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    Sistema de Criao de

    abelhas-sem-ferroCriao de

    abelhas-sem-ferro

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    As abelhas-sem-ferro pertencem tribo Meliponina (Hymenoptera, Apidae). So 52 gneros e mais de 300 espcies identificadas com distribuio registrada para Amrica do Sul, Amrica Central, sia, Ilhas do Pacfico, Austrlia, Nova Guin e frica. No continente americano, as Meliponina so mais numerosas nas florestas tropicais (mais de 60%), diminuindo em direo ao Sul do Brasil e ao Centro Norte do Mxico.

    A importncia dessas abelhas na preservao ambiental indiscutvel. Responsveis pela polinizao de 30% das espcies da Caatinga e Pantanal e at 90% das espcies da Mata Atlntica, o desaparecimento das Meliponina coloca em risco a flora e a fauna silvestres.

    A meliponicultura, criao racional das abelhas-sem-ferro, vem demonstrando ser uma excelente alternativa de gerao de renda para populaes tradicionais (Figura 1). De fcil manejo e sem interferir no tempo a ser dedicado s demais atividades agropecurias, a meliponicultura ainda tem a vantagem de ser bem aceita pela populao. Parte dessa aceitao se deve ao fato do mel de abelhas-sem-ferro apresentar grande valor cultural e ser normalmente utilizado para fins teraputicos, pelas caractersticas medicinais a ele atribudas. Alm do mel, outros produtos das abelhas-sem-ferro, como geoprpolis, plen e cera, apresentam grande potencial como alternativa para auxiliar no sustento em pequenas propriedades rurais. Existem, ainda, muitos meliponicultores que criam abelhas-sem-ferro como passatempo, explorando o mel apenas esporadicamente.

    Introduo

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    O mel das abelhas-sem-ferro tem uma composio fsico-qumica diferente do mel de Apis mellifera, o que lhe confere caractersticas de sabor, cor e odor diferenciados e que variam de acordo com a espcie de abelha criada e a florada da regio. A produo de mel dessas abelhas tambm dependente da espcie de abelha criada; em geral, quanto menor o tamanho da abelha e do ninho, menor a produo de mel.

    Embora sejam conhecidas mais de 300 espcies de abelhas nativas, poucas so criadas de forma racional. Algumas espcies tm sido mais frequentemente indicadas para a produo de mel como a uruu (Melipona scutellaris), a tiba (Melipona fasciculata), a jandara (Melipona subnitida), a uruu-cinzenta (Melipona manaosensis), a mandaaia (Melipona quadrifasciata anthidioides) e a jata (Tetragonisca angustula). A falta de conhecimento sobre biologia, comportamento e reproduo para que se possam adaptar tcnicas de manejo e equipamentos uma das causas para a pouca diversificao das espcies criadas racionalmente, o que prejudica o processo de preservao. H espcies tambm que no se adaptam ao manejo racional, sendo de difcil domesticao.

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    Figura 1: Criao racional de

    abelhas-sem-ferro

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    Figura 2: Colnia de cupira (Partamona sp.) em cupim

    NinhoOs ninhos das abelhas-sem-ferro so, em geral, construdos em ocos de rvores, ninhos abandonados de cupins e formigas, fendas em rochas, cavidades de solo ou, ainda, em ninhos expostos (Figura 2). Nessa construo, as abelhas usam cera, resina, barro e cerume (uma mistura de cera com resina).

    A entrada dos ninhos das abelhas-sem-ferro pode ser construda de cera, barro, resina ou uma mistura desses materiais. Possuem um padro de arquitetura e ornamentao caractersticos de cada espcie, o que auxilia na identificao (Figura 3).

    A B C

    Figura 3: Entrada

    de colnias de

    abelhas-sem-ferro:

    Melipona fasciculata (A), Scaptrotrigona sp. (B) e Lestrimelitta sp. (C)

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    Figura 4: Tubo de entrada interno em ninho de ira

    (Nannotrigona testaceicornis)

    A B

    A ligao entre a rea interna e a entrada da colnia usualmente feita por um tubo construdo de cerume, resina ou barro. Esse tubo pode terminar na rea de cria ou de alimento e auxilia na defesa da colnia contra invasores (Figura 4).

    As clulas de crias so construdas com cerume e normalmente organizadas em discos dispostos na horizontal (Figura 5A) ou em cachos (Figura 5B) localizados no centro do ninho. A quantidade de cria depende da espcie e da disponibilidade de alimento. Em pocas de pouco alimento disponvel possvel encontrar ninhos sem cria, apenas com algumas poucas operrias e a rainha.

    Figura 5: Clulas de cria de

    abelhas-sem-ferro

    organizadas em

    discos (A) e dispostas

    em cachos (B)

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    A rea de cria pode estar envolta pelo invlucro, lminas de cerume, que auxiliam na proteo da cria e manuteno da temperatura (Figura 6).

    O ninho pode ser envolvido com uma estrutura porosa denominada Batume (Figura 7). Com a funo de vedar frestas e delimitar reas, o batume pode ser construdo de cerume, resina, barro, fibras vegetais, ltex, sementes e at excremento animal. O mel de espcies de abelhas que constroem o ninho usando excremento animal no prprio para o consumo in natura.

    Figura 6: Discos de cria envolvidos por invlucro em

    colnia de abelha-mosquito Plebeia sp.

    Figura 7: Batume delimitando a rea do ninho

    de tiuba Melipona fasciculata

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    O alimento armazenado em potes circulares ou ovais (Figura 8). Construdos de cerume, ficam dispostos ao redor da rea de cria. O tamanho dos potes varia de acordo com a espcie; em geral, as espcies de abelhas maiores constroem potes com tamanho maior.

    Nas colnias de abelhas-sem-ferro possvel encontrar depsitos de cera, cerume e resina vegetal para ser usado posteriormente. As fezes, pedaos de abelhas e larvas mortas so acumulados no depsito de detritos ou lixeira, que periodicamente so esvaziados pelas operrias.

    A populao dos ninhos varia entre 100 e 100.000 indivduos, de acordo com a espcie. A colnia constituda de uma rainha, alguns zanges e as operrias. A rainha, aps a cpula, possui o abdome bem desenvolvido, sendo chamada de rainha fisiogstrica e responsvel pela postura e por manter a coeso da famlia (Figura 9). Em algumas espcies, quando a colnia est forte, possvel encontrar, alm da rainha fisiogstrica, rainhas virgens tambm chamadas de princesas.

    Figura 8: Potes de alimento em colnia

    de uruu Melipona scutellaris

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    As operrias so responsveis por praticamente todo trabalho dentro da colnia: construo das clulas de cria e potes de alimento, limpeza, produo de cera, coleta de nctar, plen, resina, barro, etc. Os machos so menores que as operrias e podem apresentar em sua face uma mancha clara. A funo do macho reprodutiva. Entretanto, em algumas espcies, os machos podem produzir cera e regular a temperatura do ninho.

    Escolha da espcie A espcie selecionada para criao racional deve ser de ocorrncia natural da regio de instalao do meliponrio, pois essas abelhas j esto adaptadas flora local, condies de temperatura, perodo de chuva, estiagem, etc. As experincias com introduo de espcies diferentes das que ocorrem na regio tem demonstrado que essas colnias passam a exigir uma manuteno mais cuidadosa e, muitas vezes, podem vir a morrer. Essa introduo, alm de exigir gasto de tempo e recurso do produtor, ainda pode contribuir para a extino das espcies. Alm disso, alguns estados, como o Mato Grosso do Sul, possuem leis que probem a introduo de espcies exticas de abelhas-sem-ferro. Nesse caso, entende-se por extica a espcie de abelha que no ocorre naturalmente no estado. A tabela a seguir relaciona algumas espcies de abelhas-sem-ferro de acordo com sua ocorrncia geogrfica.

    Figura 9: Rainha de jandara, Melipona subnitida, sendo alimentada por operria

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    Distribuio das espcies de abelhas-sem-ferro e seus nomes vulgares nas diferentes reas de ocorrncia.

    Estado Espcie de abelha-sem-ferro(Nome cientfico - Nome comum)

    Acre Melipona compressipes manaosensis jupar Scaptotrigona bipunctata canudo, tubuna, tapesuAlagoas Melipona asilvai rajada, manduri Melipona mandacaia mandaaia, mandaaia-menor Melipona scutellaris uruu, uruu-nordestina e uruu-verdadeira Melipona subnitida jandaraAmap Melipona compressipes manaosensis jupar Scaptotrigona tubiba tubiba, tubi, tubi-bravo, tuib Tetragonisca angustula jata, abelhas-ouro, mariola, moa-branca, jaty, maria-seca, mosquito-amarelo

    Amazonas Melipona compressipes manaosensis jupar Melipona seminigra uruu-boca-de-renda Tetragonisca angustula jata, abelhas-ouro, mariola, moa-branca, jaty, maria-seca, mosquito-amarelo

    Bahia Scaptotrigona tubiba - tubiba, tubi, tubi-bravo, tuiba Melipona asilvai rajada, manduri Melipona mandacaia - mandaaia, mandaaia-menor Melipona scutellaris uruu, uruu-nordestina e uruu-verdadeira Melipona subnitida jandara Melipona rufiventris uruu-amarela, tujuba, tuiuva, tujuva Tetragonisca angustula jata, abelhas-ouro, mariola, moa-branca, jaty, maria-seca, mosquito-amarelo

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    Estado Espcie de abelha-sem-ferro(Nome cientfico - Nome comum)

    Cear Scaptotrigona bipunctata canudo, tubuna, tapesu Scaptotrigona tubiba - tubiba, tubi, tubi-bravo, tuib Melipona asilvai rajada, manduri Melipona mandacaia - mandaaia, mandaaia-menor Melipona scutellaris uruu, uruu-nordestina e uruu- verdadeira Melipona subnitida jandara Tetragonisca angustula jata, abelhas-ouro, mariola, moa-branca, jaty, m