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UNE Instrumento de Subversao - 1963 - Sonia Seganfreddo

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  • 1. UNE Instrumento de Subverso Sonia Seganfreddo Fonte digital Digitalizao da edio em papel Ed. GRD - 1963 Seganfreddo, Sonia Maria S (Sonia Maria Saraiva), 1937- Srie de quatorze reportagens, publicada sob o ttulo UNEmenina dos olhos do PC ... em O Jornal durante o ms de setembro de 1962 - Dedalus - http://dedalus.usp.br Verso para eBook eBooksBrasil 2008 Sonia Seganfreddo USO NO COMERCIAL - VEDADO USO COMERCIAL

2. NDICE Introduo I O que a UNE II Pequeno histrico da UNE III 1949, ano de definio da UNE IV UNE volta a ser notcia em 1956 V A UNE se declara fundamentalmente poltica VI Ainda a greve do tero e sua fundamentao ideolgica VII Catequese estudantil comprovada em inqurito VIII Congresso de Quitandinha pratica arbitrariedades IX Conclaves estudantis internacionais so dirigidos por Moscou X ISEB alicia estudantes e orienta a UNE XI ...e os poderes da repblica patrocinam o festival subversivo Concluso 3. INTRODUO Por que escrevi uma srie de reportagens sobre a Unio Nacional dos Estudantes denunciando-a em suas atividades subversivas? Eis a pergunta a mim dirigida, muitas vezes, por amigos, principalmente colegas e professores, preocupados com a repercusso que minhas afirmaes pudessem encontrar mesmo nas esferas governamentais. Escrevi as reportagens, ora apresentadas em livro, por uma questo de responsabilidade, de conhecimento, de vivncia e, acima de tudo, com a sadia pretenso de esclarecer, na medida do possvel, grande maioria de estudantes desinteressados e ingnuos que, sem saber por que o fazem, auxiliam as manobras de elementos regiamente pagos para agitarem o panorama universitrio em particular e a Nao em geral. As atividades da UNE me preocupam devido minha formao democrtica autntica. Democracia dinamismo, responsabilidade, a possibilidade de errarmos, aprendermos e corrigirmos os erros. O Estado Democrtico tem as suas obrigaes para com o povo e, quando estas obrigaes so esquecidas, e uma casta dirigente exorbita em seus direitos, propiciando a misria e o desespero em seus comandados, a situao torna-se perigosa. Idias contrrias formao humanstica e crist de um povo encontram, neste mesmo povo, abrigo seguro e possibilidades de evolurem, culminando na mudana violenta de uma estrutura estatal e social. Por isso preciso que tenhamos cuidado. No Brasil o erro est em nossa democracia de fachada, deteriorada por arbitrariedades, desumanismo e ignorncia, muita ignorncia. preciso que corrijamos o erro. Tal no encontra soluo, entretanto, em doutrinas importadas e, sob certos aspectos, piores que a mais corrupta das democracias. necessrio, isso sim, uma conscincia nacional soma das vrias conscincias individuais que desperte do eterno sono em que est 4. mergulhada h muitos anos. juventude compete a tarefa de lutar e, futuramente, galgar os postos de mando da Nao. E na juventude, revolucionria por natureza, e desencantada com a irresponsvel democracia brasileira, que se incute idias e tcnicas marxistas-leninistas ao invs de esclarec-la e anim-la para a reconstruo de um Brasil melhor, mais humano, formado por homens dignos e responsveis. Por homens que compreendam a sua verdadeira situao histrica: viverem livres e serem teis comunidade. A UNE representa uma juventude inconsciente. Suas atividades no preocupam s autoridades do pas, que apenas em pocas de agitao ou greve resolvem tomar atitudes de pseudo-autoridade, acabando, logo, por oferecerem, aos lderes estudantis, todas as regalias e protees. A UNE, esta a verdade, tornou-se uma das maiores clulas do comunismo internacional instalada em nosso territrio, servindo, os seus elementos, aos agentes bolchevistas, de quem, provavelmente, recebem dinheiro, pelos caminhos mais diversos... A entidade estudantil, portanto, constitui-se num problema de segurana nacional. O mais lamentvel a apatia da grande maioria dos estudantes de formao democrtica, mas envenenada pelo excesso de propaganda de uma entidade que, de direito, representa os universitrios brasileiros. Esta maioria compactua, por desconhecimento ou medo de ser tachada de reacionria, com os ideais de um pequeno nmero de estudantes, muitos dos quais profissionais que passam a vida em universidades, na catequese de jovens ao credo vermelho. Quando decidi entrar na Faculdade Nacional de Filosofia, outros interesses me moviam. Escolhi o curso de Filosofia por entender que uma formao filosfica possibilitaria a concretizao de meus planos, referentes literatura musical. Assim, em agosto de 1958 me matriculei no Curso Pr-Vestibular da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, quando, imediatamente, passei a sofrer 5. a presso catequtica dos professores do Pr-Vestibular, alunos da Faculdade, liderados pelo Prof. lvaro Borges Vieira Pinto, o catedrtico de Histria da Filosofia. O grupo de professores, de incio, tratava-me muito bem, com o intuito de captar a minha simpatia e introduzir-me na realidade brasileira. Confesso que me fascinei um pouco pelas crticas e combates do grupo. Realmente, o Brasil estava, como ainda est, mergulhado na maior anarquia e injustia social. Analisando, porm, uma srie de atitudes, completamente opostas aos meus princpios, cheguei concluso de que no poderia dar autoridade moral a quem no apresentava o mnimo de coerncia e decncia. Mantive-me calada, no compactuando, nem fazendo oposio, pois o meu interesse era o de cursar a Faculdade sem fazer poltica. Em novembro de 1958 o grupo participou da invaso ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico, cujo Presidente, Embaixador Roberto Campos, era, ento, considerado entreguista. A UNE, dirigente do movimento, alegava que o Presidente da Repblica devia ser pressionado a fim de demitir o Sr. Roberto Campos e colocar em seu lugar um elemento nacionalista. Pouco entendia eu de poltica, e os termos nacionalista, entreguista, reacionrio, to explorados, confundiam-me. Pouco sabia, tambm, sobre a UNE e sobre suas atividades. Isso, alis, acontecia e ainda acontece com os estudantes que ingressam em nossas escolas superiores e o grande mal que a maioria se entusiasma e se deixa levar pelos ensinamentos que recebe, no se preocupando em ler, analisar e raciocinar. Nesta poca comecei a estudar o problema, chegando concluso de que toda a doutrinao da UNE no passava de uma deformao da realidade. Partiam seus militantes de premissas verdadeiras, pois, de fato, h misria, fome, analfabetismo, grupos econmicos, etc, em nosso pas, mas as causas reais dessas situaes eram propositadamente ignoradas e arranjadas na conta de chegar com o fito de possibilitarem as teses 6. subversivas. Mas, obrigada a participar da arruaa contra o BNDE, recusei-me determinantemente, alegando que no era aluna da Faculdade, no conhecia a questo e nem considerava prprio moas participarem de movimentos de rua. A perseguio contra mim comeou. Passei a ser difamada, conforme supunha o grupo catequisador, atravs de carimbos prprios dos comunistas: burguesa decadente, reacionria, entreguista, sem capacidade intelectual para fazer curso superior, etc... Recebi, ainda, um aviso de que seria eliminada no vestibular, uma vez que o Sr. Vieira Pinto, presidente da banca examinadora, s deixaria ingressar na Faculdade os candidatos evoludos, aqueles que se haviam deixado influenciar pela pregao marxista misturada com a mais completa imoralidade. Aps um vestibular desonesto fui reprovada junto com outros elementos previamente estudados pelo grupo. A comeou o meu combate. Revises de prova, ameaa de ao judicial, ameaa de denncias pela imprensa e uma srie de outras medidas fizeram com que o caso fosse resolvido imediatamente. O Sr. Vieira Pinto, e seu assistente, contudo, no deixaram de me perseguir em dois anos de curso. Quanto ao caso do vestibular e um inqurito disciplinar levado a efeito na Faculdade Nacional de Filosofia, dedico um captulo deste trabalho. Foi assim que entrei na poltica estudantil. Mais por emoo e sentimento de justia do que, propriamente, por conhecimento e vontade. Da emoo passei ao estudo sereno dos vrios problemas e, usando da pena, durante os quatro anos de curso, colaborei, como pude, para o esclarecimento daqueles que ainda no se entregavam s srdidas campanhas de corrupo intelectual e moral ministradas em nossas escolas superiores. Neste livro est, pois, um dos ltimos trabalhos feitos em minha vida universitria. 7. Em agosto de 1962, aps ter rompido a greve universitria, de objetivo poltico, decretada pela UNE, em reivindicao a um tero de estudantes nos colegiados universitrios, recebi um convite do jornalista Paulo Vial Corra, secretrio de O Jornal, para escrever uma srie de reportagens sobre a propaganda e a atividade comunista no meio estudantil. Aceitei o convite, como disse no incio, consciente de minha responsabilidade, acreditando ser um dever cvico levar ao pblico e s autoridades, embora muitas saibam e no queiram agir, as atividades subversivas de estudantes manobrados pelos comunistas. Apesar, porm, de me sentir capacitada para falar do problema, por dois motivos estar concluindo um curso de Filosofia e ter prtica jornalstica senti o peso da grande tarefa e o receio natural de sofrer perseguies, pois os comunistas no tm escrpulos quando se propem a aniquilar algum que atrapalhe e denuncie as suas atividades. Isso, no entanto, logo passou e, pondo mos obra, em menos de quinze dias consegui recolher o material necessrio para uma srie de quatorze reportagens, publicada sob o ttulo UNE MENINA DOS OLHOS DO PC. A srie, publicada em O Jornal durante o ms de setembro de 1962, logo foi reproduzida em vrios rgos dos Dirios Associados, correndo pelo Brasil a fora. Tive o consolo de ser procurada por vrias associaes estudantis, colgios e universitrios, todos estarrecidos com as denncias feitas e afirmando que se tornava necessria, com urgncia, uma ao democrtica consciente em nossas faculdades. O tempo que tive para compilar o material e escrever as reportagens no foi muito. Mesmo assim creio qu