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ORGÃO INFORMATIVO DA COMISSÃO MINEIRA DE FOLCLORE – CMFL – 02-2016– Abril - Junho - 2016 CARRANCA Aruanda em noite de Gala no Palácio das Artes Forum Técnico “Plano Estadual de Cultura”: Minas Gerais se reúne na Assembleia Legislativa para entregar propostas ao Anexo da Lei. Representantes da Comissão Mineira de Folclore prontos para aplaudir A Comissão Mineira de Folclore respondeu “presente” à abertura da exposição: “Arte popular do Médio São Francisco” com mais um lançamento do Dicioná- rio da Religiosidade Popular de Frei Chico. Conversa com o Secretário Adjunto de Cultura, João Miguel Reunião dos membros da Comissão Mi- neira no Centro de Celebração de Minas Lançamento da obra “Reinado e Poder” na cidade de Poços de Caldas - MG

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ORGÃO INFORMATIVO DA COMISSÃO MINEIRA DE FOLCLORE – CMFL – 02-2016– Abril -

Junho - 2016

CARRANCA

Aruanda em noite de Gala noPalácio das Artes

Forum Técnico “Plano Estadual de Cultura”: Minas Gerais se reúne naAssembleia Legislativa para entregar propostas ao Anexo da Lei.

Representantes da Comissão Mineirade Folclore prontos para aplaudir

A Comissão Mineira deFolclore respondeu

“presente” à abertura daexposição: “Arte

popular do Médio SãoFrancisco” com mais umlançamento do Dicioná-

rio da ReligiosidadePopular de Frei

Chico.

Conversa com o Secretário Adjuntode Cultura, João Miguel Reunião dos membros da Comissão Mi-

neira no Centro de Celebração de MinasLançamento da obra “Reinado e Poder” na

cidade de Poços de Caldas - MG

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CARRANCA PÁGINA 2

EditorialBrasas sob cinzas

Saber conservar o fogo aceso, certamente, está nonúcleo do desenvolvimento humano.Fogo é arquétipo tão forte que nenhuma filosofia subsistesem atenção ao lugar desse emblema mítico nas forma-ções sociais. Digo de filosofia, não enquanto aprisionadanuma especialidade acadêmica, mas enquanto o poderhumano de se desdobrar sobre as próprias práticas, defixá-las nas memórias das lendas e celebrá-lasdiuturnamente em mitos que se reproduzem nas rotinas davida cotidiana.Deseja o leitor um exemplo de celebração atual de ummito, com toda a cara de cientificidade?Temo-lo no dinheiro, na moeda. A prática da acumulaçãoe das trocas ensejou a fundação do mito da moeda comtodas as lendas que narram esse mito dando a ele as fei-ções atuais de cientificidade. Ninguém, hoje, pode duvi-dar do poder do dinheiro. Ele é tão real que é celebrado acada momento. Nos cálculos das mercadorias, da forçade trabalho, da duração da vida, dos investimentos emcapital, das diferenças entre as especialidades e do acúmulodo poder. O mito do valor do dinheiro é fonte de todos osconflitos e dos móveis da paz possível. Inicialmente naágora, nas praças dos mercados, nas feiras e nos dias dasemana – segunda, terça, quarta, quinta, sexta feira; hoje,nas casas de jogo, no mercado de capitais, no sistemabancário, nos shopping centers, nas praças olímpicas. Semdinheiro a realidade foge.Nossa pseudorracionalidade não consegue vencer o po-der do mito.Retorno ao fogo. Nosso companheiro, Antônio de PaivaMoura, lembrou no prefácio ao livro A sombra doandarilho, o folclore e suas charadas as cenas de umfilme cujo título é Guerra do Fogo. Este filme foi exibidoinúmeras vezes em escolas superiores como ritual de aco-lhimento dos novatos, os calouros. Alguns professores deAntropologia iniciavam a disciplina com a exibição de aGuerra do Fogo.A imaginação sobre nossas origens, nos primórdios reme-te ao fogo e os arquétipos do pensar e comunicar: Terra,Fogo, Água e Ar. Por favor, não me digam que sejam ca-tegorias etnocêntricas. Saber produzir fogo, saber mantê-lo aceso e extinguir o fogo do outro são saberes quefundam o saber viver em comunidade, saber estranhar,guerrear ou lidar com o conflito.O Fogo como arquétipo – entenda-se folclore - está naorigem do que entendemos como povo na constituiçãodos Estados. Digamos que povo e fogo se remetem umao outro. O maior desafio dos Estados modernos repousano reconhecimento da diversidade da conservação do sa-ber acender, conservar e extinguir as chamas. Esse desa-

fio não é novo. O profeta Isaías já antecipava a solu-ção para o surgimento de um Messias Pacificador:Ele não quebrará a cana rachada, nem soprará amecha ainda chamejante!Dois segredos da dominação messiânica: O povo ven-cido – cana rachada – detém um saber débil simboli-zado na mecha que ainda exibe débeis chamas.Esta é a missão dos movimentos dos folcloristas, mo-vimento inglório: Lembrar e pregar aos governos des-póticos que existe um povo dominado e que esse povotem um saber que os déspotas querem extinguir.Neste ano de 2016, a Comissão Mineira de Folclorecelebra 50 anos ininterruptos de promoção da Sema-na Mineira de Folclore. Celebra também 68 anos deexistência. Ao longo desses anos, o movimento viveusob as mais diferentes formas de governo. As sema-nas de Folclore foram decretadas pelo Governo doEstado de Minas Gerais, quase como pedido de des-culpas pelo apoio dado ao golpe civil militar de 1964.Elas resultavam das lutas ainda presentes no aparatoburocrático da Secretaria do Trabalho e da CulturaPopular. Nas primeiras semanas desse tempo, osfolcloristas convocaram governo do Estado e prefeitode Belo Horizonte para assistirem missas celebradasna Praça da Liberdade onde 2.000 congadeiros fazi-am retumbar seus tambores. Inauguraram na mesmapraça da Liberdade a Feira de Artesanato que ficouconhecida como “Feira Hippie”. Nos anos 70, a Co-missão Mineira de Folclore convocou a universidadepara dialogar com o saber popular no mesmo plano.No programa que resultou nos Ciclos de DebatesSobre a Medicina Popular prosseguiu-se com cursos,seminários e experimentos sobre PesquisaInterdisciplinar e Crenças e seus fundamentos. Tantoa crença do saber pseudossuperior, quanto a crençapopular apelidada de crendice.Enfim, nossa missão é de fazer as brasas apareceremsob as cinzas e fazer as brasas se tornaremincandescentes.Neste ano, o foco de nossa conversa privilegia os Ti-pos Populares. São pessoas que comparecem noespaço urbano desconhecendo sua condição de exis-tir.Nesta edição do Carranca apresenta-se a programa-ção da 50ª Semana Mineira de Folclore e antecipa-seo núcleo temático da Revista Comissão Mineira deFolclore edição 29, cujo foco são os tipos popularescelebrados em diferentes localidades de Minas Ge-rais.

José Moreira de SouzaPresidente da Comissão Mineira de Folclore

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CARRANCA PÁGINA 3

Notícias & Comentários

Leiam, acompanhem e comentem o blog de nossocompanheiro Ulisses Passarelli. Folclore nasVertentes http://folclorevertentes.blogspot.com.br/

Ø 28 fevereiro: A Prefeitura Municipal de BeloHorizonte, através da Fundação Municipal deCultura, vem de publicar o álbum “Tradição eResistência” que apresenta a exposiçãocoordenada pela Comissão Mineira deFolclore no Centro de Cultura Popular eTradicional “Lagoa do Nado”. Há tempo paravistar essa exposição. De Terças feiras aosDomingos.

Ø Marlei Sigrist - Mato Grosso do Sul: Deixo osmeus cumprimentos à Comissão Mineira de Folclorepelo excelente trabalho e publicação, contribuindopara a memória das tradições brasileiras.Cumprimentos, também, ao Fundo Municipal deCultura pelo entendimento da importância dessapublicação. Folks abraços a todos da Comissão Sul-Mato-Grossense de Folclore. Parabéns equipe irmã!!!

POÇOS DE CALDAS EM FESTAFoi no dia 5 de março que nossa companheira de Co-missão Mineira de Folclore, Maria José de Souza - Tita-, apresentou a Poços de Caldas seu estudo sobre o“REINADO E PODER NO SULDAS MINAS GERAIS”. Estaobra como já foi comentadoem edição anterior, examinaas diferentes manifestaçõesdo Reinado em sete cidadesdo Sul de Minas: São Sebas-tião do Paraíso, Machado,Pratápolis, Cássia, Passos,Alpinópolis e Poços de Cal-das, mas vai muito além dis-so. Percorre a formação es-pacial do Brasil com atenção para os movimentos emdireção às Minas do Ouro, a ocupação diferenciada doSul de Minas, a divisão territorial e a estrutura de po-der e as “Festas dos Negros” no interior da ordemescravista e sua mensagem libertadora ou de resistên-cia. O Reinado e as Congadas merecem especial aten-ção, não apenas como manifestação da cultura, mas,especialmente como saber que sintetiza formas de in-terpretação do viver em condição de dominação. Há em Poços de Caldas uma instituição sui generis atu-almente presidida por nossa Maria José – Tita -; trata-se do “Chico Rei Clube”. É um nome emblemático quecoloca essa cidade quase nos limites com São Paulo,saudosa o espírito do saber viver em Minas Gerais.

Em Minas houve muitos quilombos; os quilombolasassustavam a ordem colonial a todo momento. OQuilombo Grande ou do Ambrósio tornou-se desafio paraos historiadores. Contudo, Chico Rei, ao sintetizar o

saber viver e interpretar as relações étni-cas em Minas, contém mensagem dife-rente do quilombola. Afirma o crioulo;aquele que sabe a riqueza que produz eabre oportunidade para seus companhei-ros de infortúnio celebrarem a Liberdade. A obra se apresenta em sete capítulos: 1.Os descaminhos do processo civilizatóriono Sul das Minas Gerais. 2. Da permissãode organização: um Reinado Fictício. 3.Fé, tambores, Cores e Sabores. 4. A

Congada e suas relações mais expressivas. 5. Elemen-tos de configuração dinâmica. 6. Trabalho, cultura,pertencimento e poder. 7. Análise sintetizadora do fe-nômeno. Além de inúmeras figuras coloridas ilustrativas, há ane-xos documentais em diversos capítulos apresentadosem edição primorosa.Para ser fiel ao movimento dos folcloristas, Tita doouaos leitores estudiosos não apenas o resultado de 40anos intensamente dedicados aos temas analisados,mas todos os recursos pessoais para garantir a quali-dade da edição. É certo que a obra recebeu recursosda Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Poços deCaldas. Isto lhe possibilitou remunerar a Mazza Edi-

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Notícias & Comentáriosções com o sinal de R$15.000,00. Os restantesR$17.000 são da Caderneta de Poupança da própriaautora, Maria José de Souza - Tita. Não bastasse esse mecenato, Tita doou a todos os quecontribuíram para a elaboração da obra um exemplarcom dedicatória cheia de delicadezas. Reservou 50exemplares para a Comissão Mineira de Folclore pro-mover o lançamento em Belo Horizonte e nos homena-geou com na página de “Dedicatória” com os seguin-tes dizeres: “Aos companheiros e companheiras da Comissão Mi-neira de Folclore, pela coragem”.

É claro que Po-ços de Caldas seengalanou nanoite do dia 5 demarço. O salãoprincipal do Ho-tel Nacional –um dos mais no-bres da cidade –se encheu de

convidados, jornalistas, repórteres de rádio e televi-são registravam o acontecimento para o mundo. Qua-se trezentas pessoas aplaudiram a autora, professoraMaria José e longas filas aguardaram pacientementeo autógrafo.A convite da autora, coube ao representante da Co-missão Mineira de Folclore saudar o público e comen-tar rapidamente a importância de “Reinado e Poder”para o estudo da formação histórica do Sul de Minas eo processo das relações étnicas em região de minera-ção, pecuária e agricultura para exportação

ARUANDA: uma noite para celebraro Folclore no Brasil

Foi no dia 5 deabril. Grande te-atro do Paláciodas Artes emBelo Horizonte.Um mil e duzen-tas pessoas ocu-param todas aspoltronas paraassistirem eaplaudirem a ce-lebração de 55

anos de fundação do Grupo Folclórico Aruanda,nascido em 1960 nas instalações do ColégioClemente Faria no bairro Prado em Belo Hori-

zonte, com o nome de “Rancho Folclórico do Co-légio Clemente Faria” e batizado no cartório noano de 1967definitivamente como “ARUANDA”– “TERRA DE LUZ, TERRA DE PAZ”.

Nessa mesma oportunidade foi lançada a obra Gru-po Aruanda, cinquenta anos de história (1960 –2010). Apresentação primorosa para ser expos-ta nas estantes solenes das salas de visitas, estaobra se mostra em edição bilíngue – portuguêse inglês – recheada de fotografias e documen-tos que fixam instantes emblemáticos do per-curso desse grupo idealizado pelo professorPaulo César Vale numa pequena escola e quese projetou pelo mundo.

Paulo César Vale é nome importante nos anais daComissão Mineira de Folclore. A fundação doGrupo Aruanda em 1967 se confunde com seus

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Notícias & Comentáriosdesejos de apoiar os estudos do folclore emMinas Gerais. Em reunião da Assembleia Geralda Comissão Mineira de Folclore realizada nodia 21 de outubro do ano de 1971, lê-se na ataredigida por Saul Martins:

“Paulo César Valle aduziu outros dados, informan-do à casa os entendimentos que se faziam como propósito de fundação na Capital de uma es-cola de Folclore e Turismo em nível superior”.

Na sessão de 19 de fevereiro de 1972, estáregistrado: “O folclorista Paulo César Valle vol-tou a falar na possibilidade de criação na Capi-tal, da Faculdade de Folclore e Turismo e deconstrução na Pampulha, da casa da Tradição,com museu e restaurante.”

Ata do dia 22 de agosto de 1972, informa: “Assisti-mos à inauguração da Casa do Tonho e estamosno propósito de fazer daquele ponto nosso lo-cal de reuniões festivas.”

Enfim, a celebração dos 55 anos do Aruanda fez comque o nome FOLCLORE fosse pronunciado inú-mera vezes nessa noite sem reservas.

A obra de Wagner Cossse lançada nessa noite fixaa importância da fundação de um grupo no in-terior de uma pequena escola, a partir de aulas

de Educação Física e que contribuiu paraaprofundamento de estudos e pesquisas dasmanifestações que simbolizam o saber viver emdiferentes regiões de Brasil.

Registramos orgulhosos a presença de KátiaCupertino - presidente da comissão Mineira deFolclore de 2004 a 2007 -, Dadá Diniz – mem-bro colaboradora da Comissão Mineira de Fol-clore – entre os dançantes que abrilhantarama noite.

Representando nossa CMFL estiveram presentes:Domingos Diniz, presidente de Honra da Comis-são Mineira de Folclore, Romeu Sabará da Sil-va e José Moreira de Souza. Do Rio de Janeiro,da Comissão Fluminense de Folclore, registra-mos a presença de Affonso Furtado, fundadorda Federação de Folias de Reis.

7 de abril - RELUZ – Rede Culturalde Santa Luzia

A Comissão Mineira de Folclore está participandocom elevado empenho deum programa sui generis in-ventado e amadurecido aolongo de duas décadas porum conjunto de jovens re-sidentes no município deSanta Luzia – Região Metro-politana de Belo Horizonte–que deve servir de exem-plo para condução de polí-ticas de cultura. Trata-se dacriação da Rede Cultural de Santa Luzia. Inicia-tiva pioneira e louvável. Com efeito, um dosmaiores desafios das políticas culturais é a deencontrar associações focadas em diretrizes

que articulem “Cultura e Desenvolvimento”.Leis de Incentivo, fundos de financiamento daCultura, pontos de cultura, premiação de mes-tres, registros de entidades e práticas, conse-

lhos de cultura e Sistema deCultura são muito mais teiasburocráticas do que açõesefetivas. Há mais ainda, Cul-tura desfocada da rede de re-lações concretas é muitas ve-zes entendida apenas como“eventos eventuais” sematenção para a configuraçãoda vida cotidiana. Esse desa-fio é tanto maior, quanto mai-

or é o porte do município, quanto mais cadamunicípio é tensionado pela divisão espacialmetropolitana ou de aglomerados urbanos.

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Notícias & ComentáriosA iniciativa da RELUZ encara todos esses desafi-

os. Os jovens que por iniciativa própria cria-ram a Rede Cultu-ral amadureceramao longo de vinteanos o saber viverem Santa Luzia,compreenderamos desafios da for-mação espacial edetectaram a pre-

sença de 18 grupos dispostos a comporem umarede local na qual os “pontos” espontâneosse mantêm valorizando o saber viver em cadabairro de acordo com a competência dos gru-pos que se formaram. Descobriram e incluíramna rede colaborativa uma “Biblioteca Comuni-tária Corrente do Bem” lo-calizada no bairro SantaRita; uma “Associação dosAmigos do Teatro SãoFrancisco”, no povoado deTaquaraçu de Baixo. Essesdois exemplos em meio a18 iniciativas comunitári-as comprovam a impor-tância da criação da RE-LUZ. Incentivo à leitura ex-terna à escola em umbairro pobre de periferia; valorização de Tea-tro em um povoado distante de núcleos urba-nos, mantido pela tradição de 80 anos; sãoexemplos ímpares para capitalizar as iniciati-vas de consolidação das relações sociais emum município metropolitano onde se confun-dem Patrimônio Histórico e diferentes momen-tos de expansão da metrópole. Basta enume-rar as tensões do viver em Santa Luzia: umaárea articulada pelo Mosteiro de Macaúbassurgido em 1714, o núcleo histórico da cidadede Santa Luzia, emancipada de Sabará em1857, o deslocamento do Centro Histórico paraa um novo centro na parte baixa com a chega-da do trem de ferro no final do século XIX, asiniciativas de construção de Distritos Industri-ais nos anos 40 e 50 do século passado, a ex-pansão das periferias de Belo Horizonte paraa ampla região do São Benedito e, finalmente,a ocupação desordenada e desarticulada aolongo da BR 351 em direção a Caeté.

A RELUZ realizou sua apresentação solene no dia 5de abril no espaço do SESC São Benedito e deve-rá percorrer até o mês de junho 9 locais que jáaderiram à rede.

A Comissão Mineira de Folclore certamente se tor-nará mais ativa com a participação desses jo-vens em seu quadro.

Acompanhem as atividades peloendereço: www.reluz.org.br.

Antônio Correa - de São Paulo - SP

São notórios o imenso afeto e o profundo zelo, quaseque paternal, presentes no olhar dessa Comissão Mi-neira de Folclore - em especial agora com a mensagem

de seu atual presidente, o ProfessorMoreira - com respeito às manifesta-ções da cultura local do município deSanta Luzia, expressando seu constan-te apoio e valorizando todo tipo de ini-ciativa que faz valer os fundamentos,as raízes, o direito à existência e a ci-dadania de todos os seus habitantes.Parabenizo todos eles, membros des-sa Comissão, por esse esforço cons-tante e concentrado, pelo mesmo tra-balho e dedicação que tem também

acontecido diante de tantos outros municípios - insanotrabalho, trabalho quase que apenas voluntário, cheiode obstáculos - , mas que infelizmente não pode contarcom a merecida e proporcional atenção, interesse e apoiodas autoridades governamentais. Uma tarefa árdua que,em sua finalidade última, tenazmente objetiva a salva-guarda de identidades que - exatamente por isso e comose não bastasse - se encontra na contramão da parteverdadeiramente indesejável desse movimento chama-do globalização.

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Programa LEITURA NACALÇADA de Edméia Faria

Semifinalista do PRÊMIO VIVALEITURA (2016) com59 pontos em 60, nosso Programa LEITURA NACALÇADA, 1º lugar no Concurso “Os MelhoresProgramas de Leitura Junto a Crianças e jovens deTodo o Brasil”/Biblioteca Nacional e FNLIJ (1998);apresentado no Congresso Mundial de EducaçãoInfantil (Chile - 2001) e publicado em revistasespecializadas como EXPERIÊNCIA INOVADORA EMEDUCAÇÃO INFANTIL NA AMÉRICA LATINA,

continua sendoreferência para outrosp r o j e t o ssocioeducativos e depromoção da leitura.

O reconhecimentonacional e internacional do nosso trabalho estimulaa caminhada. MAS o maior prêmio é ver o brilhonos olhos das crianças na hora da história. É oreconhecimento dos próprios participantes, muitosjá pais, formados; professores, pedagogas,enfermeiras, fisioterapeutas, advogados (a),levando adiante o nosso ideal e ações do projetono espaço onde atua.

Guarda São Jorge de Nossa Senhorado Rosário

No dia 23 de abril a Guarda de São Jorge do bairroda Concórdia, em Belo Horizonte,noticiou:

A família Guarda São Jorge,comunica falecimento de nossoVassalo Hélbio Das Dores Correia(Binha). Pai de família,Concordiano,Filho do Rosário,ritmista de Escola de Samba ...nãolhe faltavam predicativos.

Hoje a saudade nos faz mais uma visita, mas não vemacompanhada da tristeza como protagonista. Com coraçõespartidos dedicaremos este dia para relembrar os bonsmomentos que foram compartilhados e como a presençade uma pessoa tão querida foi capaz de transformar tantasvidas abençoadas.

Ficaremos lhe devendo o gurufim, mas a missão segue. “neste mundo de marujo, neste mundo de marujo”... N.sra.do Rosário lhe acolha em seu manto sagrado. O Rosário nocéu está mais formoso. Salve Maria.

“Ô pai, nossa mãe tá lhe chamando,

Ô pai vai morar no campo santo...”

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fórum TécnicoMetropolitano do PlanoMineiro de Cultura,

Dia 9 de maio realizou-se nacidade de Santa Luzia o 11ºFórum Técnico do Plano Minei-ro de Cultura, coordenado pelaAssembleia Legislativa do Es-tado de Minas Gerais. O traba-lho foi coordenado pelo Depu-tado Bosco, presidente da Co-missão de Cultura da Assembleia Legislativa e con-tou com a presença do Secretário de Estadode Cultura de Minas Gerais, Ângelo Oswaldo,os deputados Rogério Correia, Cristina Cor-reia, Wander Borges, vereadores, represen-tantes dos municípios de Belo Horizonte, San-ta Luzia, Baldim, São Joaquim de Bicas. A Co-missão Mineira de Folclore se fez represen-tar pelos membros efetivos, Frei LeonardoPereira, Frei Chico e José Moreira de Souza.

Frei Leonardo coordenou os trabalhos da equipe econvidou companheiros da Comissão para conduzí-losaté o Bairro de São Benedito em Santa Luzia. Na pági-na do facebook em que se dá notícia sobre o eventosão apresentadas fotos do início do percurso no Carlos

Prates. As fotos mostram o trabalho artístico deum dos frades do convento. Imaginem a paciên-cia para recortar pequenas tábuas para constituiro mosaico. Se eu tivesse oportunidade gostariade mostrar aos presentes a relação entre arte emercado e desafiar as instituições que acham queajudam os pobres artesãos com suas feiras. A cons-trução de cada imagem consume alguns meses detrabalho. Consequentemente, o altar foi elabora-

do com anos de dedicação. Ha-veria algum mercado disposto aremunerar condignamente otempo gasto e acrescentar atudo isto o valor criativo? A Co-missão participou de dois gru-pos de discussão no Fórum Téc-nico. O primeiro sobre Culturae Direito Cultural e o segundode Sistema Estadual de Cultura.

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Como se Prepara uma festa emcomunidade

Quem vê somente a festa não conhece acelebração. Em Pinhões a preparação para afesta começa no dia seguinte à festa anterior.O conjunto de fotos a seguir mostra um dosmomentos de preparação da festa de NossaSenhora do Rosário, no dia 7 de junho. Reuniãona casa de Marcos e Walquíria da populaçãolocal e vizinhança, com celebração eucarística,barraquinhas, distribuição de brindes. A longodo ano, além dos dias 7 de cada mês, há bailes,bingos e visitas a todas as casas da padroeira.

No Aglomerado da Cabana do Pai Tomaz há duasfestas de Nossa Senhora do Rosário. A primeirade Dona Odete acontece no terceiro domingodo mês de maio. A segunda de José Franciscoinicia no dia 29 de junho, dia de São Pedro, comlevantamento de mastros, prossegue ao longode 9 dias e se encerra no segundo domingo domês de julho. Ambos festejos são promovidospela comunidade, sem recursos de incentivos à

c u l t u r a .N e s s a sf e s t a s ,comparecematé vinteg u a r d a sconvidadas.Todas elasse deslocamcom os

próprios recursos. As irmandades promotorastêm ainda o ônus de obter alvarás – pagos –para terem direito de percorrer as ruas,encaminhar inúmeros ofícios para garantirliberação do trânsito, aparato de segurança, etc.No dia da festa,porém , são osp r ó p r i o smoradores queorientam otrânsito e podemdispensar a

“segurança pública”. Afinal, quem festeja estáseguro na festa. As festas de Nossa Senhorado Rosário da Cabana são exemplos deintegração regional. No dia da festacomparecem guardas de Congo e Moçambique

dos bairrosvizinhos: Altodos Pinheiros,Nova Cintra,N o v aGameleira eNova Granada.Comparecemt a m b é m

guardas dascidades de Ibirité,Divinópolis, Betim eoutras demunicípios maisdistantes.

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Notícias & Comentários“MESTRES DO“MESTRES DO“MESTRES DO“MESTRES DO“MESTRES DO

FOLCLORE BRASILEIRO”FOLCLORE BRASILEIRO”FOLCLORE BRASILEIRO”FOLCLORE BRASILEIRO”FOLCLORE BRASILEIRO”

Uma obra inédita que traz em suas páginas umaanálise histórico-biográfica pormenorizada, dosmaiores vultos da cultura e folclore deste país dosséculos XIX e XX.

Abordando com minucias vida e obras dos grandesfolcloristas desde o Acre ao Rio Grande do Sul, nummisto de narrativa singular e homenagem póstuma,passando por Câmara Cascudo, Rossini Tavares, ThéoBrandão, Gustavo Barroso, Pedro Teixeira, PaixãoCortêz, Silvio Romero, dentre outros mestres denossa cultura brasileira, em todos os Estados daFederação.

Interessados em adquirir a obra, favor encomendarentrando em contato com Rhanny Venceslau( facebook).

Tempos de Diamantina –quinto livro da série O Valedos Boqueirões de LuísSantiago.

Luis Santiago lançou, no dia 14 de junho, seu maisrecente livro no auditório da Faculdade de CiênciasEconômicas da UFMG. A Comissão Mineira de Folclore

foi brindadacom visita eautógrafo des-sa obra no dia11, no espaçodo Centro deCelebração deMinas, noBairro SalgadoFilho, em es-

paço cedido pela Fundação Cultural de Belo Horizonte- Centro Cultural Salgado Filho. Esta obra será apre-sentada na 50ª Semana Mineira de Folclore em BeloHorizonte e lançada no cidade de Diamantina no en-cerramento da programação dessa semana.

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Fórum Técnico Plano Estadualde Cultura realizado nos dias 8, 9 e10, na Assembleia Legislativa doEstado de Minas Gerais.

A etapa final do Fórum Técnico Plano Estadual de Cul-tura foi cumprida nos dias 8, 9 e 10, na AssembleiaLegislativa do Estado de Minas Gerais. Ao longo de novemeses, a Comissão Mineira de Folclore participou dapreparação desse evento e contou nessa etapa finalcom a presença ativa de Luis Santiago, Ione Amaral eDeolinda Alice dos Santos. Na fórum metropolitano, FreiChico e Frei Leonardo Pereira levaram substanciais con-tribuições ao Plano e nas reunião preparatórias, conta-mos ainda com a presença se Antônio de Antonio DePaiva Moura eRomeu Sabará. O presidente da Comis-são Mineira de Folclore esteve presente em todas asfases e foi eleito para acompanhar como suplente aetapa de tramitação na Assembleia Legislativa. Estaetapa terá início no dia 9 de agosto de 2016.

Brasilidade, cultura popular, memóriaNacional. Centro de Artes PopularesFoi aberta, no dia 9 de junho, a exposição “Brasilidade,cultura popular, memória Nacional. Exiboem-se apenasas fotos da sala da cultura popular. No centro uma escul-tura em galhos de jabuticabeira de autoria de Frei Chico eFrei Lucas, e o Bumba Meu Boi do Acervo da ComissãoMineira de Folclore, do Museu de Folclore Saul Martins.

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Aconteceu em Montes Claros: CentroCultural Hermes de PaulaAmelina Chaves convidou para lançamentodo vídeo “A lenda do Arco-iris” no CentroCultural Hermes de Paula, com roteiro denossa companheira. Dia 20 de maio.

“Mestres do Povo” – Ciranda deFilmes.No dia 8 de junho em São Paulo, nossos companheirosLira Marques e Frei Chico se apresentaram na cerimôniade lançamento do programa “Mestres do Povo” – Cirandade Filmes. O programa tem a coordenação de FernandaHeinz Figueiredo com patrocínio da Itaú Cultural e doMinistério da Cultura em parceria com o SESC – SP.Juntamente com a apresentação de Frei Chico e Lira Mar-ques, escolheu-se para abertura o filme “O Pó da Terra”

longa metragem de Mau-ricio Nahas, produtorFernando Machado. A re-signação dos moradores deJequitinhonha e sua arte éo foco desse documentárioonde se destacam os “Mes-tres do Povo”. A mensagempara conversa tem comolema: “Mestres: referênci-as para um tempo de incer-teza”.

O programa compreende ainda apresentação de 50 mos-tras de filmes, rodas de conversa, oficinas e vivências.Frei Chico estará e, São Paulo também no dia 10 de agos-to para a aula inaugural no mestrado de ciências da reli-gião na PUC “Como se escreve a religiosidade popular” –após lançamento na Martins Fontes

Adriles Ulhoa Filho: PequenoDicionário Sertanejo: para entendercertas leituras.Nosso colaborador Adriles Ulhoa Filho ofereceu aoacervo da Comissão Mineira de Folclore os originais deobra de sua autoria. Esta obra estará disponível paraconsulta no Centro de Celebração de Minas da

Comissão Mineira de Folclore e será publicada quandohouver oportunidade. Vejam apresentação do autor:

Contém este trabalho palavras e expressões popularessertanejas, coletadas e anotadas em parte peloCoronel PM Francisco Lúcio de Oliveira - ChicoGrotta – N. 08/12/1942 – F.05/06/1996 - na suavivência e andanças pelos sertões de Minas Gerais,Goiás e São Paulo.

Outras tantas, foram “captadas” – coletadas - poreste autor em suas leituras, conversas, observações,e escutas pelo país.

Ao registrar - inventariar - estes vocábulos, nãoalimento pretensão alguma de lexicólogo. Falta-meconhecimento e técnica para tanto. Pouco sei defonética, prosódia, ortoépia, cacoépia e silabada.

Estão aqui registradas palavras e expressões comome foram graficamente passadas, ou como eu as ouvie entendi seus significados.

Espero, apenas, estar contribuindo para que possam,mais tarde, serem estudadas e analisadas porlexicólogos especialistas, e que algumas delas possamcompor um verdadeiro e delicioso dicionário determos do linguajar do povo das zonas rurais dosertão brasileiro e das pequenas cidades, notadamentedos Estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo.

Poderia classificar este trabalho como dicionário doerrado, de palavras grafadas ou ditas de maneiraerrada. Mas... é tão bom ouvir um sertanejo contarseus causos utilizando as palavras como tais!

E muitas e muitas poderão ser aqui acrescentadas.Experimente!

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Notícias & ComentáriosMEMBROS NOVA DIRETORIA COMISSÃOGOIANA DE FOLCLORE TRIÊNIO 2016/2019

Presidente de honra – WaldomiroBarianiOrtencio

Presidente – Izabel Cristina Alves Signoreli

1° Vice Presidente – Jadir de Morais Pessoa

2° Vice Presidente - Ivanor Florêncio Mendonça

Secretária – Cléa Regina Muniz de Brito

1ª Secretária - Goiana Vieira da Anunciação

2ª Secretária – Ana CáritaMargarida Figueiredo

Tesoureiro – Juarez Antônio de Souza

V i c e tesoureiro– Adalto Bento Leal

Conselho Consultivo

Laila ChalubSantoro

Vanderlan Domingos de Souza

ÀlvaroCatelan

Conselho Fiscal

Helena Maria Boaretto P Vasconcelos

ValterliLeite Guedes

José Ubirajara Galli Vieira

Nos Rastros da Benzeção

Nosso companheiro, Frei Francisco van der Poel,compôs a banca de avaliação da monografia deconclusão de curso de Carolina de Paula Alves, alunado curso de Ciências Sociais da Fafich / UFMG.A monografia foi elaborada sob orientação daprofessora doutora Léa Freitas Perez e teve comoobjeto o estudo das benzedeiras da Sabará.A autora é sobrinha de Armando de Paula, membroefetivo da Comissão Mineira de Folclore – que Deus otenha -, e prossegue estudos na linha dos estudiosos deFolclore.Na oportunidade, a professora Léa foi convidada aingressar no quadro dos membros efetivos da ComissãoMineira de Folclore, a cujo convite anuiu.

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ArtigosLAURINDA VASCONCELOS

ÚLTIMA GRANDE FOLCLORISTA DAESCOLA DE ALAGOAS

Olegário Alfredo – Presidente da Comissão Alagoana deFolclore

As multicoloridas fitas enão menos reluzentesapetrechos, que orna-mentam numa desco-munal aquarela os cha-péus dos guerreiros ereisados, quando dassonoras e aplaudidasnoites natalinas, tradu-zem ainda que de formaapenas visual o brilhoque inebria e ofusca osolhares atentos daalvissareira turba, deum povo nascido sob a

égide de suas tradições religiosas e coloniais, legadoindelével de seus antepassados portugueses e afro-ameríndios. Num misto de oralidade e testemunhosepistolares, eis que desponta no imaginário lúdico denossa gente os causos, lendas e estórias [quase sem-pre fictícias], comumente contadas em rodas de pro-sas entre os velhos e afamados mestres do saber po-pular, que se ufanam em terem presenciado algumasde suas narrativas heróicas e peripécias envolvendofiguras de nosso folclore, indo desde o contato comcurupiras nas caçadas coletivas em matas, passandopor alucinações ao escutar o eco do canto atraente dasIaras, nas lagoas e lagos, chegando inclusive a seremperseguidos por homens lobos [transfiguração do lobi-somem]. Foi neste cenário pitoresco, inebriado aindapelos sons extasiantes das jornadas do pastoril na pe-quena Chã Preta, comuna nativista das recônditas ter-ras caetés – Alagoas – que surgi na década de 1937uma das grandes representantes do folclore local,Laurinda Maria de Vasconcelos.Ainda em tenra idade, com os pés a pisar no chão deterra batida na sua “Medina”, berço do clã Teixeira deVasconcelos a menina irrequieta e de personalidadeforte teve seu contato inicial com as tradições folclóri-cas nos ensaios de pastoril, comandado por sua tiaBeatriz Vasconcelos. A genética folclórica, herdada porLó [como Laurinda é conhecida] é algo visceral ,que a

acompanhou desde Chã Preta, aos mais longínquosrecônditos deste Estado. Genuína defensora da preser-vação artística e cultural, transmite um legado indelé-vel às futuras gerações. Traduz em si, o sentimento,quiçá de um Dom Quixote de La Mancha, nesta cruza-da ferrenha, como em certa ocasião falara, sobre a ár-dua missão de manter viva as tradições culturais, her-dadas de seus antepassados.A professora, poetisa, e não menos folclorista LaurindaVasconcelos dispensa apresentações aos que conhe-cem e bebem das fontes caudalosas de nossa culturaalagoana. Por anos à fio dedicou sua vida a dissemina-ção dos grupos folclóricos, levando às Escolas da Viço-sa, Chã Preta e Mar Vermelho [cidades da zona da Mata]o que um dia aprendeu em sua terra – amor pela causa

popular. As noites natalinas,eram uma demonstração derara beleza, com a apresen-tação indescritível do pasto-ril. De um lado as pastorasde cordão azul ,do outro asdo cordão encarnado, exi-bindo suas coreografias e apompa do trajes enfeitadoscom reluzentes fitas, for-mam o acervo indelével des-ta grande mestra da culturaalagoana, e que ainda hojeé responsável pelosbelíssimos e iluminados pre-sépios que anualmente mon-ta em sua residência, sendovisitados por inúmeras pes-soas.Embora no ápice dos seus 80anos de vida, Ló Vasconce-los relembra com emoção opassado de glórias e festas,quando nas íngremes ruas e

vielas de sua Chã Preta os aplausos da turba que acom-panhava as apresentações ecoavam e se faziam ouvir.Seu nome perpetuou-se nos anais da história folclóricaalagoana, cuja sua marca jamais será apagada, terá acerteza de seu reconhecimento ao lado de outros vul-tos, da estipe de Pedro Teixeira [seu irmão], Dr. ThéoBrandão, Maria José Carrascosa, dentre outros.

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ArtigosONEGRODORIEUVIDELA. EdésioFernandes (org) Manoel Teixeira (fotos)

José Moreira de SouzaAntes de apresentar a obra que se resenha nesta pági-na, julgo necessário conxtetualizar os autores.Edésio Fernandes é consultor internacional para assun-tos de Direito Urbanístico e milita na London Schooll ofEconomics no Reino Unido. Manoel Teixeira é Arquite-to urbanista e professor da Pontifícia Universidade Ca-tólica de Minas Gerais. Ambos pertenceram ao quadrotécnico do PLAMBEL – Planejamento da Região Me-tropolitana de Belo Horizonte.O Plambel foi uma das primeiras autarquias formadasno Brasil dedicadas ao Planejamento Metropolitano.Surgiu no interior da ditadura civil militar como resul-tado da luta por Reforma Urbana do movimento deurbanistas em anos anteriores ao golpe de 1964. Foiinstituído pelo Governo Israel Pinheiro, o qual foi elei-to como oposição ao golpe. A bandeira do planejamen-to dessa autarquia era “Planejar para a população dabaixa renda”.Iniciado sem aval do regime, o Plambel surgiu de umconvênio com os 14 municípios que formaram a Re-gião metropolitana de Belo Horizonte e, entre as inici-ativas para consolidar o órgão, promoveu duas gran-des pesquisas pioneiras: Pesquisa de Vida Associativa,e Pesquisa dos Processos de Morar. Formou-se, dessemodo, no interior dessa autarquia, mesmo depois queas Regiões Metropolitanas foram instituídas pelo Re-gime Militar através da Lei Complementar 14, uma dou-trina de atenção ao saber viver e suas condições.O Plambel que resistiu silenciosamente ao Regime Mi-litar, passou a ver seus dias contados com a assim cha-mada “abertura política” e foi até mesmo nomeadopelos que queriam sua extinção como “o órgão queserviu à ditadura (!!!). Pois bem, foi nos anos de aber-tura que os técnicos do Plambel imaginaram conhecertoda a cidade na escala 1:1. Percorreram ruas em to-dos os bairros de todos os municípios, conversaram comos moradores e definiram unidades de vida urbana como objetivo de minimizar os impactos das forças metro-politanas sobre a ordem local.A obra ONEGRODORIEUVIDELA sintetiza esse percur-so. Atenção a um tipo popular que inscreve seu gritosilencioso nas calçadas e nas paredes dos prédios docentro de Belo Horizonte. Em giz!Passo à resenha elaborada no dia seguinte ao lança-mento dessa obra.

A Dor e Eu: Eu vivo Dela!

Ao ler o anúncio do lançamento do livro em que os no-mes de Edésio Fernandes, seguido do de ManoelTeixeira, constam da convocação, imediatamente memobilizei para comparecer ao seu lançamento, o qualocorreu nos moldes de uma grande festa no espaçopreferido por autores de primeira linha: Rua EstevãoPinto número 211 na Serra. Esse espaço de arte se lo-caliza emblematicamente próximo ao que foi o Hospi-tal Santa Clara – hospício de alienados - e que é hoje ohotel de cinco estrelas da saúde denominado Life Center.Chama a atenção dos frequentadores desse Espaço deCultura o convite à Poética do Espaço de GastonBachelard. Enquanto as artes se encontram no nível darua, a manifestação do saber se posiciona no porão. Oacesso ao discurso do saber está em baixo. Há quedescer e não, subir.Todas essas considerações me remetem a uma técnicada qual algumas pessoas tiraram muito proveito - $$$ -no final dos anos 60 e início dos 70 e que vieram comofuracão. A Leitura Dinâmica. Essa técnica chegou aoBrasil, proveniente, é claro, dos Estados Unidos, com apromessa de que os candidatos a leitores de obras di-tas científicas lessem em minutos, manuais,monografias, teses ou qualquer livro de 200 ou trezen-tas páginas. Enfatizavam-se duas etapas preliminares:Skimming e Scanning. Que beleza! Em inglês o milagreé maior. Em português, dir-se-ia: vôo e corrida.Tive um colega da Comissão Mineira de Folclore quefoi pioneiro em Minas Gerais no lançamento dessa téc-nica. Lázaro Francisco da Silva. No tempo do Ciclo de

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ArtigosDebates sobre a Medicina Popular, eu o convidei paraproferir palestras sobre essa técnica em curso que re-cebeu o nome de “Metodologia da PesquisaInterdisciplinar”. Lázaro enfatizando a codificação datécnica narrou a lenda de que John Stuart Mill lia tex-tos com tamanha rapidez intuitivamente que desejavadesenvolver uma técnica que lhe possibilitasse passarcom maior rapidez as páginas. Ler era fácil, a dificul-dade se encontrava no ato mecânico e demorado depassar de uma página à outra: levar os dedos aos lábi-os para umedecer.Porém, alguns anos após, surge um autor muito louva-do. Era um tal de Marshal McLuhan. Em O meio é amensagem esse autor alertava para a legibilidade detextos e os desafios das novidades para o leitor. Enten-di que o segredo da técnica repousava no domínio doleitor. Quanto menor o domínio tanto mais lenta a lei-tura, quanto maior o domínio, tanto mais rápido o per-curso. Portanto, ler dependia do leitor e não da obra.Ufa! Falei muito para dizer que o nome do Edésio já meinformava de que Dorieu seria um livro de leitura deli-ciosa, qualquer que fosse o conteúdo. Em seguida, ainformação: fotografia de Manoel Teixeira. Nem meperguntei pela qualidade da fotografia, mas pela aten-ção já reconhecida do fotógrafo. A informação de queEdésio era o organizador acrescentou créditos à confi-ança do que poderia ler. Edésio tanto participa de obrasorganizadas por outros quanto sabe escolher pessoasde sua roda extensa e ampliar cada vez mais os parti-cipantes dessa roda.Caminhei para o título: ONEGRODORIEUVIDELA nadaem minúscula e tudo junto. Separar é crime. Mas euseparei: em minha terra natal – Gouveia MG – aprendio emprego de uma expressão comum: todas as vezesque alguém queria proferir uma verdade insofismável,afirmava: “Agora eu deixei de ser branco”. Concluí, por-tanto, Edésio convocou os autores para deixarem deser brancos. Em Gouveia a expressão era seguida de“Para ser franco”. “Deixei de ser branco para ser fran-co”. Traduzo agora: O Negro, a Dor e Eu Vivo Dela!Pronto, acabei de ler o livro todo. Li 261 páginas semabrir o livro.Agora, para contrariar a leitura dinâmica e suas pro-messas. Obrigo-me a passar o resto da vida lendo len-tamente cada página, cada poema, cada insight dosautores e parar nas fotografias e interpretações.Moral da história, cada leitor multiplicará esta obra pormil, ou por tantos dias que ainda viverá.Saúdo a publicação desta obra no momento em que aComissão Mineira de Folclore se prepara para lançar a29ª edição de sua revista com o foco nos tipos popula-

res urbanos. A celebração de ONEGRODORIEUVIDELAnos convoca para o tema da Dor e de sua inscrição.Nossa ênfase para compreender os tipos popularesfocaliza: O saber viver e suas condições. DORIEU é umpersonagem que desconhece as condições. Edésio afir-ma: “A única vez que escutamos a voz dele foi quandoele nos pediu um cigarro.” Manoel informa: “Dorieu nãoqueria ser visto, se escondia, se esgueirava nos can-tos”.E aí seguem poesias, poesias, poesias.Alícia, Celina, Carlos Botelho, Ana Paula Bruno; mer-gulhos pela cidade e, análises, análises...Eu, como não sei mergulhar, nem mesmo nadar, ando apé pelo Núcleo Central. Nós da Pesquisa do Plambelvivíamos do outro lado do rio, talvez, na Terceira Mar-gem. Certa vez, Elieth me comunicou seu incômodo paracompreender aquele homem que escrevia nas paredesdo Hospital São Lucas. Fomos até ele. Aproximamo-nos.Silêncio. Silêncio. Silêncio.Comentei com Elieth, - ela adora pessoas exóticas -,“se quer se aproximar dele, arranje um giz e escrevajunto, complete cada palavra, ele escreve uma letra evocê continua...”. Ela não ousou tanto.Lembro-me agora da peripécia de Welber Braga, pro-fessor de Antropologia, que quis conhecer e compre-ender o saber viver dos internados no Depósito de Pre-sos na Lagoinha. Um deles lhe disse: “Quer saber comonós vivemos? Venha para o lado de cá!” Impossível parao Welber, impossível para Elieth. Quando a gente nãopode mergulhar, a gente se consola com interpretações.Para mim, Dorieu se chama Jurandi. Jurandi sim! EuJurandi de São Vicente, de Vespasiano, de Campinas,de Espinosa, de São Paulo, de Ponte Nova, de Murumbi,de “Monte e Lima”, Jurandi. Assim ele quer, assim eleé.Sei que Jurandi fuma. Edésio e Manoel testemunha-ram. Sei que foi objeto furtivo de “assistência social”,Edésio conta. Jurandi dorme: Manoel o fotografou. Mas,como faz para se alimentar? Como faz para dar saídaaos excrementos? Com quem e em quais oportunida-des usa da oralidade?Preencho esta ignorância com dois Jurandi-Dorieu.O primeiro vaga pela Cidade Industrial de Contagem,Cidade Industrial Juventino Dias. Chegava aos bares,dirigia-se a uma mesa em que as pessoas saboreavamcerveja e, após os cumprimentos gentis, completava:- Diz Arquimedes. Dê-me um ponto de apoio e eu le-vantarei o mundo.... Estou incomodando? estou chate-ando? Pode dizer que eu me retiro... Mas, se quiser meoferecer um copo de cerveja, pode dizer que eu acei-to...”

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ArtigosEntendo que é a esse tipo de pessoa que cabe nas con-siderações de Ludwig Binswanger a referência à“Exaltação da forma de existência frustrada”. Estamosdiante de um mendigo nobre. Sábio, erudito e pobredesvalido. Ao subir, voa sem rumo.Chego ao outro extremo da Área Central – Rua BritoMelo com Avenida Augusto de Lima -. Ali, até a primei-ra década, vivia um Jurandi Dorieu. O dono de um esta-cionamento lhe permitia dormir nas instalações juntoaos carros. Os donos dos bares lhe forneciam comidae alguns transeuntes o mantinham com cigarros e al-gum dinheiro para ele comprar sua cachacinha. O pre-ço de toda essa amabilidade era pago com a liberdadede caçoar dele.Sempre espirituoso dizia de si e dos outros com análi-ses profundas, sábias. Não precisava deixar de ser bran-co. Era negro e lindo. Aprendera no passado o caminhopara chegar até esse lugar de troca no mercado de benssimbólicos. Tinha o braço esquerdo com marcas de fra-turas que se emendaram por si mesmas.Tal como narrado por Edésio, de vez em quando a “As-sistência Social” se condoia (?) desse pobre coitado.Levava-o, dava-lhe banho, cuidada de sua embriaguez,vestia-o com roupas doadas pela “caridade” dos com-passivos de guarda roupa. Ele retornava ao seu peda-ço triste, e humilhado. Contava duas semanas para serecuperar desse mundo sem graça comandado peloscódigos morais embutidos nas políticas de filantropiafantasiadas de compaixão e caridade.Completo meus comentários convocando meus leito-res de Belo Horizonte para contemplarem a lição deum pobre mendigo que costuma se localizar nas ruasRio de Janeiro, entre as Ruas Tupis e Goitacazes ou naRua São Paulo, entre Tupis e Goitazes. Ele tem umafortuna: três cachorros que o acompanham. Prendado,recebe marmitex de alguns bares vizinhos, localizadosna esquina entre as ruas Tupis e São Paulo. Senta-seno passeio e sa-boreia o banque-te com seuscompanheiros. Aprimeira colhe-rada para um ca-chorro querido.A segunda paraele mesmo. Aterceira para osegundo cachor-ro. A quarta, paraa própria boca. Aquinta para o ter-ceiro “animal”;

todos obedecem à sequência enquanto a mesa estiverposta. Curiosamente, os cachorros são tão bem com-portados que cada um aguarda a própria vez. Ninguémdisputa preferência nem avança em direção à boca doanfitrião.Isto me faz lembrar um caso narrado por Antônio Falci.Antônio era um seresteiro de Diamantina. Nunca foilouvado pela crônica local, mas eu tenho o orgulho detê-lo recomendado à flautista Odete Ernest Dias, pro-fessora da Universidade de Brasília, a qual lhe deu aimportância merecida no Festival de Inverno quandoesta programação se estendeu até aquela cidade.Pois bem, com a idade de 85 anos, Antônio que fre-quentava diariamente a “capistrana”, perdeu a irmã epassava os dias sentado na soleira da porta de casa seaquentando ao sol – Rua Espírito Santo -. Pela vida toda,além do dom seresteiro, – Antônio era uma das memó-rias que inspiraram a Vesperata de Diamantina -,her-deiro dos velhos caçadores, sabia domesticar cachor-ros que lhe eram fiéis amigos. Tão amigos que um deseus veadeiros se chamava “Amigo”.Só no mundo, aos 85 anos, visitei-o à porta de sua casa.Ele, após narrar a história de um moço que na prospe-ridade era rodeado de amigos, proferiu a sentença queresumia sua condição:- Nos amigos, encontrei cachorros e, nos cachorros, en-contrei amigos!O mendigo da Rua Rio de Janeiro e São Paulo celebraisto diariamente, à porta dos bares de Belo Horizonte.

Valeu, Edésio. Valeu, Manoel. Valeu, Celina, Valeu,

Iara. Valeu, Rita. Valeu, Diva. Valeu todo mundo que

lotou o porão da 211.

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ArtigosTipos Populares e a Síndrome doMenino Jesus.

José Moreira de Souza

Eu era orando assim, bem que inocente,De um povo inteiro o intérprete inconsciente.(José Severiano de Rezende: Mistérios).

... algumas palavras sobre a arte. No começodo teatro moderno, havia apenas duas obraspossíveis: a tragédia, que cobria as espáduascom manto de púrpura, e a comédia, que pisa-va o palco cênico com seus sapatos burgueses;era assim, porque a tragédia andava pelos gran-des, enquanto que a comédia se entretinha comos pequenos, e ainda assim como o que nestehavia de mais cômico e risível. Hoje, porém, acomédia e a tragédia fundiram-se numa só cri-ação. E de fato, se atentamente examinarmosas produções de hoje, que chamamos dramas,notaremos que ainda nas mais líricas e majes-tosas há, de vez em quando, certa quebra degravidade, sem a qual não há tragédia. Notare-mos também que essa quebra provém de ordi-nário de uma cena da vida doméstica, o queverdadeiramente pertence à comédia.(Gonçalves Dias. Leonor de Mendonça: “Prólo-go”)

A próxima edição da Revista Comissão Mineira de Fol-clore – ano 40 nº 29 – terá como tema central apresen-tação e análise dos “Tipos Populares Urbanos”.Tipos populares sempre estiveram em foco na civiliza-ção ocidental. Diógenes diante de Alexandre Magno –Alexandre da Macedônia -, João Batista e Jesus diantede Herodes, ou dos sumos sacerdotes ou de Pilatos, osinúmeros mártires do cristianismo, São Sebastião, San-to Expedito, São Lourenço, e as santas virgens: Catarina,Inês, Luzia. A civilização ibérica fixa exemplos de San-ta Iria e São Gonçalo do Amarante. São Francisco é,talvez, o mais lídimo modelo de tipo popular que sinte-tiza o saber viver na Idade Média.Da hagiografia para a construção imaginária de tipospopulares, saltamos para os romances de cavalaria dosquais o ciclo arturiano nos concede os tipos exempla-res de Galaaz, Lancelote, Persival. Em meio aoRenascimento, temos Tirant lo Blanc de Martorrel queencanta Cervantes em seu Don Quixote. Contudo, osromances de cavalaria colocam o “povo” como o cava-lo e não como protagonista. O protagonista é o cava-leiro.

O cavalo representa o povo que o cavaleirodeve manter em paz e na verdadeira justi-ça, pois, assim como o cavaleiro, quandopretende entrar em combate, se empenhaem proteger o cavalo, não permitindo queninguém lhe cause mal, também deve pro-teger o povo de sorte que ninguém o ex-plore. P. 57

Desse modo, gente do povo não comparece nos roman-ces, nem mesmo no teatro até que o movimento ro-mântico traga o povo para o meio da cena. DoutorFausto de Marlowe, Dom Juan e Dom Gil das CalçasVerdes de Tirso de Molina, Robinson Crusoé de DanielDefoe, são construções que anunciam o individualis-mo, mas não os heróis populares.O povo que surge do movimento romântico não habitaas cidades, não será o tipo popular urbano, mas o tipopopular nacional. O novo herói da nação.Caberia a um francês ocupado com a categoria “povo”na consolidação da nação colocar em relevo o heróipopular. Quem será o paradigma desse herói tipo po-pular que ocupará o tomo V do “Histoire de France”?Não será um homem, não será um santo, não será oterceiro estado. É uma mulher. É uma adolescente que,aos 12 anos, amadurece uma ideia até alcançar os 18anos para colocá-la em prática.O autor é Jules Michelet e a heroína popular nacional éJoana Darc.Eis como Michelet a apresenta ao mundo:

Ela atravessa a França devastada e deserta (...),tranquiliza os velhos soldados, arrasta todo opovo, que se torna soldado com ela, e ninguémousa jamais ter medo do que quer que seja. Tudoestá salvo! A pobre moça (...) cobriu com seuseio o seio da França.A recompensa é a seguinte. Entregue por meioda traição, ultrajada pelos bárbaros, tentadapelos fariseus que em vão tentaram enredá-lapor suas palavras, ela resiste a tudo nesse últi-mo combate, eleva-se acima de si mesma,eclode em palavras sublimes que farão chorareternamente... Abandonada pelo seu rei e pelopovo, salvos por ela, retornará ao seio de Deuspelo cruel caminho das chamas. (Michelet,Joana Darc p. 28)

Michelet se contrapõe ao movimento romântico quetraz para cena o povo com suas misérias, certamentecriticando “Os Miseráveis” de Victor Hugo, ou se ante-cipando à alienação do povo de Bouvard e Pecouchet,dois patetas iluminados de Gustave Flaubert. Em am-bos os caos, vê-se um povo romântico ou realista que

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não dá contra de ir além de sua condição de saber vi-ver. O miserável Jean Valjean jamais se compararia àheroína Joana. E os dois patetas iluminados são ape-nas consumidores das ideologias pregadas como ver-dades pela “opinião pública”.No Brasil, temos a Maria Quitéria cantada no cururudos circos de cavalinhos; talvez um Chico Rei, talvez,um Antônio Conselheiro, talvez, um Virgolino com suaMaria Bonita, talvez um Antônio Dó, talvez o João Ma-ria que se multiplica em José Maria. Todos ultrapas-sam a própria condição e retornarão ao seio de Deuspelo cruel caminho da cruz. Seguramente, o PolicarpoQuaresma seja a encanação em nosso imaginário deaté onde podem chegar nossos heróis populares. A cruzdo bacamarte os espera: Drama!Se não há lugar para tipos populares de projeção naci-onal, cumpre encontrá-los junto ao povo. Esse gêneroé inaugurado por Mello Moraes Filho, na quarta partedo, hoje, clássico Festas e tradições populares no Bra-sil. Melo Moraes escolheu 21 personagens paraapresentá-los como “Tipos de Rua”. Há traços comunsa todos eles. Permanecem na memória popular mes-mo após partirem dessa vida. Desconhecem as condi-ções que se impõem como barreira ao saber viver. Fi-nalmente, vivem sob a sina da existência frustrada.A atenção para os tipos populares está presente emobras de ficção como Memórias de um sargento demilícias de Manoel Antônio de Almeida, no Alienistade Machado de Assis, na literatura de cordel e nosmemorialistas locais. Desde Melo Moraes, se fixa queo expediente para fazer calar as mensagens dos tipospopulares no espaço urbano a porta principal é o Hos-pício de Alienados.Há características que tornam comuns os tipos popu-lares. A primeira delas é esta sua aparente solidão.Estão sós no mundo de multidões. Como consequência,na medida em que a compreensão do saber viver setorna objeto de técnicas, tornam-se objeto da psiquia-tria determinando o capítulo da psicopatologia. Curio-samente, esse estar só, essa solidão não é outra coisado que representar e explicitar a negação da consciên-cia coletiva. “Eu era orando assim, bem que inocente,de um povo inteiro o intérprete inconsciente”. No capí-tulo da Psicopatologia, ao tipo popular é reservado odiagnóstico da esquizofrenia. O ser do isolamento.Nesse isolamento, três opções de apresentação empúblico: exaltação, excentricidade e maneirismo quenão são nada menos do que três vias de criação con-trárias à ordem dos acomodados ou das relações deacomodação. Desse modo, o tipo popular é um ser anár-quico. Há mais uma característica: o tipo popular sefixa na memória popular. É a negação do individualis-mo em toda a sua excentricidade, no jogo das regras

de relação social, é a carta que falta, a pedra despre-zada. A pedra angular desprezada! A fixação na memó-ria popular anuncia a centralidade do saber viver forado centro que deveria ser central para a vida. O tipopopular nasce póstumo, para lembrar a afirmação deNietzsche e contraria a centralidade promovida pelaselites dirigentes para as quais o herói é sempre heróiépico.A atenção para os tipos populares é componente daagenda dos estudos promovidos pelo movimento dosfolcloristas. Não aqueles que seguem a cartilha deWilliam John Thoms, mas daqueles que se preocupamcom o povo mais do que com os restos perdidos de umpovo arcaico.Nosso companheiro, Antônio de Oliveira Mello, dá aeles o nome de “esquecidos tipos inesquecíveis” e de-dica-lhes em toda a sua obra inúmeros capítulos, ouaté mesmo uma obra completa como: Assalto ao ho-mem vulgar. Reivindico para eles o que chamo deSíndrome do Menino Jesus. Sua marca é de ultrapassa-rem as barreiras das condições do saber viver trivial e,em seu percurso, se elevarem entre o céu e a terra,pairarem acima dos homens que os sacrificam. Sãoheróis populares, diferentemente dos heróis da guerraque promovem a depredação em louvor à paz inventa-da... Chamem-se dom Obá, Padre Quelé, Picapau,Bolenga, Parentinho, Isidoro, Siá Reginalda, Luiz deDario, Domingo D’Acenzo, Feliciano ou Nozinho.O crescimento urbano e a predominância das relaçõessociais individuais enclausuram cada vez mais essestipos ao recinto doméstico e torna-os objeto dapsicopatologia e da vigilância policial. Contudo, istonão impede que alguns fujam e compareçam à rua comojá visualizava Mello Moraes Filho. O heroísmo popularpassa a se restringir ao “pedaço”. Não há mais oportu-nidade para Dona Olímpia, Lambreta ou Geraldo Boi.Mesmo assim, o estudo da presença desses heróispopulares ainda merece atenção e a Comissão Minei-ra de Folclore busca apresentá-los em edição especialdedicada a eles. Homens do Povo que ultrapassam asbarreiras das condições.Nessa caminhada chamamos a atenção para a fixaçãodesses tipos na memória popular com destaque paratrês categorias e uma - a quarta - residual:

1. Figuras inesquecíveis. São pessoas que em sua tra-jetória de vida incomodaram de tal maneira o sa-ber viver aprovado e defendido que se tornaramobjeto de crônicas, artigos e necrológios. Na mi-nha compreensão, essas figuras ressuscitam comoheróis após a morte. Tornam-se nomes de ruas,movimentos espontâneos lhes erigem mausoléus,sua casa é preservada como topônimo, o túmulotorna-se local de peregrinação, inspiram obras li-

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terárias. Sua marca definitiva é de estarem na con-tramão das proteções institucionais.

2. Os esquecidos inesquecíveis. São pessoas cuja me-mória se mantém exclusivamente na memóriapopular sem apelo a nenhum registroinstitucional.

3. Desenterro dos inesquecíveis. São aqueles tipospopulares que, em dado momento, se tornamobjeto de estudo, seja de historiadores, seja deanimadores de movimentos sociais. Isto podeacontecer pela pesquisa histórica, ou pelo cami-nho das lendas. A obra O queijo e os vermes éexemplo dessa categoria, do mesmo modo comoa recriação do Zumbi dos Palmares ou de ChicoRei de Ouro Preto.

4. O código do esquecimento em meio à “multidãosolitária”. Atenção para a afirmação da individua-lidade e a trivialização da “originalidade” coman-dada pelo mercado. Quando pensamos que so-mos originais, somos comandados pela moda epelo mercado e nos igualamos na pseudo-excen-tricidade. Os efeitos do marketing e da mídia.

Núcleo da proposta

Peço que recuperemos os estudos desenvolvidospelos membros da Comissão Mineira de Folclore eacrescentemos os nossos e peço que leiam comatenção esse dizer de Aires da Mata Machado:

Em Diamantina, então, o povo é alegre,como ele só. A multidão que se apinhanas ruas, em dias de festa, não apresen-ta o ar bem comportado de milícias emdesfile. Vibra deveras, em sincera e es-pontânea desordem. O diamantinense éhumorista, levemente zombeteiro. Temum olho infalível para o ridículo das coi-sas. Nada perdoa se cabe uma pilhéria.É o lugar onde existem mais tipos de rua.(Arraial do Tijuco, cidade Diamantina. P.157)

Na minha compreensão, os tipos populares sobressa-em em nossa formação social sob o véu de algumasmarcas notáveis.

1. Tipos míticos. Tipos que resultam da celebração deum mito. São pessoas que obedecem a determi-nação do destino. Vejo-os, neste momento, agru-pados segundo as seguintes categorias:

a. Tipos Messiânicos. São pessoas queentendem dever pregar alguma mensa-gem seja de salvação, seja de condena-ção. O caso mais exemplar é o de AntônioConselheiro. Podemos encontrar tipos

messiânicos em nosso meio atentando,por exemplo, para os cumpridores de pro-messa. Maria Isaura Pereira de Queirozdedicou inúmeros trabalhos sobre a tra-jetória dessas pessoas em O Messianismono Brasil e no Mundo.

b. Tipos proféticos. São pessoas cujo des-tino é determinado por conjunturas ine-vitáveis nas relações locais. O exemplomais conspícuo são dos que nascem com asina do diabo e que necessariamente se-rão lobisomens, mulas sem cabeça, eter-nos meninos – diabo.

2. Tipos gerados da vida cotidiana. São pessoas quechamam a atenção local por se apresentarem es-tranhos ao que é da consciência do senso comum.Compreendo-os em três grupos.

a. Pessoas que exibem em público defi-ciências de ordem doméstica. Tornam-seobjeto de riso e de chacota por exporemem público o que é da vida doméstica.Exemplo: um senhor residente em bairrode classe média passou a ter como pontoa confluência entre a avenida Amazonase a avenida Barbacena em Belo Horizontepara pedir esmolas, criando constrangi-mento para a família. Dois exemplos deminhas relações de vizinhança: certo jo-vem trabalhador e honesto perdeu a mãe.Não se contentou em chorar a perda. Apartir desse dia passou a se apresentarcom as vestimentas da defunta. Uma jo-vem desnudava-se na rua, após a mortedo pai e, nem mesmo a polícia conseguiacontê-la. Os tipos mais frequentes dessacategoria são pessoas sem teto que en-contram a rua para exibir sua indignaçãoindividualmente. Às vezes são mendigosque descobrem expedientes criativos;outras são apenas centro de espetáculosoriginais.

b. Pessoas que exibem em público defi-ciências da ordem local. Alguns se imagi-nam e representam a função de guardade trânsito. Outros imaginam-se autori-dades ou cabos eleitorais de alguma au-toridade. Outros representam-se comopadres, pastores, magos,ou detentoresde poderes. Outros passam a pregar oevangelho segundo eles mesmos à portadas igrejas católicas, ou comandam movi-mentos nas proximidades dos terreiros deumbanda ou candomblé. O caso mais re-cente se deu em Belo Horizonte em ja-

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neiro deste ano. Uma senhora ingressouna capela de Nossa Senhora do Rosário –Avenida Amazonas, esquina com RuaTamoios e São Paulo - e destruiu o presé-pio armado que celebrava o ciclo natali-no.

c. Os bufões por conta própria. São pes-soas a que o público das ruas atribui ca-racterísticas engraçadas, objeto de riso.Encenam seus espetáculos improvisados.

3. Tipos impopulares – São aqueles aos quais são re-servados papéis mascarados em autos popula-res. Regra geral, são autoridades ou pessoas dedestaque na ordem local, às vezes regional, ounacional. O momento mais frequente de celebra-ção da impopularidade se dá na queima do Judase na leitura de seu testamento. O tipo impopularmáximo é representado na figura do Judas e ostipos impopulares aos quais o Judas deixa lega-dos são designados no testamento. Os sites eblogs da internet tem se valido desse arquétipopara celebrar a impopularidade de certas figurasda vida política.

NERY, Cris. Um olhar sobre o Congado dasMinas Gerais.Comentário de frei Francisco van der Poel (frei Chicoofm)Um livro bonito e oportuno por mostrar a beleza edignidade com que a memória da África e da libertaçãoda escravidão é celebrada por muitas comunidadesnegras e mestiças, principalmente na grande BeloHorizonte e municípios mais ou menos próximos

Este trabalho de poucas palavras e numerosas fotografiase desenhos foi realizado pela formanda Cris (CristianeNery) e acompanhado pelos mestres do Curso de DesignGráfico da Escola de Design da Universidade do Estado deMinas Gerais (UEMG).

Gostei do “olhar” no título da obra (304 pp.), pois isso con-diz com o imaginário, os desenhos e as fotografias do seuconteúdo.

No seu trabalho a Cris estava muito bem acompanhada. Oprefácio moderno é da Giselle Hissa Safar. No projeto: avalorização do afro-brasileiro na escola do design, desta-cada pela Nadja.As ilustrações desenhadas (fitas eflores)originais, lindas e populares foram produzidas soba orientação da Akemi Takenaka.Eu, fr Chico, me sintohonrado por ter sido incluído neste belo trabalho. Foi as-sim que uma palestra dirigida à Federação dos Congadose à Comissão Mineira de Folclore (agosto, 2005), passou aservir como uma espécie de texto base para “olhar” ocongado. Não imaginava um trabalho tão grande e origi-nal.

Original mesmo achei a maneira de organizar as fotos. ACris dividiu as fotos de acordo com o organização e acon-tecer da festa. Cada momento constitui um capítulo comas fotos de cada guarda ou irmandade. Isto permite com-parar os congados, as diferenças e coincidências, a cadapasso. Não existe um congado igual a outro. Estas dife-renças tradicionais são uma riqueza que permitem umacomparação: na África, os mais de 500 povos bantos cadaum honra seus próprios antepassados que lhe ensinaramcomo educar filhos, resolver desentendimentos, curardoenças, celebrar a religião, ensinar provérbios, ferramen-ta de trabalho, tambores, armas e muito mais. Não existeuma cultura banto. Não, cada grupo tem a cultura de seuspróprios antepassados. Não existe um grupo certo e ou-tros errados. As diferenças são uma riqueza.

De alguma maneira, a UEMG, a CMFL, a Federação dosCongados de MG, estamos unidos na mesma luta pela dig-nidade do negro brasileiro. E a Cris nos deu uma lição defolclore.

Seu atento olhar sobre o congado transformou-se numlivro importante e rico. Mostra emoções, detalhes de ri-tuais, a alegria, o repeito, a fé de um povo que dança ereza ao mesmo tempo. A autoratambém mostra ocandombe, o vilão, as guardas femininas, a participaçãodas crianças naquilo que a criança sabe fazer. Suas fotosfalam. A linguagem do visual é diferente, ela envolve.Foiengraçado que enquanto eu avançava no livro algumaslágrimas me saiam espontaneamente dos olhos e aos pou-cos eu me tornava consciente disso.

Gostei da oportuna bibliografia. Também o”Diário das Vi-sitas” é ótimo.

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Prêmio Saul Alves MartinsProposta para ser aprovada na Quinquagésima SemanaMineira de Folclore.Fica instituído o Prêmio Saul Alves Martins a ser concedi-do pela Comissão Mineira de Folclore no ano de 2017 emcomemoração ao Centenário desse personagem membrofundador da Comissão Mineira de Folclore.O Prêmio Saul Alves Martins será concedido à melhormonografia – trabalho de conclusão de curso de gradua-ção, mestrado, doutorado, ou de estudiosos sem exigênciade certificado acadêmico empenhados no estudo do Fol-clore – inéditos.Não podem concorrer ao prêmio os membros efetivos ecolaboradores da Comissão Mineira de Folclore.Os trabalhos devem ser encaminhados até o dia 31 de maiode 2017, juntamente com inscrição no sítioWWW.folcloreminas.com.br.Será constituída banca de avaliação composta por mem-bros efetivos da Comissão Mineira de Folclore, os quaisclassificarão as obras que mereçam avaliação para disputada premiação.Serão consideradas merecedoras de avaliação aquelas cujosobjetos tratados tenham a ver com a missão do movimentodos folcloristas e que obedeçam às regras mínimas deeditoração.Entende-se como objeto pertinente os que abordarem ma-nifestações populares com o olhar de queFolclore é o estudo do saber popular [saber fazer, sa-ber interpretar, ou saber expressar] fixado em hábitossustentados em valores examinados sob o enfoque decomo esses valores se fixam em relações pessoais e deque modo são credenciados, descredenciados ou des-conhecidos nas instâncias legitimadoras desses sabe-res.As obras consideradas merecedoras de avaliação serãodistribuídas em três categorias: 1. Finalistas concorrentes àpremiação – três obras -; 2. Finalistas concorrentes a men-ção honrosa – seis obras -; 3. Finalistas merecedores deatenção – todos os demais selecionados.

A Comissão de avaliação selecionará as obras concorren-tes segundo os três grupos mencionados sem atribuir prio-ridade a nenhuma das obras.Os autores das obras selecionadas por grupos serão co-municados do resultado dessa fase até o dia 15 de julho,competindo-lhes encaminhar três cópias encadernadas dasreferidas obras até o dia 31 de julho, no endereço da Co-missão Mineira de Folclore – Rua Pires da Mota nº 202,bairro Madre Gertrudes, ou em outro endereço que lhesserão comunicados previamente na data de divulgação dasobras selecionadas.As obras selecionadas serão apresentadas publicamente emsessão solene pelos autores para uma banca de avaliaçãoem seminário promovido pela Comissão Mineira de Fol-clore, na Quinquagésima Primeira Semana Mineira de Fol-clore na seguinte ordem: 1. Obras merecedoras de aten-ção. 2. Obras merecedoras de Menção Honrosa. 3. Obrasmerecedoras do Prêmio de Folclore Saul Alves Martins.Às obras merecedoras de atenção, serão conferidos certi-ficados de participação no certame promovido pela Co-missão Mineira de Folclore e garantida publicação de arti-go a ser elaborado pelos respectivos autores na RevistaComissão Mineira de Folclore.Às obras merecedoras de Menção Honrosa, serão confe-ridos certificados de participação nessa categoria e garan-tida publicação integral com o selo da Comissão Mineirade Folclore.Às obras merecedoras do Prêmio de Folclore Saul Martins,serão conferidos certificados de participação nessa cate-goria, e atribuído prêmio no valor de R$5.000,00 – primei-ro lugar; R$3.000.00 – segunda colocação; e R$2.000,00– terceira colocação. Juntamente com isso os autores terãogarantida a publicação com o selo da Comissão Mineira deFolclore de até 300 exemplares.

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Programa 50ª SemanaMineira de Folclore

Anúncio 50ª Semana do Folclore

4 de agosto Cine Theatro Brasil – 20:30 Concerto de NÁDIA CAMPOS.Coordenação: Luiz Fernando Vieira Trópia e TadeuMartins Soares

Abertura 50ª Semana do FolcloreTemática - O Saber fazer a Festa

Centro Cultural Salgado FilhoData: 13/08/2016Horário: 9h00 as 12h30

Um Olhar das Festas Juninas - 50ª Semana doFolclore

Centro de Referência da Cultura Popular e TradicionalLagoa do NadoData: 17/08/2016 - Quarta FeiraHorário: 19h30 as 22h00

Tradição Musical de Minas Gerais - 50ª SemanaMineira de Folclore

Diretoria de Patrimônio Cultural / DIPCData: 18/08/2016 - Quinta feiraHorário: 15h00 as 18h00Espaço: Auditório

Cultos Afro Brasileiros em Minas Gerais - 50ªSemana do Folclore

Centro de Referência da Cultura Popular e TradicionalLagoa do NadoData: 19/08/2016 - Sexta FeiraHorário: 19h30 as 22h00Espaço: Arena e ou Teatro de Bolso / tendas de Circo

Lançamento de Publicação - 50ª Semana Mineirade Folclore

Temática - Reinado e PoderData: 20/08/2016 - SábadoHorário: 15h00 as 18h00

Espaço: Auditório ACADÊMIA MINEIRA DE LETRAS

· Lançamento de Obra seguido de bate papocom pesquisadores convidados. Reinado e Podero Autora Maria José de Souzao Poços de Caldas

Sessão Solene da Assembleia da Comissão Mineirade Folclore22 de agosto – 19:30Teatro José Aparecido de Oliveira - BibliotecaPública “Professor Luis de Bessa”

Posse de novos membros da Comissão Mineira deFolcloreAnúncio: Prêmio Aires e Saul Martins –Titularização do honoráriosIntervenção Artistica

Congado e os 70 anos de Pesquisa em Minas Gerais- 50ª Semana Mineira de Folclore

IPHANG MGData: 23/08/2016 - TerçaHorário: 19h00 as 22h00Espaço: Auditório

· Homenagem a Waldomiro Gomes e RainhaIzabel Cassemiro

Folias e os 70 anos de Pesquisa em Minas Gerais -50ª Semana Mineira de Folclore

IEPHA MGData: 24/08/2016 - QuartaHorário: 19h00 as 22h00Espaço: Auditório

Arte popular figurativa e a Poesia popular -Saraucizada Especial - 50ª Semana do Folclore

Centro de Referência da Cultura Popular e TradicionalLagoa do NadoData: 25/08/2016 - Quinta FeiraHorário: 19h30 as 22h00Espaço: Arena e ou Teatro de Bolso / tendas de Circo

II Encontro Nacional de Capoeira - Amec e a 50ªSemana Mineira de Folclore

Centro Cultural São Geraldo

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Data: 26/08/2016 - Sexta FeiraHorário: 19h30 as 22h00

Temática do 1º dia - Opanijé, Capoeira, Mestres eHistórias.Ação comemorativa dos 25 anos da Associação Mineirade Estudos da Capoeira - AMEC. Programação Especialintegrada a 50ª Semana Mineira de Folclore.E 10 anos da Rede Catitu Cultural. Um encontro entreparceiros, histórias, pesquisas e memória da CapoeiraObs.: Ação realizada com recursos da Lei de Incentivoà Cultura de Belo Horizonte MG.

II Encontro Nacional de Capoeira - Amec2º Dia - 27/08/2016 - Sábado

II Encontro Nacional de Capoeira - Amec3º Dia - 29/08/2016 - Domingo

Curso:Folclore nas Práticas PedagógicasPompeu – Minas GeraisCoordenação: Edméia da Conceição de Faria OliveiraEscritora, educadora, folclorista e promotora de leitura

Carga horária: 20 horas/aula

DIAMANTINA – MG – 28 E 29 DE AGOSTOEncontro dos Municípios que formaram a SegundaDemarcação Diamantina:Herança do saber viver do garimpoPatrocínio: Unopar - Diamantina

VESPASIANO24-08: Lançamento da Rede Vespa Cultural [RedeSocial]Ação Integrada com representantes dasmanifestações de tradição do município e convidadosde outros municípios

Dia 24/08/2016Centro de Convenções Risoleta NevesData: 24/08/2016

Dia 25/08/2016Cerimônia de Doação de peças para o Acervo daCMFLAção Integrada com as manifestações de tradição domunicípio

Auditório da Câmara Municipal de Vespasiano ePraça JKMuseu de Folclore Saul Martins?Data: 25/08/2016Horário: 19h00 as 20h30 – Câmara Municipal 20h30 às 22h00 – Praça JK

OUTRAS ATIVIDADES:Dia 06/08 Reunião para conversa na casa da sedefiscal da Comissão Mineira de Folclore – Rua Piresda Mota nº 202 Residência de José Moreira deSouzaEntre outros assuntos:O Saber Viver e suas condiçõesPreparação da celebração dos 70 anos da ComissãoMineira de Folclore:O movimento dos folcloristas e seu poder comoSociedade Civil Organizada

Dia 30 - Reunião para conversa na casa de CarlosFelipe de Melo Marques HortaRua Faustino Cardoso nº 71Entre outros assuntos:

Acervo documental de interesse da ComissãoMineira de Folclore guardado e documentadoContribuição do acervo para o estudo de Omovimento dos folcloristas e seu poder comoSociedade Civil OrganizadaObservação: cada convidado leva um quitute euma bebida. Após o encontro todos cuidam depromover a limpeza do Porão do Carlos Felipe

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NORMAS PARA PUBLICAÇÃOCarranca aceita artigos, notas, comentários, informes em geralde interesse dos estudiosos de Folclore e da Cultura Popular,desde que encaminhados em meio digital.Formato em Word, fonte arial ou times new roman, corpo 12,espaço 1,5. Identificação do autor.As fotos devem ser encaminhadas já escaneadas em formatojpg.

Artigos assinados são de responsabilidade dos autores.

CARRANCA

Órgão Informativo da Comissão Mineira de Folclore – CMFLNúmero 02-16– Abril - junho 2016.Acessível em www.afagouveia.org.br/ComissaoMineiraFolclore.htm ou www.folcloreminas.com.br

Diretor Responsável – José Moreira de SouzaFotos: José Moreira de Souza, Antônio de Paiva Moura,

Editoração Gráfica: José Moreira de Souza

Diretoria da CMFL - 2014 - 2017Presidente de Honra: Domingos DinizPresidente: José Moreira de SouzaVice-presidente: Míriam Stella BlonskiSecretária: Juliana Correa de Carvalho GarciaTesoureiro: Raimundo Nonato de Miranda ChavesConselho Fiscal da CMFLAntônio de Paiva MouraEdméia da Conceição de Faria OliveiraLuiz Fernando Vieira Trópia

IMPRESSORemetenteComissão Mineira de FolcloreRua Pires da Mota - 202Bairro Madre Gertrudes

CEP – 30512-760Belo Horizonte - MGE-mail: [email protected]

Agradecimentos:Prefeitura Municipal de Belo Horizonte -

Fundação Municipal de Cultura