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Página 1 Boletim 525/14 – Ano VI – 16/05/2014 TRT de Minas admite demissão em massa sem negociação com sindicato Advogado Adauto Duarte: TST criou norma que interfere no poder de gestão do empregador, o que viola o princípio constitucional da livre iniciativa Por Adriana Aguiar | De São Paulo Uma recente decisão do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) admitiu a possibilidade de demissão em massa sem prévia negociação com sindicato de trabalhadores. O julgado abre uma nova corrente no TRT mineiro, que em geral tem reconhecido essa necessidade. A decisão ainda caminha na contramão da jurisprudência predominante no Tribunal Superior do Trabalho (TST). O Supremo Tribunal Federal (STF), porém, ainda deverá decidir sobre o tema. O caso no TRT mineiro envolve um ex-bancário do Santander, que alega ter sido demitido, em dezembro de 2012, juntamente com cerca de mil empregados, sem prévia negociação coletiva com o sindicato da categoria. Por isso, pediu a declaração de nulidade da dispensa e sua reintegração ao emprego. O pedido foi reconhecido em primeira instância. Para a juíza, a demissão em massa não pode ter efeito sem a prévia negociação sindical. Na decisão, citou entendimento adotado na Seção de Dissídios Coletivos do TST de que "a negociação coletiva é imprescindível para a dispensa em massa de trabalhadores".

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Boletim 525/14 – Ano VI – 16/05/2014

TRT de Minas admite demissão em massa sem negociaçã o com sindicato

Advogado Adauto Duarte: TST criou norma que interfere no poder de gestão do empregador, o que viola o princípio constitucional da livre iniciativa

Por Adriana Aguiar | De São Paulo Uma recente decisão do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) admitiu a possibilidade de demissão em massa sem prévia negociação com sindicato de trabalhadores. O julgado abre uma nova corrente no TRT mineiro, que em geral tem reconhecido essa necessidade. A decisão ainda caminha na contramão da jurisprudência predominante no Tribunal Superior do Trabalho (TST). O Supremo Tribunal Federal (STF), porém, ainda deverá decidir sobre o tema.

O caso no TRT mineiro envolve um ex-bancário do Santander, que alega ter sido demitido, em dezembro de 2012, juntamente com cerca de mil empregados, sem prévia negociação coletiva com o sindicato da categoria. Por isso, pediu a declaração de nulidade da dispensa e sua reintegração ao emprego.

O pedido foi reconhecido em primeira instância. Para a juíza, a demissão em massa não pode ter efeito sem a prévia negociação sindical. Na decisão, citou entendimento adotado na Seção de Dissídios Coletivos do TST de que "a negociação coletiva é imprescindível para a dispensa em massa de trabalhadores".

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Porém, a Turma Recursal de Juiz de Fora modificou a decisão. Segundo a turma, não há qualquer restrição na lei ou condição à dispensa "em massa" por iniciativa do empregador e, por isso, não caberia ao julgador fazê-la. Segundo o voto do desembargador Luiz Antônio de Paula Iennaco, relator do recurso, essa condição "viola o princípio da legalidade e ultrapassa os limites legais". O desembargador acrescenta que há normas coletivas que preveem restrições para a dispensa em massa. Mas que, no caso concreto, não existiam.

Em entrevista ao Valor , o desembargador Iennaco ainda destaca que a decisão levou em consideração que não há uma definição do que seria uma demissão em massa, com relação ao número de trabalhadores. Isso porque cerca de mil empregados, a depender do total de trabalhadores, pode não representar uma demissão coletiva, segundo ele. Além disso, afirma, como se trata de uma ação individual, "o juiz está adstrito a decidir em relação a aquele em caso" e no processo analisado não havia impedimento do empregador para efetivar a demissão.

Por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa, o Santander informou que o caso ainda está sob o exame da Justiça e, "por esse motivo, o banco prefere não se manifestar no momento até que a decisão final seja publicada".

Nos casos em que os sindicatos participam dos acordos, condicionam a demissão à manutenção de benefícios, como um prazo a mais no pagamento de plano de saúde e vale-alimentação e refeição, além de abonos salariais e requalificação profissional.

O advogado especializado em relações do trabalho, Adauto Duarte, afirma que o TST em julgamento emblemático em 2009 decidiu pela obrigatoriedade da negociação prévia. "Todavia, entrou na esfera de competência do Poder Legislativo, já que não há dispositivo de lei que estabeleça a obrigação", diz. Para Duarte, o TST criou norma que interfere no poder de gestão do empregador, o que viola o princípio constitucional da livre iniciativa. "A empresa que opta pela despedida coletiva está diante de uma situação de crise. E se não for possível realizá-la, o custo para a manutenção de um quadro de empregados pode levar ao aumento da crise."

Porém, ainda caberá ao Supremo analisar a obrigatoriedade da anuência do sindicato nessas demissões. O caso que está para ser analisado na Corte envolve a dispensa, em 2009, de cerca de 4,2 mil trabalhadores pela Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e pela Eleb Equipamentos. Na época, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região entrou na Justiça do Trabalho contra a medida.

Segundo o sindicato, o Supremo precisa dar um limite para as demissões em massa, com a manutenção da obrigatoriedade de negociação, como julgou o TST. O tema teve repercussão geral reconhecida em 2013. Após o TST entender que, no caso, os

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trabalhadores não deveriam ser readmitidos, mas que deveria haver negociação para demissão em massa, as empresas recorreram ao STF.

O advogado Daniel Chiode, do escritório Gasparini, De Cresci e Nogueira de Lima, acrescenta que o TST já sinalizou alguns limites para a demissão em massa, em abril de 2013, mas ainda há insegurança jurídica sobre o tema. "Para evitar ações judiciais, o ideal é que a empresa negocie com os sindicatos." O caso analisado no TST envolveu a Eaton, que atua no setor de energia e autopeças e dispensou 180 empregados entre novembro de 2011 e janeiro de 2012. Para os ministros da Seção Especializada em Dissídios Coletivos, a demissão em massa deve ter um motivo, que pode ser econômico, tecnológico ou de alteração na estrutura da empresa.

Destaques Penhora suspensa

Veículo objeto de leasing não pode ser penhorado para o pegamento de execução trabalhista. O bem é de propriedade do arrendador e não do sujeito da execução - arrendatário. Com esse entendimento, a 4ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou a desconstituição de penhora sobre um carro de passeio que pertencia ao Bradesco Leasing. A restrição judicial recaiu sobre o veículo cujo contrato de leasing foi celebrado em 2008 entre o banco e o sócio de uma empresa que foi executado por conta de dívidas trabalhistas. Em agosto de 2011, ao tomar conhecimento da constrição, o Bradesco interpôs embargos de terceiro alegando que o bem não poderia ser penhorado, pois era de sua propriedade, e foi arrendado ao sócio executado, que detinha somente a posse precária do bem. Ao julgar o caso, a 1ª Vara do Trabalho de Abaetetuba (PA) manteve a penhora por entender que o objeto de leasing financeiro integra o patrimônio do devedor, visto que este pagava parcelas mensais no valor de R$ 2,6 mil. A sentença registrou ainda que esse tipo de contrato prevê o direito de compra do veículo ao final das parcelas. O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (Pará e Amapá) manteve a decisão sob a justificativa de que, mesmo com características híbridas, o contrato de arrendamento mercantil não é obstáculo à penhora do bem na Justiça do Trabalho, especialmente em razão da natureza alimentar do crédito. O banco novamente recorreu e no TST reverteu o entendimento. Para o relator da matéria, ministro Fernando Eizo Ono, o veículo nunca poderia ter sido alvo de penhora porque é de propriedade do Bradesco.

(Fonte: Valor Econômico dia 16-05-2014).

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Brasileiro fica mais tempo no emprego Dados compilados pelo ‘Estado’ mostram que a perman ência média do trabalhador na empresa atingiu nível recorde de 161 semanas João Villaverde, de O Estado de S. Paulo BRASÍLIA - O tempo médio de permanência do brasileiro no seu emprego atingiu um patamar recorde de 161,2 semanas (ou pouco mais de três anos) no primeiro trimestre deste ano. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) compilados pelo ‘Estado’, este patamar é o mais alto de toda a série histórica, iniciada em 2002. No primeiro trimestre de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência, o indicador apontava uma duração média de 135 semanas. Isso significa que, em pouco mais de uma década, subiu de dois anos e meio para 3,1 anos a duração média do contrato de trabalho formal no País.

Os números vão na contramão das despesas cada vez maiores com o seguro-desemprego, gastos que o governo promete há anos que vai reduzir. Entre janeiro e março, o governo Dilma Rousseff gastou R$ 10,1 bilhões com seguro-desemprego e abono salarial, volume 20% superior a igual período do ano passado. Pressionado pelo mercado, investidores internacionais e agências de rating por causa do desempenho das contas públicas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu duas vezes, nos últimos três anos, que reduziria essa despesa. Isso ainda não aconteceu.

Segundo o economista João Saboia, especialista em mercado de trabalho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os dados levantados pelo Estado podem indicar uma nova atuação do trabalhador brasileiro com seu emprego: diante do desaquecimento do mercado de trabalho, que continua crescendo mas a ritmo muito mais fraco que o verificado de 2005 a 2013, o trabalhador tem "esticado" sua permanência no trabalho. "Uma hipótese é que esses dados indicam isso e, também, empresas menos dispostas a trocar a mão de obra, retendo os profissionais por mais tempo, aguardando uma nova tendência, seja ela de crise, algo que parece mais difícil, ou de novo ciclo de crescimento", disse.

Recorde. O dado mais elevado de toda a série foi encontrado em março deste ano, quando o tempo mediano de permanência no emprego chegou a 164,5 semanas, ou quase 3,2 anos. No mês anterior, o indicador apontava 161,1 semanas . Nunca, em 12 anos de dados mensais, esse termômetro havia registrado 160 semanas ou mais.

Para o professor da Universidade de São Paulo (USP), especialista em emprego, Hélio Zylberstajn, os dados levantados pelo Estado podem indicar um aumento da formalização

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no mercado de trabalho. Como a pesquisa do IBGE é feita com trabalhadores formais e também informais, e o tempo de permanência tem crescido, esse fenômeno pode ser a formalização: "o trabalhador já desempenhava a função como informal, e depois teve a carteira assinada, e isso prolonga o tempo total na vaga", disse. "A grande notícia é o que está acontecendo neste momento, em 2014", disse Saboia, "porque o ritmo dos últimos anos tem sido razoavelmente parecido, e começou a subir mais fortemente neste ano." O Estado levantou nos arquivos do IBGE os dados que indicam o tempo "mediano" de permanência no trabalho principal, coletados mensalmente pelos técnicos do instituto junto à Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Esse indicador aponta o ponto central dos dados. Isto é, no primeiro trimestre de 2014, metade dos trabalhadores brasileiros estava menos de 161,2 semanas no emprego principal, e outra metade, mais tempo.

Jornada fica abaixo de 40 horas por semana BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo Entra ano eleitoral e as centrais sindicais levantam a mesma bandeira, defendida em toda e qualquer manifestação: a jornada de trabalho deve cair das atuais 44 horas semanais para 40 horas. Os empresários, por outro lado, defendem o contrário, e na semana passada chegaram a levar à presidente Dilma Rousseff, durante encontro em São Paulo, um pedido para que a Constituição não seja alterada e que a jornada continue de 44 horas. Os números do mercado de trabalho, no entanto, indicam que, na realidade, o brasileiro já trabalha menos do que determina o texto constitucional. No primeiro trimestre deste ano, a média de horas efetivamente trabalhadas pelos brasileiros foi de 39,7, por semana. Em relação ao mesmo período do ano passado houve uma elevação - a jornada de trabalho foi de 38,6 horas, em média, nos primeiros três meses de 2013.

Queda. Quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência, a jornada de trabalho beirava 41 horas por semana. O ritmo foi caindo, ano a ano, chegando a 39,9 horas e 39,5 horas semanais, no primeiro trimestre de 2007 e 2008, respectivamente. A explosão da crise mundial, que diminuiu o ritmo de crescimento do País, fez a jornada subir um pouco entre 2009 e 2012. Mas, desde o ano passado, os dados mensais apontam para uma carga de trabalho inferior a 40 horas por semana. "Essa bandeira da jornada de 40 horas está superada, porque os brasileiros já estão caminhando para jornadas inferiores", avaliou o professor Hélio Zylberstajn, da USP, sobre os dados levantados pelo Estado . Segundo Zylberstajn, que é especialista em mercado de trabalho, a mudança constitucional, ao reduzir de 44 horas para 40 horas por semana, pode ter efeito muito pequeno sobre o nível de emprego, diferente do que defendem os sindicalistas. "Claro que existem empresas que exageram, e exigem jornadas superiores até a 44 horas por semana. Isso deve ser coibido. Mas fato é que o mercado já tem se organizado, tanto que os dados do IBGE mostram isso claramente: vivemos um nível muito baixo de desemprego, e mesmo assim a jornada média é inferior a 40 horas por semana", disse Zylberstajn. / J.V.

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(Fonte: Estado de SP dia 16-05-2014).

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Caso não haja interesse em continuar recebendo esse boletim, favor enviar e-mail para [email protected] , solicitando exclusão.