universidade candido mendes pÓs-graduaÇÃo … · em um contexto empresarial competitivo, ......

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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” FACULDADE INTEGRADA AVM A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO EFICAZ PARA A APRENDIZAGEM NA GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS THIAGO ARAÚJO DE CARVALHO ORIENTADOR PROF. MARCELO MARTINS SALDANHA DA GAMA RIO DE JANEIRO 2011

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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”

FACULDADE INTEGRADA AVM

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO EFICAZ PARA

A APRENDIZAGEM NA GRADUAÇÃO EM

ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS

THIAGO ARAÚJO DE CARVALHO

ORIENTADOR

PROF. MARCELO MARTINS SALDANHA DA GAMA

RIO DE JANEIRO

2011

1

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”

FACULDADE INTEGRADA AVM

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO EFICAZ PARA

A APRENDIZAGEM NA GRADUAÇÃO EM

ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS

Apresentação de monografia à Universidade

Candido Mendes como requisito parcial para

obtenção do grau de especialista em Docência do

Ensino Superior.

Por: Thiago Araújo de Carvalho

2

AGRADECIMENTOS

.... aos amigos Fábio Bruno,

Lydio Cerqueira, Fábio Abílio e

Thiago Albuquerque, Charles

Sodré, Alexandre André e

Morgana Moraes e à Bottini

Comunicação em Vendas ......

3

DEDICATÓRIA

.....dedica-se ao meu pai

Reginaldo, minha mãe Mônica,

meu irmão Lucas, minha esposa

Renata, e minha f ilha Júlia.....

4

RESUMO

Em um contexto empresarial competitivo, repleto de

mudanças tecnológicas, polít icas, econômicas e culturais, as

organizações necessitam de profissionais mais eficientes e

eficazes, com intuito de manter ou aumentar a participação

no mercado nacional ou até mesmo internacional. Houve um

aumento significativo das instituições ensino superior no

Brasil para subsidiar tal demanda. Este estudo tem como

objetivo analisar a comunicação interpessoal como uma

importante ferramenta para os docentes no curso de

Administração de Empresas.

Palavras-chave: comunicação, comunicação interpessoal, comunicação verbal e não-verbal.

5

METODOLOGIA

O fator decisório para escolha do tema dessa pesquisa

foi o volume de dados divulgados sobre o assunto, por

revistas e websites especializados em docência, durante os

últimos meses e o levantamento de informações com

profissionais que atuam nesse segmento no mercado de

trabalho brasileiro.

A pesquisa foi pautada principalmente em leitura

bibliográfica de autores conceituados nas área s

administração, comunicação interpessoal e docência,

possibil itando a análise de ideias que contribuíram para a

construção e estruturação deste estudo, porém foram

util izados outros recursos como: revistas eletrônicas, jornais

de grande circulação e artigos conhecidos. Vale ressaltar a

análise de websites como o do Instituto Benjamin Constant e

o Portal de Libras que possibil itaram o levantamento de

informações necessárias para o desenvolvimento da

pesquisa. Os dados foram coletados de julho de 2011 a

janeiro de 2012.

6

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ................................................................ 08

CAPÍTULO I - COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL ............. 10

1.1 INTRODUÇÃO A COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL

.............................................................................. 10

1.2. PROCESSO DE COMUNICAÇÃO ...................... 15

1.2.1 Ruídos ou Barrei ras a Comunicação Eficaz ..... 17

1.3 TIPOS DE COMUNICAÇÃO ................................ 19

1.3.1 Comunicação Verbal ....................................... 20

1.3.2 Comunicação Não-verbal ................................ 21

CAPÍTULO II – AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

NO BRASIL .................................................................... 26

2.1 AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR COMO

UM SISTEMA .......................................................... 26

2.2 O ENSINO SUPERIOR NO BRASIL .................... 29

2.3 O DOCENTE DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

.............................................................................. 31

CAPÍTULO III - DESENVOLVIMENTO DA COMUNICAÇÃO

INTERPESSOAL EFICAZ NA SALA DE AULA ................. 34

3.1A A BASE DA COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL

EFICAZ .................................................................. 34

3.2 A COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL COMO UMA

QUESTÃO DE PERCPEÇÃO .................................... 36

3.3 ATITUDES DE UMA COMUNICAÇÃO

INTERPESSOAL EFICAZ ......................................... 38

3.3.1 Comunicação verbal e ficaz ............................. 39

3.3.2 Comunicação não-verbal eficaz ....................... 41

3.4 A COMUNICAÇÃO EFICAZ NA SALA DE AULA DO

ENSINO SUPERIOR NA GRADUAÇÃO EM

ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS ........................... 43

CONCLUSÃO ................................................................. 45

7

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ....................................... 47

WEBGRAFIA CONSULTADA ........................................... 49

ÍNDICE ........................................................................... 51

8

INTRODUÇÃO

O objetivo da comunicação é criar, manter ou

desenvolver a conexão entre as pessoas. Considera -se a

comunicação como uma atividade comum e rotineira, porém,

faz-se necessário tomar algumas precauções para garantir o

sucesso nesse processo. Fatores como: os elementos do

processo de comunicação, os tipos de comunicação e as

possíveis barrei ras à comunicação, devem ser analisados e

considerados para a elaboração de um planejamento de

comunicação mais eficiente. A comunicação dev e ser

construtiva, com uma abordagem positiva, buscando sempre

a compreensão, cooperação e confiança do receptor.

A comunicação interpessoal se transformou em uma

importante ferramenta para disseminar o conhecimento nas

salas de aulas em todo Brasil , sabe-se que o uso da mesma

de forma eficaz reduz ou elimina problemas ou perdas

significativas das informações para seus receptores , como

por exemplo: falta de credibil idade; falta de agil idade;

retrabalhos e conflitos e até mesmo desmotivação.

A sala de aula é composta por pessoas motivadas a

alcançar seus objetivos, de modo geral todos buscam o ativo

mais valioso da humanidade na atualidade, o conhecimento , a

comunicação é o elemento de integração dessa busca ,

através dela é que os alunos adquirem informações e

realizam suas atividades pertinentes ao conteúdo fornecido ,

enviando e recebendo informações e experiências tanto para

uns com os outros como também com o docente.

Portanto para os profissionais que atuam como docentes

na educação superior, o aprendizado e desenvolvimento da

habil idade interpessoal é imprescindível para subsidiar a

9

transmissão de informações com precisão, clareza e

objetividade afim de conduzir o receptor ao objetivo desejado.

10

CAPÍTULO I

COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL

A comunicação interpessoal é uma atividade conhecida

e uti l izada por todas as pessoas. É a própria prática cotidiana

das relações sócias. Preenche nossos dias torna ndo comum:

fatos, dados, informações e conhecimentos de todos os tipos,

pela transição de mensagens que podem ser direcionadas a

uma só pessoa ou a milhares de pessoas ao mesmo tempo,

dependendo do veículo e o seu alcance. Apesar de

aparentemente simples a comunicação é um processo

complexo.

Segundo Sodré (1996):

“diz-se comunicação quando se quer fazer referência à

ação de pôr em comum tudo aquilo que, social, política ou

existencialmente, não deve permanecer isolado. Isso

significa que o afastamento originário criado pela

diferença entre indivíduos, pela alteridade, atenua-se

graças a um laço formado por recursos simbólicos de

atração, mediação ou vinculação”. (p.11)

1. INTRODUÇÃO A COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL

Sabe-se que a comunicação interpessoal foi de grande

valia para a evolução humana, uma vez que desde a pré -

história até os dias atuais percebe-se a necessidade humana

em se comunicar. Através da comunicação foi possível

estabelecer relações socioculturais, possibil itando o

crescimento e evolução da sociedade. O ser humano

compreendeu que ao se comunicar e interagir com outros

seres humanos, conseguiria criar ou formar grupos que

11

serviriam como instrumentos para satisfazer seus diferentes

tipos de necessidades.

Segundo Pinto (2003) a comunicação não é um

fenômeno isolado nem contemporâneo. Como atividade

humana, é necessário considerá-la com integrada aos

processos culturais e não é possível desvinculá -la da cultura.

O homem, como todo animal, está sujeito às necessidades do

meio, que têm de ser atendidas para que os indivíduos

possam sobreviver e procriar. Para tanto, ele desenvolve,

através da comunicação, um ambiente secundário, artificial.

Este ambiente nada mais é do que a cultura. Neste sentido,

Herskvists a define como “a parte do ambiente feita pelo

homem” e E.B.Taylor, numa conceituação mais

pormenorizada, focaliza-a como “o conjunto complexo que

inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes e

quaisquer capacidades e hábitos adquiridos pelo homem

como membro da sociedade.”

Entende-se como necessidade humana a sensação de

ausência de algo, carência percebida, somada a vontade de

satisfazê-la. É o conjunto de motivos fisiológico, psicológicos,

sociais e de auto-realização que condicionam o

comportamento das pessoas. Em relação ao comp ortamento

pode-se considerá-lo como a conduta, maneira de proceder e

de agir ou reagir ao ambiente.

Faz-se necessário conhecer as necessidades humanas

para entender o comportamento humano. Abraham Maslow

desenvolveu a teoria da motivação pela qual as nece ssidades

estão organizadas em uma hierarquia de importância, como

uma pirâmide. Na base estão as necessidades mais baixas,

consideradas como necessidades fisiológicas, e no topo, as

necessidades mais elevadas, classificadas como as

necessidades de auto-realização. Considera-se como

motivação o estado íntimo que leva uma pessoa a se

12

comportar de maneira assegurar o alcance de determinado

objetivo ou a se engajar em uma atividade para satisfazer

necessidades pessoais.

Necessidades fisiológicas: são as necessidades

primárias ou vegetativas, relacionadas à sobrevivência do

indivíduo e preservação da espécie como: alimentação, sono,

repouso, atividades físicas, satisfação sexual, abrigo e

proteção.

Necessidades de segurança: são traduzidas pelo

comportamento de evitar o perigo, desejo de um abrigo, uma

casa, sentir seguro. São necessidades de segurança,

estabil idade, busca de proteção contra ameaça ou privação e

fuga do perigo.

Necessidades sociais: são necessidades de associação,

participação, amizade, afeto, amor e aceitação por parte das

outras pessoas. Estão relacionadas ao desejo humano de

pertencer a um grupo, obter companheirismo, afeto e amor.

Necessidade de estima: leva-nos a procurar a

valorização e o reconhecimento por parte dos outros. Estão

relacionadas à maneira pela qual o indivíduo se vê e se

avalia. Envolve auto-apreciação, autoconfiança, necessidade

de aprovação social e de respeito, status, prestígio e

consideração. Inclui ainda o desejo de independência e

autonomia.

Necessidades de auto-realização: são necessidades

humanas mais elevadas e significam o impulso de realizar o

próprio potencial, de estar em contínuo auto -desenvolvimento

e de realizar-se como pessoa humana.

Nessa relação faz-se necessário destacar os desejos,

que são as necessidades humanas moldadas pela cultura e

pelas características individuais. Os desejos são descritos

como objetivos que satisfazem as necessidades. À medida

13

que a sociedade evolui, os desejos dos seus membros

aumentam.

Portanto a comunicação teve e tem um importan te papel

para criação e permanência dos grupos. Pode -se considerar

um grupo com um conjunto de duas ou mais pessoa

psicologicamente, conscientes uma das outras que interagem

para alcançar um determinado objetivo. Pessoas reunidas

transformam-se em um grupo quando se verif ica que cada

indivíduo está afetado por um dos outros indivíduos que

compõe o mesmo grupo. A comunicação é o elemento de

integração de um grupo, porém outros elementos estão

presentes como, por exemplo: percepção, afeição, liderança,

normas e outros.

Desde os primeiros dias de vida somos inseridos na vida

grupal. Faz-se necessário adquirir habil idades e

competências que nos acompanharão e nos garantirão na

jornada da nossa existência e convivência social. Na medida

em que nos tornamos mais hábeis nessas competências,

melhor nos integramos aos grupos. Para que um indivíduo

consiga viver em sociedade, o mesmo precisa de um

aprendizado, treinamento e conhecimento do seu grupo e de

todos os fatos de que possam garantir sua permanência no

mesmo. É importante que o comportamento e atitudes do

indivíduo estejam em consonância com os objetivos do grupo.

Para Lewin (1978): “É verdade que, desde o primeiro dia

de sua vida, a criança faz parte do grupo social e morrerá se

o grupo não cuidar dela”. (p.88)

Percebe-se que para o ser humano adquirir

conhecimentos e informações, o mesmo necessita de

aprendizado que modo geral é concebido através da

comunicação, segundo o dicionário Michaelis, comunicação

significa: sf (lat communicatione) 1 Ação, efeito ou meio de

comunicar.2 Aviso, informação; participação; transmissão de

14

uma ordem ou reclamação. 3 Mec Transmissão. 4 Relação,

correspondência fácil; trato, amizade. 5 Sociol Processo pelo

qual idéias e sentimentos se transmitem de indivíduo para

indivíduo, tornando possível a interação social. 6 Mil Meios

para conservar as relações entre diversos exércitos ou corpos

de exército que operam conjuntamente. 7 Lugar por onde se

passa de um ponto para outro. 8 Ret Figura que consiste em

o orador tomar o auditório por á rbitro da causa que defende,

mostrando-se disposto a conformar-se com o que venha a ser

decidido. 9 Figura pela qual o advogado, objetivando provar a

improcedência de uma imputação, mostra que, de acordo com

os argumentos do acusador, diversas pessoas e at é ele

próprio estariam incursos nela. C. assíncrona,

Inform: transmissão de dados entre dispositivos que não é

sincronizada com um relógio, mas sim efetuada quando os

dados estão prontos. C. de dados seriais, Inform: V

transmissão de dados seriais. C. dos santos: participação dos

méritos das obras dos justos e santos; comunhão dos

santos. Dar comunicação para: dar acesso a; proporcionar

uma passagem para.

Porém, de forma simplória pode-se considerar que a

palavra comunicação significa tornar comum, inform ações,

ideias, sentimentos, experiências, crenças e valores, por

meio de gestos, atos, palavras, figuras, imagens, símbolos,

etc. A mesma é responsável por propagar, ampliar ou limitar

o conhecimento e facil itar ou dificultar o desenvolvimento da

criatividade e habil idades. A ausência ou deficiência da

comunicação inviabil iza a evolução do ser humano.

A comunicação nunca foi tão rápida e fácil, atualmente

existem inúmeros métodos e tecnologias que facil itam e

impulsionam a comunicação. Cada vez mais são

desenvolvidos novos recursos para transformar o processo de

15

comunicação mais eficiente, quebrando ou minimizando

barreiras, como por exemplo: posição geográfica e o tempo.

Percebe-se que a humanidade esta passando por

transformação crescente e em um ritmo acele rado, tal

crescimento esta l igado principalmente aos avanços na área

científica e tecnológica. Essas transformações levam a

modificações não apenas de equipamentos, mas também nos

processos de trabalho, gestão de pessoas e nas formas de

comunicação.

1.2. PROCESSO DE COMUNICAÇÃO

De acordo com Chiavenato (2004) a comunicação é a

troca de informações entre pessoas. Constitui um dos

processos fundamentais da experiência humana e da

organização social. A comunicação requer um código para

formular uma mensagem e enviá-la na forma de sinal (como

ondas sonoras, letras impressas, símbolos) por meio de um

canal (ar, f ios, papel), a um receptor da mensagem que a

codifica e interpreta seu signif icado. Na comunicação

pessoal direta falada, ou seja, na conversação, a l inguagem

funciona como código e é reforçado por elementos da

comunicação não-verbal (como gestos, sinais, símbolos). A

comunicação interpessoal também se concretiza apesar da

distância, através da escrita, telefone ou inter net como meio

de transmitir as mensagens.

Para haver o processo de comunicação são necessários

os seguintes elementos:

a. Fonte ou emissor: é a indivíduo que deseja enviar

uma mensagem falada ou escrita, por meios de

sinais (verbais ou não-verbais) a uma pessoa ou

pessoas por meio da codificação do pensamento.

16

Conclui-se que o emissor, locutor ou destinador é

aquele que está emiti a mensagem num

determinado momento.

b. Codificação: é a tradução dos símbolos escolhidos

pelo emissor para que a mensagem possa se

adequadamente transmitida pelo canal.

c. Mensagem: é o produto codificado pelo emissor.

Pode ser: fala, texto escrito, música, movimentos,

expressões faciais, e outros. A mensagem é o elo

entre o emissor e o receptor; objeto da

comunicação; tradução de ideias, objetivos e

intenções; é precisamente o que se diz.

d. Canal ou mídia: é o meio, o veículo escolhido pelo

emissor para conduzir a mensagem. Pode se

apresentar através da comunicação verbal e da

comunicação não verbal, por exemplo: visual -

gestos, movimentos do corpo, expressões faciais,

postura; auditiva - tom de voz, variação de altura e

intensidade vocal; verbal - palavras, sensorial -

manipulação de objetos; pictórica - gráficos,

diagramas e figuras. Considera-se como canal: a

veia de circulação da mensagem; via escolhida

pelo emissor, através da qual a mensagem circula.

e. Decodificação: é a tradução da mensagem para

que a mesma possa ser compreendida pelo

receptor.

f. Receptor: é o sujeito a quem a mensagem se

dirige, é o destino da comunicação. É o

destinatário ou ouvinte é a pessoa ou gr upo de

pessoas situadas na outra ponta da cadeia de

comunicação (alvo da comunicação). O receptor

recebe a mensagem e a interpreta internamente,

manifestando externamente essa interpretação. O

17

receptor faz o caminho inverso, isto é parte dos

significantes até alcançar a intenção de

significação.

g. Feedback (retroação): é o elo final no processo de

comunicação. Determina se a compreensão foi

alcançada ou não. O feedback eficaz ajuda o

indivíduo a melhorar sua competência interpessoal.

1.2.1 Ruídos ou Barreiras a Comunicação Eficaz

Sabe-se que os ruídos ou barreiras são perturbações

indesejáveis que tende a deturpar, distorcer ou alterar de

maneira imprevisível a mensagem transmitida. As barreiras

na comunicação são obstáculos que comprometem ou

prejudicam o processo da comunicação e o relacionamento

interpessoal. Vale salientar que os ruídos ou barreiras

podem existir em todas as fases do processo de

comunicação. As dificuldades de comunicação ocorrem

quando as palavras, gestos, expressões, figuras símbolos e

outros, têm graus distintos de abstração e variedade de

sentido. O significado da comunicação verbal ou não -verbal

não está somente em seus meios, mas nas pessoas e no

repertório que usam, pois é este que lhes permite decifrar e

interpretar as palavras uti l izadas pelo outro. Seguem alguns

exemplos de ruídos ou barreiras:

- Filtragem: refere-se à manipulação da informação de

um emissor para que a mensagem seja vista mais

favoravelmente pelo receptor.

- Percepção seletiva: tanto o emissor como o receptor

vêem e escutam seletivamente com base em suas próprias

necessidades experiências e características pessoais.

18

- Semântica: tanto as palavras como o comportamento

não-verbal usados na comunicação podem ter diferentes

significados para diferentes pessoas.

- Sobrecarga de informação: ocorre quando o volume ou

quantidade de informação é elevado, ultrapassa ndo a

capacidade do receptor, processar as informações, tornando-

se dificultoso o processo no entendimento da mensagem,

ocorrendo perda, ou distorções nestas informações.

- Credibil idade do transmissor: quanto mais confiável for

à fonte de uma mensagem, maior será a probabilidade de que

ela seja entendida corretamente.

- Julgamento de valor: normalmente acontece antes de

ser receber a mensagem. O julgamento de val or é uma

opinião sobre algo baseada em uma rápida percepção do seu

mérito.

A dimensão continental do Brasil propicia uma variação

linguística que se segmenta em variação regional (territorial e

geográfica) e variação social, essas variações podem

ocasionar em ruídos ou barreias a comunicação eficaz.

Entende-se com variação regional (territorial e

geográfica) a variação que se verif ica na entonação, no

vocabulário que caracteriza uma comunidade lingu ística

dentro de um determinado espaço geográfico. Ocorre e ntre

pessoas de diferentes regiões em que se fala a mesma

língua. Podemos encontrar diferença percebida em relação à

pronúncia e diferença vocabular.

- Exemplo de pronúncia: O carioca costuma a pronunciar

algumas palavras destacando o som do “S” e o no in terior de

São Paulo o “R” fica em evidência em palavras como: porta,

carta e outras.

- Exemplo de nível vocabular: Em algumas regiões do

nosso país, a raiz mandioca também pode ser conhecida

como aipim.

19

A variação social é decorrente de ajustes em função d a

situação contextual e do receptor. Em conseqüência, há uma

divisão entre várias modalidades e níveis de linguagem

escrita e falada. Ocorre entre pessoas que pertencem a

diferentes grupos sociais. Neste caso podemos dividir a

língua em vários dialetos, g írias e jargões profissionais.

Para melhor compreensão da variação lingu ística faz-se

necessário a definição dos seguintes conceitos:

- Dialeto: variedade regional de uma língua;

- Gíria: l inguagem especial usada por certos grupos

sociais pertencentes a uma classe ou a uma profissão ou

linguagem usada por um grupo de pessoas, para não serem

compreendidos por outras pessoas;

- Idioma: língua de uma nação ou de uma região, modo

particular de falar;

- Língua: conjunto de palavras e modo de falar de um

povo. Língua é o código, conjunto de signos, estabelecidos

por uma determinada sociedade, em um determinado espaço

geográfico;

- Jargão: vocabulário peculiar, especializado, de uma

classe, grupo ou profissão.

Existem outras barreiras a comunicação, porém cabe

principalmente ao emissor rompe-las, através de uma

comunicação ao nível do receptor.

1.3 TIPOS DE COMUNICAÇÃO

A comunicação se dá através de dois tipos de

linguagem: a linguagem verbal e a l inguagem não -verbal. O

equilíbrio entre as duas linguagens aumenta a probabilidade

de uma comunicação eficaz. Em um âmbito geral

comunicação verbal e não-verbal tem ser objetiva, clara,

20

segura, com energia e entusiasmo, para que os objetivos

pretendidos sejam alcançados.

1.3.1 Comunicação Verbal

A comunicação verbal é a comunicação em que a

mensagem é constituída pela l inguagem de um sistema de

códigos convencionados, podendo ser oral, como: ordens,

pedidos, conversas ou escrita como: cartas, e -mails, bilhetes,

cartazes, folhetos, jornais.

Uma importante ferramenta da comunicação verbal é o

Sistema Braille, uti l izado universalmente na leitura e na

escrita por pessoas cegas, foi inventado na França por Louis

Braille, um jovem cego, reconhecendo-se o ano de 1825 como

o marco dessa importante conquista para a educação e a

integração dos deficientes visuais na sociedade. O Sistema

Braille, uti l izando seis pontos em relevo, dispostos em duas

colunas, que possibil itam a formação de 63 símbolos

diferentes que são empregados em textos literários nos

diversos idiomas, como também nas simbologias matemática

e científica, na música e na informática. Comprovadamente, o

Sistema Brail le tem plena aceitação por parte das pessoas

cegas.

Sob o ponto de vista histórico, a uti l ização do Sistema

Braille no Brasil pode ser abordada em três períodos

distintos: 1854 a 1942 - Em 1854 o Sistema Braille foi

adotado no Imperial Instituto dos Meninos Cegos (hoje,

Instituto Benjamin Constant), sendo assim, a primeira

instituição na América Latina a uti l izá -lo. Deve-se isto aos

esforços de José Alvares de Azevedo, um jovem cego

brasileiro, que o havia aprendido na França. O Sistema

Braille teve plena aceitação no Brasil, util izando -se

praticamente toda a simbologia usada na França. 1942 a

21

1963 - Neste período verif icaram-se algumas alterações na

simbologia Brail le em uso no Brasil. Para atender à reforma

ortográfica da Língua Portuguesa de 1942, o antigo alfabeto

Braille de origem francesa foi adaptado às novas

necessidades de nossa língua, especialmente para a

representação de símbolos indicativos de acentos

diferenciais. Destaca-se, ainda, a adoção da tabela Taylor de

sinais matemáticos, de origem inglesa, em substituição à

simbologia francesa até então empregada. A Portaria no. 552,

de 13 de novembro de 1945, estabeleceu o Brail le Oficial

para uso no Brasil, além de um código de abreviaturas, da

autoria do professor José Espínola Veiga. Esta abreviatura

teve uso restrito, entrando em desuso, posteriormente. A Lei

no. 4.169, de 04 de dezembro de 1962, que oficializou as

convenções Braille para uso na escrita e leitura dos cegos,

além de um código de contrações e abreviaturas Brail le, veio

a criar dificuldades para o estabelecimento de acordos

internacionais, pelo que, especialistas brasileiros optaram por

alterar seus conteúdos, em benefício da unificaç ão do

Sistema Braille. 1963 a 1995 - Os fatos marcantes deste

período podem ser assim destacados: em 05 de janeiro de

1963 foi assinado um convênio luso-brasileiro, entre as mais

importantes entidades dos dois países, para a padronização

do Brail le integra l (grau 01) e para a adoção, no Brasil, de

símbolos do código de abreviaturas usado em Portugal.

1.3.2 Comunicação Não-verbal

A comunicação não-verbal exerce fascínio sobre a

humanidade desde seus primórdios, pois envolve todas as

manifestações de comportamento não expressas por

palavras, ou seja, através de gestos, expressões faciais,

como um sorriso, movimentos dos olhos, toques, volume da

22

voz, postura. Essa comunicação pode ocorre até mesmo em

um ambiente com silêncio absoluto.

As mensagens da comunicação não-verbal comunicam

sentidos específicos, confirmam a mensagem verbal ou,

ainda, comunicam outras mensagens.

Sabe-se que o corpo humano se comunica na maioria

das vezes inconscientemente. A comunicação não-verbal está

presente no nosso dia-a-dia, porém, muitas vezes, não temos

consciência de sua ocorrência e, nem mesmo, de como

acontece. Vale ressaltar que em alguns casos a comunicação

não-verbal pode apresentar uma dissonância em relação à

comunicação verbal.

Os atores do cinema mudo como Charles Chaplin foram

os pioneiros das técnicas de linguagem corporal, então o

único modo de comunicação disponível na tela. A técnica de

um ator era considerada boa ou má à medida que ele fosse

capaz de usar gestos e sinais para se comunicar com o

público.

Albert Mehrabian, pioneiro da pesquisa da linguagem

corporal na década de 1950, apurou que em toda

comunicação interpessoal cerca de 7% da mensagem é verbal

(somente palavras), 38% é vocal (incluindo tom da voz,

inflexão e outros sons) e 55% é não-verbal.

O Antropólogo Ray Birdwhistel, pioneiro do estudo da

comunicação não-verbal, calculou que, em média, o indivíduo

emite de 10 a 11minutos de palavras por dia em sentenças

com duração de 2,5 segundos e estimou também que somos

capazes de fazer e reconhecer cerca de 250 mil expressões

faciais.

Tal como Mehrabian, Birdwhistel descobriu que o

componente verbal responde por menos de 35% das

mensagens transmitidas numa conversação frente a frente,

mais de 65% é feita de maneira não-verbal.

23

A linguagem do corpo (cinésica) é o reflexo externo do

estado emocional da pessoa. Cada gesto ou movimento pode

ser uma valiosa fonte de informação sobre a emoção que a

mesma esta sentido num dado momento. Para Reiman (2010),

a l inguagem corporal é a essência de quem demonstramos

ser.

Faz-se necessário destacar LIBRAS que é a sigla da

Língua Brasileira de Sinais como importante instrumento de

comunicação não-verbal. As Línguas de Sinais (LS) são as

línguas naturais das comunidades surdas. As Línguas de

Sinais não são línguas com estru turas gramaticais próprias,

atribui-se às Línguas de Sinais o status de língua porque elas

também são compostas pelos níveis l ingüísticos: o

fonológico, o morfológico, o sintático e o semântico.

O que é denominado de palavra ou item lexical nas

línguas oral-auditivas são denominados sinais nas línguas de

sinais. O que diferencia as Línguas de Sinais das demais

línguas é a sua modalidade visual -espacial. Portanto, uma

pessoa que entra em contato com uma Língua de Sinais irá

aprender uma outra língua, como o Francês, Inglês etc.

Em 1857, foi fundada a primeira escola para surdos no

Brasil, o Instituto dos Surdos-Mudos, hoje, Instituto Nacional

da Educação de Surdos (INES). Foi a partir deste instituto

que surgiu, da mistura da Língua de Sinais Francesa, trazid a

por Huet, com a língua de sinais brasileira antiga, já usada

pelos surdos das várias regiões do Brasil, conforme

mencionado anteriormente a LIBRAS (Língua Brasileira de

Sinais) tem sua origem na Língua de Sinais Francesa, porém

é importante ressaltar que as Línguas de Sinais não são

universais. Cada país possui a sua própria língua de sinais,

que sofre as influências da cultura nacional. Como qualquer

outra língua, ela também possui expressões que diferem de

região para região.

24

Sinais são formados a par tir da combinação da forma e

do movimento das mãos e do ponto no corpo ou no espaço

onde esses sinais são feitos. Nas línguas de sinais podem ser

encontrados os seguintes parâmetros que formarão os sinais:

- Configuração das mãos: são formas das mãos que

podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou outras formas

feitas pela mão predominante, ou pelas duas mãos. Os sinais

desculpar, evitar e idade, por exemplo, possuem a mesma

configuração de mão (com a letra y). A diferença é que cada

uma é produzida em um ponto diferente no corpo. Os sinais

podem ter um movimento ou não.

- Ponto de articulação: é o lugar onde incide a mão

predominante configurada, ou seja, local onde é feito o sinal,

podendo tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço

neutro.

- As expressões faciais e ou corporais são de

fundamental importância para o entendimento real do sinal,

sendo que a entonação em Língua de Sinais é feita pela

expressão facial.

- Orientação e direção: Os sinais têm uma direção com

relação aos parâmetros acima.

Para conversação em LIBRAS faz-se necessário

conhecer os sinais a estrutura gramatical, combinando -os em

frases.

Sabe-se que a comunicação não-verbal pode atuar como

fator introdutório e de aproximação no processo de

comunicação entre diferentes tipos de seres humanos,

propiciando assim integração, facil itando a aprendizagem e

ou desenvolvimento da comunicação verbal, segundo Pinto

(2003) após a chegada dos portugueses ao Brasil em 1500, a

mínica foi, sem dúvida, o primeiro meio de comunicação entre

portugueses e indígenas, como testemunha a carta de Pedro

25

Vaz de Caminha a D. Manuel, mas de imediato, a música e a

dança também desempenharam um processo idêntico.

26

CAPÍTULO II

AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR NO

BRASIL

Vivemos em um mundo globalizado, inseridos em um

contexto empresarial extremamente competitivo, repleto de

mudanças tecnológicas, polít icas, econômicas e culturais, as

organizações cada vez mais exigem e necessitam de

profissionais altamente capacitados e qualif icados , com

intuito de manter ou aumentar a participação no mercado

nacional ou até mesmo internacional.

Portanto, com base no pensamento de Dutra (2003) o

ensino superior deve ser instrumentalizado para o

conformismo e subserviência ao mercado de trabalho como

também deve contribuir para a humanização das relações

sociais, através da socialização do saber.

2.1 AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR COMO

UM SISTEMA

As instituições de ensino superior são organizações

sociais. Como todos os organismos vivos, as organiza ções

funcionam como sistemas. Sabe-se que um sistema é um

conjunto integrado de partes inter -relacionadas que existem

para atingir um determinado propósito. De acordo com

Chiavento (2005) os principais componentes de um sistema,

são:

Entrada: inputs ou insumos constituem tudo o que

ingressa em um sistema para permitir que ele funcione. As

entradas podem ser todo e qualquer recurso que alimente o

sistema. As entradas vêm do ambiente externo.

27

Saída: outputs ou resultados constituem aquilo que o

sistema produz e devolve ao ambiente externo.

Processamento ou transformação - é o trabalho que o

sistema realiza com as entradas para poder proporcionar as

saídas. É o próprio funcionamento interno do sistema.

Retroação: feedback ou realimentação, é a influência

que as saídas do sistema exercem sobre as suas entradas no

sentido de ajustá-las e regulá-las ao funcionamento do

sistema. Existem dois tipos de retroação:

Retroação positiva (que acelera ou aumenta as entradas

para ajustá-las, quando estão maiores).

Retroação negativa (que retarda e diminui as entradas

para ajustá-las às saídas, quando estas são menores).

Os sistemas podem ser classificados como aberto ou

fechado.

Os sistemas fechados também conhecidos como

mecânicos funcionam dentro de relações predeterminada s de

entrada e saída (causa e efeitos). O sistema fechado oferece

poucas opções de entrada e saída, que são bem conhecidas

e determinadas. Outro aspecto é que eles alcançam seus

objetivos de uma única e exclusiva maneira.

Os sistemas abertos ou sistemas orgânicos são bem

mais complexos, eles funcionam dentro da relação de entrada

e saída (relações de causa e efeitos) desconhecidas e

indeterminadas e mantêm um intercambio intenso, complexo

e indeterminado com o meio ambiente. Nos sistemas abertos

existe uma infinidade de entradas e de saídas

indeterminadas, esse fato provoca uma complexidade e a

dificuldade de mapear o sistema. Por isso, os sistemas

abertos ou orgânicos são também denominados

probabilísticos, pois as relações de entradas/saídas estão

sujeitas a probabilidades e não a certezas. Todos os sistemas

vivos (os organismos vivos, o ser humano, as organizações

28

sociais, a empresa e etc.) são considerados sistemas

abertos.

Faz-se necessário ressaltar que uma característica

importante desse sistema, que é o fato dele alcançar um

objetivo por meio de uma multiplicidade de maneiras

diferentes. Os biólogos denominam como equifinalidade a

capacidade de chegar a resultados finais de maneiras

variadas e diferentes.

Em todo sistema as saídas de cada subsistema

constituem as entradas de outros subsistemas, de modo que

cada subsistema se torna dependentes dos demais. Isso

significa que as entradas de um subsistema dependem das

saídas de outros subsistemas, e assim por diante. Essas

inter-relações de saídas e entradas entre as partes são

comunicações ou interdependências que ocorre dentro do

sistema. Em todo o sistema, há uma complexa rede de

comunicações entre os subsistemas: as interdependências

entre os subsistemas fazem com que o sistema sempre

funcione com uma totalidade. Quanto mais intensa a rede de

comunicações, mais coesão será necessária para o bom

funcionamento do sistema, ou seja, faz -se necessário que as

partes estejam estruturalmente bem organizadas e em

harmonia. Denomina-se como sinergia o efeito mult iplicador

em que as partes (subsistemas) se auxil iam mutuamente para

que o resultado global seja muito maior do que as somas das

partes. E denomina-se entropia o efeito de perda das inter -

relações entre as partes, fazendo com que o resultado global

seja muito menor do que as somas das partes. A entropia de

um sistema caracteriza o seu grau de desordem.

Vivemos em uma sociedade constituída de

organizações, quase tudo que o ser humano necessita é

desenvolvido por elas. O homem depende das organizações

para tudo, inclusive nascer , viver e morrer. Pode-se afirmar

29

que as empresas são organizações sociais que reúnem e

uti l izam recursos para atingir um determinado objetivo. Todas

as organizações são constituídas de pessoas e recursos não

humanos (recursos físicos, materiais, f inanceiros,

tecnológicos e etc.). As instituições de ensino (publicas ou

privadas) também funcionam dentro dessa mesma premissa.

2.2 O ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

Segundo Dias (2003), com base nos princípios da

Conferência Mundial do Ensino Superior realizada em Paris

em outubro de 1998, a missão do ensino superior consiste em

contribuir com o desenvolvimento e melhoria do conjunto da

sociedade, ou seja, educar e formar graduados alta mente

qualif icados, capazes de responder às necessidades de todos

os aspectos da atividade humana: promover, gerar e difundir

conhecimentos através da pesquisa; interpretar, preservar e

promover as culturas no contexto do pluralismo e da

diversidade cultural; oferecer possibil idades de aprendizagem

ao longo de toda a vida; contribuir com o desenvolvimento e

melhoria da educação em todos os níveis; proteger e

promover a sociedade civil, formando os jovens de acordo

com os valores nos quais se baseia a sociedade civi l

democrática e que proporcionem perspectivas crít icas e

independentes no debate sobre as opções estratégicas e no

fortalecimento das perspectivas humanísticas.

Dias (2003) também ressalta que:

a) As instituições de ensino superior devem propiciar um

espaço permanente de aprendizagem, colaborar com

o desenvolvimento socioeconômico e contribuir com

os valores e ideias da cultura da paz.

b) O ensino superior deve ser pertinente, ancorando

suas orientações a longo prazo em objetivos e

30

necessidades sociais e, em particular, no respeito às

culturas e à proteção do meio ambiente.

c) A contribuição do ensino superior ao conjunto do

sistema educacional é prioritária e a diversificação um

instrumento para alcançar seus objetivos;

d) A qualidade do ensino superior é um conceito

multidimensional que deve englobar todas as funçõ es

e atividades.

e) Os estudantes devem estar no centro das

preocupações das instituições e ser considerados

participantes essenciais no processo de renovação do

ensino superior.

De acordo com Steiner e Malnic (2006), o ensino

superior no Brasil ampliou-se e diversificou-se de forma

notável nas ùltimas décadas. Compreender essa d iversidade

e os desafios que ele nos coloca, bem como as demandas

originadas das novas necessidades da sociedade é o objetivo

das instituições de ensino. A sociedade globalizada fez do

conhecimento sua principal plataforma para a

competitividade. A educação de qualidade em todos os níveis

tornu-se um pré-requisito para a inserção de qualquer país na

economia global .

Atualmente o ensino superior tem um tríplice desafio:

a) Preservar os valores acadêmicos tradicionais, entre

os quais a realização da pesquisa básica e a

promoção das habil idades gerais da mente.

b) Atender às demandas da sociedade, como o

desenvolvimento econômico e o bem-estar social.

c) Desbravar novos meios e caminhos, como a

integração da tecnologia da informação, o ensino de

massa e o ensino à distância.

31

Segundo a estatística do Censo da Educação Superior,

realizado em 2010 pelo Instituto Nacional de Estudo s e

Pesquisas Educacionais (INEP) do Ministério da Educação

(MEC), em todo o país, os cursos de graduação presencial e

a distância reúnem 6,3 milhões de estudantes, matriculados

em 29.507 cursos, distribuídos entre 2.377 instituições de

ensino superior públicas e particulares.

Vale ressaltar que os dados do Censo

da Educação Superior de 2010, divulgados pelo Ministério da

Educação (MEC), mostram também que o curso de

administração é o que tem maior número de estudantes no

país: 705.690. Na lista das graduações mais populares,

aparecem, na sequência, direito (694 mil), pedagogia (297

mil), enfermagem (244,5 mil) e ciências contábeis (244,2 mil).

Os números referem-se apenas às matrículas dos cursos

presenciais, que totalizam 3,1 milhões de estudantes.

O movimento de democratização do acesso à educação

superior e as exigências do mercado de trabalho provocaram

essa expansão das matrículas e também proporcionou uma

heterogeneidade do público que adentrou nesse nível de

educação, exigindo uma nova postura do profissional

docente.

2.3 O DOCENTE DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

De acordo com Veiga (2010) o compromisso profissional

dos professores que atuam no ensino superior brasileiro está

voltado para um fim social, l igado às intencionalidades da

educação brasileira: desenvolvimento pleno do educando,

preparo para o exercício da cidadania e qualif icação para o

trabalho.

32

Segundo o dicionário Michaelis a palavra professor

significa: sm (lat professore) 1 Homem que professa ou

ensina uma ciência, uma arte ou uma l íngua;

mestre. 2 Aquele que é perito ou muito versado em qualquer

das belas-artes. 3 O que professa publicamente as verdades

religiosas. P. catedrático:professor titular de curso secundário

ou superior. P. régio, ant:professor nomeado pelo Governo

para reger uma cadeira de instrução primária ou de liceu.

Vale salientar que ensinar não é apenas transferir

conhecimento, mas sim criar as possibil idades para a sua

produção ou a sua construção. O docente ensino superior

deve estar aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas

dos alunos para a construção do saber de forma mutua.

Segundo Freire (1993) aprender e ensinar fazem parte

da existência humana, histórica e social, como dela fazem

parte a criação, a invenção, a linguagem, o amor, o ódio, o

espanto, o medo, o desejo, a atração pelo risco, a fé, a

dúvida, a curiosidade, a arte, a magia, a ciência, a

tecnologia. E ensinar e aprender cortando todas estas

atividades humanas. Quem ensina aprende ao ensinar e quem

aprende ensina ao aprender. Ensinar inexiste s em aprender e

vice-versa e foi apreendendo socialmente que,

historicamente, mulheres e homens descobriram que era

possível ensinar.

Ensinar não se esgota no tratamento do objeto ou do

conteúdo, superficialmente feito, mas se alonga à produção

das condições em que aprender crit icamente é possível.

O papel do docente do ensino superior vem mudando ao

longo dos anos, aquela visão do professor como um

repassador de informações que bastava o saber técnico, já

não se enquadra mais com as exigências do mercado e da

sociedade. Atualmente se espera muito mais do professor

universitário, o mesmo não deve apenas transmitir o

33

conhecimento teórico da disciplina que leciona, mas sim a

sua vivência e experiência profissional , sua visão, e

principalmente a co-participar e incentivar os alunos a

construção do conhecimento.

O docente universitário tem a responsabilidade do

desenvolvimento social e acadêmico dos seus alunos ,

portanto, o perfi l desejado é de um profissional dinâmico,

flexível, multifuncional , interdisciplinar e principalmente que

tenham seus objetivos voltados para os processos de buscar

o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos; de

aperfeiçoar sua capacidade de pensar dos mesmos e de si

próprio; de dar um significado para aquilo que será estudado;

de desenvolver a capacidade de construir seu próprio

conhecimento e aprender através da troca de experiências

com seus educandos.

De acordo com Masetto (2003) o ensino superior:

“Necessita-se de profissionais intercambiáveis que

combinem imaginação e ação; com capacitação para

buscar novas informações, saber trabalhar com elas,

intercomunicar-se nacional e internacionalmente por meio

dos recursos mais modernos da informática; com

capacidade para produzir conhecimento e tecnologia

próprios que os coloquem, ao menos em alguns setores,

numa posição não-dependência em relação a outros

países; preparados para desempenhar suas profissões de

forma contextualizada e em equipe com profissionais não

só de sua área mas também de outras.” (P.14)

É um novo mundo, que requer uma nova atitude, uma

nova perspectiva na relação entre o professor e o aluno no

ensino superior . Os professores do ensino superior devem

ser multifuncionais e interdisciplinares, atualizados e aptos a

adequar o esti lo de comunicação a diferentes públicos.

34

CAPÍTULO III

DESENVOLVIMENTO DA COMUNICAÇÃO

INTERPESSOAL EFICAZ NA SALA DE AULA

Segundo Freire (1993) não há, realmente, pensamento

isolado, na medida em que não há homem isolado. Todo ato

de pensar exige um sujeito que pensa, um objeto pensado,

que mediatiza o primeiro sujeito do segundo, e a

comunicação entre ambos, que se dá através de signos

linguísticos. O mundo humano é, desta forma, um mundo de

comunicação.

Freire (1993): “Comunicar é comunicar -se em torno do

significado significante ”.

3.1 A BASE DA COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL EFICAZ

Sabe-se que uma das bases da comunicação

interpessoal eficaz é o desenvolvimento da inteligência

intrapessoal, que se refere às habil idades pertinentes à

própria pessoa. A inteligência intrapessoal é uma capacidade

de formar um modelo preciso, verídico, de si mesmo e poder

usá-lo para agir eficazmente na vida. Para Gardner a

inteligência intrapessoal corresponde ao contato com nossos

próprios sentimentos e a capacidade de discriminá -los e usá-

los para orientar o comportamento.

Segundo Golemann (2007) a inteligência intrapessoal

possui três áreas: autoconhecimento, autodomínio e

automotivação.

Autoconsciência ou autoconhecimento - significa ter

consciência de si mesmo, percepção dos próprios

sentimentos, conhecimento dos comportamentos frente às

situações de sua vida social e profissional. Faz-se necessário

35

realizar uma avaliação realista das próprias capacidades, de

modo a desenvolver o autoconhecimento gerador de

autoconfiança. Sabe-se que através do autoconhecimento é

possível identif icar e desenvolver as habil idades e

competências que poderão ser se tornar em um diferencial

competitivo ou ponto forte.

Autodomínio - Controlar os sentimentos nos mais

variados momentos e situações; administrar as emoções.

Lidar com os sentimentos apropriadamente. O Autodomínio

significa l idar com as próprias emoções de forma que

facil item a realização de suas atividades, em vez de interferir

com elas. Abrange o desenvolvimento do equilíbrio emocional

para recuperar-se de afl ições emocionais.

Automotivação - é a capacidade de motivar a si mesmo,

e realizar as tarefas e ações necessárias para alcançar seus

objetivos, independente das circunstâncias. Significa estar

motivado para a vida. Envolve uti l izar os sentimentos de

entusiasmo, perseverança, iniciativa e tenacidade para

conquistar os objetivos e metas , de uma forma bem

direcionada e segura. O intuito é ser altamente eficaz;

perseverando, mesmo diante de revezes e frustrações.

De acordo com Maximiano (2006) a competência

intrapessoal compreende as habil idades que Henry Mintzberg

chamou de introspecção, o que significa todas as relações e

formas de reflexão e ação da pessoa a respeito dela própria,

como: auto análise, autocontrole, automotivação, capacidade

de organização pessoal e administração do próprio tempo.

Conclui-se que a inteligência intrapessoal é a

capacidade de criar motivações para si próprio e de persistir

num objetivo, apesar dos percalços; de controlar impulsos e

saber aguardar pela satisfação de seus desejos; de se manter

em bom estado de espírito e de impedir que a ansiedade

36

interfira na capacidade de raciocinar; de ser empático e

autoconfiante.

3.2 A COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL COMO UMA

QUESTÃO DE PERCEPÇÃO

Sabe-se que uma das condições para o estabelecimento

de bons relacionamentos e uma ambiente saudável e propicio

para o aprendizado é aceitar que pessoas são diferentes e

respeitar as diferenças individuais próprias de cada pessoa.

Na sala de aula do ensino superior existem inúmeras

diferenças entre pessoas, como por exemplo: idade, sexo,

etnia, polít ica, crença, religiosa, idioma e esti lo de vida. Para

ter uma comunicação eficaz faz-se necessário perceber a

diversidade. A identif icação das características pessoais é

uma questão de sensibil idade.

De acordo com o dicionário Michaelis a palavra

percepção significa: sf (lat perceptione) 1 Ato, efeito ou

faculdade de perceber; recepção, pelos centros nervosos, de

impressões colhidas pelos sentidos. 2 Cobrança,

recebimento. P. externa:faculdade de perceber pelos

sentidos. P. interna: a consciência. P. natural ou p.

primária: a que é dada imediatamente pelos

sentidos. Percepções adquiridas: deduções

imediatas. Percepções obscuras: fenômenos subconscientes

(Leibniz).

Segundo Arredondo (2007) nós, seres humanos

transformamos mensagens em percepções de maneira

instantânea e muitas vezes subconsciente, formamos

impressões, fazemos julgamentos e chegamos a conclusões

automaticamente. As respostas às mensagens que recebemos

baseiam-se mais no que sentimos como verdade do que

naquilo que realmente é verdadeiro. Se os fatos concretos

37

diferem da nossa percepção, é ela que prevalece. A

percepção é mais significativa que o fato.

No processo de comunicação faz-se necessário a

capacidade e discernimento para saber ouvir e analisar os

elementos como um todo. O ouvinte eficaz não só escutam as

palavras em si, como também seus significados, as

entrelinhas, ou seja, aquilo que não é dito por palavras,

aquilo que se expressa s ilenciosamente pelo corpo. Deve-se

analisar e sintetizar as informações com intuito de

desenvolver os significados e chegar à compreensão. É difícil

estabelecer um clima de confiança, quando não se é capaz de

ouvir.

De acordo com Wilson (2002):

“A má interpretação é a causa principal dos

problemas de comunicação, e, se o erro ao

escutar não é o único dos motivos das más

interpretações, é um dos primeiros da lista

de causas principais.”(p.82).

Vale salientar que um gesto ou uma palavra isolada das

circunstâncias não tem relevância ou um significado preciso,

portanto, faz-se necessário um grupo gestual ou frases para

formar uma opinião ou conceito sobre determinado assunto

ou contexto.

Segundo Thomas Fuller apud Reiman (2010): “Um

homem não é bom o mau por uma só ação”.

Cada ser humano é único e produz diferentes

percepções, que, por sua vez, geram impressões e reações

diferentes.

38

3.3 ATITUDES DE UMA COMUNICAÇÃO

INTERPESSOAL EFICAZ

Sabe-se que todas as formas de comunicação estão

sujeitas a dificuldades que comprometem a transmissão,

recepção e interpretação das informações e dos significados.

Para maximizar a probabilidade de eficácia no processo de

comunicação, alguns questionamentos são necessários, como

por exemplo:

Qual é o exato objetivo? O que eu quero transmitir?

Que resultado eu espero?

Quem vai receber a comunicação? O que eles já sabem?

O que precisam saber? Qual será sua provável atitude ao

recebê-la?

Qual é o melhor meio de comunicação? Qual é o melhor

recurso para essa situação (vídeo-aula, música entre outros)

É o momento certo? A comunicação será feita no

momento adequado para todos os precisam ter conhecimento

do assunto e reagir a ele? Todos que receberão as

informações terão ocasião de vir a você para esclarecê -la ou

discuti-las? Alguém esta sendo favorecido ou prejudicado por

causa do momento?

Você dispõe de todas as informações necessárias?

Que tipo de desdobramento você espera? Como você vai

se preparar antes de fazer a comunicação para esse

desdobramento esperado? Qual será a maneira para

condução a esse desdobramento?

O processo de comunicação exige planejamento do

docente, que tem como função determinar antecipadamente

quais são os objetivos que deverão ser atingidos e o que

deve ser feito para atingi-los da melhor maneira possível.

Vale ressalta aspectos como viabil idade e aceitação da

mensagem por parte do receptor, devem ser considerados e

39

analisados crit icamente. Em seu livro Using Words, John

Casson resume em apenas duas perguntas todos os

complexos problemas da boa comunicação:

a) Como transformar idéias em palavras que

sejam inteligíveis e aceitáveis tanto para nós como para

os outros?

b) Como medir o que queremos dizer levando em

consideração os sentimentos dos outros, para que

nossas palavras não provoquem ansiedade neles?

3.3.1 Comunicação verbal eficaz

De acordo com Gold (2004) as características

necessárias o desenvolvimento da comunicação verbal

empresarial eficaz são: concisão, objetividade, clareza,

coerência, adequação e correção gramatical.

A concisão é a característica de expressar -se ao

máximo de informações com o mínimo de palavras. Procura -

se informar o que deseja sem os subterfúgios e os clichês.

Para se atingir esse objetivo deve se determinar com

precisão as informações realmente relevantes, bem como

avaliar com precisão o significado das palavras e expressões

uti l izadas. Qualif icasse como uma comunicação concisa

quando todas as palavras e informações uti l izadas tenham

uma função significativa.

A objetividade refere-se às idéias que são expressas.

Em todas as situações de comunicação há inúmeras idéias

que permeiam a informação e todas e las estão direta ou

indiretamente ligadas ao assunto. Sabe-se que para se

expressar com objetividade, deve-se estar atento para expor

ao receptor ou destinatário apenas as ideias relevantes, ou

seja, as principais, retirando do texto as informações

consideradas supérfluas. Na objetividade, a comunicação se

40

articula em função das informações a serem apresentadas e

não se acrescentam elementos que distraiam ou confundam o

receptor ou destinatário. Eliminado subterfúgios e

redundâncias.

No dicionário Aurélio encontra-se a seguinte definição

Clareza 1. Qualidade do que é claro ou inteligível. Vale

ressaltar que inteligível significa: aquilo que é compreendido

com facil idade. Portanto a comunicação é considerada clara

quando o receptor consegue compreender facilm ente o

objetivo da mensagem do emissor, tanto no que se refere à

organização das idéias, quanto à prática do material

lingüístico. Segundo o professor Rocha Lima para obtenção

da clareza, dois procedimentos são fundamentais: educar a

nossa capacidade de organização mental e aprender a

colocar em execução convenientemente o material idiomático.

Sabe-se que a clareza é uma das características mais difíceis

de ser mensurada, principalmente pelo fato de que o emissor

acreditar estar se expressando com necessári a clareza, pois

a idéia que está formulando lhe é familiar, a consequência é a

falta de percepção mais apurada sobre o próprio enunciado,

uma vez que a mente está conectada com a idéia, portanto,

ele não percebe as falhas ou lacunas do sentido que pos sa

haver na passagem das mensagens .

“Coerência. [do latim cohaerentia]S.f .1.Qualidade

estado ou atitude de coerente.2. Ligação ou harmonia entre

situações, acontecimentos ou idéias, relações harmônicas ,

conexão, nexo, lógica”. A comunicação exige um rigor e uma

disciplina, obrigando o emissor a se expressar com harmonia

tanto na relação de sentido entre as palavras quanto no

encadeamento das ideias. Para se obter a adequada conexão

do sentido entre as palavras, é necessário ater -se à

significação de cada uma delas, enquanto o encadeamento

41

lógico da comunicação se faz principalmente mediante as

relações do tempo, espaço, causa e consequência.

Para proporcionar credibil idade na comunicação faz-se

necessário que util izar a comunicação formal não -rebuscada,

com as seguintes características: uti lização de termos

compreendidos pelas partes envolvidas no processo de

comunicação; cumprimento dos procedimentos e regras

gramaticais, desuso de expressões informais, rigidez

exagerada, ternos arcaicos, palavras rebuscadas e

principalmente chavões.

Conclui-se que o vocabulário uti l izado pelo docente deve

estar em consonância com os termos usados no mercado de

trabalho e ao nível dos receptores para maximizar as chances

de entendimento. Deve-se uti l izar frases curtas com uma

pontuação clara e variada. As ideias apresentadas devem

estar articuladas, coesas e com conceitos bem definidos.

Aspectos como domínio do assunto e fluência e ritmo também

são relevantes para uma comunicação de sucesso. Faz -se

necessário uti l izar uma comunicação interpessoal com

energia e verdadeira, vale ressaltar que o

pseudoconhecimento é pior do que o não saber.

3.3.2 Comunicação não-verbal eficaz

Sabe-se que a l inguagem do corpo é o reflexo do estado

emocional da pessoa. Cada gesto ou movimento pode ser

uma valiosa fonte de informação sobre a emoção que ela está

sentindo num dado momento. Segundo Pease (2005) as

pesquisas mostram que os sinais não-verbais têm um efeito

cinco vezes maior do que as palavras pronunciadas e que

quando não há coerência entre uns e outros as pessoas,

principalmente as mulheres, dão mais importância à

mensagem não-verbal e desconsideram o conteúdo

42

transmitido oralmente. Portanto torna-se imprescindível

estabelecer uma comunicação interpessoal cheia de energia e

entusiasmo, com um alto grau de motivação, com gestos

enriquecedores que confirmem a comunicação verbal e olhar

direcionado ao receptor, demonstrando atenção e interesse.

A comunicação não-verbal deve gerar confiança do

receptor, faz-se necessário ter uma boa postura , com ombros

eretos, peito elevado e com a coluna vertebral alongada,

manter respiração tranquila e controlada transparecendo

segurança e possuir um estilo condizente com o cargo

ocupado ou com as aspirações futuras, as roupas devem ser

adequadas ao ambiente.

Sorria, segundo Pease (2005) a ciência comprovou que

quanto mais uma pessoa sorri, mais respostas positivas

obtém das outras pessoas. O sorriso influencia diretamente

as atitudes das pessoas em torno de nós e a forma como elas

reagem a nossa presença.

Um aspecto relevante na comunicação frente a frente é

a compreensão e o respeito à zona de conforto ou zona de

distância, ou seja, à distância ou espaço entre uma pessoa e

outra. Essa área varia de pessoa para pessoa, por isso, uso

bom senso é necessár io para adequar-se a necessidade de

cada um.

Figura 1 - Limite das zonas de distância

Fonte: Linguagem Corporal (2005)

Zona

íntima

14cm -

Zona

Pessoal

46cm -

Zona Social

1,20cm -

3,60m

Zona Social

mais de 3,60m

43

Segundo Reyman (2010):

“A todo o momento, você precisa demonstrar

confiança, com uma boa postura, um toque

sutil, uma atitude aberta, expressão

sorridente, noção correta de espaço ou

cooperação e atitude receptiva.” (p.27).

Faz-se necessário evitar expressões que possam passar

negatividade, em geral, qualquer demonstração de

insegurança, raiva, hostil idade, desprezo ou tédio é

substancialmente perigosa para dinâmica social e de

negócios.

3.4 A COMUNICAÇÃO EFICAZ NA SALA DE AULA DO

ENSINO SUPERIOR NA GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

DE EMPRESAS

A construção do conhecimento deve ser real izada

através da troca, que mobiliza e premia os processos

cognitivos, portanto, faz-se necessário considerar todos os

atores envolvidos nesse processo, incentivando -os a

participação para que exponham seus pensamentos, ideias,

comentários sobre as atualidades, perspectivas de ação e

reação, expectativas, dúvidas e outras informações. A

comunicação na sala de aula acontece da seguinte maneira:

professor-aluno; aluno-professor e aluno-aluno.

a) Professor-aluno: a comunicação deve ser clara,

concisa e objetiva, seriedade, segurança e respeito

para que possibil ite a construção de boa relação com

os alunos e a criação de um ambiente saudável ,

necessário para o processo de aprendizagem.

44

b) Aluno-professor: o professor deve estar atento a

comunicação não-verbal e verbal dos alunos, porém,

essa atividade requer esforço e concentração,

segundo Freire os docentes devem aprender a

escutar, pois é escutando que aprendemos a falar

com os alunos. Somente quem escuta paciente e

crit icamente o outro, fala com ele, mesmo que, em

certas condições, precise de falar a ele.

c) Aluno-aluno: os alunos também se relacionam entre

si na sala de aula, naturalmente os alunos formam

grupos, ao perceber a formação desses grupos, o

docente deve integrar aos grupos os alunos

marginais, incentivo-os aos trabalhos em grupo.

Para alcançar seu objetivo o professor do ensino

superior deve ter sensibil idade ao se comunicar, além do

planejamento pedagógico se faz-se necessário o

planejamento da comunicação a ser uti l izada na sala de aula,

vale ressaltar que cada turma precisa de uma forma de

comunicação especifica, que atenda suas necessidades.

Conclui-se que a comunicação é o fator de ligação e

integração dos membros de uma sala de aula, sua uti l ização

de maneira equivoca, impactará diretamente no desempenho

dos alunos, podendo causar desmotivação, erros de

interpretação, desistências e até mesmo a construção do

pseudoconhecimento. Portanto, faz-se necessário a

implementação de atitudes positivas para que o processo de

comunicação funcione de maneira eficaz, contribuindo assim

para a construção de profissionais qualif icados.

45

CONCLUSÃO

Conclui-se que a comunicação interpessoal está

presente em nossas vidas em todo momento, foi por

intermédio da mesma que a humanidade conseguiu evoluir,

criando e desenvolvendo grupos para satisfazer suas

necessidades.

Com o mundo globalizado e extremante competitivo, o

conhecimento se tornou em um importante fator estratégico,

as organizações procuram por profissionais mais capacitados

e qualif icados, portanto, é responsabilidade das instituições

de ensino superior fornecer tais profissionais ao mercado de

trabalho. Dessa forma as mesmas proporcionam o

desenvolvimento econômico e o bem-estar social . Atualmente

o curso superior de administração de empresas é o que tem

maior quantidade de alunos inscritos.

O papel do docente do ensino superior mudou ao longo

dos anos, não basta apenas transmitir o conhecimento teórico

da disciplina que leciona, mas sim a sua vivência e

experiência profissional, e principalmente co-participar e

incentivar os alunos a construção do conhecimento. O

docente universitário tem a responsabilidade do

desenvolvimento social e acadêmico dos seus alunos.

A comunicação interpessoal se tornou uma importante

ferramenta para que o docente do ensino superior alcance

seus objetivos com sucesso. A comunicação na sala de aula

deve apresentar características como: clareza, concisão,

coerência, objetividade, uma linguagem formal , porém não

rebuscada seguindo as regras gramáticas. A comunicação

deve ser voltada para a compreensão dos alunos , com

energia, a l inguagem corporal em consonância com a

comunicação verbal, com intuito de gerar confiança e

credibil idade para os alunos.

46

O desenvolvimento da competência interpessoal está

diretamente relacionado às características individuais.

Portanto, faz-se necessário desenvolvimento da inteligência

intrapessoal, que se refere ao conhecimento inerente a

própria pessoa, como modo de se portar em determinadas

situações.

Diante do que foi pesquisado conclui -se que todos

profissionais que atuam na docência do ensino superior na

graduação em Administração de Empresas , necessitam da

comunicação interpessoal (verbal e não-verbal) para

desempenharem suas atividade e tarefas de maneira eficaz.

A competência técnica do professor do ensino superior

aliada à competência interpessoal potencializa a construção

do conhecimento.

47

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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habilidade e clareza. Rio de Janeiro: Sextante, 2007.

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Portal de Libras. Significado e fundamentos sobre LIBRAS.

Disponível em: <http://www.libras.org.br/libras.php>.

Acesso em 08 de julho de 2011.

51

ÍNDICE

FOLHA DE ROSTO ......................................................... 01

AGRADECIMENTO ......................................................... 02

DEDICATÓRIA ............................................................... 03

RESUMO ........................................................................ 04

METODOLOGIA .............................................................. 05

SUMÁRIO ....................................................................... 06

INTRODUÇÃO ................................................................ 08

CAPÍTULO I - COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL ............. 10

1.1 INTRODUÇÃO A COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL

.............................................................................. 10

1.2. PROCESSO DE COMUNICAÇÃO ...................... 15

1.2.1 Ruídos ou Barrei ras a Comunicação Eficaz ..... 17

1.3 TIPOS DE COMUNICAÇÃO ................................ 19

1.3.1 Comunicação Verbal ....................................... 20

1.3.2 Comunicação Não-verbal ................................ 21

CAPÍTULO II – AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

NO BRASIL .................................................................... 26

2.1 AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR COMO

UM SISTEMA .......................................................... 26

2.2 O ENSINO SUPERIOR NO BRASIL .................... 29

2.3 O DOCENTE DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

.............................................................................. 31

CAPÍTULO III - DESENVOLVIMENTO DA COMUNICAÇÃO

INTERPESSOAL EFICAZ NA SALA DE AULA ................. 34

3.1A A BASE DA COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL

EFICAZ .................................................................. 34

3.2 A COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL COMO UMA

QUESTÃO DE PERCPEÇÃO .................................... 36

3.3 ATITUDES DE UMA COMUNICAÇÃO

INTERPESSOAL EFICAZ ......................................... 38

52

3.3.1 Comunicação verbal e ficaz ............................. 39

3.3.2 Comunicação não-verbal eficaz ....................... 41

3.4 A COMUNICAÇÃO EFICAZ NA SALA DE AULA DO

ENSINO SUPERIOR NA GRADUAÇÃO EM

ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS ........................... 43

CONCLUSÃO ................................................................. 45

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ....................................... 47

WEBGRAFIA CONSULTADA ........................................... 49

ÍNDICE ........................................................................... 51