Lei de defesa do consumidor

Download Lei de defesa do consumidor

Post on 23-Jun-2015

1.759 views

Category:

Documents

2 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • 1. ASSEMBLEIA NACIONALLei n. 15/03 de 22 de JulhoO actual quadro econmico do Pas, com a j implementada economia demercado e a previsvel circulao de mercadoria, bens, servios, pessoas e capitais,provoca alteraes profundas na economia e sociedade angolana, com reflexos bviosna situao dos consumidores. O estabelecimento de uma poltica dinmica que promova os interesses dosconsumidores no mercado visa, sobretudo, fomentar uma poltica de reaco quebusca proteger os interesses dos consumidores e oferecer vias de recurso para repararos abusos e prticas prejudicais, garantindo que os produtores, os distribuidores etodos quantos participem no processo de produo e distribuio de bens e servioscumpram as leis e as normas obrigatrias vigentes. A criao no nosso Pas de um sistema de proteco do consumidor em que seespecifique as responsabilidades dos fornecedores para assegurar que os bens eservios satisfaam os requisitos normais de consumo, durabilidade, utilizao efiabilidade e sejam aptos para o fim a que se destinam, bem como contribuir para aeliminao da negligncia na gesto, ajuda as empresas a serem mais eficientes ecompetitivas quanto qualidade e preos dos bens e servios e torna possvel que osconsumidores obtenham o mximo benefcio dos seus recursos econmicos.Nestes termos, ao abrigo do disposto na alnea b) do artigo 88. da LeiConstitucional, a Assembleia Nacional aprova o seguinte: Pgina 1/24

2. Lei de Defesa do ConsumidorCAPTULO I Princpios Gerais Artigo 1. (Objecto) A presente lei estabelece os princpios gerais da poltica de defesa doconsumidor.Artigo 2.(Dever geral de proteco)1.Ao Estado incumbe proteger o consumidor, apoiar a constituio e ofuncionamento das associaes de consumidores, bem como a execuo do dispostona presente lei.2.A incumbncia geral do Estado na proteco dos consumidores pressupe ainterveno legislativa e regulamentar adequada em todos os domnios envolvidos. Artigo 3. (Definies e mbito)1.Consumidor toda pessoa fsica ou jurdica a quem sejam fornecidos bens eservios ou transmitidos quaisquer direitos e que os utiliza como destinatrio final, porquem exerce uma actividade econmica que vise a obteno de lucros.2. Fornecedor toda a pessoa fsica ou jurdica. pblica ou privada, nacional ouestrangeira, bem como os entes despersonalizados que desenvolvem actividades deproduo, montagem, criao, construo, transportao, importao, exportao,distribuio ou comercializao de bens ou prestao de servios.3. Bem qualquer objecto de consumo ou um meio de produo, mvel ou imvel,material ou imaterial.4. Servio qualquer actividade fornecida no mercado de consumo, medianteremunerao, inclusive s de natureza bancria, financeira, crdito e securitria,excepto as decorrentes das relaes de carcter laboral. Pgina 2/24 3. 5.Uso normal ou razoavelmente previsvel toda a utilizao que se mostraadequada natureza ou caractersticas do bem ou que respeita s indicaes oumodos de uso aconselhados, de forma clara e evidente pelo produtor.6. Consideram-se includos no mbito da presente lei os bens e servios fornecidose prestados por organismos da administrao pblica, por pessoas colectivas pblicas,por empresas de capitais pblicos ou detidos maioritariamente pelo Estado e porempresas concessionrias de servios pblicos.CAPTULO IIDireitos do Consumidor Artigo 4. (Direitos do consumidor)1. O consumidor tem direito: a) a qualidade dos bens e servios; b) a proteco da vida, sade e segurana fsica contra os riscos provocados porprticas no fornecimento de bens e servios considerados perigosos ou nocivos; c) a informao e divulgao sobre o consumo adequado dos bens e servios,asseguramento liberdade de escolha e a igualdade nas contrataes; d) a proteco dos interesses econmicos e contra a publicidade enganosa eabusiva; e) a efectiva preveno e reparao dos danos patrimoniais e morais, individuais,homogneos, colectivos e difusos; f) a proteco jurdica, administrativa, tcnica e a facilitao da defesa dos seusdireitos em juzo.2.Os direitos previstos nesta lei no excluem outros decorrentes de tratados ouconvenes internacionais de que a Repblica de Angola seja signatria da legislaointerna ordinria, de regulamentos aprovados pelas autoridades administrativascompetentes, bem como dos que derivam dos princpios gerais do direito, analogia eequidade.Pgina 3/24 4. Artigo 5. (Qualidade dos produtos e servios)1. Os bens e servios destinados ao consumo devem ser aptos a satisfazer os fins aque se destinam e produzir os efeitos que lhes atribuem, segundo as normaslegalmente estabelecidas ou, na ausncia delas, de modo adequado s legtimasexpectativas do consumidor.2. Sem prejuzo do estabelecimento de prazos mais favorveis por conveno daspartes ou pelos usos, o fornecedor de bens mveis no consumveis est obrigado agarantir o seu bom estado e o seu bom funcionamento por perodo nunca inferior a umano.3. O consumidor tem direito a uma garantia mnima de cinco anos para os imveis.4. O decurso do prazo de garantia suspende-se durante o perodo de tempo em queo consumidor se achar privado do uso dos bens em virtude das operaes dereparao resultantes de defeitos originrios.Artigo 6. (Proteco sade e segurana fsica)1. Os bens e servios colocados no mercado de consumo no acarretaro riscos sade ou segurana dos consumidores, excepto os considerados normais e previsveisem decorrncia da sua natureza e fruio, obrigando-se os fornecedores, em qualquerhiptese, a dar as informaes necessrias e adequadas a seu respeito.2. proibido o fornecimento de produtos ou servios que, em condies de usonormal ou previsvel, incluindo a durao, impliquem os riscos incompatveis com a suautilizao, no aceitveis em termos de proteco sade e segurana fsica daspessoas.3.Os servios da administrao pblica que, no exerccio das suas funes, tenhamconhecimento da existncia de produtos ou servios proibidos, nos termos do nmeroanterior, devem notificar tal facto s entidades competentes para a fiscalizao domercado.4.Os organismos competentes da administrao pblica devem mandar apreender,retirar do mercado ou interditar os produtos e prestao de servios que impliquemperigo para a sade pblica ou que no obedeam os requisitos tcnicos e utilitrios,legalmente exigidos.Pgina 4/24 5. 5. O fornecedor de bens ou servios que posteriormente a sua introduo nomercado ou a sua prestao, tiver conhecimento da periculosidade que apresentam,deve comunicar o facto imediatamente s autoridades competentes e aosconsumidores, mediante avisos nos meios de comunicao social. Artigo 7. (Formao e educao)1. Ao Estado incumbe a promoo de uma poltica educativa para os consumidores,atravs da insero nos programas e nas actividades escolares, bem como nas acesde educao permanente de matrias relacionadas com o consumo e os direitos dosconsumidores, usando, designadamente, os meios tecnolgicos prprios de umasociedade de informao.2. Ao Estado incumbe desenvolver aces e adoptar medidas tendentes formaoe educao do consumidor, designadamente, atravs de: a) concretizao no sistema educativo, em particular no ensino dos II e III nveis, deprogramas de actividades de educao para o consumo; b) apoio s iniciativas que neste domnio sejam promovidas pelas associaes deconsumidores; c) promoo de aces de educao permanente, de formao e sensibilizaopara os consumidores em geral; d) promoo de uma poltica nacional de formao de formadores e de tcnicosespecializados na rea do consumo.3.Os programas de carcter educativo difundidos no servio pblico de rdio e deteleviso devem integrar espaos destinados educao e formao do consumidor. Artigo 8.(Informao em geral)Ao Estado incumbe desenvolver aces e adoptar medidas tendentes informao em geral do consumidor, designadamente, atravs de: a) apoio s aces de informao promovidas pelas associaes de consumidores; b) criao de servios de informao ao consumidor junto das administraesmunicipais; c) constituio de conselhos de consumo; Pgina 5/24 6. d) criao de bases de dados e arquivos digitais acessveis de mbito nacional, nodomnio do direito do consumo, destinado a difundir informao geral eespecfica.Artigo 9.(Informao em particular)1. O fornecedor obriga-se a informar de forma clara e adequada o consumidor sobreos diferentes bens e servios com especificao correcta de quantidade,caractersticas, composio, qualidade e preo, bem como sobre os riscos queapresentem.2. Quando se verifique falta de informao, informao insuficiente, ilegvel ouambgua que comprometa a utilizao adequada do bem ou do servio, o consumidorgoza do direito de retratao do contrato relativo sua aquisio ou prestao, noprazo de sete dias teis a contar da data de recepo do produto ou da data decelebrao do contrato de prestao de servios.3.O fornecedor de produtos ou de servios que viole o dever de informar respondepelos danos que causar ao consumidor, sendo solidariamente responsveis os demaisintervenientes na cadeia da produo distribuio, que hajam igualmente violado odever de informao.4. O dever de informar no pode ser denegado ou condicionado por invocao desegredo de fabrico no tutelado na lei, nem pode prejudicar o regime jurdico dasclusulas contratuais gerais ou outra legislao mais favorvel para o consumidor. Pgina 6/24 7. CAPTULO IIIPreveno e Reparao dos DanosArtigo 10.(Direito reparao dos danos)1.O vendedor, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro e o importadorrespondem, independentemente da existncia de culpa, pela reparao dos danoscausados aos consumidores por defeitos decorrentes do projecto, fabricao,construo, montagem, manipulao, apresentao ou acondicionamento de seusbens, bem como por informaes insuficientes ou inadequadas sobre sua utilizao eriscos, excepto quando provar que no colocou o bem no mercado ou que, emborahaja colocado o bem no mercado, o defeito no existe ou haja culpa exclusiva doconsumidor ou de terceiro.2.O fornecedor de servios responde, independentemente da existncia de culpa.pela reparao dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos prestao de servios, bem como por informao insuficientes ou inadequadas sobresu