pragas e doenças

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Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da MataSOMOS UM GRUPO BEM GRANDE DE COMPANHEIROS E CADA UM D A MO AO OUTRO.

O CTA - Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata uma organizao no governamental com sede em Viosa, criada em 1987 por lideranas sindicais, tcnicos, professores e pesquisadores comprometidos com a construo de um modelo de desenvolvimento rural sustentvel adequado para a Zona da Mata de Minas Gerais. O desenvolvimento sustentvel que estamos construindo tem como base a estabilidade ecolgica com manuteno da capacidade de produo para as futuras geraes, com igualdade na distribuio dos benefcios gerados por essa produo, com a participao e o fortalecimento das organizaes dos agricultores e com a participao e com equidade nas relaes de gnero.

PROGRAMA DE FORMAO DE AGRICULTORES/AS

Este um programa que abrange 10 municpios da zona da mata. O objetivo criar as condies necessrias (tcnicas e materiais) para que agricultores/as que j esto envolvidos/as com a produo em sistemas agroecolgicos possam trocar suas experincias entre si e com tcnicos/as sobre a produo, o beneficiamento e at a comercializao de caf em sistemas orgnicos. Nossos parceiros so: Associao Regional dos Trabalhadores Rurais-ZM, Associaes de Agricultores Familiares-ZM, Sindicatos dos Trabalhadores RuraisZM, Epamig-Centro Tecnolgico ZM e Universidade Federal de Viosa.

OUTROS PROGRAMAS DA ENTIDADE Conservao da Mata Atlntica na Serra do Brigadeiro Desenvolvimento Local Associativismo e Comercializao Desenvolvimento Institucional Promoo Pblica da Agroecologia

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Controle ou convivncia? Entendendo a ecologia de insetos e microrganismos

Pragas e doenas do caf

Viosa, 2004

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Dezembro de 2004, Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata Stio Alfa, Violeira, Zona Rural CX. Postal 128 CEP 36570 000 Viosa MG TEL.: (31) 3892-2000 www.ctazm.org.br cta@ctazm.org.br Este texto foi produzido a partir do encontro Ecologia de insetos e microrganismos realizado em Guidoval MG em outubro de 2004 a partir das vivncias e das contribuies dos/as agricultores/as e tcnicos/as envolvidos/as no Programa de Formao de Agricultores/as. Este registro tem como objetivo ser a memria do encontro no tendo, portanto, a inteno de Agricultores/as: Srgio Corra, Edinilson Valente Lima, Gerlcia Cndida, Fbio Vitor da Silva, Ana Terra Bianquini, Geraldo Aparecido da Silva, Joo Batista, Carina Eliziana da Silva, Cludio Evsio Batista, Carina Vieira Batista, Jos Carlos Gomes, Nilza Maria Oliveira, Joo dos Santos, Vnia Moreira, Omar Campos, Jos Cludio dos Santos, Gersino de Freitas, Margarida Pinheiro e Paulo Srgio Gomes. Convidados/as: Alunos da EFA Paulo Freire: Idalina e Gilberto Tcnicos/as: Breno Mello, Romualdo Macedo, Patrick Miranda, Fernanda Monteiro e Simone Ribeiro. Estagirios/as: Educao Ambiental com as crianas: Jenifer Registro: Ana Beatriz, Dayana, Luiza e Etelvino Diagramao: Fernanda Monteiro e Simone Ribeiro. Reviso: Mrcia Yoshie Kasai Texto Final: Breno de Mello Silva, Fernanda Monteiro, Srgio Corra e Simone Ribeiro.

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Terra Viva Monitores/as do PFA Eu ouo um clamor Quem chama ser No vejo ningum Que eu posso tocar a terra; que te chama Vem me ajuda Estou morrendo por venenos Sem poder falar Terra viva tem micro vidas A minha onde est Sou explorada, sou maltratada Por quem no sabe amar Refro: Quem ama cuida, vive em harmonia No destri a vida, faz ecologia Quem ama cuida, faz da terra vida Se semeia um sonho, colhe alegria Se unirmos, somando fora Vamos resgatar, o equilbrio da natureza Em fim vai chegar

Ecologia de microrganismos Corta Muda A doena do Corta Muda conhecida tambm pelo nome de tombadeira ou tomba muda. Quem causa a doena do corta muda um fungo, o fungo do corta muda. A doena acontece na casca porque a seiva circula na casca, bem no local que o fungo ataca para se alimentar, e sem a casca a seiva no circula mais, o que provoca a morte da planta. Mas quando fica um pedao de casca na planta, ela pode sobreviver. Aparece no caf at um ano aps o plantio ou quando o tronco apresentar a grossura de um lpis. Ento necessrio um tratamento na semente para que ao entrar na terra ela j esteja protegida. Geralmente, depois de um ano da doena ocorre o tombamento da planta. Este fungo um fungo que pode sobreviver no solo, nos restos vegetais, at um ano sem infectar a planta. Quando ocorre alta umidade e vento ele consegue infectar a planta, mas de

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difcil identificao quando est pequeno. Tem planta que atacada pelo fungo quando ainda uma muda, mas cicatriza antes de ir para o campo. Quando chega l est fraca e depois de uns dias comea a formar calos para cicatrizar (esses locais ficam sensveis (mais fracos). A poca mais comum de aparecer esta doena fevereiro e maro devido a umidade e temperatura altas, mas a infeco ocorre antes da doena aparecer. O fungo entra na planta pela raiz e atinge a altura do caule bem perto da superfcie do solo. Depois de fixado j comea a cortar a casca da planta. O fungo tambm pode soltar bastonetes acinzentados parecidos com algodo (esporos ou filhotes) para infectar outra planta vizinha. Quando se irriga um p de caf, por exemplo, a gua bate nos esporos que podem atingir outros ps. O fungo tambm pode ser levado pelo vento.

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Plantas com sintomas de Tombamento. As mudas de caf podem ser infectadas pelo fungo se ele estiver presente na terra usada para fazer as mudas. Um dos motivos de ter a doena do corta muda nas mudas ou nas plantas jovens que quanto mais velha a planta, mais forte o caule o que dificulta a entrada do fungo. A planta adulta s atacada no campo se estiver fraca e apresentar alguma leso (ferida) para o fungo entrar. J quando ela uma muda com caule bem macio mais fcil dele entrar nela. Na lavoura de caf o fundo ataca alguns ps de caf de at um ano, mas o mais comum atacar as mudas. Depois de um ano, em geral a planta no atacada mais pelo fungo do Corta Muda, mas a planta que apresentar a doena depois de um ano porque foi infectada pelo fungo na sementeira. A doena tambm pode ser encontrada nas sementeiras de beterraba, cebola e repolho. Os sintomas da muda infectada so: o amarelamento da planta e a falta de casca no caule bem perto da superfcie do solo. TRATAMENTO: Uma das maneiras de controlar fungo do Corta Muda aplicao de caldas a base de cobre, como a Calda Bordalesa. H tambm o tratamento com prpolis. PREVENO: - No encharcar o viveiro e no afogar a muda na terra. - Separar as mudas que esto com a doena. - Escolher uma terra boa para as mudas. Usar horizonte B, que tem menos risco de fungo. Forrar o cho com lona preta e vedar com plstico transparente por 5 dias, o que incinera os fungos devido o alto calor para depois usar a terra. - Diminuir as regas (a irrigao das mudas), pois o fungo precisa de umidade para penetrar na planta. Ele aparece mais na poca das chuvas e de alta temperatura, ento se deve comear a prevenir a doena antes do vero, assim quando o fungo chegar ele no vai conseguir penetrar na planta. - Pode-se usar a pulverizao de Super-Magro para fortalecer as mudas e a lavoura. - Manter as sementeiras limpas e usar terra sadia para preparar mudas.

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No jogar muitos restos culturais em volta da planta, deixar a muda respirar e no enterrar muito a muda quando plantar tambm ajuda a evitar a doena. Fazer insolao com a terra a ser utilizada para fazer mudas, usando um plstico transparente para cobrir a terra e deixando no sol por 5 dias. Fazer sementeira em saquinhos, pois se der a doena voc ir eliminar os saquinhos contaminados.

Ferrugem A Ferrugem um fungo que infecta a folha com seus esporos adoecendo a planta. Ela parece um p que se solta com facilidade. A ferrugem uma doena importada e a principal doena que d no cafeeiro. A planta bem equilibrada no deixa a ferrugem atacar. Pode at aparecer, mas no compromete a planta. A ferrugem ataca as folhas, mas em alta infestao, pode atingir o caule de algumas plantas (caules mais macios). Ela provoca a queda das folhas, afetando a produo. No cafeeiro, pode provocar uma perda de at 30% de produtividade. Algumas plantas atacadas pela ferrugem alm do caf so: jambo, goiaba, limo (principalmente o rosa), manga, pssego, abacate, alface, caju (at no fruto), jabuticaba (at no fruto), hortel, joo-leite, trevo, cebola, bananeira. A bananeira para ser plantada no meio da lavoura, tem que ser resistente a ferrugem. Variedades como: nanica (sucarema), prata nanica, da terra, trs-quinas (po) e marob so mais resistentes. A ferrugem se multiplica e infecta as folhas vizinhas atravs do vento, da gua e de insetos na poca de muito sol e umidade. O ser humano pode levar na roupa. A parte de baixo da planta mais sensvel a ferrugem. A doena se d de baixo para cima na planta. O fungo da Ferrugem pode sobreviver no caf ou em outras plantas como pico e quando o perodo chuvoso inicia o fungo comea a atacar as plantas. A terra pelada tambm ajuda no ataque do fungo. No caf os sintomas aparecem mais na poca seca, quando a planta est mais desnutrida. A poca varia de regio para regio.

Folha com Ferrugem.

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As principais causas da ferrugem so: deficincia de nutrientes, seca, lavouras muito adensadas, mau uso do solo, cho muito capinado (pois tira os nutrientes do solo), excesso de queimadas, muita sombra, muito sol e chuva e variedade do caf. TRATAMENTO: biogeo, Super-Magro e caldas ou produtos a base de hidrxido de cobre. O Garante ainda permitido para lavouras orgnicas com a autorizao da certificadora e de uma receita de um/a agrnomo/a. Ele mais concentrado que o Super-Magro para o combate ao fungo. Uma diluio a 10% de Super-Magro utilizada para banhos normais, para infestao da ferrugem pode chegar a 15% na bomba. PREVENO: Solo bem nutrido com planta bem nutrida evita a Ferrugem. - A variedade do caf tambm ajuda a evitar a doena. As variedades que so mais resistentes so: eur