aula 1 - processo penal ii curso de direito data

35
AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

Upload: isaque-alencastre-neves

Post on 07-Apr-2016

216 views

Category:

Documents


3 download

TRANSCRIPT

Page 1: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

AULA 1 - PROCESSO PENAL II

CURSO DE DIREITO

Data

Page 2: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Estrutura de ConteúdoTeoria geral da prova no processo penal 1.1 Conceito, finalidade, objeto, fontes, meios, elementos, natureza, titularidade, princípios, sistemas de apreciação das provas. 1.2 Prova emprestada. 1.3 Limites ao direito à prova. Prova ilícita, ilegítima e ilícita por derivação. Princípios da proporcionalidade e da razoabilidade em matéria probatória. 1.4 Sigilo das comunicações. Interceptações telefônicas-Lei nº 9.296/1996.

Page 3: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

1.1 Conceito, finalidade, objeto, fontes, meios, elementos, natureza, titularidade, princípios, sistemas de apreciação das provas. ConceitoSegundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira prova significa “aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa; demonstração evidente.”No campo jurídico prova é o meio instrumental de que se valem os sujeitos processuais (autor, juiz e réu) de comprovar os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento do exercício dos direitos de ação e de defesa.

Page 4: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Finalidade Tornar os fatos, alegados pelas partes, conhecidos do juiz, convencendo-o de sua veracidade. Portanto, o principal destinatário da prova é juiz.As partes são interessadas nas provas também, portanto, são destinatárias indiretas, uma vez que podem ou não acatar a decisão judicial. Dessa condição decorre o princípio do duplo grau de jurisdição.

Page 5: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

ObjetoO objeto da prova é a coisa, o fato, o acontecimento que deve ser conhecido pelo juiz, a fim de que possa emitir um juízo de valor.No processo penal, os fatos, controvertidos ou não, necessitam ser provados, face os princípios da verdade real e do devido processo legal, pois mesmo que o réu confesse todos os fatos narrados na denúncia, sua confissão não tem valor absoluto, devendo ser confrontada com os demais elementos de prova dos autos (art. 197, CPP)

Page 6: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

O objeto da prova é a veracidade da imputação penal feita pelo MP em sua peça exordial, com todas as suas circunstâncias. A prova pode ser direta ou indireta.a. Direta – quando se referir ao próprio fato probando. O fato é provado

sem a necessidade da construção de qualquer processo lógico. Ex: a testemunha do crime, o laudo do exame de corpo de delito a confissão.

b. Indireta – que não se dirige ao próprio fato probando, mas, por raciocínio que se desenvolve, se chega a ele. Existe uma necessidade de construção lógica. São indícios e presunções. Ex: Magrão é encontrado com a arma do crime. (presume-se ser ele o autor, art. 302, IV, CPP). Outro: Entrevista concedida pelo acusado em outro Estado no momento do crime. Indício negativo de autoria. Álibi.

Page 7: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Fontes e meios de provaFontes são os elementos (mecanismos) externos ao processo aptos a provar; e os últimos são os elementos (mecanismos) internos do processo aptos a provar, ou seja, as formas pelas quais se podem produzir provas em juízo de acordo com a legislação processual do país (confissão, depoimento pessoal, interrogatório, testemunhas, documentos, perícia e inspeção judicial).“Nem toda fonte pode ser meio de prova”. Ex: testemunha que é amigo do autor da demanda, o peso da inquirição tende a acabar por ser rebaixado (à informante) ou mesmo excluído.

Page 8: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Elementos de provaOs elementos da prova são conceituados como sendo as afirmações e os fatos comprovados que se encontram no mundo real e são levados ao processo. “são todos os fatos ou circunstâncias em que repousa a convicção do juiz”.TOURINHO

Page 9: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

ClassificaçãoQuanto:a. Ao objeto: diretas ou indiretasb. Ao sujeito: pessoal (afirmação parte da pessoa)ou real (originada dos

vestígios)c. À forma: testemunhal (indivíduo), documental (afirmação escrita ou

gravada) ou material (consta da materialidade que sirva de elemento de convicção. Ex: exames de corpo de delito, as perícias e os instrumentos utilizados pelo crime)

Page 10: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Natureza jurídica da provaDireito subjetivo de índole constitucional de estabelecer a verdade dos fatos que não pode ser confundido com o ônus da prova.Isso decorre da pretensão punitiva exercida pelo MP quando o corre uma violação da ordem jurídica. Por outro lado, o acusado deseja exercer seu direito de defesa e resistir a punição Estatal. Pretensão x Resistência.

Page 11: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

TitularidadeO sujeito da prova é a pessoa que, no processo, transmite o conhecimento de um objeto de prova. Trata-se de um elemento de extrema importância como ocorre nos casos da prova testemunhal, no depoimento da vítima, no interrogatório do acusado, no depoimento de informantes etc.Porém, quanto à titularidade não se pode dizer que é de qualquer das partes ou até do juiz, pois ela pertence ao processo. Assim, não existem provas da acusação ou da defesa.

Page 12: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Princípiosa. Princípio da comunhão da prova – a prova uma vez no processo

pertence a todos os sujeitos processuais (partes e juiz), não obstante ter sido levada por apenas um deles. Se a testemunha é arrolada pela defesa, e depois deseja desistir da oitiva, deverá ter autorização do MP (acusação) e ainda que este concorde o juiz pode seguir com o depoimento. O mesmo ocorre com documentos juntados.

b. Princípio da liberdade da prova – o juiz deve buscar sempre a verdade dos fatos que lhe são apresentados, óbvio nos parece que tem toda a liberdade de agir. Contudo, a liberdade não é absoluta, pois o juiz está por vezes limitado em suas pesquisas sobre a verdade.

Page 13: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

c. Princípio da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos – A CF. art. 5º, LVI diz: são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. Essa situação decorre do Estado Democrático de Direito que não admite a punição do indivíduo a qualquer preço, custe o que custar.

d. Princípio da verdade real (ou material ou substancial) – o que importa para o processo penal é a verdade real, ou seja, o que interessa é a demonstração processual do que efetivamente ocorreu.

e. Princípio da presunção de inocência – o acusado não tem a obrigação de provar sua inocência. O ônus da prova incumbe a quem faz a acusação ou a alegação (art. 156, CPP).

Page 14: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

f. Princípio da busca da verdade pelo juiz – pode o juiz tomar iniciativa de provas? Há dois sistemas: acusatório e inquisitivo. O primeiro divide-se em acusatório puro – o juiz é mero expectador e acusatório flexível – admite-se certo poder investigativo do juiz. (art. 156, CPP). No Brasil vigora o último sistema , assim, o juiz não é inquisidor, mas também não é totalmente inerte.

g. Princípio da legalidade e da moralidade das provas – toda prova deve ter previsão legal e ser moralmente válida (art. 332, CPC). Esse princípio é analógico em relação ao Direito Civil.

h. Princípio da auto-responsabilidade das partes – as partes assumem as consequências de sua atividade ou inatividade no campo probatório.

Page 15: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

i. Princípio da imediatidade e oralidade – prova válida é a produzida em juízo. Valor da prova policial: a prova produzida fora do processo, não foi submetida ao contraditório, portanto, não tem valor para a condenação final.

j. Princípio da audiência contraditória – toda prova admite a contra-prova, não sendo admissível a valoração de uma delas sem o conhecimento da outra parte. Exige prévia intimação e oferecimento de oportunidade para as partes se manifesterem sobre qualquer prova produzida no processo. (contraditório direto – no momento da produção da prova; contraditório indireto – após a produção).

k. Princípio da não auto-incriminação – Pressupõe: direito ao silêncio; de não declarar contra si mesmo; direito de não confessar; direito de mentir (não existe perjúrio); direito de não praticar qualquer ato que o prejudique. Ex: não reconstituir o crime, não fazer grafotécnico, bafômetro ou exame de sangue.

Page 16: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Sistemas de avaliação das provasSistema de provas é o critério utilizado pelo juiz para valorar as provas dos autos, alcançando a verdade histórica do processo. Três foram os sistemas Adotados.a. Sistema da íntima convicção ou da certeza moral do juiz – impõe ao

magistrado toda a responsabilidade pela avaliação das provas, dando a ele liberdade para decidir de acordo, única e exclusivamente, com sua consciência. Está previsto no Tribunal do Júri, pois não há a necessidade de fundamentação na cédula. Basta marcar sim ou não. (art. 593, III, d, CPP) “decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos”.

Page 17: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

b. Sistema das regras legais ou certeza moral do legislador ou da prova tarifada – O legislador desconfiado do que poderia fazer o juiz passou a dizer que todas as provas têm valor, não dando ao magistrado liberdade, acabando com a discricionariedade. (art. 158 c/c art. 564, III, b) A lei exige exame de corpo de delito nas infrações penais que deixam vestígios, sob pena de nulidade.c. Sistema da livre convicção ou da persuasão racional – ele dá ao juiz liberdade para agir de acordo com as provas que se encontram nos autos, pois, se não estão nos autos, não existem no mundo. É o sistema adotado entre nós. (art. 155, CPP):“O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova”.

Page 18: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

1.2 Prova emprestadaÉ aquela que foi produzida em um processo e trasladada (transferida) para outro. Ada Pellegrini Grinover: “Aquela que é produzida num processo para nele gerar efeitos, sendo depois transportada documentalmente para outro, visando gerar efeitos em processo distinto”.

Page 19: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Requisitosa. Que tenha sido colhida em processo entre as mesmas partes – Isso

ocorre tanto no processo penal público e na ação privada. Portanto, o que se exige é que as partes sejam as mesmas.

b. Que tenham sido observadas, no processo anterior, as formalidades previstas em lei durante a produção da prova – é imprescindível o respeito a todas as formalidades legais para a prática dos atos processuais.

c. Que o fato probando seja o mesmo – o fato objeto de prova deve ser idêntico tanto no processo onde a prova foi produzida quanto no processo para o qual será transferida.

d. Que tenha havido o contraditório no processo do qual a prova será transferida – Se não houve contraditório no processo de origem, não tem eficácia

Page 20: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

1.3 Limites ao direito à prova. Prova ilícita, ilegítima e ilícita por derivação. Princípios da proporcionalidade e da razoabilidade em matéria probatória. Princípio da liberdade da prova depende do princípio da verdade real, pois o juiz deseja reconstruir o fato praticado e a aplicar a ele a norma jurídica que for cabível.A liberdade de prova possui algumas limitações:Primeira – Prova do estado civilA prova do estado civil das pessoas está sujeita às limitações impostas pela lei civil (art. 155, CPP). Ex: agente casado que, em decorrência da prática do crime de estupro, somente poderá ser aumentada da quarta parte (art.226, CP) se houver nos autos a certidão de casamento (art. 1543, CC), pois somente a prova testemunhal não basta para o aumento de pena.

Page 21: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Segunda – Questões prejudiciaisQuestões prejudiciais são aquelas que surgem no curso do processo e que devem ser julgadas antes do julgamento da questão principal. Ex: No crime de bigamia, o réu alega que o seu primeiro casamento foi declarado nulo e que, por isso, casou novamente. Se for verdade não há crime. Assim, a questão de sabermos se realmente é ou não nulo o primeiro casamento impede a continuidade do processo criminal.Terceira – Crime falimentarO juiz penal fica coarctado em sua pesquisa sobre a validade da sentença que declarou a quebra no juízo falimentar. Quarta limitação – Segredo profissional O art. 207, CPP diz que é inadmissível o depoimento de pessoas que devam guardar segredo, bem como a apreensão de documentos em poder do defensor, que é vedada pela lei (art. 243, §2º, CPP)

Page 22: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Prova ilícita – generalidadesA prova será vedada, sempre que for contrária, absoluta ou relativamente, a uma norma legal específica ou a um princípio do direito positivo.A prova será vedada em sentido absoluto quando o direito proibir, em qualquer caso, sua produção. Ex: admissão, em juízo, de cartas particulares interceptadas ou obtidas por meios criminosos. (art. 233, CPP)Quanto ao sentido relativo, a prova será vedada quando o ordenamento jurídico, embora admitindo o meio de prova, condiciona sua legitimidade à observância de determinadas formas, como é o caso do interrogatório do réu. A vedação pode ser estabelecida quer pela lei processual, quer pela lei material (constitucional ou penal), e pode, ainda, ser expressa ou implicitamente ser deduzida dos princípios gerais.

Page 23: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Prova ilegítimaA prova será ilegal toda vez que caracterizar violação de normas legais ou de princípios gerais do ordenamento, de natureza processual ou material. Quando a proibição for colocada por uma lei processual, a prova (o meio de prova) será ilegítima, já quando a proibição for de natureza material, a prova será ilícita.

Page 24: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Prova IlícitaA CF/88 estabelece no art. 5º, LVI:“são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos”.A vedação da prova ilícita decorre do Estado Democrático de Direito. Não há como garantir a dignidade da pessoa humana admitindo uma prova obtida com violação às normas legais em vigor.

Page 25: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Procedimento probatório:a. proposição das provas (indicação pelas partes);b. admissão das provas (quando o juiz se manifesta sobre sua

admissibilidade);c. produção das provas (contradição feita pelas partes); ed. valoração das provas (apreciação pelo juiz na sentença)A prova ilícita fica na encruzilhada entre a busca da verdade em defesa da sociedade e o respeito aos direitos fundamentais que podem ser afetados pela investigação.

Page 26: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

A prova ilícita fica na encruzilhada entre a busca da verdade em defesa da sociedade e o respeito aos direitos fundamentais que podem ser afetados pela investigação.A prova será vedada, sempre que for contrária, absoluta ou relativamente, a uma norma legal específica ou a um princípio do direito positivo.A prova será vedada em sentido absoluto quando o direito proibir, em qualquer caso, sua produção. Ex: admissão, em juízo, de cartas particulares interceptadas ou obtidas por meios criminosos. (art. 233, CPP)Quanto ao sentido relativo, a prova será vedada quando o ordenamento jurídico, embora admitindo o meio de prova, condiciona sua legitimidade à observância de determinadas formas, como é o caso do interrogatório do réu.

Page 27: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Prova ilícita por derivaçãoFrutos da árvore envenenada (fruits of the poisonous tree) O art. 157 §1º - São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. §2º - Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.Descoberta inevitávelQuando a descoberta for inevitável a prova será lícita. Ex: descoberta de corpo em tortura. Ao chegar ao local muitas pessoas já cavavam naquele terreno.

Page 28: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Contaminação expurgadaO Agente confessa mediante tortura e indica seu co-autor, que também confessa. Essa segunda confissão é ilícita. Dias depois o co-autor confessa diante de seu advogado em juízo. Essa ratificação da confissão é válida e expurga aquela contaminada.

Page 29: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Princípio da proporcionalidadeConstitui uma moderna doutrina que prevê a utilização da prova ilícita sempre que o interesse tutelado se sobrepuser ao defendido pelo Estado.Proibição do uso da prova ilícita e a inocência (liberdade) – Em favor do réu.Ex: no caso do crime de extorsão em que a gravação clandestina prova a legítima defesa.Não existe direito absoluto! (interceptação das correspondências dos presos) STF HC 70814/SP.Princípio da razoabilidadeEm favor da sociedade pode ser invocado o princípio da razoabilidade, quando se trata de prova ilícita? Não (STF HC 69912)

Page 30: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Aplicação: articulação teoria e prática(Magistratura Federal / 2 Região) Para provar a sua inocência, o réu subtraiu uma carta de terceira pessoa, juntando-a ao processo. O juiz está convencido da veracidade do que está narrado na mencionada carta. Pergunta-se: como deve proceder o magistrado em face da regra do artigo 5, LVI da Constituição Federal ? Justifique a sua resposta.

Page 31: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Exercício Suplementar(OAB FGV 2010.2) Em uma briga de bar, Joaquim feriu Pedro com uma faca, causando-lhe sérias lesões no ombro direito. O promotor de justiça ofereceu denúncia contra Joaquim, imputando-lhe a prática do crime de lesão corporal grave contra Pedro, e arrolou duas testemunhas que presenciaram o fato. A defesa, por sua vez, arrolou outras duas testemunhas que também presenciaram o fato.Na audiência de instrução, as testemunhas de defesa afirmaram que Pedro tinha apontado uma arma de fogo para Joaquim, que, por sua vez, agrediu Pedro com a faca apenas para desarmá-lo. Já as testemunhas de acusação disseram que não viram nenhuma arma de fogo em poder de Pedro.Nas alegações orais, o Ministério Público pediu a condenação do réu, sustentando que a legítima defesa não havia ficado provada. A Defesa pediu a absolvição do réu, alegando que o mesmo agira em legítima defesa. No momento de prolatar a sentença, o juiz constatou que remanescia fundada dúvida sobre se Joaquim agrediu Pedro em situação de legítima defesa.

Page 32: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Considerando tal narrativa, assinale a afirmativa correta. (A) O ônus de provar a situação de legítima defesa era da defesa. Assim, como o juiz não se convenceu completamente da ocorrência de legítima defesa, deve condenar o réu.(B) O ônus de provar a situação de legítima defesa era da acusação. Assim, como o juiz não se convenceu completamente da ocorrência de legítima defesa, deve condenar o réu.(C) O ônus de provar a situação de legítima defesa era da defesa. No caso, como o juiz ficou em dúvida sobre a ocorrência de legítima defesa, deve absolver o réu.(D) Permanecendo qualquer dúvida no espírito do juiz, ele está impedido de proferir a sentença. A lei obriga o juiz a esgotar todas as diligências que estiverem a seu alcance para dirimir dúvidas, sob pena de nulidade da sentença que vier a ser prolatada.

Page 33: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Avaliação - RESPOSTA SUGERIDA: Em homenagem à tutela da correspondência, veda-se o lançamento aos autos das cartas particulares interceptadas ou obtidas por meios criminosos (art. 233, CPP). Ademais, a interceptação da correspondência caracteriza PROVA ILÍCITA, impedindo a utilização para fins processuais. TODAVIA, conforme leciona Nestor Távora (in Curso de Direito Processual, Ed. JUSPODIUM), a prova em questão deverá ser RECEPCIONADA PELO JUIZ em virtude do Princípio da Proporcionalidade ou Razoabilidade (balancing test como é chamado pelo Direito judicial estaduniense). O conflito entre bens jurídicos tutelados pelo ordenamento leva o intérprete a dar prevalência àquele bem de maior relevância. Nesta linha, se de um lado está o jus puniendi estatal e a legalidade na produção probatória, e o do outro o status libertatis do réu, que objetiva demonstrar a inocência, este último bem deve prevalecer, sendo a prova utilizada, mesmo que ilícita, em seu benefício. Como assegura Ada Pellegrini, Scarance Fernandes e Magalhães Gomes Filho (in Princípio constitucional da proporcionalidade no processo penal, Ed. Atlas, 2007), não deixa de ser manifestação da proporcionalidade a posição praticamente unânime que reconhece a possibilidade de utilização, no processo penal, da prova favorável ao acusado, ainda que colhida com infringência a direitos fundamentais seus ou de terceiros.Jurisprudência Sugerida: HC 52.995, rel. Min. Og Fernandes, j.19/09/2010 (Info 447), STJ.

Page 34: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data

TEORIA GERAL DA PROVA

Exercício Suplementar - C

Page 35: AULA 1 - PROCESSO PENAL II CURSO DE DIREITO Data