A Import an CIA Do Bolsa Familia Nos Municipios Brasileiros No 01

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A IMPORTNCIA DO BOLSA FAMLIA NOS MUNICPIOS BRASILEIROS

Braslia, 2005

Cadernos de EstudosNMERO 1

D E S E N V O LV I M E N T O S O C I A L E M D E B AT EISSN 977180807504-0

A IMPORTNCIA DO BOLSA FAMLIA NOS MUNICPIOS BRASILEIROSRosa Maria Marques

Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome

Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate FomeEsta uma publicao tcnica da Secretaria de Avaliao e Gesto da Informao. O texto publicado neste caderno um resumo do relatrio da pesquisa sobre o programa Bolsa Famlia realizada em novembro de 2004 por Rosa Maria Marques, Coordenadora do Ncleo de Pesquisa em Polticas para o Desenvolvimento Humano do Programa de Estudos Ps-graduados em Economia Poltica da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo (PUC-SP). Participaram do estudo quilas Mendes (Faap e Cepam) e Marcel Guedes Leite (PUCSP), como pesquisadores seniores, e Ana Hutz (Unicamp), como pesquisadora jnior.

Cadernos de Estudos Desenvolvimento Social em Debate. n.1 (2005) Braslia: Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome, Secretaria de Avaliao e Gesto da Informao, 2005.

ISSN 977180807504-0

1. Desenvolvimento Social Brasil 2. Incluso Social - Brasil I. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Secretaria de Avaliao e Gesto da Informao. CDD 330.981

Tiragem: 1.000 exemplaresEdio Estao das Mdias Projeto grfico e diagramao Raquel Matsushita Reviso Julia Maykot

Julho de 2005

Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate FomeSECRETARIA DE AVALIAO E GESTO DA INFORMAO SCS Quadra 02 Bloco C Edifcio Toufic Sala 701 CEP: 70.317-900 Braslia DF Telefones (61) 3325-7850/7789 http://www.mds.gov.br Fome Zero: 0800-707-2003

APRESENTAO

Com esta publicao de um estudo da pesquisadora Rosa Maria Marques sobre impacto do Programa Bolsa Famlia sobre economias locais, inauguramos a srie Cadernos de Estudos Desenvolvimento Social em Debate. Esta uma iniciativa do Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome, por meio da Secretaria de Avaliao e Gesto da Informao, com o objetivo de fomentar o debate interinstitucional e promover uma interao permanente entre tomadores de deciso e investigadores da rea social. A professora Rosa Marques coordenadora do Ncleo de Pesquisa em Polticas para o Desenvolvimento Humano do Programa de Estudos Ps-graduados em Economia Poltica da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo. Neste trabalho, ela mede a contribuio dos recursos do nosso principal programa de transferncia de renda, Bolsa Famlia, nos municpios atendidos em relao aos volumes de recursos repassados pelo Governo Federal. Cadernos de Estudos Desenvolvimento Social em Debate surge como uma publicao de carter peridico, que visa divulgar pesquisas, disseminar resultados e, principalmente, subsidiar discusses e avaliaes acerca das polticas e programas sociais. Sua proposta transformar-se em um instrumento capaz de estimular a transversalidade e a articulao institucional, e, com isso, contribuir para que as aes propostas pelo MDS respondam mais eficazmente s reais necessidades da sociedade. Acreditamos que a disseminao de estudos e prticas de avaliao bem como a ampla compreenso e apropriao de seus resultados so elementos fundamentais para alcanarmos os objetivos propostos pelas aes governamentais.

Patrus Ananias de SousaMinistro do Desenvolvimento Social e Combate Fome

Presidente da Repblica Federativa do Brasil

Luiz Incio Lula da SilvaMinistro do Desenvolvimento Social e Combate Fome

Patrus Ananias de SousaSecretria Executiva

Mrcia Helena Carvalho LopesSecretrio Executivo Adjunto

Joo Domingos FassarellaSecretrio de Avaliao e Gesto da Informao

Rmulo Paes de SousaSecretria de Articulao Institucional e Parcerias

Heliana Ktia Tavares CamposSecretria Nacional de Renda de Cidadania

Rosani CunhaSecretrio de Segurana Alimentar e Nutricional

Onaur RuanoSecretrio Nacional de Assistncia Social

Osvaldo Russo

Expediente: Esta uma publicao tcnica da Secretaria de Avaliao e Gesto da Informao. SECRETRIO DE AVALIAO E GESTO DA INFORMAO: Rmulo Paes de Sousa; DIRETORA DO DEPARTAMENTO DE FORMAO DE AGENTES PBLICOS E SOCIAIS: Eugnia Bossi Fraga; DIRETORA DO DEPARTAMENTO DE MONITORAMENTO E AVALIAO: Jeni Vaitsmam; DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE GESTO DA INFORMAO E RECURSOS TECNOLGICOS: Roberto Wagner da Silva Rodrigues.

SUMRIO

A. Introduo 8

B. Metodologia

Da amostra 10 II. Do Bolsa Famlia e dos demais dados 14I.

C. Os resultados

O Bolsa Famlia e a populao 15 II. O Bolsa Famlia e outros recursos 22I.

D. ResumoI. II.

Do ponto de vista da populao beneficiria 24 Do ponto de vista da importncia dos recursos transferidos 26

Bibliografia 40

A. INTRODUOO Brasil apresenta uma das piores concentraes de renda do mundo, s sendo superado por poucos pases, tais como Serra Leoa, Repblica Centro-Africana e Suazilndia.A renda das famlias mais ricas (renda familiar mensal, em 2000, acima de R$ 10.982,00 de setembro de 2003), que totalizam 1,162 milho, corresponde a 75% do total da renda nacional. Entre essas, as 5.000 famlias mais ricas absorvem 45% da renda nacional (Pochmann, 2004). Essa situao, estrutural na sociedade brasileira, por diversos motivos, tem se agravado nas ltimas dcadas. Em 1980 a renda mdia da populao mais rica era dez vezes maior do que a renda mdia da populao brasileira.Atualmente essa relao de 14 vezes. Se comparada renda dos 20% mais pobres, a relao de 80 vezes. No bastasse esse quadro de extrema desigualdade, soma-se a ele a existncia de um enorme contingente da populao brasileira situado abaixo da linha de pobreza. Como sabido, a definio de linha de pobreza extremamente polmica, gerando estimativas bastante diferenciadas. Segundo o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundao Getlio Vargas, ao analisar os dados do Censo Demogrfico de 2000, e ao adotar o critrio de R$ 60,00 per capita mensal como definidor da linha de pobreza, 35% da populao brasileira (o que equivale a 57,7 milhes de pessoas) estariam vivendo abaixo da linha de pobreza. Essa anlise identificou que as regies mais pobres do pas seriam a Norte e a Nordeste, onde 13,8 milhes de pessoas viveriam em situao de pobreza extrema, e que 26% dos brasileiros nessa situao habitariam as zonas rurais. Na zona rural da regio Norte, por exemplo, a renda mdia seria de R$ 19,67, a mais baixa do pas. Nesse mesmo estudo considerado que o nmero de pobres no pas poderia ser reduzido em um tero se os mesmos recebessem uma renda mensal adicional de R$ 50,00. J no Projeto Fome Zero: uma Proposta de Segurana Alimentar para o Brasil, ao utilizar o critrio de linha de pobreza do Banco Mundial (US$ 1,08 por dia), ajustando para os diferentes nveis regionais de custo de vida e pela existncia ou no de auto-consumo, a populao abaixo da linha de pobreza seria de 44,043 milhes de pessoas, envolvendo 9,32 milhes de famlias. Essa estimativa correspondia a 21,9% das famlias, 27,8% da populao total do pas, 19,1% da populao das regies metropolitanas, 25,5% da populao das reas urbanas no-metropolitanas e 46,1% da populao rural. Atualmente, no combate pobreza e como poltica de transferncia de renda, o governo federal conta, entre outros, com o Programa Bolsa Famlia. Este programa est sob a gide do Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Em junho de 2004, o governo federal registrava que 4.103.016 famlias eram be-

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neficirias do Programa Bolsa Famlia, absorvendo, naquele ms, recursos da ordem de R$ 288,2 milhes. A teoria econmica de inspirao keynesiana advoga que o gasto governamental, assim como o privado, gera, no conjunto da economia, por seu efeito multiplicador, renda de valor maior do que o do gasto realizado. Isso acontece porque as compras que o governo efetua resultam em novas demandas para as empresas que, ao aumentarem sua produo, elevam os pedidos junto a seus fornecedores, uns e outros aumentando o nvel de contratao de trabalhadores. Esse processo tem continuidade na cadeia produtiva, tanto das empresas inicialmente beneficirias da maior demanda estatal, como daquelas vinculadas ao consumo dos trabalhadores e dos demais segmentos da populao que aumentaram sua renda. No caso de transferncia de renda s famlias, o impacto ser tanto maior quanto tambm maior for a propenso marginal a consumir, isto , quanto maior for a parcela destinada ao consumo quando a renda aumentada em uma unidade. No caso da populao alvo do Bolsa Famlia, principalmente famlias definidas como extremamente pobres, a propenso marginal a consumir das mais elevadas, quando no igual a um. Assim, o aumento da renda da populao mais pobre resultante da poltica pblica em parte retorna aos cofres pblicos, sob a forma de incremento na arrecadao de tributos.

A importncia do Bolsa Famlia nos municpios brasileiros 9

B. METODOLOGIAI. Da amostraNa impossibilidade de se fazer um estudo sobre todos os municpios brasileiros, optou-se por estudar uma amostra representativa das diferentes situaes em que eles podem ser enquadrados, levando em conta os seguintes critrios: localizao geogrfica, em termos de grandes regies; porte populacional; nvel de pobreza; atividade econmica predominante e relao populao urbana/rural. Os critrios usados para estratificar os municpios brasileiros foram especificados da seguinte maneira: Localizao geogrfica Adotou-se como referncia as cinco grandes regies estabelecidas pelo IBGE: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Porte populacional Como no existe uma classificao padro para todos os trabalhos que envolvam esta caracterstica e tentando limitar ao menor nmero possvel de classes, mas ainda assim obter homogeneidade interna, optou-se por estabelecer quatro classes de porte populacional bastante amplas, mas, a princpio, diferenciadas entre si. Os municpios brasileiros foram divididos em pequenos, mdios, grandes e muito grandes. No primeiro grupo encontram-se aqueles com menos de 20 mil habitantes, que geralmente constituem estruturas administrativas mais simplificadas, com grande proximidade entre a administrao pblica e os interesses e necessidades de sua populao. No segundo, esto municpios com populao entre 20 mil e 100 mil habitantes, que j apresentam alguma complexidade administrativa, mas ainda no muito grande. O terceiro grupo composto por municpios com populao entre 100 mil e 500 mil habitantes, estes sim com estrutura administrativa pblica bastante complexa. Finalmente, o ltimo grupo formado por municpios muito grandes, com populao acima de 500 mil habitantes, incluindo a as grandes metrpoles brasileiras, que formam muitas vezes universos prprios de administrao pblica, de difcil generalizao. Nvel de pobreza Este critrio no se restringiu caracterstica econmica de renda per capita. Preferiu-se ampliar o conceito de forma a captar o estgio de desenvolvimento do municpio. Assim, foi escolhido como critrio o IDH-M, isto , o ndice de Desenvolvimento Humano Municipal, e os municpios foram separados em dois agrupamentos: aqueles com IDH-M abaixo da mdia brasileira e aqueles com IDH-M acima da mdia. Para definio do corte de separao entre

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as duas categorias, escolheu-se a mdia de todos os municpios brasileiros, cujo valor era 0,699 em 2000. No mesmo ano, a mediana era 0,713. Relao populao rural/urbana Os municpios foram classificados em urbanos ou rurais dependendo da distribuio da populao em seus limites territoriais. Se o municpio apresentava mais que 50% de pessoas vivendo na regio urbana (conforme critrio adotado pelo IBGE), considerou-se como sendo urbano e, no caso contrrio, como rural. Atividade econmica predominante Para a estratificao dentro deste critrio, optou-se por separar a atividade econmica nos trs grandes setores da atividade produtiva: primrio (extrativista, agrcola e pecuria), secundrio (industrial) e tercirio (servios). A classificao dos municpios nestes trs setores levou em considerao a concentrao do valor da produo gerada, em cada um deles, pelo municpio. Em 2000, encontravam-se instalados no pas 5.507 municpios. Destes, encontramos informaes completas, disponveis no site do IPEA, para os cinco critrios adotados, para 4.970 municpios (www.ipeadata.gov.br). Entretanto, como foram instalados 154 novos municpios em janeiro de 2001 (ltima data, at 2004, de instalao de novos municpios no Brasil), foram excludos desse universo 74 municpios que deram origem aos novos em 2001. Os 4.896 municpios que restaram foram distribudos em 119 agrupamentos distintos com pelo menos um municpio, sendo que, destes, 21 so compostos por apenas um municpio, sete por apenas dois e oito por apenas trs municpios; restando assim, 83 estratos com quatro ou mais municpios. CENTRO-OESTE A regio Centro-Oeste abriga em seus 19 agrupamentos 405 municpios (em 2000 encontravam-se instalados, na regio, 468). Dos 405 municpios desta regio apenas 60 (15%) so classificados como rurais, sendo que, destes, 90% so classificados como tendo atividade econmica concentrada predominantemente no setor primrio. Dos 265 municpios com menos de 20 mil habitantes, caracterizados como urbanos, 182 (69%) so classificados como geradores de renda predominantemente no setor primrio, 71 (27%) no setor tercirio e apenas 12 (4%) no secundrio. Os grandes municpios, em termos populacionais, so classificados em sua maioria como tercirios e urbanos, haja vista serem classificados como urbanos todos os 80 (20%) municpios da regio com mais de 20 mil habitantes. Interessante notar que dos dez municpios existentes com mais de 100 mil habitantes, nove concentram a produo no setor tercirio e apenas um no secundrio.

A importncia do Bolsa Famlia nos municpios brasileiros 11

A grande maioria dos municpios (87%) apresenta IDH-M superior mdia dos municpios brasileiros, sendo que os 13% com IDH-M baixo (abaixo da mdia) esto localizados entre os municpios com menos de 20 mil habitantes (12%) ou com populao entre 20 mil e 100 mil habitantes (1%). NORTE Na regio Norte, os 398 municpios (eram 427 em 2000) esto distribudos em 27 agrupamentos. Os 14 (4%) grandes municpios da regio, distribudos em apenas trs grupos, so todos classificados como urbanos, geradores de renda predominantemente no setor tercirio (exceto Manaus, classificado como secundrio, face presena da Zona Franca) e todos com IDH-M acima da mdia brasileira. J os 384 (96%) municpios com menos de 100 mil habitantes, distribudos em 24 grupos, encontram-se homogeneamente divididos entre rurais e urbanos, mas apresentam predominantemente IDH-M abaixo da mdia nacional (77%), sendo 51% classificados como geradores de renda concentrada no setor primrio, 45% no tercirio e apenas 4% no secundrio. NORDESTE Os 1.548 municpios da regio (1.787 em 2000) distribuem-se entre 25 agrupamentos. Do total, 1.503 municpios (97%) tm populao inferior a 100 mil habitantes e, destes, 1.472 (97%) apresentam IDH-M abaixo da mdia brasileira; esto igualmente distri...