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MANUAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE COMUNIDADES PARA “FACILITADORES” CRIADO PARA A PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTO ANDRE MAIO 2003 POR JENNIFER INFANTI INTERNA PELA INICIATIVA DE PESQUISA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL INSTITUTE FOR RESOURCES, ENVIRONMENT AND SUSTAINABILITY UNIVERSIDADE DE COLUMBIA BRITÂNICA VANCOUVER, BC, CANADA AGRADECIMENTOS A autora gostaria de agradecer às seguintes pessoas que desenvolveram os guias e manuais de treinamento que deram a base para a criação deste manual e/ou àqueles que proporcionaram e compartilharam seu conselho, acompanhamento e conhecimento. Susan Gage e Robin J. Hood (The CED Tool Kit: A Step-by-Step Manual on Community Economic Development, produzido pela Victoria International Development Education Association, 1998). Flo Frank e Anne Smith (The Community Development Handbook: A Tool to Build Community Capacity, produzido pela Labour Market Learning and Development Unit of Human Resources Development Canada, 1999). Rupert Downing (Diretor Executivo) and Nicole Chaland (Coordenador de Pesquisa) da Canadian Community Economic Development Network, pela assistência na coleta de recursos para este manual. Diane Smith, Jason Emmert e Norman Sippert da School of Community and Regional Planning (Universidade da Columbia Britânica) pelas suas idéias de workshop no ensaio de pesquisa “Gender and CED: Tools for Empowering Women’s Lives in Santo André, Brasil.” (“Gênero e DEC: Ferramentas para Aprimorar a Vida das Mulheres em Santo André, Brasil.”) “Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos sensatos, comprometidos possa mudar o mundo: na verdade é a única coisa que realmente pode fazê-lo". - Margaret Mead

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MANUAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE COMUNIDADES PARA “FACILITADORES”

CRIADO PARA A PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTO ANDRE

MAIO 2003 POR JENNIFER INFANTI

INTERNA PELA INICIATIVA DE PESQUISA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL INSTITUTE FOR RESOURCES, ENVIRONMENT AND SUSTAINABILITY

UNIVERSIDADE DE COLUMBIA BRITÂNICA VANCOUVER, BC, CANADA

AGRADECIMENTOS A autora gostaria de agradecer às seguintes pessoas que desenvolveram os guias e manuais de treinamento que deram a base para a criação deste manual e/ou àqueles que proporcionaram e compartilharam seu conselho, acompanhamento e conhecimento. Susan Gage e Robin J. Hood (The CED Tool Kit: A Step-by-Step Manual on Community Economic Development, produzido pela Victoria International Development Education Association, 1998). Flo Frank e Anne Smith (The Community Development Handbook: A Tool to Build Community Capacity, produzido pela Labour Market Learning and Development Unit of Human Resources Development Canada, 1999). Rupert Downing (Diretor Executivo) and Nicole Chaland (Coordenador de Pesquisa) da Canadian Community Economic Development Network, pela assistência na coleta de recursos para este manual. Diane Smith, Jason Emmert e Norman Sippert da School of Community and Regional Planning (Universidade da Columbia Britânica) pelas suas idéias de workshop no ensaio de pesquisa “Gender and CED: Tools for Empowering Women’s Lives in Santo André, Brasil.” (“Gênero e DEC: Ferramentas para Aprimorar a Vida das Mulheres em Santo André, Brasil.”)

“Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos sensatos, comprometidos possa mudar o mundo: na verdade é a única coisa que realmente pode fazê-lo".

- Margaret Mead

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SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 1.1) Propósito 1.2) Fundamentação 1.3) Organização 1.4) Limitações 2. ENTENDENDO OS TERMOS 2.1) O que é Desenvolvimento Econômico de Comunidades (DEC)? 2.2) Objetivos do Desenvolvimento Econômico de Comunidades 2.3) Princípios do Desenvolvimento Econômico de Comunidades 2.4) Workshops: Entendendo o DEC na sua comunidade 3. CRIANDO CONSCIÊNCIA E APOIO PARA O PROCESSO DO DEC 3.1) Construindo apoio para o Desenvolvimento Econômico de Comunidades (Criando

Processo Local de Valor, Desenvolvendo Estímulo e Capacitando a Comunidade). 3.2) Workshops: Construindo Capital para a Comunidade Através de Mapeamento

(biofísico, das redes sociais e dos bens econômicos da comunidade). 4. DESENVOLVENDO UM PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE

COMUNIDADES 4.1) Os Sete Passos para o Planejamento Estratégico 4.2) Desenvolvimento do Empreendimento – 5 estágios para selecionar e começar um

negócio 4.3) Criando um Plano de Negócios 4.4) Oito Passos para a Criação de um Plano de Negócios

Esta seção contém os seguintes workshops: Definindo uma visão de DEC para a sua comunidade Analisando seu enunciado de visão e missão de acordo com PFOA Identificando a oportunidade e executando as opções através dos critérios de

seleção do empreendimento Primeira seleção e Pré-Análise de viabilidade Segunda seleção Análise de Viabilidade Considerando tipos de Posse Inventário de recursos

5. HABILIDADES DO FACILITADOR 5.1) Do Planejamento à Ação 5.2) Construindo Confiança no Grupo 5.3) Facilitação do Grupo: Despertando o Melhor em Cada Um 5.4) Confusão de Papéis e Luta pelo Poder 5.5) Gerenciamento de Conflitos 6. CONCLUSÃO

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1. INTRODUÇÃO 1.1) Propósito A intenção desse manual é apresentar facilitadores/treinadores potenciais da Prefeitura Municipal de Santo André à teoria e métodos do desenvolvimento econômico de comunidades e seu potencial para transformação social e econômica nas comunidades do projeto piloto do GEPAM, particularmente nas populações mais marginalizadas. Além de uma introdução dos objetivos, princípios e estratégias do DEC, o manual inclui idéias de workshops e passos detalhados para criar e implementar os planos de desenvolvimento econômico de comunidades. Finalmente, o manual descreve brevemente algumas das habilidades e conhecimentos requeridos para facilitação efetiva e problemas e soluções comuns no trabalho de DEC (grande parte segundo experiências canadenses). Esse guia pretende proporcionar, para facilitadores de DEC, embasamento teórico e algumas idéias práticas flexíveis que podem ser facilmente adaptados para satisfazer as diferentes necessidades de variadas populações nas comunidades do projeto piloto. Idealmente, facilitadores serão capazes de iniciar um plano de DEC e projetos que correspondem às necessidades e desejos sociais, econômicas e ambientais, identificados pelos membros da comunidade e por fim, contribuir para a criação de mais prósperos, eqüitativos e vibrantes lugares para se viver. 1.2) Fundamentação Apesar da “economia” ter sido originalmente concebida para englobar todos os meios disponíveis para uma sociedade satisfazer suas necessidades, uma variedade de atividades humanas foram excluídas do sentido geral da palavra quando o campo se tornou uma disciplina científica e os aspectos comercial e monetário das atividades econômicas foram consistentemente realçados. Durante as últimas duas décadas em particular, entretanto, houve um crescimento no reconhecimento internacional pela necessidade de uma volta à definição sensata de “economia” em escalas local, nacional e global – uma definição que integre objetivos sociais e ambientais. É nesse contexto que o desenvolvimento econômico de comunidades (DEC) ganha força como um modelo de desenvolvimento econômico alternativo que envolve comunidades, bairros e populações menos privilegiadas em estratégias de desenvolvimento numa escala muito maior que métodos tradicionais. O DEC é uma estratégia que trata os processos pelos quais indivíduos, famílias e comunidades são excluídos da corrente econômica e por onde comunidades podem trabalhar juntas para melhorar suas vidas e controlar seus futuros. O DEC é dirigido pela idéia de que o crescimento social é tão importante quanto o crescimento econômico e que os membros da comunidade devem tomar as decisões sobre como eles querem crescer e se desenvolver. O DEC é também um processo pelo qual comunidades podem construir capacidade de longa duração para realizar mudança econômico-social e fomentar a integração dos objetivos econômico, social e ambiental. As iniciativas do desenvolvimento econômico de comunidades, por definição, são baseadas no conhecimento das comunidades, envolvem participação ativa dos membros da comunidade e têm forte apoio das comunidades. Governos não podem de fato “fazer”

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o DEC, podem apenas criar um ambiente no qual o DEC possa prosperar. Ao mesmo tempo, no entanto, governantes podem assumir um papel fundamental na construção de uma sociedade com menos exclusão social e expansão dos benefícios de um desenvolvimento econômico a todos os cidadãos facilitando o DEC em comunidades carentes. Esse manual é designado a assistir aos empregados no governo a facilitar o DEC em duas considerações em particular: 1. Desenvolvimento de política e programa: • Encorajar o desenvolvimento de políticas, programas e processos no governo que

incorporam os princípios do DEC e vão de encontro aos seus objetivos. • Determinar onde os recursos existentes, incluindo pessoal e fontes de renda, podem

ser redirecionados para apoiar as iniciativas do DEC. • Certificar que programas governamentais são suficientemente abrangentes e flexíveis

para acomodar as necessidades das comunidades em desenvolvimento. • Identificar comunidades carentes para certificar-se de que a distribuição de recursos é

estrategicamente voltada às comunidades e regiões carentes. • Desenvolver parâmetros adicionais para o papel do governo através de discussões a

serem realizadas com as comunidades. 2. Troca de informações: • Desenvolver sistemas de troca de informações entre governo e comunidades para

promover consciência das iniciativas de DEC do governo. • Em parceria com comunidades, estabelecer oportunidades para comunidade e rede

regional, trocando experiências e celebrando progressos. • Empreender pesquisa sobre as melhores práticas e lições aprendidas no DEC e troca

de descobertas com as comunidades. 1.3) Organização do Relatório O relatório começa com uma introdução a algumas definições, objetivos e princípios do desenvolvimento econômico de comunidades na tentativa de dar sentido a um processo que significa coisas diferentes para pessoas diferentes em lugares diferentes. O manual segue no sentido de enumerar estratégias para explorar, conscientizar e iniciar discussões sobre o processo de desenvolvimento econômico de comunidade, particularmente através do mapeamento da comunidade. As seções seguintes contêm passos mais detalhados para o desenvolvimento do processo de DEC, desde o planejamento estratégico até os estágios do desenvolvimento do empreendimento e criação de um plano de negócio. Finalmente, o manual é concluído com uma seção que explora as atitudes, conhecimentos e habilidades requeridos para facilitar efetivamente o processo de desenvolvimento econômico de comunidades, identificar problemas comuns apresentados em DECs e estratégias para que se consiga superar essas dificuldades. Um número de sugestões de workshops foi incluído no manual para assistir indivíduos, potenciais facilitadores e grupos da comunidade para analisar teorias e conceitos apresentados e entender melhor como o DEC pode ser implementado. 1.4) Limitações do Relatório Esse manual é essencialmente um guia introdutório para o processo de desenvolvimento de comunidades. É designado àqueles que possuem interesse no DEC, mas que não

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tenham um profundo entendimento dos conceitos ou processos necessários. Oferece algumas informações e ferramentas para assessorar na construção de um entendimento comum e métodos apropriados para iniciar o DEC em suas comunidades. Não irá, entretanto, proporcionar tudo que é necessário saber para exercer o DEC em uma comunidade em particular, nem tornará uma pessoa completamente qualificada em desenvolvimento de comunidades ou mesmo responder a todas as suas perguntas. É simplesmente um recurso disponível àqueles interessados ou ativos no processo DEC. Será necessário pesquisar outros recursos e falar com outras pessoas. Além disso, há uma grande confusão a respeito de muitos dos termos comumente usados no processo DEC (incluindo o próprio “desenvolvimento econômico de comunidade”).Não há definições absolutas para conceitos como “bens comunitários”, “construção de capacidade” e “desenvolvimento de empreendimento”, ou mesmo “comunidade”. É improvável que todos concordariam numa descrição precisa dos termos, além do que existem muitas outras definições, talvez até melhores do que as aqui proporcionadas. É importante manter um posicionamento flexível, entender que a ambigüidade é parte da natureza do trabalho em uma comunidade com diversas pessoas e aprender melhores formas de expressão individual e coletiva. 2. ENTENDENDO OS TERMOS 2.1) O Que é Desenvolvimento Econômico de Comunidades (DEC)? Há provavelmente tantas definições de desenvolvimento econômico de comunidades quanto há indivíduos e grupos o praticando. Esta seção começa com uma pequena lista de definições usadas por vários grupos de DEC para que você chegue ao seu próprio entendimento dos vários processos de DEC e acabe identificando alguns temas inerentes a todas essas caracterizações. O Relatório de 1987 de Ross/McRobie, que formou a base para o estabelecimento do Centro de Desenvolvimento Econômico de Comunidades da Universidade Simon Fraser (Simon Fraser University’s Community Economic Development Centre) em Vancouver, BC, Canada, define DEC da seguinte forma: “Desenvolvimento Econômico de Comunidades é um processo pelo qual as comunidades podem iniciar e gerar suas próprias soluções para seus problemas econômicos comuns e, através disso, construir capacidade de longa duração na comunidade e estimular a integração dos objetivos econômico, social e ambiental. Empresas de DEC são baseadas na consideração da relação entre fatores econômicos e outros elementos como habitação, educação, meio ambiente, saúde e artes. O DEC emergiu como uma alternativa a abordagens convencionais de desenvolvimento econômico, um processo participatório, holístico que leva a mudanças positivas e concretas nas comunidades através da: criação de empregos, redução da pobreza, contribuição à saúde do meio ambiente, estabilidade das economias locais e aumento do controle da comunidade.” O British Columbia Working Group on Community Economic, um grupo de indivíduos e organizações da comunidade formado em 1991 para promover desenvolvimento econômico de comunidades nas províncias da BC, desenvolveu o seguinte entendimento de DEC:

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Desenvolvimento Econômico de Comunidades (DEC) é um processo baseado e direcionado a comunidades que combina explicitamente desenvolvimento econômico e social e é dirigido de modo a fomentar o bem estar econômico, social, ecológico e cultural da comunidade. O DEC emergiu como uma alternativa a abordagens tradicionais de desenvolvimento econômico. É calcado na crença de que problemas encarados pelas comunidades – desemprego, pobreza, perda de trabalho, degradação ambiental e perda de controle da comunidade – precisa ser tratado de uma forma holística e participatória. A Community Future Development Corporation de Revelstoke, BC (uma agência sem fins lucrativos com base na comunidade que assiste indivíduos com empregos, serviços financeiros e de treinamento) desenvolveu, ainda, outra definição de DEC: Desenvolvimento Econômico de Comunidades é ação tomada por pessoas localmente para criar oportunidades econômicas e melhorar as condições sociais, principalmente para os menos privilegiados, sobre uma base inclusiva e sustentável. É uma estratégia compreensiva, multifacetada, concebida e dirigida localmente, para a revitalização e renovação das economias da comunidade. Seu interesse permanente é o desenvolvimento local, gerenciamento e fortalecimento dos recursos da comunidade para seu próprio benefício. A única organização nacional canadense sem fins lucrativos de desenvolvimento econômico de comunidades, a Canadian Community Economic Development Network, define DEC em sua estrutura de política da seguinte forma: “DEC encorpora uma integração de vários diferentes métodos de reverter os processos pelos quais indivíduos, famílias e comunidades são excluídos da corrente econômica. Investimentos no DEC no Canadá devem intensificar três formas associadas de capital local:

i. Ajuda aconstruir a capacidade local de comunidades para direcionar sistematicamente os problemas de suas economias – direcionar o capital social a nível local.

ii. Ajuda as competências dos cidadãos locais a conseguir e manter bons empregos ou construir seus próprios negócios, assim como proporcionar uma liderança local essencial para o processo de desenvolvimento—direcionar o capital humano a nível local.

iii. Ajuda a aumentar recursos de investimentos e práticas privados disponíveis para negócios locais, para residências de valor acessível, e para instituições financeiras alternativas (assim como as duas tarefas mencionadas anteriormente)—direcionar o capital financeiro a nível local.”

Por fim, em seu Manual de Desenvolvimento de Comunidades (Community Development Handbook), comissionados pela Labour Market Learning and Development Unit of the Ministry of Human Resources and Development, Flo Frank and Anne Smith resumem DEC como: “A evolução planejada de todos os aspectos do bem estar da comunidade (econômico, social, ambiental e cultural). É um processo por onde os membros da comunidade se reúnem para tomar ação coletiva e gerar soluções para problemas comuns..” Finalmente, se atentarmos a todas as definições podemos identificar temas comuns. O âmbito do desenvolvimento econômico de comunidades pode variar de pequenas

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iniciativas dentro de um grupo a grandes iniciativas que envolvem uma comunidade inteira. À parte do âmbito da atividade, DEC efetivo deve ser: • Empenho de longa duração, • Bem planejado, • inclusivo and igualitário, • holístico e integrado a um cenário maior, • iniciado e apoiado por membros da comunidade, • de benefício à comunidade, e • centrado em experiência que leva à melhor prática. O resultado primário do desenvolvimento econômico de comunidades é melhoria na qualidade de vida. Desenvolvimento de comunidade efetivo resulta em benefício mútuo e responsabilidade compartilhada entre os membros da comunidade e reconhece: • a ligação entre aspectos social, cultural, ambiental e econômico; • a diversidade de interesses dentro de uma comunidade; e • sua relação com a capacidade de construção. O desenvolvimento econômico de comunidades requer e ajuda a criar capacidade na comunidade de direcionar resultados e aproveitar oportunidades, a encontrar bases comuns e balancear interesses competentes. Não acontece simplesmente – requer esforço consciente e consciencioso para fazer alguma coisa (ou muitas coisas) para melhorar a comunidade. Desenvolvimento econômico de comunidades efetivo acontece mais frequentemente quando: • Um desafio ou oportunidade se apresenta e a comunidade responde (ex. Uma crise

que ameaça a viabilidade da comunidade ou uma oportunidade de aumentar a qualidade de vida na comunidade é frequentemente a força motora para uma ação com base na comunidade. Membros da comunidade devem perceber que uma atitude deve ser tomada);

• Os membros da comunidade são concientes de seu poder de agir conjuntamente para beneficiar sua comunidade;

• Existe um desejo de criar diversidade e encontrar uma base comum; e/ou • Uma mudança está ocorrendo e entende-se o desenvolvimento econômico da

comunidade como um modo positivo de controlar essa mudança. Independentemente da comunidade estar respondendo a uma ameaça ou oportunidade percebida, a motivação para exercer um método DEC se origina de uma crença de que a própria comunidade não apenas tem as soluções, mas a habilidade de traduzir suas idéias em ação. Melhor que esperar por alguém, os membros da comunidade acreditam em sua própria capacidade de agir. Algumas pessoas podem precisar ser convencidas de que de fato elas têm o poder de agir e que podem dar uma valiosa contribuição. Com muita freqüência nós vemos experts ou profissionais de fora como os que possuem as respostas e nos submentemos a eles. O desenvolvimento econômico de comunidades requer a consciência dos membros de que eles também possuem perícia a respeito de suas comunidades. Embora certa assistência seja necessária, ela deve ser apenas uma ferramenta para desenvolver as respostas dirigidas pela comunidade.

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Pode ser necessária discusão na comunidade para criar consciência de que: • os membros da comunidade são os peritos a respeito das necessidades, esperanças e

sonhos dessa comunidade; • deve ser benéfico agir conjuntamente para a conquista de resultados; e • todos os membros da comunidade têm habilidades, conhecimento e capacidade de

contribuir. Sem a consciência e crença de que os membros da comunidade têm o poder de agir para realizar mudança positiva, haverá pouca motivação para o DEC. Motivação não é o único requerimento para um sucedido desenvolvimento econômico de comunidades, mas é uma base. 2.2) Objetivos do Desenvolvimento Econômico de Comunidades Um dos compromissos mais completos com o DEC no Canadá está atualmente se desenvolvendo na província de Manitoba, que se comprometeu fortemente a uma estratégia integrada para a revitalização e renovação de economias da comunidade e saúde social e ambiental. A província de Manitoba criou um Comitê de Gabinete de desenvolvimento Econômico e de Comunidade (Community and Economic Development Committee of Cabinet - CEDC) que coordena iniciativas do Governo relacionadas ao desenvolvimento econômico e da comunidade através de departamentos e da província em geral. O CEDC desenvolveu o Sistema de Política e Lente de DEC (CED Policy Framework and CED Lens) de longo alcance que integra os princípios e metas do desenvolvimento econômico de comunidades aos mandatos e programas dos vários departamentos do governo. Como a abordagem de DEC de Manitoba tem sido reconhecida como um modelo excelente, ou “melhor prática” a ser seguida por outras províncias e territórios no Canadá, torna-se importante incluir a lista de metas de DEC por eles identificada e que pode ser transferida a outras culturas e ambientes político e social:1 1. Criar melhor capacidade da comunidade. A criação da capacidade da comunidade

envolve pessoas trabalhando, aprendendo, planejando e desenvolvendo programas, serviços e redes que facilitam o DEC. Criação de capacidade é um processo contínuo que engloba educação e conscientização da comunidade, desenvolvimento organizacional e estratégico. Capacidade da comunidade inclui instituições, relacionamentos e normas que direcionam a qualidade das interações sociais da comunidade. Por sua vez, tudo isso facilita o desenvolvimento, coordenação e cooperação.

2. Fomentar orgulho individual e comunitário, auto-confiança e liderança. O ponto em

que as pessoas conseguem tomar iniciativa e proporcinar liderança é altamente influenciado por seus próprios sentimentos de auto-confiança e auto-respeito. Esses fatores também afetam a habilidade de compartilhar e agir com senso de comunidade. Muito cuidado deve ser tomado para certificar que as políticas e programas do DEC são conscientemente designados a encorajar e apoiar inovação e liderança popular.

1 Metas de Desenvolvimento Econômico de Comunidades informadas por Shauna MacKinnon, Gerente de Projeto, Community and Economic Development Committee of Cabinet (email: [email protected]).

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3. realçar conhecimentos e habilidades. O DEC requer que os membros da comunidade tenham acesso a oportunidades de educação e treinamento relevantes e de valor acessível. Educação e treinamento contribuem para aumentar a capacidade de emprego, de produção e a inovação social e econômica. Assim como é vital construir economias fortes e permitir as pessoas a viver vidas significativas. Educação e treinamento são necessários para apoiar o aprendizado vitalício que possibilite os indivíduos e comunidades a se ajustarem em situações de mudanças e continuamente encontrarem suas necessidades.

4. desenvolver negócios que respondam às necessidades sociais, econômicas e

ambientais. Quando o investimento é estreitamente focado na realização de lucros comerciais, não há garantia de que o desenvolvimento do negócio terá um impacto desejável nas pessoas ou no ambiente. Os princípios do DEC podem ser usados para focar a atenção nas necessidades sociais, ambientais e econômica do todo. A tendência atual para os investimentos estão predominantemente baseadas na rápida movimentação de capital e maximização das taxas de lucro. Para o DEC, financiamento flexível e apoio no negócio são necessários para acomodar investimentos de pequena e larga escala, longos períodos e um equilíbrio entre benefícios social e ambiental e retorno comercial. O financiamento do DEC também necessita apoiar sólidas idéias de negócios que podem, ou não, ter acesso a formas convencionais de garantia.

5. criar desenvolvimento econômico balanceado, eqüitativo sustentável. Uma economia

forte precisa ter diversidade. Precisa haver um equilíbrio entre os diferentes setores da economia para que economias regionais e locais não fiquem vulneráveis a se desestabilizarem pelas altas e baixas do mercado. Este equilíbrio implica em fortes ligações entre indústrias e negócios na comunidade a nível local e regional. Circulação de renda, melhor que o consumo da renda, é um atributo de uma economia bem desenvolvida. Equilíbrio também implica em reinvestimento dos lucros na economia local. Destribuição igualitária de renda e bom controle ambiental são requerimentos adicionais de um desenvolvimento econômico equilibrado e sustentável.

2.3) Princípios do Desenvolvimento Econômico de Comunidades Os princípios e valores são peças-chave para ambos o desenvolvimento econômico de comunidades e a construção de capacidades, principalmente quando eles estão sendo considerados processos participativos e inclusivos. Eles devem ser baseados no respeito às pessoas, melhoria da qualidade de vida, valorização e apoio às diferenças culturais e preservação da terra, água e vida selvagem. O que fazemos agora nas comunidades tem um impacto na gerações futuras. Sendo assim, um dos valores predominantes no desenvolvimento econômico de comunidades é deixar um legado positivo, desenvolvendo a comunidade de forma a realçar todos os aspectos da comunidade (a ecologia total) e que seja apropriado para hoje tanto quanto para amanhã. Novamente vamos olhar para a província de Manitoba para revisar alguns princípios e valores essenciais de desenvolvimento econômico de comunidades:2

2 Metas de Desenvolvimento Econômico de Comunidades informadas por Shauna MacKinnon, Gerente de Projeto, Community and Economic Development Committee of Cabinet (email: [email protected]).

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1) Empregos locais: • Empreendimento de DEC devem apoiar a criação de oportunidades de emprego de

longa duração para residentes locais. • Criar oportunidades para maior auto-estima e auto-confinça de pessoal e comunidade. • Possibilitar o gasto da renda na economia local. 2) Posse e tomada de decisões locais: • Ajudar os membros da comunidade a aumentar a posse e controle sobre bens locais

como cooperativas e outros negócios da comunidade, propriedades, recursos naturais, etc.

• Encorajar forte envolvimento e liderança popular nas atividade de DEC. • Usar métodos democráticos e consensuais para tomadas de decisões.

3) Associações econômicas locais: • Ajudar a construir associações econômicas dentro da comunidade e além dela que

resultem em diversidade e balanço econômico – isso inclui um foco prioritário em comercialização de bens e serviços produzidos localmente e, inversamente, produzir bens e serviços para uso e benefício local.

4) Re-Inventimento dos lucros nas Comunidades: • Encorajar o re-investimento dos lucros nas comunidades de modo a expandir a

atividade econômica local e fortalecer a auto-confiança da comunidade.

5) Desenvolvimento de conhecimento e habilidade locais: • Proporcionar oportunidades de educação e treinamento acessíveis, relevantes e de

custo razoável para os membros da comunidade. • Apoiar aprendizagem vitalícia que possibilite as comunidades a se ajustarem a

mudanças e satisfazerem suas necessidades continuamente. • Promover aumento de empregabilidade, maior capacidade produtiva e inovação.

6) Impacto Ambiental Positivo: • Protejer o ambiente construindo áreas verdes, claras e seguras. • Gerar modos criativos de preservar recursos e melhorar o ambiente físico.

7) Saúde e Bem-estar: • Promover saúde e bem-estar físico, mental e emocional dos membros da comunidade

em casa, no trabalho e na comunidade como um todo. • Proporcionar oportunidades positivas de interação social e estímulo mental e de

atividades físicas saudáveis.

8) Estabilidade no bairro e coesão na comunidade: • Criar condições que encorajam os membros da comunidade a viverem e trabalharem

em suas comunidades com bases de longa durção (ex.residências confiáveis, ruas seguras, empregos estáveis).

• Promover um forte senso de comunidade, baseado em interesses compartilhados, experiências e iniciativas coletivas, para que todos os membros da comunidade sintam que têm um lugar na comunidade e uma participação em seu futuro.

9) Dignidade Humana:

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• Desenvolver relações e interações que construam orgulho individual e comunitário, auto-respeito e liderança.

• Reconhecer os membros da comunidade como o mais importante recurso do DEC. Workshop: Entendendo o Desenvolvimento Econômico de Comunidades na sua comunidade - Peça aos participantes para se apresentarem e explicarem porque eles estão ali. - Identifique algumas coisas que os participantes do grupo têm em comum. - Peça aos membros do grupo para lerem alto as definições, objetivos e princípios do

DEC descritos nas seções acima. - Divida em grupos para falar sobre eles e pensar a respeito de sua comunidade. - Discuta que necessidades da comunidade o DEC poderia ajudar a preencher e como

você poderia ver o DEC operando efetivamente em sua comunidade. - Faça os grupos reportarem suas discussões, faça anotações de observações e

comentários a respeito do que os participantes tenham chegado a um acordo. 3. CRIANDO CONSCIÊNCIA E APOIO PARA O PROCESSO DE DEC 3.1) Criando Apoio para Desenvolvimento Econômico de Comunidades (Criando

um Processo Local de Valor, Desenvolvendo Estímulo e Tornando a Comunidade Capacitada)3

Todas as comunidades têm uma história que é importante ser conhecida e honrada. Para criar consciência, entendimento e apoio para o processo de desenvolvimento econômico de comunidades, é importante criar previamente sucessos na comunidade; conhecer e reconhecer as contribuições dos outros; e involver uma grande gama de membros e interesses. Mais especificamente, para criar apoio para o DEC na sua comunidade, você deve considerar as respostas para as seguintes perguntas: • Por que você acha que uma abordagem de desenvolvimento econômico de

comunidades deve ser iniciada? • Quais benefícios resultarão dessa abordagem? • Quais os primeiros passos a serem dados? • Quais são as pessoas e/ou organizações que devem ter papéis de liderança? • Quais são as implicações de longa duração da iniciativa? Nenhum compromisso com qualquer processo ou ação de longa duração deve ser feito sem entender o que será feito, porque está sendo feito, sem uma previsão dos benefícios e quem estará envolvido. Desenvolvimento econômico de comunidades é um amplo conceito, então os indivíduos podem ter dificuldades em saber por onde começar e o que esperar dele. Quando os interesses são criados, porém, você quer uma forma imediata de tornar estes interesses em exploração e compromisso. Construir apoio para uma iniciativa de desenvolvimento econômico de comunidades é uma tarefa contínua.

3 Esta seção é um fragmento editado do The Community Development Handbook de Flo Frank e Anne Smith, páginas 26-32.

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Quem deve ser envolvido? O Desenvolvimento econômico de comunidades é um processo inclusivo. Os membros da comunidade com uma visão compartilhada e um senso de pertencerem a sua comunidade geralmente inicia o processo de DEC. É importante, porém, que o processo inclua uma grande variedade de interesses (ex. econômico, social, ambiental) e organizações (ex. governo, negócio, serviços sociais) que são parte de toda comunidade. A composição individual de uma comunidade influencia quem deve ser envolvido e que atividades serão vistas como legítimas. Certificar-se que diferentes culturas e interesses serão respeitados e envolvidos de uma forma significativa é importante. Por exemplo, respeito às tradições culturais, feriados religiosos, estar consciente de diferentes estilos de comunicação e certo de que pessoas com inabilidades podem participar inteiramente são as formas de construir credibilidade e apoio. Pontos a Serem Ponderados • Há respeito, cooperação e uma história de colaboração entre os diferentes interesses

e organizações dentro da sua comunidade? Se não, como os resultados do passado histórico podem ser superados?

• Há um desejo entre os vários interesses e organizações dentro da sua comunidade de trabalhar em união para o benefício da comunidade?

Criando um Processo Local de Valor Para criar um processo de desenvolvimento econômico de comunidades único e de valor, baseie-se no seu entendimento sobre a sua comunidade. Isto permitirá que você desenvolva um processo que responderá às suas próprias circunstâncias. Você deve tornar o conhecimento, conselho e experiência dos outros em seu próprio, ajustando e mudando para que encontre as necessidades específicas de sua comunidade em uma certa época. Criar um processo de desenvolvimento econômico para uma comunidade local envolve: • entender a sua comunidade; • aprender através de estórias de outros desenvolvimentos econômicos de comunidades

que foram bem-sucedidos; • aprender com esforços passados que não deram certo; • reconhecer os esforços, conhecimentos e habilidades de todos os envolvidos; e • ser responsivo e flexível para que o processo possa evoluir. Considerando-se que uma abordagem de desenvolvimento econômico de comunidades apenas funcionará caso os membros a enxergarem como um processo legítimo nas atividades e prioridades já existentes, a abordagem deve: • ser valorizada pela comunidade, • envolver os membros da comunidade, • ter uma liderança de confiança, e • produzir resultados que se encaixem na comunidade.

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Quando construir apoio na comunidade, identifique os indivíduos e organizações sustentadores e não-sustentadores. A seguir estão algumas sugestões de como você poderá fazer isso: • Aborde as organizações/indivíduos onde você acredita encontrar apoio. Você poderá

começar uma conversa sobre os interesses deles na iniciativa de desenvolvimento econômico da comunidade e se basear nisso. Convide pessoas interessadas para assumir um papel de liderança e se tornarem ativas na criação do plano de desenvolvimento.

• Num segundo passo, aborde as organizações que não se mostrem muito interessadas ou sustentadoras. Lembre-se que o desenvolvimento econômico de comunidades deve trazer mudança, substituir poder e resultar em novos relacionamentos. Algumas pessoas podem não ser receptivas ao conceitos do DEC, ou se sentir ameaçadas por ele, então tente prever as razões pelas quais eles possam mostrar resistência ou falta de apoio. Deve ser possível providenciar informação ou uma explicação que responderá aos interesses deles. Desenvolvimento econômico de comunidades é um processo aberto. Mantenha os não interessados bem informados e continue convidando-os a participar do processo. Procure por interesses compartilhados ao invés de fatores que causem divisão ou discórdia.

A construção do apoio proporciona o fundamento do processo de desenvolvimento econômico de comunidades. Você está criando o cerne do interesse e a base do compromisso dentro da sua comunidade que continuará a crescer. Leva tempo, principalmente se a comunidade não possui experiência nesse tipo de desenvolvimento coletivo ou participatório. Desenvolvimento econômico de comunidades é também um processo vivo. Muitas comunidades começam fortes mas falham em sustentar a natureza participativa do processo. Para manter interesse e apoio através do tempo, inclusão e participação local devem ser construídas na natureza do processo e devem ser mantidas através dele. Isso pode ser feito através de:

• Planejamento antecipado do processo; • Avaliação do processo conforme é implementado e adaptações quando necessárias; • Comunicação clara; • Desafio a você mesmo a ser bem sucedido focalizando no objetivo comum; • Desenvolvimento de uma rede informal, falando com as pessoas sobre o plano de

desenvolvimento econômico de comunidades e os benefícios que irá produzir; • Organização de encontros a intervalos regulares para manter a comunidade informada

e criar oportunidades de discussão; • Divulgação e promoção de sua iniciativa através de indivíduos ou organizações

conhecidos por serem fortes sustentadores do desenvolvimento econômico de comunidades;

• Identificação dos indivíduos ou organizações que não sejam fortes sustentadores do DEC – para ouvir suas preocupações e convidá-los a participar;

• Atribuição de tarefas e papéis concretos que indivíduos e organizações possam executar ou se tornar envolvidos; e

• Reconhecimento das contribuições dos indivíduos e organizações e comemoração do sucesso.

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Desenvolvendo Estímulo As iniciativas do Desenvolvimento Econômico de Comunidades podem falhar graças à falta de apoio ou estímulo dos membros e organizações da sua comunidade. Quando um processo participativo é desejado sinceramente e indivíduos e organizações acreditam que estão sendo ouvidos e incluídos, você terá percorrido grande parte do caminho para construir propriedade, apoio e legitimidade para a comunidade. Embora não haja dúvida de que desenvolvendo esse apoio ou estímulo necessite de tempo e muito trabalho, desenvolver e manter interesse e envolvimento da comunidade é parte integrante do processo. Possíveis erros comuns são: • A falha em antecipar o tempo necessário para desenvolver apoio para o

desenvolvimento da comunidade; • Imposição de uma visão sobre os membros da comunidade; • Falha em envolver todos os interesses e setores da comunidade no processo de visão; • Criação de processos que não são inclusivos ou abertos, que falham ao construir

ímpeto; • Início forte, mas falha em informar ou envolver a comunidade de uma maneira contínua

e significativa; • Líderes que tomam controle e falham em construir propriedade da comunidade; e • Voluntários e/ou trabalhadores pagos em papel ativo que vêem a ação ou iniciativa

como pertencente a eles ao invés da comunidade. Dez chaves para se conseguir “Buy In” 1. Comunicação e apreciação efetiva 2. Visão e objetivos comuns 3. Um plano compreensível, claro 4. Liderança apropriada 5. Apoio político e da comunidade 6. Informação e recursos adequados 7. Aconselhamento profissional e assistência técnica 8. Flexibilidade e a habilidade de comprometimento 9. Participação de vários grupos diferentes 10. Vontade de trabalhar com mudança e variedade

Construindo Capacidade na Comunidade A construção da capacidade da comunidade envolve muitos aspectos e considerações. Não há clara concordância sobre o que deve ou não deve ser incluído ao se discutir construção de capacidade. Freqüentemente, refere-se a habilidades, conhecimentos e aptidões, mas pode também incluir coisas como acesso, liderança, infraestrutura, tempo, comprometimento e recursos. A falha no embasamento de forças, habilidades, aptidões e conhecimento provavelmente colocará sua iniciativa de desenvolvimento econômico de comunidades em risco. DEC não pode ser sustentado sem a participação ativa e contínua dos membros da comunidade. As pessoas não participam se suas contribuições não são valorizadas e

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reconhecidas ou se a participação não melhora sua situação particular. Não peça envolvimento e ajuda aos membros da comunidade se você não estiver disposto a dá-los um papel significativo ou que encontre seus interesses e necessidades. 3.2) Atividades de Workshop: Construindo Capital para a Comunidade Através

de Mapeamento (biofísico, das redes sociais e dos bens econômicos da comunidade)4

Os mapas podem representar visualmente os valores cultural, social e econômico de uma comunidade assim como o poder e capacidade das pessoas. Os mapas também nos mostram as características da terra em que vivemos – áreas importantes para nós, áreas frágeis e que precisam ser protegidas, etc. É possível mapear muitas coisas na sua comunidade, incluindo: características físicas que você queira preservar; pontos culturais e históricos; o âmago do negócio, áreas residenciais pouco desenvolvidas para moradias; lugares de eliminação de resíduos; terras livres e abandonadas; lugares potenciais para mercados. Os exercícios de workshop seguintes apresentarão alguns modos de mapear terra, pessoas e instituições. Quando completos, esses mapas podem ser sobrepostos para dar uma visão mais completa dos bens físicos, culturais e econômicos de uma área e proporcionar a base para criar uma visão concreta do DEC para a comunidade. Workshop – Mapeamento Biofísico • Comece dando aos participantes tempo para decidir qual área, bairro ou região eles

querem mapear. Divida-os em pequenos grupos e faça um debate de quais características biológicas e físicas eles consideram importantes incluir no mapa de bens da comunidade deles.

• Peça aos grupos que compartilhem as caracteríticas que cada um achou importante mapear e liste-as.

• Discuta os tipos e escalas dos mapas. O grupo precisa decidir o propósito do mapa e determinar a área a ser mapeada e a escala.

• Dê aos grupos 30 minutos para trabalhar nos mapas (enfatize que não se requer perfeição).

Workshop – Mapeamento das Redes Sociais • Uma parte importante do processo de DEC é a valorização das pessoas, seus talentos

e habilidades ou, em outras palavras, suas qualidades e capacidade. Todo indivíduo e toda sociedade têm qualidades a serem desenvolvidas e o DEC pode ajudar a identificar, mobilizar e fortalecer e criar novas qualidades que beneficiem as comunidades.

• O grupo deve se separar em pares e passar 20 minutos fazendo um inventário de capacidade (habilidades e dons).

• Chame novamente os grupos para discutir suas descobertas. Discuta se caso eles tivessem esse tipo de informação em grandes números de pessoas na comunidade, como eles poderiam organizá-la para levar a uma mudança efetiva? Como poderiam ligar habilidades individuais a habilidades de outras pessoas, organizações e

4 Esta seção é um fragmento editado de The CED Tool Kit, de Susan Gage e Robin J. Hood, páginas 7-21

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empreendimentos? Como poderiam ligar habilidades individuais a grupos locais ou atividades? Como poderiam ligar habilidades individuais a grupos, programas ou financiamentos que pudessem assisti-los para desenvolver uma empresa?

• Realize um debate e liste os grupos da comunidade que podem estar interessados no DEC. Olhe com mais cuidado alguns grupos da comunidades que podem ser ajudados com parcerias positivas, inclusive jovens, idosos, pais solteiros, artistas, etc. Quais as qualificações desses grupos?

• Pense em tomadores de decisão na comunidade: Quem são eles? Quem e onde estão as associações locais e organizações que estão ligadas a este setor (ex. Instituições religiosas, organizações culturais, negócios, instituições financeiras)?

• Quais as instituições locais para construção da comunidade (parques, bibliotecas, escolas, faculdades locais, hopitais, etc.)?

• Desenhe todos os grupos e suas possíveis ligações em mapas e/ou diagramas – padrões interessantes podem surgir!

Pesquisa do Inventário da Comunidade5 Cheque a habilidade Anote sua aptidão

HABILIDADE CRIATIVA

Corte e Costura Decoração Bordado Desenho e Pintura Fotografia Tocar um instrumento Cantar Dançar Atuar / interpretar Outras Habilidades Criativas HABILIDADES DE ESCRITÓRIO

Telefone Digitação e Formulários Contabilidade e Folha de Pagamentos

Máquinas de escritório Outras habilidades HABILIDADES DE VAREJO E VENDAS

Serviço ao Consumidor Registro de Caixa Telemarketing

5 Adaptado de Building Communities From the Inside Out, de Kretzmann and McNight.

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Outras Habilidade HABILIDADE COMIDA E BEBIDA

Cozinha e Alimentação Serviço de garçon Serviço de bar Outras habilidades HABILIDADES DE CUIDADOS ESPECIAIS

Babá Daycare Cuidados com Idosos Cuidados com Doentes / Deficientes

Cuidados com jovens / Jovens de risco

HABILIDADES DE CONSTRUÇÂO

Construção Alvenaria Trabalho Elétrico Cobertura Encanamento Carpintaria Solda Outros JARDINAGEM

Manutenção de gramado e jardim Paisagismo Planejamento e Design de Jardim Outros OPERAÇÃO DE MAQUINÁRIO

Equipamento Grande ou Pequeno Ferramenta Motorizada Outros MANUTENÇÂO E REPAROS

Reparos elétricos Auto Reparo

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Manutenção geral OCUPAÇÕES PROFISSIONAL, TÉCNICA E DE GERÊNCIA

Medicina e Saúde Computação Educação Redação Arte Esportes Publicidade Outros OCUPAÇÕES DE VENDAS E ESCRITÓRIO

Digitação Computação e Contabilidade Vendas Outros OCUPAÇÕES DE SERVIÇOS

Serviços Domesticos Comida e Bebida Alojamento Cabeleireiro Serviços Pessoais Recreação Serviços de Construção Outros OCUPAÇÕES DE PROCESSO

Mineração Comida Papel Óleo e Gas Natural Químicos ou Plásticos Produtos de Madeira Pedra Têxteis Outros AGRICULTURA E RECURSOS INDUSTRIAIS

Lavoura

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Pesca Silvicultura Outros HABILIDADES COM MÀQUINAS

Impressão Mecânica e Conserto Produção Têxtil Outros TRABALHOS DE ESTRUTURA

Pintura Escavação Solda Elétrico Outros OCUPAÇÕES DIVERSAS

Radio / TV / Produção de Video Transportes Empacotamento Distribuição de Utilidades Outros

W •

OUTRAS EXPERIÊNCIAS 1. Você já trabalhou como autônomo formal ou informalmente? Se sim, por favor

descreva o seu negócio. 2. Qual o seu histórico educacional? 3. Que tipos de assistência ajudariam você a cumprir seus objetivos educacionais

ou de treinamento? 4. Você já fez trabalho comunitário? Quais habilidades você tem nessas áreas? 5. Que áreas da vida da comunidade você gostaria de estar envolvido?

orkshop – Bens Econômicos da Comunidade

Como os recursos naturais que se encontram escondidos, também capacidades individuais e redes sociais que possam estar inexploradas podem ser revitalizadas. O DEC lida com o potencial, o uso criativo das capacidades e a formação de novas parcerias. A informação que sua comunidade está juntando pode ser usada para criar novos negócios ou revitalizar a economia existente em novos caminhos.

Comece definindo as fronteiras da comunidade e decidindo que bens econômicos você gostaria de pesquisar ou faça um inventário geral. Faça os seguintes tipos de perguntas: Que negócios estão presentes em nossa comunidade ou perto dela? Que ligações a esses negócios têm os moradores locais em termos de trabalho e treinamento? Que ligações têm com os grupos da comunidade local? Que ligações

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têm com organizações em termos de compra, investimento e atividade voluntária local?

• Escolha um método para coleta de informações baseado nos recursos organizacionais do seu grupo. Você pode fazer uma pesquisa – ande pelo seu bairro ou a área em que você decidiu fazer o seu inventário e identifique todos os negócios presentes. Nesse caso, cada pessoa no grupo anotará os nomes dos negócios e seus endereços, números de empregados, tipo de negócios, tamanho e total de vendas. Também podem encontrar respostas para os seguintes tipos de perguntas: Eles contratam trabalhadores locais? Para que funções? O que eles vendem localmente? O que eles compram localmente (bens e serviços)? Eles investem localmente (que banco ou cooperativa)? Eles reinvestem (em bens imóveis) localmente?

• Tendo coletado os dados do inventário de negócios, você pode localizar os negócios no mapa base (provavelmente um mapa de ruas) usando canetas coloridas e uma legenda.

• O próximo passo é considerar o que você já descobriu sobre os negócios na sua comunidade e estabelecer as conecções que os negócios têm com outras partes da comunidade.

• Você pode querer sobrepor o mapa de negócios e oportunidades econômicas com o mapa de terra.... Juntando os dois você poderá ter novas inspirações!

4. DESENVOLVENDO UM PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE

COMUNIDADES 4.1) Os Sete Passos Para o Planejamento Estratégico6 Depois de mapear os bens de sua comunidade (ambiental, pessoal/social, organizacional, institucional, econômico) você pode partir para o planejamento estratégico. Todo empreendimento de DEC envolve algum grau de planejamento. Apesar de parecer ser irresistível, o planejamento estratégico é muito importante por estabelecer os fundamentos para todo o resto. Vale a pena passar algum tempo planejando. Aqui estão os 7 passos para o planejamento estratégico: 1. Preparação 2. Desenvolvimento da visão 3. Criação do enunciado de missão 4. Análise do momento atual 5. Escolha de estratégias 6. Estabelecimento de Objetivos Estratégicos 7. Desenvolvimento de um Plano de Operações PRIMEIRO PASSO: Preparação Dependendo do tamanho do seu grupo, o processo de planejamento estratégico deve ser organizado de maneira diferente. Um pequeno grupo de pessoas que se conhecem bem podem apenas planejar de se encontrar para uma tarde ao redor da mesa da cozinha. Um grupo maior, mais complexo com diferentes grupos de interesse podem necessitar de facilitadores, etc. Nesse estágio é importante considerar as seguintes questões: 6 Os Passos para Planejamento Estratégico foram adaptados de The CED Tool Kit de Susan Gage and Robin J. Hood, páginas 23-27.

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• Você tem estímulo? • Todos entendem o propósito do planejamento estratégico? • Como você pode envolver todo mundo? • Existe alguém do grupo que pode liderar o processo ou você deve contratar um

consultor/facilitador para todo ou parte do processo? • Você tem um time de planejamento? • Quais os membros do grupo devem ser envolvidos no planejamento do processo? SEGUNDO PASSO: Desenvolvendo uma Visão Desenvolver uma visão de DEC requer pensar grande. Considere o que você realmente quer ver no futuro referente a muitas áreas - econômica (criando o sustento), social (ligando pessoas) e cultural/espiritual (tradições que importam a você). Uma visão deve expressar os valores que você considera muito importantes. Deve visar além de um futuro imediato, um futuro de 10 ou 20 anos à frente. A visão deve envolver a maioria, senão todas as pessoas do grupo da comunidade. Deve surgir de um processo onde as pessoas se juntam e expressam seus sonhos, escrevem-nos no papel ou numa lousa e surgem com uma imagem para um futuro que eles gostariam de alcançar. Atividades de Workshop: Definindo uma Visão de DEC para a sua Comunidade Este workshop pretende encorajar os membros da comunidade para definir coletivamente o significado de “desenvolvimento econômico” e ”melhoria da qualidade de vida” em seu contexto e priorizar e pensar estrategicamente em atividades para encontrar necessidades presentes e futuras. Um processo de visão deve expressar a perspectiva de todos os membros da comunidade, incluindo os mais marginalizados. Isto pode significar disponibilizar diferentes formas de expressão como escrever, desenhar, interpretar, falar, etc. Pontos de Discussão: • O que você gostaria de ver mudar em sua comunidade? • Quais os mais importantes lugares, pessoas e aspectos da comunidade? • Já houve planos para melhorar a comunidade no passado? Como eles falharam ou

sucederam? Atividades: • Desenhe ou escreva sua visão da comunidade em dez anos. Inclua lugares que você

gostaria que continuassem iguais e os que você gostaria de ver mudar. TERCEIRO PASSO: Criando um enunciado de missão Quando os principais elementos da sua visão compartilhada estão claros, você irá querer expressá-la em uma ou duas frases – este é o seu enunciado de missão. Esse enunciado é algo que você pode entregar a outras pessoas para deixá-las saber sobre o que o seu grupo trata. Também será a lente pela qual você examinará os objetivos específicos e projetos que você deseja empreender. Pense em sua visão e tente expressar seus principais elementos em 2 ou 3 sentenças. Um bom enunciado de missão é a diretriz Qual/Quem/Como: • Qual o propósito desta organização?

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• A quem ela serve? • Como fará para cumprir sua missão? QUARTO PASSO: Analizando o momento atual Agora que você tem o enunciado de missão, é hora de considerar sua realidade presente. Onde está o seu grupo agora? Quais as oportunidades e ameaças nesse ambiente? Uma boa abordagem a estas questões é a análise PFOA: Potencialidade, Fragilidades, Oportunidades e Ameaças. • Potencialidades: Quais as potencialidades do grupo? Pense a respeito das finanças,

acesso a recursos valiosos como espaço livre, habilidades e experiências das pessoas no grupo.

• Fragilidades: Quais as fragilidades no grupo? Onde os membros do grupo precisarão de apoio ou treinamento?

• Oportunidades: Quais as oportunidades na comunidade? Há lacunas em serviços que podem ser preenchidas pelo seu grupo? Existem grupos que poderiam se tornar seus parceiros?

• Ameaças: Quais os perigos e dificuldades da sua comunidade? Pense na população, recursos da comunidade, normas e pressões que possam dificultar sua missão, outras organizações fazendo coisas semelhantes, etc. Tente imaginar possíveis problemas.

Workshop – Realize um debate sobre a análise PFOA para a sua comunidade. QUINTO PASSO: Escolhendo Estratégias Pense nas suas escolhas para um empreendimento ou iniciativa de DEC: • Você quer investir em um projeto de eqüidade (investindo em propriedade e negócios

locais)? • Você quer investir num projeto de débito (conseguindo empréstimos para negócios e

organizações locais)? • Você quer investir em desenvolvimento de pessoas (treinamento)? • Você quer investir em atividades de “direção” (planejamento, pesquisa, advocacia e

recursos)? Explore realmente todas as possíveis opções e então tente fazer uma avaliação profunda de duas ou três das melhores opções. Considere fatores da sua análise PFOA que afetariam essa opção. Por exemplo: • Quais potencialidades esta opção criaria? • Quais oportunidades da comunidade ela poderia aproveitar? • Como o grupo poderá superar as fragilidades ou ameaças? • Se o grupo for bem sucedido nesta opção, o que terá consquistado? Quando toda esta análise for feita, o seu grupo deve emergir com uma estratégia ou projeto escolhido e talvez uma lista de prioridades para o futuro. NOTA: sua estratégia é a abordagem que você vai usar para cumprir sua missão. Com freqüência, sua estratégia será um projeto específico. Ex. Você pode decidir atacar o problema do subemprego

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abrindo um negócio que você combinará com um programa de treinamento de pessoal. Esta será sua estratégia para controlar o subemprego. SEXTO PASSO: Estabelecendo Metas Estratégicos Metas estratégicas são afirmações de onde você gostaria de estar nos próximos 5 anos. Elas são geralmente bastante específicas. Ex. Quantas pessoas serão treinadas? Que pessoal será recolocado? Você está agora fazendo o mapa de onde você quer ir e estimando quando você chegará lá. Pergunte-se: • O que poderemos realmente alcançar em 5 anos? • Que fraquezas precisamos superar? • Como saberemos se fomos bem-sucedidos? Faça suas metas claras, realistas e de acordo com seu enunciado de missão. SÉTIMO PASSO: Estabelecendo um Plano de Operações Você tem agora todos os principais instrumentos para iniciar um projeto de DEC. É hora de seguir em frente. Comece a pensar em seus objetivos, planos de ação, plano de orçamento/negócios e estratégias de avaliação: • Objetivos são metas a curto prazo – o que você pretende conseguir para o ano

seguinte. Ex. Se sua meta estratégica para 5 anos é contratar e treinar 75 jovens, você pode decidir os seguintes objetivos para o primeiro ano: (1) obter o capital inicial necessário, (2) encontrar um local adequado para o restaurante, (3) contratar um treinador e trabalhar com ele/ela para desenvolver um plano de treinamento, (4) começar os primeiros 6 meses de treinamento.

• Plano de Ação - aqui você divide seus objetivos em uma lista de ” coisas a fazer”, um processo passo-a-passo pelo qual você conseguirá as pessoas, o dinheiro, o equipamento e espaço necessário para o sucesso.

• Orçamento – nesse ponto comece a pensar nas coisas com custo (PESQUISA) para que você seja capaz de desenvolver um orçamento realista.

• Avaliação – Crie espaços para perguntar “como estamos indo?” 4.2) Desenvolvimento do Empreendimento – 5 Passos Para Selecionar e Começar

um Negócio7 O desenvolvimento do empreendimento é um processo pelo qual oportunidades de negócio são identificadas, examinadas, selecionadas, planejadas e implementadas. O processo de empreendimento de DEC é basicamente o mesmo processo pelo qual qualquer pequeno negócio passa. Os 5 estágios básicos numa seleção de empreendimento de DEC são: 1. Identificar a oportunidade

7 Os estágios para selecionar e começar um negócio foram selecionados do The CED Tool Kit (Gage e Hood), páginas 39-44.

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2. gerenciar as opções através do critério de seleção de empreendimento 3. Análise da primeira seleção e pré-viabilidade 4. Segunda seleção 5. Análise de viabilidade Workshop (estágios 1 & 2): Identificar a Oportunidade e Gerenciar as Opções pelo critério de seleção do Empreendimento • Comece perguntando “Por que queremos começar um negócio?” Debata todas as

respostas dos membros e selecione 5 razões. • Depois pergunte “O grupo tem o necessário?” Use a lista abaixo para estimar o seu

grupo em suas características empreendedoras usando uma escala de 1 a 10 (baixa a alta). Você pode fazer esse exercício individualmente e então comparar as respostas com o teste do grupo.

Características Empreendedoras8 Característica Escala (1-10)

1. Orientação e lucro 2. Toma iniciativas e procura

responsabilidades individuais 3. Independência 4. Tem propulsão e energia 5. Envolvimento a longo prazo 6. Dinheiro não é um fim em si mesmo 7. Persistente resolução de problemas 8. Estabelecimento de metas 9. Risco Moderado 10. Vê fracasso como oportinidade 11. Usa o retorno 12. Usa conselho e crítica de outrem 13. Compete contra padrões auto-impostos 14. É dono do próprio destino 15. Tolera ambigüidade e incerteza 16. Otimismo 17. Inovativo e criativo 18. Bom relacionamento interpessoal 19. Flexibilidade 20. Bom vencedor 21. Possui integridade 22. Tem visão, perceptivo 23. Gosta de desafios

8 adaptado do Venture Development Basics: A Workbook de Green, Frank and Lewis.

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Pontos de discussão: • Quais aspectos da economia são atualmente controlados pela comunidade e quais não são? • Quais aspectos da economia você gostaria de ver controlados localmente? • Qual a sua visão ideal da economia local? • Que atividades econômicas são atualmente as mais praticáveis para controle local? E a longo

prazo?

Outras Atividades de Workshop: • Liste todas as idéias de negócios potenciais dados os bens da comunidade e a

capacidade do grupo. Providencie papel para listagem, prioridade e listagem. Tenha em mente que você tem que escolher um empreendimento adequado às prioridades de sua comunidade e que possa proporcionar treinamento e empregos para as pessoas.

• Entre em acordo de Estímulo de todos os membros do grupo sobre como as decisões de seleção serão feitas.

• Pegue sua lista de empreendimentos potenciais e avalie cada um usando uma pontuação de 0 a 5 (baixa a alta) para o critério de seleção como o seguinte:

• Emprega membros da comunidade de baixa renda; • Requer baixo capital inicial; • Localizado na comunidade; • Chegará ao ponto de equilíbrio dentro de um ano; • Não compete com negócios já existentes na comunidade; • Acaba com escoamento do dinheiro da comunidade; • Utiliza perícia organizacional pre-existente; • Providencia serviços ou produtos necessário à comunidade.

• Adicione ao total. Uma pontuaçãode 0 = empreendimento não se encaixa no critério de seleção de atividade de DEC. Empreendimentos com maiores pontuações são os que melhor se encaixam nas necessidades de sua comunidade.

• Liste os 4 ou 5 empreendimentosde maior pontuação. Workshop (Estágio 3): Análise de First Cut e Pré-viabilidade Pegue sua lista de 4 ou 5 empreendimentos, discuta e enumere cada um embaixo das seguintes categorias (considere a viabilidade de): • Produto ou serviço • Mercado • Competição • Organização • Financiamento

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Use papéis grandes e liste os prós e contras de cada empreendimento assim como o sistema de pontuação para identificar o empreendimento mais viável. Neste estágio, se o seu grupo está com seriedade para começar um empreendimento de DEC, todos os tomadores de decisão apropriados devem estar envolvidos no processo. O grupo pode trazer um consultor com perícia nesta área, mas certifique os membros envolvidos no processo para que as habilidade sejam transferidas ao grupo. Workshop (Estágio 4): Segunda seleção Agora você precisa selecionar as duas ou três melhores oportunidades e descartar as outras idéias. Você pode usar os filtros de seleção abaixo como ferramenta para avaliar empreendimento potencial novamente. FILTROS DE SELEÇÃO9

Filtros Organizacionais: • É feito com recursos que possuimos? • Cria habilidades na organização? • Nos dá uma posição numa indústria particular que estejamos interessados como um ponto

de acesso? • Aumenta nossa capacidade de gerenciar grandes projetos? • Se encaixa na estratégia da comunidade? • Irá gerar rendimento para outros projetos? • Irá maximizar seus benefícios financeiros de aluguéis, royalties, juros, seguros, lucros e bens

compartilhados? Filtros de Negócio: • É um mercado em crescimento? • É um investimento de baixo capital? • Há uma baixa necessidade de reinvestimento? • É um empreendimento rentável (considere médio e longo prazo)? • Quais são os riscos? Haverá bens sem utilidade no caso de back-out? • É elegível para qualquer tipo de subsídio, inicial ou a longo prazo? • Há potencial para uma joint venture? • O empreendimento tem licenciamento ou requisições especiais? • O negócio irá requerer reinvestimento substancial para manter ou expandir sua estabilidade e

lucratividade? • Sua organização está disposta a aceitar posse compartilhada do empreendimento se for

necessária eqüidade financeira? Filtros da Comunidade • Empregos serão criados? Quantos? De curta ou longa duração? • É sustentável? • Poderá criar outros empreendimentos “filhos”? • Proporciona serviços e/ou bens necessários? • Qual será seu impacto nos aspectos social, cultural e ecológico da comunidade?

9 Os Filtros de Seleção foram criados através de uma série de workshops sobre DEC em Victoria, BC, Canada organizados por Susan Gage e Robin J. Hood pelo seu manual, The CED Tool Kit.

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• Proporciona entrada para posse comunitária na economia local? • O dinheiro irá circular na comunidade? • Irá usar bens e serviços locais? • Criará treinamento e aumentará capacidades locais? • Ampliará o perfil da comunidade? • Proporciona envolvimento da comunidade na tomada de decisões? • Corresponde aos interesses e circunstâncias dos membros da comunidade? • Proporciona empregos e habilidades de trabalho e aumenta a disponibilidade de empregos

de qualidade? • Cria oportunidades para os membros assumirem as responsabilidades de gerentes e

diretores? • Tem impactos negativos ou implicações à saúde? Workshop (Estágio 5): Análise de Viabilidade Agora é hora de considerar se o empreendimento selecionado do segundo exercício de corte irá gerar lucros. Pontue cada empreendimento usando as mesmas categorias (produto ou serviço, mercado, competição, organização, finanças). Observe o que pode ser eliminado e que áreas poderão precisar ser adicionadas. Considere a natureza e circunstâncias naturais da sua comunidade no seu processo de avaliação. Após o grupo ter completado seu julgamento, peça a ele para preparar um pequeno resumo sobre se deve-se ou não dar procedimento ao empreendimento selecionado ou voltar a examinar outras oportuidades. 4.3) Criando um Plano de Negócio10 Criar um plano de negócios é uma forma de planejar à frente e ter certeza de que seu empreendimento será bem sucedido. Se fizer bem feito, você poderá prever as dificuldades e oportunidades de seu empreendimento. Ao estabelecer um plano de negócios, você dá uma boa olhada à questão do dinheiro. Qual a quantia necessária para começar e operar? Como será a situação de fluxo de dinheiro? Você precisará de um plano de negócios para mostrar a banqueiros ou oficiais de cooperativas para conseguir um empréstimo, possíveis parceiros de negócios, credores (que lhe darão crédito), proprietários, acionistas, quadro de diretores, etc. É uma espécie de mapa que lhe servirá de guia. Antes de realmente criar um plano de negócios você precisará considerar como você vai estruturar o seu negócio – será uma empresa, cooperativa, organização sem fins lucrativos, ou outra coisa? Como a sua estrutura dependerá do que você quer conseguir: lucro, empregos, ou outras metas sociais? Você também precisará considerar a posse de seu empreendimento. Algumas vezes a melhor maneira para reduzir risco financeiro é compartilhá-la – Dividir a propriedade do empreendimento juntamente com outras pessoas ou grupos. Propriedade única é quando

10 Os passos para criar um plano de negócios foram adaptados de Gage e Hood, páginas 47-50.

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uma pessoa tem 100% dos lucros e 100% do risco de um negócio. Numa joint venture, você divide o negócio entre dois ou mais parceiros (pessoas ou organizações). Cada parceiro deve possuir uma porcentagem de ações ou pode ser uma parceria de não corporação onde um acordo dita as condições e direitos de cada parceiro. Parceria conjunta pode ser vantajosa porque parceiros podem trazer dinheiro e perícia ao negócio. Mas também há riscos em parcerias conjuntas. Para minimizar os riscos, descubra o máximo que puder sobre seu(s) parceiro(s) potencial. Se o parceiro for uma empresa, descubra sua história. É antiga e estável? Tem se dado bem? Olhe os lucros e indicações de perda mensais e relatórios anuais. Desenvolva um plano organizacional claro, destacando quem irá suprir, fazer e receber o quê. Workshop: Tipos de Empreendimentos (atividades pré-plano de negócio) Imagine que você é uma corporação de DEC ou outro grupo planejando entrar num negócio. Aqui estão os empreendimentos que você está considerando: 1. Um serviço de correio (custos iniciais, carro, escritório) 2. Uma padaria (custos iniciais; comprar uma já existente, treinamento) 3. Um empreendimento de turismo ao ar livre (custos iniciais: equipamento, terreno,

treinamento) 4. A selection logging venture (custos iniciais, equipamento, terreno, treinamento) 5. Uma loja em consignação de roupas de segunda mão (custos iniciais: aluguel). Para cada uma dessas opções, examine os prós e contras dos diferentes tipos de posse (única ou joint). Workshop: Inventório de recursos (atividades pré-plano de negócio) Antes de realmente começar o plano de negócio, pegue um inventário de negócios. Que habilidades você tem nessas três áreas? 1. Técnica - você tem habilidades específicas apropriadas para o empreendimento, ex.

assar, logging? 2. Negócios - você já se envolveu em negócios anteriormente? 3. Organizacional - você tem uma forte organização atrás de você? Workshop: Criando um Plano de Negócio Existem 8 passos para criar um plano de negócio. Se você tem um grupo grande suficiente, você pode decidir quebrá-lo em 8 pequenos grupos ou parceiros e designar um passo a cada um. Depois de cerca de 15 minutos, chame os grupos para um rápido relatório e faça uma discussão geral do processo. Os grupos expuseram suas partes do plano de negócio? Passe alguns minutos discutindo como foi o processo de planejamento e onde os grupos descobriram "buracos". Discuta o que foi difícil no processo, o que foi fácil, onde o seu grupo precisaria de guia e quem pode checar o plano de negócio antes dele ser formalmente apresentado. Aqui estão os passos: 4.4) Oito Passos para Criar um Plano de Negócio Primeiro Passo: O Perfil do Negócio

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Descreva a natureza do empreendimento, incluindo o tamanho e estrutura da força de trabalho; as facilidades necessárias; a experiência dos membros; a disponibilidade de capital; e outros recursos que o grupo tem. Segundo Passo: Definição do Produto Descreva o produto ou serviço que o empreendimento irá oferecer, incluindo se há produtos concorrentes no mercado local. Descreva a vantagem única do seu produto ou serviço e decida como os preços serão estabelecidos. Terceiro Passo: Definição do Mercado Pesquise e defina o mercado que seu negócio pretende servir, incluindo: • Estime: quantos clientes potenciais existem? • Quais foram as vendas anuais deste tipo de produto no passado? • Quem são os concorrentes? • Qual a sua estratégia para ganhar uma porção do mercado? • Pense no tamanho da fatia do mercado que o seu empreendimento precisa para

suceder. Quarto Passo: O Plano de Operação Descreva como você vai administrar o negócio, inclusive se você vai fazê-lo você mesmo ou contratar alguém. Você está alugando ou comprando prédios ou equipamentos ou facilidades, você vai contratar parte da empresa para firmas de fora? Você vai envolver outros grupos da comunidade? Quinto Passo: A Disposição dos Lucros Descreva como sua empresa vai dividir os lucros, inclusive se a empresa paga dividendos para seus membros ou reinveste os lucros. Quanto do lucro ela vai reter para recolocação de capital, pagamento de dívidas e qualquer outra reserva necessária? Sexto Passo: Orçamento O orçamento inicial deve cobrir um período de três anos e incluir áreas como: • Fontes de rendimento (identifique as fontes e estime o rendimento de cada fonte,

incluindo qualquer subsídio ou programa de treinamento) • Custo de gerar rendimento (determine o custo direto de entrega do seu produto ou

serviço ao seu cliente) • Gastos gerais (liste os gastos que a empresa terá nas operações do dia a dia) • The bottom line (estime a rede de resultados para cada um dos próximos três anos) • Prepare um balanço exemplo para o primeiro ano com o crescimento esperado em

bens, pagamento de dívidas e acumulação de capital • Prepare uma previsão de fluxo de caixa (você terá que comprar equipamento, efetuar

pagamentos de empréstimos, existem atrasos na arrecadação dos rendimentos?)

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Sétimo Passo: O Plano de Financiamento Identifique as fontes de capital inicial. Ele virá de membros, programas do governo e subsídios, investidores de fora, investidores alternativos ou empréstimos? Oitavo Passo: Escrevendo o Plano de Negócios Pegue toda essa informação e escreva-a. Tente que um bom editor dê uma olhada e certifique-se que você cobriu todos os ítens em linguagem simples, clara. 5. HABILIDADES DO FACILITADOR11 Esta seção identifica alguns dos desafios e dificuldades mais comuns que as comunidades encontram ao construir capacidade, implantar um processo de desenvolvimento econômico de comunidades e no trabalho coletivo em geral. Logicamente, cada comunidade é diferente, portanto os problemas que surgem serão levemente diferentes e as soluções que você encontrar podem ser melhores que as aqui oferecidas. Esta seção é simplesmente um guia para ajudar na discussão e para criar um melhor entendimento de desafios relacionados tanto ao desenvolvimento econômico de comunidades quanto à construção de capacidade. 5.1) Do Planejamento à Ação Se você está produzindo um plano de desenvolvimento econômico de comunidades pela primeira vez, os passos envolvidos na criação da visão, metas, objetivos e planos de ação podem parecer intermináveis. Seja paciente e tente não apressar o processo. Conseguir o envolvimento e estímulo de uma parte abrangente dos membros da comunidade é essencial para um sucesso duradouro. É importante também lembrar que o planejamento não ocorre no vácuo. As atividades e oportunidades da comunidade ocorrem concomitentemente ao processo de planejamento; portanto você deve deixar o senso comum e a visão da comunidade guiar suas ações. Porém, muitas comunidades acham que o processo de planejamento pode ser frustrante se não houver foco nas ações ou resultados aparente. Se você acha que está ficando incapaz de progredir no planejamento e frustrado por falta de ações concretas, então: • Priorize suas metas e objetivos, e focalize sua energia e capacidade nessas áreas; • Pergunte-se se você não está tentando fazer tudo para todos e se o foco da sua

atividade de DEC não precisa ser mais centrado de modo a torná-lo executável e de acordo com a atual capacidade da comunidade;

• Peça, aos envolvidos no processo, idéias e sugestões sobre como seguir adiante; e/ou • Reveja a situação e analise se a contratação de orientação técnica ou de um

especialista pode ajudá-lo. Mudanças e ajustes são parte inerente ao processo de desenvolvimento econômico de comunidades. Não tenha medo de redefinir sua abordagem se você achar que ela não

11 Esta seção foi adaptada de uma variedade de fontes: The CED Tool Kit de Gage and Hood, The Community Development Handbook de Frank and Smith, e dois manuais criados para o UBC International Internship Program, Conflict Resolution (Harper and Associates) e Cultural Diverstiy (The YES Resolution Group Inc.).

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está funcionando. Mas, pondere a necessidade de fazer o difícil trabalho para se criar um plano de DEC. 5.2) Construindo Confiança no Grupo As habilidades do grupo são extremamente importantes para os indivíduos envolvidos em empreendimentos de DEC já que é difícil para se trabalhar como um verdadeiro time até que se confiem uns nos outros. Um dos principais fatores de uma cultura positiva num local de trabaho e para ajudar as pessoas a se sentirem seguras e apoiadas é a confiança. Se a confiança não pode ser apressada, existem maneiras de assessorar seu desenvolvimento, por exemplo, dando às pessoas oportunidades de se conhecerem – suas famílias, sonhos, hobbies, vidas. Isto significa arrumar tempo para eventos sociais, onde as pessoas possam se conhecer de maneira relaxada, e criando um senso de justiça e entendimento, onde todos tenham direitos iguais para falarem e serem ouvidos. Workshop: Atividade de construção de confiança • Divida dois grupos de 4 ou 5 e peça a todos para encontrar algo em suas bolsas ou

bolsos que expresse algo sobre eles. Cada pessoa no grupo tem 3 minutos para falar aos outros sobre o objeto e porque ele foi escolhido. (O facilitador pode trazer alguns objetos de casa, caso alguém tenha os bolsos vazios).

• Quando todos tiverem falado, pergunte ao grupo se o exercício feito os fez sentir de

maneira diferente sobre alguém no grupo. 5.6) Facilitação do Grupo: Despertando o Melhor em Cada Um Os facilitadores devem exemplificar formas apropriadas de ouvir, responder e questionar (assim como encorajar estratégias de resoluções de problemas e tomadas de decisão), ao invés de “ensinar o beabá”. Diferentemente de um presidente, que deve “dirigir” um encontro com os assuntos pré-estabelecidos, um facilitador vem preparado para ouvir, e cuidar para que todos sejam ouvidos. Algumas técnicas-chaves de facilitação incluem: • Abertura: um facilitador deve chegar com um programa a ser seguido, mas geralmente

irá mostrá-lo e perguntar se alguém tem ítens a adicionar para ter certeza de que tudo será discutido.

• Debate: uma forma efetiva de apresentar um novo tópico e fazer surgir uma gama de idéias criativas num pequeno tempo. Deve enfatizar que todas as idéias serão aceitas e que nenhuma crítica será permitida, e que o silêncio também não é problema. Depois do debate, o grupo pode começar a agrupar as idéias.

• Turnos: tenha certeza de que todos tiveram sua vez ao discutir um assunto, às vezes ajuda seguir em círculo, pedindo a cada um para fazer um comentário e permitindo as pessoas “passarem” se não quiserem falar.

• Esclarescimento e Resumo: um papel importante do facilitador é checar percepções caso alguém faça uma afirmação ambígua (ex. Você quer dizer que _____?) No final da discussão o facilitador deve também resumir o que ele(a) percebeu ser os principais pontos e a percepção geral do grupo. Novamente, um bom facilitador sempre perguntará se algo não foi dito ou se alguém discorda.

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5.3) Confusão de Papéis e Luta pelo Poder Confusão de papéis e luta pelo poder podem surgir no processo de desenvolvimento econômico de comunidades. Isto é particularmente real se a iniciativa tiver uma grande amplitude. DEC possibilita a mudança, o surgimento de novos relacionamentos e trocas de poder. Alguns membros da comunidade podem perceber uma perda de poder ou se sentir ameaçado pelos novos relacionamentos que estão sendo desenvolvidos. Resistir a este tipo de mudança é bastante natural. Apesar da confusão de papéis e as lutas pelo poder não serem, às vezes, completamente evitáveis existem algumas coisas que podem ser feitas para minimizá-las: • Seja franco sobre o fato de que o desenvolvimento econômico de comunidades

envolve mudança. Preveja onde esta mudança irá ocorrer e converse sobre isso com os que serão afetados.

• Avalie a situação da comunicação, principalmente onde confusão de papéis e lutas pelo poder poderão ocorrer e identifique as ações que você poderá tomar para minimizá-las.

• Trabalhe para desenvolver confiança e promover comunicação de mão dupla. • Desenvolva diálogo aberto para que aqueles que estejam resistentes à mudança

saibam o que está acontecendo e porque. • Trabalhe a visão e objetivos do seu plano de DEC de modo a criar propósito e foco

comuns. • Convide e encoraje os que mais proavelmente serão afetados pelo processo de

desenvolvimento econômico de comunidades a desenvolver um papel de liderança e participar ativamente.

• Certifique-se de que as estruturas e procedimentos criados para realizar o trabalho miniminize divisões e não as acentue.

O poder do desenvolvimento econômico de comunidades é que ele é holístico e inclusivo. Além disso, quando queremos realizar o trabalho devemos, necessariamente, dividi-lo em pedaços gerenciáveis. A forma como nós dividimos e gerenciamos o trabalho pode ter um grande impacto sobre confusão de papéis e luta pelo poder. Com a melhor das intenções e boa fé, os membros da comunidade ou organizações podem estar realizando tarefas que se choquem com os outros sem que eles saibam. Se você perceber tensão ou confusão em responsabilidades de um grupo, ou de um indivíduo, examine seriamente como o trabalho foi organizado. Personalidade ou caráter individual também podem causar luta por poder. É importante tentar pôr as sugestões acima em prática, mas lembre-se de que a solução correta possa ser a necessecidade de um indivíduo abandonar o proceso ou uma atividade. Se for esse o caso, o objetivo do facilitador é lidar com esse processo com o mínimo de ressentimento possível. 5.4) Gerenciamento de Conflito Conflito e discordância podem ocorrer em qualquer atividade humana. O conflito não é algo ruim em si mesmo; depende de como é encarado. É sempre melhor ter discordâncias claramentes expressadas abertamente. Elas se tornam perigosas quando

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são suprimidas. Evitar ou ignorar conflitos é arriscar a supervalorização do assunto e um aumento na divergência. Algumas chaves para resolver bem sucedidamente conflitos e discordâncias são: • Identificar claramente a causa do problema, não os sintomas; • Entender o problema e quem está envolvido; • Separar a pessoa do problema; • Identificar opções possíveis para resolver o problema; e • Escolher uma ação e colocá-la em ação. Conflito e resistência pode ser um sinal de que você não desenvolveu um processo inclusivo. Os membros da comunidade podem ser elementos de desafio ou de resistência dentro do processo por não terem sido envolvidos no desenvolvimento destas atividades e/ou pouco entenderem o que está sendo realisado. Não caia na armadilha de pensar que um processo inclusivo é muito difícil ou que certos elementos da sua comunidade não estão realmente interessados e, por isso, não precisam ser envolvidos. Faça o necessário para conseguir a inclusão. Envolva toda a gama de interesses e perspectivas da sua comunidade no processo de desenvolvimento ao invés de ter que resolver assuntos conflitantes mais tarde. Respondendo ao Conflito O facilitador deve se esforçar para evitar o conflito antes que ele crie raízes, mas deve lembrar-se que conflito é parte de como nos comunicamos e se bem gerenciado, pode levar a novos entendimentos e novas direções. Algumas dicas para facilitar conflitos de um modo positivo: • Use os nomes dos indivíduos • Ouça, ouça, ouça • Ouça o não dito também • Não faça suposições e nunca espere que os outros tenham a mesma reação a uma

situação que você teria • Permita muito tempo para conversa • Direcione seu olhar de maneira apropriada • Nunca interrompa ou diga "Sim, mas..." • Não diga aos outros como eles se sentem ou o que eles pensam • Não compare as pessoas, mesmo você • Seja empático e positivo • Chegue a soluções de modo criativo • Vá devagar e fique calmo • Encoraje a conversa • Comunique entendimento e preocupação • Seja específico e concreto • Se comprometa a resolver o assunto • Sugira opções para ação Respondendo à Resistência 3 abordagens mais específicas para responder à resistência numa situação de conflito:

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1. Aceite o comportamento das outras pessoas: • As pessoas geralmente não entendem como seu comportamento está afetando os

outros • Entenda que seu comportamento pode estar sendo motivado por insegurança, defesa

ou medo • Aceite que eles acreditam estar fazendo a coisa certa

2. Reconheça seu comportamento: • Descreva o comportamento que você vê • Evite julgamentos de valor ou críticas • Lembre-se que eles têm o direito de se expressarem

3. Discorde/ Confronte: • Questionando você mesmo e as suposições dos outros de um modo não ameaçador e

não defensivo • Tratando diretamente e especificamente com as discrepâncias aparentes • Refletindo como você está fazendo e se a comunicação está funcionado bem • Confrontando o comportamento e não a pessoa de forma a garantir que você continua

apoiando a pessoa • Expressando suas reações e necessidades • Identificando bases comuns, preocupações e acordos compartilhados 6. Conclusão Em seu relatório, Novos Trajetos para Desenvolvimento Social (New Paths to Social Development - 2000)12, o BIRD conclui: "O desenvolvimento de comunidades agora reconhece que é necessário grande entendimento das instituições da comunidade, de suas redes de trabalho, normas e valores para possibilitar as pessoas a obterem benefícios do desenvolvimento e criar sua capacidade de se auto ajudar." Esta afirmação indica um crescimento internacional do reconhecimento para respostas compreensivas - como desenvolvimento econômico de comunidades - para combater a pobreza, economias decadentes e condições de saúde e deterioração social. Realmente DEC está ganhando espaço no mundo todo como um modelo alternativo de desenvolvimento que envolve comunidades, bairros e populações carentes em estratégias de desenvolvimento econômico dentro de uma escala muito maior que as abordagens tradicionais de desenvolvimento do setor público. Desenvolvimento econômico de comunidades não é apenas inclusivo de populações marginalizadas, mas advoga para abordagens sustentáveis, dirigidas localmente para revitalização econômica de comunidades, que são cada vez mais entendidas, pelo mundo todo, como elementos essenciais do efetivo desenvolvimento econômico e social. Em décadas recentes, seguindo o colapso do governo militar e o retorno dos civis à política no Brasil, tem ocorrido um crescimento espetacular nos chamados novos movimentos sociais... Movimentos de habitantes das favelas, grupos de mulheres, indígenas e ambientais, e organizações pelos direitos humanos se juntaram a sindicatos trabalhistas radicais e associações agrárias para criar uma nova forma de democracia que envolve um grande número de pessoas que anteriormente tiveram um papel pequeno no 12 BIRD (World Bank). (2000). New paths to social development: community and global networks in action

[On-Line]. Disponível: http://econ.worldbank.org/wdr/.

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processo do partido político.”13 Movimentos sociais de vários tipos se organizaram por demandas de terra, legislação de direitos humanos e igualdade da mulher; para protestar contra devastação ambiental ou constantes ataques nas raízes de sociedades indígenas; e para articular as respectivas demandas, pedidos e interesses de trabalhadores e camponeses. Por fim, muitos destes movimentos lutam pela característica essencial do desenvolvimento econômico de comunidades, uma abordagem de base holística para melhorar a qualidade de vida social, econômica e ambiental. Em Santo André, a administração municipal - através de vários programas como o Programa Integrado que aplica a multidimensionalidade de exclusão e inclusão social em quatro áreas pobres - já está apoiando o desenvolvimento econômico de comunidades através de micro-financiamento, desenvolvimento cooperativo, treinamento vocacional e um programa de renda mínima. No âmbito social, campanhas de alfabetização para adultos, atividades culturais e de lazer para crianças de rua e programas comunitários de educação de saúde foram iniciados. Além disso, o Programa Integrado enfatiza a melhoria da infra-estrutura da comunidade, incluindo melhoria de regiões pobres e abertura de espaços verdes, e tem recentemente incorporado estratégias visando combater violência urbana e fome. Portanto, em muitos aspectos, a Prefeitura está buscando as atividades e políticas de DEC. Este manual é designado a proporcionar algum conhecimento técnico e teórico a respeito do DEC com a esperança de que ele assesore facilitadores dentro da Prefeitura a assumir um papel de liderança ainda maior na busca das atividades de DEC e a criar fontes duráveis de renda visando as necessidades de desenvolvimento social, econômico e ambiental das comunidades marginalizadas. Realmente, fomos apresentados a uma oportunidade hoje de continuar um legado dentro da administração municipal de Santo André que tem recebido atenção mundial pela força de seus programas participatórios e envolve mais indivíduos na criação de comunidades sustentáveis e futuros mais prósperos.

13 Green 1997:145.

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