paradoxos na concretizaÇÃo da lei de acesso À informaÇÃo (lai) pela administraÇÃo fiscal

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  • PARADOXOS NA CONCRETIZAO DA LEI DE ACESSO INFORMAO (LAI) PELA ADMINISTRAO FISCAL
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  • Paradoxos na concretizao da LAI pela Administrao Fiscal A regra (transparncia) torna-se exceo na Administrao Fiscal? Objetivos: -Diagnosticar obstculos (especificamente, inverses e paradoxos) no processo de concretizao da LAI -Pensar possibilidades de superao destes obstculos
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  • Paradoxos - Crtica ideia de que vivemos em um tempo de ps-poltica (isto , ideia de que no tempo presente no h oposies polticas significativas) - Oposies polticas LAI no so expressas (todos so a favor da transparncia); mas isso no faz com que contradies desapaream, elas ressurgem como inverses do sentido da LAI. Paradoxo um tipo de contradio que possui uma estrutura especfica: uma contradio paradoxal quando precisamente atravs da tentativa de realizar uma inteno a probabilidade de realiz-la diminui (Honneth e Hartmann, 2006)
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  • Dois tipos de argumentos Argumentos jurdicos -Segredo a regra para a Administrao Fiscal? LAI X manual do sigilo fiscal e portarias (RFB e PGFN) -Respostas aos pedidos de acesso informao feitos pelo NEF Argumentos referentes gesto - Regra do segredo gera ineficincias para a Administrao Pblica
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  • LAI e Reforma do Estado A concretizao da LAI ocorre ao lado da instaurao de um novo modelo de gesto (calcado na transparncia) preciso superar inverses provocadas pelo regra do segredo e por princpios de gesto pblica incapazes de produzir resultados eficientes em sociedades hipercomplexas
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  • Argumentos jurdicos
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  • Lei de Acesso Informao (LAI) -Transparncia a regra e o sigilo a exceo - garantido o acesso s partes no sigilosas de documentos de documentos pblicos 2 o do art. 6. Quando no for autorizado acesso integral informao por ser ela parcialmente sigilosa, assegurado o acesso parte no sigilosa por meio de certido, extrato ou cpia com ocultao da parte sob sigilo. -A transparncia de informaes referentes a direitos fundamentais especialmente relevante Art. 21. No poder ser negado acesso informao necessria tutela judicial ou administrativa de direitos fundamentais. Pargrafo nico. As informaes ou documentos que versem sobre condutas que impliquem violao dos direitos humanos praticada por agentes pblicos ou a mando de autoridades pblicas no podero ser objeto de restrio de acesso.
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  • RFB - Portaria n 2.344 / 2011 Art. 2 So protegidas por sigilo fiscal as informaes sobre a situao econmica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negcios ou atividades, obtidas em razo do ofcio para fins de arrecadao e fiscalizao de tributos, inclusive aduaneiros, tais como: I - as relativas a rendas, rendimentos, patrimnio, dbitos, crditos, dvidas e movimentao financeira ou patrimonial; II - as que revelem negcios, contratos, relacionamentos comerciais, fornecedores, clientes e volumes ou valores de compra e venda; III - as relativas a projetos, processos industriais, frmulas, composio e fatores de produo. 1 No esto protegidas pelo sigilo fiscal as informaes: I - cadastrais do sujeito passivo, assim entendidas as que permitam sua identificao e individualizao, tais como nome, data de nascimento, endereo, filiao, qualificao e composio societria; II - cadastrais relativas regularidade fiscal do sujeito passivo, desde que no revelem valores de dbitos ou crditos; III - agregadas, que no identifiquem o sujeito passivo; e IV - previstas no 3 do art. 198 da Lei n 5.172, de 1966. 2 A divulgao das informaes referidas no 1 caracteriza descumprimento do dever de sigilo funcional previsto no art. 116, inciso VIII, da Lei n 8.112, de 1990.
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  • RFB - Portaria n 2.344 / 2011 Art. 6 O servidor que divulgar ou revelar informao protegida por sigilo fiscal, constante de sistemas informatizados, com infrao ao disposto no art. 198 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Cdigo Tributrio Nacional ), fica sujeito penalidade de demisso prevista no art. 132, inciso IX, da Lei n 8.112, de 1990.Cdigo Tributrio Nacional Art. 8 Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicao. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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  • Manual do Sigilo Fiscal (Portaria N 3.541/2011) Art. 2 O Manual estar disponvel na intranet da RFB (sigilo do sigilo?) Art. 3. - Pargrafo nico. So inaplicveis, no mbito da RFB, eventuais interpretaes que sejam contrrias ou incompatveis com as do Manual (e se estiverem de acordo com leis superiores?) NDICE 2.1 DELIMITAO DO SIGILO FISCAL.....................................................11 2.2 EXCEES REGRA DO SIGILO FISCAL........................................15... 4. DAS INFORMAES NO PROTEGIDAS POR SIGILO FISCAL, MAS PROTEGIDAS POR SIGILO FUNCIONAL.................................................................31
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  • Portaria da PGFN n 503/2012 Art. 9. No sero atendidos pedidos de acesso informao: I genricos II desproporcionais ou desarrazoados III que exijam trabalhos adicionais de anlise, interpretao ou consolidao de dados e informaes, ou servio de produo ou tratamento de dados que no seja da competncia do rgo ou entidade O problema, ento, : os cidados no aprenderam a solicitar informaes adequadamente?
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  • NOTA TCNICA PGFN N 807/2012 Lei de acesso s informaes. Regulamentao no mbito da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. (...) 23 De regra, no se poder exigir, do requerente, a declarao dos motivos pelos quais ele solicita o acesso informao. A exceo ocorrer no caso de pedido de informaes necessrias tutela judicial ou administrativa de direitos fundamentais, quando o requerente dever demonstrar a existncia de nexo entre as informaes requeridas e o direito que se pretende proteger. Exigir-se-, tambm, comprovao de que o acesso informao pessoal por terceiros, sem o consentimento da pessoa a quem se referir a informao, ser necessrio: I - preveno e diagnstico mdico, quando a pessoa estiver fsica ou legalmente incapaz, e para utilizao nica e exclusivamente para o tratamento mdico; II - realizao de estatsticas e pesquisas cientficas de evidente interesse pblico ou geral, previstos em lei, sendo vedada a identificao da pessoa a que as informaes se referirem; III - ao cumprimento de ordem judicial; IV - defesa de direitos humanos; ou V - proteo do interesse pblico e geral preponderante. o que preceitua o art. 10 da minuta, que repisa o art. 42 do Decreto n 7.724, de 2012, e o art. 21, caput, da LAI.
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  • Argumentos referentes gesto Debate atual sobre Reformas do Estado
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  • Argumentos referentes gesto -A concretizao da LAI est ligada um processo de reforma na gesto pblica -A LAI pode ajudar a solucionar graves problemas jurdico-administrativos, principalmente referentes falta de padres uniformes de interpretao de normas tributrias por agentes fiscais
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  • Modelo de gesto fortemente hierarquizado (top- bottom) Argumentos em defesa de modelos de gesto top-bottom (que se harmonizam com a regra do segredo): -Eficincia: o excesso de debates e crticas atrapalharia uma execuo rpida e eficaz de polticas pblicas -Controle: decises concretas seriam melhor controladas por regras administrativas criadas por um nico centro de comando Ser que a edio de inmeras regras detalhadas pode realmente gerar mais controle e segurana jurdica em sociedades hipercomplexas?
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  • Paradoxos da gesto top-bottom Em sociedades hipercomplexas, modelos de administrao top-bottom acabam por gerar efeitos opostos queles esperados. O excesso de regras produz insegurana e incerteza
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  • Gesto top-bottom Portarias e instrues normativas editadas por um centro de controle garantiriam a uniformidade das decises dos agentes fiscais MAS...
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  • Paradoxos da gesto top-bottom Em sociedades hipercomplexas, o excesso de regras acaba por provocar o efeito oposto quele intencionado; isto , a falta de padres interpretativos claros
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  • Gincana de regras (John Braithwaite) O agente fiscal, diante do excesso de regras (muitas vezes contraditrias), no encontra parmetros claros para decidir Qual a sada? Mais regras?
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  • Modelos de gesto em rede (fundados na transparncia) - Alia controle vertical e horizontal - comunicao fisco/fisco e fisco/cidado; -Policentria - diversos centros de comando devem se comunicar de modo eficiente; -Alia responsividade e objetividade das decises - maior sensibilidade da Instituio (e no somente de um agente individual) ao caso concreto Ex: reformas do Fisco da Austrlia, Holanda, Nova Zelndia, Reino Unido, Pensilvnia (EUA) etc.
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  • Caso da fiscalizao de casas de repouso nos EUA e na Austrlia (Braithwaite) EUA Manuais com cerca de 1.000 regras extremamente detalhadas X Austrlia 31 standards normativos + procedimentos de dilogo entre fiscais sobre a interpretao das normas (transparncia interna)
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  • AUSTRALIAEUA 31 STANDARDSAPROXIMADAMENTE 1.000 REGRAS EX Standard: O ambiente deve ser homelike Prticas: fiscais observavam se residentes eram encorajados a decorar o ambiente, colocar fotos de familiares e etc EX Regra 1: deve haver um nmero especfico de fotos de familiares por residente Prtica: fotos tiradas de revistas eram utilizadas para enganar fiscais Regra 2: um nmero especifico de residentes deve participar de atividades recreativas Prtica: residentes indife