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UNIP MARQUÊS. CULTURA: UM CONCEITO ANTROPOLÓGICO PROFA. VIRGÍNIA SALOMÃO. Capítulo 2. Cultura. 2.1 Natureza da cultura A cultura, para os antropólogos em geral constitui-se no "conceito básico e central de sua ciência", afirma Leslie A. White (ln Kahn, 1975: 129). - PowerPoint PPT Presentation

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  • UNIP MARQUS

    CULTURA: UM CONCEITOANTROPOLGICO

    PROFA. VIRGNIA SALOMO

  • Captulo 2. Cultura2.1 Natureza da culturaA cultura, para os antroplogos em geral constitui-se no "conceito bsico e central de sua cincia", afirma Leslie A. White (ln Kahn, 1975: 129). O termo cultura ( colere, cultivar ou instruir; cultus, cultivo, instruo) no se restringe ao campo da antropologia. Vrias reas do saber humano - agronomia, biologia, artes, literatura, histria etc. - valem-se dele, embora seja outra a conotao. Muitas vezes, a palavra cultura empregada para indicar o desenvolvimento do indivduo por meio da educao, da instruo. Nesse caso, uma pessoa "culta" seria aquela que adquiriu domnio no campo intelectual ou artstico. Seria "inculta" a que no obteve instruo.

  • Todas as sociedades - rurais ou urbanas, simples ou complexas - possuem cultura

    Os antroplogos no empregam os termos culto ou inculto de uso popular, e nem fazem juzo de valor sobre esta ou aquela cultura, pois no consideram uma superior outra. Elas apenas so diferentes em nvel de tecnologia ou integrao de seus elementos. Todas as sociedades - rurais ou urbanas, simples ou complexas - possuem cultura. No h indivduo humano desprovido de cultura exceto o recm-nascido e o homo ferus um, porque ainda no sofreu o processo de endoculturao, e o outro, porque foi privado do convvio humano. Para os antroplogos, a cultura tem significado amplo: engloba os modos comuns e aprendidos da vida, transmitidos pelos indivduos e grupos, em sociedade.

  • 2.1.1 Conceituao

    Desde o final do sculo passado os antroplogos vm elaborando inmeros conceitos sobre cultura. Apesar da cifra ter ultrapassado 160 definies, ainda no chegaram a um consenso sobre o significado exato do termo. Para alguns, cultura comportamento aprendido; para outros, no comportamento, mas abstrao do comportamento; e para um terceiro grupo, a cultura consiste em idias. H os que consideram como cultura apenas os objetos imateriais, enquanto que outros, ao contrrio, aquilo que se refere ao material. Tambm encontram-se estudiosos que entendem por cultura tanto as coisas materiais quanto as no-materiais.

    Alguns conceitos, para melhor esclarecimento, sero apresentados aqui, obedecendo a uma ordem cronolgica e com as diferentes abordagens.

    Edward B. Tylor (1871) foi o primeiro a formular um conceito de cultura, em sua obra Cultura primitiva. Ele props: "Cultura ... aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenas, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hbitos e aptides adquiridos pelo homem como membro da sociedade" (ln Kahn, 1975:29). O conceito de Tylor, que engloba todas as coisas e acontecimentos relativos ao homem, predominou no campo da antropologia durante vrias dcadas.

  • A parte do ambiente feita pelo homem

    Para Ralph Linton (1936), a cultura de qualquer sociedade "consiste na soma total de idias, reaes emocionais condicionadas a padres de comportamento habitual que seus membros adquiriram por meio da instruo ou imitao e de que todos, em maior ou menor grau, participam" (1965:316). Este autor atribui dois sentidos ao termo cultura: um, geral, significando "a herana social total da humanidade"; outro, especfico, referindo-se a "uma determinada variante da herana social" (96).

    Franz Boas (1938) define cultura como "a totalidade das reaes e atividades mentais e fsicas que caracterizam o comportamento dos indivduos que compem um grupo social..." (1964:166).

    Malinowski (1944), em Uma teoria cientfica da cultura, conceitua cultura como "o todo global consistente de implementos e bens de consumo, de cartas constitucionais para os vrios agrupamentos sociais, de idias e ofcios humanos, de crenas e costumes" (1962:43).

    O mais breve dos conceitos foi formulado por Herkovits (1948), embora este no seja o nico: "a parte do ambiente feita pelo homem" (1963:31).

  • A CULTURA COMPORTAMENTO CULTIVADO

    Kroeber e Kluckhohn (1952), em Culture: a criticaI review of concepts and definitions, referem-se cultura como "uma abstrao do comportamento concreto, mas em si prpria no comportamento" (1952: 19).

    Beals e Hoijer (1953) tambm so partidrios da cultura como abstrao. Afirmam eles: "a cultura uma abstrao do comportamento e no deve ser confundida com os atos do comportamento ou com os artefatos materiais, tais como ferramentas, recipientes, obras de arte e demais instrumentos que o homem fabrica e utiliza" (1969:265 ss). Para Felix M. Keesing (1958), a cultura "comportamento cultivado, ou seja, a totalidade da experincia adquirida e acumulada pelo homem e transmitida socialmente, ou ainda, o comportamento adquirido por aprendizado social" (1961:49).

  • Diferena entre comportamento e cultura

    Leslie A. White (1959), em O conceito de cultura (In Kabn, 1975: 129 ss), faz diferena entre comportamento e cultura. Para ele, :

    Comportamento quando coisas e acontecimentos dependentes de simbolizao so considerados e interpretados face sua relao com organismos humanos, isto , em um contexto somtico" - relativo ao organismo humano;

    Cultura - "quando coisas e acontecimentos dependentes de simbolizao so considerados e interpretados num contexto extra-somtico, isto , face relao que tm entre si, ao invs de com os organismos humanos" - independente do organismo humano.

  • comportamento pertence ao campo da Psicologia e cultura ao campo da Antropologia.Dessa forma, comportamento pertence ao campo da Psicologia e cultura ao campo da Antropologia.

    Para White, esse conceito "livra a Antropologia cultural das abstraes intangveis, imperceptveis e ontologicamente irreais e proporciona-lhe uma disciplina verdadeira, slida e observvel".

    G. M. Foster (1962) descreve a cultura como "a forma comum e aprendida da vida, compartilhada pelos membros de uma sociedade, constante da totalidade dos instrumentos, tcnicas, instituies, atitudes, crenas, motivaes e sistemas de valores conhecidos pelo grupo" (1974:21).

    Mais recentemente, Clifford Geertz (1973) prope: "a cultura deve ser vista como um conjunto de mecanismos de controle - planos, receitas, regras, instituies - para governar o comportamento". Para ele, "mecanismos de controle" consistem naquilo que G. H. Mead e outros chamaram de smbolos significantes, ou seja, "palavras, gestos, desenhos, sons musicais, objetos ou qualquer coisa que seja usada para impor um significado experincia" (1978:37). Esses smbolos, correntes na sociedade e transmitidos aos indivduos - que fazem uso de alguns deles, enquanto vivem -, "permanecem em circulao" mesmo aps a morte dessas pessoas.

  • o conceito de cultura varia no tempo, no espao e em sua essnciaPelo visto, o conceito de cultura varia no tempo, no espao e em sua essncia. Tylor, Linton, Boas e Malinowski consideram a cultura como idias. Para Kroeber e Kluckhohn, Beals e Hoijer ela consiste em abstraes do comportamento. Keesing e Foster a definem como comportamento aprendido. Leslie A. White apresenta outra abordagem: a cultura deve ser vista no como comportamento, mas em si mesma, ou seja, fora do organismo humano.

    Ele, Foster e outros englobam no conceito de cultura os elementos materiais e no materiais da cultura. A colocao de Geertz difere das anteriores, na medida em que prope a cultura como um "mecanismo de controle" do comportamento.

  • A cultura, portanto, pode ser analisada, ao mesmo tempo, sob vrios enfoqueA cruz, por exemplo, pode ser vista sob essas diferentes concepes:

    idia - quando se formula a sua imagem na mente; abstrao do comportamento - quando ela representa, na mente, um smbolo dos cristos; comportamento aprendido - quando os catlicos fazem o sinal da cruz; coisa extra-somtica - quando vista por si mesma, independente da ao, tanto material quanto imaterial; mecanismo de controle - quando a Igreja a utiliza para afastar o demnio ou para obter a reverncia dos fiis. A cultura, portanto, pode ser analisada, ao mesmo tempo, sob vrios enfoques: idias (conhecimento e filosofia); crenas (religio e superstio); valores (ideologia e moral); normas (costumes e leis); atitudes (preconceito e respeito ao prximo); padres de conduta (monogamia, tabu); abstrao do comportamento (smbolos e compromissos); instituies (famlia e sistemas econmicos); tcnicas (artes e habilidades); e artefatos (machado de pedra, telefone). Os artefatos decorrem da tcnica, mas a sua utilizao condicionada pela abstrao do comportamento. As instituies ordenam os padres de conduta, que decorrem de atitudes condicionadas em normas e baseadas em valores determinados tanto pelas crenas quanto pelas idias.

  • 2.1.2 Localizao da cultura

    As coisas e acontecimentos que constituem a cultura, segundo Leslie A. White, encontram-se no espao e no tempo, e so classificadas em: intra-orgnica - dentro de organismos humanos (conceitos, crenas, emoes, atitudes); interorgnica - dentro dos processos de interao social entre os seres humanos; extra-orgnica - dentro de objetos materiais (machados, fbricas, ferrovias, vasos de cermica) situados fora de organismos humanos, mas dentro dos padres de interao social entre eles". Para esse autor, um item qualquer - conceito, crena, ato, objeto - deve ser considerado um elemento da cultura, desde que: haja simbolizao (representao por meio de smbolos); seja analisado em um contexto extra-somtico.

  • 2.1.3 Essncia da Cultura

    A cultura, para os antroplogos, de forma geral, consiste, como j foi mencionado, em idias, abstraes e comportamento. IDIAS. Idias so concepes mentais de coisas concretas ou abstratas, ou seja, toda variedade de conhecimentos e crenas teolgicas, filosficas, cientficas, tecnolgicas, histricas etc. Exemplo - Lnguas, arte, mitologia etc.

    Para alguns estudiosos, a cultura consiste em idias, sendo, portanto, um fenmeno mental que exclui os objetos mater