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  • 14 Cultivar HF Agosto / Setembro 2013

    Cebola

    Nutrio equilibradaPotssio e nitrognio so nutrientes importantes na cultura da cebola, cuja interao tem o condo de

    promover aumento na produtividade. O emprego da dose adequada ponto crucial, uma vez que tanto o excesso como a deficincia apresentam efeito prejudicial s plantas

    Os elementos mais ab-sorvidos em termos de porcentagem na mat-ria seca da cebola so o potssio e o nitrognio. O nitrognio apresenta funo estrutural importante, sendo componente de aminocidos, ami-das, protenas, cidos nucleicos, nu-cleotdeos, coenzimas, hexoaminas, clorofila e metablitos secundrios como alcaloides, glicosdeos ciano-gnicos, glucosinolatos e amino-cidos no proteicos que atuam na defesa da planta. Est relacionado com os mais importantes processos bioqumicos e fisiolgicos que ocor-

    rem na planta, tais como fotossn-tese, respirao, desenvolvimento e atividade das razes, absoro inica de outros nutrientes, crescimento e diferenciao celular.

    A dose adequada do nutriente o ponto crucial na cultura, uma vez que tanto o excesso como a deficincia so prejudiciais cebola. Em excesso ocorrer um desenvolvi-mento foliar demasiado, reduzindo a fotossntese das plantas pelo autossombreamento. O aumento do sombreamento pode gerar alte-raes nas condies microclim-ticas, potencializando a incidncia

    de infeces por fungos. Alm de promover atraso na bulbificao, engrossamento do pseudocaule, bulbos duplos, esverdeamento do bulbo, ausncia do tombamento da parte area (estalo), maior ciclo vegetativo e atraso na maturidade do bulbo, que se torna mais macio e mais suscetvel aos patgenos durante o armazenamento.

    Em caso de deficincia o pri-meiro sintoma a se manifestar nas plantas a clorose das folhas mais velhas, devido translocao do nitrognio nelas contido para as folhas mais novas para que ocor-

    ra a manuteno dos pontos de crescimento e, posteriormente, h reduo na taxa de crescimento. A deficincia de N surge primeira-mente em folhas mais velhas com colorao verde-claro, evoluindo para cor amarela, caracterstica de plantas deficientes em N.

    O efeito benfico do potssio se faz sentir em diferentes compo-nentes dos produtos agrcolas, como cor, acidez, resistncia ao transporte, manuseio e armazenamento, valor nutritivo e qualidades industriais. Assim como a adequada nutrio potssica tem sido associada com

    Div

    ulga

    o

  • aumento de rendimento, cor e tamanho de fruto, acrscimo de s-lidos solveis e cido ascrbico, con-servao e qualidade ps-colheita, de muitas hortcolas.

    A deficincia de potssio na planta de cebola caracterizada por amarelecimento das folhas velhas, secamento da ponta foliar e reduzido crescimento do bulbo.

    Esse nutriente est fortemente associado com a assimilao de nitrognio, sntese de protenas, e do carbono, pois influencia o pH do estroma, abertura das clulas-guarda do estmato, transporte do carboidrato fotossintetizado nas folhas para outras partes da planta, inclusive para o bulbo; e, principalmente, com a ativao de muitas enzimas (sintetases, desidrogenases, oxirredutases, quinases e transferases). Dentre as enzimas, participa na sntese do amido no bulbo. Portanto, o pots-sio tem influncia na produo, no transporte e no armazenamento do carboidrato.

    Por outro lado, apesar de tan-tas funes na planta, com efeitos na produo e na qualidade da ce-bola, e de ser requerido em maior quantidade, o excesso de potssio pode desequilibrar a nutrio da planta, dificultando a absoro de clcio e magnsio. Alm disso, doses acima da necessria para o satisfatrio crescimento e desen-volvimento das plantas, podem reduzir a produo, alm de ele-var os custos e causar impactos ambientais.

    ExpErimEntoCom o objetivo de avaliar os

    efeitos de doses de nitrognio e potssio sobre a produtividade da cebola um trabalho foi desenvolvido no Vale do So Francisco.

    O experimento foi conduzido no perodo de junho a setembro de 2009, no Campo Experimental de Bebedouro, Petrolina-PE (99 S, 4029 W, 365,5m de altitude). O solo foi classificado como argissolo vermelho amarelo eutrfico plnti-co, apresentou pH (H2O) = 6,6; Ca = 1,8cmolc dm

    -3; Mg = 0,6cmolc dm-3; Na = 0,01cmolc dm

    -3; K = 0,48cmolc dm

    -3; Al = 0,00cmolc dm-3, P(Mehlich) = 25mg dm-3 e M.O. = 3,6g kg-1.

    Foi avaliada uma combinao de quatro doses de nitrognio (0; 60; 120 e 180kg/ha) e trs doses de potssio (0; 90 e 180kg/ha), se utili-zando a cultivar Brisa IPA-12.

    O canteiro constou de oito linhas de 3m de comprimento, espaadas de 0,15m, com 0,10m entre plantas, perfazendo uma rea total 3,6m2 (3 x 1,2m), sendo utilizadas como a rea til as seis linhas centrais, retirando-se 0,50m em cada extremidade (1,80m2). As adubaes nitrogenada e potssica foram divididas em trs parcela-mentos, sendo a primeira realizada no plantio (1/3) e o restante (2/3) em duas coberturas aos 25 e 50 dias aps transplantio. Como fonte de nitrognio se utilizou a ureia e de potssio o cloreto de potssio. A adubao de plantio constou da aplicao de 135kg de P2O5/ha, de

    13Cultivar HF Dezambro 2009 / Janeiro 2010 15Cultivar HF Agosto / Setembro 2013

    acordo com a anlise de solo.O transplante das mudas ocor-

    reu aos 30 dias aps a semeadura em maio e o preparo do solo constou de arao, gradagem e levantamento dos canteiros a 0,20m de altura. As irrigaes foram feitas atravs do mtodo de microasperso, com tur-no de dois dias e lminas de gua de 9mm-10mm, calculada em funo da evaporao do tanque classe A, e os tratos fitossanitrios comuns cultura da cebola.

    A colheita foi realizada em agos-to quando as plantas apresentaram sinais avanados de senescncia, como amarelecimento e seca das folhas e quando mais de 70% das plantas encontravam-se estaladas. A cura foi realizada ao sol por trs dias e 12 dias sombra em galpo ventilado.

    Foram avaliadas as produtivi-dades comercial de bulbos (bulbos

    perfeitos e com dimetro transversal acima de 35mm) e no comercial (refugos) (com dimetro inferior a 35mm) expressas em t/ha, aos 15 dias aps a cura e a massa fresca de bulbo (g/bulbo).

    Resultados e RecomendaesOs resultados evidenciaram

    efeitos significativos para as doses de nitrognio e potssio, assim como para sua interao, variando com as caractersticas avaliadas.

    Por meio de anlises estatsticas verificou-se para produtividade comercial na ausncia da adubao potssica (K2O) em funo das doses de nitrognio (N), mxima produtividade estimada na dose de 200kg/ha de N (73,8t/ha). Para as doses de 90kg/ha e 180kg/ha de K2O as mximas produtividades foram estimadas nas respectivas doses de 150kg/ha e 157kg/ha de

    Figura 1 - Desenvolvimento vegetativo em funo de doses de nitrognio e potssio: ausncia de adubaes Figura 2 - Desenvolvimento vegetativo da cebola na ausncia de nitrognio e 180kg/ha de potssio

    Figura 3 - Desenvolvimento vegetativo da cebola na ausncia de potssio e 180kg/ha de nitrognio

    Fotos Geraldo Milanez de Resende

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    N. Observou-se, ainda maiores produtividades alcanadas pela dose 90kg/ha de K2O comparativamente maior dose de 180kg/ha de K2O. Neste contexto, inferiu-se ser as doses de 90kg/ha de K2O e 150kg/ha de N as mais adequadas nas condies estudadas em termos de rendimento, assim como sugere que h um nvel timo entre as doses de N e K para se promover efeito posi-tivo sobre a produtividade comercial da cebola.

    Resultados similares foram obtidos para a produtividade no comercial (refugos) em relao inversa, onde constataram-se redues na produo de refugos em todos os tratamentos avalia-dos. Na ausncia da adubao potssica, assim como nas doses de 90kg/ha e 180kg/ha de K2O, estimaram as doses de 126kg/ha; 127kg/ha e 124kg/ha de N, res-pectivamente, como as que pro-piciaram as menores produes de bulbos no comerciais. Obser-vou-se que tanto as aplicaes de nitrognio, como as de potssio promoveram menores produes de bulbos considerados refugos, o que denota uma interao entre esses nutrientes j comentados na varivel anterior. Assim como

    se pode verificar que o efeito da aplicao de nitrognio foi mais expressivo do que o promovido pelo potssio. Cabe salientar que como a caracterstica anterior, houve similaridade no compor-tamento das doses de 90kg/ha e 180kg/ha de K2O, sobretudo, na maior dose de nitrognio.

    Verificou-se aumento linear como incremento das doses de nitrognio para massa fresca do bulbo, no se observando influ-ncia da adubao potssica nesse caso. O aumento das doses de nitrognio proporcionou incre-mento gradativo na massa fresca dos bulbos. Estes resultados mos-tram a capacidade de resposta da cebola aplicao de nitrognio e alicera as afirmaes de dife-rentes autores que relatam que o elemento contribui marcada-mente para produo de bulbos de maior tamanho (massa fresca) e consequentemente melhor pro-dutividade da cultura.

    Pelas fotos ilustrativas pos-svel observar que na viso geral do experimento, a cebola com cor verde intenso em algumas parce-las, proporcionado pela presena da adubao nitrogenada e vege-tao mais amarelada, que so as

    parcelas que no foram realizadas adubaes com nitrognio, mos-trando aspectos de deficincia do nutriente.

    O tratamento em total au-sncia de adubao nitrogenada e potssica pode ser visto na Fi-gura 1. Observam-se sintomas de deficincia como amarelecimento e menor desenvolvimento vegeta-tivo. Pela Figura 2 verifica-se que mesmo na maior dose de pots-sio (180kg/ha) na ausncia da adubao nitrogenada, pequena resposta adubao potssica.

    Ao contrrio quando h uma inverso de doses, ou seja, na au-sncia da adubao potssica e na maior dose de nitrognio (180kg/ha), observa-se bom desenvolvi-mento das plantas (Figura 3).

    Com 180kg/ha de nitrognio e 90kg/ha e 180kg/ha constata-se um adequado desenvolvi-mento da cebola demonstran-do perfeito efeito inte

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