as consequncias do crime de pesca predat“ria em uma reserva extrativista marinha

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Esta pesquisa monográfica destina-se ao estudo do crime de pesca predatória em uma Reserva Extrativista Marinha e das conseqüências que esse ilícito pode causar nessa Unidade de Conservação de Uso Sustentável e para o mundo jurídico. Foi utilizada como campo de estudo a Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo/RJ – RESEX/MAR AC – que foi a primeira Reserva Extrativista Marinha do Brasil. Para tanto, fez-se necessário tecer considerações acerca do Direito do Mar no âmbito do Direito Internacional do Meio Ambiente e expor alguns conceitos relacionados ao mar territorial, à pesca, às Reservas Extrativistas (no tocante a sua criação e finalidades). Nesse estudo, também foi abordada, de uma forma genérica, a questão da preservação do meio ambiente, seja do trabalho como o da biodiversidade e outras questões igualmente relevantes à problemática acerca da pesca predatória.

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UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO CURSO DE DIREITO

AS CONSEQUNCIAS DO CRIME DE PESCA PREDATRIA EM UMA RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA

Virgnia Azevedo Carvalho

Silva Jardim 2005

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UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO CURSO DE DIREITO

AS CONSEQUNCIAS DO CRIME DE PESCA PREDATRIA EM UMA RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA

Virgnia Azevedo Carvalho

Monografia

apresentada

como

exigncia final do Curso de Direito da Universidade do Grande Rio.

Banca examinadora:

Orientadora: Prof. Sandra Bastos

Membro Interno: Csar Gomes de S

Membro Interno: Juarez da Silva Resende

Silva Jardim

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Dedico este trabalho monogrfico s minhas avs, aos meus pais, aos meus irmos, a todos os meus amigos e colegas do IBAMA RESEX MAR/AC, aos amigos faculdade e de Arraial do Cabo; A professora Sandra Bastos, pela ateno dispensada, e principalmente, por ter aceitado o encargo de orientar-me nesta pesquisa. A Deus, que nos agracia com o dom da vida, que nos permite gozar a existncia a cada novo dia, e que se faz presente dentro de ns a todo instante, nos guiando no caminho do conhecimento, da paz e da evoluo enquanto seres humanos.

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RESUMO Esta pesquisa monogrfica destina-se ao estudo do crime de pesca predatria em uma Reserva Extrativista Marinha e das conseqncias que esse ilcito pode causar nessa Unidade de Conservao de Uso Sustentvel e para o mundo jurdico. Foi utilizada como campo de estudo a Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo/RJ RESEX/MAR AC que foi a primeira Reserva Extrativista Marinha do Brasil. Para tanto, fez-se necessrio tecer consideraes acerca do Direito do Mar no mbito do Direito Internacional do Meio Ambiente e expor alguns conceitos relacionados ao mar territorial, pesca, s Reservas Extrativistas (no tocante a sua criao e finalidades). Nesse estudo, tambm foi abordada, de uma forma genrica, a questo da preservao do meio ambiente, seja do trabalho como o da biodiversidade e outras questes igualmente relevantes problemtica acerca da pesca predatria.

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SUMRIO

RESUMO

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I INTRODUO

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II DO MEIO AMBIENTE E DOS PRINCPIOS APLICADOS PESCA PREDATRIA 2.1 MEIO AMBIENTE 2.2 PRINCPIOS 2.2.1 Princpio da sadia qualidade de vida 2.2.2 Princpio do Desenvolvimento Sustentvel 2.2.3 Princpio da obrigao do Estado de intervir 2.2.4 Princpio da Preveno .2.5 Princpio da Precauo 9 9 10 10 11 11 11 12

2.3 DO DIREITO AO MEIO AMBIENTE COMO DIREITO DIFUSO E COMO DIREITO HUMANO 15

III DA PESCA E DA PESCA PREDATRIA 3.1 CONCEITOS GERAIS SOBRE PESCA 3.1.1 Pesca 3.2 DO ORDENAMENTO PESQUEIRO E SUAS MEDIDAS 3.2.1 Proteger parte selecionada de um estoque 3.2.2 Limitar o volume das capturas 3.2.3 Mtodos e petrechos de pesca permitidos 3.2.4 Mtodos e petrechos de pesca proibidos 3.2.5 pocas e locais de pesca proibidas

17 17 17 20 21 21 22 22 23

IV DAS RESERVAS EXTRATIVISTAS

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V DAS AOES E SANOES PENAIS DO CRIME DE PESCA PREDATRIA 5.1 A LEI N 9.605/98 E A LEI PENAL

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5.2 DA APLICAO DA PENA 5.2.1 Das penas cabveis s pessoas fsicas 5.2.1.1 Privativa de liberdade 5.2.1.2 Restritivas de direitos 5.2.2 Penas Aplicveis s Pessoas Jurdicas 5.2.2.1 Multas 5.2.2.2 Restritivas de direitos 5.2.2.3 Prestao de servios comunidade

29 30 30 31 32 32 33 34

5.2.3 As Pessoas Fsicas Autoras, Co-Autoras Ou Partcipes E A Responsabilidade Penal Das Pessoas Jurdicas 5.2.4 A Lei N 9.605/98 E O Inqurito Civil 5.2.5 Da Ao E Do Processo Penal 34 34 35

VI AS CONSEQUENCIAS DO CRIME DE PESCA PREDATRIA EM UMA RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA 37

6.1 DIMINUIO DA BIODIVERSIDADE NA RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA 37

6.2 DIMINUIO DA CULTURA E DO CONHECIMENTO DA POPULAO TRADICIONAL 38

6.3 DA DEGRADAO DO MEIO AMBIENTE DE TRABALHO DA POPULAO TRADICIONAL 6.4 DESOBEDINCIA AOS PRINCPIOS NORTEADORES DO 39 DIREITO 39

AMBIENTAL

VII CONSIDERAOES FINAIS

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VIII REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

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ANEXO I PLANO DE UTILIZAO

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ANEXO II DECRETO DE CRIAO DA RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA DO MUNICPIO DE ARRAIAL DO CABO/RJ 67

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I INTRODUO

Questiona-se nesse estudo, a busca das conseqncias advindas da pesca predatria em uma Reserva Extrativista Marinha. Sero estudadas, as definies de Reserva Extrativista e suas finalidades, a definio do crime de pesca predatria e suas penalidades e, das conseqncias causadas, nas reservas, pelo dito ilcito. Derivada da luta direta dos seringueiros da Amaznia pela preservao de seu modo de vida e pela preservao do meio ambiente, as Reservas Extrativistas, constituem uma modalidade de Unidade de Conservao de Uso Sustentvel, reconhecidas pelo Direito Brasileiro, mais especificamente na Lei n 9.985/2000. Vale salientar, tambm, que a tipificao de pesca predatria anloga da pesca proibida na legislao ambiental e que a codificao desse crime se deu com a Lei n 7.679/1988 e com a Lei n 9.605/1998. A grande discusso que o tema dessa monografia traz a lume a questo das conseqncias derivadas do crime de pesca predatria, podendo ser questionado o que vem a ser tal tipo ilcito e o que vem a ser Reserva Extrativista. Faz-se necessrio, num primeiro momento, expor algumas noes acerca do meio ambiente, de Reserva Extrativista e da pesca predatria. Portanto, para sua exata compreenso, importante relembrar alguns princpios gerais do Direito Ambiental e o conceito de Direito e Interesse Difuso. Antes ainda de entrarmos no estudo em questo h de se falar tambm sobre o Direito do Mar, tecendo algumas consideraes sobre os espaos martimos e ocenicos. Para tanto, de grande importncia analisarmos, desde j, a Conveno das Naes Unidas sobre o Direito do Mar, em Montego Bay, Jamaica, 10/12/1982, onde se consolidam as normas sobre a definio e consolidao de tais espaos e, se trata da conservao dos recursos vivos. Essa Conveno foi consagrada por questes relativas pesca (pesca industrial, em larga escala) e preveno da poluio do meio aqutico.

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Foi nessa referida Conveno que se teve a definio de zona econmica exclusiva e a regulamentao de tal espao, que o territrio martimo delimitado entre o mar territorial e o alto-mar. Este ltimo, no mais extenso do que 200 milhas martima, espao onde tem a mais alta prioridade a conservao dos recursos vivos marinhos. O Brasil fez parte dessa Conveno e a adotou aprovando-a pelo Decreto Legislativo n 5/97, promulgando-a pelo Decreto n 99.165 de 12/03/1990, e declarando-a em vigor pelo Decreto n 1.530 de 22/06/1995. Aps essa Conveno, foi adotado sob a gide da ONU, em complementao aos seus dispositivos, o Acordo para a implementao das provises da Conveno das Naes Unidas sobre o Direito do Mar de 10/12/1982, Relativas Conservao e Gerenciamento de Espcies de Peixe Altamente Migratrios e Tranzonais, em New York, 04/08/1995. Essa complementao relativa a espcies de peixes altamente migratrios e tranzonais, que vivem a cavaleiro entre o alto-mar e a zona econmica exclusiva. Cabe ressaltar tambm que h a atuao da FAO (Food and Agriculture Organization) que, adotada pela Conveno de Montego Bay, regula, em suas atribuies, a pesca internacional, dentro de sua competncia, sobre a manuteno dos cardumes existentes na natureza e dos criados em condies sob controle (aqicultura) e sobre a melhoria dos meios da alimentao do homem. Esses tratados ganharam status de norma Constitucional com a Emenda Constitucional n 45, acrescentando na Constituio Federal os 3 e 4 do art. 5.

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II DO MEIO AMBIENTE E DOS PRINCPIOS APLICADOS PESCA PREDATRIA

2.1 MEIO AMBIENTE

O Meio Ambiente tratado pelo Direito Nacional e Internacional, como vimos na introduo. Ele relaciona-se a tudo aquilo que nos circunda. O legislador infraconstitucional define o Meio Ambiente no art. 3, I, da Lei n 6.938/81 (Poltica Nacional do Meio Ambiente): Art. 3 Para os fins previstos nesta Lei entende-se por: I meio ambiente, o conjunto de condies, leis, influncias e interaes de ordem fsica, qumica e biolgica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas. Essa concluso advm do art.225 da Lei Maior, que usa a expresso sadia qualidade de vida. Com isso, Paulo Affonso Leme Machado concluiu que o constituinte optou por estabelecer dois objetos de tutela ambiental: um imediato que a qualidade do meio ambiente, e outro mediato, que a sade, o bem estar e a segurana da populao, que vem sintetizado na qualidade de vida. O meio ambiente pode ser classificado como: natural, artificial ou construdo, cultural e do trabalho. No presente estudo h de se ressaltar o meio ambiente natural que constitudo por solo, gua, ar atmosfrico, flora e fauna e o meio ambiente do trabalho que o local onde as pessoas desempenham suas atividades laborais, sejam remuneradas ou no, cujo equilbrio est baseado na salubridade do meio e na ausncia de

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agentes que comprometam a incolumidade fsico-psquica dos trabalhadores, independente da condio que ostentem. O meio ambiente est mediatamente tutelado pelo caput do art. 225 da CF e imediatamente tutelado pelo 1, I e V, desse mesmo artigo.

2.2 PRINCPIOS

2.2.1 Princpio da sadia qualidade de vida

Paulo Affonso Leme Machado (Direito Ambiental Brasileiro. 12 ed. rev. atual. e ampl. So Paulo: Malheiros Editores Ltda, 2004, p. 47 e 48), cita a sadia qualidade de vida como um princpio e cita no mbito do Direito do Direito Internacional, a Conferncia das Naes Unidas sobre o Meio Ambiente, na Declarao de Estocolmo/72 que salientou que o homem tem direito fundamental a ... adequadas condies de vida, em um meio ambiente de qualidade... A Conferncia das Naes Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, na Declarao Rio de Janeiro/92, afirmou que os seres humanos tem direito a um