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1 GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO Almoxarife e Estoquista

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g o v e r n o d o e s ta d o d e s ã o pa u l o

Almoxarife e Estoquista

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emprego

A d m i n i s t r A ç ã o

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Almox arife e Estoquista

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GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Geraldo Alckmin

Governador

SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO,

CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Márcio Luiz França Gomes

Secretário

Cláudio Valverde

Secretário-Adjunto

Maurício Juvenal

Chefe de Gabinete

Marco Antonio da Silva

Coordenador de Ensino Técnico, Tecnológico e Profissionalizante

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GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Geraldo Alckmin

Governador

SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO,

CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Márcio Luiz França Gomes

Secretário

Cláudio Valverde

Secretário-Adjunto

Maurício Juvenal

Chefe de Gabinete

Marco Antonio da Silva

Coordenador de Ensino Técnico, Tecnológico e Profissionalizante

Page 5: Almoxarife e Estoquista 1 - Amazon S3...Direitos autorais e iconografia: Ana Beatriz Freire, Aparecido Francisco, Fernanda Catalão, José Carlos Augusto, Larissa Polix Barbosa, Maria

Concepção do programa e elaboração de conteúdos

Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação

Coordenação do Projeto Equipe TécnicaMarco Antonio da Silva Cibele Rodrigues Silva, João Mota Jr.

e Raphael Lebsa do Prado

Fundação do Desenvolvimento Administrativo – Fundap

Gestão do processo de produção editorial

Fundação Carlos Alberto Vanzolini

CTP, Impressão e Acabamento

Imprensa Oficial do Estado de São Paulo

Wanderley Messias da CostaDiretor Executivo

Márgara Raquel CunhaDiretora Técnica de Formação Profissional

Coordenação Executiva do ProjetoJosé Lucas Cordeiro

Equipe TécnicaElen Cristina S. K. Vaz Döppenschmitt, Fabiana de Cássia Rodrigues e Liliane Bordignon de Souza

Textos de ReferênciaDilma Fabri Marão Pichoneri, Paula Marcia Ciacco da Silva Dias e Selma Venco

Mauro de Mesquita SpínolaPresidente da Diretoria Executiva

José Joaquim do Amaral FerreiraVice-presidente da Diretoria Executiva

Gestão de Tecnologias em Educação

Direção da ÁreaGuilherme Ary Plonski

Coordenação Executiva do ProjetoAngela Sprenger e Beatriz Scavazza

Gestão do PortalLuis Marcio Barbosa, Luiz Carlos Gonçalves, Sonia Akimoto e Wilder Rogério de Oliveira

Gestão de ComunicaçãoAne do Valle

Gestão EditorialDenise Blanes

Equipe de Produção

Assessoria pedagógica: Egon de Oliveira Rangel

Editorial: Airton Dantas de Araújo, Ana Paula Peicher Lisboa, Bruno Meng, Camila Grande, Celeste Baumann, Mainã Greeb Vicente, Olivia Frade Zambone, Priscila Risso, Rogério Cantelli, Stella Mesquita e Tatiana F. Souza

Direitos autorais e iconografia: Ana Beatriz Freire, Aparecido Francisco, Fernanda Catalão, José Carlos Augusto, Larissa Polix Barbosa, Maria Magalhães de Alencastro, Mayara Ribeiro de Souza, Priscila Garofalo, Rita De Luca, Roberto Polacov e Sandro Carrasco

Apoio à produção: Fernanda Rezende de Queiróz, Luiz Roberto Vital Pinto, Maria Regina Xavier de Brito, Valéria Aranha e Vanessa Leite Rios

Diagramação e arte: Jairo Souza Design Gráfico

Caro(a) Trabalhador(a)

Estamos bastante felizes com a sua participação em um dos nossos cursos do Programa Via Rápida Emprego. Sabemos o quanto a capacitação profissional é importante para quem busca uma oportunidade de trabalho ou pretende abrir o seu próprio negócio.

Hoje, a falta de qualificação é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo desempregado.

Até os que estão trabalhando precisam de capacitação para se manterem atualizados ou, quem sabe, exercerem novas profissões com salários mais atraentes.

Foi pensando em você que o Governo do Estado criou o Via Rápida Emprego.

O Programa é coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com instituições conceituadas na área da edu-cação profissional.

Os nossos cursos contam com um material didático especialmente criado para facilitar o aprendizado de maneira rápida e eficiente. Com a ajuda de educadores experientes, pretendemos formar bons profissionais para o mercado de trabalho e excelentes cidadãos para a sociedade.

Temos certeza de que vamos lhe proporcionar muito mais que uma formação profissional de qualidade. O curso, sem dúvida, será o seu passaporte para a realização de sonhos ainda maiores.

Boa sorte e um ótimo curso!

Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação

Agradecemos aos seguintes profissionais e instituições que colaboraram na produção deste material:Campinense Transporte, DiCico, Fernando Henrique de Almeida Sobral, Longa Industrial Ltda., Nacco Materials Handling Group Brasil, Pallets de Paula, SB Pallet, Sest-Senat Santo André, Somov, SSI Schaefer e Transligue Transp. e Serv. Ltda.

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Concepção do programa e elaboração de conteúdos

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Coordenação do Projeto Equipe TécnicaMarco Antonio da Silva Cibele Rodrigues Silva, João Mota Jr.

e Raphael Lebsa do Prado

Fundação do Desenvolvimento Administrativo – Fundap

Gestão do processo de produção editorial

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Imprensa Oficial do Estado de São Paulo

Wanderley Messias da CostaDiretor Executivo

Márgara Raquel CunhaDiretora Técnica de Formação Profissional

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Equipe TécnicaElen Cristina S. K. Vaz Döppenschmitt, Fabiana de Cássia Rodrigues e Liliane Bordignon de Souza

Textos de ReferênciaDilma Fabri Marão Pichoneri, Paula Marcia Ciacco da Silva Dias e Selma Venco

Mauro de Mesquita SpínolaPresidente da Diretoria Executiva

José Joaquim do Amaral FerreiraVice-presidente da Diretoria Executiva

Gestão de Tecnologias em Educação

Direção da ÁreaGuilherme Ary Plonski

Coordenação Executiva do ProjetoAngela Sprenger e Beatriz Scavazza

Gestão do PortalLuis Marcio Barbosa, Luiz Carlos Gonçalves, Sonia Akimoto e Wilder Rogério de Oliveira

Gestão de ComunicaçãoAne do Valle

Gestão EditorialDenise Blanes

Equipe de Produção

Assessoria pedagógica: Egon de Oliveira Rangel

Editorial: Airton Dantas de Araújo, Ana Paula Peicher Lisboa, Bruno Meng, Camila Grande, Celeste Baumann, Mainã Greeb Vicente, Olivia Frade Zambone, Priscila Risso, Rogério Cantelli, Stella Mesquita e Tatiana F. Souza

Direitos autorais e iconografia: Ana Beatriz Freire, Aparecido Francisco, Fernanda Catalão, José Carlos Augusto, Larissa Polix Barbosa, Maria Magalhães de Alencastro, Mayara Ribeiro de Souza, Priscila Garofalo, Rita De Luca, Roberto Polacov e Sandro Carrasco

Apoio à produção: Fernanda Rezende de Queiróz, Luiz Roberto Vital Pinto, Maria Regina Xavier de Brito, Valéria Aranha e Vanessa Leite Rios

Diagramação e arte: Jairo Souza Design Gráfico

Caro(a) Trabalhador(a)

Estamos bastante felizes com a sua participação em um dos nossos cursos do Programa Via Rápida Emprego. Sabemos o quanto a capacitação profissional é importante para quem busca uma oportunidade de trabalho ou pretende abrir o seu próprio negócio.

Hoje, a falta de qualificação é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo desempregado.

Até os que estão trabalhando precisam de capacitação para se manterem atualizados ou, quem sabe, exercerem novas profissões com salários mais atraentes.

Foi pensando em você que o Governo do Estado criou o Via Rápida Emprego.

O Programa é coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com instituições conceituadas na área da edu-cação profissional.

Os nossos cursos contam com um material didático especialmente criado para facilitar o aprendizado de maneira rápida e eficiente. Com a ajuda de educadores experientes, pretendemos formar bons profissionais para o mercado de trabalho e excelentes cidadãos para a sociedade.

Temos certeza de que vamos lhe proporcionar muito mais que uma formação profissional de qualidade. O curso, sem dúvida, será o seu passaporte para a realização de sonhos ainda maiores.

Boa sorte e um ótimo curso!

Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação

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Caro(a) Trabalhador(a)

Você inicia agora um caminho para um novo aprendizado. A intenção neste Pro-grama é ir além do conhecimento referente à ocupação de almoxarife e estoquista. Essa opção está diretamente relacionada às demandas que o mundo do trabalho coloca aos profissionais como um todo e não apenas dessa área.

Será que, no mundo de hoje, conhecer apenas o conteúdo do trabalho e as principais técnicas seria suficiente para ser um bom profissional?

Não, pois o mundo do trabalho mudou. Saber como é possível melhorar a busca por um novo emprego, elaborar de forma adequada o novo currículo, conhecer a história da logística e dessa ocupação é também muito importante. Para isso, é necessário saber muito mais do que a técnica.

O Programa Via Rápida Emprego parte do princípio de que, para iniciar sua carreira ou aperfeiçoar aquilo que você já sabe fazer, é preciso conhecer as técnicas, mas precisa conhecer também alguns outros aspectos para ampliar suas chances na obtenção do um novo emprego.

As quatro primeiras Unidades apresentam o contexto do mundo do trabalho: na Unidade 1, o que compreendemos por trabalho, seu papel na subsistência humana; a Unidade 2 aborda as formas de organização do trabalho, uma vez que em uma mesma empresa convivem vários tipos de organização, que foram sendo desenvol-vidos e modificados ao longo da História; na Unidade 3, você aprofundará seus conhecimentos sobre o que é a globalização e seus efeitos no trabalho e na produção. Já na Unidade 4 você se aproximará das particularidades da ocupação de almoxa-rife e estoquista indicadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego. As duas últimas Unidades apresentam conceitos que são fundamentais para o aprendizado nessa área: do surgimento do almoxarifado no Brasil à configuração dos estoques atuais.

Bons estudos!

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Sum á ri o

Unidade 19

O mundO dO trabalhO

Unidade 221

a OrganizaçãO dO trabalhO: taylOrismO, fOrdismO e tOyOtismO

Unidade 343

O fenômenO da glObalizaçãO

Unidade 455

O mercadO de trabalhO

Unidade 567

almOxarife: tesOureirO dO rei?

Unidade 687

estOque: um velhO cOnceitO?

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FICHA CATALOGRÁFICATatiane Silva Massucato Arias - CRB-8/7262

São Paulo (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação. Via Rápida Emprego: administração: almoxarife e estoquista, v.1. São Paulo: SDECTI, 2015.

il. - - (Série Arco Ocupacional Administração)

ISBN: 978-85-8312-170-1 (Impresso) 978-85-8312-171-8 (Digital)

1. Ensino Profissionalizante 2. Administração – Qualificação Técnica 3. Almoxarife e Estoquista – Mercado de Trabalho I. Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação II. Título III. Série.

CDD: 658.787

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unida d e 1

O mundo do trabalhoPara que você compreenda o sentido do seu aprendizado, é importante iniciar sua formação por um percurso histórico no qual você conhecerá como surgiram as funções de almo-xarife e estoquista. Traçar esse caminho na História é rele-vante, pois aprendemos muito sobre a atualidade a partir do passado.

Vamos começar refletindo: Será que o termo “logística” era comum há 20 anos? Caso você seja jovem, pergunte aos seus pais, parentes ou vizinhos se costumavam ouvir esse termo nos locais de trabalho, nos jornais e até mesmo entre amigos.

Para começar a compreender o que faz um profissional na área de logística, é fundamental conhecer o cenário em que ela surgiu e se desenvolveu. Para tanto, nesta Unidade, vamos voltar no tempo e recuperar como o mundo do trabalho foi, gradualmente, sendo alterado, e passou a necessitar de novas funções que respondessem a contento às novas demandas de produção.

Trabalho sem a exploração do homem pelo homem?

Como você imagina o trabalho e a vida das pessoas antes de surgirem as máquinas? Como era a sociedade sem elas? Sempre existiu salário? Sempre existiu o lucro? No tempo em que as máquinas ainda não tinham sido inventadas, como a população trabalhava e se sustentava?

Observe as pinturas do artista francês Jean-François Millet (1814-1875), que retratam a vida no campo, e tente responder a essas questões.

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Jean-François Millet. A colheita de batatas, 1855. Óleo sobre tela, 54 cm x 65,2 cm. Walters Art Museum, Baltimore, EUA.

Jean-François Millet. O semeador, 1850. Óleo sobre tela, 101,6 cm x 82,6 cm. Museu de Belas Artes, Boston, EUA.

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Desde as primeiras civilizações de que se tem notícia, o ser humano habitou o campo. As pessoas se ocupa-vam da agricultura, para produzir alimentos para seu próprio consumo, cultivando a terra e criando também animais para sobreviver com o que produziam. O ex-cedente, ou seja, o que sobrava dos alimentos destinados para sustento próprio, era trocado com outros campo-neses por produtos de que não dispunham.

Dessa forma, um dava leite em troca do trigo, outro a carne pelas frutas e legumes e assim por diante. Acontecia o escambo, ou seja, uma troca entre as fa-mílias, cada uma delas preocupada com sua sobrevi-vência. Os poucos excedentes eram utilizados para serem trocados por outros produtos agrícolas ou outras mercadorias.

A vida no campo era orientada pelos tempos da natu-reza: as estações do ano indicavam a melhor hora para plantar e colher; as marés, o momento para pescar etc. O tempo era usado para cuidar das necessidades da sobrevivência, mas controlado pelos próprios campo-neses.

Nesse período predominava, portanto, o conceito de trabalho, que é diferente do conceito de emprego.

Com o tempo, contudo, a formação de um mercado de consumo nas cidades e do comércio de produtos invadiu a vida cotidiana, dando lugar à exploração do homem pelo homem e tornando as condições de vida e de sobre-vivência no campo mais difíceis. Os proprietários de terras passaram a cultivar e a criar seus rebanhos de forma mais intensa e a comercializar a produção excedente, ou seja, aquela que sobrava depois de separar a parte desti-nada ao sustento próprio.

Naquela época, as pessoas que não possuíam pequenos pedaços de terra ou o direito a utilizá-las para cultivo, ou não dominavam ofícios – aquelas que não eram mar-

Trabalho: Atividade realiza-da por seres humanos que, na transformação da natu-reza, utiliza esforço físico e mental para a produção e, dessa forma, permite a so-brevivência. Emprego: Relação firmada entre o proprietário dos meios de produção – dono das fer-ramentas, terras, máquinas etc. – e o trabalhador. Nesse contrato, o empregador com-pra a força de trabalho, ou seja, paga um salário pelo trabalho realizado.

Fonte: São Paulo (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sdecti). Sociologia:

caderno do estudante. Ensino Médio. São Paulo:

Sdecti, 2015. v. 1.

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ceneiros, ferreiros, artesãos, soldados etc. – formavam a maioria da população e essas pessoas eram obrigadas a trabalhar para outras e obter em troca apenas alimento e uma instalação que servisse de moradia.

Fonte: SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e

Inovação (Sdecti). Sociologia: caderno do estudante. Ensino Médio. São Paulo: Sdecti, 2015. v 1.

Revolução industrial e sociedade

O fenômeno denominado revolução é um momento na História em que mudanças profundas ocorrem em várias esferas da sociedade, que envolvem a vida cotidiana, a política, a economia, a cultura e as relações sociais. Por-tanto, ao se falar de Revolução Industrial é importante considerar que, nessa época, não foi apenas o trabalho que mudou, mas sim um conjunto de situações e relações na sociedade.

O fenômeno da Revolução Industrial ocorreu a partir do século XVIII (18) na Inglaterra, região rica em carvão mineral e ferro. Ela alterou profundamente o mundo, ocasionando grandes transformações no modo de pro-dução das mercadorias e no estilo de vida da população.

Uma das principais modificações foi o uso do carvão para movimentar máquinas, que deu origem às máquinas a vapor. Tal fenômeno criou e revigorou a indústria têx-til. Começaram, assim, a surgir empregos em maior proporção nas cidades, provocando a migração de pes-soas do campo em direção a elas em busca de trabalho. Em consequência, a produção agrícola declinou, ao mes-mo tempo que aumentou a necessidade de abastecer as cidades. A agricultura, que até então era de subsistência, passou a ser uma atividade comercial, uma vez que pro-curava justamente gerar cada vez mais excedentes para serem comercializados nas cidades.

Com frequência, associamos a palavra revolução a algum

acontecimento muito conturbado. Pense em situações nas quais você

emprega essa palavra no dia a dia. É comum que ela seja utilizada para expressar a confusão de um dia de

mudança, de enchentes, de greve nos transportes etc.

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O ser humano sempre procurou ampliar ou substituir sua força por meio do uso de instrumentos e pelo uso das forças de que dispunha na natureza: dos animais, das águas e dos ventos.

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Se tiver oportunidade, faça uma busca na internet e assista à abertura dos Jogos Olímpicos de 2012, que ocorreram em Londres, na Inglaterra. O tema foi a transição da agricultura à indústria, pela qual o país passou. Era o campo dando lugar às chaminés e agricultores se transformando em operários.

Os trabalhadores do campo começaram a deslocar-se para as cidades em busca de trabalho nas novas indústrias.

Fonte: SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sdecti). Sociologia: caderno do estudante.

Ensino Médio. São Paulo: Sdecti, 2015. v. 1.

Atividade 1Situando a Revolução induStRial

1. Observe o mapa a seguir e procure localizar a Inglaterra, um dos países que compõem o Reino Unido. Caso tenha dificuldade, faça o exercício na biblioteca ou em um laboratório de informática e consulte um atlas.

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2. Quais são as principais características da Revolução Industrial? Escreva sua resposta e discuta com os colegas.

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Fonte: Atlas of the World. Londres: Times Books, 1995©

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A Grã-Bretanha é uma ilha da Europa que abriga a Inglaterra, a Escócia e o País de Gales. O Reino Unido é um agrupamento político que congrega os países da Grã-Bretanha mais a Irlanda do Norte. As relações entre Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte com o Reino Unido são semelhantes às que definem os governos federalistas: há um poder soberano central e autonomia relativa nas unidades constituintes. Já a Escócia tem um autogoverno limitado, submetido ao Parlamento britânico.

Reginaldo Nasser, coordenador do curso de Relações Internacionais da Pontifícia Universi-dade Católica de São Paulo.

VICHESSI, Beatriz; MERCATELLI, Veridiana. Qual é a diferença entre Inglaterra, Grã-Bretanha e Reino Unido? Nova Escola. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/geografia/fundamentos/geografia-diferenca-

inglaterra-gra-bretanha-reino-unido-450810.shtml>. Acesso em: 23 abr. 2015.

Da manufatura à mecanização da produção

A palavra manufatura, originária do latim, é composta por manu, mão, e factura, feitio − a produção feita com as próprias mãos. A composição da palavra, ou seja, sua etimologia, refere-se à fabricação manual de produtos, portanto, sem o uso de máquinas e sim de ferramentas. Com o tempo, o termo passou a ser empregado com sentido mais amplo referindo-se também à fabricação de qualquer produto feito pela indústria com a utilização de máquinas.

É importante compreender que a manufatura na época da Revolução Industrial teve como principal característica a divisão social do trabalho, ou seja, a especialização do trabalhador em apenas uma parte da produção de mercadorias. Por exemplo: um operário pregava a roda e fazia só isso durante todo o dia de trabalho. Por essa razão, o trabalho era chamado de especializado.

A invenção da máquina a vapor permitiu às indústrias um salto significativo na pro-dução, pois o trabalho feito anteriormente de maneira artesanal era lento e heterogêneo. Se eu moldo o barro para fazer um jarro, o próximo que fizer poderá ser semelhante, mas nunca ficará idêntico ao primeiro. As máquinas, contudo, oferecem a possibili-dade de tornar os produtos homogêneos. Além disso, o tempo de produção torna-se mais curto. Sendo assim, o proprietário passa a produzir mais, vender mais, lucrar mais e necessitar de menos trabalhadores, provocando demissões.

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Foi nesse período de mecanização que nasceu a ideia de emprego, pois o emprega-dor passou a pagar o trabalhador pelo dia trabalhado. Nesse contexto, os campo-neses foram expulsos de suas terras e as cidades, que concentravam as manufaturas, receberam muitos trabalhadores. Como não havia emprego para todos, a pobreza e a fome se alastraram entre a população.

Se, de um lado, a produção crescia, de outro, as condições de trabalho e de vida da população que havia saído do campo em busca de emprego nas cidades eram mui-to difíceis. Veja como eram as condições de trabalho nesse período:

• os salários eram baixos;

• as fábricas contratavam principalmente mulheres e crianças, sobretudo porque os salários que elas recebiam eram ainda menores do que os pagos aos homens. A estes eram destinadas as funções que dependiam da força física;

• as crianças eram recrutadas em orfanatos, a partir de quatro anos de idade, para o trabalho na indústria têxtil;

• os trabalhadores não tinham direitos vinculados ao emprego, como férias, des-canso semanal, nem mesmo um contrato de trabalho;

• a jornada diária de trabalho chegava a 16 horas;

• os empregados estavam sujeitos a castigos físicos e as trabalhadoras eram, com frequência, violentadas pelos capatazes.

Fiação de algodão em Londres, Inglaterra, em 1820. As primeiras indústrias empregavam a força de trabalho feminina e infantil.

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No entanto, se os proprietários dos meios de produção impunham essas condições aos trabalhadores, estes, por sua vez, também reagiam contra isso. Apesar da pobre-za e da fome, os empregados das indústrias começaram a se organizar, a fim de melhorar as condições de trabalho, até mesmo com o uso da força, como fez o mo-vimento ludista (ou luddita) no início do século XIX (19).

Esse movimento caracterizou-se por uma iniciativa dos operários de quebrarem as máquinas dentro das fábricas, como forma de protesto contra as péssimas condições de trabalho. Ned Ludd teria inspirado o movimento de revolta entre aqueles que acreditavam que as máquinas eram responsáveis pela falta de emprego para todos.

Os operários quebravam as máquinas, pois as consideravam geradoras do desemprego.

Atividade 2MaquinaRia e eMpRego

1. Em grupo, discutam o que compreenderam sobre as condições de trabalho na época da Revolução Industrial. Registre aqui as principais ideias debatidas.

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2. Agora, respondam às seguintes questões:

a) Vocês consideram que as máquinas eram responsáveis por não haver emprego para todos? Por quê?

b) Quebrar máquinas era um ato contra os equipamentos? Por quê?

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c) Existem semelhanças entre o trabalho daquela época e o de hoje? Quais?

3. Organizem uma apresentação criativa, sobre o que discutiram, para os demais colegas.

Fonte: SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sdecti). Sociologia: caderno do estudante. Ensino Médio. São Paulo: Sdecti, 2015. v. 1.

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unida d e 2

A organização do trabalho: taylorismo, fordismo e toyotismo Esta Unidade é destinada ao estudo das formas de organização do trabalho no século XX (20). Conhecer as características de cada uma delas é importante, pois lhe permitirá identificar como o trabalho se organiza na logística, bem como proporcionará o planejamento de novas formas de realizar tarefas e de lidar com imprevistos.

Pense em alguma atividade que você costuma executar em casa: higienizar o banheiro, consertar a porta do armário, cozinhar etc. Talvez, mesmo inconscientemente, você se organize para fazer essas tarefas: calcula o tempo que levará para fazê-las; ve-rifica se tem todas as ferramentas para um conserto ou os pro-dutos para a limpeza; e faz uma lista para não esquecer nada nas compras. Depois, você avalia o resultado: se o armário ficou bom, se a limpeza ficou adequada e assim por diante.

Se você considerar o trabalho realizado nas indústrias, no co-mércio e no setor de serviços, verá que algumas situações são muito semelhantes. Mas, na empresa, a organização é estudada minuciosamente para que cada tarefa seja feita em menos tem-po. Essa foi a lógica arquitetada no início do século XX (20) por Frederick Winslow Taylor (1856-1915), cujo pensamento ficou conhecido em todo o mundo como taylorismo.

Como pensava Taylor no início do século XX (20)?

Taylor acreditava que os operários “faziam cera” no trabalho, conforme a própria expressão utilizada por ele, escondendo dos patrões como realizavam cada atividade e sendo contrários a produzir diariamente tanto quanto fosse possível.

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Ele também achava que os sindicatos tinham uma visão equivocada do processo produtivo, pois queriam que os operários trabalhassem menos e em melhores condições.

Como solução para esse caso, desenvolveu o que chamou de “organização científica do trabalho”.

Como era essa organização?

Taylor observou o trabalho dos carregadores de barras de ferro, operários em grande parte provenientes dos países da Europa que se encontravam em situação eco-nômica difícil.

Havia 75 carregadores e cada barra pesava 45 quilogra-mas. Cada homem, antes do taylorismo, carregava 12,5 toneladas de ferro por dia trabalhado. Com a organização taylorista do trabalho, cada carregador passou a trans-portar 47 toneladas em um dia de trabalho.

Antes do taylorismo

Com o taylorismo

Número de carregadores 75 75

Toneladas transportadas por dia (1 tonelada = 1 000 quilogramas)

12,5 47

Como Taylor conseguiu aumentar a produtividade?

• Segundo ele, na organização do trabalho alguns tra-balhadores planejam e outros executam o trabalho, ou seja, ele compreendia que certos trabalhadores eram destinados a pensar e outros a executar. Por isso, havia a divisão entre os que pensavam como carregar as bar-ras e os que só utilizavam a força física.

• Com base na observação do trabalho, Taylor propôs o controle do tempo e dos movimentos, isto é: ele sabia, por meio da observação do trabalho e cronome-trando cada ação, que um movimento era feito em “x” segundos e outro em “y” segundos. A intenção de Taylor era que o empregador tivesse controle sobre

Produtividade: Resultado da divisão da produção física ob-tida numa unidade de tempo (hora, dia, ano) por um dos fatores empregados na pro-dução (trabalho, terra, capital). Em termos globais, a produ-tividade expressa a utilização eficiente dos recursos produ-tivos, tendo em vista alcançar a máxima produção na me-nor unidade de tempo e com os menores custos.

SANDRONI, Paulo. Dicionário de economia do século XXI. 8. ed.

revista e ampliada. Rio de Janeiro: Editora Record, 2014, p. 694.

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todo o processo de trabalho e, assim, nessa visão, os empregados não poderiam mais fazer “cera”.

• O trabalhador precisava obedecer aos comandos, inicialmente pensados por Taylor, sobre o momento e o tempo exatos de se mover, sempre com a vigilância e a su-pervisão constantes das chefias.

Taylor, no entanto, considerou que nem todo carregador poderia executar seu mé-todo e, assim, incluiu mais um item em sua lista de procedimentos para obter a produção pretendida: a seleção científica do trabalhador, acompanhada do devido treinamento para realizar a tarefa tal como esperada por quem a planejou.

Ele observou o comportamento dos carregadores, pois, em sua concepção, não seria qualquer operário que se submeteria às exigências. Pesquisou o passado, o caráter, os hábitos e, principalmente, as pretensões de cada trabalhador. Finalmente, ele encontrou um imigrante holandês cujos hábitos lhe pareceram adequados. Este estava construin-do, ele mesmo, a casa para morar com sua família. Fazia isso pela manhã; corria para o trabalho, onde carregava barras de ferro; e, ao voltar para casa, continuava a constru-ção. Todos diziam que esse operário era muito econômico. Esse trabalhador reuniu as “qualidades” que Taylor desejava e recebeu o nome de Schmidt.

Atividade 1SchMidt e tayloR

1. Leia, a seguir, o diálogo entre Taylor e Schmidt, o trabalhador que ele pretendia selecionar. Esse diálogo foi retirado do livro Princípios de administração científi-ca, que teve sua primeira edição publicada em 1911.

— Schmidt, você é um operário classificado?

— Não sei bem o que o senhor quer dizer.

— Desejo saber se você é ou não um operário classificado.

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— Ainda não o entendi.

— Venha cá. Você vai responder às minhas perguntas. Quero saber

se você é um operário classificado, ou um desses pobres diabos que

andam por aí. Quero saber se você deseja ganhar $ 1,85 dólar por dia,

ou se está satisfeito com $ 1,15 dólar que estão ganhando todos esses

tontos aí.

— Se quero ganhar $ 1,85 dólar por dia? Isto é que quer dizer um

operário classificado? Então, sou um operário classificado.

— Ora, você me irrita. Naturalmente que deseja ganhar $ 1,85 por dia;

todos o desejam. Você sabe perfeitamente que isso não é bastante

para fazer um operário classificado. Por favor, procure responder às

minhas perguntas e não me faça perder tempo. Venha comigo. Vê

esta pilha de barras de ferro?

— Sim.

— Vê este vagão?

— Sim.

— Muito bem. Se você é um operário classificado, carregará todas

estas barras para o vagão, amanhã, por $ 1,85 dólar. Agora, então,

pense e responda à minha pergunta. Diga se é ou não um operário

classificado.

— Bem, vou ganhar $ 1,85 dólar para pôr todas estas barras de ferro

no vagão, amanhã?

— Sim; naturalmente, você receberá $ 1,85 dólar para carregar uma

pilha, como esta, todos os dias, durante o ano todo. Isto é que é um

operário classificado e você o sabe tão bem como eu.

— Bem, tudo entendido. Devo carregar as barras para o vagão, ama-

nhã, por $ 1,85 dólar e nos dias seguintes, não é assim?

— Isso mesmo.

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— Assim, então, sou um operário classificado.

— Devagar. Você sabe, tão bem quanto eu, que um operário classifi-

cado deve fazer exatamente o que se lhe disser desde manhã à noite.

Conhece você aquele homem ali?

— Não, nunca o vi.

— Bem, se você é um operário classificado deve fazer exatamente o

que este homem lhe mandar, de manhã à noite. Quando ele disser

para levantar a barra e andar, você se levanta e anda, e quando ele

mandar sentar, você senta e descansa. Você procederá assim durante

o dia todo. E, mais ainda, sem reclamações. Um operário classificado

faz justamente o que se lhe manda e não reclama. Entendeu? Quan-

do este homem mandar você andar, você anda; quando disser que se

sente, você deverá sentar-se e não fazer qualquer observação. Final-

mente, você vem trabalhar aqui amanhã e saberá, antes do anoitecer,

se é verdadeiramente um operário classificado ou não.

TAYLOR, Frederick Winslow. Princípios de administração científica. São Paulo: Atlas, 1990. p. 45-6.

2. Agora, responda às questões a seguir.

a) Qual é sua opinião sobre a entrevista feita por Taylor? O que lhe pareceu conve-niente? E o que lhe pareceu inconveniente?

Conveniente

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Inconveniente

b) Como são as entrevistas de emprego na atualidade? São diferentes da feita por Taylor no momento da “promoção” de Schmidt? Por quê?

c) O que você achou das características valorizadas por Taylor (que constam do texto Como era essa organização?) para encontrar o operário para a tarefa a ser executada?

Foi dessa forma que Taylor conseguiu praticamente quadruplicar a produtividade no trabalho. Leia a seguir a opinião de Taylor sobre Schmidt, mesmo sendo ele o operário ideal para o aumento da produção.

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Ora, o único homem entre oito, capaz de fazer o trabalho, não tinha em

nenhum sentido característica de superioridade sobre os outros. Apenas

era um homem tipo bovino – espécime difícil de encontrar e, assim, muito

valorizado. Era tão estúpido quanto incapaz de realizar a maior parte dos

trabalhos pesados. A seleção, então, não consistiu em achar homens ex-

traordinários, mas simplesmente em escolher entre homens comuns os

poucos especialmente apropriados para o tipo de trabalho em vista.

TAYLOR, Frederick Winslow. Princípios de administração científica. São Paulo: Atlas, 1990, p. 54-5.

Operário “tipo bovino”?

Para Taylor, portanto, era natural que alguns mandassem e outros obedecessem, e os mandados deveriam ser do “tipo bovino”, o que, em outras palavras, significava que o operário não deveria refletir sobre a organização do trabalho.

Tendo em vista que o objetivo de Taylor era aumentar a produtividade e os lucros das empresas, faltava para ele, ainda, aperfeiçoar seu método. Era necessário reduzir a quantidade de trabalhadores.

Em outra experiência que realizou, ele conseguiu reduzir o número de trabalhado-res e o custo do carregamento diário, conforme você pode observar na tabela a seguir.

Antigo sistema Com o taylorismo

Número de trabalhadores 400 a 600 140

Média de toneladas por dia/homem 16 59

Remuneração $ 1,15 $ 1,88

Custo do carregamento/tonelada $ 0,072 $ 0,033

Fonte: TAYLOR, Frederick Winslow. Princípios de administração científica. São Paulo: Atlas, 1990.

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Atividade 2tayloRiSMo hoje?

Como você pôde observar, o fenômeno da redução de pessoal não é novo, pois esse é um dos motores que sustenta o capitalismo. Em outras palavras, um dos pilares para a acumulação de capital é a diminuição de custos. As atividades a seguir o ajudarão a refletir sobre a atualidade deste assunto.

1. Em grupo, discutam:

a) Quais são, na opinião do grupo, os aspectos mais importantes na lógica de tra-balho elaborada por Taylor?

b) Existe taylorismo hoje? Em quais situações o grupo observa a existência do taylorismo na atualidade? Em quais ocupações vocês identificam esse modo de organização do trabalho?

2. Escolham uma ocupação com a qual tenham contato ou experiência. Reflitam:

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O taylorismo do início do século XX (20) está presente na organização desse trabalho? Por quê?

3. Com auxílio do monitor, seu grupo e os demais poderão montar um painel das ocupações que cada grupo elegeu e analisar se o taylorismo está, ou não, presen-te no mundo do trabalho hoje.

O fordismo na esteira do taylorismo

Fordismo talvez seja uma palavra mais familiar a você do que taylorismo. O termo é derivado do nome de seu idealizador, Henry Ford (1863-1947), empresário esta-dunidense da indústria automotiva.

Ford procurou aperfeiçoar o pensamento de Taylor. Ele concluiu que se ganharia ainda mais tempo se as peças fossem até os operários, e não o inverso, como acontecia até então.

Além de arquitetar a esteira mecânica, Henry Ford teve outro papel que trouxe consequências para todo o mundo. Ele construiu o primeiro carro popular da his-tória, o Ford T. Sua produção em série deveria vir associada ao consumo em série, pois Ford tinha a convicção de que a produção em massa reduziria os custos do automóvel e, com isso, o preço final do produto seria menor.

Ford T, modelo mais conhecido no Brasil como Ford Bigode.

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Essas foram inovações importantes na organização do trabalho, do ponto de vista da produção. No entanto, o trabalho ficou mais intenso e sem pausas.

Veja a seguir como se deu a redução do tempo na mon-tagem do automóvel no fordismo:

Etapas Tempo de montagem de um veículo

Antes do taylorismo 12 horas e 30 minutos

Com o taylorismo 5 horas e 50 minutos

Com treinamento dos operários 2 horas e 38 minutos

Com a linha de montagem automatizada (em 1914) 1 hora e 30 minutos

Fonte: GOUNET, Thomas. Fordismo e toyotismo na civilização do automóvel. São Paulo: Boitempo, 1999.

No filme Tempos modernos, de Charlie Chaplin (1889-1977), o personagem Carlitos ilustra como era o trabalho nas fábricas: repetitivo, sem tempo para um descanso mínimo entre uma tarefa e outra. É possível resumir o filme em três etapas principais:

Se tiver oportunidade, assista ao filme tempos modernos

(Modern times, direção de Charlie Chaplin, 1936). O longa-metragem retrata de forma divertida as duras condições de trabalho no avanço

da industrialização.

Esteiras e trilhos aéreos com peças que abasteciam as linhas de montagem nas indústrias que adotavam o modelo fordista.

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• A fábrica em que o personagem Carlitos trabalha conta com uma esteira mecâ-nica, na qual as peças se movem passando pelo trabalhador a certa velocidade, de modo que a máquina determina o tempo em que ele deve apertar o parafuso.

• O trabalho repetitivo, com o tempo para a realização da tarefa manual sendo controlado e determinado pelo tempo da máquina, a pressão da chefia e o baru-lho na fábrica comprometem a saúde mental do personagem.

• O personagem rebela-se contra o maquinário e é internado por causa de acessos de loucura.

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A despeito do tom bem-humorado do filme, não se pode negar que as condições de trabalho eram tais como as apresentadas. O trabalhador perdia mais uma vez o controle sobre a tarefa que executava: a esteira rolante determinava o tempo em que cada uma delas deveria ser realizada. Os locais eram inseguros e insalubres, ou seja, o ruído e a poeira faziam mal à saúde dos operários.

Um século depois, mesmo com o avanço da tecnologia, o ritmo, a intensificação do trabalho e a pressão por produtividade ainda são aspectos nocivos à saúde do trabalhador. Portanto, é preciso ficar atento aos abusos que acontecem em nome do aumento da produtividade.

Além disso, as condições insalubres de trabalho ainda permanecem em muitos locais.

Atividade 3RetRatoS do tRabalho fabRil

1. Observe o mural pintado pelo artista mexicano Diego Rivera.

Diego Rivera (1886-1957) foi um pintor mexicano cuja especialidade era a pintura de grandes murais. Contava, por exemplo, a história de um povo, pois acreditava que esse tipo de pintura permitia gravar na memória aspectos que são ocultados ou esquecidos ao longo do tempo. É reconhecido como artista comprometido com a luta por uma sociedade mais justa. Você poderá fazer uma visita virtual ao Museu Diego Rivera pelo site disponível em: <http://www.diegorivera.com>. Acesso em: 23 abr. 2015.

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Foto: © Bridgeman Images/Keystone © Banco de Mexico Diego Rivera & Frida Kahlo Museums Trust, Mexico, D.F./AUTVIS, Brasil, 2015.

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Nesse mural, Rivera retrata as condições de trabalho na indústria automobilís-tica. O artista observou o dia a dia dos operários e buscou mostrar alguns deles em certas etapas da produção.

2. Em grupo, analisem a obra e discutam:

a) Quais foram os detalhes que mais chamaram a atenção do grupo? Por quê?

b) Como eram as condições de trabalho na fábrica retratada por Rivera?

c) Com base no mural, como vocês imaginam que deveria ser o ambiente de trabalho?

O sentido do trabalho

Como foi estudado, o fordismo nasceu nos Estados Unidos da América (EUA), motivado pelos mesmos princípios de Taylor.

Os operários, no entanto, percebiam que cada vez mais executavam um trabalho mecanizado e sem qualificação. Com isso, eles passaram a optar por outras ativida-des que ainda garantissem maior envolvimento com o trabalho.

Ford, percebendo a dificuldade em contratar funcionários, lançou o seguinte plano:

• ofereceu salário de 5 dólares por dia (antes o pagamento era de 2,50 dólares);

• estabeleceu jornada diária de oito horas de trabalho.

No entanto, esse plano não era para todos. Assim como Taylor havia aplicado uma “seleção científica do trabalhador”, as novas condições de Ford eram apenas para os homens que tivessem certos hábitos esperados pela empresa: não consu-missem bebidas alcoólicas, provassem que tinham boa conduta e destinassem o salário totalmente à família.

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Henry Ford fez novas alterações e criou um departamento de serviço social para acompanhar como viviam os trabalhadores que desfrutavam desse tipo de contrato de trabalho.

As visitas às casas dos operários fizeram com que praticamente ⅓ deles (28%) perdesse essa condição, por não cumprirem o que era estabelecido pelo departamen-to de serviço social. As visitas passaram a ser, então, uma forma de controlar a vida dos operários dentro e fora da fábrica.

É bom lembrar que, mesmo dobrando o salário e reduzindo a jornada de trabalho, Ford ainda conseguiu baratear o preço do carro. Para se ter ideia: o capital da em-presa em 12 anos (1907-1919) passou de 2 milhões para 250 milhões de dólares.

Outras indústrias se expandiram e passaram a utilizar os mesmos princípios de Taylor e Ford: esteiras, trabalhos repetitivos, controle do tempo e dos movimentos por um contramestre, atualmente denominado nas empresas como supervisor, líder de equipe etc.

Trabalhadora em fábrica de relógios na Inglaterra, sendo observada por um contramestre. Foto de 1946.

Fonte: SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Sdect). Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho. Geografia, História

e Trabalho: 7o ano/2o termo do Ensino Fundamental. São Paulo: Sdect, 2012.

A jornada de trabalho sempre foi de 8 horas diárias?

Nem sempre foi assim. Durante a 1ª Revolução Industrial, não havia limite para a jornada diária de tra-balho. Mesmo as crianças trabalhavam 14, 16 horas por dia.

Foi em 1919 que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estabeleceu uma convenção que limita-va a jornada de trabalho em 8 horas diárias e a semanal em 48 horas.

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Toyotismo: a produção enxuta

Você percebeu que as alterações na organização do trabalho visam continuamente au-mentar a produtividade e reduzir os custos. A lógica é fazer mais em menos tempo e, se possível, com menos trabalhadores. No toyotismo não foi diferente. Essa nova forma de organização do trabalho surgiu no Japão após a 2a Guerra Mundial, principalmente para fazer frente à indústria automobilística estadunidense. Os japoneses inovaram e alteraram completamente o modo de pensar que vigorava com o fordismo.

Se no fordismo a ideia era produzir em grande escala, no toyotismo era o oposto: só se produzia o que se demandava, a chamada “produção enxuta” (lean production, fala-se “lin prodâcchion”). Se no fordismo uma indústria automobilística contava com grandes pátios repletos de carros, no toyotismo reduziam-se os estoques.

No Brasil, foram necessárias diversas lutas sindicais, iniciadas no século XIX (19), para a conquista das 8 horas diárias. No entanto, foi apenas em 1934 que a Constituição determinou a jornada de trabalho de 8 horas diárias ou 48 semanais.

Atualmente, a jornada semanal de trabalho definida pela Constituição Federal de 1988 é de 44 horas. Esse tema permanece sempre em constante debate; de um lado, tenta-se mantê-la; de outro, reduzi-la. No momento, há forte pressão para que a jornada legal seja limitada a 40 horas.

Na França, por exemplo, no auge da crise do emprego na década de 1980, o governo determinou a redução da jornada de trabalho semanal para 35 horas, com o intuito de criar mais empregos.

Fonte: DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS (DIEESE). Redução da Jornada de Trabalho no Brasil. Nota Técnica, n. 16, mar. 2006. Disponível em: <http://www.dieese.org.br/notatecnica/2006/

notatec16ReducaoDaJornada.pdf>. Acesso em: 23 abr. 2015

Trabalhador polivalente no toyotismo: a execução de múltiplas tarefas simultaneamente.

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A lógica do toyotismo logo se expandiu para outros tipos de indústria e para o setor de serviços. Se a palavra de ordem no fordismo era rigidez (em todos os sentidos: fixação do homem ao posto de trabalho, controle dos tempos e movimentos, esta-bilidade no emprego), no toyotismo a palavra-chave é flexibilidade.

Na organização toyotista do trabalho, um operário fica responsável por várias máquinas e a ideia de trabalho em equipe é reforçada, pois cada equipe cuida de um grupo de máquinas que produzirão determinada peça, produto etc. Com o toyotismo associado ao uso de alta tecnologia, as empresas puderam reduzir seu quadro de funcionários, o que contribuiu para o crescimento do desemprego no Brasil.

Fonte: SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Sdect). Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho. Geografia, História e Traba-

lho: 9o ano/4o termo do Ensino Fundamental. São Paulo: Sdect, 2013.

O toyotismo pode ser resumido nos chamados 5 zeros:

5 ZEROS

Zero estoque

Zero defeito

Zero pane Zero papel

Zero atraso

Kanban

QUADRO KANBAN

Kanban, do que se trata?

Kanban é uma palavra de origem japonesa que significa cartão. A introdução do sistema de cartões coloridos é um dos pilares do toyotismo e eles cumprem o papel de indicar: o que e quanto produzir, em que momento produzir e para onde será levada a produção.

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O kanban é fundamental nesse processo, pois indica exatamente a quantidade da produção e o material necessário para cada etapa, com vistas sempre ao estoque zero. Ele é indicado em situações de produção com características padronizadas: montagem de carros, fabricação de peças etc. O kanban pode utilizar várias cores, de acordo com a necessidade da empresa, dos processos produtivos e do estoque. Veja a seguir o significado de algumas das cores utilizadas no kanban:

Processo Normal Atenção Crítico

Por serem dispostos em um quadro, o sistema kanban também é conhecido como “gestão visual”, pois visualmente o trabalhador consegue perceber o que está em atraso ou a etapa que requer mais atenção. Além disso, a equipe responsável pela produção insere no quadro o material de que necessita, por exemplo, para o dia seguinte. Dessa forma, os formulários de solicitação são suprimidos e a integração entre as equipes fica estabelecida no quadro. Observe o exemplo a seguir.

Veja na página seguinte as situações de produção, segundo a indicação das cores:

KANBAN DE PRODUÇÃO

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al m O x a r i f e e es t O q u i s t a 1 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão 39

• a cor verde significa que a produção está fluindo bem;

• a cor amarela (ou laranja) significa que é preciso ficar atento à cadência da produção; 

• a cor vermelha significa que a situação está crítica.

As cores são utilizadas quando:

• a produção precisa de um componente;

• o abastecedor do setor dirige-se com uma caixa vazia do componente e cartão kanban para o setor que produz o componente;

• o cartão é colocado no quadro de cartões do setor de produção;

• o setor finaliza a produção, e o cartão de requisição é retirado e enviado com o componente para o setor requisitante;

• o produto ou a caixa do produto, e o kanban devem movimentar-se pela fábrica como um par, isto é, não podem circular caixas sem kanban e kanban sem caixas.

Os pilares do toyotismo são:

• Just-in-time (JIT) (fala-se “djãs tin taime”): significa, literalmente, “no momen-to exato”. Trata-se de uma técnica de organização do espaço-tempo nas empresas. Seu objetivo é tornar a produção e a distribuição de mercadorias mais dinâmicas. Nesse processo, a produção ocorre de acordo com a demanda e as empresas não acumulam estoque.

Fonte: SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Sdect). Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho. Geografia, História e

Trabalho: 8º ano/3º termo do Ensino Fundamental. São Paulo: Sdect, 2013.

• Autonomação: mais conhecido como Controle de Qualidade Total. É assim chamado porque se exige que haja um controle de qualidade autônomo. Essa estratégia elimina a supervisão do trabalho e das peças produzidas, por exemplo. Parece simples e lógico, mas é preciso compreender em que isso resulta: cada um é responsável pelo que deve ser feito e pressupõe-se que haja um trabalho em equipe. Se alguém está com dificuldades, o colega o ajuda. Uma fábrica de auto-móveis no Brasil chegou a gravar um código na peça fabricada que indicava quem era o operário que a havia feito. Se a peça apresentasse problema, o funcionário seria diretamente responsabilizado.

• Kanban: é o sistema de informações que alimenta a produção e a entrega. Com o uso de cartões coloridos, cada cor indica uma situação. Por meio desse método, fabrica-se na quantidade e no tempo certos (ou just-in-time) e, ainda, evitam-se desperdícios.

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Veja as principais diferenças:

Fordismo Toyotismo

• Produção em série de um mesmo produto• Produção de muitos modelos em pequenas

quantidades

• Produção conforme a demanda

• Grandes estoques de produtos

• Estoque empurrado

• Estoque mínimo; só se produz o que é vendido

• Estoque puxado

• Especialização: um homem opera uma máquina

• Produção em linha

• Polivalência: um homem opera várias máquinas

• Produção em célula

Essa nova organização do trabalho resultou na diminuição do tempo de fabricação de, por exemplo, um automóvel: eram necessárias 19 horas para produção de um veículo no Japão, enquanto, na Europa, a produção ainda demorava 36 horas. Por volta de 2010, em uma determinada fábrica de automóveis no Brasil, eram produzidos 34 carros por hora.

Fonte: SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Sdect). Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho. Geografia, História e

Trabalho: 9º ano/4º termo do Ensino Fundamental. São Paulo: Sdect, 2013.

Esse conjunto de mudanças, que em países como Estados Unidos, França, Alema-nha e Japão aconteceu com mais intensidade nos anos 1980, chegou com força ao Brasil na década de 1990. Pelas características históricas e políticas do País, que concede amplos benefícios ao capital privado, as mudanças aconteceram de forma mais intensa para as empresas, movidas pela busca da redução de custo e do aumen-to da competitividade. A corda rompeu-se do lado dos trabalhadores, que foram demitidos em massa.

Se a ordem era a redução de custos, as empresas adotaram também a terceirização de várias etapas da produção. Com o modelo toyotista, as empresas passaram a se concentrar apenas em sua atividade principal, terceirizando todas as outras seções e serviços, como veremos no próximo tópico.

A terceirização

Outra forma de trabalho em que os trabalhadores têm perdido seus direitos surgiu há alguns anos e ganhou força especialmente nas últimas décadas. Trata-se da terceirização, na qual o trabalho é formal, mas há perda significativa de direitos.

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Por exemplo: os bancários. Essa categoria profissional, graças à sua organização e à ação dos sindicatos, conquistou direitos que vão além do que consta na Consolida-ção das Leis do Trabalho (CLT). Entre eles, estão: a participação na determinação do valor do vale-refeição, o benefício do seguro-saúde, a existência de um piso sa-larial da categoria etc. Por essas e outras razões, os bancos, a partir da década de 1990, passaram a terceirizar serviços e, por consequência, demitir bancários.

Você deve estar pensando: Mas alguém vai continuar fazendo o mesmo serviço? Sim, vai. No entanto, as empresas que passam a prestar serviços aos bancos vão contratar pessoal com salários menores e, como não são bancários, não possuem os mesmos direitos que os demais trabalhadores da categoria conquistaram. Assim, o serviço prestado pode ser mais barato e, com isso, os bancos conseguem reduzir seus custos.

Fonte: SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Sdect). Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho. Geografia, História e

Trabalho: 6º ano/1º termo do Ensino Fundamental. São Paulo: Sdect, 2011.

Atividade 4aS foRMaS de oRganização do tRabalho

Na atividade 2, você e o grupo analisaram o taylorismo e discutiram seus principais aspectos. Vamos agora conversar sobre os aspectos do toyotismo. Individualmente, responda:

1. Quais são as características do toyotismo?

2. O que é terceirização?

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3. A terceirização significa sempre não ter carteira assinada? Por quê?

4. Quais são as vantagens e desvantagens da terceirização para empregadores e empregados?

5. Qual é a relação que se pode estabelecer entre toyotismo e terceirização?

Terminamos esta Unidade com uma tirinha que retrata o trabalho na linha de montagem. Procure refletir sobre ela com base no que estudou.

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O fenômeno da globalizaçãoVocê estudou até aqui as formas de organização do trabalho, que se alteram no decorrer da História, mas guardam entre si algumas características.

Se o toyotismo se impôs, a partir dos anos 1980, como uma nova forma de organizar o trabalho, é importante destacar, entretanto, que essa forma de organização não se instalou em todo tipo de produção. Mas sua “filosofia” foi rapidamente incorporada pelas empresas, em parte, em razão da globalização.

Empregue a chamada “técnica do cochicho”: converse com o colega ao seu lado e troquem ideias sobre o que compreendem por globalização. Em seguida, apresentem suas considerações à classe.

As crises dos anos 1970

A partir dos anos 1970, o mundo passou por muitas mudanças, reforçadas pela rápida industrialização em alguns dos países então em desenvolvimento, como o Brasil. Além disso, houve a concentração de capitais e o aumento da capacidade tecnoló-gica nos países desenvolvidos, que abrigavam as matrizes das principais indústrias, as quais instalaram suas filiais por todo o planeta e, dessa forma, as economias se internacionalizaram cada vez mais.

Apesar desse crescimento econômico e industrial, ainda no fim dos anos 1960 surgiram as primeiras evidências de crise nos Estados Unidos, país com maior concentração de investimentos, capacidade de inovação, expansão e consumo. Para garantir sua superioridade no cenário internacional, esse país despendeu muitos recursos.

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Na década de 1970, os EUA enfrentaram a inflação e o desemprego, o que ocorreu particularmente a partir da crise do petróleo em 1973. Isso porque o petróleo era a principal matéria-prima da indústria capitalista desde a 2a Revolução Industrial, fosse como fonte de energia do mundo moderno, fosse como base para a fabricação de plástico, gasolina e outros produtos químicos e far-macêuticos. Gerou-se, no período, uma das primeiras instabilidades financeiras do dólar, que, desde o final da 2a Guerra Mundial, tornara-se a moeda-padrão nas re-lações comerciais internacionais.

Devido ao apoio dos EUA a Israel na guerra árabe- -israelense em 1973, os árabes, que controlavam a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), impuseram um forte aumento no preço do petróleo como forma de retaliação. O preço do barril, que oscilara entre 1 e 3 dólares, entre 1900 e 1973, passou para 15 dólares em dois anos, abalando a estrutura de custos das indús-trias por todo o mundo. Em uma crise posterior, em 1979, o preço do barril de petróleo chegou a atingir a marca dos 40 dólares.

Você sabia?A 2ª revolução indus-trial ocorreu no final do século XIX (19) e a principal inovação foi a substituição do vapor pela eletricidade e petróleo e seus derivados no processo de produção. O uso do aço, no lugar do ferro, e o motor a combus-tão trouxeram maior dina-mismo às indústrias.

Essas crises em relação ao preço do petróleo estiveram associadas ao fato de que o controle de produção e

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distribuição era monopolizado por empresas estadunidenses e europeias que atuavam no Oriente Médio, as quais sempre contaram com grande poder na Opep. Parte das empresas que exploravam petróleo em muitos países dessa região não eram nacionais. Assim, o aumento do preço do barril foi bom, por exemplo, para empresas petroleiras internacionais que lá operavam. Mesmo na atualidade, com a atuação da Opep, empresas internacionais mantêm relações estreitas com go-vernos de países da região, influenciando na definição do preço do barril.

A globalização

Você estudou que, a partir dos anos 1970, a economia e a política passaram por rápidas e profundas mudanças que contribuíram para o processo de globalização. Esse termo indica uma integração intensa dos mercados – ou seja, das relações in-ternacionais –, dos meios de comunicação e dos transportes, principalmente em razão dos avanços tecnológicos da segunda metade do século XX (20) em diante.

A globalização pode ser compreendida por vários ângulos, entre eles o econômi-co. Esse fenômeno tem como características fundamentais as mudanças tecnoló-gicas e a sua distribuição desigual por todo o mundo, os novos processos de produção nas indústrias e um forte aumento na exportação e importação de mercadorias, bem como um intenso fluxo de produtos e de capitais (dinheiro) pelo mundo.

Contudo, é importante entender que a globalização não é um fenômeno simples-mente econômico. Ela afeta questões políticas, sociais e, sobretudo, a produção.

No que se refere à produção, as grandes corporações multinacionais passaram a procurar países ou regiões onde os custos de produção total (de determinado pro-duto) ou parcial (de partes ou componentes) fossem inferiores aos dos locais em que estavam até então instaladas. Desse modo, elas obtiveram custos finais inferiores e, como resultado, maior competitividade ou maiores lucros.

Esta prática, denominada offshoring, permite, assim, que um determinado produto seja composto por componentes produzidos em países diferentes, que apresentem o menor custo de produção para certa peça ou componente específico e que sejam reunidos e montados em outro país, onde a montagem seja mais barata. Todo esse processo depende, naturalmente, do fato de que os custos logísticos na movimen-tação desses componentes – por exemplo, de transporte, de armazenamento etc. – sejam inferiores à diferença de custos de produção entre um país e outro.

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As tecnologias em tempos de globalização

A globalização é marcada pela aliança entre ciência e tecnologia a serviço das grandes empresas. Como consequência, assistimos ao desenvolvimento de importantes ino-vações, como a energia nuclear, a engenharia genética, os avanços na química e na engenharia de materiais, as telecomunicações (satélites, fibra óptica etc.) e a infor-mática. Os avanços tecnológicos da segunda metade do século XX (20) invadiram todos os setores da economia, com maior ou menor intensidade e impacto crescen-te no cotidiano das pessoas. Com a microeletrônica, não apenas muitas fábricas foram robotizadas, mas cada vez mais os objetos tecnológicos começaram a fazer parte do dia a dia das pessoas: dos relógios digitais da década de 1970 aos tablets do século XXI (21).

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A internet, por exemplo, revolucionou a maneira de trocar e divulgar informações, facilitando o trabalho. De maneira geral, as pessoas têm cada vez mais acesso à internet, mesmo sem ter conexão em casa, pois podem utilizá-la nos centros insta-lados pelas prefeituras ou governos estaduais, em lan houses e outros estabelecimen-tos, além da disponibilidade por telefones celulares.

Atividade 1aSpectoS tecnológicoS da globalização

No mundo atual, a rápida difusão da informação proporcionada pelo avanço tec-nológico permite que acontecimentos ocorridos em diferentes partes do planeta sejam transmitidos em tempo real, como o ataque às torres gêmeas nos EUA, em 2001, o tsunami na Tailândia, em 2004, e o terremoto no Haiti, em 2010.

Pensando nisso, com base no texto apresentado anteriormente e no que você já es-tudou, responda às questões a seguir.

1. De que forma você acha que esses avanços tecnológicos encurtaram distâncias e tempo? Por quê?

2. Quais repercussões você acredita que esses avanços trouxeram para as relações mundiais?

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3. Você considera que a globalização e o maior acesso à informática permitiram às pessoas, atualmente, serem mais bem informadas? Por quê?

4. Será que todas as pessoas realmente têm acesso a todas as informações que cir-culam nos meios de comunicação? Justifique.

5. Você já escutou a expressão “sociedade da informação”? Em sua opinião, como ela pode ser entendida no contexto da globalização e das mudanças tecnológicas que marcaram o mundo nas últimas décadas?

As empresas na globalização

A crescente concorrência e a consequente necessidade de reduzir custos levaram as empresas a ampliar seu leque de atuação em diferentes continentes, partindo, sobre-tudo, para os países subdesenvolvidos. Eles comumente oferecem mais facilidades para instalação, como a concessão de incentivos fiscais e o favorecimento para obten-ção de terrenos para implantação de fábricas; e para a contratação de trabalhadores com baixo custo de mão de obra, geralmente decorrente de altos índices de desem-prego e baixa qualificação profissional dos trabalhadores.

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Além disso, essas empresas também investem em inovação e tecnologia, financian-do centros de pesquisa localizados nos países desenvolvidos, com laboratórios e universidades envolvidos nessas atividades. Esses países são os que mais investem em educação. Ao mesmo tempo que esse avanço tecnológico possibilita às empresas maior concentração de riquezas, também provoca a redução do número de empre-gados que nelas trabalham.

As grandes corporações, além de controlar a produção de bens de alta tecnologia (como computadores, equipamentos de telecomunicação, aviões, remédios, vacinas etc.), dominam os mercados, os fornecedores para suas indústrias, as patentes e a inovação.

Assim, os países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento ficam dependentes dessas grandes corporações no que diz respeito aos investimentos e à importação de pro-dutos e serviços. Além disso, tais produtos, quando importados, são mais caros do que os exportados, e, quando produzidos localmente, implicam remessas de lucros e pagamentos de licenças de produção às matrizes no exterior, em ambas as situações desfavorecendo a economia dos países subdesenvolvidos frente à dos países ricos.

A globalização financeira na América Latina

Mas a globalização não se limita à indústria e ao comércio. A globalização finan-ceira é um fenômeno importante que vem ocorrendo com maior intensidade desde as últimas décadas do século XX (20) e se caracteriza pela circulação de capital entre os países, ou seja, pelos fluxos internacionais de capital. De início concentra-dos especialmente nos países desenvolvidos, esses fluxos se intensificaram e expan-diram-se para todo o planeta, tornando-se o principal motor da economia mundial.

Veja que essa lógica mundial afeta os países em desenvolvimento, como o Brasil, que têm investido em obras de infraestrutura e de transporte. Esse tipo de investi-mento fornece melhores condições para as transações comerciais de importação e de exportação.

Por um lado, isso aconteceu graças aos avanços tecnológicos na área de telecomu-nicações, que permitiram aos investidores aplicar recursos em empresas do mundo todo sem sair de seus países de origem. Além disso, transformações no sistema fi-nanceiro mundial promoveram alterações nas regras que permitiram que valores circulassem em meio digital, pois, anteriormente, a transferência de dinheiro de um país para outro era realizada, principalmente, em espécie. Ainda assim, a maior parte dos investimentos continuou partindo de grandes companhias e instituições financeiras sediadas nos países desenvolvidos.

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Por outro lado, a expansão dos fluxos de capital se deu em virtude dos investimentos estrangeiros em determinados países de economia periférica que passaram a ser de-finidos no âmbito mundial como países emergentes, em função dos interesses desses investidores internacionais. Na América Latina da década de 1990, por exemplo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) firmou acordos econômicos com os governos do Brasil, da Argentina e do México, nações então com altas dívidas e com políticas econômicas que previam a abertura de suas economias ao capital estrangeiro.

Em um primeiro momento, no entanto, os investimentos diretos nesses países restringiram-se majoritariamente a aplicações em bolsas de valores (investimentos especulativos), que ofereciam oportunidades de lucro no curto prazo. Os benefícios desse tipo de negociação ficavam, sobretudo, para os países desenvolvidos, que, além de lucrar, vendiam suas ações ao menor sinal de instabilidade econômica, causando danos financeiros importantes às nações emergentes.

Do ponto de vista dos países emergentes, esse quadro se alterou quando foram criadas condições para atrair investimentos produtivos dos países desenvolvidos, como a implantação de filiais de empresas multinacionais, a compra de empresas nacionais e a privatização de setores estratégicos. No final do século XX (20), o Brasil optou por privatizar empresas dos setores de mineração e, principalmente, toda a infraestrutura de geração e distribuição de energia elétrica, telecomunicações e transportes; o setor financeiro também se abriu ao mercado internacional, inclu-sive com a privatização de bancos. Para isso, o País flexibilizou as regras para receber em seu território companhias estrangeiras, cobrando delas menos impostos e ofere-cendo-lhes ainda outras vantagens financeiras, a exemplo da possibilidade de pagar salários menores que aqueles vigentes em seus países de origem.

No entanto, para garantir sua competitividade em escala mundial, parte dessas empresas multinacionais instituiu políticas que levaram ao crescimento da flexibi-lização das relações de trabalho, fosse pelo aumento do trabalho informal, fosse pela expansão da terceirização, soluções que oferecem menores custos às empresas e menos benefícios aos trabalhadores.

A população dos países que fizeram tal opção política vivenciou a ampliação da precariedade dos vínculos trabalhistas, maior instabilidade nos empregos e crescente vulnerabilidade social diante das mudanças econômicas e políticas internacionais. Aumentou também a pobreza, em razão da redução de investimentos sociais e do fechamento de fábricas nacionais incapazes de concorrer com os produtos importados.

Fonte: SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Sdect). Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho. Geografia, História e

Trabalho: 8º ano/3º termo do Ensino Fundamental. São Paulo: Sdect, 2013.

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Atividade 2globalização e (deS)igualdade Social

1. Leia a frase a seguir.

[...] as pessoas e os grupos sociais têm o direito a ser iguais quando a

diferença os inferioriza, e o direito a ser diferentes quando a igualdade

os descaracteriza.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Por uma concepção multicultural de direitos humanos. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 48, jun. de 1997. p. 30.

2. Agora, observe a charge do ilustrador Angeli.

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3. Em grupo, discutam, seguindo o roteiro:

a) O que é globalização?

b) A frase lida e a charge observada estabelecem relação com o fenômeno da globa-lização? Por quê?

c) A globalização alterou o modo de vida das pessoas? Por quê?

d) E no trabalho, quais foram, na opinião do grupo, os efeitos causados pela globa-lização?

e) Recupere as respostas sobre a globalização que você elaborou ao iniciar esta Unidade. Observe: Ela foi alterada após o estudo do tema? Debata com seus colegas a respeito.

Atividade 3aSSiM é...Se lhe paRece

Vamos finalizar esta Unidade realizando uma reflexão com base na ilustração de Nelson Leirner sobre a globalização, que você verá na próxima página.

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1. Observe os detalhes em cada continente.

2. Qual legenda você daria para essa ilustração?

3. Escreva uma redação inspirando-se na ilustração e com base no que estudou na Unidade. Não se esqueça de dar um título ao texto.

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O mercado de trabalho Quando se fala em almoxarifado e estoque, o que vem à sua mente? É possível que você pense em quais são os papéis que os trabalhadores dessa área desempenham, no que é necessário co-nhecer para desempenhar a ocupação de almoxarife e estoquista, em como se dá a organização das mercadorias, se as funções exercidas por esse profissional se alteram, de um local para outro, conforme o tipo de empregador, entre outras questões.

Para começar a refletir sobre o assunto, nesta Unidade você conhecerá quem são os possíveis empregadores desse profissio-nal no mercado de trabalho.

As áreas de atuação

Vamos pensar sobre os empregadores. A Classificação Brasilei-ra de Ocupações (CBO) apresenta um resumo no qual estão registradas mais de 2 mil ocupações que existem no País, assim como dados sobre a qualificação necessária para o desempenho de cada uma, as atividades que compõem o trabalho desses profissionais etc. Caso você não a conheça, procure visitar o site do Ministério do Trabalho e Emprego, pois as informações oferecidas são muito úteis.

Se você fizer uma pesquisa na CBO, verá que os tipos de em-pregador ou locais de trabalho para um almoxarife e estoquista podem estar presentes em:

• diversas empresas industriais;

• no comércio;

• no setor de serviços.

Apesar de ser mais comum as grandes empresas oferecerem vagas nessa área, não se pode desconsiderar que pequenas e médias empresas também se beneficiam dos conhecimentos desses pro-fissionais. É grande a chance de que o trabalho desenvolvido seja

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diferente em cada tipo de estabelecimento em que poderão atuar. Por isso, a des-crição das atividades que consta na CBO é bastante ampla para poder contemplar as variações que ocorrem nas diversas alternativas de trabalho. De maneira seme-lhante, o porte das empresas também fará com que haja muitas diferenças no dia a dia do profissional.

Então, lembre-se: no momento de buscar emprego, considere encaminhar seu currícu-lo também para empresas de pequeno e médio portes, sabendo, de antemão, que o trabalho será diferente de acordo com o porte da empresa, assim como em relação ao setor de atividade ao qual pertence. Ainda que, em todas as situações, a base do trabalho seja a mesma, ela é composta de inúmeras fases, etapas ou processos interligados. Cada empregador tem suas particularidades e, conforme a colocação que obtiver, você pode-rá realizar outros cursos mais específicos na área em que quer atuar.

Para uma boa formação, é importante saber que profissional você quer ser e quais são as possibilidades para ingressar no mercado de trabalho na área. Portanto, você pode começar esse percurso fazendo-se a seguinte pergunta: Onde eu gostaria de estar trabalhando daqui a quatro meses? Você se imagina trabalhando como auxi-liar de almoxarifado ou estoquista? Como você se vê? Onde estará trabalhando? São muitas as possibilidades e, certamente, você deve ter imaginado outras tantas.

Conferência: uma importante atribuição do almoxarife e do estoquista.

O que diz o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) sobre os profissionais que atuam em almoxarifado e estoque

A Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho e Em-prego é um documento que orienta os empregadores a escolherem a forma correta de registrar os empregados nos postos de trabalho.

É importante saber que, caso realize uma atividade mas está registrado em outra, ou registrado de forma incorreta, é possível recorrer à Justiça para fazer valer seus direitos.

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A CBO é atualizada de tempos em tempos, principal-mente porque o trabalho se altera com frequência e, assim, novas profissões e ocupações vão sendo criadas. Por exemplo, no passado não existiam profissionais da área de informática, pois eles foram surgindo com o de-senvolvimento tecnológico.

No caso das ocupações de almoxarife e estoquista, o documento do Ministério indica que elas requerem En-sino Médio completo e curso básico de qualificação.

Veja que a função de almoxarife, assim como as demais ocupações, possui um código, e são várias as denomina-ções que ela pode ter:

4141-05 - Almoxarife

Auxiliar de almoxarifado, Conferente de mercadoria, Controlador de almoxarifado, Encarregado de estoque, Encarregado de expedição, Estoquista.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classi-ficação Brasileira de Ocupações (CBO). Disponível em: <http://www.mtecbo.gov.br/>. Acesso em: 23

abr. 2015.

A CBO informa que os profissionais que atuam nessa área devem:

• recepcionar, conferir e armazenar produtos e materiais;

• verificar notas fiscais;

• descarregar produtos;

• encaminhar materiais para armazenagem;

• conferir quantidades;

• checar códigos de barra e unidade de venda do pro-duto; entre outras.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Disponível em: <http://

www.mtecbo.gov.br/>. Acesso em: 23 abr. 2015.

Você sabia?A descrição de cada ocu-pação da CBO é feita pe-los próprios profissionais da área.

Dessa forma, há a garan-tia de que as informa-ções foram dadas por pessoas do ramo e que, portanto, conhecem bem sua ocupação.

Você pode conhecer esse documento na íntegra acessando o site em casa ou no laboratório de in-formática. Disponível em: <http://www.mtecbo.gov.br>. Acesso em: 23 abr. 2015.

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De forma resumida, a CBO indica como requisitos para esses profissionais:

Almoxarife e estoquista

Formação/qualificação profissional Atitudes pessoais Atividades profissionais

Ensino Médio completo

Qualificação básica

Ser:

Organizado

Criativo

Dinâmico

Concentrado

Classificar itens

Armazenar, conforme características do produto

Pesar produtos quando necessário

Fonte: BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Disponível em: <http://www.mtecbo.gov.br/>. Acesso em: 23 abr. 2015.

Antes de realizar a Atividade 1, leia as dicas a seguir para estudar melhor.

Muita gente pensa que estudar é apenas uma questão de memorizar informações, que é um dom, uma atividade que todos nascem sabendo, que não precisa ser ensinada. Mas isso é um engano. O estudo é uma ação que requer técnica, e, portanto, exige um “saber fazer” que se aprende facilmente.

Quando você tem de se preparar para fazer alguma prova ou concurso, ou decide ler para aprofundar-se em algum tema, é preciso realizar uma série de ações que envolvem diferentes formas de estudo. É necessário verificar e comparar anotações sobre o tema que está sendo estudado; buscar causas e con-sequências dos fatos, escrever textos, como roteiros, relatórios, resumos, comentários; ler e construir tabelas e gráficos; fazer pesquisas; participar eventualmente de debates e de mostras culturais.

Todas essas formas de estudo, muito comuns no universo escolar, devem ser ensinadas e praticadas. Pode-se dizer que estudar, na escola, exige técnica e disciplina. Ter disciplina, ao contrário do que muitos pensam, ajuda a criar e recriar ideias em vez de apenas memorizá-las e repeti-las. Estudar textos não é repetir o que os outros dizem.

Mas como fazer então? Vamos ver maneiras de estudar os textos que lemos, para aprender com eles, começando por distinguir tema de título.

Tema e título

Você já parou para pensar que tema e título são coisas diferentes? Que quando se pergunta “qual é o tema do texto?”, não se está perguntando qual é o título dele?

Para que fique mais clara a diferença, você deve saber que tema: é o assunto sobre o qual o texto vai tratar; é a ideia que será desenvolvida no texto; é a resposta que damos à pergunta: “De que trata este texto?”.

Já o título é um rótulo, um emblema, proposto pelo autor do texto. O título, apesar de se relacionar ao que é tratado no texto, não é propriamente o assunto, mas o que pode despertar no leitor a vontade de ler o texto. É uma frase geralmente curta, colocada no início; é uma referência ao que será abordado no texto; procura ser instigante, para atrair os leitores e, na maioria das vezes, não contém um verbo.

Leitores grifam ou sublinham trechos de um texto por vários motivos. Para marcar o que chama a aten-ção ou o que consideram interessante, para destacar trechos relacionados a um objetivo específico de leitura, como encontrar uma informação, uma definição, um conjunto de argumentos ou conceitos. As razões para grifar podem variar, mas há algumas dicas que você pode colocar em prática sempre que for necessário grifar ou sublinhar um texto. As dicas são as seguintes:

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Atividade 1conhecendo o MeRcado de tRabalho

1. Com base nas recomendações de estudo feitas no quadro apresentado, leia o texto a seguir.

2. Sublinhe ou anote as palavras que não conhece para depois procurá-las no dicionário.

3. Em um segundo momento, volte para a leitura e, grifando, destaque as ideias que considera mais importantes no texto.

Almoxarifado: Qual a sua Importância na Empresa?

O almoxarifado é o local responsável pela guarda de materiais, de

forma organizada e sincronizada para que os produtos sejam dispo-

nibilizados com agilidade sempre que solicitados. Este local, geral-

• Antes de grifar, é fundamental ler o texto inteiro pelo menos uma vez. Quando você conhece o texto, fica mais fácil perceber como ele está organizado e o que precisa destacar de acordo com os objetivos de sua leitura.

• Grife apenas o essencial, de preferência ideias completas. Mas evite grifar parágrafos inteiros, pois o grifo perde sua função se o texto está todo marcado.

• Há parágrafos que têm a função de retomar ideias já apresentadas; outros apresentam exemplos. Nesses casos (ou quando há alguma repetição) não é necessário grifar as ideias, mesmo que tenham sido apresentadas de um jeito diferente.

• É possível também grifar ou sublinhar apenas palavras-chave, ou seja, termos importantes. Mas nesse caso convém escrever na margem do texto as ideias completas que as palavras marcadas representam.

Sentar-se para ler textos das diferentes disciplinas, para aprimorar os conhecimentos ou buscar informa-ções pode se tornar uma maneira prazerosa de fazer descobertas. Conhecendo e principalmente prati-cando alguns procedimentos de estudo, você poderá interagir mais com os textos que lê e aprender muito com eles.

Fonte: SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Sdect). Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho.

Arte, Inglês e Língua Portuguesa: 7º ano/2º termo do Ensino Fundamental. São Paulo: Sdect, 2012.

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mente na maioria das empresas, é responsável por boa parte do in-

vestimento financeiro. Quando se pensa em almoxarifado, imagina-se

um local grande e cheio de objetos, com gente treinada e capacitada

executando tarefas integradas e seguras. Mas, nem sempre essa é a

realidade. Muitas vezes, o Almoxarifado transforma-se num local onde

as coisas e as pessoas se perdem, sem sequer dar conta do mal que

estão fazendo a si e à organização.

Lopes, Souza e Moraes (2006) destacam que o almoxarifado é o local

responsável pelo recebimento, armazenagem, expedição e distribuição

dos materiais. Pode ser um local coberto ou não, com condições climá-

ticas controláveis ou não, com alto nível de segurança ou não, tudo

dependendo do tipo de material a ser acondicionado e das normas ne-

cessárias para o correto acondicionamento, localização e movimentação.

A função maior do almoxarifado é manter uma empresa sempre abas-

tecida de seus bens de consumo, ou seja, fornecer de forma contínua

e sem interrupção materiais e matérias-primas para as diversas uni-

dades produtivas e administrativas da empresa.

Todos nós somos capazes de avaliar os transtornos que as questões

políticas trazem para o setor de compras, que é quem dá “oxigênio”

ao almoxarifado. No entanto, não podemos deixar de estabelecer uma

conduta capaz de defender, mesmo que minimamente, a questão de

suprir as unidades daquilo que necessitam.

Para que um almoxarifado funcione de forma confiável é necessário

que exista acurácia, que é um substantivo, sinônimo de qualidade e

confiabilidade da informação, cujo adjetivo “acurado” significa feito

ou tratado com muito cuidado. Para a logística o mesmo possui o

seguinte significado: “Grau de ausência de erro ou grau de conformi-

dade com o padrão”. Manter corretas as informações sobre saldos em

estoque é um dos grandes desafios mais ainda quando buscamos

trabalhar com níveis enxutos e com elevadas frequências de acessos,

isto é, mais e mais recebimentos e apanhes, isto aumenta o risco da

imprecisão nos registros das respectivas transações.

A correta gestão de um almoxarifado implica na aplicação de métodos

modernos de gestão de estoques no almoxarifado que podem auxiliar

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a empresa, permitindo redução de custos e melhor

realização dos serviços prestados. Desta forma é

importante analisar e repensar qual a melhor forma

de gerir seu almoxarifado, além de ter sempre o con-

trole de todos os processos utilizando da TI.

NOGUEIRA, Amarildo. Almoxarifado: Qual a sua importância na empresa? 28 mar. 2011. Disponível em:

<http://amarildonogueira.com.br/site/almoxarifado-qual-a-sua-importancia-na-empresa/>.

Acesso em: 23 abr. 2015.

Atividade 2Reconhecendo MeuS conheciMentoS

Reconhecer os conhecimentos acumulados ao longo da vida é um passo importante para elaborar um currí-culo e para a busca de um novo emprego. As questões a seguir podem ajudá-lo nesse processo.

Etapa 1

Vamos começar pensando sobre quem somos.

TI: Sigla que significa Tecno-logia da Informação, ou seja, a informática aplicada –: no caso das empresas, tanto nas áreas administrativas quanto na de produção.

Auguste Rodin. O pensador, 1903. Museu Rodin, Paris, França.

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1. Observe a escultura O pensador, do artista francês Auguste Rodin (1840-1917). Essa escultura é feita em bronze e é famosa em todo o mundo. Repare nas formas do homem, em como os músculos aparecem. Ele está relaxado ou tenso? Qual é o sentimento que a obra transmite para você?

2. Agora, você será “o pensador” ou “a pensadora”. Segue um roteiro de perguntas que ajudará a organizar as ideias sobre você.

a) Quem sou eu?

b) Como eu acho que sou? Como eu me vejo?

c) Quais são as minhas principais qualidades?

d) O que dizem as pessoas quando me elogiam?

e) O que eu faço que todos gostam?

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Atividade 3a balança da vida

Vamos trocar ideias com cinco colegas. Cada um se apresenta aos demais, contan-do as respostas que deu ao roteiro da atividade anterior. A ideia aqui é uma conver-sa franca, pois todos temos qualidades e defeitos. O importante é o respeito mútuo entre colegas. Como será sua balança? Por isso, vamos contar ao grupo quem somos e ouvir quem eles são. Atente às histórias dos colegas: conhecer o que as pessoas pensam nos ajuda a entender melhor quem somos!

1. O exercício é vasculhar as memórias. Pense nelas relacionando-as com aspectos dessa ocupação que você começa a aprender. Por exemplo: “Eu gostava de guar-dar as compras do mercado para os meus pais”. Esse é um exemplo de um lado seu importante para o profissional do almoxarifado ou estoquista: a organização de produtos e o hábito do planejamento.

No quadro a seguir, liste lembranças que indicam características pessoais que podem servir ao trabalho na área, ao lado do ano em que aconteceu cada um dos fatos, conforme exemplo:

Quadro 1: Lembranças

Ano Fato importante

1975 Eu organizava os produtos a serem comercializados na feira

2. Agora que você se lembrou de diversos fatos da sua vida, indique experiências profissionais relacionadas à área: podem ser cursos que já fez, coisas que gosta de

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fazer (mesmo que não ganhe dinheiro ou cobre por elas), algo que faça bem, ou que as pessoas achem que você faz bem. Veja, novamente, um exemplo na pri-meira linha do quadro.

Quadro 2: Minhas experiências de vida vinculadas à estocagem

Experiência O que precisei fazer? O que foi fácil nessa experiência?

O que foi difícil nessa experiência?

Organizar a mudança de um vizinho

Ao preencher esses quadros, você foi percebendo que já fez muita coisa nessa área e que, também, sabe fazer bem várias outras.

Atividade 4atividadeS na áRea de alMoxaRifado e eStoquiSta

Depois de realizado o balanço de vida e de conhecimentos, vamos aprofundar essa discussão sobre o que é preciso saber para atuar na área de logística.

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Etapa 2

1. Em um grupo de cinco pessoas, discutam sobre o que vocês acham que um profissional da área deve saber fazer. Procurem organizar as ideias de forma a com-pletar as seguintes frases:

a) Um almoxarife ou estoquista deve saber...

b) Um almoxarife ou estoquista precisa usar...

c) Um almoxarife ou estoquista necessita cuidar...

d) Um profissional que atue no almoxarifado ou no es-toque deve...

2. Agora que você discutiu com o grupo sobre o que o profissional de almoxarifado e estoque deve saber, é hora de pensar sobre o que você sabe. Relacione os itens que elencaram e analise: O que você sabe fazer bem, relativamente bem, ou ainda não teve a oportu-nidade de aprender? Vá marcando um “x” na coluna apropriada. Veja um exemplo na primeira linha da tabela da página seguinte.

Agora que você já refletiu sobre suas características pessoais e profissionais, é importante que

organize seus documentos e seus certificados para começar a

organizar seu currículo.

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Item Faço bem Relativamente bem Não sei fazer

Organizar listas de compras X

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unida d e 5

Almoxarife: tesoureiro do rei?Você refletiu até agora com a classe sobre suas características pessoais, profissionais e talvez tenha feito a pergunta: Por que optei por uma formação ocupacional em almoxarifado e estoque? Seria pela ampla oferta de emprego e, portanto, possibilidade de ingressar ou reingressar no mercado mais rapidamente ou quem sabe até para mudar de atividade de trabalho? Seja por uma ou outra razão, provavelmente você tem uma ideia de como é a atividade desse profissional.

Vamos iniciar respondendo às perguntas: O que é o al-moxarifado? O que é um estoque?

O almoxarifado tem história

A palavra almoxarifado, além de designar depósito para estocagem de qualquer coisa que se queira guardar ou estocar, tem outro significado na língua portuguesa: em Portugal, na Idade Média, e, por consequência, também no Brasil, após a tomada do território brasileiro pelos portugueses, os almoxarifados eram regiões geográficas do reino, que era assim dividido tendo em vista a admi-nistração fiscal e o recolhimento de impostos.

Atividade 1inteRpRetando a hiStóRia

Relembre o que estudou sobre as formas de leitura que auxiliam na compreensão do texto e, individualmente, leia o texto a seguir sobre as origens do almoxarifado. Observe que há palavras que,

Almoxarifado: 1. Depósito de objetos, matérias-primas e materiais pertencentes a um estabelecimento público ou privado; 2. Função ou car-go de almoxarife; 3. Área de jurisdição do almoxarife.

© Dicionário Aulete. <www.aulete.com.br>

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68 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m O x a r i f e e es t O q u i s t a 1

além de serem escritas em português de Portugal, tiveram sua grafia modificada ao longo da história. Lembre-se, também, de destacar as palavras que desconhece e procurá-las no dicionário.

[...] Mas independentemente da sorte das armas, o esforço de guerra

tinha que ser pago. As Cortes de Évora de 1475 haviam dado autori-

zação para a Coroa obter do reino um financiamento (três pididos, na

linguagem do tempo). O rei pediu muito; até os privilegiados pagaram,

o que só acontecia em circunstâncias excepcionais. [...]

Quando D. Afonso V regressou da sua patética viagem a França, já não

havia um real. Se o reino fosse atacado não podia defender-se. Uma

vez mais, havia que convocar Cortes e pedir dinheiro ao Reino. [...]

Costa Lobo publica um documento (Outorga pelas Côrtes de 1478 de

um pedido de sessenta contos de reaes para a defensão do Reino,

Côrtes, Maço 2.°, n.° 19) que é expressivo no que toca às duras ne-

gociações que por certo decorreram, ao carácter excepcional do pe-

dido e às cedências a que o rei e o príncipe foram constrangidos: 1

– no imposto entrariam não apenas os contribuintes habituais, mas

também “todollos priuiligiados vassallos caualeiros e fidallguos posto

que de mym tenham teemças de dez mil reaees pera baixo”; 2 – a

‘experiência’ não era para repetir (“eu e o dicto prinçepe meu filho

ouuessemos de prometer como loguo prometeemos per nossa fé

reall e mamdamos aos que de nos descemderem sob pena de nossa

beemçam e malldiçam que nunca requereremos em alguum teempo

semelhante seruiço por trebuto nem emposiçam...”) [...] Iria Gonçalves

descreve os aspectos essenciais do processo de cobrança: prazos para

a conclusão, quem ficava isento, quais os funcionários responsáveis.

A autora explica que, em cada unidade média ou grande (vila, cidade

ou almoxarifado), deviam ser nomeados quatro oficiais: um lançador,

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um recebedor, um escrivão e um escrivão do povo;

este último, como a designação sugere, era de eleição

local, pertencendo os três primeiros, em princípio,

ao almoxarifado régio da zona.

COELHO, Maria Helena da C.; DUARTE, Luís Miguel. A fiscalidade em exercício: o pedido dos 60 milhões no almoxarifado de Loulé. Revista da Faculdade de Letras: História. v. 13, 1996, p. 206. Disponível em: <http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/2161.pdf>.

Acesso em: 23 abr. 2015.

1. Responda:

a) Qual é a ideia principal do texto?

b) O que era o almoxarife nesse período?

O almoxarife no Brasil

Leia os trechos a seguir sobre a história do almoxarife no Brasil.

Você sabia?A palavra almoxarifado, derivada de “almoxarife”, tem sua origem em uma palavra árabe (al-muxarif) que significa “nobre”, “honrado”, “tesoureiro”.

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Também no Brasil o almoxarife era a pessoa encarregada do recebimento dos tri-butos à Coroa Portuguesa. Mas aqui havia uma repartição que os englobava, a Provedoria da Fazenda Real. O provedor era seu superior e era também o titular de outros serviços, como alfândega, além da contadoria e da tesouraria. Por essa razão, os almoxarifes não tinham no país a mesma importância que tinham no reino de Portugal; além disso, inicialmente eram ligados aos feitores, os quais administravam os trabalhadores que atuavam na extração do pau-brasil e nas operações de carga e descarga de mercadorias em navios.

Mais adiante, no século XVII (17) se separariam dos feitores e, a partir dessa época, seu trabalho se restringiria à arrecadação e guarda de valores e de outros bens. No século XVIII (18) tornaram-se os administradores dos Armazéns Reais.

Existem registros da época que indicam a existência de diversos almoxarifados:

• o de São Vicente, provavelmente instalado em 1532 (fonte: AZEVEDO MAR-QUES, Apontamentos Históricos, Geográficos, Biográficos, Estatísticos e Noti-ciosos da Província de São Paulo, 2:326);

• o da Vila do Espírito Santo, em 1534 (fonte: OLIVEIRA, História do Espírito Santo, 38);

• o de Bertioga, em 1550 (fonte: DHBN, 35:165);

• da Torre de São Sebastião de Itaparica, em 1690 (fonte: ABN, 75:310);

• de Itamaracá, em 1714 (fonte: CMBN, 3:478 e 508);

• de Fernando de Noronha, em 1749 (fonte: ABN, 28:473);

• do Juízo da Provedoria da Vila de Itu, em 1756 (fonte: RIHGB/AHU/SP, 5:194).Fonte: BRASIL. Receita Federal. Almoxarifados. Disponível em: <http://www.receita.fazenda.

gov.br/Memoria/administracao/reparticoes/colonia/almoxarifados.asp.> Acesso em: 23 abr. 2015.

Se você tiver a curiosidade de conhecer mais sobre esse assunto, acesse o site da Receita Federal, onde você poderá conhecer um pouco da história dos impostos no país, que mostram os ciclos da economia, como o do pau-brasil, do ouro, da borracha etc. Saberá, por exemplo, que a atividade fiscal, a cobrança de tributos, iniciou-se decorridas apenas três décadas da chegada dos portugueses à América, em 1534, quando foram criadas as Provedorias da Fazenda Real. Mas que antes, ainda, em 1503, um enviado da Coroa Portuguesa veio para criar uma feitoria da Fazenda Real: era necessário organizar o envio do pau-brasil para Portugal.

Fonte: BRASIL. Receita Federal. Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/>. Acesso em: 23 abr. 2015.

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Os Armazéns Reais eram destinados ao:

Depósito de armas, munições, fardamento, ferramentas, alimentos,

equipamentos náuticos e outras mercadorias, destinadas ao uso das

forças militares da Coroa ou mesmo de repartições civis, que existia

nas sedes das capitanias e em povoações estrategicamente localizadas

no interior ou no litoral. Era habitualmente chefiado por um almoxa-

rife e muitas vezes estava instalado dentro de fortificações militares.

[...]

BRASIL. Receita Federal. Armazéns. Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Memoria/administracao/reparticoes/colonia/armazens.asp>.

Acesso em: 23 abr. 2015.

Como se vê, parte dos primeiros almoxarifados do Brasil, com o significado que têm hoje, foi construída com objetivos estritamente militares. A Coroa Portuguesa, logo após 1500, preocupou-se em instalar feitorias e organizar expedições, com a finalidade de proteger o território contra estrangeiros. Anos mais tarde, em 1534, foram criadas as capitanias hereditárias, quando foram divididas e distribuídas as terras, e a seus donatários coube o comando de tropas militares – também com o objetivo de proteger o território. Tomé de Souza, que em 1548 foi nomeado o pri-meiro governador-geral, trouxe consigo em torno de 400 soldados, fato que exigia a guarda e o suprimento de armas, munições, fardamentos, equipamentos, alimen-tos etc., criando, provavelmente, um dos primeiros almoxarifados propriamente ditos do País.

Mapa do Brasil de 1519, Lopo Homem.

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Brasil antes da invasão portuguesa

O Brasil, antes da invasão portuguesa, era habitado por diversas etnias indígenas. O período anterior à chegada dos europeus é comumente chamado de pré-cabrali-no, ou seja, antes de Pedro Álvares Cabral. Sobre esse período, nem sempre existem informações que nos apresentem os fatos importantes ocorridos na história das inúmeras tribos indígenas, ao contrário da história que se estuda nos livros didáticos.

Ritual de oferenda das frutas, povo indígena Barasano. Manaus (AM).

Mulher da tribo tupinambá. Albert Eckhout. Índia Tupi, 1641. Óleo sobre tela, 274 cm x 163 cm. Museu Nacional da Dinamarca, Copenhague, Dinamarca.

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Vestígios arqueológicos na Serra da Capivara, Piauí.

Partes da história dos povos índigenas vêm sendo descobertas por meio de pesqui-sas desenvolvidas, principalmente, por historiadores, antropólogos, arqueólogos, etnólogos etc. Uma fonte importante de estudos sobre essas culturas são as diferen-tes línguas faladas ainda hoje pelos povos remanescentes, pois dão pistas sobre os ancestrais dos diversos grupos indígenas.

São estudados, também, ritos, hábitos, costumes e festas eventualmente mantidos até hoje e que fornecem informações importantes sobre sua cultura.

Na pesquisa sobre os povos que existiram no Brasil ainda muito antes dos índios, estudam-se fragmentos ou peças inteiras, encontradas em escavações arqueológicas, de ferramentas, utensílios, adornos, bem como pinturas rupestres e vestígios de fogueiras, plantações, animais, vegetais, peixes, moluscos etc., que revelam sua ocupação em diversos pontos do País. São os chamados sítios arqueológicos. Os estudos desses sítios têm indicado que a ocupação do território do País pelo homem pré-histórico iniciou-se há aproximadamente 60 mil anos.

No Parque Nacional Serra da Capivara, Piauí, há indícios de ocupação existente há pelo menos 50 mil anos, continuamente mantida até o momento em que ocorreu o contato com o homem branco. O processo que revela essas descobertas é o de escavação cuidadosa, que vai revelando camadas de vestígios, intercaladas por outras de sedimentos depositados pela natureza após a desocupação – há situações em que existem várias camadas de vestígios de ocupação intercaladas pelas de sedimentos, mostrando que um mesmo sítio arqueológico foi habitado por diversos grupos em épocas diferentes, durante milênios. Em um dos sítios pode-se observar a existência de 15 diferentes ocupações que ocorreram no mesmo local.

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Um dos mais importantes sítios para o estudo dessas populações foi

a Toca do Baixão do Perna I [...]. Uma sucessão de 6 níveis, sendo o

mais antigo datado de 10.500 anos antes do presente, mostrou uma

ocupação humana contínua, tendo o sítio servido de acampamento

de maneira semipermanente, desde pelo menos há cerca de 12.000

anos até 3.500 anos atrás.

Uma grande quantidade de fogões caracterizava todos esses níveis.

No solo, junto a eles, encontramos grande quantidade de pedra lascada

e de vestígios da caça que aí foi assada: tatus, preás, mocós, aves,

veados, roedores diversos. Restos de frutos e de folhas demonstravam

a utilização de recursos vegetais; [...] entre 3.000 e 1.600 anos,

encontramos vestígios de povos que viviam em aldeias redondas que

compreendiam entre 10 e 11 casas elípticas, dispostas em volta da praça

central. [...] Além de restos de potes de cerâmica, descobrimos mãos

de pilão, discos polidos perfurados, machados lascados e semipolidos,

machados polidos e tembetás de jadeíte [...].

De outro sítio arqueológico, Cana Brava, informa-se que:

É possível formular a hipótese de que, por volta de 3.300 anos antes

do presente, os ceramistas viviam em pequenos grupos e utilizavam

vasilhames, uma forma de armazenagem já naquela época, de tama-

nho pequeno com formas simples, porém com técnicas decorativas

bastante aperfeiçoadas, de traços bem definidos e delicados, lascavam

e poliam os seus instrumentos de pedra, e praticavam uma agricultu-

ra que parece incipiente.

FUNDAÇÃO MUSEU DO HOMEM AMERICANO (FUMDHAM). Patrimônio cultural. Disponível em: <http://www.fumdham.org.br/pcultural.asp>.

Acesso em: 23 abr. 2015.

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Estes povos são classificados, quanto à forma encontrada para suprir suas neces-sidades alimentares, em caçadores-coletores e agricultores. Os povos mais antigos são os caçadores-coletores, que se alimentavam daquilo que conseguiam caçar ou coletar diretamente na vegetação, como frutos, raízes, tubérculos, mel e ovos. Os agricultores, que surgiram posteriormente, plantavam: alguns de forma incipien-te, como vimos, e outros, ao contrário, de forma intensiva. No sítio e no perío-do citados de 3 000 a 1 600 anos atrás, ocorria o cultivo de milho, feijão, cabaça e amendoim.

Mas, entre os vestígios da época, não há indicações de que aqueles povos estocassem os cereais para utilização nas entressafras ou períodos de seca – a hipótese é que se deslocassem para regiões próximas a rios.

Definindo o almoxarifado

O almoxarifado é a instalação física dentro de uma empresa onde vários materiais ficam aguardando utilização, abrigados de modo a estarem protegidos contra uma série de eventos que podem danificá-los, alterar sua composição e/ou provocar qualquer mudança indesejável. No caso de uma indústria, é o local onde ficam desde os materiais que serão utilizados para a produção de um produto qualquer, até os que são utilizados em outras áreas da empresa, não diretamente envolvidas na produção.

Os produtos prontos comumente ficam em outro almoxarifado: o depósito central, ou depósito de distribuição. Em cada setor – comércio, serviços, agronegócio – há produtos específicos a essas atividades. Assim, por exemplo, pode haver em um almoxarifado:

• canetas, cartuchos de tinta de impressoras, papel e outros materiais dessa natu-reza usados no escritório;

• guardanapos, toalhas, sabonetes etc. a serem utilizados pelos funcionários ou, em caso de hotel, em quantidades maiores para provisão nos aposentos;

• televisores, máquinas de lavar roupa e geladeiras das grandes lojas que serão en-viados para os clientes;

• lingotes de metais variados, parafusos, porcas e molas utilizados para a fabricação de peças por uma indústria;

• chapas de aço que serão estampadas.

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A natureza da matéria-prima ou do produto acabado determina as características das instalações. De modo geral, todas elas protegem os materiais contra a ação do Sol, do calor, da umidade, da água, de insetos e roedores, de poeira e mesmo de roubo ou desvio de mercadorias.

O almoxarifado ou depósito é a área de trabalho de uma empresa em que se realizam outras operações, como a etiquetagem e a separação, que serão estudadas no Ca-derno 2, além da guarda dos materiais. O almoxarifado é a unidade corporativa em que ocorrem os procedimentos que constituem um dos pontos decisivos em qualquer empresa: a existência do estoque, com suas várias funções.

Por essa razão, toda a operação do almoxarifado requer, permanentemente, muita atenção e muito cuidado de todos aqueles que nele trabalham, pois é grande a res-ponsabilidade de manter todos os materiais em plena condição de uso a qualquer momento, evitando danos, avarias, furtos, perda de validade etc.

Atividade 2eStudo de Meio

1. Nesta atividade, você e os colegas refletirão sobre as diversas formas de exercer a atividade de um almoxarife ou estoquista. Em grupo, visitem e entrevistem um profissional da área. A classe deve se organizar de forma a diversificar os locais de visita e entrevista. Seguem algumas sugestões:

• indústria de confecção;

• lojas do comércio varejista de diversos portes;

• farmácias;

• escritórios.

2. Agora, discutam: O que vocês gostariam de perguntar a esse profissional? Cada grupo deve formular seu roteiro de perguntas. Seguem algumas sugestões:

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a) Nome do entrevistado.

b) Idade, escolaridade, se ainda estuda ou pretende voltar a estudar.

c) Costuma fazer cursos na área em que trabalha?

d) Onde trabalha?

e) Por que escolheu essa ocupação?

f) Como a aprendeu?

g) Quais são os pontos positivos e negativos da ocupação?

h) Quais são os conselhos que daria para alguém que está iniciando nessa ocupação?

3. Cada participante do grupo deve elaborar um texto sobre a entrevista. Planeje seu texto antes de escrever, para que seja mais fácil fazê-lo e também para que ele faça sentido a quem o ler. Para isso, procure definir em primeiro lugar: Qual é a ideia central do texto que será feito? Quais são os argumentos a serem utili-zados para sustentar essa ideia? Quais foram as conclusões a que chegou com base na entrevista?

4. Em grupo, preparem uma apresentação para a classe.

Trabalhador verificando o estoque.

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A lógica da logística

Logística é um termo que, inicialmente, era utilizado apenas pelos militares para designar as operações de transporte, guarda e distribuição de armas e munição, alimentos, medicamentos, incluindo a busca de rotas para desloca-mento de tropas por áreas onde houvesse disponibilidade de abrigo, de água, os trajetos mais indicados etc. A evolução da logística acompanhou as transforma-ções na organização do trabalho, nas transações comerciais e na produção de forma geral.

Para saber em que parte das operações de uma empresa os almoxarifados com seus estoques são acionados, é preciso pensar, primeiramente, no processo mais amplo em que eles se encaixam: a logística.

Note que a tendência nas empresas na atualidade é a integração entre os diversos processos da logística, incluindo os do almoxarifado e do estoque.

Logística pode ser definida como um conjunto de atividades que contempla o planejamento, o controle de estoques, a armazenagem e o transporte de bens e/ou serviços, desde a origem até o ponto de consumo, com o objetivo de obter a excelência na gestão da cadeia de suprimentos (supply chain – fala-se “suplai tchein”) e no atendimento preciso dos requisitos do cliente. Nesta definição, o termo “bens” refere-se a produtos acabados, semiacabados, maté-rias-primas etc.

Na prática, essa definição é mais abrangente e compreende como atividades funda-mentais, ou primárias, o processamento de pedidos, a armazenagem e o transporte. Tais atividades são compostas por uma série de etapas ou procedimentos cada vez mais ampla e integrada – trata-se da logística integrada.

A logística se vale de uma infinidade de recursos para se aperfeiçoar permanen-temente, estando em constante evolução e procurando fazer uso de novas formu-lações e procedimentos estudados, sobretudo, na economia, na administração de empresas e na tecnologia da informação, entre outras áreas do conhecimento.

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É importante perceber que a logística é mais ampla do que o fluxo simples de merca-dorias. Ela visa alcançar melhores formas de gestão para o fluxo não somente dos pro-dutos ou serviços, mas também dos indivíduos e das informações. A logística está presente na aquisição de materiais para alimentar a cadeia de produção: na compra; passando pela fabricação do bem ou realização do serviço em si, na produção; englo-bando a manutenção de estoques diversos, no armazenamento, antes e depois da produção; até a entrega do produto acabado ao destinatário, na distribuição; e, even-tualmente, no retorno do produto ao fabricante, etapa chamada de logística reversa.

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A imagem a seguir exemplifica o princípio da logística reversa:

A logística abrange, portanto, a gestão de diversas atividades que devem ser integra-das desde seu planejamento.

De modo simplificado, o processo logístico ocorre da seguinte forma:

• o cliente efetua um pedido de compra, podendo ser um distribuidor, atacadista ou varejista, ou um consumidor final;

• o fabricante elabora um planejamento para atendê-lo, que compreende do suprimento dos insumos à previsão de alocação de trabalhadores, passando pela quantidade de horas de máquinas, equipamentos etc., necessários para a produção. É a fase do MRP (sigla em inglês de Material Requirement Planning, ou Planejamento de Necessidade de Materiais), que resulta na elaboração de um pedido de compra dos insumos (matérias-primas, componentes prontos, produtos semiacabados, embalagem etc.) necessários para a produção das mercadorias que compõem o pedido do cliente; ou de uma requisição ao al-moxarifado (onde estão armazenados os diferentes estoques de materiais). No primeiro caso, os insumos são necessários para suprir a produção; no segun-do, para ressuprir o estoque.

• uma vez concluído o processo de produção, o produto acabado será embalado e eventualmente armazenado até que venha a ser entregue ao comprador; é previsto

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o cronograma da entrega. É a fase do DRP (sigla em inglês de Distribution Requirements Planning ou Plane-jamento das Necessidades de Distribuição). O módu-lo DRP hierarquiza os pedidos de cada armazém considerando os estoques internos e as ordens em trânsito; na sequência, é contatado o transportador e calculado o valor do frete, ou é estabelecida a rota de entrega se o fabricante dispõe de transporte próprio;

• o produto acabado é, então, entregue ao cliente.

Por vezes, o produto retorna ao fabricante para repa-ros, em função de danos sofridos no transporte ou defeitos que possa apresentar ao ser utilizado. Muitos produtos também retornam ao fabricante para descar-te, ao se atingir o fim de sua vida útil.

Governos têm gerado legislações específicas tornando obrigatório o descarte ecologicamente correto de inú-meros produtos, por parte de seus fabricantes, de modo a preservar o meio ambiente.

Para que tudo isso funcione adequadamente, as empresas possuem o chamado fluxograma.

A construção do fluxograma é uma oportunidade de fortalecer o coletivo de trabalhadores, à medida que to-dos podem participar do processo e dar sugestões de encaminhamento para o fluxo de trabalho. Observe que, em um fluxograma, cada forma possui um significado:

Forma Significado

Início ou final do processo

Fluxograma: Diagrama; representação gráfica que in-dica um processo. Tem como objetivo proporcionar a visu-alização das etapas de desen-volvimento de um processo. O fluxograma é, portanto, uma ferramenta importante para construir as etapas de um processo, visualizá-las e, prin-cipalmente, perceber como se articulam ou desenca-deiam outra ação.

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Forma Significado

Um processo ou parte dele

Decisão

Documento

Vários documentos

Atividade 3conStRuindo uM fluxogRaMa

Em dupla, no laboratório de informática, elaborem com a ajuda do monitor um fluxograma sobre um tema de sua escolha. Antes, observe o exemplo de flu-xograma a seguir. Uma dica para inserir o texto den-tro da figura é clicar o botão direito do mouse em “adicionar texto”.

Este site oferece um passo a passo fácil para a elaboração do

fluxograma, caso você tenha dúvidas.Disponível em:<http://www.oficinadanet.com.br/artigo/

desenvolvimento/como_fazer_ um_fluxograma>. Acesso em:

23 abr. 2015.

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Exemplo de fluxograma: o início da manhã de uma família

1. Segue uma sugestão de tema: um dia de lazer. Observe que, além das formas indicadas no fluxograma anterior, você poderá descobrir no processador de texto várias outras e o significado de cada uma delas passando o mouse sobre as figuras. Para isso, entre no programa de texto, clique no botão “inserir”, em se-guida em “formas” e “fluxograma”. Os traços e linhas também poderão ser in-seridos a partir da mesma janela.

Acordar às 5h30

Início

Preparar café da manhã

Preparar lanche das crianças

Tem fruta?

Preparar um sanduíche para

cada criança

Colocar 2 para cada criança

Não Sim

Fluxograma

2. Depois de elaborado, cole na página seguinte o seu fluxograma para que, em um momento de consulta, você o tenha em mãos.

Símbolos para a realização do fluxograma.

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Atividade 4fluxo do pRoduto

1. Individualmente, elabore dois fluxogramas: um representando a logística inte-grada, e outro a reversa, com base em uma situação fictícia. Procure utilizar os ícones que estudou na atividade anterior, e faça uso das flechas para indicar o movimento de um item a outro. Lembre-se de nomear cada etapa.

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2. Apresente os fluxogramas para os colegas e converse com eles sobre os resultados que cada um encontrou. Após essa etapa, você pode complementar o que fez, tornando-o mais completo.

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Estoque: um velho conceito?

Esta Unidade dá continuidade ao que você já começou a aprender sobre a área de almoxarifado e apresentará com detalhes as características de um estoque, seu planeja-mento e os custos que o envolvem.

A função dos estoques nas empresas

A manutenção de estoques em almoxarifados é um dos pontos mais importantes na logística de uma empresa. Ao lado dos processos de compras, produção e distribuição/transporte, forma o que comumente se considera a base do processo logístico.

A existência de estoques nas empresas ocorre porque eles atendem a várias necessidades que, naturalmente, variam de acordo com os tipos de produtos que a empresa produz ou com sua atividade.

Estoque: 1. Quantidade acu-mulada de produtos (ger. como reserva para uso futu-ro); 2. Quantidade de merca-dorias disponível para venda; 3. P. ext. Lugar onde se arma-zenam essas mercadorias; 4. Quantidade acumulada de bens, de valores (estoque de capital, estoque de títulos pú-blicos).

© Dicionário Aulete. <www.aulete.com.br>

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Talvez uma das funções mais importantes além do simples abrigo para guarda e preser-vação das mercadorias, enquanto estas não têm uso, seja o fato de constituírem o ins-trumento que garante a entrega de um produto para o consumidor dentro de certo prazo predeterminado. Desse modo, toda vez que alguém compra o produto, sabe que o receberá em “x” dias.

Entregar o produto, a mercadoria, o bem ou o serviço no prazo determinado é fundamental para qualquer fornecedor manter a qualidade de seu atendimento ao cliente, também conhecido como nível de serviço logístico ou nível de serviço, in-dependentemente de qual seja este prazo.

Somente a disponibilidade do produto no estoque da empresa garante que a entrega ocorra rigorosamente no prazo, seja ele zero ou nulo – isto é, o produto é entregue instantaneamente, como em uma loja – ou em um número qualquer de dias, pois a empresa não fica sujeita a atrasos por parte de seus fornecedores. Uma empresa de comércio varejista, por exemplo, não pode depender da entrega de um dado produ-to por parte de seu fabricante para, só então, entregá-lo ao comprador, pois vários fatores podem atrasar seu fornecimento, como veremos adiante.

Muitas vezes, dispor do produto para entrega imediata ou entregá-lo no prazo pode ser o diferencial que o consumidor busca e que o fará tornar-se fiel à empresa, o que o levará a sempre preferi-la a cada nova aquisição de produtos. Por outro lado, a ine-xistência do produto no ponto de venda de preferência do consumidor, seja uma loja, quiosque, hipermercado etc., muitas vezes faz com que este adquira outro produto no mesmo local ou procure outro ponto de venda, onde o produto desejado esteja dispo-nível. A perda de uma venda pode significar a perda de um cliente – tanto para o fabricante quanto para o ponto de venda. E, nessa situação, todos os esforços de propaganda e marketing podem ser desperdiçados.

Como além dessas condições existe a comunicação informal, popularmente conhe-cida como boca a boca, o efeito pode começar a multiplicar-se. Portanto, cumprir

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a expectativa dos clientes em termos de prazo é uma condição muito importante, sejam eles pessoas físicas, a população, sejam pessoas jurídicas, as empresas, que adquirem produtos de outras empresas para revendê-los ou para utilizá-los na ma-nufatura de seus próprios produtos.

Uma fábrica, por sua vez, não pode ter fluxos irregulares de produção, isto é, em determinado dia produzir a sua cota diária porque as vendas estão dentro de um objetivo, em outro produzir muito mais porque os vendedores venderam muito mais, ou, em outro, ainda, produzir muito menos ou parar de produzir porque as vendas foram muito baixas. Não há como aumentar ou diminuir bruscamente o fluxo de matérias-primas, de partes ou de componentes recebidos de seus fornece-dores, o número de funcionários, a quantidade de máquinas e equipamentos utili-zados na produção – salvo em situações muito especiais.

O número de horas trabalhadas é, na realidade, o único fator na produção em que é possível alguma flexibilidade. Mesmo assim, também sofre limitações, pois é obrigatório cumprir a lei trabalhista. Além disso, o excesso de horas trabalhadas continuamente provoca fadiga física e mental e aumenta os riscos de acidentes de trabalho. Por outro lado, quando a produção é em volume constante e, além disso, contínuo, pode-se obter ganhos por meio do simples aperfeiçoamento dos controles e processos produtivos.

Dessa forma, as empresas mantêm dado volume de produção constante e determina-do volume de estoque também constante, seja dos produtos acabados, prontos para entrega, seja das matérias-primas etc., de modo a garantir tanto a produção quanto a entrega dentro dos volumes médios com que trabalha. Essa prática se aplica a todas as empresas, sejam fabricantes de produtos finais, de embalagens, componentes, partes ou peças (os fornecedores), sejam mineradoras, fundições, indústrias de resinas etc. (os fornecedores dos fornecedores). Ou seja, se uma grande empresa necessitasse aumentar abruptamente sua produção, seria preciso que várias outras empresas na cadeia de fornecedores também pudessem fazê-lo simultaneamente.

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Atividade 1 eStoqueS ReguladoReS

Em grupo, reflitam sobre algumas situações que envolvem os estoques.

1. Uma grande empresa de laticínios, por exemplo, depende da manutenção de estoques reguladores? Como seriam esses estoques?

2. E em uma mineradora de ferro? Nesse caso, como seriam os estoques?

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3. Façam fluxogramas para visualizar todas as etapas pelas quais passam as matérias--primas originais até que se transformem ou estejam incorporadas nos produtos finais, prontos para o consumo da população.

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Produção regular

Independentemente de serem produtos acabados (prontos para o consumo ou uso), semiacabados (produtos em processo, que sofreram alguma transformação) ou matérias-primas, o estoque de produtos cumpre uma função fundamental para uma empresa: a de tornar regular o fornecimento de produtos acabados. O estoque age como se fosse um mecanismo que permite regular a produção, de modo que não seja necessário esperar que o produto venha a ser fabricado e então possa ser entre-gue; isto é, ele faz com que o produto sempre esteja disponível. O fato de produtos ou mercadorias estarem localizados em depósitos permite também a realização de outros procedimentos muito importantes para as empresas, como a manutenção de inúmeros controles e várias análises.

Se forem observadas as vendas daquela empresa de laticínios da atividade sobre estoques reguladores, por exemplo, durante um ano, veremos que elas sofrem algu-mas variações mês a mês, aumentando um pouco em um mês, diminuindo em outro, mas mantendo uma média mais ou menos constante.

As vendas podem também apresentar aumentos extraordinários, caso a empresa esteja efetuando com sucesso ações especiais para aumentá-las, ou, ainda, em função de alterações no comportamento do mercado, isto é, dos consumidores que, por algum motivo, passam a consumir mais. As alterações no comportamento do mer-cado consumidor podem ocorrer também no sentido inverso, de redução da deman-da, da procura do produto por conta de uma diminuição do consumo, uma vez que o mercado é dinâmico e, por isso mesmo, incerto.

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Por sua vez, as empresas lançam diariamente novos produtos, inovações, substituem ou incorporam novos elementos a produtos existentes, ou criam novas formulações, invenções etc. Esses procedimentos podem tornar os concorrentes menos atraen-tes, desejáveis, interessantes. A maneira como as pessoas encaram os produtos, materiais e serviços é dinâmica, isto é, altera-se permanentemente, seja pelo lado do consumo em si, quando passam a comprar mais ou a comprar menos deter-minados produtos, seja pela mudança de hábitos, gostos, surgimento de novas necessidades, expectativas etc.

Os estoques são formados como precaução para essas oscilações, de modo a propor-cionar segurança à atividade da empresa, garantindo a produção e assegurando que não faltarão mercadorias para que seja mantido o fluxo normal de vendas e entregas – observando, claro, os prazos usualmente praticados entre fabricante e consumidor.

Já os estoques de materiais utilizados na produção podem cumprir também outras funções muito importantes para a empresa, do ponto de vista estratégico. Sabe-se que inúmeros fatores podem afetar o fornecimento de materiais para uma indústria de transformação por parte de seus fornecedores diretos ou por parte dos fornecedores de seus fornecedores, provocando atrasos, escassez ou até a falta total do insumo:

• eventos climáticos que afetam diretamente a produção ou o transporte;

• interrupção ou limitação no fornecimento dos diferentes tipos de fontes de ener-gia ou mesmo de água, prejudicando a produção;

• greves nos diferentes meios de transportes ou terminais, como portos ou aeropor-tos, eventualmente em centros de distribuição, ou nas próprias indústrias, usinas, mineradoras etc.;

• acidentes de toda sorte e natureza, envolvendo maquinário, equipamentos e instalações ou os próprios trabalhadores em indústrias, terminais etc.;

• alterações bruscas ou acentuadas em políticas cambiais ou de comércio exterior no próprio País ou em outros, como restrições, barreiras ou aumentos de tarifas alfandegárias, no caso de importados;

• guerras ou outros adventos resultando em imposição de proibições ou restrições de tráfego marítimo ou aéreo, aumentos extraordinários de tarifas de fretes, se-guros etc., também no caso de produtos importados;

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Uma fábrica de automóveis, por exemplo, depende de vários fornecedores – além de possuírem milhares de peças, estas têm diversas origens: minas de ferro, de onde o metal será transformado em aço; poços de petróleo, de onde sairão subprodutos com os quais se farão os plásticos; plantações de seringueiras etc.

Por esses motivos, uma indústria pode necessitar de estoques mais amplos de algum insumo caso haja o risco de redução do fornecimento mais adiante, de modo a não sofrer quebra da produção.

Greve interrompe a importação e exportação de mercadorias.

Alagamentos interrompem o trânsito e atrasam as entregas de mercadorias.

• movimentos especulativos internacionais ou mesmo em território nacional que imponham grandes aumentos de preços;

• e, ainda, a associação de dois ou mais desses eventos que podem ocorrer simulta-neamente.

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Estoques e custos

Os estoques também podem desempenhar papel importante na questão dos custos de produção ou aquisição e, consequentemente, no lucro das vendas. A sua manu-tenção permite a um fabricante aproveitar momentos propícios para adquirir suas matérias-primas ou outros produtos essenciais à sua operação em quantidades maio-res do que as necessárias à sua produção regular, semanal ou mensal, ou seja, dentro de sua programação de produção.

Assim, a empresa pode se favorecer ao comprá-los: em volumes maiores, que são objetos de descontos especiais por quantidade adquirida; pela redução de despesas de frete; por fazê-lo antecipadamente, em eventuais promoções, ou em momentos de baixa procura ou demanda, nacional ou internacional, que costumam resultar em queda dos preços.

No caso da ocorrência de escassez de matéria-prima, como vimos, comprar o produto antecipadamente permite continuar a operar normalmente, enquanto parte das empresas concorrentes, sem ter essa mesma possibilidade, possa estar sujeita a passar por um momento de baixa produção e vendas, dada a falta de matéria-prima. Além disso, nos momentos de escassez (baixa oferta), assim como nos de alta de consumo (ou excesso de demanda), os preços sempre tendem a subir, como se sabe.

Atividade 2planejando o eStoque

Em grupo, resolvam a seguinte situação:

1. Duas empresas concorrentes, A e B, produzem cada uma, em média, cinco to-neladas/mês de peças em aço inox, como pias e cubas. Para tanto, os departa-mentos de compras adquirem cinco toneladas/mês de chapas de aço, a 10 reais o quilograma, com 5 meses de antecedência.

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A empresa A, entretanto, quase não dispõe de capital de giro e, por isso, sempre compra a mesma quantidade a cada mês. A empresa B, percebendo que os preços do aço estavam subindo no exterior, adquiriu há cinco meses 20 toneladas, pas-sando a comprar, nos quatro meses seguintes, apenas 1,25 tonelada por mês.

A tabela das compras, então, é a seguinte:

Empresa Mês Compra Custo Empresa Mês Compra Custo

A maio 5 t x B maio 20 t 4X

A junho 5 t x + 3,5% B junho 1,25 t ?

A julho 5 t X + 4,8% B julho 1,25 t ?

A agosto 5 t X + 4,5% B agosto 1,25 t ?

A setembro 5 t X + 5,0% B setembro 1,25 t ?

2. Considerando que os preços de aquisição da matéria-prima são os mesmos para ambas as empresas e que a empresa B não obteve descontos extras na compra das 15 toneladas a mais no 1o mês, pergunta-se:

a) Qual porcentual a mais foi pago por uma empresa em relação a outra?

b) Considerando-se os próximos cinco meses de produção, qual é o preço médio da tonelada de matéria-prima para cada empresa no período? Justifiquem as respostas.

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al m O x a r i f e e es t O q u i s t a 1 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão 97

Tipos de estoques

A ocorrência de tantas e tão diversas condições, que im-plicam manutenção dos estoques e os afetam das mais variadas formas, torna fundamental a existência de uma administração bastante cuidadosa dessa área de trabalho dentro das empresas, independentemente do setor em que atuam. Você sabia?

Os setores da economia são divididos em três: o setor primário da eco-nomia de um país é for-mado pelo agronegócio, o secundário pela indús-tria e o terciário pelo co-mércio e serviços.

Colheitadeiras utilizadas pelo agronegócio.

Complexo industrial pertencente ao setor secundário.

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98 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m O x a r i f e e es t O q u i s t a 1

Em função dos tipos de produtos que a empresa fabrica, ela pode manter vários tipos de estoques:

• de matérias-primas, isto é, os produtos ou materiais que serão transformados pela empresa;

• de produtos que não compõem o produto final da empresa, mas são utilizados nas diferentes etapas do processamento das matérias-primas ou na incorporação de itens fornecidos por terceiros;

• os voltados a esses itens, produtos acabados que serão incorporados aos produzi-dos pela empresa, frequentemente fornecidos por outras empresas, como peças, partes, elementos, dispositivos ou componentes já prontos;

Espetáculos artísticos oferecidos pelo setor de serviços.

Consumidora escolhe produto no comércio.

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al m O x a r i f e e es t O q u i s t a 1 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão 99

• de embalagens diversas;

• de produtos:

- semiacabados, isto é, matérias-primas já transformadas e partes já processadas, de acordo com diferentes etapas que são exigidas na produção do produto final;

- acabados, prontos para entrega;

- de uso administrativo, como material de escritório, de limpeza etc.;

- utilizados por máquinas ou equipamentos para sua operação, manutenção, conserto e limpeza.

Costumam permanecer nos estoques, ainda, por determinado tempo, materiais diversos, matérias-primas, móveis, máquinas, instalações, equipamentos, produ-tos semiacabados ou acabados, componentes, peças etc., danificados durante o uso, a produção, a movimentação no interior da empresa; ou desgastados, obso-letos, defeituosos, fora da validade – enfim, itens que devem vir a ser descartados, vendidos como sucata ou para reaproveitamento por outras empresas, reciclados, doados ou destruídos.

É o caso, também, dos produtos que retornaram ao fabricante pelo sistema de lo-gística reversa, ao fim de sua vida útil, e dos produtos devolvidos para reparos ou descarte em função de defeitos de fabricação ou danos sofridos no transporte.

Em muitas indústrias os depósitos são distintos, contando com um depósito para insumos que serão utilizados na fabricação dos produtos e outro para os produtos acabados. Nas empresas comerciais, os depósitos são únicos, já que existem apenas produtos acabados. Nos depósitos, outras áreas, bem menores, são reservadas ou delimitadas para utilização pelos demais tipos de estoque, os de produtos a serem descartados ou dos demais produtos utilizados na empresa, como acabamos de ver – o que por vezes se faz simplesmente com a utilização de cores indicativas dos locais próprios para cada tipo de estoque.

Insumo não é a mesma coisa que matéria-prima!

Insumo é todo material que é usado na produção, mas não necessariamente faz parte dela.

Veja um exemplo: para produzir queijo, a indústria precisa de matéria-prima, o leite, mas também dos insumos – máquinas e outros equipamentos que o produzirão.

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100 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m O x a r i f e e es t O q u i s t a 1

Custos

Apesar de todas as vantagens que o uso de estoques pode oferecer, há outro lado que deve ser observado cuidadosamente: o custo de sua manutenção. Esse custo tem relação não apenas com a quantidade de materiais estocados, ou seja, o capital da empresa empregado nos diversos itens armazenados nas prateleiras, o “dinheiro empilhado”, o custo financeiro, mas, igualmente, com as despesas necessárias para a operação do estoque.

Nessa operação, entram os custos relativos aos armazéns próprios, sua construção e manutenção, ou de aluguel de armazéns; os de instalações, equipamentos e res-pectiva manutenção; de mão de obra; de atividades de controle e segurança; de eventuais seguros; e, por fim, custos por perdas causadas por danos ou avarias, roubo, perda de validade e obsolescência.

É sempre importante levar em conta que um aumento de volume estocado pode exigir a disponibilidade de mais espaço físico, próprio ou alugado, além de existir também um acréscimo no custo de movimentação dos materiais, assim como torna necessário comprar mais instalações e equipamentos, contratar mais trabalhadores, pagar horas-extras etc.

Há diversas maneiras de se evitar gastos operacionais desnecessários e que serão mencionadas nos próximos tópicos. Portanto, atente a isso, pois a questão do custo é fundamental na logística. O que se deve sempre ter em mente é o objetivo das empresas de buscarem permanentemente a redução de custos com as despesas operacionais, que se pode obter:

• pela eliminação de procedimentos desnecessários, como uso de equipamentos, combustíveis, instalações e horas de trabalho humano;

• pela utilização de equipamentos e instalações perfeitamente adequados, e de qualidade adequada às características do uso, como o peso e as dimensões dos volumes estocados e a frequência com que são carregados ou descarregados nas estruturas de armazenamento;

• pela distribuição racional dos produtos dentro do armazém, buscando localizá-los apropriadamente, tendo em vista o encaminhamento que terão, diminuindo seu trânsito pelo interior da área e, por consequência, a possibilidade de acidentes que resultem em danos e avarias;

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• pelo uso de técnicas que tornam mais ágil a localização dos espaços reservados para cada produto, favorecendo as operações de entrada e de saída;

• pelo uso de tecnologias que facilitam a realização de inventários e a disponi-bilidade de dados sobre os produtos e sua identificação, validade e outras informações importantes para o uso e/ou para evitar perdas por obsolescência, deterioração, perda de propriedades etc.

Gestão

A qualidade da gestão de estoques é fundamental na administração das empre-sas, pois dela depende o aumento ou redução dos lucros – seja quando se tem em vista apenas as ações destinadas a sua operação, seja porque as reduções no lucro são agravadas se os estoques forem inadequados, por serem excessivos ou insuficientes.

Se forem excessivos, a diminuição do lucro decorre da utilização desnecessária de espaço físico, instalações e quantidade de trabalhadores; se insuficientes, resultam na perda de vendas efetuadas que podem ser canceladas pela não entrega dos pro-dutos ou pelo não cumprimento dos prazos.

O nível de serviço tem características distintas em função do tipo de produto que a empresa comerciali-za. Pode abranger apenas o processo que vai da realização do pedido de compra até a entrega dos produtos, ou ir além, com ações que antecedem a compra, como a divulgação de garantias e de rede de assistência técnica, e ações que se sucedem à entrega do pedido, como na instalação do produto, no fornecimento de peças de reposição, no retorno do produto vencido ou com vida útil expirada, na logís-tica reversa.

As empresas costumam adotar práticas comerciais distintas em função do porte de cada cliente. São praticados preços, condições de faturamento, prazos e condições de entrega diferentes, entre outros aspectos da relação fornecedor/cliente. Assim, grandes clientes costumam receber seus pedidos em:

• prazos curtos, com entregas mais frequentes;

• entregas em dias e horários preestabelecidos e adequados aos seus procedimentos de armazenamento ou distribuição interna;

• embalagens adequadas para sua movimentação e manuseio internos;

• nas quantidades ajustadas aos interesses do cliente;

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102 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m O x a r i f e e es t O q u i s t a 1

• operações de descarga mais rápidas com o uso de veículos apropriados ou maior volume de funcionários.

Já clientes de pequeno porte têm outro nível de tratamento:

• as entregas podem eventualmente atrasar;

• as entregas podem ocorrer em horários inadequados à atividade do cliente;

• os prazos de entrega costumam ser mais longos;

• nem sempre é possível garantir embalagens que facilitem o manuseio interno; muitas empresas praticam valores ou volumes mínimos obrigatórios de embalagens para fornecimento, os quais podem ser muito altos para pequenos clientes; e assim por diante.

Há, como vimos, vários níveis de serviço, cada qual com um custo correspondente: quanto mais básico o nível, menor o custo; portanto, níveis de serviço altos e caros são proporcionados preferencialmente aos grandes clientes. Assim como há diferen-tes níveis de serviço, há, como você já estudou, diferentes fluxos na distribuição dos produtos estocados aos clientes.

É necessário, então, que a gestão dos estoques seja adequada, de modo a evitar falhas e permitir que a produção seja adequada e que os estoques tenham seus espaços bem planejados.

Para que um estoque seja considerado adequado, é necessário, de um lado, não haver desperdício de recursos para sua operação e não imobilizar desnecessariamente ca-pital de giro; e, de outro lado, que os recursos sejam suficientes para garantir a re-gularidade da produção e do fornecimento do produto aos clientes – dessa forma, os recursos financeiros são direcionados para outras áreas da empresa, por exemplo, para expansão em vendas ou marketing ou mesmo em investimentos no mercado financeiro. Esta última opção é mais percebida em momentos de crise econômica, quando as empresas param de investir em planos de expansão e direcionam seus recursos em investimentos em ações de outras empresas, em fundos de renda fixa nos bancos etc.

No decorrer do tempo, vêm sendo desenvolvidos vários instrumentos para auxiliar a gestão das empresas, de técnicas de administração a tecnologias de informática.

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Atividade 3 Solucionando pRobleMaS

1. Em grupo, criem uma situação-problema para organizar e gerenciar estoques. Um outro grupo deverá resolvê-la apresentando um plano de solução. Por exem-plo: a empresa precisa abastecer os estoques para as vendas da Páscoa. Contudo, duas situações se colocam: a economia está aquecida e as vendas estão em alta; as temperaturas continuam elevadas no outono. Qual é a opção para estoque? Como estocar? Quais são os riscos?

Para solucionar o problema, cada grupo deve seguir os seguintes passos:

Ação O que fazer?

Identificação do problema Descrever o problema a ser analisado, de forma a apresentar suas características

Coleta de dados Identificar dados e informações necessárias para a análise do problema

Análise

Analisar os dados e informações coletados, preferencialmente construídos em série histórica (por exemplo, comportamento de vendas no mesmo período – Páscoa, conforme a situação exemplificada) nos últimos cinco anos ou desde as principais alterações da economia, sejam elas positivas ou negativas

Plano de ação

Definir um plano para solucionar o problema. Uma das formas para objetivar esse plano pode ser construindo uma tabela que contenha propostas e aspectos positivos e outra, com aspectos negativos. Você pode utilizar a técnica 5W2H para melhor definir as etapas e contemplar mais detalhes para reduzir as margens de erro

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104 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m O x a r i f e e es t O q u i s t a 1

Ação O que fazer?

Execução Optar pela melhor decisão e definir quem nela estará envolvido

Lições aprendidasRegistrar os aprendizados diante do problema, a fim de construir uma memória de problemas/soluções e resultados

O que vocês acabaram de fazer nessa atividade é parte de um método de análise e solução de problemas, conhecido como Masp, composto de oito etapas: identifica-ção do problema, observação, análise, plano de ação, ação, verificação, padronização e conclusão.

Existe uma técnica chamada 5W2H. Essa denominação é emprestada do inglês e indica os procedimen-tos a serem adotados na análise de uma situação problema. Veja o que cada “W” e cada “H” representa:

Em inglês Em português Significado

What

(fala-se “uat”)O quê? O que será feito?

Why

(fala-se “uai”)Por quê? Qual o motivo?

Where

(fala-se “uer”)Onde? Onde será feito?

When

(fala-se “uem”)Quando? Quando será feito?

Who

(fala-se “ru”)Quem? Quem irá fazer?

How

(fala-se “rau”)Como? Como será feito?

How much

(fala-se “rau mâtch”)Quanto custa? Qual será o custo para fazer o que é necessário?

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A curva ABC

Uma das técnicas mais comuns empregada nos estoques é a chamada curva ABC, um método de classificação de itens do estoque. Esse método foi desenvolvido com base nos estudos feitos por Vilfredo Pareto (1848-1923) sobre distribuição de renda, que concluíram que aproximadamente 20% da população controlava grande par-cela da riqueza, em torno de 80%. Essa análise serviu de base para o chamado Princípio de Pareto, que afirma que 80% das consequências são geradas por 20% das causas. A técnica leva em consideração o fato de que estoques são formados por itens que possuem diferentes valores de custo; logo, são utilizados em diferentes volumes e têm diferentes graus de importância para a produção.

Em média, entre 70% e 80% do valor dos materiais estocados corresponde a apro-ximadamente 20% dos itens, que são os de maior valor, e classificados como “A”; os classificados como “B” correspondem a 15% a 20% do valor do estoque; e os considerados “C”, a uma cifra em torno de 5%.

Fontes: SALGADO, Tarcísio Tito. Logística: práticas, técnicas e processos de melhorias. São Paulo: Senac, 2013; VAGO, Fernando Rodrigues Moreira et al. A importância do gerenciamento

de estoque por meio da ferramenta curva ABC. Sociais e Humanas, Santa Maria, v. 26, n. 3, set.-dez. 2013.

Observe o gráfico a seguir.

A

B

% Número de itens

% Valor do consumo

anual

C

A experiência mostra que os itens classificados como:

• “A” são os itens de maior valor de venda e correspondem a aproximadamente 20% dos itens. Cabe lembrar que entre 75% e 80%, em média, do valor dos materiais estocados são assim classificados;

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106 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m O x a r i f e e es t O q u i s t a 1

• “B” correspondem a 15% a 20% do valor das vendas; e

• “C” apresenta uma cifra em torno de 5% das vendas.

Para se obter essas informações, é preciso realizar um cálculo muito simples: de posse do valor unitário de cada item estocado, multiplica-se o item pela quantidade consumida ou vendida em uma medida de tempo que, em geral, é o de um semes-tre ou de um ano, dependendo da velocidade em que, na história da empresa, ocorrem as variações na demanda.

Atividade 4a cuRva abc da Minha cozinha

Essa atividade, a ser feita no laboratório de informática, possibilitará que você co-nheça ou amplie seus conhecimentos sobre a construção de planilhas eletrônicas.

1. Imagine a seguinte situação: você dispõe de dinheiro (capital de giro) para adquirir uma despensa com enormes prateleiras e geladeiras (armazém, almo-xarifado, depósito) com capacidade para estocar os produtos que consome re-gularmente na preparação de suas refeições, em quantidades suficientes para seis meses de consumo.

2. Anote, ao lado de cada um dos produtos, a quantidade de unidades que irá utilizar em seis meses (calcule 26 semanas), além dos custos unitários e totais de cada produto. Complete a tabela com os demais produtos em unidades e custos, conforme exemplo:

Produto Unidades Custo unitário (em R$)

Custo total (em R$)

Arroz 20 kg (4 sacos) 8,25 33,00

Macarrão 12 kg (24 pacotes) 2,89 69,36

Molho de tomate 8,3 kg (26 sachês)

Carne moída 12 kg

Frango 32,5 kg (13 unidades)

Óleo 9 ℓ

Sal 2 kg

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Produto Unidades Custo unitário (em R$)

Custo total (em R$)

Total

3. Lembre-se de totalizar as unidades e os custos somando os produtos que você incluiu.

4. Agora crie uma nova tabela, incluindo uma coluna para a posição de cada item que, dessa vez, você irá relacionar em ordem decrescente de custo total da aqui-sição (neste caso, começaremos pelo frango; em segundo lugar, a carne moída e assim por diante). Inclua também uma nova coluna para a proporção, em porcen-tagem, que cada item representa no valor global das compras, e outra em que você irá somar essas porcentagens, uma a uma, totalizando a cada vez. Desse modo:

Item Produto Unidades consumidas

Custo unitário (R$)

Custo total (R$)

Participação (em %)

% Acumulada

Frango 13 13,60 176,80 (34,51) (34,51)

Carne moída 12 14,59 175,08 (34,17) (68,68)

Macarrão 15 2,89 69,36 (13,54) (82,22)

Arroz 4 8,25 33,00 (6,44) (88,66)

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Item Produto Unidades consumidas

Custo unitário (R$)

Custo total (R$)

Participação (em %)

% Acumulada

Nas tabelas apresentadas procurou-se uniformizar as unidades de medida (kg, ℓ), usando valores médios por tipo de embalagem em que o produto é vendido, apenas para dar uma visão mais uniforme do consumo; os cálculos, porém, estão feitos por unidade (quilograma, litro, sachê, saco etc.). Mas, para a realização da atividade, você poderá mantê-las, se quiser, sem convertê-las em unidades iguais para todos os produtos: quilogramas e litros. Nas empresas, as matérias-primas e outros insumos normalmente são computados em unidades simples ou unidades de medida de peso, de volume, de quantidade por embalagem etc.

5. Agora, classifique os itens, segundo a curva ABC:

a) Quais seriam “A”?

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b) E “B”?

c) E quais seriam “C”?

Neste exemplo, os itens de 1 a 3 são os que seriam classificados ou categorizados como “A”, uma vez que a soma dos três atinge em torno de 75% do valor do estoque. O item 4 faria parte dos produtos da categoria B, pois a participação de seu custo no total da despensa é bem mais baixo, mais próximo do valor do item 5 do que do 3. E o item “sal” faria parte da categoria C, com participação bem baixa no valor total da compra.

Para calcular as porcentagens (%): pegue o valor do qual quer saber a porcentagem correspondente e divida-o pelo valor total (que corresponde a 100%) movendo a vírgula duas casas à direita – ou criando uma vírgula, se já não houver, duas casas à direita. Na planilha eletrônica, a fórmula utilizada ficará da seguinte maneira: porcentagem = valor/total. Veja o exemplo a seguir. Imagine que você terá um descon-to de 90 reais na compra de uma geladeira de 870 reais. Nesse caso, qual é a porcentagem do desconto? Veja como a fórmula ficaria na planilha eletrônica:

1

2

3

4

5

A

A1

B C D E

=90/870

=90/870

Dan

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110 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m O x a r i f e e es t O q u i s t a 1

Após inserir a fórmula, o resultado será dado em número decimal, igual a 0,103448. Para transformá-lo em porcentagem você tem algumas opções. A primeira é clicar no símbolo “%” na planilha e o progra-ma irá calcular automaticamente, apresentando o resultado de 10%. Ou, ainda, você pode multiplicar esse valor por 100 e, assim, será apresentado o resultado 10,3448, que seria 10,3448%.

Outro exemplo: carne moída: 175,08 ÷ 5,1237 (512,37 com a vírgula já movida) = 34,17. Se usar calcula-doras de mão, para calcular novas porcentagens sobre um mesmo total, depois de ter feito a primeira conta, basta digitar o novo valor a calcular e dar o total, pois a operação se repete automaticamente.

O processamento das informações

Existem vários programas de computador, os softwares, que foram criados para controlar e integrar diferentes processos que ocorrem nas empresas, facilitando seu gerenciamento, como o de planejamento de recursos empresariais. Outros são de-senvolvidos para objetivos mais específicos: os chamados softwares especializados. Todos podem estar disponíveis no mercado ou serem especialmente desenvolvidos para um cliente, por uma empresa de TI (tecnologia da informação), para uma área de uma empresa que necessite de algum programa particular a fim de atender a peculiaridades exclusivas.

O software de gerenciamento de armazém, por exemplo, é utilizado para a gestão de estoques e inúmeras funções que com eles se relacionem. A abrangência do programa é extensa, permitindo o registro e o processamento de todas as operações e os procedimentos envolvidos, inclusive o rastreamento das mercadorias a partir do momento em que são recebidas na empresa, até sua saída nos veículos que farão as entregas.

Além disso, possibilita controle e alta precisão na realização dos inventários para verifi-cação de estoque. Por essa razão, é muito utilizado não somente em indústrias, mas também nos centros de distribuição, atacadistas, varejistas e operadores logísticos, que são empresas prestadoras de serviços especializadas no armazenamento e distribuição.

1

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PÁGINA INICIAL INSERIR FÓRMULAS DADOS REVISÃO EXIBIÇÃOLAYOUT DA PÁGINAARQUIVO

CopiarN SIColar

Área de Transferência

Quebrar Texto Automaticamente

Mesclar e Centralizar

Fonte Alinhamento Número

Pincel de Formatação

11

B C D E F G H I J K L M N

% 000 ,0,0

,00,00

=90/870

0,103448

Estilo de Porcentagem (Ctrl + Shift +%)

Formatar como uma porcentagem.

Dan

iel B

enev

enti

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Com o programa, é possível efetuar inventários por produto ou por grupo de pro-duto sem interromper a operação no interior do armazém. Esses inventários costu-mam ser feitos com regularidade, para que se tenha o controle do estoque da forma mais precisa possível, uma vez que podem ocorrer danos e avarias em mercadorias manuseadas no depósito, furtos, erros de lançamento dos dados de notas fiscais nas entradas ou saídas dos produtos, erros de identificação ou classificação de produtos, expiração da validade, não realização de lançamentos ou registros dos dados de notas fiscais, de mercadorias devolvidas por danos no momento do recebimento, e outros problemas que fazem com que um acompanhamento simples das entradas e saídas dos produtos apresente erros diversos.

É comum, dependendo do tipo de negócio e porte da empresa, que se façam con-tagens físicas das mercadorias para confrontação com os dados numéricos, registra-dos nos programas dos computadores ou em fichas anotadas manualmente.

Atividade 5eM buSca da infoRMação

1. Em dupla, no laboratório de informática, pesquisem nos sites de busca quais são os programas especializados destinados à gestão de estoque.

2. Registrem as características de cada um deles e elejam qual lhes pareceu o mais completo para uso diário. Apresentem as conclusões à classe.

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v i a r á p i d a e m p r e g o

O mundo do trabalho

A organização do trabalho: taylorismo, fordismo e toyotismo

O fenômeno da globalização

O mercado de trabalho

Almoxarife: tesoureiro do rei?

Estoque: um velho conceito?

www.viarapida.sp.gov.br

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Sum á ri o

Unidade 79

Passo a Passo no almoxarifado: a organização do esPaço

Unidade 817

Passo a Passo no almoxarifado: a armazenagem

Unidade 9 27

equiPamentos e instalações

Unidade 1061

Passo a Passo no almoxarifado: exPedição e distribuição

Unidade 11 67

linguagem não verbal: sua segurança no trabalho

Unidade 1297

revendo seus conhecimentos

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FICHA CATALOGRÁFICATatiane Silva Massucato Arias - CRB-8/7262

São Paulo (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação. Via Rápida Emprego: administração: almoxarife e estoquista, v.2. São Paulo: SDECTI, 2015.

il. - - (Série Arco Ocupacional Administração)

ISBN: 978-85-8312-173-2 (Impresso) 978-85-8312-172-5 (Digital)

1. Ensino Profissionalizante 2. Administração – Qualificação Técnica 3. Almoxarife e Estoquista – Mercado de Trabalho I. Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação II. Título III. Série.

CDD: 658.787

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unida d e 7

Passo a passo no almoxarifado: a organização do espaçoNos almoxarifados ou depósitos acontecem muitas atividades que permitem a execução de boa parte dos processos logísticos da empresa. Abrigar os estoques é apenas uma das atividades, o ar-mazenamento. Nos processos que ocorrem no interior dos arma-zéns, o software de gestão do armazém se constitui como ferramenta altamente eficiente e completa, uma vez que engloba todo o gerenciamento do processo.

Talvez a primeira preocupação que os profissionais que atuam no almoxarifado devam ter em mente é a organização do espa-ço físico, o desenho do armazém e suas instalações: o leiaute. É a partir do leiaute que são definidos vários critérios que serão adotados no dia a dia das operações que acontecem no estoque ou armazém.

Equipamentos, instalações e o próprio almoxarifado devem estar sempre limpos, arrumados, organizados; os paletes – que você estudará em item próprio – devem estar sempre estrutu-rados de forma correta, ou seja, as caixas, as embalagens, os fardos, ou o que for, devem estar perfeitamente empilhados, afixados e amarrados, e as caixas devidamente fechadas.

Quando houver informações, é preciso respeitá-las para evitar inconvenientes ou acidentes no momento do empilhamento e da colocação nas prateleiras; embalagens vazias devem estar separadas em locais próprios, em gaiolas de armazenamento, para reaproveitamento; os corredores devem estar desobstruídos, especialmente quando compõem rotas de fuga; assim como jamais devem ser obstruídos, em qualquer grau, os locais em que estão instalados extintores e hidrantes.

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Pode-se dizer também que o controle rigoroso do acesso de pessoas ao almoxarifa-do faz parte da boa organização desse espaço, uma vez que pessoas que nele não atuam desconhecem seus procedimentos e facilmente podem vir a causar ou ser vítimas de acidentes, além de diminuir possíveis furtos.

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Gaiolas de armazenamento.

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O conjunto de operações básicas de um almoxarifado compreende a recepção dos materiais (recebimento), sejam quais forem, a guarda (armazenamento), a separação e a entrega ao destinatário (distribuição). Além dessas, muitas outras operações ocorrem nos almoxarifados, como veremos adiante.

No decorrer deste Caderno, você vai conhecer cada uma dessas etapas. Nesta Uni-dade, será destacado o leiaute.

O leiaute

O desenho do espaço do armazém deve ser feito de forma a facilitar:

• a movimentação das mercadorias, dos equipamentos e das pessoas, no sentido da entrada, da saída e dos deslocamentos internos de materiais;

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• a definição do armazenamento, com a localização dos diversos grupos, tipos ou famílias de produtos, e a organização dos eventuais tipos diferentes de estrutura de armazenamento, como as prateleiras;

• a previsão da dimensão dos materiais a serem estocados e suas dimensões, como peso, quantidade, diversidade, facilidade ou dificuldade de manejo, assim como a frequência com que ocorrerão as operações em seu interior, não apenas de carga e descarga, mas todas as demais, como veremos a seguir;

• a previsão da dimensão dos equipamentos de movimentação das cargas, como paleteiras, empilhadeiras e esteiras rolantes, se vierem a ser utilizadas e, nesse caso, também sua localização e disposição, tendo em vista os setores que interligarão;

• o estabelecimento e a sinalização de rotas de fuga e da localização de equipamen-tos contra incêndio e de saúde e segurança do trabalho;

• o fluxo e a quantidade das operações que possam vir a ser realizadas diariamente;

• a escolha das áreas ideais para as operações de recebimento e conferência das mercadorias – e, eventualmente, de controle de materiais – de separação, emba-lagem e expedição dos produtos;

• a escolha de uma área destinada também à guarda ou realização de serviços de manutenção do próprio almoxarifado;

• as questões de segurança na guarda do estoque e as relativas à preservação dos materiais contra intempéries, umidade, água, excesso de exposição ao Sol etc.;

• sua localização em relação às demais áreas da empresa (almoxarifados devem se situar próximos ou se integrar com a produção).

Veja, por exemplo, a importância em se adotar um leiaute adequado no galpão in-dustrial, em uma situação de “antes” e “depois”.

Antes:

• havia matérias-primas desordenadas no espaço físico;

• as áreas de circulação estavam comprometidas ou pouco práticas, causando trá-fego e congestionamento no deslocamento das embalagens.

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Galpão industrial com leiaute inadequado.

Depois:

• as embalagens passaram para um setor específico; houve separação entre as áreas de recebimento e as de expedição;

• a circulação não provocou mais congestionamentos.

Galpão industrial com leiaute adequado.

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Na concepção do leiaute, deve-se ter o cuidado de buscar diminuir ao máximo os deslocamentos dos materiais, levando-se em conta todos os motivos pelos quais os materiais são movimentados ou manuseados dentro de toda a empresa, não somen-te dentro do almoxarifado.

Ao trabalhar no interior de um armazém, você pode notar se ele teve seu desenho bem estruturado. Tudo flui sem dificuldade:

• se o leiaute, isto é, a organização dos espaços, foi pensado de modo a permitir que o trânsito dos equipamentos usados para o armazenamento e a retirada de mate-riais das prateleiras seja fácil;

• se é possível manusear os produtos, independentemente de suas dimensões, como tamanho, volume ou peso, com liberdade de movimentos;

• se há espaço suficiente para as manobras dos equipamentos e para o acesso a todos os locais de armazenamento ou de realização das demais atividades;

• em suma, se toda a circulação interna pode ser feita sem qualquer dificuldade ou restrição.

Os corredores principais devem sempre ser em linhas retas, sem colunas ou outros obstáculos e, preferencialmente, sem curvas, ligando as estruturas de armazenamento dos diversos setores às portas de entrada e/ou saída, favorecendo, desse modo, o trân-sito dos equipamentos de transporte da carga e a visualização das rotas para que o operador possa ter segurança em sua movimentação. O ideal são corredores largos que atendam à especificação do fornecedor das empilhadeiras quanto à largura, tanto os corredores principais quanto os transversais, quando o espaço assim permitir.

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Essas providências, além de facilitarem o trânsito no dia a dia, excluem a possibili-dade de alterações no desenho do armazém, caso a empresa passe a utilizar produtos ou equipamentos de maior porte no futuro, inclusive com o uso de empilhadeiras de maior capacidade de carga.

Outro fator muito importante na concepção dos almoxarifados, que nem sempre é devidamente observado, é o desenho de seus equipamentos ou instalações com base nas recomendações dos estudos ergonômicos, assunto que será abordado no tópico sobre saúde e segurança no trabalho.

Atividade 1O meu almOxarifadO: parte 1

A partir de agora, e até o fim do curso, você projetará um almoxarifado em várias etapas. Portanto, é importante que guarde e conserve bem o desenho que vai co-meçar a elaborar. Você vai precisar de uma folha de papel no formato A4, lápis, borracha e uma régua.

1. Desenhe um galpão onde você hipoteticamente trabalhará por algum tempo. A princípio, faça apenas o galpão ou armazém visto de cima. Como você ainda não sabe o que ele conterá, escolha como inspiração uma das empresas listadas a seguir para ir se familiarizando com a ideia que você terá de desenvolver passo a passo:

• fábrica de eletrodomésticos;

• loja de material de construção;

• hipermercado; ou

• loja de departamentos.

2. Desenhe um almoxarifado grande, retangular, deixando de fora os seguintes espaços: 1,5 cm em relação às margens da folha, no sentido do comprimento do retângulo, acompanhando o formato da folha de papel. Nos lados que correspondem à largura da folha e do almoxarifado, deixe 5 cm de folga em relação à margem do papel. Do lado de fora do retângulo, nos lados do com-primento, faça um risco de cada lado a 0,5 cm de distância do retângulo; nos lados da largura, faça um risco a 2 cm do retângulo e una todos esses riscos de modo a formar um novo retângulo exterior. Reserve o desenho e todo o ma-terial que usou, por enquanto.

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3. Faça aqui um esboço do que fará na folha A4.

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unida d e 8

Passo a passo no almoxarifado: a armazenagemQuando uma pessoa compra um produto qualquer e, posterior-mente, ele é entregue em domicílio, qual costuma ser o primeiro procedimento ao recebê-lo?

Em geral, a pessoa o examina para conferir se o produto entre-gue é exatamente aquele que foi adquirido quanto a cor, medi-das ou tamanho, quantidade de itens que podem compô-lo etc. e, ao mesmo tempo, verifica se está perfeito, se não sofreu danos, se não faltam partes e, no caso de máquinas ou aparelhos, se funcionam perfeitamente, não é mesmo?

No almoxarifado, o procedimento é o mesmo: nos processos tradicionais, em que a mercadoria chega e é armazenada para posterior utilização, ou no crossdocking (fala-se “crósdóquin”), em que ela é imediatamente distribuída, e não armazenada – procedimento que será visto a seguir –, a descarga é a etapa em que se realiza a verificação e o controle da mercadoria com base na nota fiscal, que deve ser confrontada com o pedido e o co-nhecimento de frete ou quaisquer outros documentos que rela-cionem o que está sendo entregue.

Inicialmente, costuma-se proceder a uma verificação simples, “cega”, em que se faz a conferência física, contando e/ou pesan-do as caixas ou produtos entregues; checa-se, assim, a inexis-tência de danos ou avarias e as quantidades, que são conferidas com as constantes na nota fiscal.

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Há situações em que os próprios veículos são pesados diretamente. É também o momento da conferência da exatidão da nota fiscal em relação a impostos e preços, de acordo com a ordem de compra. Isto é, a mercadoria que será descarregada deve estar de acordo com a que está declarada na documentação respectiva, que, por sua vez, deve estar de acordo com as especificações da compra efetuada, conforme o pedido de compra.

Em seguida, efetua-se a descarga da mercadoria do caminhão. E, quando é o caso, é nesse momento que se observam, igualmente, as características de qualidade da mercadoria, isto é, marca, cor, tamanho, tipo, pureza, ou quaisquer outras caracte-rísticas do produto ou matéria-prima, como no caso de perecíveis, em relação aos prazos de validade, à temperatura etc.

Existem produtos que demandam uma análise mais detalhada de sua qualidade ou características e, nesses casos, são separadas amostras para serem analisadas por técnicos ou pelo laboratório de controle de qualidade da empresa.

Dependendo do produto, da empresa e do fornecedor, essa inspeção pode ocorrer antes mesmo da descarga, de modo a evitar o trabalho da recarga caso o produto não seja aprovado. Um exemplo é o teste de impureza, em que é checada a propor-ção de partículas estranhas ou a composição. Isso é feito selecionando-se algumas amostras do produto escolhidas ao acaso (aleatoriamente) em pontos diferentes da carga, como nas entregas de farinha de trigo a indústrias de panificação, em que alguns sacos são abertos para a realização dos testes.

Processo de recepção, conferência, armazenagem e distribuição de mercadorias.

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São necessários cuidados especiais no momento da coleta de amostras, de um lado, para evitar sua contaminação e, de outro, para prevenir acidentes em seu manuseio, especialmente quando se trata de produtos químicos, voláteis, inflamáveis etc.

Se não é o caso de realizar a checagem qualitativa de imediato, as embalagens ou caixas são abertas posteriormente – depois de concluída a operação de descarga do caminhão – para que se proceda a uma verificação mais detalhada da mercadoria entregue. Dependendo da prática adotada na empresa ou dos volumes recebidos, a verificação pode ser feita por amostragem, ou seja, apenas parte das embalagens são abertas para a conferência.

Mercadorias cujas embalagens, caixas, fardos, engradados etc. estiverem danifi-cados ou violados, abertos, amassados, perfurados, embolorados, molhados, enferrujados etc., isto é, não estiverem íntegros, devem ser examinadas mais minuciosamente. Pode ser necessária a abertura das embalagens para a verificação de possíveis danos ou faltas.

Dependendo do produto, embalagens perfuradas ou molhadas, por exemplo, implicam sua devolução, como é o caso de produtos alimentícios, substâncias líquidas, pastosas, gasosas, géis etc. Comprovados danos ou avarias na mercado-ria, organiza-se a documentação que apresenta os problemas para que seja reali-zada a devolução ao fornecedor. O mesmo procedimento se dá quando ocorre incompatibilidade entre a mercadoria entregue e a constante na nota fiscal ou no pedido de compra.

Somente após a realização de todas as conferências ou checagens possíveis, e estan-do tudo de acordo, as notas fiscais são encaminhadas ao setor que irá processá-las (contabilidade, contas a pagar).

Os procedimentos de controle e conferência, então, são realizados no próprio mo-mento da descarga da mercadoria. Uma vez comprovada a conformidade ou cor-respondência entre documento e mercadoria, o entregador ou transportador exige a devolução do canhoto da nota fiscal ou outro documento devidamente assinado, datado e com o carimbo da empresa e, em geral, com o horário da entrega e o nome do responsável pela recepção das mercadorias.

Tais informações também são registradas no documento que fica na empresa, de forma que, havendo alguma discrepância entre o documento e a mercadoria recebida, se possam detectar com facilidade as falhas cometidas, por distração ou incorreção, na realização dos procedimentos, e, assim, tomar providências para saná-las.

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Diferentemente do que se faz em casa, produtos como eletrodomésticos, por exem-plo, não têm seu funcionamento testado pela empresa recebedora, mas pelo consu-midor final. Isso acontece porque eles vêm em embalagens próprias para garantir sua integridade no transporte e, sendo lacradas com fitas adesivas, cola etc. ou es-tando os produtos em engradados pregados, não devem ser violadas, pois embalagens de produtos novos que estejam abertas indicam a possibilidade de o produto ter sido usado, estar danificado, de faltarem componentes etc.

Além disso, possuem garantia que passa a valer a partir da data da nota de compra pelo consumidor final. Os fabricantes, por sua vez, utilizam sistemas de controle de qualidade dos produtos acabados e regularmente devem realizar testes para assegurar o perfeito funcionamento ou a presença das características corretas do produto.

Dá para imaginar os contratempos, o trabalho e o custo que a devolução de uma mercadoria defeituosa implica, tanto para o lojista quanto para o fabricante. Além dos prejuízos pelos custos financeiros da devolução ou reparo na rede de assistên-cia técnica do fabricante, há também prejuízos na imagem da marca de ambos, lojista e fabricante, caso os defeitos sejam constantes.

Além disso, há defeitos que surgem somente com o uso dos produtos, isto é, nem sempre são perceptíveis nos testes a que são submetidos após finalizados – também porque tais testes costumam ser feitos por amostragem, englobando apenas algumas unidades de alguns lotes do total produzido.

Isso tem ocorrido com alguma frequência com um dos produtos mais valorizados pela população brasileira: o automóvel, cujos fabricantes têm feito chamadas através da mídia ou outros meios para que os proprietários levem os veículos às redes cre-denciadas para reparos ou substituição de peças. É o chamado recall.

Aliás, foi exatamente na indústria automobilística, como vimos no Caderno 1, que se criou e rapidamente se expandiu a utilização do just-in-time (JIT): um espelho das cadeias integradas de suprimento, quando produtos como peças, partes, com-ponentes etc. são fornecidos no momento certo e na quantidade exigida para serem direta e imediatamente integrados à linha de produção, não passando pelo almoxa-rifado nem pelas conferências que nele se costuma fazer.

Independentemente da adoção ou não do JIT, muitas empresas buscam eliminar parte das tarefas dos almoxarifados negociando sua realização com os próprios fornecedores, que passam a executar rigorosamente os controles de qualidade da separação, da expedição, do transporte etc. do produto para entregar sempre as mercadorias em perfeitas condições e submetidas a controles precisos de qualidade, quantidade e demais características e critérios exigidos.

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Nos anos de 2013 e 2014, no entanto, ganhou grande repercussão o fato de tais contro-les não estarem sendo devidamente executados pelos fornecedores de componentes automobilísticos. O número de veículos chamados em recalls para troca de peças ou componentes defeituosos – muitos dos quais comprometendo seriamente a segurança dos passageiros – atingiu cifras de milhões de unidades no País e no mundo.

Procedimentos para descarga

Quando um produto chega a uma empresa, o software de gestão do armazém possibilita que sejam realizadas inúmeras tarefas, começando pelos controles de portaria:

• são registrados os dados de cada veículo, do motorista e dos acompanhantes que estão adentrando a empresa, e o horário de entrada, de acordo com um agenda-mento prévio, no qual se define a prioridade de descarga de cada entrega/produ-to, se necessário;

• são capturados dados das notas fiscais das mercadorias;

• é indicada a localização da doca para descarga.

Entre suas funcionalidades para o processo de recebimento, destacam-se, ainda:

• o controle da qualidade dos produtos;

• o controle físico da mercadoria recebida.

A descarga dos produtos se dá nas docas (baias ou baias de atracação) de recebimento de mercadorias, as quais podem ou não ser as mesmas utilizadas para a saída de outras mercadorias, o que geralmente acontece nas empresas que operam em horários dis-tintos – uma parte do dia para recebimento e outra parte, para saída de produtos.

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Essa divisão horária, então, é aplicada também internamente, com os produtos re-cebidos sendo armazenados em determinado período do dia e retirados para sepa-ração e expedição em outro período, a fim de evitar confusões em seu manuseio com o entrechoque de operações.

Entretanto, várias empresas realizam ambas as operações simultaneamente, e, como se observará no tópico referente às estruturas de armazenamento, algumas delas permitem, inclusive, carga e descarga simultâneas. Mas esse procedimento não se confunde com o que veremos a seguir.

Carregamento de navios.

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Existe uma operação, conhecida como crossdocking (“cruzando a doca”), que integra ambas as operações, de modo que ocorram consecutivamente, isto é, produtos descarregados são imediatamente separados e carregados em outros veículos para a distribuição. É um esquema de trabalho que exige muito cuidado e atenção para evitar extravios ou envios de volumes incorretos para seus destinos, mas que ofere-ce algumas vantagens importantes:

• torna desnecessárias todas as atividades de armazenamento, transporte e manuseio interno;

• economiza espaço, que pode ser utilizado para outros fins;

• diminui a necessidade, o uso e o desgaste de instalações;

• reduz as horas de trabalho dos operadores e dos equipamentos e de energia ou combustível;

• diminui a possibilidade de danos na mercadoria ao reduzir sua movimentação;

• torna extremamente ágil o processo de recepção e entrega de mercadorias, sendo o ideal para entregas urgentes e para a distribuição de produtos altamente perecíveis.

O software também controla a realização desse tipo de procedimento. Indepen-dentemente do sistema adotado, toda a mercadoria deve ser devidamente registra-da e as informações correspondentes devem ser lançadas no sistema de controle e gestão.

Atividade 1Canais de distribuiçãO

1. Imagine que você trabalha no centro de distribuição de uma grande rede vare-jista, com três tipos de canais de distribuição e 60 pontos de venda na cidade: quatro hipermercados, 32 supermercados e 24 minimercados. Um hipermercado e, em média, oito supermercados estão localizados em cada região – norte, sul, leste e oeste. Já os minimercados estão localizados concentradamente em apenas duas regiões da cidade, a norte (oito unidades) e a oeste (dez unidades).

Nessas regiões em que há minimercados, as vendas no setor de hortifrutigranjei-ros, especialmente as hortaliças, dos supermercados e hipermercados estão em lenta e gradual queda há mais de um ano. Os minimercados são a grande apos-ta estratégica da rede, uma iniciativa bem recente, sendo que o primeiro deles foi inaugurado há aproximadamente dez meses.

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Um belo dia, começa a chover torrencialmente e, por esse motivo, o encarre-gado, com alguns funcionários, não conseguiram chegar ao trabalho. Assim, o gerente pediu que você assumisse o lugar do encarregado; parte dos pequenos caminhões da empresa também não chegou, pois há muitos pontos de alaga-mento intransitáveis onde só passam caminhões altos – que é o caso dos cami-nhões dos fornecedores, que estão chegando normalmente para descarregar as mercadorias.

2. Faça uma relação dos produtos comercializados nos pontos de venda que você imagina que devam ser operados pelo sistema de crossdocking.

3. Você, um dia, viu o encarregado fazendo uma curva ABC dos produtos que estavam chegando naquele horário. Faça uma curva aproximada desses produtos, tendo em mente que três ou quatro deles são vendidos em quantidades de quatro a cinco vezes menores que os campeões de vendas, mas custam de quatro a cinco vezes mais. Outros custam de duas a três vezes mais e vendem de duas a três vezes menos.

Decida quais desses produtos serão entregues e os canais de distribuição preferenciais para recebê-los, tendo em vista que não há caminhões suficien-tes disponíveis e, portanto, nem todos os tipos de produtos serão entregues imediatamente e nem todos os pontos de venda serão atendidos nesta primei-ra distribuição do dia.

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Curva ABC

Conclusões:

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4. Prepare uma apresentação para a classe, tendo em mente realizar a melhor aná-lise possível do quadro.

Leve em consideração que nas empresas sempre se espera que os operadores da área de logística tenham a capacidade de perceber dados, fatos, fenômenos, procedimentos, condições etc., que podem prejudicar ou melhorar o desempenho das operações.

Atividade 2O meu almOxarifadO: parte 2

1. Em casa, retome seu desenho.

2. Em um dos lados correspondentes à largura do papel e dos retângulos, faça um risco de 2,5 cm, continuando o risco do lado comprido do retângulo exterior (é um prolongamento deste lado do retângulo), em direção à borda do papel (lado da largura); depois, faça mais seis riscos paralelos a esse que você acabou de fazer, também de 2,5 cm de comprimento cada um deles, com 1,5 cm de distância entre um risco e outro.

3. Agora faça a mesma coisa do outro lado comprido do retângulo (sem virá-lo, os riscos vão se aproximar dos que você já fez): um risco prolongando o retângulo exterior e mais seis a partir do prolongamento do retângulo exterior que você acabou de fazer, indo em direção à borda do papel.

4. Você vai ver que ficou um espaço mais estreito entre os últimos riscos das duas séries de riscos, no meio daquele espaço do papel. Numere os espaços entre esses riscos da esquerda para a direita (pulando o espaço mais estreito) de 1 a 12, fa-zendo números centralizados em cada espaço, mas mais próximos do risco do retângulo exterior: você acabou de fazer as baias ou docas nas quais os caminhões vão atracar para descarregar.

5. Desenhe alguns caminhõezinhos um pouco menores que as baias, com a frente virada para fora do papel. Faça um esboço antes de passar a limpo no seu desenho final.

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unida d e 9

Equipamentos e instalaçõesDas docas, os produtos são transferidos para o interior dos arma-zéns. Nesse momento, são utilizados alguns critérios de armaze-namento e determinados equipamentos.

Os critérios de armazenamento são lógicos e certamente todos nós os utilizamos cotidianamente ao guardarmos coisas em casa:

• as mais pesadas são guardadas em locais baixos e de fácil acesso, para diminuir seu deslocamento ao máximo. No caso dos armazéns, ficam nas prateleiras mais próximas da entra-da ou da expedição e nas áreas inferiores;

• as que usamos com mais frequência, que têm mais giro, guar-damos mais à frente, e as com menor giro, nos fundos. No almoxarifado, usa-se o mesmo critério.

Por sua vez, os equipamentos são os paletes ou pallets, as pale-teiras (transpaletes ou transpaleteiras) e as empilhadeiras.

Paletes

Os paletes são estrados quadrados, mas não formam um qua-drado perfeito; na realidade, são ligeiramente retangulares. O palete PBR (padrão brasileiro) mede 1 metro (m) por 1,2 m, suporta 1 200 quilogramas (kg) e geralmente é de madeira, mas também existem os de alumínio, aço, fibra e plástico.

Eles podem ser acessados por dois lados (duas entradas) ou pelos quatro lados (quatro entradas); ser de uso contínuo ou descar-táveis (one way; fala-se “uan uei”); de uma ou duas faces (só a parte de cima é fechada ou tanto a de cima quanto a de baixo); e mais ou menos reforçados, aguentando maior ou menor peso.

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Palete de dois lados. Palete de quatro lados.

Palete plástico termoformado. Palete de uma face não reversível.

Paleteiras

As paleteiras são pequenos veículos que têm dois braços, formando um garfo, que se encaixam nos vãos dos paletes para suspendê-los ligeiramente e poder locomovê--los. Podem ser manuais ou elétricas e movimentam os paletes em operação hori-zontal na altura do solo. Existem também os stackers (fala-se “istéquers”), isto é, paleteiras com torres, que elevam a mercadoria a até 4 m e são patoladas.

Paleteira manual. Paleteira elétrica.

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Empilhadeiras

As empilhadeiras, por sua vez, têm como função movimentar, elevar e empilhar os paletes. Movidas a gás ou elétricas, dividem-se em quatro modelos: patolada, contrabalançada, retrátil e trilateral.

Empilhadeira patolada ou paleteira com torre.

Paleteira encaixada no palete.

Empilhadeira retrátil.

Empilhadeira trilateral. Empilhadeira contrabalançada.

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30 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

Os paletes servem para que sobre eles sejam acomodadas e empilhadas embalagens, caixas, fardos etc., permitindo padronizar os volumes que serão colocados nas prateleiras, junto com o próprio palete, e que a estocagem seja feita com facilidade tanto no sentido horizontal do depósito quanto no vertical. Para isso, são utilizadas estruturas porta-paletes, que são estantes próprias para acomodar as unidades paletizadas. Essas estruturas são projetadas levan-do-se em consideração as dimensões das unidades de car-ga e a altura dos volumes que ficarão apoiados sobre elas.

Se quiser saber mais sobre empilhadeiras, consulte os

cadernos e vídeos referentes à ocupação operador de empilhadeira.

Disponível em: <http://www.viarapida.sp.gov.br>. Acesso em:

23 abr. 2015.

Armazenamento de produtos com a utilização de paletes.

Como visto, um palete PBR mede 1 m × 1,2 m (área quadrada de 1 m 1,2 m = 1,2 m²). Já a altura do volume depende do tipo de embalagem que será utilizada ou da quantidade que será empilhada por palete. Quando se tem uma medida padronizada das embalagens, é possível calcular a área cúbica que pode ser estocada no espaço e o respectivo número de paletes, ou calcular a dimensão do espaço suficiente para o estoque que se pretende.

Se as caixas empilhadas, ou caixa única adotada na uni-tização – conceito que veremos adiante –, medirem 1,3 m de altura, a área cúbica ocupada por palete será de 1,2 m² 1,3 m = 1,56 m³. Dessa forma, se o depósito contém ou necessita conter 600 paletes com essas di-mensões, sua área cúbica deverá ser de 600 1,56 m³ = 936 m³.

Unitização: 1. Ação ou resul-tado de unitizar. 2. Processo por meio do qual se reúnem peças em lotes individuais de mercadorias homogenei-zadas e padronizadas com o objetivo de agrupá-las em unidades maiores e apropria-das à comercialização e ao transporte.

© Dicionário Aulete. <www.aulete.com.br>

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Como há empilhadeiras que alcançam até 12 m de altura, poderia haver estruturas porta-paletes para comportar empilhamentos ou colunas com seis unidades pale-tizadas de altura. Seriam, então, necessárias cem colunas, com seis paletes cada (100 6 = 600). As colunas poderiam estar dispostas em conjuntos de cinco colu-nas cada, uma atrás da outra, formando uma fila, ou “canal”; com essa arrumação, haveria 20 canais (100 ÷ 5 = 20).

Se utilizadas duas estruturas porta-paletes com dez canais cada, seriam necessários pouco mais de 10 m de largura, para comportar os dez canais, e pouco mais de 12 m de profundidade, para comportar dois canais (um canal por estrutura; duas estruturas, uma atrás da outra) com cinco colunas cada, e, com essa disposição, as estruturas ocupariam pouco mais de 120 m² (10 m de largura × 12 m de pro-fundidade).

A área ocupada necessária e suficiente para o estoque de 600 unidades paletizadas seria um retângulo com somente 10 m × 12 m, além de, naturalmente, mais alguns metros para os corredores necessários à circulação.

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Armazenamento com empilhadeiras.

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Atividade 1paletes e empilhadeiras

1. Em dupla, no laboratório de informática, realizem uma pesquisa sobre paletes e empilhadeiras buscando responder ao seguinte roteiro e justificando suas respostas.

a) Exemplifiquem o tipo de carga para cada tipo de empilhadeira:

Empilhadeira Carga

Patolada

Contrabalançada

Retrátil

Trilateral

b) Exemplifiquem o tipo de carga para cada tipo de palete:

Palete Carga

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4 lados

Descartável

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Porta-paletes pushback.

Porta-paletes

Encontram-se disponíveis no mercado basicamente três tipos de estruturas porta--paletes:

• porta-palete convencional;

• porta-palete de dupla profundidade;

• porta-palete deslizante, similar às estantes que temos em nossas casas ou que se veem em lojas, com a diferença de que suas prateleiras são mais profundas.

As seguintes estruturas porta-paletes operam formando blocos:

Pushback (Lifo)

O modelo mais simples segue o desenho de uma estante que fica encostada na parede, porém suas prateleiras são inclinadas, mais altas no fundo e mais baixas na frente, de modo que os paletes escorregam sozinhos para a frente. Assim, é desne-cessário esticar os braços para apanhar os volumes que estariam no fundo, mesmo porque os garfos das empilhadeiras não os alcançariam.

Esse modelo é denominado pushback (fala-se “pâchbéc” – “empurrar de volta”), pois, ao se colocar cada volume (palete), os que já estão no lugar precisam ser empurrados para trás. Daí o nome do sistema: Ueps, o “Último que entra é o primeiro a sair”, ou Lifo, em inglês (Last in, first out [fala-se “lest in, fãrsti aut”]).

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Estrutura dinâmica ou porta-palete dinâmico (Fifo)

Esse segundo modelo é semelhante ao que acabamos de ver, com a diferença de que a estante fica no meio do espaço, de modo que é operado tanto pela frente quanto por trás. Isso torna a estrutura muito mais funcional, pois as operações podem ser simultâneas, carregando-se pela frente e descarregando-se por trás ao mesmo tempo. Nessa estrutura, o “primeiro (palete) que entra é o primeiro que sai” – sistema Peps ou Fifo (First in, first out [fala-se “fãrsti in, fãrsti aut”]) –, o que faz com que os produtos sejam utilizados na mesma sequência de chegada ou de produção, diferen-temente do sistema anterior.

Para que os produtos sejam utilizados nessa mesma sequência, no sistema anterior, é necessário retirar os que estão à frente e recolocá-los depois que os do fundo tenham sido retirados, triplicando o trabalho. Nesses porta-paletes dinâmicos, as prateleiras também têm inclinação, porém são rolantes, possuindo um sistema de freios e de separação dos paletes, os quais regulam o deslizamento e evitam que se choquem uns com os outros.

Porta-palete dinâmico.

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Drive-in e drive-thru

Outros dois modelos são os das estruturas chamadas drive-in (fala-se “draive-in” – “dirigir para dentro”) e drive-thru (fala-se “draive-tru” – “dirigir através”). Elas seguem os mesmos modelos de manuseio das estruturas anteriores: no modelo drive-in, a operação dos paletes é feita apenas por um lado e eles são empilhados na sequência da chegada e retirados na ordem inversa, primeiro os últimos e, por últi-mo, os primeiros, conforme o sistema Ueps; no modelo drive-thru, os primeiros que chegam são também os primeiros que saem, pois o manuseio se dá por ambos os lados; nesse caso, o sistema é o Peps.

Essas estruturas não possuem prateleiras propriamente, apenas suportes para os paletes, como se fossem longarinas (vigas de madeira que apoiam a fixação das tá-buas nos paletes), já que as empilhadeiras adentram as estruturas e, por essa razão, sua utilização inicia-se pelo “último andar” e vai descendo até o “térreo”; armazena--se a mercadoria de cima para baixo.

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Drive-in.

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Demais estruturas

Outras estruturas comuns em almoxarifados e que também podemos encontrar em nossas próprias casas são estantes ou prateleiras simples.

As estantes, ou estruturas de prateleiras, são utilizadas para armazenamento de itens de menor volume e peso, de modo geral, ou de pequena quantidade. As prateleiras, ou cantiléveres, são utilizadas para materiais com comprimentos longos, podendo ser simples como as que costumamos ter em casa – prateleiras apoiadas em uma estrutura ou em mãos-francesas fixadas na parede –, ou duplas, com estruturas sustentando prateleiras em ambos os lados.

Cantiléveres.

Atividade 2O meu almOxarifadO: parte 3

1. Agora, de acordo com o tipo de empresa que escolheu anteriormente para criar seu almoxarifado, você vai começar a preencher o espaço dentro do retângulo interior com o que seriam as estruturas porta-paletes ou as prateleiras (cantiléve-res). Não se esqueça que haverá empilhadeiras nesse almoxarifado, portanto, deve haver corredores entre as estruturas.

Faça um ligeiro esquema das estruturas e estantes, para simbolizar o tipo de operação – Peps, Ueps ou ambos – e mostrar se há instalações para volumes compridos. Mais adiante, você terá de apagar alguns desenhos que vai fazer

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agora. Então, não se preocupe em fazê-los perfeitos. O ideal talvez seja fazer os riscos tracejados, de leve, apenas para começar a visualizar melhor os espaços e as proporções.

Endereçamento

Quando nos referimos a “último andar” e “térreo”, estamos, na realidade, utilizando um procedimento e uma nomenclatura comumente adotados para facilitar a locali-zação dos produtos no estoque, de modo a completar o endereço do local em que se encontra determinado produto – que já contém informações como “rua”, “prédio”, “andar” e até “apartamento”, além do “lado par” ou “ímpar” da rua.

As ruas podem ser denominadas por letras, números, ou ambos, e os demais dados, por números, de tal modo que um endereço no qual se encontra uma dada merca-doria pode ser: M-1-5-4-4, significando que o local é a rua M, no lado ímpar 1 (ou 2 se par), no prédio 5, 4o andar, no apartamento 4.

Outras nomenclaturas ou definições que se servem de cores, blocos, seções, grupos, famílias etc. também são utilizadas em empresas. O ideal, por vezes, é que se com-binem critérios para favorecer ainda mais a localização: setor vermelho (materiais de escritório, por exemplo), rua B, prédio 2; setor amarelo (materiais de limpeza, por exemplo), rua X. No entanto, deve-se evitar formar códigos ou métodos de identificação muito complicados, que se tornem difíceis de assimilar ou memorizar.

Todos esses procedimentos se aplicam variando, naturalmente, em função da di-versidade de itens e de estoques presentes no almoxarifado. Há almoxarifados que abrigam apenas algumas centenas de itens, enquanto outros, algumas dezenas de milhares, ainda que muitos dos quais sejam similares.

Se você alguma vez já precisou adquirir uma peça para encanamento de água, por exemplo, sabe que, de uma única peça, existem algumas variedades. Pense em um cotovelo para ligação do cano à torneira ou a uma peça intermediária. Nesse caso, podem variar: bitola do cano (meia polegada, ¾ de polegada), material (plástico azul, plástico marrom, cobre, bronze, plásticos para uso com água quente), tipo de junção (um lado com rosca interna e outro com externa; um lado com rosca e outro para uso de cola ou solda; dois lados para uso de cola ou solda); bitolas do próprio cotovelo (ambos os lados com a mesma bitola ou um lado com redução de uma delas); ângu-lo (90 ou 45 graus) etc. Em outras palavras, um simples cotovelo combina várias características e utilizações e chega a representar mais de 20 itens diferentes.

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Em muitos almoxarifados, os endereços são sinalizados com etiquetas de código de barras, com o auxílio do software de gestão do armazém, nos paletes, volumes, caixas, peças etc., e nas estruturas porta-paletes ou de prateleiras. Desse modo, a identificação do local de estocagem de cada produto torna-se rápida e fácil, como quando um operador retira uma embalagem ou palete de um local, separa apenas uma parte dos produtos que nela ou nele se encontravam, e não os retorna ao local de origem – o que pode ser feito por qualquer outra pessoa com facilidade. Por essa razão, é fundamental que toda a mercadoria seja devidamente identificada e as etiquetas sejam preservadas no manuseio dos volumes ou paletes.

Nessa etapa do processo, o software dispõe de recursos que auxiliam bastante o trabalho, pois classifica os diferentes produtos, de modo que sejam armazenados respeitando classes ou grupos determinados, isto é, ele define os endereços em que devem ser colocados os produtos de cada grupo ou classe, seguindo os critérios da empresa.

Essa classificação pode ser baseada em inúmeras características dos materiais ou produtos, como valor ou custo, frequência de uso, quais produtos são utilizados em determinada etapa da produção, dimensões, peso, validade, linha de produtos, marcas etc. Ao mesmo tempo, o software auxilia na seleção das estruturas de arma-zenamento e de paletes mais apropriadas.

Produtos novos, que não eram utilizados, devem ser classificados e codificados para que possam ser endereçados e localizados de forma correta quando requisitados.

Um dos instrumentos utilizados nessas tarefas é o coletor de dados de etiquetas de código de barras (bar code) – que veremos a seguir –, cuja função é fornecer o en-dereçamento que deve ser atribuído ao produto que chega.

Uma vez etiquetados, procede-se ao armazenamento propriamente dito – transpor-tando-se os volumes paletizados com o uso das paleteiras, empilhadeiras etc. – e aos devidos lançamentos no sistema.

Passo a passo: armazenamento

Como vimos na Unidade referente aos tipos de estoques, os profissionais que atuam nos almoxarifados ou depósitos podem ter em mãos todo tipo de mate-riais, em função do perfil ou do setor de atividade econômica da empresa em que atuam.

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Assim, é possível, em uma mesma empresa, lidar com matérias-primas brutas ou beneficiadas, como peças, componentes, produtos em processo (semimanu-faturados, semiacabados, que retornarão à produção para serem submetidos a novos processos), produtos acabados, embalagens, produtos avariados, vencidos, devolvidos para reparos etc., lembrando que é preciso muita atenção para que todos os registros e lançamentos sejam feitos, de preferência, imediatamente à operação ou ao procedimento.

Todos os procedimentos de registro, cadastro, identificação, codificação, etiquetagem, estorno, lança-mento, requisição, cancelamento, de baixa, saída, entrada, transferência, emissão de notas, pedidos, autorizações, ordens, de documentos quaisquer, enfim, todos os atos realizados, devem ser devida e corretamente lançados no sistema de gestão, de imediato, sempre.

O programa processa todas as informações necessárias ao bom andamento do trabalho, desde que ele tenha sido devidamente alimentado. Procurar um erro de-vido a um procedimento não feito, ou malfeito, é quase sempre muito mais traba-lhoso e demorado do que realizá-lo com cuidado e atenção no momento correto.

Por sua vez, o manuseio dos produtos requer atenção constante. Alguns produtos, dados seus tipos ou naturezas, requerem atenção redobrada, por serem muito sen-síveis à movimentação ou perigosos, mesmo não se considerando possíveis acidentes dos quais resultem quebras, amassamentos, escape, derramamento, extravasamento ou outros danos nas embalagens e nos produtos.

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Por essa razão recomenda-se que não sejam feitos transbordos desnecessários de produtos, pois, quanto mais operações são feitas, maiores são as chances de ocorrerem acidentes. Ao se retirar um produto com uma paleteira, por exem-plo, deve-se mantê-lo sobre ela até sua deposição no caminhão e, se possível, tanto o equipamento quanto a embalagem devem ser usados em sua capacidade total, de modo a evitar a repetição desnecessária de operações ou o uso desne-cessário de embalagens.

Do mesmo modo, toda a movimentação de materiais deve, de preferência, seguir um pequeno planejamento, em que se preveem todas as operações que serão realizadas: quantos e quais equipamentos serão utilizados na movimentação específica; quais as características da carga a ser movimentada em termos de peso, tamanho, volume cúbico, fragilidade, periculosidade etc.; quantas pesso-as realizarão a movimentação; a duração estimada; quais serão as etapas a serem cumpridas; os pontos de origem e destino das mercadorias, os trajetos e o nú-mero de percursos a se fazer etc.

Nesse sentido, deve-se sempre reservar o tempo necessário para sua execução em condições normais de ritmo do trabalho humano e dos equipamentos, e utilizar equipamentos e procedimentos adequados à operação que se vai realizar, evitando-se improvisos, atitudes ou ações não recomendáveis e, frequentemen-te, perigosas.

Qualquer acidente pode provocar lesões sérias e, por vezes, permanentes ao traba-lhador. E, quando isso felizmente não acontece, há grande possibilidade de danos às mercadorias, aos equipamentos ou às instalações. Em todos os casos, há perda de tempo e de esforço na operação frustrada e, quase sempre, a necessidade de serem realizadas várias outras operações que não deveriam ocorrer, para poder “consertar” a operação ou reparar os danos.

Nessas situações, é comum que ocorram prejuízos financeiros para a empresa e para o trabalhador. Além disso, o descuido de um trabalhador pode causar graves danos a outros, ainda que não a si mesmo.

Devem ser utilizados, preferencialmente, meios mecânicos para a movimentação de cargas, evitando-se riscos físicos, corporais, por excesso ou inadequação de esforço ou movimentos, e buscando-se preservar as indicações da ergonomia; obtêm-se, assim, prioritariamente, ganhos de segurança pessoal, e preservam-se, também, os produtos ou materiais manuseados.

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Outras vantagens de utilizar meios mecânicos para a movimentação são os ganhos de produtividade, pela não realização de operações interrompidas, incompletas, frus-tradas ou inadequadas, que demandam tempo e esforços extras para serem refeitas.

Pensar sempre, antes de agir, permite avaliar se ocorrerão dificuldades ou duplici-dades nas ações, se algumas delas podem ser dispensadas ou simplificadas, se re-querem procedimentos, equipamentos de segurança ou cuidados especiais, e assim por diante.

Identificação/codificação e rastreamento

Depois que as mercadorias passam pelo recebimento e, portanto, estão para ser armazenadas – ou quando devem ser novamente conferidas, caso o recebimento e o armazenamento sejam setores distintos e as operações, realizadas por pessoas diferentes no almoxarifado, para que não haja dúvidas quanto à exatidão do lote –, elas antes devem ser codificadas para que todos os dados de sua identificação sejam facilmente acessíveis.

Um processo bastante simples e que não requer equipamentos especiais (portanto, de baixo custo) é baseado na utilização de códigos, que são sequências de números e/ou letras – únicos, exclusivos. Assim, facilmente se pode identificar e localizar um produto, tanto no estoque quanto nos sistemas de controle, como, por exemplo,

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as fichas simples nas quais se farão os lançamentos das entradas e saídas do item de modo a saber, a qualquer momento, quantas unidades existem disponíveis.

Este processo, o de código de barras – que veremos em breve –, em geral segue uma lógica em que alguns números identificam o grupo, a categoria, a família e a classe a que pertence o produto e outros, o produto específico. Assim, em nossa cozinha, teríamos, por exemplo:

• Categoria de produtos: produção de doces – código 01 ou AA.

• Grupo do tipo de doce: bolos – código 02.

• Classe do bolo: bolos com chocolate – código 01.

• Família de ingrediente: cacau em pó – código 11.

• Tipo de unidade: caixa de 200 gramas – código 200.

Desse modo, o código completo que identificaria o item cacau seria: 01 02 01 11 200 ou AA 02 01 11 200. Esse código seria anotado em todas as caixas de cacau e na prateleira onde ficariam guardadas, bem como na ficha de controle de estoque – nesse caso, a ficha deveria prever a existência de caixas com outras capacidades, como 500 g, 1 kg etc.

Na primeira classificação, que aqui denominamos “categoria”, poderíamos ter pro-dução de salgados, por exemplo, ou de refrescos etc. No que chamamos “grupo”, poderíamos ter itens para produção de pavês, sorvetes etc. Na “classe do bolo”, de banana, de laranja etc. Na “família”, chocolate em pó, farinha, fermento em pó etc., e assim por diante, de modo que cada classificação seguiria a sequência dos núme-ros: 01, 02, 03, 04, 05 etc.

O princípio é uma primeira classificação que agrega toda uma linha de produtos; outra classificação especifica o tipo de produto completo; outra denomina de forma mais particular a “espécie” do produto; uma outra classificação individualiza o produto em si, no nosso caso, o ingrediente cacau; e uma última descreve a capaci-dade da embalagem.

O processo mais eficiente é o de etiquetagem, com a impressão das etiquetas me-diante utilização de código de barras, que são afixadas em caixas, peças, volumes etc., se não vierem previamente etiquetados pelo fornecedor. Nesse processo, é utilizada a tecnologia de impressoras de código de barras, impressoras térmicas, leitores e coletores de códigos.

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O código de barras é uma representação de letras e números (código alfanumérico), e a sua leitura permite ter acesso a várias informações – de modo absolutamente seguro, não sujeito a erros e instantâneo –, que são processadas em tempo real, aumentando consideravelmente, dessa forma, a produtividade do processo.

Os leitores, como o nome diz, apenas leem o código de barras, enquanto os coleto-res registram as informações para serem posteriormente processadas no sistema. Alguns têm pequenas impressoras acopladas, como os utilizados pelas companhias de abastecimento de água, e imprimem a conta no próprio local após a leitura do hidrômetro. Eles são utilizados, comumente, para registro, identificação e catalo-gação dos produtos que estão dando entrada na empresa, entre outras funções.

Coletor de dados. Leitor de código de barras.

Há dois tipos de código de barras: os lineares e os bidimensionais. Os lineares, cujas etiquetas representam séries de números, por sua vez também são de dois tipos: o tipo GTIN-13 (13 dígitos) é utilizado no varejo, em geral para identificação do país de origem, do fabricante e do produto em si e aparece nas embalagens dos produtos nos supermercados; os leitores, no caixa, identificam o produto e o programa de gerenciamento processa a informação instantaneamente. O tipo GS1-128 é utiliza-do na movimentação de produtos pelas empresas e comporta mais informações necessárias para o controle interno, como dados da compra (pedido, nota fiscal, quantidades etc.) e da produção (lotes, datas de fabricação, validade, numeração de identificação etc.).

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Os códigos bidimensionais, uma tecnologia mais recente, agregam um número maior de informações utilizando espaço menor que o código de barras tradicional. É utilizado, entre outras possibilidades, em embalagens unitárias de medicamentos e de alimentos, que necessitam identificação mais completa, como validade, lote etc., de modo a permitir seu rastreamento.

Nos anos de 2013 e 2014, por exemplo, ocorreram vários recalls de remédios e leites longa-vida UHT que apresentaram problemas em suas composições, trazendo risco de comprometimento da saúde. A utilização desses códigos tornou mais ágil a locali-zação dos produtos nos estoques dos distribuidores e varejistas para serem recolhidos.

7 8 9 1 8 38 95 213 5

Os três primeirosdígitos apresentam o país no qual o código de barras foi originado.O número 789 quer dizer que o código foi gerado no Brasil.

Este último é chamado

que comprova averacidade do

código de barras.

de dígito veri�cador,

Esta sequência (que pode abranger 4, 5 ou 6 dígitos) representa a empresa que

fabricou o produto.

Esta sequência (que pode abranger 3, 4 ou 5 dígitos) traz a descrição de características

do produto, tais como validade, data de fabricação, peso, medidas etc.

Esses códigos estão se tornando cada vez mais populares, sendo conhecidos como QR Code (Quick Response Code – “Código de resposta rápida”), e podem ser esca-neados por telefones celulares que possuem tecnologia para tal.

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Código bidimensional que remete ao site do Programa Via Rápida Emprego.

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Outra tecnologia utilizada não somente para localização dos itens, como também para seu rastreamento, é a identificação por radiofrequência (Radio Frequency Identification – RFID). Ela se serve de ondas de rádio e “etiquetas inteligentes”, eletrônicas, dotadas de microchip e antena, que recebem e gravam informações e as retransmitem de volta para os transmissores, o que permite localizar, identificar e rastrear o produto a distância, sem contato visual, razão pela qual as próprias eti-quetas não precisam ficar à vista.

Boa parte dessas etiquetas sequer possuem baterias e usam como fonte de ener-gia as próprias transmissões que recebem. As informações do estoque podem, desse modo, ser processadas em tempo real e em um processo muitíssimo mais ágil do que a leitura de etiquetas de código de barras em cada embalagem ou palete por um operador. Além disso, o microchip comporta uma gama muito maior de informações.

Em 2014, um roubo de grande volume – em que foram utilizados sete caminhões – de aparelhos eletrônicos (celulares, tablets etc.), de uma fábrica de um grande fabrican-te do setor em Campinas (SP), mostrou que os ladrões conheciam essa tecnologia, uma vez que não levaram produtos assim etiquetados.

Etiqueta inteligente.

O software de gestão do armazém é um instrumento muito eficiente nessa etapa de armazenamento, pois faz a gestão do endereçamento, dos equipamentos e do pes-soal que deve ser alocado para realizar a tarefa, como vimos.

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46 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

Atividade 3etiquetandO e COdifiCandO minha vida

1. Para fazer suas etiquetas, você precisará de uma folha de papel no formato A4.

2. Na folha de papel, marque com um tracinho o ponto que representa 10 cm a partir de um dos lados da largura do papel e, outro, 20 cm. Siga os traços em direção ao lado oposto, encostando a régua na borda do lado do comprimento da folha.

3. Faça o mesmo encostando a régua, virada, do lado do comprimento do papel. Ago-ra, una os pontos da marca de 10 cm com um risco paralelo à margem do papel e de novo na marca dos 20 cm, dividindo a folha em três partes mais ou menos iguais. Vire a folha, e, da mesma forma, faça marcas no sentido de um dos lados compridos para o outro, a cada 3 cm, dos dois lados da folha, e una as marcas, de maneira a obter um grande retângulo, criando 21 pequenos retângulos que serão suas etiquetas.

4. Escreva, na margem inferior das etiquetas, o seu nome, em letras maiúsculas e de forma, assim: ANTONIA, LUISA, JOANA, ROBERTA, CARLA CIA. LTDA. ou S.A., ou ANTONIO, LUIS, JOÃO, ROBERTO, CARLOS CIA. LTDA. ou S.A.

5. No verso da folha, comece a pensar no código que utilizará para identificar o que será etiquetado. Assim, relacione, separadamente, as categorias: amigos, material deste curso, os ideais que acha que poderá alcançar com base neste curso, os conhecimentos que você tem, os que você precisa ter etc. Para cada uma dessas relações, atribua uma letra ou número diferente, e para cada item, um número. Na categoria que houver condição, crie grupos ou classes: novos amigos, velhos amigos, nem novos nem velhos; e, como neste caso é possível, crie uma família: “amigos de infância”, “colegas” etc. Assim, por exemplo:

• Categoria: amigos = A;

• Classe: infância = 01 / vida adulta = 02;

• Descrição: amigos do peito = 01 / colegas = 02 / amigos distantes = 03.

Veja a seguir a classificação de um velho amigo distante: João = A0103. Crie um código para o material do curso pensando no que podem ser categorias, classes, grupos etc. para livros, cadernos, canetas, folhas de papel, lápis etc.

6. Escolha e escreva alguns desses códigos em letras ou números graúdos, capricha-dos, nas etiquetas. Você deverá cortar pelo menos uma e prendê-la com fita adesiva no seu livro do curso, identificando-o de acordo com o código que criou.

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Controle de estoque

Como vimos, com a identificação por meio de etiquetas inteligentes de radiofrequên-cia ou de código de barras, é possível localizar um produto e, inclusive, os paletes e as prateleiras em que estão armazenados.

Além disso, mediante a utilização dos coletores ou leitores, pode-se facilmente armazenar as mercadorias nos locais corretos e retirá-las para a separação, a fim de atender aos pedidos de requisições dos produtos ou matérias. Do mesmo modo, é possível fazer o levantamento de quantas unidades existem no estoque, por meio da realização de inventários – a contagem das unidades diretamente nos locais em que estão estocadas, para conferência ou checagem com os dados constantes nos controles de estoque. Controles esse que podem ser feitos em fichas simples, manualmente, ou em planilhas eletrônicas – nesse caso, como foi visto, com o auxílio de softwares, programas de computador dedicados à execução dessa tarefa, entre inúmeras outras alternativas.

Uma das formas usuais de controle são as auditorias simples, feitas, por exemplo, mensalmente, com o objetivo de verificar algumas características ou condições do estoque – como o estoque mínimo e o máximo –, a devida realização dos procedi-mentos de controles e registros e, também, o estado em que os materiais se encontram etc. Esses procedimentos são feitos mediante a checagem das notas de entrada e de saída, das requisições de compra e fichas ou registros de controle.

Fichas de controle

As fichas de controle devem permitir uma visão da situação do estoque tanto no momento da auditoria como a qualquer momento que se deseje. Deve-se ter um cuidado especial ao verificar como estão sendo feitos os lançamentos, já que são fundamentais no controle.

Portanto, deve-se checar se a identificação dos produtos, sua codificação e conse-quentemente sua localização no estoque (estante, prateleira, rua, número, andar etc.) estão corretas, uma vez que erros, nesse momento, vão gerar números incor-retos no sistema: determinado produto poderá apresentar números inferiores ao correto e, do mesmo modo, outro produto poderá apresentar números superiores ao real. Assim, é importante conferir se as devoluções e as baixas por danos ocor-ridos foram convenientemente computadas. E, por fim, verificar se há compati-bilidade entre os dados dessas fichas e os dos demais controles. Veja um exemplo de ficha de controle de estoques.

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48 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

Ficha de controle de estoque.

Notas de entrada e saída

Verifica-se se os dados de entrada vêm sendo correta e oportunamente lançados pela conferência das notas de entrada, que devem ser numeradas, datadas e estar con-ciliadas com as notas fiscais, se estas foram registradas nas fichas ou planilhas de estoque, e se a mercadoria foi efetivamente recebida e conferida (as notas de entra-da devem vir assinadas pelo responsável pela operação).

O controle das notas de saída, que também devem ser numeradas, datadas e assi-nadas, deve conferir se não estão ocorrendo lançamentos em duplicidade, isto é, notas lançadas duas vezes ou lançamentos diferentes, porém com o mesmo núme-ro de nota de saída. Além disso, deve verificar se há registros de cancelamento em quantidade ou frequência incomum, e se as notas ou outros documentos contêm rasuras, correções, retificações – o que pode ser um indicativo de problemas, de simples incorreções nas anotações ao desvio de produtos. Por essa razão, verifica-se se as saídas (o consumo) estão de acordo com as entradas (o fornecimento).

FICHA DE CONTROLE DE ESTOQUE

Mercadoria:

Data OperaçãoEntrada

Qtde. Valor Unit. Valor Total Valor Total Valor TotalQtde. Valor Unit. Qtde. Valor Unit.

Saída Saldo

Total

Método:

Fábrica de Serras Arco

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al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão 49

NOTA FISCALSAÍDA

CNPJ

NATUREZA DA OPERAÇÃO

NOME/RAZÃO SOCIAL

DESTINATÁRIO/REMETENTE

FATURA

DADOS DO PRODUTO

CÁLCULO DO IMPOSTO

TRANSPORTADOR/VOLUMES TRANSPORTADOS

DADOS ADICIONAIS

RESERVADO AO FISCO

NOTA FISCAL

Nº DE CONTROLEDO FORMULÁRIO

DADOS DA AIDF E DO IMPRESSOR

RECEBEMOS DE (RAZÃO SOCIAL DO EMITENTE) OS PRODUTOS CONSTANTES DA NOTA FISCAL INDICADA AO LADO

DATA DO RECEBIMENTO IDENTIFICAÇÃO E ASSINATURA DO RECEBEDOR

ENDEREÇO

MUNICÍPIO

BASE DE CALCULO DO ICMS

VALOR DO FRETE

NOME RAZÃO/SOCIAL

ENDEREÇO

QUANTIDADE ESPÉCIE MARCA NÚMERO PESO BRUTO PESO LÍQUIDO

MUNICÍPIO

FRETE POR CONTA

1 EMITENTE2 DESTINATÁRIO

PLACA DO VEÍCULO UF

UF

CNPJ/CPF

INSCRIÇÃO ESTADUAL

VALOR DO SEGURO OUTRAS DESPESAS ACESSÓRIAS VALOR TOTAL DO IPI VALOR TOTAL DA NOTA

VALOR DO ICMS BASE DE CÁLCULO ICMS SUBSTIT. VALOR DO ICMS SUBSTITUIÇÃO VALOR TOTAL PRODUTOS

DESCRIÇÃO DOS PRODUTOS CF UNID. QUANTIDADEALÍQUOTAS

VALOR DO IPIICMS IPI

SIT.TRIB.

VALORUNITÁRIO

VALORTOTAL

CÓDIGOPRODUTO

FONE/FAX UF INSCRIÇÃO ESTADUAL HORA DA SAÍDA

BAIRRO/DISTRITO CEP DATA SAÍDA/ENTRADA

CNPJ/CPF DATA DA EMISSÃO

CFOP INSC. ESTADUAL DO SUBST TRIBUTÁRIO INSCRIÇÃO ESTADUAL

ENTRADA

1ª VIA

00.00.00

DATA LIMITEPARA EMISSÃO

DESTINATÁRIO/REMETENTE

Nº 000.007

Nº 000.007

Rua do Conhecimento, 54Vila Aroeira - São Paulo - SPCEP 04743-021(11) 2144-0000 / (11) 2144-0025

Venda

Dalila Razonete 587.787.489-86 24/02/2015

24/02/2015Rua da Esperança nº 187

São Paulo

785456

SP(11) 71547-3285

Vila Maura 01475-052

21:48:12

2.333

45.478.528/0001-33

457874152147

X

Livro Infantil (A Caverna)

Nota Fiscal com dados e valores fictícios

1 1007 Unid 35,00 35,00

35,00

Transportadora Vaivém 75.453.858/0001-45

658.974.517.548Rua das Encomendas, 745 São Paulo SP

SPNON 0312

1 caixa

35,00

35,00

1

0,00 0,00 0,00

0,00

0,00 0,00 0,00

Modelo de nota fiscal.

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Inventários

Outro procedimento de controle é a realização de inventários, que são os instru-mentos fundamentais para o controle eficiente do estoque, pois é no momento de sua realização que se detectam todas e quaisquer diferenças que possam estar acon-tecendo entre os registros e o estoque real.

Nos inventários, todos os registros e controles são checados com o estoque, que é contado fisicamente, item a item. Eles garantem, assim, com absoluta precisão, o controle do funcionamento correto dos almoxarifados ou depósitos no que toca a seus números, sendo o momento em que se procede a todos os ajustes nos registros que sejam necessários. Por essa razão, são realizados periodicamente, de forma sis-temática.

São dois os tipos de inventários: os rotativos e os gerais.

Os rotativos são efetuados em intervalos curtos de tempo, em contraposição aos gerais, inventários mais completos que, por sua complexidade, são costumeiramen-te feitos em intervalos mais longos, semestralmente ou anualmente, dependendo da importância de um produto e do seu fluxo de comercialização dentro da empresa.

Os inventários rotativos possibilitam, também, acompanhar mais de perto a eficiên-cia dos registros e controles da movimentação do estoque, a fim de favorecer a to-mada de decisões de forma mais imediata, com a concretização de ações que possam corrigir ou sanar possíveis problemas.

Vimos que, na realização dos registros de entrada e saída dos materiais, podem ocorrer erros de lançamento dos dados, seja por distração, por não se ter efetuado nenhum lançamento no momento devido, seja pela leitura, anotação ou digitação errada de números, ou em fichas ou planilhas erradas. Enfim são vários motivos que podem levar a equívocos, além de desvios de mercadorias e furto.

Quando se tem o recurso dos softwares, é possível saber até mesmo a quantidade de unidades de determinado produto que se encontram nas embalagens empilhadas palete por palete, pois pode-se realizar a baixa das unidades que tiveram saída em cada embalagem ou palete.

Nesse esquema de inventário, se faz uma contagem física parcial, isto é, apenas de parte dos produtos, a cada vez, em sistema de rodízio. Em geral, é realizado men-salmente, seguindo uma programação que possa cobrir todos os itens do estoque, examinando-se determinadas categorias, classes, grupos etc. a cada procedimento.

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Dependendo da necessidade, do interesse e das possibilidades, pode ser realiza-do em intervalos maiores ou menores de tempo; há empresas que o realizam semanalmente.

É comum serem inventariados com mais frequência os itens que compõem a classe A da curva ABC, assim como os itens que têm alta rotatividade (alto número de entradas e saídas). Em geral, são inventariados três vezes ao ano.

Um segundo grupo de itens, os da classe B da curva e os que têm média rotatividade, costuma ser inventariado duas vezes ao ano. E, finalmente, itens da classe C ou de baixa rotatividade, apenas uma vez ao ano.

As frequências dos inventários seguem uma lógica: itens de maior valor unitário exigem maior controle para que se consiga, mais rapidamente, evitar perdas que serão de valor mais expressivo. O mesmo se dá com itens de alta rotatividade, que geram grande número de lançamentos nos registros, por causa de entradas, saídas, cancelamentos, avarias no manuseio e devoluções.

E assim, inversamente, os itens de médio valor e rotatividade podem ser inventariados com menos frequência, já que eventuais perdas não representarão prejuízos significa-tivos – ainda mais no caso dos itens de baixo valor e rotatividade.

É um procedimento que, em cada etapa, não demanda grandes esforços e tempo para sua realização. Como seu ciclo é rápido, permite a detecção, a análise de causas e a subsequente correção de erros, de maneira ágil, evitando que os erros atinjam grandes proporções e acarretem consequências graves. Sua realização não interrompe os demais procedimentos que se dão no almoxarifado, mesmo as operações de carga, armaze-namento ou descarga.

O inventário geral, por sua vez, exige que se paralisem todas as operações do almo-xarifado. Além disso, pode exigir o recurso de mais pessoas que o quadro normal de funcionários da área, para sua realização. São contados, ao mesmo tempo, todos os itens do estoque e são conferidos todos os registros e controles respectivos. Por essa razão, precisam estar totalmente atualizados.

Por ser um trabalho extenso, complexo e demorado, normalmente não favorece a realização de análises de erros ou de divergências entre os dados físicos e os dos controles. O esforço de trabalho é maior e costuma demandar mais recur-sos humanos; por isso, o inventário geral requer um planejamento mais deta-lhado e antecipado.

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Pessoas devem ser recrutadas e preparadas para a tarefa, divididas em equipes, além de orientadas e supervisionadas durante a realização. É um procedimento bem mais rigoroso que os demais, pois são executadas duas contagens físicas de todos os itens: uma primeira contagem por uma determinada equipe, e uma segunda por outra. Na primeira contagem se faz o levantamento da quantidade de unidades de cada item e, na segunda, se faz a conferência desse levantamento.

Havendo divergências, realiza-se uma terceira contagem, por uma terceira equipe. Dessa maneira, duas contagens costumam conferir (“bater”, como dizem os profissionais da área) e apresentar o mesmo resultado entre si. Uma vez que duas contagens tenham convergido, os produtos são rearmazenados, as embalagens são fechadas, por vezes lacradas e marcadas, e os registros são corrigidos se houver necessidade.

É o momento ideal, também, para que se façam rearranjos na disposição dos itens dentro do almoxarifado, se for o caso. No decorrer de um ano pode acon-tecer de produtos passarem a ter outra frequência de entradas e saídas; produtos serem descontinuados, isto é, não mais produzidos ou utilizados; a chegada de novos itens pode determinar a necessidade de alocá-los em determinada área e, como resultado, realocar os que a ocupavam anteriormente etc. É o momento de se arrumar o almoxarifado efetuando todas as alterações necessárias.

Inventário Anual (2015)Relatório de inventário de materiais permanente

Prédio / Descrição do Imóvel:Local / Descrição:

1) Ocioso ou excedente: quando se encontrar em perfeitas condições de uso e operação, porém sem utilidade para a seccional de patrimônio. 2) Antieconômico: quando a sua manutenção for onerosa ou seu rendimento precário em virtude de uso prolongado, desgaste prematuro ou obsolescência. 3) Recuperável: quando a sua recuperação for possível e orçar em até 50% do seu valor estimado no mercado. 4) Inservível/Irrecuperável: quando não mais puder ser utilizado para o fim a que se destina devido a perda de suas características ou em razão da inviabilidade econômica de sua recuperação por extrapolar o limite previsto no inciso anterior.

Setor:

Item Cód. do material Descrição Qtde. ObservaçõesConservação

InovaçãoEditora

1 021.25.000012 COMPUTADOR 4 RECUPERÁVEL

2 021.25.000013 COMPUTADOR 1 OCIOSO

3 021.25.000325 IMPRESSORA A JATO DE TINTA 2 RECUPERÁVEL

4 021.25.001254 MÁQUINA FOTOCOPIADORA 1 RECUPERÁVEL

5 021.25.000121 CADEIRA GIRATÓRIA 5 RECUPERÁVEL

6 021.24.001452 APARELHO DE FAX 1 IRRECUPERÁVEL

Modelo de inventário.

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Estoques máximo e mínimo

As empresas necessitam exercer controle absoluto sobre seus estoques e, para que elas possam gerenciá-los corretamente, os registros e controles a cargo do almoxa-rifado devem ter o máximo de precisão possível, ou seja, sempre em 100% ou o mais próximo possível desse valor. Erros nos registros e no controle podem signifi-car perdas financeiras. Alguns instrumentos permitem a eliminação de possíveis erros na gestão. Um deles é o estabelecimento de valores máximos e mínimos para a quantidade de unidades dos itens presentes nos estoques.

O estoque máximo é a quantidade máxima, limite, de dado item (ou família, ou grupo pequeno de itens estocados) que a empresa estabelece. Ele reflete critérios rela-tivos ao investimento de capital em materiais, matérias-primas, componentes, entre outros, e até, ocasionalmente, ao almoxarifado em si, como disponibilidade de espaço, operadores, instalações etc., além de eventual obsolescência, oportunidade etc.

O estoque mínimo, por sua vez, representa a quantidade mínima de unidades de dado item, família, grupo etc. que a empresa necessita manter em estoque, de modo a garantir a sua produção conforme programado. Para que se consiga determinar o valor do estoque mínimo, costuma-se recorrer a estimativas baseadas no consumo em um certo período anterior, por exemplo, durante os seis últimos meses, se não houver sazonalidade dos produtos – o que fornecerá um número bastante aproxi-mado como projeção do consumo nos próximos meses.

Outra possibilidade é recorrer a cálculos matemáticos. Um cálculo simples é o seguinte: toma-se um período, de 12 meses, por exemplo, e tira-se a média de consumo mensal. Em seguida, a empresa faz uma estimativa da frequência com a qual o item será suprido sem falta – por exemplo, em 90% dos casos as necessidades serão atendidas.

Trata-se, sempre, de estimativas que são sujeitas às variações do mercado consumi-dor. Calcula-se, então, esse percentual sobre o consumo médio, e o resultado será a quantidade de unidades daquele determinado item que deve ser mantida como estoque mínimo ou, em parte das empresas, estoque de segurança.

Há empresas que consideram o estoque de segurança como aquele capaz de evitar atra-sos ou pequenas interrupções no ressuprimento de dado item, como nos casos de entre-ga de materiais que não atendem exatamente às especificações do controle de qualidade, ou quando há dilatação nos prazos de entrega, escassez, aumento de demanda etc.

Por essas razões, recorre-se também ao que se denomina ponto de pedido ou ponto de ressuprimento – que é o momento em que se deve realizar o pedido de compra para reabastecer o estoque, em função da quantidade de unidades que se quer

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54 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

atingir. Deve-se levar em consideração, ainda, o tempo de ressuprimento, que se passa entre a comunicação da necessidade da compra até a efetivação do pedido, a produção (quando é o caso) e a entrega. Isso ocorre tendo-se em mente um forne-cedor que mantenha sempre invariáveis os seus prazos de produção e entrega.

Passo a passo: separação de pedidos ou ordem de produção

Os sistemas de endereçamento e identificação dos produtos por meio da etiquetagem e o tipo de instalação utilizada para o estoque, além da disposição espacial dos produtos pelo almoxarifado, são os fatores que permitem não só um armazenamen-to eficiente, preciso e rápido, como, igualmente, fácil acesso aos produtos, para se-paração (em inglês, picking [fala-se piquin]) e posterior distribuição.

Tanto no setor industrial quanto no comercial há a necessidade de separar produtos para atender aos pedidos – dos clientes (produtos acabados) ou da área de produção (matérias-primas, ferramentas, produtos em construção etc.), que também é enten-dida como cliente. É comum as empresas considerarem cada departamento como um “cliente”, o que significa que o tratamento dispensado por um departamento a outro deve buscar, cada vez mais, maior qualidade no atendimento.

Dependendo da forma como o almoxarifado ou o depósito está organizado – como também da variedade de itens distintos e de suas próprias dimensões –, pode haver uma única área de separação que centraliza essa atividade, ou várias, que, por vezes, estão localizadas preferencialmente próximas às próprias estruturas de porta-paletes, o que evita o trânsito desnecessário das mercadorias no interior do depósito.

Os paletes, por sua vez, são baixados, e as caixas ou outras embalagens, abertas; a quantidade de unidades solicitada é extraída e separada; fecham-se novamente as embalagens e retornam-se os paletes aos seus endereços.

O trânsito desnecessário das mercadorias no depósito aumenta o risco de acidentes que podem resultar em sérias consequências ao trabalhador, além de danos ou avarias aos produtos, aos equipamentos e às instalações. Ao evitá-lo, economizam--se horas de trabalho dos operadores, combustível das empilhadeiras, e reduzem-se a manutenção e o desgaste desses instrumentos, visto que passam a ser bem menos utilizados.

Em muitas empresas, existem esteiras rolantes que auxiliam o trânsito dos produtos nessa etapa e colaboram para minimizar danos no manuseio, ao mesmo tempo que facilitam o trabalho dos operadores, conduzindo os volumes às respectivas docas

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para a operação de carga e controlando automaticamente os produtos que são en-caminhados para a separação.

A etapa da separação pode ser feita tanto a partir de um único pedido quanto a partir de um produto. No primeiro caso, com o pedido em mãos, separam-se todos os seus itens; no segundo caso, o ponto de partida é o produto, que é separado para todos os pedidos.

Um exemplo prático seria o seguinte: é como se você fosse ao supermercado realizar compras para duas famílias. Com um carrinho, você pode pegar todos os produtos da lista e, depois, pegar outro carrinho e percorrer novamente todo o supermercado, reco-lhendo produtos iguais; ou pegar um carrinho e recolher os produtos das duas compras em uma única vez e, sendo necessário, pegar outro carrinho para completar as compras.

Atividade 4O meu almOxarifadO: parte 4

1. Retome seu desenho e crie a área de separação, desenhando uma ou mais ban-cadas no tamanho que julgar adequado.

Embalagem, paletização, unitização

Feita a separação ou picking, procedimento que também é controlado pelo software gerenciador do armazém, os produtos são embalados, não necessariamente apenas quando enviados para fora da empresa – há produtos que devem estar perfeitamen-te embalados para poderem ser manuseados dentro da própria empresa –, e são encaminhados à expedição. Antes, porém, são realizados os devidos lançamentos e a conferência dos produtos e respectivos pedidos.

Havendo sobras nas embalagens ou nos paletes, estes devem ser recolocados em seus locais de armazenamento. Nessas tarefas o coletor de código de barras pode ser útil, pois é capaz de fornecer os endereços em que estão estocados os produtos e informar a quantidade a ser separada.

As embalagens são classificadas em vários tipos: a primária, que contém o produ-to propriamente dito; a secundária, que protege a primária; e a terciária, uma caixa maior que contém várias unidades do produto e é feita de papelão, plástico ou madeira. Pode haver ainda outras embalagens, maiores, mais resistentes, que acolhem mais itens, sendo mais favoráveis à movimentação, armazenagem e re-dução de danos de manuseio.

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56 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

O emprego de embalagens constitui um passo muito importante do trabalho, já que uma de suas funções é evitar perdas de mercadorias ou produtos e mesmo danos a pessoas nas operações de carga e descarga, uma vez que em-balagens inadequadas podem provocar acidentes de toda sorte. São uma fonte de custo, mas, eventualmente, podem causar prejuízos se não forem adequadas às necessidades.

Outra função das embalagens é a preservação da integridade do produto; elas devem ser capazes de manter as propriedades físicas, químicas, bioquímicas ou biológicas inalteradas, protegendo-o do Sol, da luz, do calor, da umidade, de pequenos acidentes etc.

Inúmeros produtos somente podem ser manuseados depois de prontos e devida-mente embalados, como líquidos, gases, géis e mesmo sólidos. No entanto, esse tipo de produtos e suas respectivas embalagens constituem assunto muito extenso e es-pecífico, razão pela qual não serão tratados aqui.

Outra função, igualmente importante, porém do ponto de vista mercadológico, é serem atraentes, pois estimulam o consumo, a curiosidade, o impulso de compra, além de proporcionar informações diversas em função do tipo de produto. Existem empresas especializadas em pesquisar e criar embalagens que possam exercer, sobre o consumidor, maior capacidade de atração para o produto.

embalagem primária

embalagem secundária

embalagemterciária

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Além disso, órgãos reguladores exigem que inúmeras informações sejam afixadas nas embalagens, como as tabelas de valor nutricional e as informações de serviços de fiscalização governamental nos produtos alimentícios.

Assim, não somente os produtos devem ser embalados para serem preservados, mas suas próprias embalagens também devem ser preservadas, já que as danificadas desestimulam a aquisição do produto; nos alimentícios, favorecem ou permitem sua deterioração.

Como todos os processos de logística, a área de embalagens também tem sido objeto de estudos e pesquisas pelas empresas, apresentando grandes inovações no decorrer do tempo, como a invenção do isopor e das embalagens longa--vida, dos filmes plásticos e, mais recentemente, dos compostos de papel de alta resistência.

O procedimento de embalagem também tem em vista a unitização, o que significa reunir diversos produtos embalados dentro de uma única embalagem maior, evi-tando a movimentação individual de pequenos volumes e protegendo a mercadoria, pois esse tipo de embalagem é mais resistente e adequado ao manuseio por parte dos equipamentos e dos operadores.

Assim, o ideal é que as embalagens secundárias ou terciárias tenham dimensões e formatos que facilitem a unitização e a paletização, isto é, a composição de volumes sobre os paletes, que respeitem suas dimensões em todas as laterais, sejam lisas no lado superior e respeitem as alturas das estruturas de armazenagem. As cargas de-vidamente unitizadas costumam ser envoltas por cintas plásticas ou metálicas, ou mesmo filmes plásticos, cantoneiras, chapas de papelão ou madeira, tudo para que se tornem rígidas.

Um volume que não se apresente nas dimensões e com a rigidez corretas certa-mente trará problemas no momento de sua introdução ou remoção do porta--paletes pela empilhadeira. Volumes devidamente unitizados, paletizados e com medidas padronizadas favorecem todas as operações de carga e descarga, não apenas nas estruturas de armazenamento, mas, igualmente, nos caminhões, con-têineres etc., aumentando a velocidade do trabalho, diminuindo riscos de aciden-tes, economizando espaços etc.

Um contêiner representaria o esquema de unitização elevado a sua máxima dimen-são: uma embalagem bastante resistente na qual são colocadas inúmeras embalagens menores, menos resistentes, de modo a evitar acidentes e, ao mesmo tempo, reduzir drasticamente as operações de movimentação de carga.

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Contêiner: uma “embalagem” resistente.

A origem dos contêineres

Em 1937, o jovem estadunidense Malcom McLean (1913-2001), dono de uma pe-quena empresa transportadora, observava, no porto de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América (EUA), um embarque de mercadorias contendo algodão. Ele notou que o processo era muito demorado e causava bastante desperdício de mate-rial. Com isso, teve a ideia de criar um meio de armazenagem e transporte de cargas.

Surgiram, então, os primeiros contêineres: grandes caixas de aço padronizadas para embarque nos navios. Depois de várias experiências realizadas no próprio país, em 1966, o empresário lançou-se na aventura de enviar o SS Fairland – o primeiro cargueiro adaptado ao carregamento de 50 contêineres apto a navegar por águas internacionais – até o porto de Roterdã, na Holanda, na época o maior porto do mundo.

Anos depois, McLean fundou a companhia Sea-Land (depois Maersk-Sealand) – entre outras, pioneira do sistema intermodal, que utiliza duas ou mais modalidades de transporte de carga desde sua origem até o destino final.

A invenção de McLean transformou o sistema de transporte mundial: atualmente, 95% de toda a carga circulante no mundo é transportada em contêineres. Além disso, hoje em dia os contêineres servem de inspiração para acomodar escritórios, móveis, banheiros públicos e até mesmo salas de aula adaptadas.

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Malcom McLean.

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Atividade 5O meu almOxarifadO: parte 5

1. Reflita se em seu almoxarifado a área de embalagem ocupa o mesmo espaço da área de separação. Caso não ocupe, talvez um pequeno e comprido retângulo representando uma esteira rolante possa unir as duas áreas, e, se assim for, dese-nhe ambas: uma bancada para embalagem e uma esteira.

Atividade 6estudO de meiO: visitandO um almOxarifadO

1. Agora que você e seus colegas já discutiram sobre o trabalho que é realizado nos almoxarifados, podem se organizar em grupo para conhecê-los pessoalmente. Para que a experiência seja mais rica para a classe, cada grupo deve escolher um almoxarifado ou estoque diferente. Por exemplo: de uma loja de roupas, de calçados, de eletrodomésticos, de material de construção, de uma obra de cons-trução civil, de dois ou três tipos diferentes de indústria, de um estabelecimento agrícola ou pecuário etc.

2. Depois de escolhido o local de visita dos grupos, para que a ida ao almoxa-rifado ou depósito seja mais proveitosa, é recomendável que vocês preparem antes um roteiro de observação. Pensem no que será observado: O trabalho das pessoas? Os equipamentos? As instalações? A forma como estão organi-zados os itens estocados? A expedição? Os métodos e instrumentos de con-trole? Tudo? Talvez seja interessante que cada membro do grupo observe aspectos diversos, de modo que possa ver com mais atenção para depois re-latar aos demais o que perceber.

3. Após a visita, façam uma discussão coletiva, de forma que o trabalho traga mais informações para a classe.

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unida d e 10

Passo a passo no almoxarifado: expedição e distribuição A etapa de expedição e distribuição engloba todos os procedi-mentos que concretizam o envio da mercadoria ao cliente, que, como já foi visto, pode ser um distribuidor, um atacadista, um varejista etc. Essa etapa pode tanto ser realizada pelo próprio fabricante ou fornecedor do produto quanto por terceiros.

Em geral, as grandes empresas, cujo volume de produtos a serem distribuídos é bastante elevado, têm optado por não assumir diretamente essas tarefas, preferindo terceirizá-las, servindo-se dos operadores logísticos, que são empresas espe-cializadas em realizar a distribuição.

Nesse ponto, o foco – não só em termos de custos, mas também por ser aquele que encerra o ciclo de compra de um produto – é o transporte. Segundo estudos de Salgado, Ribeiro e Ferreira, as despesas com transporte representam 60% das despesas totais de logística, razão pela qual todos os procedimentos nessa área devem ser muito bem planejados.

Assim, uma empresa que procure fornecer seus produtos até pontos muito distantes de sua fábrica deve preocupar-se em ter custo de transporte o mais baixo possível para um nível de ser-viço adequado, escolhendo o modal mais barato, a fim de que seus produtos não deixem de ter um valor competitivo em rela-ção aos produzidos próximos ou no local. Ou seja, para a dis-tribuição, deve haver planejamento estratégico dependendo dos mercados que se pretenda atingir.

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62 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

Expedição

Um programa de gestão do armazém muito conhecido, o Warehouse Management System (WMS), é um dos instrumentos utilizados para realizar a expedição, tendo entre suas aplicações o controle de portaria.

Com relação aos veículos que deixam a empresa, podem-se efetuar os mesmos procedimentos da entrada (registro dos veículos, dos motoristas, de horários, das notas fiscais etc.), bem como o estabelecimento de rotas; a previsão e o monitora-mento do tempo gasto no transporte; o agendamento da entrega com o cliente; a checagem dos prazos de entrega dos pedidos; o conteúdo e a movimentação dos paletes; a conferência das separações, dos pedidos, das notas fiscais e do transporte; o acompanhamento das entregas que estão em trânsito e demais rotinas do setor.

O WMS permite também inúmeras análises de desempenho, à medida que proces-sa dados de todos os procedimentos realizados em centros de distribuição, almoxa-rifados ou depósitos, além da distribuição em si. Por isso, ele se tornou instrumento de largo uso e de grande importância para o aperfeiçoamento dos referidos proce-dimentos e, consequentemente, para a obtenção de ganhos de produtividade.

Armazém de mercadorias.

O sistema de gerenciamento do transporte, também conhecido como Transport Management System (TMS), é um software especializado na gestão da área. Suas funcionalidades permitem realizar e controlar procedimentos que compreendem os seguintes itens:

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• manutenção de componentes de veículos (pneus, por exemplo), processando dados de custo, compras e estoque;

• dimensionamento da carga e dos equipamentos necessários à operação;

• controle de portaria;

• gestão de motoristas quanto ao tipo de veículo e de carga (a Carteira Nacional de Habilitação – CNH – possui várias categorias conforme o tipo de veículo que o motorista está habilitado a dirigir);

• controle de autorizações e ordens de entrega ou de coleta, de notas fiscais e emis-são da documentação de transporte (“Manifesto de Carga”, “Conhecimento de Transporte Eletrônico – CT-e”, entre outros);

• definição de rotas, cálculos de custos das operações ou de fretes, controle de transportadoras etc., além de se integrar com o GPS (em português, Sistema de Posicionamento Global) permitindo acompanhar o deslocamento da frota.

Empilhadeira alocando produtos no caminhão.

As embalagens são etiquetadas com os dados dos destinatários (nome e endereço do comprador), e são anexados os documentos de transporte e a nota fiscal do produto. Dessa forma, os pedidos podem ser separados de acordo com as rotas que os veículos cumprirão; por destinatários, no caso de entregas em grandes volumes; por zonas geográficas; por urgência na entrega ou outros critérios. Também é pos-sível acompanhar as operações de carga dos veículos, de modo a evitar trocas de mercadorias ou de destinatários.

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64 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

Esses procedimentos são fundamentais na manutenção do nível de serviço, pois entregar um produto ou uma nota fiscal errada não apenas frustra o cliente como depõe contra a imagem da empresa, além de implicar atraso na finalização do processo de atendimento ao cliente e acarretar custos adicionais com o retorno do entregador àquele destino apenas para completar o serviço. Ou seja, o nível de atenção e cuidado na realização de toda e qualquer etapa do trabalho deve ser ele-vado, já que o sistema de gerenciamento não é capaz de evitar erros humanos.

Entre os principais problemas que ocorrem nos almoxarifados estão justamente os erros cometidos nos diversos passos ou tarefas que compõem os processos. Erros em geral significam perda de tempo, de trabalho efetuado, às vezes perda da própria mercadoria, em resumo: perda de dinheiro pela ocorrência de custos desnecessários para o funcio-namento da empresa que podem, dependendo da empresa, causar demissão.

Mas, muitas vezes, esses erros são causados por falta de aprimoramento dos proces-sos. Assim, um dos aspectos importantes da atuação dos profissionais é analisar continuamente todos os processos realizados, com suas inúmeras etapas, para veri-ficar a possibilidade de reduzir trabalho, combustível, energia, danos e erros, além do tempo gasto em sua realização.

Distribuição da carga

Outro cuidado necessário é com a distribuição da carga. É preciso ter em vista o peso e a cubagem (volume em metros cúbicos) das cargas, de modo que possam ser corretamente atribuídas aos veículos, pois eles possuem limites legais de carga ad-missível. Há controle do peso de veículos de carga nas estradas, além de vias com viadutos ou outros obstáculos com restrição de altura.

Carga mal organizada.

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Em geral, não se sabe que tipo de obstáculos um veículo enfrentará ao se dirigir pela primeira vez a outro município. Além disso, há também a questão da distri-buição da carga sobre a carroceria, já que o peso deve ser dividido conforme os eixos do veículo. A carga deve estar perfeitamente amarrada e devidamente coberta, de modo a evitar acidentes com o seu deslocamento ou arremesso.

As cargas devem sair da empresa com toda a documentação legal obrigatória, a fim de atender não somente ao comprador, mas também à fiscalização tributá-ria e de trânsito, para o caso de cargas que necessitem de autorização especial.

Mercadorias sem a respectiva documentação legal são passíveis de apreensão pelos fiscais de tributos durante a fiscalização, gerando também outras conse-quências para as empresas. Por essas razões, devem-se acompanhar de perto todas as etapas do processo de expedição e de carga dos veículos, até a sua liberação.

Quando a empresa tem uma área geográfica de atuação ampla ou exporta o seu produto, é necessário selecionar os modais de transporte para atingir os pontos desejados de entrega das mercadorias.

Essa seleção é baseada em alguns critérios, sendo os principais: custo do transporte pelos diferentes modais; características do produto que podem determinar o modal ideal ou necessário para seu deslocamento; tempo gasto no percurso pelos diferen-tes modais ou disponível para a concretização da entrega; e existência da infraes-trutura do modal nos pontos de origem e destino.

Exemplo de carga bem organizada.

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Atividade 1O meu almOxarifadO: parte 6

1. Neste momento, insira no seu desenho o que seriam as instalações de um peque-no escritório, em que ficam os computadores nos quais são efetuados todos os registros que os softwares processam, e onde as pessoas cuidariam da expedição, tratando com transportadoras, profissionais autônomos ou com os motoristas da frota própria.

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unida d e 11

Linguagem não verbal: sua segurança no trabalhoQuando se fala em linguagem, é comum pensar logo no uso das palavras ditas ou escritas.

A este tipo de linguagem chamamos linguagem verbal. Mas a comunicação humana não se resume apenas à linguagem verbal; para nos comunicarmos utilizamos também a linguagem não verbal, ou seja, aquela baseada em sinais, símbolos, sons, gestos e imagens diversas como fotografia, pintura, escultura, e que são encontradas em toda parte.

Você já reparou que vivemos cercados de símbolos e sinais e que muitos deles estão relacionados à nossa saúde, segurança e tam-bém às normas de convivência fundamentadas nas leis que vi-goram em nosso país?

Nas ruas, nos deparamos a todo o momento com placas e sinais orientando o trânsito, avisando o que é permitido e o que é proibido, alertando para locais prioritários a idosos, gestantes, deficientes etc.

Em escolas, hospitais, lojas, farmácias e prédios públicos encon-tram-se, igualmente, sinais ou avisos como: “Proibido fumar”, “Cuidado: piso molhado”, “Em caso de incêndio não use o elevador”, “Cuidado: escada”, “Silêncio”, “Não buzine”, “Res-peite a fila”, “Respeite a faixa de segurança” etc.

Veja alguns exemplos a seguir.

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68 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

Atividade 1sinais e símbOlOs

1. Reúna-se com mais três colegas e elaborem uma lista de dez sinais ou avisos dos quais vocês se lembram, relacionados à saúde, segurança e prevenção de aciden-tes nos locais que constam no quadro:

Sinais ou avisos Para que servemLocais onde podem ser encontrados

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EM CASO DE INCÊNDIONão use o elevador

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2. Depois de terminarem o preenchimento do quadro, todos os grupos poderão socializar os sinais e avisos dos quais se lembraram.

3. Elaborem uma nova lista, agora muito maior, com todos os sinais e avisos lem-brados pela classe. Este exercício evidenciará o quanto a questão da prevenção de acidentes e respeito à saúde está presente em nossas vidas e conta com legislação e fiscalização próprias.

Atividade 2revelandO O trabalhO

1. Observe a fotografia a seguir e responda:

a) Você já havia visto esta fotografia?

b) Em sua opinião, que tipo de trabalho esses homens que aparecem na imagem realizam?

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c) Onde esses homens estão? Onde estão sentados? Quais elementos podem “com-provar” suas hipóteses?

d) O que eles estão fazendo no momento da foto?

e) Que título você daria a essa fotografia?

2. Agora observe esta outra fotografia e responda:

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a) Que idade você imagina ter a menina da foto?

b) Essa é uma fotografia atual? Quais evidências podem “confirmar” sua hipótese?

3. Se as imagens apresentadas nesta atividade fossem atuais, e acionando os conhecimentos que você já tem, que aspectos da legislação trabalhista brasileira as si-tuações apresentadas estariam desrespeitando?

4. Agora discuta com o colega ao lado as suas respostas e as respostas dele. Suas ideias são iguais ou parecidas às dele? Seu colega apresentou algum aspecto diferen-te do seu? Você concorda com ele? Por quê? Registre aqui suas impressões.

Caso não recorde o que estudou sobre saúde e trabalho, pesquise os

conteúdos dos Cadernos do Trabalhador 1 e 7 – Conteúdos Gerais,

disponíveis em: <http://www.viarapida.sp.gov.br>. Acesso em:

23 abr. 2015.

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Veja a seguir a história das fotos apresentadas.

A primeira fotografia é uma foto clássica e conhecida mundialmente. Trata-se de Lunch atop a skyscraper (Al-moço no topo de um arranha-céu), fotografia de Charles C. Ebbets (1905-1978) feita em 1932, que mostra um grupo de operários da construção civil almoçando em condições de segurança precárias e inadmissíveis nos dias de hoje. A composição, com o belo cenário de Nova Iorque ao fundo e as condições curiosas capturadas, tor-nou essa fotografia uma obra de arte.

A foto é polêmica, pois há quem diga que é uma monta-gem, parte de uma jogada publicitária de marketing para divulgar a construção do Rockefeller Center. Tirada no 69o andar, foi publicada juntamente com outras em um suplemento dominical de um jornal de grande circulação. Observe que os operários não usam cinto de segurança, não usam capacete e qualquer passo em falso seria fatal.

A segunda fotografia mostra uma garota em linha de produção da indústria têxtil Cheney Silk Mills, em Man-chester do Sul, Connecticut, Estados Unidos, em 1924. A fotografia foi tirada pelo sociólogo Lewis Hine (1874-1940) e encontra-se em exposição na Biblioteca do Con-gresso Nacional (EUA).

As crianças fizeram parte da força de trabalho ao longo da História. Nos EUA, essa realidade também se concre-tizava no início do século XX (20). Lewis Hine encontrou na fotografia uma forma de denunciar a exploração do trabalho infantil e, entre 1908 e 1924, produziu um vas-to material sobre a vida das crianças estadunidenses.

No Brasil, existem leis que regulamentam os direitos e deveres dos trabalhadores. Elas fazem parte do Decreto-lei federal nº 5.452, de 1º de maio de 1943, que aprova a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A CLT garante que condições degradantes e de exploração não mais ocorram. Em seu artigo 403, por exemplo, proíbe o trabalho a me-nores de 16 anos de idade, com exceção do trabalho na condição de aprendiz, que pode ocorrer a partir dos 14 anos.

Você sabia?A Norma Regulamenta-dora (NR) no 15 define quais são as atividades e operações insalubres. Se quiser saber mais sobre esse assunto, visite o site do Ministério do Trabalho e Emprego, disponível em: <http://portal.mte.gov.br/legislacao/norma- regulamentadora-n-15-1.htm>. Acesso em: 23 abr. 2015.

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5. Para finalizar esta atividade, escreva em seu caderno uma redação sobre o tema: Acidentes de trabalho e proteção do trabalhador pelas leis – quais desafios devem ser enfrentados?

A ocorrência de acidentes

É fato que em todos os lugares estamos sujeitos a sofrer acidentes. Você deve conhecer pessoas que já se aciden-taram em casa, nas ruas, no local de trabalho, nas estra-das, não é mesmo?

Nesta seção, será abordada mais especificamente a pre-venção dos acidentes de trabalho. Para isso, serão utiliza-das as ideias de Leonardo Boff (1938-) para dar sequência a nossa conversa.

O grande desafio para o ser humano é combinar

trabalho com cuidado. Eles não se opõem, mas se

compõem.

[...]

O que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuida-

do. Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Por-

tanto, abrange mais que um momento de atenção,

de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de

ocupação, preocupação, de responsabilização e

de envolvimento afetivo com o outro.

BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela terra. 18. ed. Petrópolis:

Vozes, 2012. p. 111 e 37.

Insalubre: 1. Que não é sau-dável. 2. Diz-se de local em que há agentes nocivos à saúde ou em que se dá a exposição a estes acima dos limites de tolerância (cidade insalubre; fábrica insalubre).

© Dicionário Aulete. <www.aulete.com.br>

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Quando um acidente acontece na empresa, é muito comum que as pessoas atribuam a causa dele a uma pessoa que foi descuidada. Mas o importante é considerar a organização do trabalho, as formas de prevenção do acidente fornecidas pela em-presa e, em particular, o fornecimento pelo empregador de equipamentos de prote-ção individual (EPI).

Atividade 3prevençãO de aCidentes

1. Leia a seguir a notícia sobre um acidente de trabalho fatal ocorrido com um auxiliar de almoxarifado.

Atenção aos riscos de acidente!

Um rapaz de 22 anos faleceu por causa de um acidente de trabalho. Joel, auxiliar de almoxarifado, carregava um caminhão com bobinas de lona de freio, as quais, juntas, pesavam aproximadamente 800 kg. Foi atingido por uma delas, o que o conduziu ao óbito.

2. Converse com o colega ao lado sobre as possíveis causas do acidente e como ele poderia ter sido evitado. Escreva as hipóteses levantadas nas linhas a seguir.

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3. Esse trabalhador estava cumprindo uma de suas atri-buições? Justifique sua resposta.

A importância do conhecimento legal

Em primeiro lugar, a questão da segurança nas empresas é responsabilidade do empregador. As Comissões Inter-nas de Prevenção de Acidentes (Cipa) têm o papel de fiscalizar o cumprimento de leis e normas que garantam a saúde e a integridade física e mental dos trabalhadores.

Portanto, pelo menos três aspectos precisam ser obser-vados:

• o local de trabalho;

• os equipamentos;

• os trabalhadores.

Quanto ao local de trabalho

Quando o trabalhador não utiliza os equipamentos de segurança necessários para o exercício da sua atividade profissional, pode-se dizer que está em um ambiente de risco e em uma condição insegura de trabalho. As em-presas precisam adotar medidas que tornem esse ambien-te mais seguro. Veja algumas normas a serem seguidas.

Toda empresa com mais de 20 empregados deve ter uma Cipa,

formada por trabalhadores eleitos pelos colegas. Você pode se

aprofundar no assunto consultando o Caderno do Trabalhador 5 –

Conteúdos Gerais – “Saúde e segurança no trabalho”. Disponível

em: <http://www.viarapida.sp.gov.br>. Acesso em: 23 abr. 2015.

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Sinalização de segurança

A Norma Regulamentadora (NR) no 26 determina:

26.1 Cor na segurança do trabalho.

26.1.1 Devem ser adotadas cores para segurança em estabelecimentos ou locais de trabalho, a fim de indicar e advertir acerca dos riscos existentes.

[...]

26.1.4 O uso de cores deve ser o mais reduzido possível, a fim de não ocasionar distração, confusão e fadiga ao trabalhador.

[...]BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 26. Sinalização de segurança. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C816A31190C1601312

A0E15B61810/nr_26.pdf>. Acesso em: 23 abr. 2015.

O almoxarifado emprega comumente empilhadeiras e esse “trânsito” precisa ter normas, pois a sinalização tem a função de alertar e prevenir acidentes.

Prevenção e combate a incêndios

Os trabalhadores devem receber treinamento específico para combater qualquer foco ou princípio de incêndio no galpão, estoque etc. É preciso saber evitar que o fogo se inicie e, caso isso não seja possível, é necessário combatê-lo com rapidez e eficiência.

Geralmente, os incêndios têm seu princípio em pequenos focos que, se controlados, podem evitar acidentes maiores, pois até a chegada dos bombeiros o fogo pode se alastrar rapidamente. Para controlá-lo, é preciso ter conhecimento da melhor forma de fazê-lo.

No seu ambiente de trabalho você poderá encontrar alguns símbolos com informações quanto ao risco de incêndio. Normalmente, essa sinalização é composta por informa-ções de proibição, de alerta e de orientação e salvamento. Veja a seguir alguns desses símbolos.

1. Sinalização de proibição

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1. Sinalização de proibição

Código 2

Proibido produzir chama

Código 3

Proibido utilizar água para apagar o fogo

Código 4

Proibido utilizar elevador em caso de incêndio

2. Sinalização de alerta

Código 5

Alerta geral

Código 6

Cuidado, risco de incêndio

Código 7

Cuidado, risco de explosão

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78 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

2. Sinalização de alerta

Código 8

Cuidado, risco de corrosão

Código 9

Cuidado, risco de choque elétrico

3. Sinalização de orientação e salvamento

Código 12

Saída de emergência

Código 13

Saída de emergência

Código 14

Saída de emergência

Código 15

Saída de emergência

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al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão 79

3. Sinalização de orientação e salvamento

Código 16

Escada de emergência

4. Sinalização de equipamentos

Código 22

Telefone ou interfone de emergência

Código 23

Extintor de incêndio

Código 24

Mangotinho

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80 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

4. Sinalização de equipamentos

Código 25

Abrigo de mangueira e hidrante

Código 26

Hidrante de incêndio

Fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 13434-2. Sinalização de segurança contra incêndio e pânico. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

Classes de incêndio, métodos de extinção e extintores

Classe e símbolo Tipo de material Exemplos Método de extinção Extintores

Sólidos que queimam e deixam resíduos

Madeira, papel, tecidos, borracha, carvão

Resfriamento

Água, espuma química e espuma mecânica

Líquidos que queimam e não deixam resíduos

Gasolina, álcool, diesel, tíner, tinta, graxa, acetona

Abafamento

Gás carbônico, pó químico seco, espuma mecânica

Elétricos que estão ligados a uma rede elétrica

Quadros de distribuição, equipamentos elétricos, fios sob tensão

Abafamento Gás carbônico, pó químico seco

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al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão 81

Classes de incêndio, métodos de extinção e extintores

Classe e símbolo Tipo de material Exemplos Método de extinção Extintores

Metais pirofóricos

Magnésio, zircônio, titânio, alumínio em pó, antimônio

Abafamento Pó químico seco especial

Materiais radioativos

Césio, urânio, cobalto, tório, rádio

Acionar Corpo de Bombeiros 193

Gordura animal e óleo vegetal em estado líquido ou sólido

Óleo de cozinha comercial e industrial

Abafamento Base alcalina

Fonte: SERVIÇO SOCIAL DO TRANSPORTE (SEST); SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM DO TRANSPORTE (SENAT). Curso para operador de transporte de cargas.

Brasília: Sest/Senat, 2011.

Quanto aos equipamentos

Os equipamentos de proteção podem ser de uso coletivo e individual.

Sprinkler.

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RFOs equipamentos de proteção coletiva (EPC) devem

ser dispostos em todos os locais de trabalho e cumprem a função de proteger os que neles trabalham. Você já deve ter reparado que há em lojas, supermercados, shoppings etc. extintores, mangueiras de incêndio e mesmo sprinklers, que são os dispositivos instalados nos tetos sensíveis à temperatura que, uma vez eleva-da, os aciona liberando água em abundância.

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82 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

O item 6.1 da NR no 6 considera que equipamento de proteção individual (EPI) é todo dispositivo ou produto, de uso individual, utilizado pelo trabalhador, desti-nado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. Para o almoxarife ou estoquista os tipos mais utilizados de EPI utilizados são:

Capacete: obrigatório em locais que apresentem riscos de queda de peças, material etc. São exemplos a construção de um prédio e um depósito, cujos objetos dispostos nas prateleiras podem cair no momento de sua movimentação.

Óculos de segurança: importante equipamento para proteção dos olhos, eles são mais utilizados em atividades industriais. Dependendo dos produtos estocados no almoxarifado ou no estoque, você também precisará utilizá-los, como no caso de produtos químicos.

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al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão 83

Protetores auriculares: obrigatórios em ambientes que apresentem ruído acima de 85 decibéis. O almoxarifado ou o estoque podem estar instalados ao lado, por exem-plo, da produção e registrar ruídos que comprometem a audição dos trabalhadores. Nesses casos, os empregadores são obrigados a fornecer a proteção a todos os traba-lhadores.

Máscara respiradora: almoxarifados e estoques são locais que apresentam acúmu-lo de poeira, além de poder abrigar produtos químicos. É, portanto, EPI funda-mental para sua saúde.

Botinas ou sapatos: são normalmente reforçados e confeccionados com material mais resistente. Com eles você estará mais protegido contra topadas em paletes, choques elétricos ou mesmo quedas de objetos.

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84 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

Luvas de segurança: usadas no manuseio de paletes vazios, trabalhos de transferência de paletes, arrumação ou manuseio de cargas.

Cinto de segurança: necessário se a operação ocorrer em lugares altos, caso seja preciso o uso de escadas ou no manuseio de máquinas.

A NR no 11 determina os requisitos de segurança que devem ser observados nos locais de trabalho, em relação ao transporte, à movimentação, à armazenagem e ao manuseio de materiais, tanto de forma mecânica quanto manual, com o fim de prevenir acidentes.

Fonte: BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 11. Transporte, movimentação,

armazenagem e manuseio de materiais. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/

FF8080812BE914E6012BEF1FA6256B00/nr_11.pdf>. Acesso em: 23 abr. 2015.

Fique atento ao uso dos EPi dependendo do local em que

trabalhará. É possível, por exemplo, que seja necessário o uso de luvas especiais ou aventais específicos para situações que coloquem em

risco sua saúde.

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al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão 85

Quanto aos trabalhadores

Não bastam locais seguros e equipamentos adequados para que os acidentes não ocorram. É fundamental que os trabalhadores estejam capacitados, orientados e aptos para garantirem a segurança individual e coletiva.

Em relação à aquisição, utilização e manutenção dos EPI, a NR no 6 do Ministério do Trabalho e Emprego estabelece as responsabilidades do empregado e empregador:

6.6.1 Cabe ao empregador quanto ao EPI:

a) adquirir o adequado ao risco de cada atividade;

b) exigir seu uso;

c) fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional

competente em matéria de segurança e saúde no trabalho;

d) orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e

conservação;

e) substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado;

f) responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica; e,

g) comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada;

h) registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotados

livros, fichas ou sistema eletrônico. [...]

6.7 Responsabilidades do trabalhador. [...]

6.7.1 Cabe ao empregado quanto ao EPI:

a) usar, utilizando-o apenas para a finalidade a que se destina;

b) responsabilizar-se pela guarda e conservação;

c) comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio

para uso; e,

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86 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

d) cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 6. Equipamento de proteção individual – EPI. Disponível em: <http://portal.mte.gov.

br/data/files/FF8080812DC56F8F012DCDAD35721F50/NR-06%20%28atualizada%29%202010.pdf>. Acesso em: 23 abr. 2015.

Todo trabalho implica responsabilidades, inclusive legais, podendo até mesmo resul-tar em punições rigorosas previstas por lei, caso não sejam observadas. O Decreto-lei federal no 4.657, de 4 de setembro de 1942, indica, em seu artigo 3o, que é indescul-pável afirmar o desconhecimento da lei:

Art. 3º – Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece.

BRASIL. Decreto-lei no 4.657, de 4 de setembro de 1942. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del4657compilado.htm>. Acesso em: 23 abr. 2015.

Ou seja, uma empresa que não oferece EPI adequado aos trabalhadores não pode jamais alegar que desconhecia a lei e que, por isso, não fornecia os equipamentos. Do lado dos trabalhadores, a lei também vale, pois, se é obrigatório o uso de EPI no local de trabalho e a empresa os ofereceu, o funcionário deve fazer uso deles; do contrário, pode sofrer penas, inclusive demissão por justa causa.

Atividade 4segurança nO trabalhO

1. Observe a charge e leia o texto a seguir.

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AUTOR

NORMAS DE SEGURANÇA NO LOCAL DE TRABALHOAVISO

ADMINISTRAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SEGURANÇA E SAÚDE

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Tradução: Eloisa Tavares.

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al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão 87

As qualidades ou virtudes são construídas por nós no esforço que nos

impomos para diminuir a distância entre o que dizemos e o que faze-

mos. Este esforço, o de diminuir a distância entre o discurso e a prá-

tica, é já uma dessas virtudes indispensáveis – a da coerência.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. p. 65.

2. Qual é a relação que se pode estabelecer entre a frase de Paulo Freire e a charge observada?

3. Qual é, em sua opinião, a importância da coerência, do cuidado e do exemplo nas atitudes e ações das pessoas, relacionadas à segurança e prevenção de aciden-tes no trabalho?

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88 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

4. Reúna-se com mais três colegas e compare suas respostas com as deles. Registre as conclusões do grupo nas linhas a seguir.

Saúde e segurança no trabalho

Como foi visto, há possibilidade real e concreta de ocorrerem acidentes no interior do almoxarifado ou depósito, nos pátios e nas docas, sem levar em conta a área de produção com suas máquinas, robôs, esteiras etc. Por essa razão, as pessoas que tra-balham em tais lugares devem estar sempre bastante atentas às questões de seguran-ça do trabalho e utilizar sempre os EPI.

Seguem algumas orientações relativas ao manuseio de objetos:

• ao manusear materiais que possuem arestas cortantes, jamais se deve deixar de utilizar luvas apropriadas;

• ácidos, substâncias corrosivas, gasosas, fumegantes etc. requerem, no mínimo, luvas, óculos, aventais, botas e, em alguns casos, máscaras de gás;

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al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão 89

• ao manusear objetos pesados recomenda-se o uso de luvas e calçados adequados (antiderrapantes; com pro-teção para os dedos dos pés no bico etc.);

• ao transportar produtos com as mãos, é preciso estar atento para, de um lado, não se sobrecarregar com volumes excessivos que prejudiquem a visão ou a lo-comoção ou cujo peso não possa ser suportado por todo o trajeto a ser percorrido sem esforço demasiado; de outro lado, não erguer produtos pesados sozinho, sem auxílio mecânico ou humano (evitando distensões e surgimento de hérnias), e, principalmente, lembrar--se continuamente das recomendações da ergonomia (por exemplo, flexionar os joelhos ao erguer pesos com as mãos, não flexionando a coluna vertebral), como veremos mais adiante;

• naturalmente, é preciso um cuidado extremo no caso de empresas que trabalham com produtos inflamáveis, combustíveis, comburentes, voláteis, corrosivos, ácidos, substâncias tóxicas, radioativas, venenos, alérgenos etc.

Nem todas as substâncias que provocam danos à saúde têm efeito imediato, existindo uma infinidade que o fazem lentamente, de forma imperceptível, porém irreversível –

seja por aspiração, por contato com a pele, cabelos, olhos ou por

proximidade com substâncias radioativas.

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90 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

Mas além de usar os EPI apropriados, é necessário ter sua atenção voltada para um “hábito” que pode ocorrer com frequência em alguns locais: a obstrução de corre-dores, por produtos, paletes, embalagens, e, sobretudo, das rotas de fuga e dos locais nos quais estão instalados os equipamentos contra incêndio – lugares em que mui-ta gente gosta de “encostar” objetos que não estão em uso, temporariamente, “só por meia horinha”. Independentemente da existência ou não de sprinklers, detecto-res de fumaça ou outros equipamentos, uma rota de fuga obstruída pode colocar em risco a vida de todos.

Lembre-se de que os equipamentos contra incêndio, sejam os vários tipos de extintores, sejam hidrantes ou mangueiras, exigem inspeções periódicas para checagem de sua condição de uso e validade, assim como a realização de testes: mangueiras apodrecem, válvulas emperram, extintores deixam escapar pressão etc. Portanto, muita atenção a ensinamentos, recomendações e treinamentos promovidos pelo pessoal da Cipa.

Outra recomendação importante é que se mantenham os pisos do armazém devida-mente limpos, especialmente livres de substâncias gordurosas ou escorregadias. O mesmo cuidado deve ser tomado com empilhadeiras, paleteiras, carretos, prateleiras, esteiras e pontes rolantes, elevadores monta-carga, bem como com as embalagens dos produtos, além das próprias mãos, punhos e antebraços.

No que toca aos equipamentos, é necessário estar atento:

• ao se aproximar de guindastes e esteiras ou pontes rolantes suspensas, vãos de elevadores e, mesmo, empilhadeiras em uso;

• ao limite de volume da carga que esses equipamentos podem transportar, evitan-do sobrecargas;

• ao limite de velocidade com que se deve circular com os equipamentos dentro do armazém;

• e, tão importante quanto, à permanente manutenção para garantir perfeitas condições de uso e operação de cada um dos equipamentos, já que simples falhas podem provocar sérios acidentes.

Tais precauções vão além das que se deve ter com toda a rede elétrica; com as fiações, correias, correntes e tubulações dos equipamentos; com o vazamento de óleo ou água; e com as empilhadeiras movidas a gás e os respectivos botijões, de modo geral.

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al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão 91

Existem várias causas ou diversos fatores que podem provocar acidentes. Nunca deixe de usar os equipamentos de segurança, pois eles podem salvar sua vida! Você viu que todas as operações realizadas em um almoxarifado exigem cuidado e aten-ção. Percebeu a importância do uso de procedimentos, equipamentos e instalações perfeitamente adequados a sua realização. Isto é, devem sempre ser utilizados pale-tes, prateleiras, empilhadeiras ou outros equipamentos adequados às dimensões dos produtos (tamanho, altura, extensão, volume cúbico, peso), à facilidade ou dificul-dade de manuseio, a fragilidade, acidez, condição de corrosivos, inflamáveis, explo-sivos etc.

Extintor de parede. Extintor de carrinho.

Extintor demarcado no chão.

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92 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

Como foi citado, um breve planejamento prévio das operações também facilita visualizar as etapas, os passos ou pontos em que se pode, em uma eventualidade, estar mais sujeito à ocorrência de acidentes. E, sobretudo, pode ajudar a evitar improvisações, “jeitinhos” que podem acarretar consequências graves não somente ao trabalhador que os adota, como, o que é ainda pior, aos colegas que não “impro-visam”.

O significado das cores

Retomando e aprofundando o que você já estudou sobre segurança, observe as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como a NB-76/59, que estabelece e classifica cores para a prevenção de acidentes em locais de trabalho, e a NR no 26, que fixa cores para sinalização de segurança, de uso corrente nos armazéns, depósitos, almoxarifados, entre outros, normatizando sua adoção como fator de segurança das empresas. Cada cor tem uma função ao identificar diversas situações ou condições, parte delas referindo-se a riscos imediatos.

É preciso, portanto, familiarizar-se plenamente com seu uso, de modo que seja possível identificar as situações instantaneamente.

Veja os significados das cores:

• Vermelho: sinalização para equipamentos contra incêndio – extintores, hidrantes, alarmes, baldes de areia ou água e caixas em que são acondicionados cobertores utilizados para cobrir o foco de incêndio, extinguindo as chamas pelo abafamen-to. Pode indicar advertência ou perigo, como nas luzes ou em botões de interrup-tores de circuitos elétricos. Colore os equipamentos e sinaliza e delimita sua localização, bem como de saídas de emergência. Lembre-se de que é proibida a obstrução tanto das sinalizações quanto dos equipamentos.

• Laranja: indica alerta a equipamentos ou dispositivos que oferecem risco – par-tes móveis de equipamentos diversos, polias, engrenagens, caixas de proteção de componentes ou dispositivos elétricos e partes móveis internas que se tornam visíveis quando abertas. Indica também equipamentos de salvamento aquático, como boias, coletes, botes etc.

• Amarelo: solicita atenção a instalações e equipamentos diversos que oferecem risco em menor grau que os itens de cor laranja – pisos de entrada em elevadores de carga ou misto e as bordas de suas portas; outros tipos de aberturas, como poços; faixas delimitadoras de áreas de circulação mista (pessoas e máquinas); paredes do fundo de corredores sem saída, escadas, corrimãos, parapeitos, colunas,

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vigas, pilastras, cancelas, cavaletes para bloqueio de tráfego; equipamentos de movimentação de carga, como guindastes, empilhadeiras, caçambas, esteiras ou pontes rolantes, reboques, equipamentos suspensos. Indica também componentes dos equipamentos contra incêndio, como válvulas e registros.

• Verde: indica equipamentos ou instalações voltados à segurança – portas de salas de atendimento médico emergencial; caixa de produtos de primeiros socorros, de máscaras, de macas, de EPI, assim como quadros de avisos; delimitação de áreas de circulação que não apresentam risco em relação a tráfego de equipamentos mecânicos; áreas de vivência.

• Azul: equipamentos e instalações que requerem cuidado no uso – válvulas e registros, escadas, elevadores, caixas de controle de dispositivos elétricos; EPI específico. Serve também para indicar ações proibidas ou obrigatórias: não movimentar determinados equipamentos ou instalações, não ligar a energia elétrica, não utilizar o equipamento.

• Púrpura: indica produto, área, instalação ou equipamento radioativo – possui-dores de fontes de radiações eletromagnéticas penetrantes ou partículas nucleares.

• Branco: indica áreas de circulação restrita a pessoas, como passarelas e corredo-res; áreas em torno de equipamentos de emergência médica; abrigos; recipientes para coleta de resíduos da área médica; bebedouros de água.

• Preto: indica equipamentos ou instalações voltados à coleta de resíduos ou detri-tos a serem descartados, exceto os da área de saúde.

Fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 7195. Cores para segurança. Rio de Janeiro: ABNT, 1995.

A adoção, mesmo que rigorosa, da sinalização por cores não é a única ação que deve ser tomada para buscar incrementar a segurança no trabalho.

Como em outras situações, a atenção quanto à segurança tende a diminuir com o tempo, facilitando o surgimento de situações de risco cometidas, em geral, por imprudência ou distração. É um fenômeno denominado fadiga do estímulo, ou seja, um estímulo visual (a visão de um cartaz, por exemplo) ou auditivo (ouvir uma recomendação dada pelo supervisor, por exemplo), quando repetido diversas vezes, da mesma forma e com o mesmo conteúdo, tende a ir, pouco a pouco, perdendo o poder de estimular a pessoa até praticamente não mais causar o resultado que se propõe (transmitir uma mensagem, no caso do cartaz e/ou da recomendação). Isso significa que a atenção da própria pessoa em relação às situações que oferecem risco torna-se cada vez menor, até não mais ter efeito.

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94 Arco Ocupacional Ad m i n i s t r Aç ão al m o x a r i f e e es t o q u i s t a 2

Para que esse fenômeno não aconteça, as pessoas devem, com frequência, procurar analisar as situações de risco, recordá-las, estudá-las, mesmo que já as conheçam perfeitamente.

Por essa razão, já que as cores sinalizadoras também tendem a perder seu efeito, os cartazes e avisos contendo séries de recomendações devem ser utilizados de modo rota-tivo. Se possível, devem ser sempre inovados, mesmo que tratem de um mesmo assun-to, de modo que consigam chamar a atenção dos trabalhadores por mais tempo.

Por fim, sua localização deve ser estratégica, em pontos nos quais as pessoas permaneçam paradas por algum tempo (próximo a bebedouros, ao café ou outro local), e não devem ficar em áreas de mera passagem, como corredores. Nunca devem ser afixados próximos a avisos de ordem geral – relacionados a qualquer outro assunto da empresa – que não seja a segurança no trabalho. Assim, podem vir a ser objeto da atenção necessária por parte do trabalhador.

Um bom procedimento paralelo é realizar rápidas palestras com troca de opiniões e discussão de situações, todas as vezes que um novo cartaz ou informativo sobre a segurança for afixado.

Ergonomia

A ergonomia (ergo, trabalho e nomos, normas, regras) é um assunto que requer muita atenção por parte dos trabalhadores, por estar relacionado direta e profun-damente à saúde. Segundo a Associação Internacional de Ergonomia (IEA):

A Ergonomia (ou Fatores Humanos) é uma disciplina científica rela-

cionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e

outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios,

dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem-estar humano e

o desempenho global do sistema.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ERGONOMIA (ABERGO). O que é ergonomia. Disponível em: <http://www.abergo.org.br/internas.php?pg=o_que_e_

ergonomia>. Acesso em: 23 abr. 2015.

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Para o trabalho no almoxarifado, interessam especialmente as implicações de pos-turas e movimentos inadequados na realização de tarefas, com ou sem uso de es-forço físico, bem como as consequências que deles decorrem para o corpo humano.

Os estudos ergonômicos, por exemplo, indicam a altura correta de bancadas quan-do são operadas com as pessoas em pé, das bancadas e cadeiras quando se trabalha sentado, assim como a distância em que devem estar eventuais equipamentos a serem manipulados com braços e mãos.

Os estudos ergonômicos também indicam os limites dos esforços físicos – a força aplicada, as repetições e a duração – que são especialmente importantes quando se trata de erguer, abaixar ou caminhar carregando peso; as formas corretas de reali-zarem-se movimentos e as respectivas posturas, os ângulos e os apoios necessários para que todas as partes do corpo envolvidas nos movimentos sejam flexionadas de maneira adequada.

A ergonomia propõe soluções com base em estudos em que se efetua uma Análise Ergonômica do Trabalho (AET), tendo em vista as instalações e as operações que são realizadas no almoxarifado, por exemplo, com o objetivo de evitar fadiga e problemas consequentes de movimentos incorretos, como lombalgias, dorsalgias, dorsolombalgias, hérnias de disco etc., além de evitar acidentes.

Como resultado, são propostas soluções como a ginástica laboral compensatória a ser realizada como preparação para o trabalho; a introdução de pausas para recupe-ração; a eliminação de movimentos e posturas críticas; a orientação para as atitudes corretas; o revezamento das operações que cada trabalhador executa; mudanças na organização e no sistema ou modo de fazer o trabalho; e o redesenho das instalações e operações dentro de um projeto ergonômico mais favorável.

Deve-se ter em vista que a fadiga muscular é acelerada ou mesmo provocada antes do que seria o natural (situações de esforço físico extremo), por uma série de inade-quações na postura e movimentação corporal, sobretudo na movimentação de carga não leve, como também por conta da altura e do posicionamento dos instru-mentos da bancada.

Atividade 5O meu almOxarifadO: parte 7

1. O que você acha de incluir em seu leiaute uma pequena sala para atendimento médico emergencial?

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unida d e 12

Revendo seus conhecimentosCom esta Unidade, chegamos ao fim deste curso. Esse é um momento de balanço, de rever o que aprendeu nesse período em que se dedicou à formação básica na ocupação de almoxa-rife e estoquista. É importante que consiga identificar o que sabe sobre essa ocupação e que se sinta preparado para buscar uma vaga no mercado de trabalho.

Para isso, vamos retomar e complementar uma atividade que você realizou no início deste curso, quando elaborou um balanço do que já conhecia nessa área. Agora é o momento de atualizá-lo.

Atividade 1revisite seus COnheCimentOs

1. No Caderno 1, você refletiu sobre alguns conhecimentos na área, indicando o que sabia, ou não, fazer. Neste momento, pense novamente sobre esse assunto e liste o que aprendeu no curso. Essa será a base para você fazer o seu currículo e buscar inserção no mercado de trabalho, mas também para identificar lacunas e procurar novas formas de aprimoramen-to nessa ocupação. Se quiser, consulte diretamente a CBO para ver com detalhes os conhecimentos necessários à ocu-pação, antes de preencher o quadro a seguir.

O que já sabia fazer O que aprendi no curso O que ainda preciso aprender

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O que já sabia fazer O que aprendi no curso O que ainda preciso aprender

2. Analise a última coluna do quadro: Ainda há coisas que você considera necessário aprender? Sim? Isso é normal e não deve desanimá-lo, pois o conhecimento é um processo contínuo e, por mais que conheçamos algo, sempre há novas concepções que precisam ser incorporadas.

3. Procure, agora, elaborar um planejamento das pró-ximas ações para dar sequência à construção da sua formação e carreira, como:

• continuar a estudar;

• procurar um novo curso nessa área;

• ler revistas ou livros especializados;

• procurar na internet mais informações sobre temas relacionados à área.

Atividade 2planeje seus próximOs aprendizadOs

1. Para fazer o seu planejamento, utilize o quadro a seguir.

O que fazer? Por quê? Como? Quando?

O planejamento é um instrumento que deve ser revisto frequentemente

para não se tornar ultrapassado. Ações e prazos podem, e devem, ser

sempre atualizados.Uma dica: não preveja ações de difícil concretização, pois, neste momento de busca por um novo

emprego, a formação que acaba de realizar é um trunfo para se

candidatar às vagas nessa área.

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O que fazer? Por quê? Como? Quando?

Prepare-se para o mercado de trabalho

Além de aprimorar os seus aprendizados, é importante preparar-se para obter um lugar no mercado de trabalho. Para iniciar a procura, você deve organizar seus documentos e fazer o seu currículo.

Para montar o currículo, comece organizando documentos que comprovem sua escolaridade, diplomas e certificados de cursos, além dos documentos pessoais.

Coloque-os de forma organizada em uma pasta, pois ela servirá para a apresentação nos locais em que você for procurar emprego. Ela deve conter:

• comprovação de escolaridade formal – diplomas;

• certificados de cursos que você fez – incluindo este;

• comprovação de experiências de trabalho, que podem incluir registros informais, declarações, fotos etc.;

• cartas de recomendação.

No currículo, você vai elaborar um resumo de tudo o que já fez e tudo o que sabe fazer. Até pouco tempo atrás, os currículos eram longos e com informações bastan-te detalhadas. Atualmente, eles são mais objetivos. Vão direto ao ponto e, de pre-ferência, ressaltam os conhecimentos e as práticas relacionados à ocupação ou ao cargo que você pretende.

Os dados que sempre devem constar em um currículo para tornar sua apresentação mais adequada são:

a) dados pessoais – nome, endereço, telefone e email;

b) escolaridade – a indicação de seu grau de escolaridade;

c) objetivo – a vaga em que você está interessado;

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d) conhecimentos e práticas adequados ao trabalho pre-tendido;

e) experiência profissional – os trabalhos que já teve. Se você não teve emprego formal, escreva: “principais experiências”. Siga a ordem cronológica inversa: do trabalho ou atividade mais atual até o mais antigo.

Atividade 3COmO fazer um CurríCulO

1. Com base nas informações anteriores, elabore uma primeira versão de seu currículo, escrevendo as infor-mações principais.

2. Troque ideias com os colegas e com o monitor do curso, verificando se há alguma mudança a fazer.

3. Agora, no laboratório de informática, digite e for-mate o seu currículo no computador, deixando-o apresentável para que seja enviado para possíveis empregadores.

Você pode recordar como preparar arquivos no computador voltando ao

Caderno do Trabalhador 3 – Conteúdos Gerais – “ABC da

Informática”. Disponível em: <http://www.viarapida.sp.gov.br>. Acesso

em: 23 abr. 2015.

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Última etapa

A última etapa a enfrentar é a entrevista ou a seleção para o emprego que você pretende. Para muitos, essa etapa causa certa ansiedade; outros a encaram como mais um desafio ou obstáculo a transpor entre muitos já enfrentados na vida. É importante lembrar que, na entrevista, tanto o entrevistador quanto o candidato ficam, de início, mais contraídos, mas, à medida que ela vai transcorrendo, ambos vão se sentindo mais confortáveis.

Quando você for chamado para uma entrevista, procure manter a calma e esteja confiante. Se você foi chamado é porque seu currículo apresentou as qualificações que a empresa precisa. No entanto, outros candidatos também foram chamados e será escolhido aquele que preencher mais adequadamente as condições requeridas pela empresa e pelo posto de trabalho oferecido.

Veja a seguir algumas dicas que os especialistas dão aos candidatos:

• Prepare-se para a entrevista planejando tudo antecipadamente, reunindo os do-cumentos em uma pasta. Leve também uma cópia do currículo; o entrevistador nem sempre tem uma consigo e pode solicitar a sua.

• Verifique o endereço e calcule o tempo para chegar ao local com antecedência mínima de 15 minutos.

• Seja sincero e coerente com as informações que colocou no currículo, pois elas sempre podem ser checadas.

• Exponha com clareza o que sabe fazer na área e, caso seja perguntado, fale sobre suas atitudes e seu jeito de ser.

• Mostre-se confiante com relação ao que sabe. Evite mencionar o que, de fato, desconhece, mas seja honesto em dizer que desconhece algum procedimento se lhe for perguntado.

Chegamos ao fim do curso. Nele, você teve a chance de aprimorar seus conheci-mentos e praticar algumas técnicas específicas dessa ocupação.

Boa sorte!

Nem sempre os anúncios de vagas para essa ocupação no mercado de trabalho especificam o salário inicial; a maioria dos contratantes prefere combiná-lo na entrevista de emprego. Por isso, para saber a estimativa de salário inicial, o melhor é realizar uma pesquisa em portos, transportadoras, aeroportos de sua região ou fazer uma busca na internet.

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v i a r á p i d a e m p r e g o

Passo a passo no almoxarifado: a organização do espaço

Passo a passo no almoxarifado: a armazenagem

Equipamentos e instalações

Passo a passo no almoxarifado: expedição e distribuição

Linguagem não verbal: sua segurança no trabalho

Revendo seus conhecimentos

www.viarapida.sp.gov.br