9ª Edição - O Espectro

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Jornal acadmico online do Ncleo de Cincia Poltica

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<ul><li><p>O ESPECTRO Ncleo de Cincia Poltica - ISCSP UL 9 EDIO - 14 de Abril de 2014 </p><p>Marchas pela Dignidade 22M Globo, pg. 6 </p><p>CONGRESSO DA JUVENTUDE COMUNISTA PORTUGUS </p><p>O primeiro fim de semana de Abril deste ano foi pretexto para dar som ao descontentamento enquanto cidada os conscientes num Congresso de energia e cujo sentimento de unia o </p><p>permanecia entre as centenas de cadeiras presentes no audito rio principal da Faculdade de Medicina Denta ria da Universidade de Lisboa. A necessidade de dar resposta </p><p>aos va rios problemas que inundam a vida dos milhares de portugueses consagra-se a maior preocupaa o numa sala composta por tre s grandes paine is vermelhos </p><p>REPORTAGEM, 7 </p><p>PORTUGAL </p><p>O flagelo do </p><p>desemprego </p><p>Economia, 4 </p><p>COREIA DO </p><p>NORTE </p><p>Glande Lder </p><p>Globo, 5 </p><p>CRI TICA </p><p>LITERA RIA </p><p>O outro Cabo </p><p>Ex-Libris, 3 </p><p>POLI TICA </p><p>Poltica no </p><p>Feminino </p><p>Globo, 6 </p><p>Releia as ltimas edies do jornal </p><p>http://issuu.com/oespectro </p></li><li><p>02 | 14 Abril 2014 </p><p>O ESPECTRO </p><p>EDITORIAL </p><p>Chegamos a Abril. Neste me s, va rios sa o os acontecimentos que nos ve m de imediato a memo ria. Acontecimentos que tiveram releva ncia o suficiente para mudarem o decurso da nossa histo ria, a n vel nacional. Mas as mudanas na o se fizeram so em Portugal. Todo o mundo viveu igualmente com as conseque ncias das mesmas. Entre murais pintados nas ruas, entre mensagens alusivas a este ta o importante me s, entre tantas edio es especiais (uma das quais sera espectriana para celebrar o 25 de Abril), a indiferena do Espectro na o se manifesta. A partilha de opinio es sobre os mais variados temas acolhe uma importa ncia significativa para todos no s, enquanto cidada os. Neste sentido, apresentamos temas cujo debate pode ser extenso e cuja dicotomia de posio es tem a possibilidade de ser fomentada. Chegamos a Abril. E o Espectro chega a sua nona edia o. As marchas pela dignidade, o flagelo do desemprego, a pol tica no feminino, entre outros temas, fazem parte de um vasto debate que no s propiciamos a todos os interessados nestas mate rias. Esse e o nosso ideal. Esse e o esp rito que queremos entre todos os nossos leitores. De no s para vo s, uma boa leitura. </p><p>Adriana Correia </p><p>FICHA TCNICA </p><p>Coordenao Adriana Correia Vice-Coordenao Joana Lemos Coordenador de Entrevistas e Reportagens Adriana Correia Reviso Adriana Correia e Cristina Santos Editor Isa Rafael Plataformas de Comunicao Andre Cabral, Jose Salvador, Joa o Martins e David Martins Cartaz Cultural Isa Rafael Redao Adriana Correia Joana Lemos Joa o Miguel Silva Joa o Pedro Louro Joa o Pedro Rodrigues Joa o Silva Rui Campos Rui Coelho Rui Sousa Tiago Sousa Santos </p><p>CONTACTOS Facebook: facebook.com/OEspectro Correio electrnico: jornaloespectro@gmail.com Twitter: twitter.com/O_Espectro </p></li><li><p> 14 Abril 2014 | 03 </p><p>O ESPECTRO </p><p>POLI TICA INTERNA </p><p>O P I N I O d e T I AG O S O U S A S A N TO S </p><p>A m a i o r i a d o s s e m - c o n s e n s o </p><p>Lu s Amado, ex-Ministro de Es-tado e dos Nego cios Es-trangeiros no XVIII Governo Constitucional liderado por Jose So crates, declarou no passado dia 12 de Abril em entrevista a Antena 1 que apo s as eleio es do pro ximo ano "(...) tem que haver um Governo de maioria". E , sem du vida, fundamental que o pro ximo executivo se apresente enquanto uma gar-antia de estabilidade pol tica e, consequentemente, financeira. Se assim o e , ou deveria ser, em todos os actos eleitorais, torna-se quase obrigato rio nas pro xi-mas eleio es legislativas, na me-dida em que sera o as primeiras apo s o fim do programa de as-siste ncia e Portugal estara ainda no in cio de uma nova fase, sob o olhar atento das instituio es europeias e dos investidores es-trangeiros. Durante esse per odo, qualquer crise pol tica sera fatal para os des gnios da naa o. Quanto ao conteu do, na o poderia estar mais de acordo com as exige ncias apontadas pelo socialista. Ainda assim, o facto de ser um militante do Partido Socialista a dize -lo parece-me desconcertante, ten-do em conta a actual situaa o pol tica. Enquanto fora pol tica de oposia o ao actual Governo de maioria, o partido que melhor colocado esta nas in-teno es de voto para levar de vencidas as pro ximas eleio es, parcas vezes se mostrou dis-pon vel para um entendimento tripartido entre PSD, CDS e PS. Nem mesmo quando o mais alto representante da Repu blica Portuguesa, An bal Cavaco Silva, endereou um convite a s tre s foras pol ticas para chegarem a um entendimento numa aproxi-maa o a um Governo de Salvaa o Nacional, o partido de Anto nio Jose Seguro se mostrou </p><p>dispon vel para trabalhar em conjunto com a actual maioria governativa. Para ale m da con-stante recusa, no que a um en-tendimento com os partidos da "direita" diz respeito, por parte da maior fora da oposia o, ao longo dos u ltimos anos, o Partido Socialista tem-se mostrado tambe m intransi-gente, a uma viragem a es-querda e a uma "coligaa o" com as foras menos represen-tadas em Assembleia da Repu blica. As diferenas ideo-lo gicas parecem na o o permit-ir. Assim, os dois entendimen-tos alternativos que se podem retirar das declarao es de Lu s Amado, tornam-se a partida uma prova da falta de orien-taa o pol tica no seio do seu partido. Dito isto, importa ressalvar os motivos que con-duzem a anterior afirmaa o. Por um lado, as afirmao es po-dem ser entendidas enquanto um apelo do militante ao seu l der para que, caso vena o pro ximo acto eleitoral legisla-tivo se coligue com um dos partidos actualmente detento-res do poder. Desta feita a hipocrisia seria gritante! No decurso dos tre s anos do Gov-erno liderado por Pedro Pas-sos Coelho, so em sede de dis-cussa o para o decre scimo do Imposto sobre os Rendimen-tos de Pessoas Colectivas, se viu uma verdadeira aproxima-a o e negociaa o entre as for-as ja referidas. O que levaria o PSD a colaborar com uma for-a partida ria que raramente colaborou consigo? No espec-tro oposto, podem as premis-sas defendidas na ja referida entrevista "apelar" a uma co-ligaa o com o Bloco de Esquer-da e/ou Partido Comunista Portugue s. Segundo a mais re-cente sondagem das inteno es </p><p>de voto levada a efeito pelo jornal Expresso, so uma colig-aa o tri-partida ria com as du-as foras suprarreferidas per-mitiria uma maioria absoluta a um poss vel Governo liderado por Seguro (tendo em conta a dificuldade da existe ncia de um Governo de Bloco-Central). Como seriam ultrapassadas as diverge ncias em relaa o a Eu-ropa e a todas as implicao es que da derivam, de forma a permitir um entendimento en-tres estas foras pol ticas? As pro ximas eleio es represen-tam o in cio de uma nova fase pol tica para o nosso pa s e o Partido Socialista apresenta-se, ate a data, enquanto princi-pal candidato a vito ria. Uma poss vel concretizaa o deste cena rio deixaria Anto nio Jose Seguro numa posia o negocial de grande exige ncia, que po-deria ser fatal para as as-pirao es socialistas. E certo que para ter sucesso e permit-ir a continuidade da retoma da economia e das finanas por-tuguesas, o pro ximo Governo tera de ser suportado por uma maioria absoluta no o rga o leg-islativo. Quem quer que saia vencedor no pro ximo acto elitoral tera a dif cil missa o de formar um Governo ma-iorita rio e a , o verdadeiro poder de negociaa o marcara a diferena. Mas ate la , as in-teno es de voto podem alterar-se completamente. Todas as possibilidades esta o em aber-to, mesmo com a hipocrisia demonstrada pelo Partido So-cialista no que a consensos diz respeito. </p><p>Havera solua o caso Anto nio Jose Seguro seja nomeado Primeiro-Ministro, ou estara a vantagem do lado de Pedro Passos Coelho? </p><p>CRTICA LITERRIA, </p><p>por Rui Coelho </p><p>O Outro Cabo </p><p>Derrida </p><p>Com o aproximar do desafio eleitoral numa Unia o Europeia que, entre a dogma tica austerita ria e o ressurgir da extrema-direita, vai perdendo, cada vez mais, de vista a sua pro pria raza o de ser, parece-me especialmente relevante trazer a vossa consideraa o O Outro Cabo, de filo sofo france s Jacques Derrida. Escrito por ocasia o da assinatura do Tratado de Maastricht, que baptizaria a nova Europa, esta obra reflecte, bem ao estilo obscurantista terrorista do seu autor, sobre o que significa ser europeu. Desde tempos medievais que a percepa o que o velho continente tem de si passa pela sensaa o de ser o outro cabo, um ape ndice ocidental da imponente A sia. Se o cabo se afirma como a cabea e a capital, a Europa torna-se bero de feno menos como o pensamento iluminista, o modelo econo mico capitalista e o colonialismo extracontinental. No entanto, a verdadeira identidade do continente reside, para Derrida, na sua alteridade: mais que ser cabo, trata-se de ser outro. Assim, a verdade profunda do europeu seria a abertura multicultural, ensaiada ja nas descobertas. A actualidade deste livro prende-se com o presente contexto em que a Unia o Europeia perde o norte e vai sendo alvo de crescente contestaa o. Fica o apelo do autor a que esta possa redescobrir o seu rosto anti-dogma tico, democra tico e pluralista. </p><p>COLUNA EX LIBRIS </p><p> Ncleo de Cincia Poltica ISCSP UL Ncleo de Cincia Poltica ISCSP UL Ncleo de Cincia Poltica ISCSP UL </p><p>http://www.ncp-iscsp.com/ </p></li><li><p>ECONOMIA </p><p>04 | 14 Abril 2014 </p><p>O ESPECTRO </p><p>O P I N I O d e J O O P E D R O L O U R O </p><p>A r e s p o n s a b i l i d a d e d f r u t o s </p><p>Recentemente, Portugal foi brindado com a not cia de que o de fice oramental em 2013 se </p><p>fixou nos 4,9% do PIB, segundo o Instituto Nacional de Estat stica (INE). Sa o dados como estes que demonstram, inequivocamente, a </p><p>responsabilidade, a credibilidade e o rigor do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido. A menos de dois meses do fim do Programa de Assiste ncia Econo mica e Financeira (PAEF) fundamntal continuarmos a cumprir os compromissos que assumimos em 2011 quando tivemos necessidade de pedir ajuda financeira a Troika. E nesta perspectiva que ningue m pode deixar de ficar satisfeito pela diminuia o do de fice que se tem vindo a verificar de ano para ano. Em 2012, o de fice oramental situava-se nos 6,4% tendo diminu do para 4,9%, em 2013. Est u ltimo nu mro bastante satisfato rio uma vez que ficou abaixo da meta estipulada e acordada com a Troika que era de 5,5%. Considero importante ainda </p><p>reforar a importa ncia de Portugal conseguir ter um de fice oramental muito reduzido para que a necessidade de financiamento (d pdirmos mais dinhiro emprestado) seja cada vez menor. No entanto, e claro que esta redua o do de fice deve-se sobretudo ao aumento de impostos, das contribuio es sociais e dos cortes da despesa. E tambe m por esta raza o que esta not cia na o e so positiva para o Governo mas deve ser tambe m motivo de orgulho para todos os portugueses na medida em que foram e sa o os sacrif cios de todos portugueses que esta o a dar frutos. Todavia, e verdade que estes sinais positivos da economia na o se reflectem no bolso dos portugueses. Mas tambe m na o e menos verdade que te m </p><p>sido criados os alicerces para o crescimento econo mico e so esse crescimento e que possibilitara um al vio da carga fiscal e consequente aumento do poder de compra das fam lias. Prova disto e o debate que ja tem vindo a ser realizado no seio pol tico sobre o aumento do sala rio m nimo e a redua o do IRS. O caminho tem vindo a ser traado com seriedade e, possivelmente, estaremos na curva mais importante da viagem das nossas vidas. Se queremos chegar ao destino do crescimento econo mico sustenta vel, esta curva nunca poderia ser feita com investimentos em auto-estradas sem carros ou com Parcerias Pu blico-Privadas suicidas pelo que isso causaria um novo despiste, tal como o que aconteceu em Maio de 2011. </p><p>O P I N I O d e J O O P E D R O R O D R I G U E S </p><p>O f l a g e l o d o d e s e m p r e g o </p><p>O desemprego e o trabalho preca rio sa o o rosto da crise econo mica e financeira vivida em Portugal desde 2008 e mais acentuadamente desde 2010. A condua o pol tica nacional e europeia conduziram a destruia o macia de empregos e registou-se em Portugal um recorde da taxa de desemprego de 17,8%, em Maio de 2013. Sensivelmente um ano depois, empolgam-se as almas com a grande vito ria do governo no combate a crise e com a ta o esperada retoma econo mica. Longe de mim desvalorizar os positivos ind cios estat sticos, mas recuso-me ver neles o retrato de um grande sucesso e muito menos a legitimaa o da pol tica de austeridade. A queda da taxa de desemprego em simultaneo com um aumento da taxa de emprego </p><p>que se registou nos u ltimos 2 trimestres, e sem du vida um fator positivo, mas por detra s desta melhoria existe um </p><p>custo exorbitante para a sociedade portuguesa, convenientemente esquecido. A fatura do desemprego vai </p><p>muito ale m dos subs dios e transfere ncias sociais registadas nos livros contabil sticos e sera , sem </p><p>du vida, o maior fardo resultante da crise. Uma vez que na o se atribui valor a vida, na o entram nas contas do </p><p>de fice o custo de cada jovem licenciado que emigrou, na o so em termos do custo absoluto da sua formaa o mas tambe m da perda da sua potencial carreira contributiva. Tambe m na o se considera a perda individual resultante da impossibilidade de continuar a estudar e das externalidades positivas da resultantes, ainda que o governo teime em afirmar que esta realidade na o existe. Mais gravoso ainda, sa o as dificuldades que esta dina mica introduz para a concretizaa o do nosso modelo social, ja martirizado pela evolua o demogra fica adversa. Outra realidade preocupante na dina mica do desemprego e que este se esta a tornar estrutural, isto e , ha desempregados que na o voltara o a arranjar emprego independentemente </p><p>DR </p><p>DR </p></li><li><p> da melhoria das condio es econo micas (em 2012 a previsa o estat stica ja apontava para os 11,5%). Estes trabalhadores sa o maioritariamente provenientes do setor da construa o civil, restauraa o e come rcio e te m em comum o baixo n vel de qualificao es e idade avanada (entenda-se, mais de 40 anos). Para estes, o governo na o tem solua o e a economia, agora mais direccionada para setores intensivos em ma o-de-obra qualificada, parece tambe m na o ter. Os med ocres programas de qualificaa o do IEFP, para pouco mais te m servido do que </p><p>ajudar na redua o fict cia da taxa de desemprego e falham no seu objetivo primordial: dotar os desempregados de novas ferramentas adequadas a s necessidades do mercado de trabalho. Mas o futuro na o faz parte, tradicionalmente, da agenda dos governos da terceira repu blica. Tal como em 1990 se ignorou a falta de competitividade da economia portuguesa, a falta de eficie ncia, transpare ncia e rigor no setor pu blico e a evolua o demogra fica adversa para o estado social, tambe m agora o governo na o se importa com as conseque ncias </p><p>ECONOMIA </p><p> 14 Abril 2014 | 05 </p><p>O ESPECTRO </p><p>futuras do desemprego e pouco mais se preocupa com as actuais: a impossibilidade de constituir fam lia; a perda de dignidade; a desestruturaa o de fam lias; o aumento da exploraa o...</p></li></ul>