37Fev / MAr 12

    IMA

    A mosca negra dos citros (Aleurocanthus Woglumi) um inseto picador sugador. O dano causado pela mosca ocorre quando ela suga as folhas tanto na fase jovem como na adulta, alimentando-se de grandes quantidades de seiva da planta e causando definhamento lento at sua morte.

    Alm disso, ela excreta gotculas aucaradas sobre as fo-lhas, local excelente para o desenvolvimento do fungo, cha-mado fumagina, que recobre a folha inibindo sua respirao e a fotossntese, a alta concentrao da fumagina interfere na formao dos frutos, prejudicando a produo e diminuindo o valor comercial do produto entre 20% a 80%.

    O inseto pode ser encontrado durante todo o ano, entre-tanto a sua reproduo baixa nos meses mais frios. Os ovos so depositados em espiral sobre as folhas, em grupos de 35 a 50. A ecloso se d em quatro a doze dias, dependendo do clima. As fmeas podem gerar 100 ovos durante a vida. As ninfas so ativas de colorao negra, achatadas e com seis pernas. Elas se movem por um curto perodo de tempo, prin-cipalmente na face inferior das folhas para evitar a radiao solar. Em pouco tempo inserem seu aparato bucal nas folhas e comeam a succionar a seiva. Elas perdem as pernas no processo de mudana de pele.

    Aps trs estgios de ninfa, transformam se em adultos. F-meas e machos tm asas. No Brasil foi encontrada em meados de julho de 2001, na regio metropolitana de Belm, no Estado do Par. H registro da praga no Norte de Minas Gerais.

    A disseminao da praga pode ocorrer por transporte de material vegetal, principalmente de plantas ornamentais, rea-lizada pelo homem e/ou carregada pelo vento. Uma vez intro-duzida em novas regies, a disseminao pode ocorrer pelo voo do adulto, que capaz de voar at 187 m em 24 horas.

    A mosca est presente nos estados do Amap, Amazonas, Par, Maranho, Tocantins, Gois e So Paulo.

    Com base na Portaria IMA n 936, de 02 de Outubro de 2008, na Lei Federal 10.711/2003 e no Decreto Federal 5.153/2004, o Instituto Mineiro de Agropecuria IMA no ato do trans-porte exige documento sanitrio chamado PTV (Permisso de Trnsito Vegetal) que obrigatrio para a entrada, o trnsito e o comrcio de frutas, flores de corte e mudas.

    As espcies ou cultivares que necessitam da documenta-o sanitria relacionada acima so: abacate, lamo, amora, ardsia, bananeira, buxinho, caf, caju, carambola, cherimia, citros, dama da noite, gengibre, goiaba, graviola, grumixama, hibisco, jasmim manga, lichia, louro, mamo, manga, mara-cuj, marmelo, pra, pinha, rom, rosa, sapoti e uva.

    O IMA alerta que est proibida a produo, o comrcio e o trnsito de mudas e plantas de MURTA em Minas Gerais, de acordo com a Portaria IMA n 937, de 02 de outubro de 2008, pois a mosca negra se hospeda nesta planta.

    Ao constatar algum sintoma da praga o produtor deve pro-curar o escritrio do IMA, mais prximo de sua propriedade, para que um tcnico do Instituto faa a inspeo da lavoura.

    Mosca Negra dos citros nova ameaa para a

    fruticultura brasileiraMarcelo de Aquino Brito lima

    Fiscal estadual Agropecuriocoordenadoria regional do IMA Governador valadares

    Imag

    em Il

    ustra

    tiva

  • 38Fev / MAr 12

    IdAF

    O Instituto de Defesa Agropecuria e Florestal do Es-prito Santo (Idaf) alerta para a necessidade Guia de Trnsito Animal (GTA), sempre que for necessrio trans-portar animais nas estradas que cortam o Estado. O controle dessa movimentao fundamental para a manuteno da sanidade animal no territrio capixaba.

    Segundo o mdico veterinrio Fabiano Fiuza Rangel, che-fe do Departamento de Defesa Sanitria e Inspeo Animal do Idaf, o trnsito de animais um dos grandes responsveis pelo surgimento de doenas nos rebanhos. A GTA permite efetuarmos esse controle, evitando a introduo de doenas que coloquem em risco a populao ou causem prejuzos aos produtores e aos demais segmentos econmicos, diz.

    O trnsito de animais sem a GTA implica na apreenso dos veculos transportadores, que so liberados aps cum-pridas todas as medidas administrativas. Os produtos e sub-produtos de origem animal, como leite e derivados, pesca-do, entre outros, so destrudos e os animais encaminhados para abate ou sacrifcio sanitrio, no cabendo indenizao ao proprietrio, estabelecimento ou condutor, conforme pre-v o Decreto Estadual n 4.495, de 1999.

    Esse procedimento impede que doenas sejam disse-minadas em caso de animais contaminados, tendo em vista que a ausncia do documento compromete a identificao da origem desses animais. O transporte at o local de des-truio dos produtos, abate ou sacrifcio sanitrio de res-ponsabilidade de seus condutores ou proprietrios.

    O mdico veterinrio explica, ainda, que em caso de fo-cos de doenas de notificao obrigatria, como febre afto-sa e influenza aviria, necessria a adoo de medidas de proteo, como a restrio de trnsito no apenas de ani-mais, mas tambm de pessoas e produtos, o que levaria a um grande impacto econmico e social no Estado. O Esprito Santo um dos poucos habilitados a exportar para a Unio Europeia. Caso o Estado seja atingido por alguma doena, pode ocorrer a restrio da exportao de produtos agrcolas

    e minerais, que tem representao significativa para a eco-nomia estadual, conclui Fabiano Fiuza.

    Para obter a GTA, os proprietrios devem procurar o escritrio do Idaf em seu municpio, munido do documen-to de identificao e da ficha de produtor. O documento obrigatrio para todas as espcies animais, com exceo de ces e gatos.

    guia de trnsito animal (gta)A GTA o documento oficial e obrigatrio que autoriza

    o trnsito intra e interestadual de animais destinados a cria, engorda, reproduo, abate e participao em eventos.

    A movimentao de bovinos, bufalinos, sudeos, ovi-nos, caprinos, equdeos, aves e outros animais domsticos, ornamentais ou domesticados com finalidade comercial ou no, no territrio do Esprito Santo, s permitida mediante apresentao de Guia de Trnsito Animal.

    A GTA tambm utilizada na rastreabilidade de animais vivos, por isso, deve ser emitida uma guia para cada origem e para cada destino. O documento deve ser arquivado du-rante cinco anos, pois, em caso de problemas sanitrios que exijam a comprovao de origem dos animais adquiridos, o produtor poder sofrer restries no que diz respeito a futu-ras indenizaes.

    fique atento S transporte animais com documento sanitrio GTA; Para emitir a GTA, tanto o vendedor quanto o comprador devem estar devidamente cadastrados no Idaf; Mantenha atualizada a populao de animais de sua pro-priedade, evitando o bloqueio automtico pelo sistema na emisso de GTA por falta de saldo; Lembre-se: todo animal transportado com documentao sanitria atualizada representa lucro para o seu proprietrio, credibilidade para quem transporta ou compra e segurana para todos.

    Idaf orienta sobre obrigatoriedade da

    Guia de trnsito AnimalFrancine castro

    Assessoria de comunicao/Idaf

  • 39Fev / MAr 12

    F. S. Julio - Bolsista FApeSB l. S. pinto - UNIMe/IUNI

    S. A. F. Guimares - Bolsista cNpqA. r. p. l. Bautista - eBdA

    F. M. rodrigues - eBdA J. r. l. ribas - UNIMe/IUNI; AdAB

    r. p. Noronha - AdABcontato: juliaofs@yahoo.com.br

    AdAB

    Ao de carrapaticidas sobre boophilus microplus no municpio

    de lauro de Freitas - Bahia

    IntroduoO Boophilus microplus o principal carrapato que

    parasita os bovinos causando grandes perdas econmi-cas como mortalidade, diminuio da produo de leite, baixa qualidade do couro, aumento do custo de produ-o, alm de poderem transmitir a Tristeza Parasitria Bovina. O uso de carrapaticidas no controle de carra-patos no Brasil frequente e devido ao uso inadequado tem sido evidenciado o aparecimento de resistncia.

    ObjetivoAvaliar a ao de carrapaticidas comerciais co-

    mumente usados no municpio de Lauro de Freitas, Bahia, no controle do carrapato Boophilus microplus nas criaes de bovinos deste municpio.

    metodologia

    resultadosApenas no grupo controle e no testado com Amitraz

    houve postura, que foi recolhida em tubos de ensaio ve-dado com algodo, aps 20 dias de observao. A eclo-so s ocorreu no grupo controle e pode ser observada a partir do vigsimo sexto dia do ensaio. Os produtos testados so comumente usados nesta regio no contro-le de carrapatos atravs de banhos/imerso, no entanto, pode-se observar longevidade inesperada nos espcimes testados com Amitraz, que aliado a capacidade de pos-tura, parcial e infrtil, nos indica a diminuio do efeito esperado destes produtos no controle de carrapatos B. microplus, mesmo usando uma concentrao duas vezes maior que a recomendada pelo fabricante.

    conclusoA associao comercial (Ciper-

    metrina, Clorpirifse Citronela), uti-lizada na concentrao recomendada pelo fabricante demonstrou excelente efeito sobre os carrapatos estudados.

    apoio financeiroCNPq (Conselho Nacional de Desen-

    volvimento Cientfico e Tecnolgico) Fapesb (Fundao de Amparo

    Pesquisa do Estado da Bahia) teleginas de Boophilus microplus teleginas imersas em

    soluo carrapaticida

    Postura de teleginasIm

    agen

    s Ilu

    stra

    tivas

  • 40Fev / MAr 12

    AcoN

    tece

    Udesenvolvimento sustentvel torna-se tema principal em conferncia

    A Associao dos Criadores de Caprinos e Ovinos da Bahia (Accoba), junto com o Governo do Estado, lanaram, no dia 05 de maro, o Programa de Melhoramento Ge-ntico dos Rebanhos Caprinos e Ovinos da Bahia (Pr-Berro). A cerimnia ocorreu em Salvador, com a presena de diversos criado-res, alm de autoridades como o Secretrio de Agricultura, Eduardo Salles e do Diretor de Desenvolvimento da Pecuria, Luiz Mi-randa. Tambm estiveram presentes superin-tendentes do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste, alm de diretores da Accoba.

    O programa tem o objetivo de financiar, nos prximos quatro anos, a aquisio de 10 mil reprodutores geneticamente melho-rados. O prazo de financiamento ser de 24 meses, incluindo a carncia de at seis me-ses e juros de 6% ao ano, com deferimento de ICMS para aquisio de reprodutores. A aquisio dos animais ocorrer durante as exposies ranqueadas pela Accoba, (como ExpoCoit, ExpoIrec e Fenagro) e em outros eventos chancelados pela entidade. (Fonte: Viva Comunicao Interativa)

    Accoba e Governo do estado lanam programa

    de Melhoramento Gentico dos rebanhos caprinos e

    ovinos da Bahia

    A promoo do desenvolvimento sustentvel da agricultura familiar, atravs da Assistncia Tcnica e Extenso Rural (Ater), e o respeito diversidade so-cial receberam ateno especial, nos grupos de traba-lho, durante a I Conferncia Territorial de Ater do Se-mirido Nordeste II, realizada no dia 29 de fevereiro. Representantes do poder pblico e da sociedade civil reuniram-se no Centro Diocesano, em Ccero Dantas, para construir propostas que sero apresentadas por re-presentantes do Territrio na I Conferncia Estadual de Ater (Ceater), marcada para acontecer entre 14 e 16 maro, em Salvador.

    A conferncia foi promovida pela gerncia de Ri-beira do Pombal da EBDA, rgo vinculado Secre-taria da Agricultura (Seagri), junto com a Comisso Territorial e entidades de prestao de Ater do Territ-rio. Participaram representantes do Ministrio do De-senvolvimento Agrrio (MDA), da Agncia Estadual de Defesa Agropecuria da Bahia (Adab), dos poderes executivo e legislativo dos municpios, dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STRs), da Pastoral Rural, de associaes e cooperativas agrcolas, alm de agri-cultores familiares, quilombolas e indgenas. (Fonte: EBDA/Assimp)

    No dia 06 de fevereiro houve a apresentao do Programa Agrominas durante o Caf Rural que aconteceu no Sindicato dos Produtores Rurais de Governador Valadares. O momento foi promovido pela Minas Leiles e Eventos, Revista Agrominas e TV Leste / Record. A Revista Agrominas, que no ms de maro completa dois anos, lana no prximo ms um programa televi-sivo, onde os nossos leitores podero conferir na TV os assuntos que antes s estavam impressos na revista. Os produtores rurais da cidade puderam conhecer um pouco mais da novidade lana-da pelo diretor da Minas Leiles e Revista Agrominas, Denner Esteves Farias.

    O programa extremamente importante. Mais uma forma de divulgao e com uma abrangncia muito maior, acredita o produtor rural e vice-presidente da Unio Ruralista Rio Doce, Reginaldo Vilela. Para o produtor rural e Presidente da Asso-ciao dos Criadores de Caprinos e Ovinos do Leste Mineiro, Jos Oton Prata de Castro, preciso divulgar o agronegcio e essa uma tima oportunidade. Infelizmente pouca gente l e na televiso voc pode ver e ouvir.

    programa Agrominas

    Denner Esteves Farias apresenta a novidade para os produtores rurais

    Foto

    : lid

    iane

    dias

  • 41Fev / MAr 12

    O mdico veterinrio e fiscal federal agropecurio aposentado nio Antnio Marques Pereira foi nomeado para conduzir a Secre-taria de Defesa Agropecuria (SDA) do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Mapa). A nomeao do dirigente foi pu-blicada no Dirio Oficial da Unio (DOU), do dia 2 de maro. Pau-listano, Marques com mais de 40 anos de dedicao profissional ao Mapa , j ocupava o cargo de secretrio substituto desde a exone-rao de Francisco Srgio Ferreira Jardim, nomeado como assessor especial do ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, no dia 15 de fevereiro. Antes de assumir a pasta, ele atuava como diretor de Programas da SDA e tinha exercido a funo de secretrio de Defesa Agropecuria em duas ocasies: de 1992 a 1993, e de 1995 a 1999.

    J no dia 7 de maro, o ministro da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Mapa), Mendes Ribeiro Filho, deu posse ao novo presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Rubens Rodrigues dos Santos. O ministro salientou durante a so-lenidade que cobrar da Conab parmetros de excelncia. Mendes Ribeiro Filho lembrou que o contrato de gesto da empresa foi assi-nado para alcanar o fortalecimento da agricultura brasileira. (Fon-te: Com informaes da ASCOM MAPA)

    Arranjos produtivos na trplice fronteira sero debatidos em 2013

    Sob novas direes

    Secretrios de Agricultura querem Foras Armadas, pF e Funai como parceiras na defesa agropecuria

    Reunido no dia 28 de fevereiro em Porto Velho, Rondnia, o Conse-lho Nacional dos Secretrios de Agricultura, Conseagri, decidiu encami-nhar ofcio aos Ministrios da Justia, Defesa, Agricultura e Casa Civil, solicitando a incluso da defesa agropecuria nas operaes das Foras Armadas, e Sentinela, realizadas pela PF, com o objetivo de reforar a defesa sanitria nas fronteiras. Os estados do Acre, Rondnia, Ama-p, Roraima, Amazonas e Par fazem fronteira com o Peru, Colmbia, Venezuela, Bolvia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, pases onde existem mais de uma centena de pragas que podem migrar para o Brasil, estando entre elas doenas graves como a Monilase do Cacaueiro, mais devastadora que a vassoura-de-bruxa; a Mosca da Carambola, uma das mais destrutivas dos frutos carnosos, atacando mais de 30 espcies de fruteiras de importncia econmica; o Acaro Vermelho das Palmeiras, que agride o coco, banana, dend e Palmito, e a Sigatoka Negra, que pode prejudicar muito a cultura da banana, dentre outras.

    Em recente declarao imprensa, o chefe do Estado Maior Con-junto das Foras Armadas, general Jos Carlos de Nardi, anunciou que o Exrcito, a Marinha e a Aeronutica tero como prioridade, nos prximos 20 anos, a defesa da Amaznia, das fronteiras brasileiras e da chamada Amaznia Azul (guas jurisdicionais brasileiras). Ns desejamos a participao das Foras Armadas na construo desse escudo protetor que estamos articulando com os secretrios dos Esta-dos do Norte de Pas, visando evitar que o Brasil sofra incalculveis prejuzos econmicos e sociais, afirma o presidente do Conseagri, o engenheiro agrnomo Eduardo Salles. (Fonte: Ascom Seagri)

    Representantes do poder pblico, terceiro setor e iniciativa privada acreditam na cria-o de uma zona produtiva distinta para fortalecer atividade agrcola, florestal e pe-curia emergente. A 2 edio do Simpsio Integrao Minas Gerais, Esprito Santo e Bahia de Pecuria Bovina (SIPB) deu mais um passo na direo de criar uma poltica agrossilvipastoril regional da tripla fronteira. Realizado no Lions Clube em Nova Vencia (ES), entre os dias 2 e 3 de maro, teve a participao de 700 simposiastas.

    Trs aspectos foram destacados durante o evento: a importncia da produo pecuria bovina nas trs fronteiras, a implantao de sistemas silvipastoris como alternativa de ne-gcio e a aplicao do Plano ABC do Minist-rio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Mapa) visando perspectivas de remunerao por servios ambientais. Ficou para 2013 a discusso sobre o formato ideal para esse ar-ranjo produtivo na trplice fronteira.

    Criado para ser itinerante o prximo encontro ano que vem acontecer na Bahia o SIPB considerado o embrio de uma espcie de PAC regional para fortalecer o setor. At o momento cinco cidades baianas j fizeram solicitao oficial para sediarem o 3 Simpsio Integrao: Teixeira de Freitas, Porto Seguro, Itamaraj, Itanhm e Mucuri. Para Nabih Amin El Aouar, presidente no 1 e 2 SIPB, existe uma grande expectativa de avanar o debate para aspectos econmi-cos prticos. Nosso desafio para o prximo simpsio aproximar o discurso tcnico--cientfico na prtica e na realizao de ne-gcios na ponta produtiva, avalia Nabih. (Fonte: ContatoCom)

    nio Bergoli (Secretrio da Agricultura do Estado do Esprito Santo), Nabih El Aouar, Marlia Coser,

    Otaclio Coser e Carlos Alberto Macedo.

    Foto

    divu

    lga

    o

  • 42Fev / MAr 12

    cUlI

    NrI

    Acascudinho com pur de Bananas

    por Beto Madalosso no site chef tv

    Envie a sua receita para a Revista Agrominasjornalismo@revistaagrominas.com.br

    Imag

    em ilu

    stra

    tiva

    Ingredientes 500 g de Cascudinho 6 bananas da terra 50 ml de Leite de coco 1 ovo Farinha de trigo Farinha de rosca 50 g de Manteiga 100 g de Amndoas laminadas La Violetera 1 Limo tahiti Sal e Pimenta do reino (a gosto) leo de soja

    modo de PreparoInicie o preparo assando as bananas da terra (com as cas-

    cas) em forno mdio por 15 minutos. Tempere o peixe com limo, sal e pimenta do reino a gosto. Empane o Cascudinho seguindo a sequncia: farinha de trigo/ovo/farinha de rosca, re-petindo o ovo/farinha de rosca. Frite os peixes em imerso at dourarem e leve ao forno por 5 minutos para terminar de assar.

    Pur de banana: retire a casca das bananas assadas, bata em um mixer junto com o leite de coco, caso no tenha um mixer, amassar as bananas com um garfo.

    Em uma frigideira derreta a manteiga e acrescente as amndoas at dourarem.

    montagemSirva uma poro de Pur de Banana com dois Cascudi-

    nhos empanados, regados com as amndoas torradas e ras-pas de limo Tahiti.

    tempo de Preparo: 45 minutosdificuldade: Mdia

  • 43Fev / MAr 12

    clAS

    SIFI

    cAdo

    S

  • 44Fev / MAr 12