Tessituras lit juvenil

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<ul><li> 1. Leitura da literaturajuvenil:por qu? Para qu?</li></ul> <p> 2. Ana Mariza Ribeiro Filipouski - 2012OOO www.gipeonline.com.br2 3. The fantastic flying books of Mr. MorrisLessmoreUm fato curioso: antes de ser premiado, foi lanado como livrodigital interativo para iPad, e chegou ao primeiro lugar entre osmais vendidos na loja da Apple em 2011.www.gipeonline.com.br 3 4. O curta revela paradigmas tpicos dacontemporaneidade : aponta para problemas complexos (no mais simples); para uma forma de organizao autnoma (no maishierquica); para uma viso de mundo fragmentria (no maisdeterminista); para uma perspectiva temporal causal (no mais linear); para uma realidade contextual (no mais objetiva); para uma viso de espao globalizadora (no maislocalizada). www.gipeonline.com.br4 5. Por que a literatura (juvenil)precisa considerar essesparadigmas? porque ler interagir: o ato de ler implicadilogo entre sujeitos histricos; leitura desenvolve competncias paracompreender o texto como manifestao de umponto de vista autoral, assumido a partir dedeterminado contexto histrico (viso e valoresexpressos no texto); leitura supe uma atitude responsiva,estruturarespostas ao texto por meio de novas aes, delinguagem verbal ou no (recepo ativa). www.gipeonline.com.br 5 6. ESSA RELAOCONCRETIZA A FUNOSOCIAL DA LEITURA www.gipeonline.com.br 6 7. O que faz a escola hoje a esserespeito? www.gipeonline.com.br 7 8. Para que ler literatura? para constituir repertrio de leitura, ouhistria deleitor (favorece a intimidade com os textos, o hbito de ler a partir do gosto pessoal e oportuniza socializar seus achados de modo a poder influenciar outros leitores em formao; para exercitar formas de aprofundamento e qualificao da histria de leitor (relacionar comasrie literria, problematizar temas e solues delinguagem encontrados pelo texto, experimentando www.gipeonline.com.br8 9. A quem compete favorecer a leitura literria de jovens? escola, cuja funo, entre outras, ampliar a cultura escrita dos estudantes, atribuindo novos sentidos ao letramento em suas vidas, j que ele integra as mais variadas prticas sociais contemporneas; s prticas pedaggicasorganizadas(planejamento de tarefas de leitura comfinalidade reconhecvel e compatvel como gnero estudado), que tornam o ato deler uma atividade de construo desentidos e recuperam a funo social daleitura.www.gipeonline.com.br9 10. Prticas pedaggicas em literatura: oque ler? Para que ler? Como ler? Ler para estabelecer relaes com as situaesde produo e recepo: elementos do contextosocial, do movimento literrio, do pblico, da ideologia,etc;Ler para estabelecer relaes com outrostextos, verbais e no verbais, literrios e no literrios,da mesma poca ou de outras, colocando-os eminterao e dilogo;www.gipeonline.com.br 10 11. Prticas pedaggicas em literatura: oque ler? Para que ler? Como ler? Ler para explorar as potencialidades de uso dalinguagem literria, condio para produzir sentidos eadquirir uma cultura integradora das dimenseshumanista, social e artstica, que valorizam as noes dediacronia e sincronia, ou seja, as relaes com a srieliterria (que envolve a histria de leitor) e a capacidadede perceber uso artstico da linguagem (fruio).www.gipeonline.com.br 11 12. Conceitos estruturantes do trabalho com literaturawww.gipeonline.com.br 12 13. Tradio e ruptura - instrumentalizam para a compreensodos textos a partir do lugar e da poca em queforam produzidos ; - fortalecem a construo de uma histriapessoal de leitor, pois habituam a estabelecerrelaes a partir do que as obras so capazes dedizer para um leitor atual; - legitimam leituras produzidas em outrostempos ou contextos.www.gipeonline.com.br13 14. Estranhamento-alarga o horizonte de expectativas doleitor e permite compreender outro modo de ver;- oportuniza, do seguro lugar do leitor,vivenciar experincias radicais da vida humana, apartir da linguagem e por meio da fico;- investe na ampliao da humanidade pelafruio esttica;www.gipeonline.com.br 14 15. Intertextualidade (dilogo entre textos)-favorece o reconhecimento de que todo otexto um mosaico de citaes;- assegura, a um s tempo, renovao einterao com o que j existe;- supe ultrapassar a compreenso lineardo texto e lanar mo da histria pessoal deleitura para atribuir sentido produo simblicaconstituda por um novo texto.www.gipeonline.com.br 15 16. Como a literatura juvenil revelapreocupao com ler a partir de novosparadigmas?O exemplo de A inveno de Hugo Cabret(Brian Selznick. So Paulo: SM Editora, 2011.) www.gipeonline.com.br16 17. O autorBrian Selznick nasceu em East Brunswick,Nova Jersey, e se formou na Escola deDesign de Rhode Island. autor premiado de literatura infantojuvenil. Selznickreconhece que encontrou a inspirao para criar o mundo deHugo Cabret depois de ler Edisons Eve: A Magical History ofthe Quest for Mechanical Life, de Gaby Wood, texto quecontava a histria de uns complicados homens mecnicos decorda que foram doados a um museu de Paris. A coleo foraabandonada em um sto bagunado e, por acaso, jogada nolixo. O autor ento imaginou como seria se um garotoencontrasse as mquinas quebradas e enferrujadas e criouHugo e sua histria. www.gipeonline.com.br 17 18. A obra/sinopse: Paris, anos 30. Hugo Cabret viveclandestinamente na estao de trem. Esgueirando-sepor passagens secretas, o menino cuida dos relgios dolugar. Ele precisa manter-se invisvel porque guarda umsegredo. Descoberto pelo dono da loja de brinquedosprxima e por sua afilhada, todos os seus planos corremrisco. Um valioso caderno, uma chave roubada, umamensagem cifrada e um passado esquecido esto nocentro dessa aventura.A obra oferece uma diferente experincia de leitura. Seuautor comps a trama com textos e ilustraes quedesenvolvem a histria como em uma storyboard decinema. A interao entre realidade e a fico oportunizaque o leitor adquira novos conhecimentos.A obra recria uma poca-chave da histria da humanidade: a industrializao europia, oauge das ferrovias, os funcionamentos de mecanicismos das mquinas (aplicado sartes, mgica, relojoaria) e o surgimento do cinema.Considerada uma obra-mestra pela crtica mundial, foi publicada em 2007 pelaScholastic, mesma editora do Harry Potter nos Estados Unidos, e vendeu 300 milexemplares em trs meses. Adaptada para o cinema por Martin Scorsese, tem agradadoos espectadores e recebeu 5 Prmios Oscar em 2012 (efeitos visuais, fotografia, direode arte, edio de som e mixagem de som).www.gipeonline.com.br18 19. A contextualizao daleitura http://www.theinventionofhugocabret.com/index.htmNa pgina oficial inglesa l-se uma entrevista com Brian Selznick e h fotosque o autor tirou em Paris quando visitou a cidade para escrever o livro econhecer a vida de Georges Mlis. http://www.melies.eusite oficial em homenagem a Mlis. Alm de informaes sobre vida e obra,disponibiliza alguns curtas. http://www.edicoessm.com.br/hugocabret/links.htmlTambm interessante visualizar a pgina da editora SM e pesquisar noslinks que ela oferece, especialmente remetendo foto de um acidenteferrovirio na Estao de Montparnasse que ilustra um sonho de Hugo, histria dos homens mecnicos, que tem um importante papel na obra e aoestudo do ilusionismo. www.gipeonline.com.br 19 20. Aspectos relevantes da obra Breve introduo (situao inicial): um narrador onisciente (prof. H. Alcofrisbas) sugere ao leitor que simule estar numa sala de cinema, no incio de um filme. Alude ao movimento de uma cmera, que comea em plano geral (situa no tempo o sol vai nascer; no lugar - uma cidade/ Paris/ uma estao de trem/Montparnasse e vai focando um menino, Hugo Cabret, at mostr-lo em primeiro plano. Sugere que o leitor o siga porque ele est cheio de segredos na cabea, esperando que sua histria comece.www.gipeonline.com.br20 21. Aspectos relevantes da obraParte 1/ cap 1: O ladro: 44 pginas de narraopor imagens que retomam o que um narradoronisciente apresentou e d seguimento narrativa, desenvolvendo aspectos relativos aosegredo e introduzindo outro personagem: umvelho que trabalha em uma loja de brinquedos e observado por Hugo. p. 46 narrativa escrita, curta e gil, que detalha ponto de vista de Hugo e sua relao com o velho. Introduz outra personagem (uma menina, observada por Hugo) e refere ainda o guarda de estao, temido por ele. Coloca Hugo e o velho em conflito e apresenta um objeto que passa a ser disputado por ambos: um caderno de notas, guardado pelo menino e que perturba o velho. O objeto examinado pelo velho e seu contedo informado ao leitor atravs de imagens que se misturam s pginas escritas.www.gipeonline.com.br 21 22. A linguagem hibrida: envolve imagem e palavras, remete aosquadrinhos, literatura, ao cinema; familiar ao destinatrio/leitor, predispondo-o a ler; o recurso (caracterstico da literatura contemporneadestinada a jovens e a adultos (ver Dirio de um Banana, deJeff Kinney, ou Daytripper, de Fbio Moon e Gabriel B); rompe com o cnone tradicional daliteratura, vinculando a leitura aseu tempo e desafiando o jovem acontinuar a ler. Pela linguagem,enreda o leitor na narrativa atualiza ointeresse pelo passado.www.gipeonline.com.br 22 23. A narrativa medida que evolui, a trama remete realidade (a histria de Georges Mlis, 1861-1938), e prope discusso do que h de verdade e de fico no enredo. Isso supe a possibilidade de discutir uma das funes da literatura: dar a conhecer um contexto social (a virada do sculo XIX/XX), especialmente os aspectos culturais e cientficos, de um grande centro urbano da poca. por ser fico, recorre caracterizao de umtempo determinado (simbologia do relgio,objeto que supe o domnio do seu mecanismode funcionamento), num espao definido(estao de trem, transporte que representa, napoca, progresso e encurtamento do espao,mediado pelo tempo ) no toa que tempo eespao so aspectos descritivos da narrativa.www.gipeonline.com.br 23 24. A narrativa ao simular histrias de vida para apresentar aspectos do real,cria personagens complexos, imersos em problemas quefazem sentido ainda na contemporaneidade (as relaesafetivas, os vnculos pessoais com traumas do passado e anecessidade de resolv-los para poder crescer), oportunizando,do seguro lugar do leitor, vivenciar experincias radicais da vidahumana, a partir da linguagem e por meio da fico. ao ser lida por jovens, d acesso aconhecimentos sobre o passado, alarga ohorizonte de expectativas do leitor epermite compreender outros tempos, outromodo de ver o mundo (o contexto). www.gipeonline.com.br 24 25. A experincia de leiturapode ampliarconhecimentos: remeter a outras leituras sobre o contexto (pesquisas arespeito do tempo, das personagens reais presentes na trama,das mquinas e de sua influncia na vida de poca (trens,brinquedos, mgicas, etc); remeter a outras obras literrias e explorar outros tempos econtextos representados pela fico (Mark Twain e Asaventuras de Tom Sawyer, e outros). propor a discusso do suporte utilizado para criar: filme oulivro? No livro, a imagem tem que finalidade? Ela aproxima oudistancia do leitor? Ela facilita ou complexifica a leitura?www.gipeonline.com.br25 26. A experincia de leiturapode: dar concretude interao proposta pela leitura: a) atravs da criao de fruns de discusso e difuso dos achados sobre a poca retratada no texto (relato oral, ou em suporte a ser socializado em forma de pster, painel, blog etc); b) pelo registro escrito, em forma de resenha crtica, criao de cadernos temticos que documentem todo o processo de leitura, as relaes de intertextualidade, a apropriao de conhecimentos e a ampliao das competncias de leitura literria.www.gipeonline.com.br 26 27. SnteseA unidade prope, ento, que se realize a funo da leitura deliteratura (juvenil):Ler para estabelecer relaes com as situaes deproduo e recepo: d conta do contexto social da pocaretratada com recursos que interessam o leitor hoje.Ler para estabelecer relaes com outros textos:relaciona literatura e HQ, explora recursos de linguagem atuais,abre perspectiva para outras artes, colocando-as em interaoe dilogo. www.gipeonline.com.br 27</p>