Guimarães Rosa – “O Feiticeiro das palavras”

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Guimares Rosa O Feiticeiro das palavras. I O Autor Permanncia realista do testemunho humano Universalizao do Regionalismo Mundo de fantasia e realidade do serto (mstico ) mineiro Sondagem do mundo interior de personagens com poder generalizante. - PowerPoint PPT Presentation

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Guimares Rosa O Feiticeiro das palavras

I O AutorPermanncia realista do testemunho humanoUniversalizao do RegionalismoMundo de fantasia e realidade do serto (mstico ) mineiroSondagem do mundo interior de personagens com poder generalizante.Grande preocupao em manter o enredo e o suspense.A natureza, alm de cenrio, um agente ativo, participante, diretamente ligado aos destinos do homem.Revitalizao dos recursos da expresso potica, tais como ritmo, rima, aliteraes, cortes e deslocamentos de sintaxe, vocabulrio inslito, erudito e arcaico, neologismos, a fim de captar e imortalizar os valores espirituais, humanos e culturais de um povo .A lrica e a narrativa fundem-se, abolindo os limites entre ambos.O Serto o mundo O Serto est em toda a parte.O Serto est em ns.

II A Obra SagaranaElementos centrais: M.G., serto,bois,vaqueiros e jagunos,o bem e o mal, solido, amor, violncia.Repletos de histrias dentro de histrias, de digresses filosficas e de monlogos interiores que desvendam o universo dos homens, dos bichos e das coisas, os contos nos permitem uma espcie de ritual de iniciao, ao longo da leitura.Esta iniciao ocorre se conseguirmos compreend-los em sua simbologia, na cosmoviso algica, mgica, mtica e potica que humaniza em sentido profundo os protagonistas.SAGA- radical de origem germnica, significa canto hericoRANA- lngua indgena, que significa maneira deL em cima daquela serra, / passa boi, passa boiada,passa gente ruim e boa, / passa a minha namorada.Assim, todas essas histrias tm um tom pico, herico, embora no grandiloqente, mas lrico.Em Sagarana, pontuam-se aqueles valores espirituais comuns aos homens de qualquer lugar ou poca, valores estes que consagram a radiosa aventura humana, ou seja, a coragem, a alegria e o amor. A filosofia religiosa, a intuio e o sentimento de universo colocam seus contos no nvel das grandes obras da literatura universal.

III Linguagem- Criao de vocbulos: o que podemos chamar de neologismos: a) derivao prefixal. Um dos prefixos mais usados ainda ds-: desfeliz, desinquieto, desenxergar, etc. sempre em sentido negativo ou como mero reforo. b) derivao sufixal. funciona como expressivo recurso estilstico, principalmente em se tratando de linguagem popular. Exemplos: vaqueirama, assinzinho, coisama, pensao, cigarrar, rapaziar, quilometrosa, maismente, saudadear, pererecar, etc. s vezes o sufixo usado mesmo em palavras que no o comportam, como o caso, j citado, de maismente, assinzinho, arranjeizinho (Arranjeizinho l um lugar de guarda-civil) e amormeuzinho que aparece no conto So Marcos. c) derivao parassinttica. Consiste no uso de prefixo e sufixo ao mesmo tempo. No muito freqente em Sagarana, mas mesmo assim podemos anotar alguns exemplos: avoamento, esmoralizado, desbriado, amaleitado, etc. d) abreviao. Na abreviao, registre-se o caso de estranja (voc no tem vergonha de trabalhar pra esses gringos, pra uns estranjas, gente atoa? ), alm de largo uso da sncope, como o caso de corgo em vez de crrego, pra em vez de para, e muitos outros casos que refletem a nossa lngua popular. Veja-se ainda vambora para vamos embora e ixa para virgem (como interjeio). e) composio aglutinada. Consiste na juno de dois vocbulos de modo que percam a sua individualidade fnica. o caso de: passopreto (pssaro + preto), milmalditas (mil + malditas), suaviloqncia (suave + eloqncia), destamanho (deste + tamanho), membora (me + embora), santiamin (santo + amm) e o curioso nomopadrofilhospritossantamin (em nome do pai, do filho e do esprito santo, amm) que sugere a rapidez com que Nh Augusto fez o sinal da cruz, naquelas circunstncias em que se achava. curioso tambm o deist (deixa + est) de largo uso no

f) composio justaposta. Consiste na unio de dois ou mais vocbulos em que se mantm a integridade fnica de ambos. Como exemplo, anote-se: hoje-em-dia, mulheres-atoa, todo-o-mundo e aqueles vocbulos formados pela introspeco bovina de Conversa de Bois como: boi-grande-que-berra-feio-e-carrega-uma-cabea-na-cacunda (para marrus, touro) e homem-do-pau-comprido-com-o-marimbondo-na-ponta ( homem que guia os bois e leva o ferro).

2 - Arcasmos: arcasmos so vocbulos, formas ou construes frasais que saram do uso na lngua corrente. O arcasmo em Sagarana um reflexo da linguagem popular, visto que a lngua do interior, afastada do contato com a civilizao, esttica, conservando muitos vocbulos do portugus arcaico. Exemplos: riba (por riba do monte), banda (em lugar de lado), vigiar (em vez de olhar), quentar (em vez de esquentar) e uma enfiada de verbos com prtese de um a, outrora bastante em voga em nossa lngua e que ainda existe na fala do nosso homem do interior: agarantir, alembrar, alumiar, amostrar, arreconhecer, arrenegar, arresolver, arresponder, arresistir, etc.

3 Eruditismo: ocorre sempre quando o escritor que narra, quando no pretende registrar modismos regionais ou a linguagem popular. Nesse sentido nos parecem vlidos os contos So Marcos e Minha Gente, principalmente este ltimo, donde extramos este exemplo: Eu tinha cochilado na rede, depois de um almoo gostoso e pesado, enquanto Tio Emlio, na espreguiadeira, lia sua pilha de jornais de uma semana. A varanda era uma praia de ilha, ao mar da chuva. Meu esprito fumaceou, por ares de minha s pos-se e fui, por inglas de Inglaterra, e marcas de Dinamarcas, e landas de Holanda e Irlanda. Subi viso de deusas, lentas apsaras de sabor de ptalas, lindas todas: Dria, da Circssia; Ragna de Aase; e Gdrun, a de olhar cor dos fiordes; e Vivian, violeta; e rika, slfide loira; e Varvra, a de belos feros olhos verdes; e a princesa Vladislava, csnea e junoniana; e a princesinha Berengria, que vinha, sutil, ao meu encontro, no alternar esvoaante dos tornozelos preciosos... 4 - Figuras: aqui sobressaem pelo menos trs figuras importantes:a) Metfora. Consiste numa transposio do sentido de um vocbulo por se tornar opaco ou gasto o existente. Anote-se: De noite, saiu uma lua rodo-leira, que alumiava at passeio de pulga no cho ; em vez de dizer que a lua era cheia e brilhava intensamente; Estou como ovo depois de dziapara dizer que est sobrando; em mo de vaqueiro com dez anos de lida nos currais do serto para dizer que o vaqueiro era experiente; S de vez em quando que um quer me saudar com a mo canhota para indicar que, vez por outra, surgiam ingratides, ou coisa semelhante; aproveitava para encher, mais um trecho, a infinda lingia da vidapara indicar que ia levando a vida de qualquer jeito; arquiplago de reses para indicar ajuntamentos de reses aqui e ali. E assim muitas outras.b) Anacoluto. Ou frase quebrada aquela em que uma palavra ou locuo, apresentada inicialmente, se segue uma construo oracional em que essa palavra ou locuo no se integra.A definio de Mattoso Cmara, que acrescenta: Na lngua oral coloquial o anacoluto um processo freqente de construo de frase. Guimares busca a estilizao da sintaxe popular.Veja-se esse exemplo:Que h? O senhor sabe que, a mim, eu gosto de estimar e respeitar os meus amigos, e, grande principalmente, as suas famlias excelentssimas...

c) Silepse. A silepse uma concordncia ideolgica. Quer dizer, uma concordncia que se faz com a idia e no com o termo expresso. o caso do coletivo com o verbo no plural que ocorre vrias vezes em Sagarana. Eu acho que a boiada vai bem, so Major. No vo dar muito trabalho, porque esto bem gordos Ele de uma turma de gente sem-que-fazer, que comeram carne e beberam cachaa na frente da igreja, em sexta-feira da Paixo, s pra pirraar o padre e experimentar a pacincia de Deus... d) Musicalidade: o que o escritor chama de plumagem e canto das palavras. Com efeito, amide Guimares apela para os aspectos auditivos (canto) e visuais (plumagem), fazendo uma verdadeira orquestrao sonora com as palavras. Rimas: Vejam-se esses exemplos: por amos e anos ; boi sanga sapiranga; veio apropinquando, brando; suspiro de vaca no arranca estaca,etc. Onomatopia: Entre outros, citemos: A boiada entra no beco - Tchou! Tchou! Tchou!... para tanger o gado; lho... lho... lho... - vo, devagar, as braadas de Sete-de-Ouros , para o burrinho atravessando o rio; -Prrr-tic-tic-tic! para chamar galinha; i-tchungs-tchungou uma piabinha , para o movimento da piaba, etc.

IMPORTANTE:Aliterao:repetio de dado fonema, numa frase, em vocbulos seguidos, prximos, distantes e simetricamente dispostos Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando.. . Dana doido, d de duro, d de dentro, d direito... Vai, vem, volta, vem na vara, vai no volta, vai varando...

Ritmo: elemento potico que se pode constatar em Sagarana. Principalmente em O Burrinho Pedrs, onde a disposio das palavras parece acompanhar as marchas e contra-marchas do rebanho que comea a trotar em passos cadentes: Galhudos, gaiolos, estrelos, espcios, combuscos, cubetos, lobunos, lompardos, caldeiros, cambraias, chamurros, churriados, corombos, cornetos, bocalvos, borralhos, chumbados, chitados, vareiros, silveiros... E os tocos da testa do mocho macheado, e as cuarmas antigas do boi cornalo....

Assim, em Sagarana, no a linguagem que se acomoda realidade, mas a realidade que se transforma em linguagem.Uma tragdia paira sobre as cabeas: Silvino quer matar Badu; a escurido trevosa envolve a noite; a enchente embarga a travessia.Os vaqueiros enfrentam as trevas, com exceo de Joo Manico e Juca, sendo tragados pela fria das guas daquela noite sinistra. Apenas se salvam o Francolim e Badu, o primeiro agarrado cauda de Sete-de-Ouros, o segundo crina do burrinho que, alquebrado, decrpito, desacreditado, salvara duas vidas humanas. O autor procura mostrar, tendo como pano de fundo o mundo dos vaqueiros, que todos tm a sua hora e sua vez de ser til. o caso do burrinho a gente segue a esperteza mansa do bicho, a sua finura de instinto e inteligncia que o faz poupar-se, furtar-se a choques e maus pisos e, por fim, orientar-se e salvar-se numa cheia onde os cavalos afogam, carregando um bbado s costas e ainda outro nufrago enclavinhado no rabo(Oscar Lopes). Em O Burrinho Pedrs, o mote implcito de que no vale a pena nadar contra a correnteza, responde-se pela lgica da espiral como modelo de funcionamento para todos os elementos constituintes do conto; a chuva, o rio, a boiada, o amor, o dio.Tudo a girar propondo sempre a volta, a reversibilidade dos movimentos.Sete-de-Ouros todo potncia e fora no usada.

Observe-se que tudo colocado como coisa do Destino, acontecida por acaso, dentro do espao de um dia: Mas nada disso vale fala, porque a estria de um burrinho, como a histria de um homem grande, bem dada no resumo de um s dia de sua vida. E a existncia de Sete-de-Ouros cresceu toda em algumas horas - seis da manh meia-noite - nos meados do ms de janeiro de um ano de grandes chuvas, no vale do Rio das Velhas, no centro de Minas Gerais. Veja-se que as outras histrias contadas no decorrer do conto esto tambm neste sentido: os caprichos inexplicveis do Destino que esmaga o homem. Dentro desse Fatalismo sobressai a hora e vez de Sete-de-Ouros, apenas um burro. Na espiral dos acontecimentos, ele tem a sabedoria de deixar que o movimento do mundo o envolva sem desperdcio de v oposio.O burrinho, que personificado como um velho e sbio, que lembra um monge oriental, possui dois cavos sobre as rbitas, que lembram culos; no tem pressa e triunfa com serenidade, sabe que no fundo de tudo, tem o ptio, com os cochos, muito milho, na Fazenda; e depois o pasto: sombra, capim e sossego.

Espanto pasmagrico. Olhos que se arregalam e enregelam. Lalino, o que vendera a mulher, voltara. EEntra na poltica do Major Anacleto. Faz o diabo. Tudo dentro dos conformes e da paz. Lalino tinha tino e tirocnio. Tinha diplomacia, sim senhor, tinha: E falando nisso, que magnfico, o senhor Eullio! Divertira-os! o Major sabia escolher os seus homens. Sim, em tudo o Major estava de parabns... - elogio grado. De altas personalidades. Gente do governo. Final feliz: Maria Rita volta. O Major aceita. O dia afoita. Falece a (des)ventura. De Lalino. De Maria Rita.As eleies estavam ganhas com a volta do marido prdigo: no brejo - frissimo e em festa - os sapos continuavam a exultar O conto apresenta tambm, de forma picaresca, os caprichos do Destino: Lalino, o marido prdigo, d voltas e desvoltas pela vida, e acaba tudo bem. Com a mulher. Com a poltica. Consigo mesmo:No alto, com broto de brilhos e asterismos tremidos, o jogo de destinos esteve completo. Ento, o Major voltou a aparecer na varanda, seguro e satisfeito, como quem cresce e acontece, colaborando, sem o saber, com a direo-escondida-de-todas-as-coisas-que-devem-depressa-acontecer. O que tem que acontecer, acontece. 3. Sarapalha A ao de Sarapalha se desenvolve sobre um monte de runas causadas pela maleita: Ela veio de longe (...) matando muita genteE o resultado da calamidade foi a morte e tristeza dos moradores: os primeiros para o cemitrio, os outros por a afora, por este mundo de Deus.Numa fazenda em runas, perto do vau da Sarapalha, Primo Ribeiro, ora em dilogo, ora em monlogo, vai reconstituindo, alquebrado e decrpito pela maleita, a sua histria ao Primo Argemiro, uma das poucas pessoas que lhe restaram. Trgica e triste histria a do Primo Ribeiro: Luisa, a sua mulher, fugira com outro, deixando-o s com sua maleita: - Pra que que h-de haver mulher no mundo, meu Deus?... - pondera Primo Argemiro.Mas ao saber que o Primo Argemiro pretendia-lhe a mulher tambm, Primo Ribeiro enxota-o da sua presena, e Argemiro dos Anjos sai por a, perambulando por entre maleitas e belezas, buscando um lugar para cair e morrer: - Mas, meu Deus, como isto bonito! Que lugar bonito pra gente deitar no cho e se acabar Sarapalha de linha trgica, o que contrasta com o conto anterior.Mostra no s um mundo em runas, ainda fumegando os efeitos da Malria, como a infidelidade feminina com o conceito de honra do sertanejo. So dois mundos em runas: a populao vitimada pela maleita e o primo Ribeiro sucumbido pela mulher infiel: a maleita era uma mulher de muita lindeza 4. O DueloO duelo, que no houve propriamente, foi entre Turbio Todo e Cassiano Gomes. Motivo dhonra: Turbio encontra, certa vez, voltando a casa sem contra-aviso, a mulher em pleno adultrio com o Cassiano Gomes.O marido chifrado no fez nada. Preferiu agir traioeiramente e assim procurou dar finalmncia ao desonrador, baleando-o bem na nuca.Quanto esposa, Dona Silvana, o narrador escreve irnica e humoristicamente: Nem por sonhos pensou em exterminar a esposa (Dona Silvana tinha grandes olhos bonitos, de cabra tonta), porque era um cavalheiro, incapaz da covardia de maltratar uma senhora, e porque basta, de sobra, o sangue de uma criatura, para lavar, enxaguar e enxugar a honra mais exigente. Mas enganara-se o Turbio Todo: eliminara no o Cassiano Gomes, mas sim o Levindo Gomes, irmo daquele. Foi exatamente esse engano que veio pr dois bons sujeitos, pacatssimos e pacficos, num jogo dos demnios, numa comprida complicao. Trava-se um comprido duelo: Turbio fugindo e o outro atrs. E nessa desavena passaram-se muitos meses: E continuou o longo duelo, e com isso j durava cinco ou cinco meses e meio a correria, montona e sem desfecho .Mas, porque um homem um homem e no de ferro, e o seu vcio cardaco comeara a dar sinal de si, Cassiano Gomes voltou para o sossego do arraial e da mulher do Turbio. Agrava-se o seu mal quando viajava para capturar o assassino que fora para So Paulo. Acaba morrendo nas boas amizades de um tal Antnio, apelidado de Timpim e Vinte-e-Um, pra-mr-de que nem que a minha me teve vinte e um filhos, e eu fui o derradeiro... Sabedor da morte do Cassiano, volta, saudoso, Turbio, todo civilizado e cheio de noves-fora. Espera-o, um pouco alm da estao frrea, a garrucha do Timpim. Vinte-e-Um chamado: - Seu Turbio! Se apeie e reza, que agora eu vou lhe matar! E mata.A causa do duelo foi tambm a infidelidade amorosa cuja honra o marido queria lavar com sangue (se o sangue lavasse alguma coisa neste mundo...). Aqui tambm entra um pouco de Fatalismo: Voltas e desvoltas e o marido, que matara a pessoa errada, acaba sendo morto por um sujeitinho caguincho, incapaz de matar uma galinha: todos tm a sua hora e a sua vez. Outra temtica desenvolvida no conto a saga dos valentes.5. Minha gente A tcnica narrativa de Minha Gente a primeira pessoa. Ao longo do caminho, at a fazenda do tio Emilio, o narrador se perde em descries vrias do mundo que o cerca, ao mesmo tempo que joga xadrez com Santana. So guiados pelo Jos Malvino, vaqueiro do tio Emilio. Chegam.Na fazenda, no convvio de sua gente, o tio Emilio e a prima Maria Irma, o narrador vai contando pormenores da poltica do tio Emilio, ao mesmo tempo que desenvolve o seu romance-melhor dito idlio - com Maria Irma.No decorrer dos seus passeios na fazenda, demonstra uma grande admirao pelo homem do campo: - Mas, como que voc pode saber isso tudo, Jos? Mas, misturado com a poltica e com a natureza, o conto concentra-se mesmo no romance dos dois primos: Maria Irma cada vez mais arredia e arrisca, o narrador cada vez mais apaixonado.O desfecho de Minha Gente um autntico happy end: o tio Emlio ganha a poltica e o destino se incumbe de casar o primo com Armanda, noiva de Ramiro, que, por sua vez, casa-se com Maria lima: E foi assim que fiquei noivo de Armanda, com quem me casei, no ms de maio, ainda antes do matrimnio da minha prima Maria Irma com o moo Ramiro Gouvia, dos Gouvias da fazenda da Brejaba, no Todo-Fim-E-BomMuitas temticas so desenvolvidas: a) a saga da poltica no interior (tio Emilio); b) a honra sertaneja (morte do Bento Porfrio); c) os caprichos do Destino (casamento de Armanda com o narrador). Alis, esse ltimo aspecto desenvolvido tambm num conhecido poema de Drummond: Joo amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que no amava ningum. Joo foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para a tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que no tinha entrado na histria6. So Marcos Narrado tambm na primeira pessoa, So Marcos outro conto de linha trgica e esta sob o signo da superstio.Iz ou Jos, o narrador, era um homem que no acreditava em feiticeiro: Naquele tempo eu morava no Calango-Frito e no acreditava em feiticeiros. Vivia a fustigar Joo Mangal, feiticeiro de fama e escama naqueles rinces. Nh Rita, preta cozinheira dele, vivia a adverti-lo:- Se o senhor no aceita, rei no seu; mas abusar no deve-d. E relatava o caso da lavadeira que desfeiteara a velha Cesria e sofrera, de repente, agulhadas inexplicveis no p (l dela!). Mas ele, sempre incrdulo: Voc deve conhecer os mandamentos do negro... No sabe? Primeiro: todo negro cachaceiro... Segundo: todo negro vagabundo. Terceiro: todo negro feiticeiro...Ai, espetado em sua dor-de-dentes, ele passou do riso bobo carranca de dio, resmungou, se encolheu para dentro, como um caramujo coclia, e ainda bateu com a porta Depois disso, voltando da missa, encontra com Aursio Manquitola que lhe narra o caso de Tio Tranjo, que era um sujeito um tanto tolo e burro, e acabou aprendendo a orao de So Marcos que sesga, milagrosa e proibida, com que resolveu os seus problemas conjugais de ter mulher, e esta dormir com os outros. O narrador vai andando. A natureza atrai as suas vistas. Escreve versos num tronco, e quando lhe faltou inspirao, certa vez, limitou-se a fazer um rol de reis caldeus. Reconhece que as palavras tm canto e plumagem Perde-se em descries e cenas que seus olhos vem: E, pois, foi a que a coisa se deu, e foi de repente: como uma pancada preta, vertiginosa, mas batendo de grau em grau - um ponto, um gro, um besouro, um anu, um urubu, um golpe de noite... E escureceu tudo. Uso acentuado da audio. At os olhos cegos ouvem (meus olhos o ouvem). Vaga, sem rumo, pela floresta, para depois defrontar-se com Joo Mangol e as vistas que tinham sido amarradas por este: - Pelo amor de Deus, Sinh... Foi brincadeira... Eu costurei o retrato, pra explicar ao Sinh... E o narrador conclui com um mundo de cores: Na baixada, mato e campo eram concolores. No alto da colina, onde a luz andava roda, debaixo do angelim verde, de vagens verdes, um boi branco, de cauda branca. E, ao longe, nas prateleiras dos morros cavalgavam-se trs qualidades de azul. So Marcos de linha frentica.Aqui est presente o mundo das supersties e feitiarias que envolvem o homem interiorano. Outra tese desenvolvida a da plumagem e canto das palavras.7. Corpo Fechado A tcnica narrativa de Corpo Fechado em forma de entrevista. O doutor, no decorrer da histria, vai entrevistando Manuel Ful, um valento manso e decorativo, como mantena da tradio e para glria do arraial.O papo comeou com o doutor passando em revista os principais nomes de valentes daquelas bandas: Jos Boi, Desidrio Cabaa, Adejalma, nome bobo, que nem de santo... Miligido, que j se aposentara, e o terrvel Targino:Esse-um maligno e est at excomungado... Ele de uma turma de gente sem-que-fazer, que comeram carne e beberam cachaa na frente da igreja, em sexta-feira da Paixo, s pra pirraar o padre e experimentar a pacincia de Deus... Esses valentes todos j tinham sido castigados. S faltava o Targino. Mas o seu fim havia de chegar como chegou para os outros: Eles todos j foram castigados: o Roque se afogou numa gua rasinha de enxurrada... ele estava de chifre cheio... Gervsio sumiu no mundo, asem deixar rasto... Laurindo, a mulher mesma torou a cabea dele com um machado, uma noite... foi em janeiro do ano passado... Camilo Matias acabou com mal-de-lzaro... S quem est sobrando mesmo o Targino. E o castigo demora, mas no falta... E Manuel Ful, o entrevistado, vai narrando as suas aventuras entre os ciganos; como os tapeou, uma vez; o seu desejo de possuir uma sela mexicana para a mulinha Beija-Ful. E ento chegamos ao casamento de Manuel da raa dos Peixoto, do que tinha honra e fazia alarde. A noiva era a das Dor. E aqui que comea a histria propriamente. O Targino aparece e diz assim para o Manuel Ful: - Escuta, Man Ful: a coisa que eu gostei da das Dor, e venho visitar sua noiva. amanh.. J mandei recado, avisando a ela... um dia s, depois vocs podem se casar... Se voc ficar quieto, no te fao nada... Se no... Rebolio. Correrias. Movimentao do doutor. E ento a histria comea mesmo aqui: Antonico das guas, que tinha alma de paj e era curandeiro-feiticeiro agora entra na histria para fechar o corpo de Manuel Ful, requisitando agulha-e-linha, um prato fundo, cachaa e uma lata com brasas: - Fechei o corpo dele. No caream de ter medo, que para arma de fogo eu garanto!... E o doutor conclui a histria assim: E, quando espiei outra vez, vi exato: Targino, fixo, como um manequim, e Manu e Ful pulando nele e o esfaqueando, pela altura do peito - tudo com rara elegncia e suma preciso. Targino girou na perna esquerda, ceifando o ar com a direita; capotou; e desviveu, num timo. Seu rosto guardou um ar de temor salutar. - Conheceu, diabo, o que raa de Peixoto?! Corpo Fechado ainda continua a problemtica apresentada em So Marcos: mundo de feitiarias e bruxarias.Alm dessa temtica, sobressai tambm a saga dos valentes das gerais, principalmente com o temvel Targino, e a saga dos ciganos, muito freqente no interior.8. A Saga dos BoisEm Conversa de Bois, Guimares Rosa, procura desenvolver a psicologia dos animais o que j se vislumbra em O Burrinho Pedrs, tambm aqui, e com largo uso, explorando a plumagem e canto das palavras. O narrador de terceira pessoa, narrado por Manuel Timborna, que entrevistado pelo autor, que pede para recriar a histria: - S se eu tiver licena de recontar diferente, enfeitado e acrescentado ponto e pouco... - Feito! Eu acho que assim at fica mais merecido, que no seja E ento Manuel Timborna comea a contar um caso acontecido que se deu, procurando demonstrar que boi fala o tempo todo.

Buscap, Namorado, Capito, Brabagato, Dansador, Brilhante, Realejo e Canind so os protagonistas bovinos da histria, que vo na sua marcha lenta, carregando o peso pesado do carro-de-bois, carregado de rapaduras e um defunto. O guia Tiozinho, filho do defunto carregado. Vai triste e babando gua dos olhos Visto pelos bovinos o bezerro-de-homem-que-caminha-sempre-na-frente-dos-bois. O carreiro, orgulhoso e perverso, o Agenor Soronho: o homem-do-pau-comprido-com-o-marimbondo-na-ponta que vem trepado no chifre do carro... Na sua marcha, os oito bovinos vo conversando. - O homem um bicho esmochado, que no devia haver.Criticam o modo de vida dos homens, o animal pensante: ruim ser boi-de-carro. ruim viver perto dos homens... As coisas ruins so do homem: tristeza, fome, calor - tudo pensado, pior... Mas melhor no pensar como o homem.Brilhante conta a histria do boi Rodapio - o boi que pensava de homem, o-que-come-de-olho-aberto..., que saiu certa vez, com esse raciocnio silogstico: Cada dia o boi Rodapio falava uma coisa difcil pra ns bois. Deste jeito: - Todo boi bicho. Ns todos somos bois. Ento, ns todos somos bichos!... Estrdio... E porque pensava muito-pensava como o homem - o boi Rodapio tem fim trgico: Escutei o barulho dele: boi Rodapio vinha l de cima, rolando poeira feia e cho solto... Bateu aqui em baixo e berrou triste, porque no pde se levantar mais do lugar das suas costas... Tiozinho vai relembrando a morte do pai. Tem uma raiva danada do Agenor Soronho que bate em todos os meninos do mundo: Seu Agenor Soronho o diabo grande Encontram Joo Bala acidentou o carro no Morro do Sabo.A falta de fraternidade de Agenor no permite que o outro seja ajudado.Tiozinho relembra sua vida, onde aparece Seo Agenor:S no embocava era no quartinho escuro, onde o pai ficava gemendo; mas no gemia enquanto o Soronho estava l, sempre perto da me, cochichando os dois, fazendo dengos...Que dio!Os bois observam, conversam, tramam e resolvem matar o homem, livrando o menino de toda a injustia futura.O fim trgico. Deus e o Demo: Agenor Soronho castigado pelos bois e por Tiozinho que pensa quase como ns bois : A roda esquerda do carro lhe colhera o pescoo. Tiozinho fica como um possesso diante daquela tragdia. Conversa de Bois procura interpretar a psiqu bovina. uma histria trgica tambm, e pode ser aproximada de O Burrinho Pedrs pela relevncia que d ao animal. Dentro dessa perspectiva est implcita uma crtica ao comportamento do homem, o animal pensante. Outra temtica bastante ntida no conto a da oposio entre o Bem e o Mal, onde os maus tm sempre fim trgico, como foi o caso de Seo Agenor Soronho. 09) A hora e a vez de Augusto Matraga - EpgrafeEu sou pobre, pobre, pobre,vou-me embora, vou-me embora...Eu sou rica, rica, rica, rica,vou-me embora daqui!...( Cantiga Antiga )Sapo no pula por boniteza,mas porm por preciso. ( Provrbio Capiau )I- EspaoMurici onde vive inicialmente como bandoleiroTombador onde faz penitncia e se arrepende da vida de perversidadesRala-coco onde encontra sua hora e vez

II - EnredoApresentao do personagem: Matraga no Matraga, no nada. Matraga Esteves. Augusto Esteves, filho do Coronel Afonso Esteves, das Pindabas e do Saco-da-Embira. Ou Nh Augusto o homem nessa noitinha de novena, num leilo de atrs de igreja.Trmino da procisso - Leilo da prostituta Surra no capiau - Sada com a mulher Marinha como a chuva:boa , pra quem quer bem!Ela vem sempre de graa,s no sei quando ela vem... - Que ?!... Voc tem perna de manuel-fonseca, uma fina e outra seca! E est que s osso, peixe cozido sem tempero... Capim pra mim, com uma sombrao dessas!... V-se embora, frango-dgua! Some daqui!Augusto Esteves no concebe para si nenhuma conexo com o mundo de fora.Obedece apenas a impulsos internos, sua atividade, ao contrrio de Sete-de-Ouros, a do desperdcio.Augusto Esteves no se economiza.Quim Recadeiro traz aviso da esposa \ Desprezo de Nh Augusto Agora, com a morte do Coronel Afonso, tudo piorara, ainda mais. Nem pensar. Mais estrdio, estouvado e sem regra, estava ficando Nh Augusto. E com dvidas enormes, poltica do lado que perde, falta de crdito, as terras no desmando, as fazendas escritas por paga, e tudo de fazer nsia por diante, sem portas, como parede branca.Viagem da esposa Dionra com a filha Mimita para o Morro AzulFuga da esposa com Ovdio MouraOs capangas o renegam e passam a trabalhar para o Major Consilva -Mal em mim no veja, meu patro Nh Augusto, mas todos no lugar esto falando que o senhor no possui mais nada, que perdeu suas fazendas e riquezas, e que vai ficar pobre, no j-j... E esto conversando, o Major mais outros grandes, querendo pegar o senhor traio. Esto espalhando... o senhor d o perdo pra minha boca, que eu s falo o que preciso esto dizendo que o senhor nunca respeitou filha dos outros nem mulher casada, e mais que que nem cobra m, que quem v tem de matar por obrigao... Estou lhe contando pra modo de o senhor no querer facilitar, Carece de achar outros companheiros bons, pra o senhor no ir sozinho... Eu, no, porque sou medroso. Eu c pouco presto... Mas, se o senhor mandar, tambm vou junto.Ida casa do Major e a surra J os porretes caam em cima do cavaleiro, que nem pinotes de matrinchs na rede. Pauladas na cabea, nos ombros, nas coxas. Nh Augusto desdeu o corpo e caiu. ainda se ajoelhou em terra, querendo firmar-se nas mos, mais isso s lhe serviu para poder ver as caras horrveis dos seus prprios bate-paus, e, no meio deles, o capiauzinho mongo que amava a mulher-atoa Sariema.(...)Mas, a, pachorrenta pra longe e cuspida, tressoou a voz do Major:- Arrestem pra longe, para fora das minhas terras... Marquem a ferro, depois matem.Salvamento por um casal de negros \ Arrependimento de Nh Augusto Esfriou o tempo, antes do anoitecer. as dores melhoraram. E a, Nh Augusto se lembrou da mulher e da filha. Sem raiva, sem sofrimento, mesmo, s com uma falta de ar enorme, sufocando. Respirava aos arrancos, e teve at medo, porque no podia Ter tento nessa desordem toda, e era como se o corpo no fosse mais eu. At que pde chorar, e chorou muito, um choro solto, sem vergonha nenhuma, de menino ao abandono. E, sem saber e sem poder, chamou alto, soluando:- Me... Me...O preto, que estava sentado, pondo chumbada no anzol, no p da porta de casa, ouviu e ficou atrapalhado; chamou a preta, que veio ligeira e se enterneceu:- No faz assim, seu moo, no desespera. reza, que Deus endireita tudo... Pra tudo Deus d o jeito!...................E ele teve uma vontade virgem, uma preciso de contar a sua desgraa, de repassar as misrias da sua vida. Mas mordeu a fala e no desabafou. Tambm no rezou................Se eu pudesse ao menos Ter absolvio dos meus pecados!...

Meses \ Vinda de um padre | Fuga com os negros samaritanos - F eu tenho, f eu peo, Padre...- Voc nunca trabalhou, no ? Pois, agora, por diante, cada dia de Deus voc deve trabalhar por trs, e ajudar os outros, sempre que puder. Modere esse mau gnio: faa de conta que ele um potro bravo, e que voc mais mandante do que ele... Pea a Deus assim, com seta jaculatria: Jesus, manso e humilde de corao, fazei seu corao semelhante ao vosso..........................- Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida um dia de capina com sol quente, que s vezes custa muito pedao bom de alegria... Cada um tem a sua hora e a sua vez: voc h de Ter a sua............................- Eu vou pra o cu, e vou mesmo, por bem ou por mal!... E a minha vez h de chegar... Pra o cu eu vou, nem que seja a porrete!...Vida de trabalho e rezas com as velhas do TombadorPassaram-se seis, seis ano e meio.O egosmo anterior era a absoluta inconscincia do outro, voltado para si, Augusto era o avesso de si mesmo o nada o demo quem que se transforma o homem quando se aliena do outro e do mundo ao redor.A dor e a humilhao fazem com que Nh Augusto olhe ao redor de si e veja as outras pessoas e tambm a lei que rege as relaes no serto.Visita de Tio da Thereza. \ Notcias da famlia e morte de Quim - Pra, chega, Tio!... No quero saber de mais coisa nenhuma! S te peo para voc fazer de conta que no me viu, e no contar pra ningum, pelo amor de Deus, por amor de sua mulher, de seus filhos e de tudo o que para voc tem valor!... No mentira muita, porque a mesma coisa em como eu tivesse morrido mesmo... No tem mais nenhum Nh Augusto Esteves, das Pindabas, Tio...Desejo de vinganaVolta ao cigarro \ Chegada do Bando de cangaceiros O bando desfilou em formao espaada, o chefe no meio. E o chefe o mais forte e o mais alto de todos, com um leno azul enrolado no chapu de couro, com dentes brancos limados em acume, de olhar dominador e tosse rosnada, mas sorriso bonito e mansinho de moa era o homem mais afamado dos dois sertes do rio: clebre do Jequitinhonha Serra das Araras, da beira do Jequita barra do Verde Grande, do Rio Gavio at os Montes Claros, de Carinha at Paracatu; maior do que Antnio D ou Indalcio; o arranca-toco, o treme-terra, o come-brasa, o pega--unha, o fecha-treta, o tira-prosa, o parte-ferro, o rompe-racha, o rompe-e-arrasa: Seu Joozinho Bem-Bem............Mas Nh Augusto, parecendo no ver os demais, veio direto ao chefe, encarando-o firme e perguntando:- O senhor, de sua graa, que mesmo o seu Joozinho Bem-Bem, pois no ?- Pra lhe servir, meu senhor.- A pois, se o senhor no se acanha de entrar em casa de pobre, eu lhe convido para passar mal e se arranchar comigo, enquanto for o tempo de querer ficar por aqui... E de armar sua rede debaixo do meu telhado, que vai me dar muita satisfao!- Eu aceito sua bondade, mano velho. Agora, preciso de ver quem mais, desse povinho assustado, que quer agasalhar o resto da minha gente...- Pois eu gostaria era que viessem todos juntos para o meu rancho...- No ser abuso, mano velho?- no... de corao.- Pois ento, vamos, que Deus lhe pagar!Atravs da observa desse outro Joozinho Bem-Bem e seu bando Augusto faz o movimento de volta ao encontro de algo que o definia como homem do serto: a coragem e a homncia.Busca de alimentos\Dilogo com lder\Convite para seguir o bando Novo desejo de vingana \ Nova conscincia do pecadoIda de Nh Augusto \ Encontro com um cego \ Encontro com o Bando Mas o que no se interrompia era o trnsito das grrulas maitacas. Um bando grazinava alto, risonho, para o que ia na frente e ficava nos ares, para o outro escalo, que avanava l trs............Quando ele encostou e enxada e veio andando para a porta da cozinha, ainda no possua idia alguma do que ia fazer. Mas, dali a pouco, nada adiantavam, para ret-lo, os rogos reunidos de me preta Quitria e de pai Serapio.- Adeus, minha gente, que aqui que mais no fico, porque a minha vez vai chegar, e eu tenho que estar por ela em outras partes!- Espera o fim das chuvas, meu filho! Espera a vazante...- No posso, me Quitria. Quando corao est mandando, todo tempo tempo!... E, se eu no voltar mais, tudo o que era de meu fica sendo para vocs.Rodolpho Merncio quis emprestar-lhe um jegue.- Que nada! Lhe agradeo o bom desejo, mas no preciso de montada, porque eu vou mesmo a p...Mas, depois, aceitou, porque me Quitria lhe recordou ser o jumento um animalzinho assim meio sagrado, muito misturado s passagens da vida de Jesus. Seu Joozinho Bem-Bem parou em frente de Nh Augusto, e continuou:- ... eu gostei da sua pessoa, em-desde a primeira hora, quando o senhor caminhou para mim, na rua daquele lugarejo... J lhe disse, da outra vez, na sua casa: o senhor no me contou coisa nenhuma de sua vida, mas eu sei que j deve ser te sido brigador de ofcio. Olha: eu, at de longe, com os olhos fechados, o senhor no me engana: juro como no h outro homem pra ser mais sem medo e disposto para tudo. s senhor mesmo querer...- Sou um pobre pecador, seu Joozinho Bem-Bem...- Que-o-qu! Essa mania de rezar que est lhe perdendo... O senhor no padre nem frade, pra isso; algum?... Cantoria de igreja, dando em cabea fraca, desgoverna qualquer valente... Bobajada!...Bate na boca, seu Joozinho Bem-Bem meu amigo, que Deus pode castigar!Chegada do Velho que seria vingado - Lhe atender no posso, e com o senhor no quero nada, velho. a regra... Seno, at quem mais que havia de oferecer a um homem que no vinga gente sua, morta de traio?... regra. Posso at livrar de sebaa, s vezes, mas no posso perdoar isto no... Um dos dois rapazinhos seus filhos tem de morrer, de tiro ou faca, e o senhor pode escolher qual deles que deve de pagar pelo crime do irmo. E as moas... Para mim no quero nenhuma, que mulher no me enfraquece: as mocinhas so para os meus homens.......-No faz isso, meu amigo seu Joozinho Bem-Bem, que o desgraado do velho est pedindo em nome de Nosso Senhor e da Virgem Maria! E o que vocs esto querendo fazer em casa dele coisa que nem Deus no manda e nem o diabo no faz!CLMAX sua hora e vezNh Augusto renuncia vingana, mas no honraHomem capaz de agir com coragem, justia, fraternidade e compaixo - Pois ento... e Nh Augusto riu, como quem vai contar uma grande anedota - ... Pois ento, meu amigo seu Joozinho Bem-Bem, fcil... Mas tem que passar primeiro por riba de eu defunto...........Epa! NOMOPADROFILHOSPRITOSSANTAMIN! Avana, cambada de filhos-da-me, que chegou minha vez!............. gostosura de fim-de-mundo!...Reconhecimento pela populao Mas Nh Augusto tinha o rosto radiante, e falou:Perguntem quem a que algum dia j ouviu falar no nome de Nh Augusto Esteves, das Pindabas!Virgem Santa! Eu logo vi que s podia ser voc, meu primo Nh Augusto...(...........)Pe a beno na minha filha........seja l onde for que ela esteja...E, Dionra...Fala com Dionra que est tudo em ordem!Depois morreu.III ConclusoMatraga recupera a honra e a coragem no momento da morte.Augusto Esteves, Nh Augusto e Augusto Matraga so os passos da travessia de um homem ao encontro de seu destino buscado e construdo na dor, mas tambm na alegria, no encontro com o sagrado e no desfrute do mundano sua hora e sua vez.Representao da luta entre o bem e o mal e as angstias que essa luta provoca em cada homem durante toda a vida.Quatro temticas parecem bem ntidas: a) a oposio Deus e o Demo (Bem x Mal); b) a saga dos cangaceiros e valentes (Joozinho Bem-Bem); c) misticismo (Augusto Matraga depois do encontro com o padre); d) todos tm a sua vez e hora. Em A Hora e a Vez de Augusto Matraga h o longo aprendizado de que a espera um valor na existncia de um homem e tambm a lgica do mundo natural.Na espera se experimenta a f e o sentido da divindade se revela inusitadamente na ordem do serto.Augusto compreende a si a partir de uma conexo com o mundo ao redor.Sobre o Smbolo:Antigo smbolo ternrio em todas as civilizaes pr-crists, o tringulo pode significar duas linhas de fora produzindo uma outra, a resultante da tenso entre positivo e negativo; ou a natureza tresdobrvel do universo entre o divino, o humano e o natural; ou a idia da famlia, com pai, me e filho; ou a relao entre corpo, mente e esprito; ou a Terra, o cu e o arque medeia entre ambos.Em relao circunferncia, a autora destaca ainda: Em todas as religies e em todas as seitas esotricas, como a cabala e a Alquimia, a circunferncia e o o crculo significam conceitos to amplos e to abstratos quanto a eternidade, o universo, a divindade, a perfeio, alguns dos quais ela compartilha com o tringulo.

O real no est na sada nem na chegada:ele se dispe para a gente no meio da travessia.

O homem nasceu para aprender, aprender tanto quanto a vida lhe permita.

No serto, o homem o eu que ainda no encontrou um tu: por ali os anjos e o diabo ainda manuseiam a lngua.Referncias:Veredas de Rosa Silvana Oliveira (UEPG/UniAndrade)Tentaes e Descaminhos do Poder Alcebades Diniz MiguelSagarana Joo Guimares Rosa (Ed.Nova Fronteira / 31Edio)Sagarana Anlise da Obra Prof. Fernando Teixeira de Andrade- Sistema de Ensino Objetivowww.portrasdasletras.com.br

Observao: as referncias acima no seguem o padro da ABNT por opo do professor.