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  • 12/6/2014 A Interpretao da Bblia

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    Detalhes Categoria: Bblia - Tradio - Magistrio

    Criado em Sexta, 03 Setembro 2010 19:31

    Escrito por D. Estvo Bettencourt, OSB Acessos: 3674

    A Interpretao da Bblia

    Avaliao do Usurio

    Pior Melhor Avaliao

    Estas, portanto, tm que ser,

    primeiramente, detectadas e

    reconhecidas para que se possa

    compreender genuinamente a pgina bblica. Este procedimento exegtico tem sido enfaticamente

    recomendado pela Igreja desde Pio XII (encclica Divino Afflante Spiritu, 1943) at o Conclio do Vaticano lI,

    que em sua Constituio Dei Verbum ditou as normas seguintes: "J que Deus falou na Sagrada Escritura

    atravs de homens e de modo humano, deve o intrprete da Sagrada Escritura, para bem entender o que

    Deus nos quis transmitir, investigar atentamente o que os hagigrafos de fato quiseram dar a entender e

    aprouve a Deus manifestar por suas palavras".

    Para descobrir a inteno dos hagigrafos, devem-se levar em conta, entre outras coisas, tambm os

    gneros literrios Pois a verdade apresentada e expressa de maneiras diferentes nos textos histricos,

    profticos ou poticos ou nos demais gneros de expresso. Ora preciso que o Intrprete pesquise o

    sentido que, em determinadas circunstncias, o hagigrafo, conforme a situao de seu tempo e de sua

    cultura, quis exprimir e exprimiu por meio dos gneros literrios ento em uso. Pois, para entender

    devidamente aquilo que o autor sagrado quis afirmar por escrito necessrio levarem conta sejam aquelas

    usuais maneiras nativas de sentir, de dizer e de narrar que eram vigentes nos tempos do hagigrafo, sejam

    as que em tal poca se costumavam empregar nas relaes dos homens entre si".

    Verdade que muitos dos exegetas cientficos desde o fim do sculo XVIII tm cedido ao racionalismo, a

    ponto de esvaziarem por completo o texto bblico. o que vem provocando a rplica do chamado

    "Fundamentalismo" que se apega letra do texto como ele soa em suas verses vernculas e se fecha aos

    estudos de lingstica, arqueologia, histria antiga... Ora o Fundamentalismo posio extremada, errnea,

    como o racionalismo, pois ignora o mistrio da condescendncia divina, que assume as modalidades da

    linguagem e da cultura dos homens antigos para falar humanidade. Assim se l num documento da

    Pontifcia Comisso Bblica intitulado "A Interpretao da Bblia na Igreja" e datado de 15/4/1993: "O

    problema de base da leitura fundamentalista que, recusando levar em considerao o carter histrico da

    revelao bblica, ela se toma incapaz de aceitar plenamente a verdade da prpria Encarnao. O

    Fundamentalismo foge da estreita relao do divino e do humano no relacionamento com Deus Ele se recusa

    a admitir que a Palavra de Deus inspirada foi expressa em linguagem humana e que ela foi redigida, sob a

    inspirao divina, por autores humanos cujas capacidades e recursos eram limitados. Por esta razo, ele

    tende a tratar o texto bblico como se ele tivesse sido ditado, palavra por palavra, pelo Esprito e no chega a

    reconhecer que apalavra de Deus foi formulada numa linguagem e numa fraseologia condicionadas por uma

    ou outra poca. Ele no d ateno s formas literrias e s maneiras humanas de pensar presentes nos

    textos bblicos, muitos dos quais so fruto de uma elaborao que se estendeu por longos perodos de

    tempo e leva a marca de situaes histricas muito diversas.

    O Fundamentalismo insiste tambm de maneira indevida sobre a inerrncia dos pormenores nos textos

    bblicos, especialmente em matria de histria ou de pretensas verdades cientficas. Muitas vezes ele toma

    histrico aquilo que no tinha a pretenso de historicidade, pois ele considera como histrico tudo aquilo que

    narrado ou contado com os verbos em tempo pretrito, sem a necessria ateno possibilidade de um

    sentido simblico ou figurativo". Por conseguinte, nem racionalismo nem fundamentalismo... Mas

    necessrio que o exegeta proceda sempre em duas etapas:

    - procure, mediante os recursos da lingstica, da arqueologia, da histria antiga... definir claramente o

    sentido do texto original ou aquilo que o autor humano queria dizer;

  • 12/6/2014 A Interpretao da Bblia

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    - a seguir, coloque esses resultados no conjunto das proposies da f. A Sagrada Escritura um longo

    discurso de Deus, homogneo, que tem suas linhas centrais e seus acordes, que devem projetar luz sobre

    cada seco desse discurso. o que So Paulo chamava "a analogia da f ou a proporo da f" (Rm 12,6).

    Esta f vivida e proclamada pela Igreja, cujo magistrio recebeu de Cristo a garantia da autenticidade (cf. Jo

    14, 26; 16,13-15).

    Assim o estudioso catlico chega ao entendimento exato do texto sagrado. No incute suas idias ao texto

    (o que seria fazer in-egese), mas deduz do texto a mensagem objetiva (faz ex-egese). Quem assim no

    procede, corre o risco do subjetivismo ou de interpretaes pessoais, semelhantes s que ocorrem no

    protestantismo.

    As Revelaes Particulares

    Nenhuma revelao particular endossada oficialmente pela Igreja. Esta no pode colocar no mesmo plano a

    revelao feita por Jesus Cristo e pelos autores bblicos e qualquer revelao ocorrida em carter particular

    aps a era dos Apstolos. A revelao oficial e pblica termina com a gerao dos Apstolos; cf. Lumen

    Gentium n- 25; Dei Verbum n 4. Em conseqncia torna-se difcil crer que Deus queira continuar e

    explicitar a revelao outrora feita pelas Escrituras servindo-se de revelaes no oficiais ou fazendo destas o

    complemento daquelas.

    As revelaes particulares, quando genunas, geralmente corroboram o Evangelho, incutindo duas notas

    importantes: orao e penitncia. Assim em La Salette, em Lourdes, em Ftima... Qualquer outra predio,

    principalmente se muito minuciosa, torna-se suspeita. no raro a satisfao que os "videntes" do sua

    prpria curiosidade de saber o decurso do futuro; imaginam-no como se fosse revelado por Deus.

    Independentemente dessas mincias, ficar sempre vlida a exortao converso e orao, to

    recomendada pelo Evangelho e corroborada pelos sinais dos tempos atuais; estes pedem que os cristos

    muito especialmente sejam o sal da terra, a luz do mundo (cf. Mt 5,13s), o fermento na massa (cf. Mt 13,33).

    A considerao dos nossos tempos, portanto, deve levar ao afervoramento da vida dos cristos, abstrao

    feita de predies sinistras.

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