13 - Bolsa Familia Avaliacao

Download 13 - Bolsa Familia Avaliacao

Post on 28-Sep-2015

19 views

Category:

Documents

12 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

bolsa

TRANSCRIPT

<ul><li><p>TEXTO PARA DISCUSSO No 1424 </p><p>O PROGRAMA BOLSA FAMLIA: DESENHO INSTITUCIONAL, IMPACTOS E POSSIBILIDADES FUTURAS</p><p>Sergei SoaresNatlia Styro</p></li><li><p>TEXTO PARA DISCUSSO No 1424 </p><p>O PROGRAMA BOLSA FAMLIA: DESENHO INSTITUCIONAL, IMPACTOS E POSSIBILIDADES FUTURAS*</p><p>Sergei Soares**Natlia Styro***</p><p>Braslia, outubro de 2009 </p><p>* Os autores agradecem a Letcia Bartholo, Fernando Gaiger Silveira, Fernanda Pereira de Paula, Camile Sahb Mesquita, Cleyton Domigues de Moura e Tatiana Feitosa de Britto por informaes sem as quais o texto teria sido impossvel. Agradecem tambm a Fabio Veras Soares, Herton Ellery Arajo, e novamente a Camile Sahb Mesquita e Letcia Bartholo, por comentrios cujo valor nopode ser calculado. claro que erros, omisses e opinies controversas so responsabilidade exclusiva dos autores.** Tcnico de Planejamento e Pesquisa da Diretoria de Estudos e Polticas Sociais (Disoc) do Ipea. *** Professora da Universidade Federal de Minas Gerais UFMG.</p></li><li><p>Governo Federal </p><p>Secretaria de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica Ministro Daniel Barcelos Vargas (interino) </p><p>Fundao pblica vinculada Secretaria </p><p>de Assuntos Estratgicos da Presidncia da </p><p>Repblica, o Ipea fornece suporte tcnico e </p><p>institucional s aes governamentais </p><p>possibilitando a formulao de inmeras </p><p>polticas pblicas e programas de </p><p>desenvolvimento brasileiro e disponibiliza, </p><p>para a sociedade, pesquisas e estudos </p><p>realizados por seus tcnicos. </p><p>Presidente Marcio Pochmann </p><p>Diretor de Desenvolvimento Institucional Fernando Ferreira </p><p>Diretor de Estudos, Cooperao Tcnica e Polticas Internacionais Mrio Lisboa Theodoro </p><p>Diretor de Estudos e Polticas do Estado, das Instituies e da Democracia (em implantao) Jos Celso Pereira Cardoso Jnior </p><p>Diretor de Estudos e Polticas Macroeconmicas Joo Sics </p><p>Diretora de Estudos e Polticas Regionais, Urbanas e Ambientais Liana Maria da Frota Carleial </p><p>Diretor de Estudos e Polticas Setoriais, Inovao, Produo e Infraestrutura Mrcio Wohlers de Almeida </p><p>Diretor de Estudos e Polticas SociaisJorge Abraho de Castro </p><p>Chefe de Gabinete Persio Marco Antonio Davison </p><p>Assessor-chefe de ComunicaoDaniel Castro </p><p>URL: http://www.ipea.gov.br Ouvidoria: http://www.ipea.gov.br/ouvidoria </p><p>ISSN 1415-4765 </p><p>JEL I38</p><p>TEXTO PARA DISCUSSO </p><p>Publicao cujo objetivo divulgar resultados de </p><p>estudos direta ou indiretamente desenvolvidos pelo </p><p>Ipea, os quais, por sua relevncia, levam </p><p>informaes para profissionais especializados e </p><p>estabelecem um espao para sugestes. </p><p>As opinies emitidas nesta publicao so de </p><p>exclusiva e de inteira responsabilidade do(s) </p><p>autor(es), no exprimindo, necessariamente, o </p><p>ponto de vista do Instituto de Pesquisa Econmica </p><p>Aplicada ou da Secretaria de Assuntos Estratgicos </p><p>da Presidncia da Repblica. </p><p> permitida a reproduo deste texto e dos dados </p><p>nele contidos, desde que citada a fonte. </p><p>Reprodues para fins comerciais so proibidas. </p></li><li><p>SUMRIO</p><p>SINOPSE </p><p>ABSTRACT</p><p>1 BREVE HISTRIA DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA 7 </p><p>2 O PROGRAMA BOLSA FAMLIA E SUA EVOLUO 10 </p><p>3 IMPACTOS 25 </p><p>4 O FUTURO 31 </p><p>REFERNCIAS 36 </p></li><li><p>SINOPSE Este texto trata do Programa Bolsa Famlia (PBF), seu desenho institucional, sua implementao, seus impactos e possibilidades de evoluo futura. No que tange ao seu desenho institucional, resume os arranjos de execuo, os benefcios, as contrapartidas e a relao com os municpios. Quanto implementao do PBF, o texto trata do Cadastro nico, da cobertura e focalizao, e da discusso sobre portas de sada. Faz ainda um resumo dos impactos sobre desigualdade, pobreza, nutrio, trabalho e cidadania. Conclui que o Bolsa Famlia, neste momento, no nem totalmente um programa de gerao de oportunidades nem plenamente um programa de proteo social. Assim, no futuro, ser necessrio que o PBF se defina como um ou outro tipo de programa, pois corre o risco de frustrar ambos os objetivos se tal deciso no for tomada.</p><p>ABSTRACT </p><p>This text discusses the Bolsa Famlia Program, its institutional design, implementation issues, its impacts and possibilities for future evolution. We discuss the institutional division of responsibilities, benefits, conditionalities and federative arrangements. With regards to implementation issues, we discuss the vitally important Single Registry of Beneficiaries, targeting, coverage and the discussion about exit strategies for beneficiary families. We also briefly review the literature on Bolsa Famlias impacts upon inequality, poverty, nutrition, labor supply, and political participation. We conclude that at present Bolsa Famlia is neither entirely a social protection program nor a program for the generation of opportunities. In the near future, a definition will be necessary because the two objectives are incompatible in a single program. </p></li><li><p>ipea texto para discusso | 1424 | out. 2009 7</p><p>1 BREVE HISTRIA DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA </p><p>Embora o Programa Bolsa Famlia tenha sido criado apenas em 2003, sua criao consequncia de uma trajetria particular em polticas de proteo social seguida pelo Brasil nos ltimos 40 anos, em especial aps a Constituio de 1988. Esta trajetria tem elementos em comum com outros pases latino-americanos, mas tambm conta com aspectos peculiares ao nosso pas. O objetivo desta seo traar um resumo da histria da proteo social no Brasil, com um olhar voltado para a criao do Programa Bolsa Famlia. Isto porque resumir em poucas pginas a histria recente da proteo social no Brasil em geral tarefa demasiado complexa. Portanto, o texto ter como foco as particularidades que levaram criao do programa. </p><p>1.1 PRELIMINARES </p><p>Tal como a maior parte dos pases latino-americanos, o Brasil consolidou inicialmente um sistema de proteo social contributivo e excludente. Adaptando modelos de sociedades que no compartilhavam a nossa histria, o Estado Novo nos legou um arranjo que, apesar de representar o primeiro esforo de criao de um sistema de proteo social, tambm reproduzia as desigualdades da nossa sociedade. Era um sistema urbano, contributivo, formal e predominantemente branco. Grande parte dos nossos vizinhos latino-americanos seguiu caminho semelhante, copiando modelos europeus para sociedades que apenas h pouco haviam abolido a escravido negra ou a servido indgena, e que eram caracterizadas pela excluso da imensa maioria de seus habitantes. </p><p>Para as populaes no contempladas, majoritariamente negras ou indgenas, acenava-se com a incluso futura mediante incorporao progressiva ao mercado de trabalho formal. Por um perodo no ps-guerra foi possvel sustentar este projeto, mas, como saldo, nas ltimas dcadas do sculo passado apenas na Argentina e no Uruguai chegou-se prximo da incorporao de grande parte da fora de trabalho ao mercado formal e seu consequente acesso proteo social. Mesmo nestes pases, o assalariamento total no atingiu o campo ou os grupos demogrficos excludos do paradigma contributivo, como as mes solteiras. </p><p>No Brasil, o primeiro passo em direo a um paradigma inclusivo veio com a criao da previdncia rural, em 1971, e a consequente quebra da relao entre contribuio e benefcio. Alm da importncia do benefcio em si para milhes de trabalhadores, o reconhecimento do trabalho em atividades no campo, quase que totalmente informais, propiciou um desacoplamento entre contribuio e benefcio, abrindo espao para a introduo da dimenso das necessidades no sistema de proteo social. Ademais, inaugurou um novo paradigma no processo de construo da proteo social brasileira a solidariedade. </p><p>Entretanto, foi a partir da Constituio de 1988 que se consolidaram novos e importantes aspectos para a construo de um novo sistema brasileiro de proteo social. A Carta Magna de 1988 equiparou o status da assistncia social ao das outras polticas sociais que formam a espinha dorsal das polticas sociais: educao, sade e previdncia. Na medida em que a Constituio reconheceu o direito aposentadoria no integralmente contributiva dos trabalhadores rurais em regime de economia </p><p>Camila Penna</p><p>Camila Penna</p><p>Camila Penna</p><p>Camila Penna</p></li><li><p>8 texto para discusso | 1424 | out. 2009 ipea</p><p>familiar garantindo transferncia de solidariedade , ela tambm, por definio, comeou a criar um sistema de polticas sociais redistributivas, ainda que pleno de lacunas. Adicionou-se a isto a garantia do direito de acesso a servios por parte de populaes necessitadas. Por fim, a Carta criou o direito a uma renda de solidariedade para idosos e portadores de deficincia em situao de extrema pobreza: o Benefcio de Prestao Continuada (BPC).</p><p>A criao do BPC trouxe o reconhecimento explcito da existncia da pobreza enquanto um risco social, pelo menos se combinado com outros riscos. O BPC outorga um salrio mnimo a pessoas impedidas de trabalhar por idade ou por deficincia fsica ou mental , com renda familiar per capita inferior a um quarto de um salrio mnimo. Ou seja, o risco social de pobreza passou a existir legalmente ao menos quando vinculado a outros riscos sociais que tornassem o individuo inapto para o trabalho. Esta viso foi reforada pela Lei Orgnica da Assistncia Social (LOAS) em 1993. </p><p>O passo seguinte ocorreu nos anos 1990, com a aprovao pelo Senado, em dezembro de 1991, do Projeto de Lei no 2561, de autoria do senador Eduardo Suplicy, propondo a instituio de um Programa de Garantia de Renda Mnima (PGRM), sob a forma de imposto de renda negativo. Segundo este projeto, todos os brasileiros com 25 anos ou mais e rendimentos de todas as fontes inferiores a Cr$ 45.000,00 (R$ 158,45 a preos de janeiro de 2007) teriam direito a uma renda mnima vital igual a 30 por cento da diferena entre seus rendimentos e o limite de Cr$ 45.000,00. Note-se que este projeto refere-se a renda individual e no renda familiar per capita. A lei original nunca foi votada pela Cmara, e em 2004 um substitutivo bem mais vago, a Lei no 10.835, foi sancionado pelo Presidente Luiz Incio Lula da Silva. Contudo, estava completo o arcabouo conceitual para a criao de um elemento novo o qual tivesse por fundamento principal a condio de pobreza dos indivduos no sistema de proteo social. Instalava-se no Congresso Nacional, pela primeira vez, a pretenso de criar um sistema de proteo baseado na solidariedade nacional. A partir deste momento, o debate poltico j no mais podia ignorar tal possibilidade. </p><p>1.2 OS PROGRAMAS DE TRANSFERNCIA DE RENDA CONDICIONADA </p><p>Apesar de o arcabouo conceitual desenvolvido no incio dos anos 1990 apontar para programas de garantia de renda mnima, na verdade implementaram-se no Brasil programas de transferncia de renda condicionada. A principal diferena que, enquanto o nico critrio para os programas de garantia de renda mnima a renda, os programas de transferncia de renda condicionada tambm exigem contrapartida dos beneficirios, em geral que se engajem em aes em benefcio prprio e de suas famlias. H na literatura quem considere esta uma diferena fundamental e h quem a considere um pequeno detalhe operacional. Em qualquer caso, toda a histria posterior ao projeto do senador Suplicy foi centrada nos programas de transferncia de renda condicionados. </p><p>Tudo comeou em 1995. Naquele ano, trs experincias locais de renda mnima apareceram simultaneamente no Brasil. Foram estas o Programa de Garantia de Renda Familiar Mnima, em Campinas, que teve inicio em maro de 1995; a Bolsa </p><p>Camila Penna</p><p>Camila Penna</p><p>Camila Penna</p><p>Camila Penna</p><p>Camila Pennarenda condicionada e renda mnima</p><p>Camila Penna</p></li><li><p>ipea texto para discusso | 1424 | out. 2009 9</p><p>Familiar para Educao, no Distrito Federal, com inicio em maio de 1995; e o Programa de Garantia de Renda Familiar Mnima, de Ribeiro Preto, iniciado em dezembro de 1995 (SOUZA e FONSECA, 1997; SILVA, GIOVANNI e YASBECK, 2004). Estes trs programas limitavam-se a famlias com crianas menores que 14 anos e eram programas de transferncia de renda condicionados, que exigiam contrapartidas dos seus beneficirios. Em Braslia, a linha de elegibilidade era R$ 60,00 (R$ 160,19 a preos de janeiro de 2007) e o benefcio era de um salrio mnimo por famlia. Em Campinas, a linha era de R$ 35,00 (R$ 93,44 a preos de janeiro de 2007) e o benefcio mdio era R$ 117,00 (R$ 312,36 a preos de janeiro de 2007). Os trs exigiam das famlias contrapartidas educacionais.</p><p>No ano seguinte, 1996, foi criado o primeiro programa de transferncia de renda condicionada federal, o Programa de Erradicao do Trabalho Infantil (PETI). Este era altamente focalizado nas crianas de sete a 15 anos que trabalhavam, ou estavam sob risco de trabalhar, em atividades perigosas, insalubres ou degradantes no cultivo de cana-de-acar ou em carvoarias, por exemplo. O benefcio era uma bolsa de R$ 25,00 para crianas em reas rurais. Posteriormente foi expandido para reas urbanas, com um benefcio de R$ 40,00 por criana. Estes valores, se corrigidos pela inflao de 1996 a 2009, seriam R$ 58,18 e R$ 93,08, respectivamente. No entanto, como nunca foram corrigidos, continuam valendo R$ 25,00 e R$ 40,00. As contrapartidas do PETI eram que as crianas menores de 16 anos no trabalhassem e tivessem frequncia escolar de no mnimo 75% no ano. O rgo responsvel pelo PETI era a Secretaria de Estado da Assistncia Social (Seas). </p><p>Nos anos que se seguiram, o pas assistiu a uma exploso de programas, inspirados principalmente no programa do Distrito Federal. Nos anos de 1997 e 1998, Belm, Belo Horizonte, Boa Vista, Catanduva, Ferraz de Vasconcellos, Franca, Guaratinguet, Guariba, Goinia, Jaboticabal, Jundia, Mundo Novo, Limeira, Osasco, Ourinhos, Paracatu, Piracicaba, Presidente Prudente, Santo Andr, So Francisco do Conde, So Jos do Conde, So Jos dos Campos, So Luiz, Tocantins e Vitria (LAVINAS, 1998) criaram algum tipo de programa de transferncia de renda condicionada. </p><p>O segundo programa de transferncia de renda condicionada federal no Brasil foi o Programa Bolsa Escola Federal, criado em 20011 e tambm claramente inspirado no programa de Braslia. A contrapartida consistia na frequncia mnima de 85% escola, no ano, para crianas de seis a 15 anos. O benefcio era concedido a famlias cuja renda per capita se situava abaixo de R$ 90,00, e o valor da bolsa era de R$ 15,00 por criana, com um teto de R$ 45,00 por famlia. O Ministrio da Educao respondia pelo programa. </p><p>No mesmo ano, mas um pouco depois do Bolsa Escola, foi criado o Bolsa Alimentao, com as seguintes contrapartidas: aleitamento materno, exames pr-natais para gestantes e vacinao das crianas. O valor da bolsa era de R$ 15,00 por criana entre zero e seis anos, com teto de R$ 45,00 por famlia, e o programa estava a cargo do Ministrio da Sade. Em 2003 foi criado um quarto programa, o Carto Alimentao. Tratava-se de uma transferncia de R$ 50,00 para famlias cuja renda </p><p>1. Houve, por curto perodo de tempo, uma tentativa do Governo Federal de complementar os programas municipais e estaduais (Lei no 9533, de 1997), mas isto nunca foi significativo. </p><p>Camila Penna</p><p>Camila Penna</p><p>Camila Penna</p><p>Camila Penna</p><p>Camila Penna</p><p>Camila Penna</p></li><li><p>10 texto para discusso | 1424 | out. 2009 ipea</p><p>per capita no alcanasse meio salrio mnimo, e os recursos deveriam ser usados exclusivamente na compra de alimentos. </p><p>A situao dos programas de transferncia de renda condicionada...</p></li></ul>

Recommended

View more >