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  • 1. Inventrio do ArquivoCarlos Drummond de Andrade

2. Ministrio da CulturaMinistroFrancisco WeffortFundao Casa de Rui BarbosaPresidenteMario Brockmann MachadoDiretora ExecutivaRosa Maria Barboza de AraujoChefe do Arquivo-Museu de Literatura BrasileiraEliane Vasconcellos 3. Inventrio do Arquivo Carlos Drummond de Andrade Ministrio da CulturaFundao Casa de Rui BarbosaArquivo-Museu de Literatura BrasileiraRio de Janeiro 1998 Edies Casa de Rui Barbosa 4. Edio e produo grfica:Setor de EditoraoDiviso de Difuso Cultural da Fundao Casa de Rui BarbosaISBN 85-7004-196-9Fundao Casa de Rui Barbosa. ArquivoMuseu de Literatura Brasileira.Inventrio do Arquivo Carlos Drummondde Andrade. - Rio de Janeiro, 1998.514 p. (Srie AMLB; 6)1. Arquivos-Catlogos. 2. Andrade,Carlos Drummond de, 1902-1987. I.Ttulo. II. Srie.CDU 930.255 5. SUMRIOO Arquivo Carlos Drummond de Andrade 7Cronologia da Vida e da Obra15Bibliografia25Correspondncia Pessoal 67Correspondncia de Terceiros 408Correspondncia Familiar 412Produo Intelectual 414Produo Intelectual de Terceiros421Documentos Pessoais464Diversos 467Documentao Complementar470ndice 471 6. O ARQUIVO CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Mas as coisas findas, muito mais que lindasessas ficaro. Conheci Carlos Drummond de Andrade nas reunies em casa de PlnioDoyle, aos sbados tarde (Sabadoyle). Ele era um dos primeiros a chegar,sempre por volta das trs da tarde. Batia papo com os amigos e no rarose dirigia para o quarto dos fundos, onde se encontravam as fabulosascolees de revistas. Nas estantes, podamos observar a conversa amisto-sa do Fon-Fon com a Careta, do Malho com a Revista Acadmica, do ParaTodos com a Rua do Ouvidor e de muitas outras. Esse material semprefascinou o poeta, e muitas vezes o vi folhear essas preciosidades. Seuolhar astuto e observador no se limitava, simplesmente, a manuse-las:muitas dessas revistas tm ndices elaborados por Drummond e podemhoje ser consultados na Biblioteca Plnio Doyle, da Fundao Casa de RuiBarbosa. A par de seu tempo potico, ele conseguia tempo para dedicar-se pesquisa em fontes primrias. Por que isto? Drummond sempre teveuma grande preocupao em preservar a nossa memria literria, comopodemos observar em algumas de suas crnicas, agindo ao contrrio dorei Nabassar, da Babilnia, que segundo Albert Cim, foi o pai dos destrui-dores dos arquivos, por ter ordenado que fossem destrudas as crnicasde todos os seus antepassados, para que o seu reino datasse o incio dahistria do mundo. Como nos demais arquivos pessoais, este tambm no foge regra:trata-se de documentos acumulados durante a trajetria profissional e davida do poeta, servindo assim de fonte preciosa para as pesquisas no m-bito literrio, montagem de exposies e outras atividades que tenhamcomo objetivo principal o resgate de fontes primrias. raro um arquivo pessoal chegar s nossas mos com algum arranjoprvio, determinado pelo prprio titular. Entretanto, no foi o que ocorreu. Drummond sabia que esta documentao particular em momento al-gum perde suas caractersticas: as cartas no deixaram de ser cartas, fi-xam um momento, transformando-se em documento, muitas vezes fontesubstancial de pesquisa, assim como todos os demais documentos de umarquivo. Preocupado com a informao, Drummond tinha plena conscincia doque estava guardando, tanto assim que seu arquivo tinha uma ordem bemdeterminada. J veio arrumado em sries, em um arranjo muito similar aoque usamos. Logo, foi possvel respeitar uma das normas arquivsticas:respects de fonds. Fizemos apenas algumas pequenas alteraes, uma 7. vez que materiais mais heterogneos no tinham recebido nenhum arranjodo poeta. O critrio adotado e seguido por ns foi o tipolgico. Depois doarquivo ordenado, procedeu-se descrio dos documentos, sendo a par-tir da preparado o inventrio. Para facilitar o acesso s informaes foiconcomitantemente elaborado um ndice que remete o pesquisador direta-mente ao documento e a informaes nele contidas. Cabe aqui ressaltar,entretanto, que este ndice no temtico. O Arquivo Carlos Drummond de Andrade foi arranjado em 8 sries,assim distribudas: Correspondncia Pessoal, Familiar e de Terceiros, Produo Intelectual do Titular e de Terceiros, Documentos Pessoais, Diversos, Documentos Complementares. Os verbetes do inventrio esto redigidos de acordo com critrios usa-dos internacionalmente para descrio de documentos. Deles constam umaentrada identificadora e o tipo documental, que na srie Correspondncia seguido de um resumo. H referncia ao nmero de folhas, ao local e data; quando as duas ltimas no constam do documento e so recupera-das por meio de pesquisa, aparecem entre colchetes. O verbete da srieproduo intelectual informa ao pesquisador se h cpia ou outra versodo documento. Todos os verbetes so numerados dentro do inventriocomo um todo e acompanhados da sigla da srie a que pertencem. Osdocumentos esto acondicionados em folha de papel de pH neutro, ondese encontra registrado o seu cdigo, e arquivados em pastas suspensasarrumadas em armrio prprio. A correspondncia pessoal, de terceiros efamiliar, e a produo intelectual de terceiros esto organizadas em ordemalfabtica pelo ltimo sobrenome do autor, formando um dossi e dentrodeste ordenado cronologicamente. Nas demais sries, a entradaidentificadora o gnero do documento. O arquivo cobre um perodo que vai de 1917 a 1989 e contm aproxi-madamente 2225 documentos. Correspondncia: Abrange a correspondncia pessoal do escritor, almda de terceiros e de familiares. Faz parte dela o conjunto de cartas, car-tes, telegramas e ofcios. Nela nos deparamos com um problema: a im-possibilidade de identificao de todas as assinaturas, sendo uma partedas dvidas dirimida graas a outros documentos encontrados no prpriofundo ou em arquivos de terceiros. Mesmo assim, algumas assinaturascontinuaram sem identificao. Na srie Correspondncia Pessoal, h 1811 signatrios entre nomesconsagrados da literatura brasileira e da nossa intelectualidade, poetas danova gerao, escritores estrangeiros, artistas, polticos, amigos, etc. Destacam-se, nesta srie, as cartas de Mrio de Andrade. So 82 car-tas, perfazendo um total de 130 folhas, que abrangem o perodo de 1 denovembro de 1927 a 11 de fevereiro de 1945. A ltima carta datada depoucos dias antes da sua morte. Embora tenham sido publicadas em A8 8. Lio do Amigo, o pesquisador pode travar contato com a escritadescontrada do autor de Macunama.A correspondncia com Rodrigo Melo Franco de Andrade traz dadosimportantes para o pesquisador: so 110 cartas, sendo a primeira de 9 dejaneiro de 1924 e a ltima de 20 de fevereiro de 1964. Apesar da longacorrespondncia mantida nos ltimos anos de sua vida, Rodrigo abandonaseu impulso missivista. As cartas vm de toda parte: Rio de Janeiro, Lis-boa, Nova Iorque, Florena, Londres... Nessa correspondncia o missivistaintercede a favor do amigo para que este comece a escrever em O Jornal, ele tambm o porta-voz de Chateaubriand para convidar Drummond acolaborar no Dirio de So Paulo. O amigo tambm tece consideraessobre o lirismo na poesia de CDA e comenta os originais de Sentimento doMundo. Como no podia deixar de ser, algumas de suas cartas falam so-bre a preservao do patrimnio histrico e artstico. Nelas o signatriodestaca a colaborao prestada pelo poeta, que possua grande preocu-pao com este assunto, sendo motivo de interesse tanto em sua corres-pondncia como em suas crnicas.Outro missivista presente Ciro dos Anjos, seu companheiro de juven-tude, da bomia da Rua da Bahia e do Bar do Ponto. H 127 cartas, de 19de julho de 1930 a 31 de outubro de 1986. Como dois bons mineiros, nopodiam deixar de falar de poltica; a esto presentes a Revoluo de 32 ecomentrios mais frugais como o cotidiano de Ciro, em Montes Claros. Nocampo literrio, Ciro remete o original de O Amanuense Belmiro e relatasuas impresses ao ler Fazendeiro do Ar. Infelizmente, o pesquisador inte-ressado em conhecer a correspondncia de Drummond para Ciro dos An-jos ter de esperar ainda mais um pouco, pois o autor de O AmanuenseBelmiro, ao doar seu arquivo para o AMLB, no incorporou as cartas doseu amigo ilustre.Outro nome que no podia faltar nesta pequena apreciao do arquivode Drummond o do poeta Manuel Bandeira: 32 cartas, de 1924 a 1958. Opoeta mais experiente comenta poesias de CDA, segundo ele, poesia damelhor que se faz atualmente no Brasil. Em outra carta comenta o suces-so que fez Cantiga de Vivo. Bandeira remete-lhe esboos de algunspoemas e versos de circunstncia. Infelizmente, no se encontram no ar-quivo de Manuel Bandeira as cartas remetidas por Drummond.Outro nome de intelectual presente no arquivo e que viveu longos anosno exterior, onde teve como uma de suas preocupaes a divulgao denossa cultura, Ribeiro Couto. So 49 cartas, de 1925 a 1963, onde sedestacam assuntos relacionados publicao de A Revista e crticas Semana de Arte Moderna, onde comparecem os nomes de Mrio de An-drade e Graa Aranha. Diz no concordar com a interpretao que CDA fezde seus poemas publicados em Um Homem na Multido e Chal na Mon-tanha. Como conservador e penumbrista, critica a linguagem usada porMrio de Andrade e seguida por outros escritores. A correspondncia deCDA para Ribeiro Couto foi preservada: 23 cartas, de novembro de 1925 ajaneiro de 1961.9 9. Grande amigo de infncia, Pedro Nava escreveu 35 cartas, de 1926 a1983. H uma grande lacuna na comunicao deles no perodo de 1933 a1969. O poeta bissexto remeteu, em 23 de maro de 1926, para Drummondapreciar dois poemas mirins, que dariam incio a um intercmbio intelec-tual entre os dois. Indo para So Paulo, Pedro Nava teve oportunidade detravar contato com Mrio de Andrade e dele manda notcias. No arquivo dePedro Nava h 32 cartas de Drummond, s que esta correspondncia seinicia em 1947, vinte anos aps a primeira carta de Nava a Drummond. O poeta-amigo Emlio Moura, que dividiu com CDA a responsabilidadedo movimento modernista mineiro, escreve 59 cartas, entre 1923 e 1971,sendo algumas do interior de Minas Gerais. Entre 1926 e 1927 as missivasso mais freqentes. Depois