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  • formeInformativo INS Brasil Ano 05 - 2011 N 10

    EDITORIAL

    Seria importante abordar caractersticas

    peculiares das pessoas idosas para a

    adequao da Terapia Intravenosa? Se sim,

    quais? Essa a abordagem dessa

    discusso que, no se esgota em si mesma,

    mas quer apenas chamar a ateno dos

    profissionais para alguns tpicos que

    podem passar despercebidos no dia-a-dia e

    que, com certeza, faro a diferena em um

    atendimento individualizado e mais

    eficiente.

    Uma das principais tendncias da

    enfermagem para o sculo XXI refere-se ao

    cuidado gerontolgico em decorrncia do

    rpido e expressivo envelhecimento da

    populao, consequncia da diminuio

    das taxas de fecundidade e mortalidade e

    aumento da expectativa de vida. Estima-se

    que, em 2025, o Brasil passe a ser a sexta

    populao em nmero de pessoas idosas

    no mundo, algo em torno de 30-32 milhes

    de pessoas com idade 60 anos. Por volta

    de 2035 a populao idosa tende a superar

    a populao de crianas (0-14 anos). A

    essas mudanas denomina-se transio

    demogrfica que acompanhada pela

    transio epidemiolgica, ou seja, a

    mudana nos padres de morbimortalidade

    da populao onde passam a predominar

    as doenas e condies crnicas que

    exigem modificaes nos modelos

    assistenciais at ento vigentes.

    J faz parte da rotina das instituies de

    sade a convivncia, cada vez mais

    acentuada, com pessoas idosas o que no

    vem sendo necessariamente acompanha-

    do por um melhor preparo profissional para

    o atendimento dessa populao. A orga-

    nizao do cuidado a ser prestado s

    demandas apresentadas por esse grupo

    envolve avaliao global reconhecendo

    as alteraes decorrentes do processo de

    senescncia (envelhecimento fisiolgico)

    ede senilidade (alteraes no envelheci-

    mento relacionadas a condies patol-

    gicas); diagnstico preciso, planejamento e

    implementao dos cuidados adequados

    s necessidades corretamente identifica-

    das e, finalmente, a avaliao da efetivi-

    dade do cuidado prestado.

    Com o aumento da expectativa de vida,

    cada vez mais comum a convivncia com

    pessoas mais longevas ( 80 anos) sendo

    esse, o grupo que mais expressivamente

    cresce no conjunto das pessoas idosas. No

    entanto, em termos assistenciais, so mui-

    tas as diferenas existentes entre as pes-

    soas idosas de 60/70 anos e as de 80, 90 ou

    100 anos; diferenas essas ainda pouco

    conhecidas e, praticamente inexistentes,

    como contedo, nos currculos de gradua-

    o de enfermagem.

    Uma das principais caractersticas das pes-

    soas idosas, resultado das mltiplas modi-

    ficaes dos sistemas orgnicos e da

    progressiva diminuio da capacidade de

    manuteno do equilbrio homeosttico, a

    de no apresentarem os sinais e sintomas

    clssicos das doenas que podem ainda es-

    tar obscurecidos ou atpicos (ex: infeco

    sem febre ou com nveis sub-febris; infarto

    sem dor ou com apresentao atpica, etc).

    A partir da 4 dcada de vida h, aproxi-

    madamente, uma perde de 1% de funo/

    ano nos diferentes sistemas orgnicos. Es-

    sas modificaes estruturais e fisiol-

    gicas, em condies normais, no costu-

    mam ocasionar distrbios funcionais; no

    entanto, em condies de sobrecarga,

    pode aumentar o risco de ocorrncia de

    morbidades.

    Com o avanar da idade h uma pro-

    gressiva perda de gua na composio

    corporal. De cerca dos 70% observados

    nas crianas passa-se a algo em torno de

    50% nos idosos. Assim, qualquer perda de

    lquido,lquido, mesmo que moderada,

    pode conduzir a um quadro de desidratao

    dificultando a puno venosa quer pela

    dificuldade na localizao do vaso, quer por

    sua maior fragilidade ou ainda pela

    presena de quadros confusionais que

    tendem a dificultar ainda mais a execuo

    de procedimentos dolorosos e/ou invasivos.

    Nessas circunstncias, a escolha do local

    de puno bem como a adequao do ma-

    terial a ser utilizado deve ser minu-

    ciosamente planejada buscando evitar a

    ocorrncia de mltiplas punes e de res-

    tries desnecessrias e desrespeitosas.

    Cabe lembrar que turgor de pele no um

    parmetro indicado para avaliao de

    desidratao em idosos em decorrncia

    das alteraes na estrutura da pele por eles

    apresentada.

    Com o envelhecimento a gordura corporal

    tende a apresentar uma distribuio mais

    centrpeta, ou seja, maior presena de gor-

    dura na regio abdominal e menor em mem-

    bros, superiores e inferiores. H tambm

    diminuio de massa muscular, em especial

    nos idosos mais longevos ( 80 anos).

    Tais alteraes diminuem a base de sus-

    tentao interna dos vasos sanguneos au-

    mentando sua mobilidade e, assim, difi-

    cultando a puno venosa. Isso pode ser

    minimizado promovendo um apoio contra-

    lateral no membro a ser puncionado subs-

    tituindo as estruturas modificadas. A pele da

    pessoa idosa mais delgada e tem menor

    elasticidade.

    PECULIARIDADES DA TERAPIA INTRAVENOSA EM PESSOAS IDOSAS Yeda A. O. Duarte

  • Associado diminuio das glndulas

    sudorparas e sebceas, observa-se uma

    diminuio de sua resistncia tornando-a

    mais vulnervel a leses. Tais alteraes

    devem ser consideradas quando da

    escolha do material de fixao a ser

    utilizado, pois materiais com adesividade

    excessiva podem provocar o descolamento

    da epiderme quando de sua retirada ocasio-

    nando desconforto, dor e aumentando o ris-

    co de ocorrncia de infeces.

    Quanto aos vasos:- h um da fibrose, do acmulo de Ca e lip-dios e da proliferao celular na tnica nti-ma (camada + interna) dos vasos contri-buindo para o desenvolvimento da ateros-clerose;- h uma calcificao das fibras de elastina e do colgeno na tnica mdia (camada intermediria) ocasionando o enrijecimento dos vasos, da resistncia perifrica e da PA sistlica;- a tnica adventcia (+ externa) pouco ou nada afetada pelo processo de envelhe-cimento.

    Internamente os vasos podem apresentar placas ateromatosas e estruturas calcifi-cadas. Muitas vezes esses vasos tornam-se muito perceptveis por ocasio do garro-teamento para puno, no entanto, so ina-dequados, pois podem apresentar compro-metimento do fluxo sanguneo circulante.

    As alteraes nas paredes dos vasos fazem

    com que, com o passar dos anos, esses se tornem mais tortuosos, o que pode dificultar a puno e fixao. Cuidados deves ser tomados para que o garroteamento no provoque uma estase sangunea excessiva pois, nesses casos, a agulha, ao ser introduzida no vaso, provocar um rompi-mento maior que seu dimetro, devido presso interna causada pelo acmulo de sangue em uma vaso menos elstico, gerando extravasamento ao redor da puno e inutilizando a mesma. Assim, exceto em situaes de emergncia, as punes das pessoas idosas devem ser planejadas e executadas calmamente geralmente utilizando maior tempo que o de costume.

    Recomenda-se o garroteamento inicial para localizao do vaso a ser puncionado. Uma vez escolhido e localizado, deve-se liberar o garroteamento permitindo a regu-larizao do fluxo sanguneo para diminuir a presso interna e, passado alguns minu-tos, proceder a puno normal.

    Ocorrem ainda, entre muitas outras, alte-raes nos sistemas cardaco e renal que, em circunstncias normais, no so preju-diciais ou comprometem a vida normal da pessoa idosa. No entanto, quando subme-tidas a situaes de estresse, tais sistemas podem no responder adequadamente.

    Por tais razes, toda infuso venosa deveser rigorosamente controlada. Infuses muito rpidas podem levar a descompen-sao cardaca colocando a vida do idoso

    em risco. Por outro lado, a funo renal deve ser observada, pois a ocorrncia de alteraes pode comprometer a excreo das drogas e o excesso de drogas ou a utilizao das com elevada toxicidade, po-dem comprometer a funo renal.

    Assim, o cuidado pessoa idosa deve ser rigorosa e minuciosamente planejado para que ele possa ser beneficiado com a tera-putica e no prejudicado pela mesma.

    Bibliografia consultada- Couteur DGL; Lakatta EG. A vascular theory of aging. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2010; 65A(10):1025-7.- Guyton AC; Hall JE . Tratado de Fisiologia Mdica. 10 ed, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2002.- Lopes AC. Tratado de Clnica Mdica. So Paulo. Roca, 2006.- Mauk KL. Gerontological Nursing: compe-tencies for care. 2 ed, Jones & Bartlett Publ., 2010 Enfermeira, Gerontloga, Professora Livre-Docente do Departamento de Enfermagem Mdico-Cirrgica da Escola de Enfermagem da Universidade de So Paulo.

    No Brasil, segundo a Poltica Nacional de Sade da Pessoa Idosa (Portaria n 2528/2006) e o Estatuto do Idoso (Lei n 10.741/2003), so considerados idosos todas as pessoas a partir dos 60 anos de idade.

    Os cateteres intravasculares so

    fundamentais e indispensveis na prtica

    da medicina moderna, principalmente nas

    Unidades de Terapia Intensiva, porm

    uma importante fonte de infeco. As

    infeces primrias da corrente sangunea

    (IPCS) constituem em preocupao cons-

    tante nas instituies hospitalares, estima-

    se que 60% das bactrias nosocomiais

    estejam relacionadas a algum tipo de aces-

    so vascular. O risco de IPCS pode estar

    associado localizao do acesso,

    experincia do profissional que realiza o

    procedimento, tempo de permanncia do

    acesso, entre outros (CDC).

    A IPCS responsvel pelo aumento da morbidade, mortalidade, maior tempo de internao e elevao dos