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N 25o

04 / 2013

N25

RadarTecnologia, Produo e Comrcio Exterior

Diretoria de Estudos e Polticas Setoriais de Inovao, Regulao e Infraestrutura04 / 2013

Governo FederalSecretaria de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica Ministro interino Marcelo Crtes Neri

RADARTecnologia, produo e comrcio exteriorEditora responsvel Flvia de Holanda Schmidt

Fundao pblica vinculada Secretaria de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica, o Ipea fornece suporte tcnico e institucional s aes governamentais possibilitando a formulao de inmeras polticas pblicas e programas de desenvolvimento brasileiro e disponibiliza, para a sociedade, pesquisas e estudos realizados por seus tcnicos.Presidente Marcelo Crtes Neri Diretor de Desenvolvimento Institucional Luiz Cezar Loureiro de Azeredo Diretor de Estudos e Relaes Econmicas e Polticas Internacionais Renato Coelho Baumann das Neves Diretor de Estudos e Polticas do Estado, das Instituies e da Democracia Daniel Ricardo de Castro Cerqueira Diretor de Estudos e Polticas Macroeconmicas Cludio Hamilton Matos dos Santos Diretor de Estudos e Polticas Regionais, Urbanas e Ambientais Rogrio Boueri Miranda Diretora de Estudos e Polticas Setoriais de Inovao, Regulao e Infraestrutura Fernanda De Negri Diretor de Estudos e Polticas Sociais Rafael Guerreiro Osorio Chefe de Gabinete Sergei Suarez Dillon Soares Assessor-chefe de Imprensa e Comunicao Joo Cludio Garcia Rodrigues LimaOuvidoria: http://www.ipea.gov.br/ouvidoria URL: http://www.ipea.gov.br

Radar : tecnologia, produo e comrcio exterior / Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada. Diretoria de Estudos e Polticas Setoriais, de Inovao, Regulao e Infraestrutura. - n. 1 (abr. 2009) . - Braslia : Ipea, 2009Bimestral ISSN: 2177-1855 1. Tecnologia. 2. Produo. 3. Comrcio Exterior. 4. Peridicos. I. Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada. Diretoria de Estudos e Polticas Setoriais, de Inovao, Regulao e Infraestrutura. CDD 338.005

Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada ipea 2013

As opinies emitidas nesta publicao so de exclusiva e inteira responsabilidade dos autores, no exprimindo, necessariamente, o ponto de vista do Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada ou da Secretaria de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica. permitida a reproduo deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte. Reprodues para fins comerciais so proibidas.

SUMRIO

APRESENTAO5

Da baleia ao ornitorrinco: contribuies para a compreenso do universo das micro e pequenas empresas brasileiras

7

Mauro Oddo Nogueira Joo Maria de OliveiraEmpreendedorismo e Incluso Produtiva: Uma Anlise de Perfil do Microempreendedor Individual Beneficirio do Programa Bolsa Famlia

19

Rafael de Farias Costa MoreiraEmpreendedor individual: ampliao da base formal ou substituio do emprego?

33

Joo Maria de OliveiraDAVI X GOLIAS: UMA ANLISE DO PERFIL INOVADOR DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE

45

Graziela Ferrero Zucoloto Mauro Oddo NogueiraEXPORTAES DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS BRASILEIRAS: DESAFIOS E OPORTUNIDADES

55

Marco Aurlio Bed Rafael de Farias Costa Moreira Flvia de Holanda SchmidtOrganizao, Expanso e Internacionalizao de Micro e Pequenas Empresas

67

Marcio Vargas da Cruz

APRESENTAOUma das evidncias mais contundentes da importncia de uma temtica para a elaborao das polticas pblicas de um pas o status institucional conferido a ela. Em maro de 2013, o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei Complementar (LC) no 112/2012, que criou a Secretaria da Micro e Pequena Empresa e conferiu-lhe status de ministrio. Neste sentido, e buscando mais uma vez colocar em debate questes relevantes para o desenvolvimento econmico e social do Brasil, a 25a edio do boletim Radar: tecnologia, produo e comrcio exterior rene artigos sobre micro e pequenas empresas (MPEs), alm de trabalhos voltados ao microempreendedorismo individual. No primeiro artigo, Mauro Oddo Nogueira e Joo Maria de Oliveira retomam algumas questes centrais discusso sobre o real potencial indutor das MPEs na economia e na sociedade, assim como efetividade das polticas pblicas desenvolvidas para estas empresas. O foco dos autores recai especialmente sobre a heterogeneidade, que se esconde em um critrio que se presume uniforme para segmentar empresas, e sobre a adequao dos desenhos de polticas pblicas voltadas para este grupo de firmas. So abordados, ainda, temas intimamente relacionados ao universo das MPEs, como a informalidade e o empreendedorismo. O artigo subsequente de autoria de Rafael de Farias Costa Moreira e traa um perfil dos microempreendedores individuais (MEIs) do pas que so beneficirios do Programa Bolsa Famlia. So apresentados dados inditos gerados a partir da associao de trs bases de dados: a base de cadastro dos MEIs; o Cadastro nico, que inclui os beneficirios do Programa Bolsa Famlia; e os resultados da Pesquisa de Perfil do Empreendedor Individual, do Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O trabalho destaca o potencial do empreendedorismo formal como ferramenta de incluso produtiva e levanta questes para o prosseguimento de estudos sobre o programa. Esta edio segue tratando do microempreendedorismo em seu terceiro artigo. Joo Maria de Oliveira investiga os possveis efeitos da poltica usando dados da Relao Anual de Informaes Sociais do Ministrio do Trabalho Emprego (Rais/MTE) para analisar a trajetria profissional pregressa no mercado de trabalho formal dos trabalhadores que se tornaram MEIs. O trabalho levanta indcios de que, se, por um lado, a poltica pblica foi uma oportunidade de reinsero de desempregados no mercado formal, por outro, ela pode estar agindo como forma de precarizao das relaes de trabalho. No quarto trabalho, Graziela Ferrero Zucoloto e Mauro Oddo Nogueira usam recortes da Pesquisa de Inovao Tecnolgica (PINTEC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), para analisar o perfil inovador das empresas industriais brasileiras segundo seu porte. O estudo constata que, apesar de as mdias e grandes empresas (MGEs) apresentarem taxas de inovao superiores s das MPEs, os esforos inovativos destas so, proporcionalmente, mais elevados, especialmente na aquisio de mquinas e equipamentos. Adicionalmente, os autores enfatizam a importncia da influncia setorial nas atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), uma vez que as evidncias preliminares da PINTEC apontam que, nos setores de maior intensidade tecnolgica, os dispndios proporcionais das micro e pequenas empresas superaram os das empresas de maior porte. O desempenho exportador agregado das MPEs no perodo recente o tema do artigo seguinte, de autoria de Marco Aurlio Bed, Rafael de Farias Costa Moreira e Flvia Schmidt. O artigo discute os principais desafios e oportunidades afetos internacionalizao de MPE e avalia a insero externa destas empresas via exportao. As anlises descritivas efetuadas pelos autores indicam que, nos ltimos catorze anos, tanto as MPEs quanto as MGEs apresentaram uma evoluo positiva de suas exportaes. No entanto, comparativamente, as MGEs apresentaram uma expanso bem mais vigorosa, puxando o ritmo do conjunto das exportaes brasileiras. Se a expanso geogrfica por meio da internacionalizao uma das formas de crescimento da firma, as mudanas organizacionais decorrentes deste processo so especialmente relevantes para as empresas de menor porte, que, a priori, passaro por transies organizacionais ao longo do tempo. Assim, no ltimo artigo desta edio, Mrcio Vagas da Cruz discute as alteraes na dinmica organizacional decorrentes do incio da atividade exportadora pelas MPEs brasileiras. O autor ressalta a importncia que o entendimento dos impactos sobre a natureza da organizao das empresas tem para a potencial efetividade de polticas verticais ou horizontais voltadas a este grupo de empresas.

6

Radar

Os trabalhos aqui reunidos tratam de vrios pontos de importncia central para as MPEs no Brasil, assim como para o MEI, e levantam questes que seguiro sendo abordadas e aprofundadas na agenda de pesquisas da Diretoria de Estudos e Polticas Setoriais de Inovao, Regulao e Infraestrutura (Diset) do Ipea. E o boletim Radar: tecnologia, produo e comrcio exterior segue em 2013 com o mesmo objetivo que suscitou seu lanamento, em 2009: contribuir para o aperfeioamento das polticas pblicas do pas.

Da Baleia ao Ornitorrinco: contribuies para a compreenso do universo dasmicro e pequenas empresas brasileirasMauro Oddo Nogueira * Joo Maria de Oliveira *

1 INTRODUOA importncia socioeconmica das empresas de pequeno porte as micro e pequenas empresas (MPEs) tem sido amplamente debatida. Apesar de o debate ter influenciado a criao de legislao de apoio diferenciado s MPEs, ele no tem produzido diagnsticos mais objetivos que avaliem a efetividade das polticas pblicas para este grupo de empresas. Principalmente a partir da Lei Complementar no 123 de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Brasil, 2006), diversas aes de poltica pblica foram criadas e implementadas. No entanto, estudos sobre a sua efetividade, que demonstrem muito mais que a dimenso do universo das MPEs, so escassos e, muitas vezes, carecem de robustez. Como ser evidenciado ao longo deste texto, h uma considervel dificuldade para que o tema seja abordado a partir de estudos quantitativos mais consistentes. A despeito da carncia de estudos quantitativos, tornou-se lugar comum o discurso que atribui s MPEs a importncia de servirem como um dos principais pilares do desenvolvimento econmico. Nos debates sobre polticas pblicas em pases em desenvolvimento como o Brasil e subdesenvolvidos, estas empresas adquirem destaque ainda maior, uma vez que so consideradas promotoras fundamentais de equidade social, dada sua capacidade de gerao de emprego e renda,

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