recomendacao e aplicacao de nutrientes via foliar parte 1

Download Recomendacao e Aplicacao de Nutrientes via FOLIAR Parte 1

Post on 13-Sep-2015

19 views

Category:

Documents

1 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Descreve princípios de adubação foliar

TRANSCRIPT

  • CURSO DE PS-GRADUAO LATO SENSU (ESPECIALIZAO) A DISTNCIA

    FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIO DE PLANTAS NO AGRONEGCIO

    RECOMENDAO E APLICAO DE NUTRIENTES VIA FOLIAR

    Ciro A. Rosolem

    Universidade Federal de Lavras - UFLA Fundao de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extenso -

    FAEPE Lavras - MG

  • Parceria

    Universidade Federal de Lavras - UFLA

    Fundao de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extenso - FAEPE

    Reitor

    Antnio Nazareno Guimares Mendes

    Vice-Reitor

    Ricardo Pereira Reis

    Diretor da Editora

    Marco Antnio Rezende Alvarenga

    Pr-Reitor de Ps-Graduao

    Joel Augusto Muniz

    Pr-Reitor Adjunto de Ps-Graduao Lato Sensu

    Marcelo Silva de Oliveira

    Coordenador do Curso

    Jos Maria de Lima

    Presidente do Conselho Deliberativo da FAEPE

    Edson Amplio Pozza

    Editorao

    Centro de Editorao/FAEPE

    Impresso

    Grfica Universitria/UFLA

    Ficha Catalogrfica preparada pela Diviso de Processos Tcnicos da

    Biblioteca Central da UFLA

    Rosolem, Ciro A. Recomendao e aplicao de nutrientes via foliar / Ciro A.

    Rosolem. Lavras: UFLA/FAEPE, 2002. 98 p.: il. - Curso de Ps-Graduao Lato Sensu (Especializao) a

    Distncia: Fertilidade do Solo e Nutrio de Plantas no Agronegcio.

    Bibliografia

    1. Adubao foliar. 2. Absoro de nutriente. 3. Aplicao. 4. Permeabilidade. I. Rosolem, C.A. II. Universidade Federal de Lavras. III. Fundao de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extenso. IV. Ttulo.

    CDD 581.1335 - 931.816 - 631.86

    Nenhuma parte desta publicao pode ser reproduzida, por qualquer meio ou forma, sem a prvia autorizao.

  • SUMRIO

    1. PRINCPIOS DE ADUBAO FOLIAR ................................................................... 5

    1.1. INTRODUO ....................................................................................................... 5

    1.2. ORGANIZAO INTERNA DA FOLHA ............................................................... 6

    1.3. O CAMINHO AT O SIMPLASTO ...................................................................... 10

    1.4. PENETRAO VIA CUTICULAR E VIA ESTOMATAL ..................................... 12

    1.5. PENETRAO VIA CUTICULAR ....................................................................... 14

    1.6. PENETRAO VIA ESTMATOS ..................................................................... 17

    1.7. ABSORO FOLIAR E RADICULAR ................................................................ 18

    1.8. ABSORO PROPRIAMENTE DITA ................................................................. 20

    1.9. TRANSLOCAO DO NUTRIENTE ABSORVIDO ............................................ 21

    1.9.1. Transporte na Folha .......................................................................................... 21

    1.9.2. Transporte a Longa Distncia ........................................................................... 22

    1.10. FATORES QUE INFLUENCIAM A ABSORO FOLIAR ................................ 34

    1.10.1. Fatores Intrnsecos ......................................................................................... 35

    1.10.2. Fatores Externos ............................................................................................. 37

    1.11. FILOSOFIAS DE APLICAO ........................................................................... 69 1.12. ADUBAO FOLIAR PREVENTIVA .................................................................. 70 1.13. ADUBAO FOLIAR CORRETIVA .................................................................... 70 1.14. ADUBAO FOLIAR SUBSTITUTIVA ............................................................... 73 1.15. ADUBAO FOLIAR COMPLEMENTAR .......................................................... 77 1.16. ADUBAO FOLIAR SUPLEMENTAR NO ESTDIO REPRODUTIVO ............ 79 1.17. ADUBAO FOLIAR SUPLEMENTAR ESTIMULANTE .................................... 80 1.18. CONSIDERAES FINAIS ............................................................................... 81

    REFERNCIAS .......................................................................................................... 83

  • 1 PRINCPIOS DE ADUBAO FOLIAR

    Ciro A. Rosolem Departamento de Produo Vegetal Faculdade de Cincias Agronmicas UNESP/Botucatu

    1.1. INTRODUO

    A absoro de gua pelas folhas foi referida em 1676 por Mariote e, em 1877, Bohm relatou que sais minerais dissolvidos, como por exemplo o clcio, eram absorvidos pela superfcie foliar e usados no metabolismo da planta (Franke, 1986). Malavolta (1980) faz referncia ao uso de lquido de esterqueiras (chorume), como adubo foliar, durante o sculo XIX, bem como ao uso de superfosfato diludo em gua. Camargo e Silva (1975) citam alguns casos de uso de fertilizantes foliares na correo de carncias nutricionais, tambm no sculo XIX. Entretanto, somente a partir da utilizao de sulfato de ferro por Johnson no Hava, em 1915, para resolver problemas de deficincia em abacaxi, que a prtica tornou-se mais popular no Estados Unidos, na dcada de 20, incrementando-se a partir dos anos 40, com a utilizao conjunta de defensivos (Franke, 1986).

    Apesar de tratar-se de um mercado significativo na rea de fertilizantes, a adubao foliar, historicamente, tem recebido ateno limitada da pesquisa, principalmente no Brasil. Na verdade, encontram-se inmeros trabalhos testando produtos e meios de aplicao, mas sua grande maioria, por razes que extrapolam o presente trabalho, no chegam s revistas mais importantes do Pas. Trabalhos que procurem caracterizar o processo de absoro foliar e entender seus mecanismos especficos so raros, mesmo na literatura internacional. A falta de informaes bsicas deixa tcnicos, agricultores e at mesmo as empresas produtoras de fertilizantes para aplicao foliar merc do mercado, algumas vezes inescrupuloso, outras ingnuo, outras ainda incompetente para interpretar e aplicar adequadamente os resultados obtidos.

    A falta de informaes confiveis, de resultados com forte relao causa-efeito, corroborados por testes estatsticos adequados, acaba por causar muita confuso

  • EDITORA UFLA/FAEPE Recomendao e Aplicao de Nutrientes Via Foliar

    6

    nesta rea do agronegcio, tornando a adubao foliar um assunto sempre polmico. Por exemplo, a recomendao generalizada de aplicao foliar de macronutrientes, em pequenas doses, raramente tem encontrado respaldo na literatura, nas condies brasileiras. Mas, como em funo da pequena quantidade aplicada, seu custo relativamente baixo, muitos agricultores se utilizam da prtica, sem a mnima segurana a respeito do real benefcio.

    Uma srie de revises sobre o assunto j foi publicada no Brasil, dentre as quais cita-se Malavolta (1980), Rosolem (1984, 1992), Boaretto e Muraoka (1995), entre outros. De modo mais abrangente o assunto foi discutido por Camargo e Silva (1975) e Boaretto e Rosolem (1989). O presente texto tem como objetivo a compilao e interpretao da literatura existente sobre adubao foliar, procurando, sempre que possvel, complementar e/ou atualizar as informaes divulgadas.

    Procurar-se-, na primeira parte, discutir a estrutura da planta implicada na absoro e translocao do nutriente aplicado via foliar. Em seguida os mecanismos e limitaes da prtica sero contemplados criticamente, assim como sero discutidos alguns aspectos da tecnologia de aplicao dos fertilizantes foliares.

    1.2. ORGANIZAO INTERNA DA FOLHA

    A folha apresenta trs tipos de sistemas de tecidos: epiderme, mesfilo e tecidos vasculares. Com exceo de um limitado crescimento no pecolo e nas nervuras de maior porte, geralmente no h crescimento secundrio nas folhas, permanecendo a epiderme como tecido de revestimento. O texto referente organizao interna da folha baseado e adaptado das revises de Rodella (1989) e Raven et al. (2001).

    A epiderme constituda de clulas tabulares, geralmente destitudas de cloroplastos, que revestem as superfcies (adaxial e abaxial) da lmina foliar. Para a maioria das folhas apenas uma camada de clulas constitui a epiderme que, deste modo, unisseriada, mas existem folhas com epiderme plurisseriada (mais de uma camada de clulas). Por vezes h ainda uma hipoderme, logo abaixo da epiderme. Apesar de variaes comuns quando forma, disposio e tamanho das clulas, estas esto sempre arranjadas em uma estrutura compacta, sem espaos intercelulares.

    A epiderme revestida externamente pela cutcula, geralmente mais espessa na face adaxial que na abaxial. A cutcula uma membrana constituda de quatro componentes essenciais: cutina, ceras, pectinas e celulose, que so secretadas atravs das paredes externas das clulas da epiderme. A composio e estrutura da cutcula varivel com a espcie (Figura 1).

  • Princpios de Adubao Foliar

    7

    Figura 1: Microfotografia de varredura da face interna de cutculas isoladas de folhas de pereira (esquerda) e frutos de macieira(direita).

    A formao da cutcula iniciada com a sntese da procutina no protoplasma das clulas epidrmicas, que migra atravs das paredes na forma de gotculas, que acabam por extravasar na superfcie. A formao da cutcula centrpeta, uma vez que sua parte externa a primeira a ser formada. A o material cuticular, em contato com o oxignio atmosfrico, sofre polimerizao e oxidao, endurecendo gradualmente. A estrutura da cutcula apresenta uma matriz de cutina, contendo plaquetas de cera e lamelas de celulose. A cutina um poliester formado de cidos graxos hidroxilados com cadeias de C18:1 e C16:0, e devido presena de grupos hidroxlicos ela hemihifroflica. As ceras so uma mistura de molculas hidrofbicas como cidos graxos de cadeias muito longas, hidrocarbonetos, steres e lcoois, que esto parcialmente embebidos na cutina.

    Na parte externa a cutina mai