9ª Edição - O Espectro

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Jornal acadmico online do Ncleo de Cincia Poltica

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O ESPECTRO Ncleo de Cincia Poltica - ISCSP UL 9 EDIO - 14 de Abril de 2014 Marchas pela Dignidade 22M Globo, pg. 6 CONGRESSO DA JUVENTUDE COMUNISTA PORTUGUS O primeiro fim de semana de Abril deste ano foi pretexto para dar som ao descontentamento enquanto cidada os conscientes num Congresso de energia e cujo sentimento de unia o permanecia entre as centenas de cadeiras presentes no audito rio principal da Faculdade de Medicina Denta ria da Universidade de Lisboa. A necessidade de dar resposta aos va rios problemas que inundam a vida dos milhares de portugueses consagra-se a maior preocupaa o numa sala composta por tre s grandes paine is vermelhos REPORTAGEM, 7 PORTUGAL O flagelo do desemprego Economia, 4 COREIA DO NORTE Glande Lder Globo, 5 CRI TICA LITERA RIA O outro Cabo Ex-Libris, 3 POLI TICA Poltica no Feminino Globo, 6 Releia as ltimas edies do jornal http://issuu.com/oespectro 02 | 14 Abril 2014 O ESPECTRO EDITORIAL Chegamos a Abril. Neste me s, va rios sa o os acontecimentos que nos ve m de imediato a memo ria. Acontecimentos que tiveram releva ncia o suficiente para mudarem o decurso da nossa histo ria, a n vel nacional. Mas as mudanas na o se fizeram so em Portugal. Todo o mundo viveu igualmente com as conseque ncias das mesmas. Entre murais pintados nas ruas, entre mensagens alusivas a este ta o importante me s, entre tantas edio es especiais (uma das quais sera espectriana para celebrar o 25 de Abril), a indiferena do Espectro na o se manifesta. A partilha de opinio es sobre os mais variados temas acolhe uma importa ncia significativa para todos no s, enquanto cidada os. Neste sentido, apresentamos temas cujo debate pode ser extenso e cuja dicotomia de posio es tem a possibilidade de ser fomentada. Chegamos a Abril. E o Espectro chega a sua nona edia o. As marchas pela dignidade, o flagelo do desemprego, a pol tica no feminino, entre outros temas, fazem parte de um vasto debate que no s propiciamos a todos os interessados nestas mate rias. Esse e o nosso ideal. Esse e o esp rito que queremos entre todos os nossos leitores. De no s para vo s, uma boa leitura. Adriana Correia FICHA TCNICA Coordenao Adriana Correia Vice-Coordenao Joana Lemos Coordenador de Entrevistas e Reportagens Adriana Correia Reviso Adriana Correia e Cristina Santos Editor Isa Rafael Plataformas de Comunicao Andre Cabral, Jose Salvador, Joa o Martins e David Martins Cartaz Cultural Isa Rafael Redao Adriana Correia Joana Lemos Joa o Miguel Silva Joa o Pedro Louro Joa o Pedro Rodrigues Joa o Silva Rui Campos Rui Coelho Rui Sousa Tiago Sousa Santos CONTACTOS Facebook: facebook.com/OEspectro Correio electrnico: jornaloespectro@gmail.com Twitter: twitter.com/O_Espectro 14 Abril 2014 | 03 O ESPECTRO POLI TICA INTERNA O P I N I O d e T I AG O S O U S A S A N TO S A m a i o r i a d o s s e m - c o n s e n s o Lu s Amado, ex-Ministro de Es-tado e dos Nego cios Es-trangeiros no XVIII Governo Constitucional liderado por Jose So crates, declarou no passado dia 12 de Abril em entrevista a Antena 1 que apo s as eleio es do pro ximo ano "(...) tem que haver um Governo de maioria". E , sem du vida, fundamental que o pro ximo executivo se apresente enquanto uma gar-antia de estabilidade pol tica e, consequentemente, financeira. Se assim o e , ou deveria ser, em todos os actos eleitorais, torna-se quase obrigato rio nas pro xi-mas eleio es legislativas, na me-dida em que sera o as primeiras apo s o fim do programa de as-siste ncia e Portugal estara ainda no in cio de uma nova fase, sob o olhar atento das instituio es europeias e dos investidores es-trangeiros. Durante esse per odo, qualquer crise pol tica sera fatal para os des gnios da naa o. Quanto ao conteu do, na o poderia estar mais de acordo com as exige ncias apontadas pelo socialista. Ainda assim, o facto de ser um militante do Partido Socialista a dize -lo parece-me desconcertante, ten-do em conta a actual situaa o pol tica. Enquanto fora pol tica de oposia o ao actual Governo de maioria, o partido que melhor colocado esta nas in-teno es de voto para levar de vencidas as pro ximas eleio es, parcas vezes se mostrou dis-pon vel para um entendimento tripartido entre PSD, CDS e PS. Nem mesmo quando o mais alto representante da Repu blica Portuguesa, An bal Cavaco Silva, endereou um convite a s tre s foras pol ticas para chegarem a um entendimento numa aproxi-maa o a um Governo de Salvaa o Nacional, o partido de Anto nio Jose Seguro se mostrou dispon vel para trabalhar em conjunto com a actual maioria governativa. Para ale m da con-stante recusa, no que a um en-tendimento com os partidos da "direita" diz respeito, por parte da maior fora da oposia o, ao longo dos u ltimos anos, o Partido Socialista tem-se mostrado tambe m intransi-gente, a uma viragem a es-querda e a uma "coligaa o" com as foras menos represen-tadas em Assembleia da Repu blica. As diferenas ideo-lo gicas parecem na o o permit-ir. Assim, os dois entendimen-tos alternativos que se podem retirar das declarao es de Lu s Amado, tornam-se a partida uma prova da falta de orien-taa o pol tica no seio do seu partido. Dito isto, importa ressalvar os motivos que con-duzem a anterior afirmaa o. Por um lado, as afirmao es po-dem ser entendidas enquanto um apelo do militante ao seu l der para que, caso vena o pro ximo acto eleitoral legisla-tivo se coligue com um dos partidos actualmente detento-res do poder. Desta feita a hipocrisia seria gritante! No decurso dos tre s anos do Gov-erno liderado por Pedro Pas-sos Coelho, so em sede de dis-cussa o para o decre scimo do Imposto sobre os Rendimen-tos de Pessoas Colectivas, se viu uma verdadeira aproxima-a o e negociaa o entre as for-as ja referidas. O que levaria o PSD a colaborar com uma for-a partida ria que raramente colaborou consigo? No espec-tro oposto, podem as premis-sas defendidas na ja referida entrevista "apelar" a uma co-ligaa o com o Bloco de Esquer-da e/ou Partido Comunista Portugue s. Segundo a mais re-cente sondagem das inteno es de voto levada a efeito pelo jornal Expresso, so uma colig-aa o tri-partida ria com as du-as foras suprarreferidas per-mitiria uma maioria absoluta a um poss vel Governo liderado por Seguro (tendo em conta a dificuldade da existe ncia de um Governo de Bloco-Central). Como seriam ultrapassadas as diverge ncias em relaa o a Eu-ropa e a todas as implicao es que da derivam, de forma a permitir um entendimento en-tres estas foras pol ticas? As pro ximas eleio es represen-tam o in cio de uma nova fase pol tica para o nosso pa s e o Partido Socialista apresenta-se, ate a data, enquanto princi-pal candidato a vito ria. Uma poss vel concretizaa o deste cena rio deixaria Anto nio Jose Seguro numa posia o negocial de grande exige ncia, que po-deria ser fatal para as as-pirao es socialistas. E certo que para ter sucesso e permit-ir a continuidade da retoma da economia e das finanas por-tuguesas, o pro ximo Governo tera de ser suportado por uma maioria absoluta no o rga o leg-islativo. Quem quer que saia vencedor no pro ximo acto elitoral tera a dif cil missa o de formar um Governo ma-iorita rio e a , o verdadeiro poder de negociaa o marcara a diferena. Mas ate la , as in-teno es de voto podem alterar-se completamente. Todas as possibilidades esta o em aber-to, mesmo com a hipocrisia demonstrada pelo Partido So-cialista no que a consensos diz respeito. Havera solua o caso Anto nio Jose Seguro seja nomeado Primeiro-Ministro, ou estara a vantagem do lado de Pedro Passos Coelho? CRTICA LITERRIA, por Rui Coelho O Outro Cabo Derrida Com o aproximar do desafio eleitoral numa Unia o Europeia que, entre a dogma tica austerita ria e o ressurgir da extrema-direita, vai perdendo, cada vez mais, de vista a sua pro pria raza o de ser, parece-me especialmente relevante trazer a vossa consideraa o O Outro Cabo, de filo sofo france s Jacques Derrida. Escrito por ocasia o da assinatura do Tratado de Maastricht, que baptizaria a nova Europa, esta obra reflecte, bem ao estilo obscurantista terrorista do seu autor, sobre o que significa ser europeu. Desde tempos medievais que a percepa o que o velho continente tem de si passa pela sensaa o de ser o outro cabo, um ape ndice ocidental da imponente A sia. Se o cabo se afirma como a cabea e a capital, a Europa torna-se bero de feno menos como o pensamento iluminista, o modelo econo mico capitalista e o colonialismo extracontinental. No entanto, a verdadeira identidade do continente reside, para Derrida, na sua alteridade: mais que ser cabo, trata-se de ser outro. Assim, a verdade profunda do europeu seria a abertura multicultural, ensaiada ja nas descobertas. A actualidade deste livro prende-se com o presente contexto em que a Unia o Europeia perde o norte e vai sendo alvo de crescente contestaa o. Fica o apelo do autor a que esta possa redescobrir o seu rosto anti-dogma tico, democra tico e pluralista. COLUNA EX LIBRIS Ncleo de Cincia Poltica ISCSP UL Ncleo de Cincia Poltica ISCSP UL Ncleo de Cincia Poltica ISCSP UL http://www.ncp-iscsp.com/ ECONOMIA 04 | 14 Abril 2014 O ESPECTRO O P I N I O d e J O O P E D R O L O U R O A r e s p o n s a b i l i d a d e d f r u t o s Recentemente, Portugal foi brindado com a not cia de que o de fice oramental em 2013 se fixou nos 4,9% do PIB, segundo o Instituto Nacional de Estat stica (INE). Sa o dados como estes que demonstram, inequivocamente, a responsabilidade, a credibilidade e o rigor do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido. A menos de dois meses do fim do Programa de Assiste ncia Econo mica e Financeira (PAEF) fundamntal continuarmos a cumprir os compromissos que assumimos em 2011 quando tivemos necessidade de pedir ajuda financeira a Troika. E nesta perspectiva que ningue m pode deixar de ficar satisfeito pela diminuia o do de fice que se tem vindo a verificar de ano para ano. Em 2012, o de fice oramental situava-se nos 6,4% tendo diminu do para 4,9%, em 2013. Est u ltimo nu mro bastante satisfato rio uma vez que ficou abaixo da meta estipulada e acordada com a Troika que era de 5,5%. Considero importante ainda reforar a importa ncia de Portugal conseguir ter um de fice oramental muito reduzido para que a necessidade de financiamento (d pdirmos mais dinhiro emprestado) seja cada vez menor. No entanto, e claro que esta redua o do de fice deve-se sobretudo ao aumento de impostos, das contribuio es sociais e dos cortes da despesa. E tambe m por esta raza o que esta not cia na o e so positiva para o Governo mas deve ser tambe m motivo de orgulho para todos os portugueses na medida em que foram e sa o os sacrif cios de todos portugueses que esta o a dar frutos. Todavia, e verdade que estes sinais positivos da economia na o se reflectem no bolso dos portugueses. Mas tambe m na o e menos verdade que te m sido criados os alicerces para o crescimento econo mico e so esse crescimento e que possibilitara um al vio da carga fiscal e consequente aumento do poder de compra das fam lias. Prova disto e o debate que ja tem vindo a ser realizado no seio pol tico sobre o aumento do sala rio m nimo e a redua o do IRS. O caminho tem vindo a ser traado com seriedade e, possivelmente, estaremos na curva mais importante da viagem das nossas vidas. Se queremos chegar ao destino do crescimento econo mico sustenta vel, esta curva nunca poderia ser feita com investimentos em auto-estradas sem carros ou com Parcerias Pu blico-Privadas suicidas pelo que isso causaria um novo despiste, tal como o que aconteceu em Maio de 2011. O P I N I O d e J O O P E D R O R O D R I G U E S O f l a g e l o d o d e s e m p r e g o O desemprego e o trabalho preca rio sa o o rosto da crise econo mica e financeira vivida em Portugal desde 2008 e mais acentuadamente desde 2010. A condua o pol tica nacional e europeia conduziram a destruia o macia de empregos e registou-se em Portugal um recorde da taxa de desemprego de 17,8%, em Maio de 2013. Sensivelmente um ano depois, empolgam-se as almas com a grande vito ria do governo no combate a crise e com a ta o esperada retoma econo mica. Longe de mim desvalorizar os positivos ind cios estat sticos, mas recuso-me ver neles o retrato de um grande sucesso e muito menos a legitimaa o da pol tica de austeridade. A queda da taxa de desemprego em simultaneo com um aumento da taxa de emprego que se registou nos u ltimos 2 trimestres, e sem du vida um fator positivo, mas por detra s desta melhoria existe um custo exorbitante para a sociedade portuguesa, convenientemente esquecido. A fatura do desemprego vai muito ale m dos subs dios e transfere ncias sociais registadas nos livros contabil sticos e sera , sem du vida, o maior fardo resultante da crise. Uma vez que na o se atribui valor a vida, na o entram nas contas do de fice o custo de cada jovem licenciado que emigrou, na o so em termos do custo absoluto da sua formaa o mas tambe m da perda da sua potencial carreira contributiva. Tambe m na o se considera a perda individual resultante da impossibilidade de continuar a estudar e das externalidades positivas da resultantes, ainda que o governo teime em afirmar que esta realidade na o existe. Mais gravoso ainda, sa o as dificuldades que esta dina mica introduz para a concretizaa o do nosso modelo social, ja martirizado pela evolua o demogra fica adversa. Outra realidade preocupante na dina mica do desemprego e que este se esta a tornar estrutural, isto e , ha desempregados que na o voltara o a arranjar emprego independentemente DR DR da melhoria das condio es econo micas (em 2012 a previsa o estat stica ja apontava para os 11,5%). Estes trabalhadores sa o maioritariamente provenientes do setor da construa o civil, restauraa o e come rcio e te m em comum o baixo n vel de qualificao es e idade avanada (entenda-se, mais de 40 anos). Para estes, o governo na o tem solua o e a economia, agora mais direccionada para setores intensivos em ma o-de-obra qualificada, parece tambe m na o ter. Os med ocres programas de qualificaa o do IEFP, para pouco mais te m servido do que ajudar na redua o fict cia da taxa de desemprego e falham no seu objetivo primordial: dotar os desempregados de novas ferramentas adequadas a s necessidades do mercado de trabalho. Mas o futuro na o faz parte, tradicionalmente, da agenda dos governos da terceira repu blica. Tal como em 1990 se ignorou a falta de competitividade da economia portuguesa, a falta de eficie ncia, transpare ncia e rigor no setor pu blico e a evolua o demogra fica adversa para o estado social, tambe m agora o governo na o se importa com as conseque ncias ECONOMIA 14 Abril 2014 | 05 O ESPECTRO futuras do desemprego e pouco mais se preocupa com as actuais: a impossibilidade de constituir fam lia; a perda de dignidade; a desestruturaa o de fam lias; o aumento da exploraa o e da precariedade; a falta de perspectivas de vida; o n vel de vida reduzido a subsiste ncia para milhares de fam lias; o aumento da pobreza e da exclusa o social; a perda futura de crescimento, competitividade e sustentabilidade da sociedade portuguesa; o aumento exponencial das desigualdades sociais e o consequente desaparecimento da uto pica igualdade de oportunidades do imagina rio dos portugueses, sa o apenas assombrao es fantasmago ricas desinteressantes e alimentadas por opositores toldados, que visam ensombrar o esplendor governativo da coligaa o. Afinal de contas, os livros de contabilidade e as estat sticas do INE na o espelham esta realidade. A boa moda portuguesa, as conseque ncias do presente que as enfrentem os outros. E tempo de festejar, o que interessa e o crescimento de 1,5% para 2015. Viva a s eleio es! O P I N I O d e R U I S O U SA G l a n d e L d e r Kim Jon Un acorda. Apressa-se o funciona rio. Geraldes vive na casa do grande l der faz cinco anos. Cabeleira farta e sorriso na cara, o presta vel homem patina em cada erre. "Glande l der, glande l der!", exclama ele assegurando qualquer necessidade terminada em lo gica. Kim recorda o seu sonho. Contra todas as expectativas, a la mpada entra em curto-circuito levando ao sussurro sorrateiro "Its possible, its possible." Levanta-se da cama, e obriga o espelho do quarto a caminhar em direca o a sua pessoa. "E s lindo, nino". Nessa tarde, Grande L der comunica ao pa s a sua influe ncia na naa o. A partir de hoje, todos os habitantes masculinos da mui nobre terra abenoada devem apresentar o corte de cabelo do seu l der. Duas semanas depois, a noticia e transportada para o mundo real. Os dom nios da ideia sa o transversais. Sena o vejamos: numa altura de desconfiana em relaa o aos valores e princ pios da humanidade, "Glande L der" da uma chapada de luva branca a todos os cidada os que po em em causa valores ta o simples como o da igualdade. Todos os indiv duos devem ser iguais. A n vel de tecido capilar ja leva uma volta de avano. No plano econo mico, Kim elabora o seu pro prio banco de fomento. Modelo standard, produa o em massas. Torna a classe dos barbeiros numa das mais importantes da naa o. Estou em crer que equipara os profissionais com a mais alta tecnologia ao que o cabelo diz respeito. Se isto na o e a revolua o industrial, na o sei o que e . No plano financeiro e tributa rio, Jon Un simplifica na politica de cortes. U nico. Na o ha penteado extraordina rio de solidariedade. Muito menos escalo es no imposto do pe lo singular, vulgarmente conhecido com IPS. Quanto a exportao es diz respeito, o sistema torna-se mais claro: na venda de ma o de obra todos apresentam o mesmo aspecto, facilitando as promoo es dois por um. Na vertente da educaa o, Kim implementa a disciplina de Princ pios Gerais de Orga nica Capilar, obrigato ria no segundo ciclo. A cadeira divide-se em aulas pra ticas e teo ricas, contendo a parte pra tica uma visita de estudo ao Museu do Kim, onde esta o embalsamados os restos de cabelo do querido tio Jang. Para terminar, o chefe supremo tem uma excelente janela de oportunidade na diplomacia internacional. Kim Jon Un prepara-se para provocar os lideres mundiais a seguirem a ideia do mesmo. Deixo aqui o meu testemunho humilde sincero. Temos Wanda Stuart. Temos Maria Jose Vale rio. Temos Anselmo Ralph. So na o ve quem na o quer. Glande L der, termina o seu discurso enigmatizando a ultima afirmaa o: "Para a semana pensarei em algo melhor. Bem haja meu povo". Kim pensa na continuaa o do seu projecto capilar. Sugere aos seus neuro nios um corte u nico nos pe los pu bicos retratando a sua magnifica face. Geraldes sabe do plano. Franze o sobrolho e interroga o seu mando. E se o nariz na o corresponder a s dimenso es de Vossa Excele ncia? GLOBO DR 06 | 14 Abril 2014 O ESPECTRO GLOBO O P I N I O d e R U I C A M P O S 2 2 M Realizou-se no passado dia 22 de Maro uma grande e combativa manifestaa o na cidade de Madrid, em Espanha. Com o lema Marchas da dignidade e com as exige ncias de na o pagamento da d vida, na o aos cortes, na o aos governos da troika e ainda pelo pa o, trabalho e tecto para todos e todas, esta manifestaa o foi o culminar de uma se rie de marchas que percorreram o Estado espanhol e mobilizaram centenas de organizao es sociais nos quais se incluem partidos, sindicatos e outros colectivos. Esta mobilizaa o assumiu, desde in cio, um cara cter diferente daquele a que se tem assistido. Primeiro, porque no manifesto publicado e afirmado, claramente, que a d vida na o deve ser paga e, isto, por si so , representa uma clara confrontaa o com a lo gica e com o sistema em vigor. Segundo, e este e um factor de grande importa ncia, a adesa o de centenas de organizao es sociais e pol ticas de va rios quadrantes pol ticos no seio da esquerda, ou seja, aderiram grupos comunistas, anarquistas, radicais, entre outros. Esta realidade podera representar algo novo na vida pol tica daquele Estado a curto-me dio prazo. A manifestaa o em si, na o querendo entrar no velho jogo de nu meros, teve uma estrondosa participaa o em termos de nu mero de manifestantes mas tambe m na pro pria dina mica que assumiu desde inicio e que se propagou pelos restantes dias de protesto. Destaque tambe m para o papel da pol cia e da comunicaa o social que desenvolveram uma estrate gia de desinformaa o e criminalizaa o do M22. No dia 22 de Maro o que passou nas not cias na o foi a manifestaa o em si nem as razo es que levaram tanta gente a sair a rua mas sim os confrontos entre manifestantes e pol cias e como seria de esperar, a grande maioria dos meios de comunicaa o social rapidamente tentou passar a imagem de que o M22 seria uma concentraa o de radicais e extremistas. De igual modo essa tentativa foi tambe m desmontada nas redes sociais e em sites de apoio a manifestaa o em que fica provado que foi a pol cia a provocar os manifestantes ja que, a altura, ainda decorriam os discursos e outras actividades pol ticas no palco montado. No final do dia o resultado foram centenas de detidos e tambe m de feridos mas para a histo ria ficara mais uma repressa o aos movimentos que rejeitam a actual situaa o, ficara tambe m a demonstraa o de uma poderosa solidariedade entre os manifestantes que nos dias seguintes a manifestaa o exigiram a libertaa o de todos os detidos a 22 de Maro bem como a continuaa o dos protestos pela alteraa o das pol ticas e do sistema. A pergunta do costume e que importa fazer, e agora? Apo s o sucesso das marchas e da mobilizaa o unita ria conseguida em torno de objectivos concretos, o espirito no seio do M22 parece ser de continuar e de intensificar a luta atrave s dos mais diversos meios e te m, alia s, sido convocadas va rias manifestao es para dar continuidade a este movimento mas e imposs vel prever o que vai de facto acontecer tanto no seio do movimento como na pro pria vida pol tica espanhola, e contudo, expectavel que este tipo de mobilizao es continue a acontecer e que haja uma maior participaa o por parte das populao es. Ao mesmo tempo na o sera de admirar que o Estado espanhol procure reprimir ou criminalizar este tipo de movimentos e em particular aqueles que desafiam o sistema capitalista. O P I N I O d e J O O M I G U E L S I LVA P o l t i c a n o Fe m i n i n o ? Fa a f a vo r. A Angela ou a Dilma sa o dos poucos exemplos da presena feminina na alta cena pol tica internacional da actualidade. O problema nesta realidade e a de que sa o praticamente homens, tal como o Professor Sousa Lara aponta nas suas aulas. Na o sei se posso discordar de todo com esta afirmaa o, tendo em conta que os traos de personalidade pu blica (o privado, a elas lhes diz respeito) sa o mais ide nticos aos do sexo masculino. A presena de mulheres nos po dios ma ximos da pol tica ainda esta longe de ser uma realidade. Para quem ja me conhece e, na o querendo fazer o papel de sexista e claro, sabe que prefiro ver uma mulher ao volante (perigo, so no alcatra o) dos destinos de instituio es internacionais ou de uma naa o, do que propriamente um homem. Christine Largarde e o exemplo ma ximo daquilo que se pode considerar como uma presena verdadeiramente feminina, num lugar de influe ncia que e o de chefe-ma ximo do FMI. Malas e vestidos Channel na o precisam de ser fazer parte dos requisitos para uma governante ser verdadeiramente feminina. Vejamos, se queremos ter uma mulher a comandar, na o estamos interessados que ela acabe por se comportar como um homem mas sim destacar-se da multida o de homens presentes na pol tica. Ja Michelle Obama e uma das principais impulsinadoras para que se coloque um fim ao facto de adereo continuar a ser sino nimo de Primeira-Dama. Neste sentido, tem desempenhado um trabalho razoa vel na tomada de iniciativa pro pria, na o relegando a sua posia o pol tico-social apenas ao de ser uma residente VIP da Casa Branca, como fizeram a maioria das suas antecessoras. No passado, Thatcher - como homem pol tico que era mas sem deixar de lado o seu estilo feminino particular -, tomou o pulso do Reino Unido como poucos compatriotas masculinos fizeram. De pe firme, na o entrou no Euro, ajudou a po r um fim a Guerra Fria, comeou um guerra da qual saiu vencedora e por a adiante. Resultado das circunsta ncias ou na o, obteve um curriculum de fazer inveja a qualquer pol tico. Fez aquilo que todas as mulheres com o seu poder deviam fazer: usar o seu estatuto feminino como vantagem. Podemos dizer que falta ambia o ao sexo feminino que colocam os deveres familiares a frente dos profissionais, entre tantas outras razo es mas a verdade e que, fazendo parte da histo ria, as mulheres garantem o seu futuro como l deres natas que sa o. Toma s Sima o, aluno de Cie ncia Pol tica do Instituto Superior de Cie ncias Sociais e Pol ticas da Universidade de Lisboa, juntou-se ao grupo de colegas e amigos para falar sobre o Ensino Superior, no Congresso da Juventude Comunista. O primeiro fim de semana de Abril deste ano foi pretexto para dar som ao descontentamento enquanto cidada os conscientes num Congresso de energia e cujo sentimento de unia o permanecia entre as centenas de cadeiras presentes no audito rio principal da Faculdade de Medicina Denta ria da Universidade de Lisboa. A necessidade de dar resposta aos va rios problemas que inundam a vida dos milhares de portugueses consagra-se a maior preocupaa o numa sala composta por tre s grandes paine is vermelhos. A formalidade de apresentaa o generalizada a condia o de militante da espao a descontraa o. Num pu lpilto com cravos na sua base, falou-se do Ensino Superior e dos seus regulamentos de avaliaa o bem como da sua falta de professores, deficientes infraestruturas, aumento do abandono escolar e das propinas ou dos sucessivos cortes ao mesmo. Ja sobre o Racismo e Xenofobia, destaca-se a maior procura pela sobrevive ncia causada por um capitalismo instabilizador bem como a culpa pela actual crise econo mica ser dirigida aos pa ses ocidentais (da Europa do Sul), nomeadamente aos GEP (Gr cia, Espanha Portugal), quando a elite econo mico-financeira do Norte foi a maior responsa vel. Do Litoral Alentejano falou-se de Sines, Santo Andre , Santiago e Gra ndola e do excessivo nu mero de alunos por turma, a falta de aquecimento ou de outras condio es ao n vel de infraestruturas bem como de um complexo industrial que tem o poder de dispensa -los ao fim de uma suposta semana de fe rias. Ana Correia (coordnadora do Litoral Alentejano) fala, ainda, de uma crise estrutural do capitalismo e da luta dos trabalhadores e dos pobres, sem esquecer a NATO e o oramento militar que paga a fome, a pobreza e a doena que matam milhares de seres humanos, diariamente. De seguida, Gonalo Costa demonstrou o seu descontentamento sobre o desinteresse por parte do Governo na cultura, afirmando que esta e consomida como se de um bem ou servio de elites se tratasse. Ja Joana Brua menciona como principal problema a emigraa o e apela a uma mudana de pol tica para alcanar as conquistas de Abril. Helena Casqueiro faz uma interpretaa o do capitalismo como o principal defensor da necessidade de trabalhar e estudar ao mesmo tempo, de trabalhos preca rios para sair da crise ou que as greves prejudicam o trabalho. Neste sentido, apelou a aca o e mobilizaa o para alcanar aspirao es. De seguida, Joa o Pinto Anjo, aluno da Universidade de Coimbra, assume que um "comunista na o pode perder a esperana quando a esperana parece estar perdida". Com confiana na luta e na mudana, os jovens presentes acreditam que a resiste ncia dos estudantes na o torna a educaa o pior. Viva o 10 Congresso da JCP! Viva a JCP! Ou Avante Abril! marcavam o final de qualquer intervena o. Depois do almoo, por volta das 15 horas, Lu s Encarnaa o dirige-se ao pu blico com uma t-shirt "Va o para a Troika que vos pariu". Menciona a dicotomia entre alienados e aliados ao n vel dos interesses e na Plataforma 40/25 da JCP. Termina apelando a transformaa o. Esta foi a sua u ltima palavra de ordem. De seguida, Jorge Pires, faz refere ncia a uma luta que deixou de ser apenas econo mica para ser tambe m psicolo gica. "Pla dmocracia, plo marxismo-leninismo, por todos no s!", conclui. 14 Abril 2014 | 07 O ESPECTRO REPORTAGEM A D R I A N A C O R R E I A e J O A N A L E M O S C o n g r e s s o d e J C P DR 08 | 14 Abril 2014 O ESPECTRO Ja os esta gios profissionais foram outro problema mencionado. Estes sofrem de uma precarizaa o generalizada. E de significativa importa ncia a promoa o da componente pra tica e de aprendizagem masse esta na o gera emprego, na o tem custos para quem acolhe estes estagia rios e essa realidade substitui postos de trabalho. Seria, por isso, importante uma maior fiscalizaa o, orientaa o e controlo de hora rios. Neste sentido, Patr cia Martins veio representar o ensino profissional e revela as desigualdades sociais e econo micas alimentadas pelo Governo com a tomada de deciso es que tem vindo a fazer ao longo do tempo, afirmando que os des gnios financeiros e ecnono micos sa o o factor que destro i o sonho dos estudantes, reiterando mais uma vez tudo o que fora dito durante o primeiro dia de congresso acerca das dificuldades na educaa o e na elitizaa o do ensino. Rita Rato, uma das deputadas mais empenhadas nesta luta dos jovens e mais pro xima dos o rga os da JCP, discursou no final da tarde, focando-se na luta das mulheres, nomeadamente na discriminaa o das mulheres que na o usufrem da ma xima sala rio igual para trabalho igual e que continuam a ter remunerao es profundamente d spares dos homens no trabalho que exercem. Afirmou que a luta das mulheres e a luta dos trabalhadores. As suas preocupao es, que va o ao encontro de algumas preocupao es da JCP, prendem-se tambe m com o desemprego das mulheres jovens (salvo erro mais alto que a me dia europeia e um dos mais altos da Zona Euro). Apelidou a lei da paridade de lei artificial, ou seja, a lei que determina que o nu mero de homens e de mulheres nas listas constituintes dos partidos deve ser igual, dando voz a uma ideia ja antiga do PCP acerca deste assunto, porque e uma lei que significa mais um passo na ingere ncia da vida interna dos partidos. Um jovem de nome Andre Oliveira decidiu marcar o seu discurso pelo tema da toxicodepende ncia, um tema de vanguarda do pro prio PCP, explicando que e um instrumento de alienaa o e de lucro capitalista pois ao aproveitar-se deste que e um grave problema de sau de pu blica alimenta a marginalizaa o e o abandono dos doentes (reforando a ideia de que sa o doentes e na o REPORTAGEM delinquentes). Decidiu ainda demarcar a sua posia o da do Bloco de Esquerda e da do Partido Socialista que defendem a legalizaa o das drogas leves que apenas levam a problemas maiores. Foi com uma ode ao trabalho nos campos que um grupo de cantar alentejano deu o tiro de partida para o segundo e u ltimo dia de congresso, bafejado por palavras de ordem e va rios hinos, desde a Internacional ao Hino do PCP, como tambe m a famosa onda de bandeiras esvoaantes ao som da Carvalhesa, neste que foi um dia virado para a festa e para o exterior. A reafirmaa o dos esforos e das conquistas da JCP, na senda do que havia sido o dia anterior, continuou ainda assim com poucas e muito vagas autocr ticas a todo o percurso caminhado ate ao momento. Sofia Lisboa, curiosamente membro da Organizaa o Regional de Lisboa, foi uma das mais aplaudidas da tarde, proferindo um discurso virado para a recuperaa o das esperanas da juventude e lembrando que cada vez h menos tempo para pensar nos sonhos mas que a precariedade juvenil na o pode ser uma batalha travada apenas pelos comunistas. Por entre va rias interveno es destacaram-se chavo es como Pelo direito ao trabalho, e ao trabalho com direitos! que logo fez levantar uma saraivada de aplausos por entre a plateia e a mesa de trabalhos, mas tambe m neste esp rito de exaltaa o da luta surgiram jovens como Joa o Alves, estudante de Belas Artes, que proclamavam que e poss vel viver mais e melhor e que o passado e a prova, o presente o futuro e o futuro a confiana!. Foram tambe m estas palavras optimistas que Jero nimo de Sousa, no momento alto do congresso e com um audito rio cheio e pululante de atena o, proferiu o discurso de encerramento. O Secreta rio-Geral do PCP desde 2004 aproveitou o tempo de antena para falar nas europeias, mas o que o levara ali falou mais alto, focando-se na esperana, na legitimidade da luta juvenil, na luta sem cessar e na vivacidade do PCP, com o objectivo mais do que uma vez proferido de transformar o sonho em vida. E neste esp rito se passaram dois dias em que os valores do 25 d Abril na o s limitaram a ser relembrados e admirados como uma pea de museu, mas reafirmados e reavivados como instrumento de luta adaptado a realidade actual do pa s. DR Ncleo de Cincia Poltica Universidade de Lisboa - Instituto Superior de Cincias Sociais e Polticas Parceria com Jornal Econmico do ISEG L E R E M TO D O O L A D O 1 a 30 Abril B i b l i o t e c a s M u n i c i p a i s d e L i s b o a lanamentos, apresentaes de livros, sesses de autgrafos, leituras pblicas, workshops, intervenes artsticas P R I M AV E R A P R I M AV E R A L I N DAL I N DA ESPECTCULO MULTIMDESPECTCULO MULTIMDIAIA Terreiro do Pao 14 a 23 Abril s 21h, 22h, 23h C o l e c t i v a d e Ta p e a r i a 1 a 30 Abril E x p o s i o co l e c t i v a d e t a p e a r i a s Galeria Tapearias de Portalegre, Lisboa GRANDE REVISTA PORTUGUESA At 27 Abril Quarta a sexta, 21h30 | Sbado, 17h e 21h30 | Domingo, 17h Teatro Politeama 09 | 14 Abril 2014 O ESPECTRO CARTAZ CULTURAL