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ISSN 2317-0158

EPPEN - Escola Paulista de Poltica, Economia e Negcios

6 edio

Novembro de 2017

ABRAHAM BRAGANA DE VASCONCELLOS WEINTRAUB , ARTHUR BRAGANA DE VASCONCELLOS WEINTRAUB , ONYX LORENZONI , GIUSEPPE LUDOVICO

POUPANA INDIVIDUAL DE APOSENTADORIA PI

ARMANDO TURSI IL SISTEMA DI GARANZIE PREDISPOSTO IN ITALIA PER LA REALIZZAZIONE DEGLI OBIETTIVI PREVIDENZIALI DEI FONDI PENSIONE: LA CONFIGURAZIONE SOGGETTIVA DELLE FORME

PENSIONISTICHE COMPLEMENTARI

M ICHELE SQUEGLIA LA DISCIPLINA DEI CONFLITTI DI INTERESSE IN ITALIA DELLE FORME PENSIONISTICHE

COMPLEMENTARI TRA VECCHIE E NUOVE NORME

GIUSEPPE LUDOVICO MUDANAS DEMOGRFICAS E REFORMAS DA APOSENTADORIA NA ITLIA

GIONATA GOLO CAVALLINI THE (UNBEARABLE?) LIGHTNESS OF SELF-EMPLOYED WORK INTERMEDIATION: THE CASES OF

UBER, FOODORA AND AMAZON MECHANICAL TURK IN THE LIGHT OF THE ITALIAN LABOUR LAW

JOO MARCELINO SOARES IDENTIFICAO DA DEFICINCIA PARA FINS DE APOSENTADORIA DIFERENCIADA

NO REGIME GERAL DE PREVIDNCIA SOCIAL BRASILEIRA

LUCIANA PORTILHO DA SILVA , ISAAC NEWTON DA SILVA A PREVIDNCIA COMPLEMENTAR DO SERVIDOR PBLICO MUNICIPAL

ALEXANDRE AUGUSTO VITORINO A NECESSIDADE DE INSTRUMENTO COMPLEMENTAR AO REGIME GERAL DE PREVIDNCIA SOCIAL

Revista Brasileira de Previdncia

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MUDANAS DEMOGRFICAS

E REFORMAS DA APOSENTADORIA NA ITLIA

GIUSEPPE LUDOVICO Professor de Direito Previdencirio e Trabalhista da Universidade de Milo

Doutor em Direito do Trabalho pela Universidade de Bolonha Especialista em Direito do Trabalho pela Universidade de Parma

Graduado em Direito pela Universidade de Milo

RESUMO: O artigo reproduz o relatrio apresentado no Seminrio Internacional: Experincias na Previdncia Social, organizado pela Comisso Especial da Reforma da Previdncia da Cmara dos Deputados, Brasilia, 14 de maro de 2017, e analisa a evoluo da disciplina da aposentadoria na Itlia em razo do envelhecimento progressivo da populao. O artigo examina os contedos das diversas reformas introduzidas desde o incio dos anos 90 do sculo passado at hoje, tendo particularmente em conta os seus efeitos econmicos, as regras transitrias e a flexibilidade dos requisitos.

PALAVRAS-CHAVE

Reformas da aposentadoria na Itlia Envelhecimento da populao Regras transitrias Requisitos flexveis

Artigo recebido em 15/3/2017 - Aprovado em 20/3/2017

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Introduo

A troca de experincias e de opinies sempre positiva especialmente no direito previdencirio em razo da identidade dos problemas que os reguladores nacionais devem enfrentar.

Os problemas dos pases em desenvolvimento so os mesmos que os pases desenvolvidos enfrentaram h vinte, trinta ou quarenta anos atrs.

As semelhanas so particularmente evidentes entre Brasil e Itlia, no s por razes culturais, mas tambm em razo s suas tradies jurdicas e sociais.

As semelhanas so particularmente evidentes no sistema da aposentadoria pela simples razo que daqui a poucos anos a pirmide etria do Brasil ser muito semelhante com quela da Itlia dos primeiros anos 90 (Fig. 1).

No pretendo intervir no delicado debate sobre a proposta de Reforma da Previdncia no Brasil, mas sem dvida pode ser interessante analisar como os mesmos problemas foram enfrentados e parcialmente resolvidos na Itlia desde os anos 90 do sculo passado.

A evoluo do sistema da aposentadoria na Itlia: a Lei n. 153 de 1969

At o incio dos anos 90 do sculo passado, o sistema de penses italiano foi muito generoso.

A reforma introduzida pela lei de 30 de abril de 1969, n. 153[1] permitiu obter um montante elevado de penso com requisitos muito baixos de idade e contribuio. O objetivo dessa reforma foi assegurar uma penso particularmente favorvel a todos os trabalhadores

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que haviam trabalhado antes e depois da Segunda Guerra Mundial, e que por causa da alta inflao causada pela guerra tinham sofrido uma reduo acentuada do valor da contribuio.

Por esta razo a reforma de 1969 abandonou o regime de capitalizao, passando para o regime de repartio.

As principais novidades introduzidas pela reforma de 1969 foram as seguintes:

- aprovao do criterio de calculo retributivo em virtude do qual a penso era aferida com base no salrio do ltimo ano para os trabalhadores pblicos e dos ltimos 5 anos para os trabalhadores privados;

- o montante da penso era calculado em funo de 2% do salrio por cada ano de servio, at um mximo de 80% do salrio para 40 anos de servio;

- alm da aposentadoria por idade (60 anos para homens e 55 para as mulheres), foi introduzida a aposentadoria por tempo de contribuio com um mnimo de 35 anos de contribuio;

- penso social para os cidados com mais de 65 anos sem contribuio e sem outra renda;

- reavaliao automtica das penses em funo da inflao e do crescimento real dos salrios

No final dos anos 60 esta disciplina foi certamente justificada: a Itlia estava em um perodo de forte crescimento econmico e em uma posio muito favorvel do ponto de vista demogrfico.

No plano econmico, os aumentos do PIB foram altos e constantes por mais de 20 anos no perodo de 1947-1969, com um crescimento total de mais de 257%[2].

Do ponto de vista demografico, as geraes mais jovens eram suficientes para apoiar financeiramente as penses de geraes mais velhas. No final dos anos 60, a expectativa mdia de vida era de 68 anos para homens e 73 anos para as mulheres, a idade mdia era de 33 anos e o nvel de fecundidade era de 2,4 filhos por mulher.

Entre 1951 e 1971, a populao italiana cresceu cerca de 5,5% cada ano. No 1961, a relao entre jovens e velhos era tipica dos pases em desenvolvimento: por cada cem habitantes com menos de 15 anos, havia apenas 38,9 idosos com mais de 65 anos. No 1971 essa proporo foi de 46,1 idoso por cada cem habitantes com menos de 15 anos.

Nesta condio econmica e demogrfica no foi difcil, portanto, garantir aos trabalhadores uma penso particularmente generosa. O pacto geracional subjacente ao sistema da aposentadoria e ao critrio de repartio era perfeitamente sustentvel: as contribuies da grande maioria dos trabalhadores mais jovens poderiam suportar as penses da minoria das geraes mais velhas por um perodo de at 15-20 anos.

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Estes dados so fundamentais para uma correta compreenso da evoluo do sistema da aposentadoria. Isso porque em um modelo por repartio o equilbrio entre as geraes fundamental para a sustentabilidade financeira de todo o sistema.

suficiente examinar a relao entre contribuies e penses para compreender as consequncias das mudanas demogrficas: considerando como na Itlia a alquota contributiva de 33% dos trabalhadores subordinados, so necessarios mais trabalhadores ativos para financiar um montante de penso igual a 100% do salrio.

Portanto, se a dinmica demogrfica favorvel, o sistema da aposentadoria pode ser muito generoso, enquanto se a mudana demogrfica altera o equilbrio geracional a generosidade do sistema produz efeitos negativos para todo o Estado Social.

Isso porque o aumento do custo da aposentadoria impe uma redistribuio interna na despesa social que reduz o financiamento tambm no futuro de outras importantes funes do Estado Social (educao, sade, alvio da pobreza, ect.).

Simplificando, o aumento das despesas da aposentadoria cria um desequilbrio na repartio interna do Estado Social, absorvendo recursos para outras funes e criando para algumas geraes um forte privilgio a cargo das geraes posteriores. O pacto geracional subjacente ao sistema da aposentadoria exige, portanto, um pensamento a longo prazo para evitar que as mudanas demogrficas possam alterar no futuro o equilbrio geral do Estado Social.

A evoluo posterior do sistema de aposentadoria na Itlia pode ser um grande exemplo para a reforma do sistema previdencirio brasileiro, sobretudo para evitar os erros que foram cometidos pelo legislador italiano.

O envelhecimento progressivo da populao e suas consequncias

A partir do final dos anos oitenta do sculo pasado, o envelhecimento da populao exigiu a introduo de reformas profundas dos requisitos da aposentadoria[3].

Desde 1951 1991, a expectativa de vida mdia aumentou cerca de 8 anos (80 anos para as mulheres, 74 para os homens) (Fig. 2); desde 1960 1991, a idade mdia aumentou de 31 37 anos; a taxa de fertilidade reduziou-se de 2,8 filhos por mulher 1,3 crianas. Enfim, se em 1951 para cada cem pessoas com menos de 15 anos de idade havia 38 pessoas com mais de 65 anos, em 1991 para cada cem habitantes com menos de 15 anos havia 92,5 pessoas com mais de 65 anos de idade (Fig. 3).

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Desde o incio dos anos 90 tambm o crescimento do Produto Interno Bruto comeou a diminuir rapidamente, aumentando, em mdia, apenas com valores de 1,5% at alcanar os valores negativos no final da dcada de 2000.

A escolha de no agir imediatamente no sistema da aposentadoria contribui ao agravamento da relao entre a despesa dessa penso e o produto interno bruto: em 1971 essa proporo foi de 7,83%; em 1990 de 12,73 % (Fig. 4). No perodo de 1980-1998 os gastos com penses aumentou de 101,62% em comparao com o financiamento de contribuies (Fig. 5)[4]. Por conseguinte, modou tambm a relao entre o dbito pblico e o produto interno bruto: em 1959 essa proporo foi de 35%; em 1992

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