joão guimarães rosa - entrevistado por fernando camacho

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Entrevista de Guimarães Rosa

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  • 19/05/2016 JooGuimaresRosaentrevistadoporFernandoCamacho|TemploCulturalDelfos

    http://www.elfikurten.com.br/2016/05/joaoguimaraesrosaentrevistadopor.html 1/16

    Elfi Krten Fenske Ano VI, 2016.

    TemploCulturalDelfosINCIO SOBRE O SITE NOSSA REDE AUTORES E TEMAS ENTREVISTAS PROSA E VERSO CONTRIBUA SITES AMIGOS CONTATO

    Joo Guimares Rosa entrevistado por Fernando Camacho

    UM DILOGO COM JOO GUIMARES ROSA

    Depois de uma longa e incansvel busca por esta entrevista, que perdurou por mais de 4 anos, finalmenteconseguimos uma cpia. Devemos isso ao professor(UnB) escritor e pesquisador Gustavo de Castro e aospesquisadores da USPPedro Marques e Frederico Camargoque gentilmente nos enviaram uma cpiadigitalizada, assim a transcrevemos para socializar com os nossos leitores e pesquisadores. Essa uma dasraras entrevistas concedidas por Joo Guimares Rosa indita no Brasil (conhecida apenas porpesquisadores do autor), foi originalmente publicada na revista Humboldt em 1978, 11 anos aps ela ter sidoconcedida ao professor e jornalista Fernando Camacho em abril de 1966. provvel que seja a ltimaentrevista do escritor. (Entrevista com Joo Guimares Rosa". Revista Humboldt, vol.18 n 37, p. 4253.Munique|Rio de Janeiro, 1978).

    Para outras trs entrevistas do autor publicadas neste site, links no final da pgina.

    Temos ainda uma outra entrevista conhecida de Joo Guimares Rosa concedida para uma TV Alem em 1962,ao crtico literrio Walter Hllerer, um rarssimo registro de uma imagem em movimento do escritor. Essaentrevista est no documentrio "Outro Serto", de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela (2013 73'), infelizmenteno liberada para divulgao na rede.

    Chamaremos essa entrevista de "Um dilogo com Joo Guimares Rosa" j que ela uma transcrio semedio e com longas falas do entrevistador. Um documento importante que aborda questes relacionados acriao e as tradues de sua obra.

    Editoras TCD

    FERNANDO CAMACHO UM DILOGO COM JOO GUIMARES ROSAFernando Camacho entrevista com Joo Guimares RosaRio de Janeiro, Abril de 1966

    Esta entrevista foi gravada em princpios de abril de 1966 e teve lugar no gabinete de Guimares Rosa, naSecretaria de Estado das Relaes Exteriores, antigo palcio do Itamaraty do Rio de Janeiro. Estava eu defrias da Universidade de Zurique e na minha primeira visita ao Brasil, trabalhando ento para a revistaHumboldtcomo tradutor e redator. A entrevista destinavase, sobretudo mas no exclusivamente, a serpublicada na Humboldt e ao seu diretor, ProfessorAlberth Theile, que agora dedico como homenagem magnifica obra de intercmbio cultural que vem realizando h tanto tempo e com tanta persistncia entre ospases de lngua portuguesa e alem. Para que a entrevista tivesse uma divulgao ampla combinei umaverso alem mais resumida para o semanrio WELTWOCHE, onde eu ento escrevia sob o pseudnimo de RuiCorreia, e uma edio brasileira ficou tambm assente com o jornal do Brasil sendo anunciada noutraentrevista que concedi a este dirio carioca em 10 de abril de 1966.

    Joo Guimares Rosa foto: Acervo JGR/USP

    Sibila de Delphos, de Michelangelo

    "CONHECETE A TI MESMO E CONHECERS OSDEUSES E O UNIVERSO."

    Gabriela Fenske Feldkircher

    Elfi Krten Fenske

    EDITORAS

    Caros(as), informamos que o ndice de pginaspublicadas no site encontrase no menu"Autores e temas" na aba superior. Realizamosa mudana para dinamizar o site e melhoratendlos.

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  • 19/05/2016 JooGuimaresRosaentrevistadoporFernandoCamacho|TemploCulturalDelfos

    http://www.elfikurten.com.br/2016/05/joaoguimaraesrosaentrevistadopor.html 2/16

    No se publicou a entrevista porque dois meses aps o meu regresso do Brasil minha vida deu umareviravolta. Deixei Zurique, a Universidade, a Humboldt, e assumi novo posto de ensino na Inglaterra. Antesde partir ainda quis publicar a entrevista mais isso foi contrariado por uma srie de contratempos. Aqualidade da gravao era muito m e o amigo que me fizera o favor de transcrever as fitas, sendo denacionalidade portuguesa, aluzitanara o texto sempre que este era pouco claro ou mesmo inaudvel. Almdisso ele deixara certas passagens para eu conferir, omitindo por exemplo nomes estrangeiros e topnimosbrasileiros. Ao ler a transcrio tornouseme logo evidente que teria de "descorrigir" novamente o textoporque no fazia sentido que de vez em quando Guimares Rosa falasse comigo construes lusitanas. Aentrevista sair tambm muita longa demais para as publicaes que eu tinha em vista e desgostavameparticularmente a extenso das minhas prprias intervenes, que eu teria de resumir porque afinal eram asopinies de Guimares Rosa que interessavam e no as minhas.Cenrio: Um gabinete muito amplo e cmodo no Palcio do Itamaraty, Rio de Janeiro. Data: Princpios de abrilde 1966. Participantes no dilogo: Joo Guimares Rosa (GR), e o entrevistado; e Fernando Camacho (FC), oentrevistador.Alis eu tinha prometido ao autor que condensaria e estilizaria a entrevista para que tivesse mais peso evalor. Tudo isto era para ser feito na Inglaterra mas a verdade que fui absorvido por tarefas rotineiras a queno podia escapar e no curto prazo de seis meses no s tive que viajar semanalmente para Zurique mas tiveque mudar de casa cinco vezes (!). Mais tarde procurei a entrevista por toda parte sem a encontra. Quandoda morte do grande escritor de Cordisburgo renovei a busca mas tambm em vo. Agora, onze anos maistarde, vim encontrla no fundo de um caixote que eu arrumara a um canto da garagem juntamente comduas fotografias do autor, uma das quais em que estamos conversando um com o outro. Achei tambm umaou outra curiosidade, como seja a fotocpia (!) de uma carta que me escreveu em 15 de maros de 1964, ooriginal tendo sido enviado editora que planejava a publicao de uma antologia do conto brasileiro, etambm uns apontamentos escritos por ele e por mim em papel da Secretaria de Estado das RelaesExteriores, modelo R.J. 49 A.Ao deparar com a entrevista tornouseme bvio que tinha ali um documento de grande valor histrico.Guimares Rosa fala do seu processo de criao literria, discute as tradues da sua obra, d indicaesquanto maneira como devemos interpretar o seu vocabulrio, revelanos aspectos ntimos da sua alma.Deste modo, em vez de condensar este documento, achei melhor reproduzilo na ntegra tal qual o recebi dotranscrito, deixandoo assim com um outro portuguesismo que de resto no afetam a substncia daentrevista. Para terminar gostaria de acrescentar ainda uma palavra sobre a personalidade complexa deGuimares Rosa. Uma pessoa que nos desconhecia a ambos disseme que Rosa era extremamente egosta,incapaz de ajudar a ningum... Talvez, mas mesmo assim apoiou e recomendou a minha primeira viagem aoBrasil e concedeume esta entrevista, embora pensasse que era uma perda de tempo, que nada resolveria,que por uma questo de princpio, no dava entrevistas, acedendo em concedla apenas porque ela meauxiliaria a mim...

    Fernando Camacho

    Camacho: A meu ver a entrevista poderia comear porabordar dois temas: o processo de criao artstica e ovalor das tradues. Isto para termos assuntos com quecomear mas depois poderamos ver como a coisa ia.Conviria mesmo deixar que os assuntos sedesenvolvessem a si prprios e tomassem o seu prpriorumo. O que que voc acha, Guimares Rosa?

    Guimares Rosa: Camacho... voc desculpe... voctem muito mais lhaneza do que eu. Eu alis no tenhonenhuma. Deixo isso a seu critrio.... mas s vezes oignorante tem uma intuio e eu acho que conviria umtema palpitante, do momento, uma coisa queinteressasse a todos, ou ento...(Nota do transcritor: Inaudvel, confuso de vozes, uma terceira voz pedindo

    desculpa pela interrupo, gavador eventualmente desligado.)

    GR: Desculpe, Camacho...

    FC: Muito delicadamente voc discordou da mina escolha de temas, queria temas mais palpitantes, maisinteressantes. Mas olhe que eu no pretendia tratar ofenmenoda criaoartstica e da traduo literriaem abstrato. Queria referilosespecificamente sua obra. Htanta gente que presume saber destesassuntos e que no tem ou tem pouca experincia direta destas coisas que seria interessante ouvir umgrande escritor falar do seu prprio processo de criao artstica e, como voc tem um conhecimento toprofundo de outras lnguas ningum melhor do que voc poder falar do valor e utilidade das tradues, porexemplo da sua prpria obra. Alis tratamos destes assuntos na nossa ltima conversa e temos ali muitoselementos interessantssimos que poderiam ser aproveitados para a entrevista...(Nota do transcritor: Nova confuso de vozes. Pelo menos outras duas vozes. Ininteligvel.

    Guimares Rosa deu ordens para no voltarmos a ser interrompidos)

    GR: Bem, comece ento com as perguntas mas olhe bem para mim que eu quero ver seus olhos quando mefizer as perguntas. Vamos tornar (isto) o mais vivo (possvel)[1].Voc me conhece de to longa data no ? J desde 1962 que somos amigos. Viajamos juntos, fomos verhotis, fomos buscar minha mulher no aeroporto, se lembra?[2]

    FC: Lembro...

    GR: Hein?

    FC: Lembrome muito bem dos nossos encontros e alis gostaria de aproveitar um dos temas da conversa quetivemos no nosso hotel de Berlim a respeito de dois contos seus[3]. Os dois contos, voc lembrase (?) foram a"A terceira margem do rio" e "O espelho". Voc recordase?

    Joo Guimares Rosa, por Felipe Stefani (desenho de 2016)

    Aracy Moebius de CarvalhoGuimares Rosa a coragem deuma mulher que salvou vidas

    Joo Guimares Rosa entrevistado por FernandoCamacho

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