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Pgiro 2

rniLE FTi bNi flflii. 14 de abril de 1950 O GLOBO SPOOTVOumm

1&

u 00Scede Vantagen

Com Aterradora Constncia, Cons Em Partidas Internacionais"

""Estadia"* o brilhante scm.a-.3xiasporttve d pais amigo-, publicou et na-mero recente a seguinte anlise do foot-tVa.ll local:

Os ltimos acontecimentos loir1iti)j>MR9-tico* _a.-ei. l>ex-rotas ne estrangeiro, atuaes defic.ie.n-tes em partidas tnteTma.cmsKa.is jogadascm casa-, oeteea.ra.jaa popular sper numterrenm de areias movedias ejete nepede deixar de sjftju18& ittt, so-hretndeneste memento si qn* US 3.ficc.tenadesdes cinco continentes esto preocupado-*cem a pWs_i_Hte_e de Kt cam|MM_a&nmandiai. Vive o nesse foetbai mesnen-.tws de imseg-ura.ca - Tno ento es.pee.ia iimportncia, as tsseidas Ifssc se teaifnesses menae.ntes. Boje, raais d* qnemnw-_, neoessari agir cens csusteta.rnedera e tis. No deixar se la-flnencsax petas iMMKss^autes de.rrotJst.ase fa_ex cem qwe eada rcseha~.e que nefuture se tentar a respeite do feetbahchiiene. seja ma. eomtxibaie TOtes*para, sen progresso e pax qrne se abramcaminhes mais propicies ftw es qne per-correu ate agora-

Mas a verdade c pare a muitas dessaspartidas diante de qnadros es-trs ngt -tos. cBefeoafaKS es casa eu fora, no seri, da pari* #M|Bl1W'rJ ^c terras a. res-pftnsa.feidade de direo, uma desejo fix-MM e interns* de ef-et*cecr aos istWMl je-3ra.d1n.res' e s nossas equipes, teda ciasse

de elementos que lhe facilitem o rum-primento de seus compromissos da me-lher forma possrreL No se trata de sairae campo de jogo exclusivarnente paraganhar; mas sim, competir com decoro.expondo nossa verdadeira capacidadeO nosso yttlsBttl), aquele aglomerado deexpectadores que no perde ama partia-*internacional, assiste no Estdio Naeio-nal ou vive. dc tange as peripcias donosso footba no estrangeire cem unsvive scntintenfo dc amor prprio e coraura ffTr que contrasta cera o escassos*ck cem jee aitruns JBWgTHlies res.p*n-sa.t?*is eurcaram *s mes-mos compro-mis-smss. O sald* de partidas int.e;raacin.afvjjpuisili -pciis iOSmam e ro._i-o rferadoE sa* as crr*vta.s s| formando bkdima deras* e -|e se respira, Ma.s o cas e sc pcrtisntax: Entraram cmcanap* istesiss?_WB_*e preparados? Cni-d~-w deriidamente jfciam apresenta-fpes? Forans a Icnap es diferente^tajRS intc$Ta(s pcifls niclr*re.s b#mf.nsfiS|W_vesS e com s re.(crcs iwdispen-sa-ccis!1 Qwa-nd*! sJtsHxBMMsVM chile--' &Ra Kras.il, n* nrtsxsH sn]-a.rc;rcana. na-5',era scTc pax Hgmm qnc partia _rtea.m qe na* dava as garantias sanai-Kias de bema dcse-ape.nb* na.t|ne.le t-or-ncia>. ^nand* s*ss*s rapaa.es subiram z.Barria, a imensa snaiAria da torcida, chi-pena sa.sn-ia t^ae ms.sit.e pise* se pdia es-perax -*> f/ut se cha.mffH a *taTertnra ai-tiplanc'". C^ic C

O GLOBO SPORTIVO Sexta-feira, 14 de abril de 1950 Pgina 3

DA PRIMEIRA FILA 1

f_) A40 EDCKMAR/O FILHO

Quando comeou a chover, Jos Trcoli tro-cou nm olhar com Jlio Fernandes. A chuva ia es-tragar a renda. Estavam os dois tomando conta doporto nmero um do Fluminense. Era o portodo tennis. Quem comprava uma cadeira numeradaatravessava a pracinha de areia e cascalho, entravano tnel, ia sair na pista. "Me deixa entrar?" um preto fugiu da chuva, trocando pe. rins, paroudiante de Jos Trcoli. "Por aqui roce no passa"

Jos Trcoli foi logo empurrando. "Eu no es-tou falando com o senhor o preto, para equi-brar-se. ficava na ponta dos ps e balanava estou falando com o Jlio." O Jlio resmungou del: "Nunca te vi". "Voc j me deu muito dez milris, Jlio". Vai-te embora". "Eu sou o Benedito,Jlio". "No conheo nenhum Benedito". "Traba-

lhei com voc-no Botafogo. Jlio". "Cai fora antesque eu me aborrea". Jos Trcoli deu outro em-purro no preto, que agora tinha um nome.

"No

me toque disse o Benedito Eu sou carona, massou homem".

chegava todo rrnindo olhava s para um lugar: o lu-gar onde ele estava. E ele fingindo que no peree-bia nada, que aquilo tudo no era nada para ele.

A chuva no parava de cair. "Vocs vo medeixar apanhando chuva toda a vida?" o Bene-dito no esperou a resposta, foi para debaixo doabrigo do porto. Depois comeou a falar sozinho:o Heleno dava-lhe dinheiro, o Jlio no o deixavaentrar. O Heleno conhecia os pobres. Estava l emcima e conhecia os pobres. O Jlio estava c cmbaixo, tomando conta de uma porta, chegava umamigo, fingia que nimea o tuiha visto mais magroou mais gordo. "Voc podia dizer: no deixo entrarcarona, estou aqui para isso, ordens so ordens, massei quem voc . Voc o Benedito, Botafogo comoh poucos, j trabalhei com voc,"

"Est bem disse 6 Jlio voc o Benedito agora v em-bor". "Eu no vou embora com quatro cruzeirosno bolso".

*___'*1

UM DOLO SPORTIVamencaf**- que escapode ser "gangster"

"Voc Tiuo conhece o Benedito?" perguv.tnuJos Trcoli de boca fechada. O Jlio conhecia. OBenedito torcia pelo Botafogo. De quando em quo-do. era aproveitado pelo Nenem, pelo Babo ou ne-Io Aluizio, os roupeiros de General Severiano, paracarregar os sacos com as roupas e as chuteiras dosjogadores. "E por que voc disse que no conhe-cia?" "Para no conversar com ele". Na porta, to-mando conta, o Jlio no conversava com ningum."Estou aqui para que?" "Para no deixar entraicarona". E o Benedito, porque torcia pelo Botafogo,achava que tinha direito de entrar de graa.

"E logopelo porto das cadeiras" Jos Trcoli olhou parao Benedito, que ainda resmungava. Conhecia umaporo de Benedito das arquibancadas. Gente quevinha com uma boa conversa para entrar. Choravaas magoas, o porteiro precisava no ter corao pa-ra deixar um torcedor sem dinheiro na rua. Aque-le Benedito ali, viiia logo para o porto das ca-deiras, queria ex-plorar. "Cai foral" gritou oo

O Trcoli saiu do porto, foi at onde estavau Benedito. "No encoste" o Benedito botou asmos na frente. "Deixe o Benedito em paz. Treu-li" pediu o Jlio. "Agora j sabes o meu nome,hera?" o Benedito fez meno de ir para pertod Jlio, o Trcoli no deixou. "No me toque" o Benedito deu um passo atrs "Eu no entro,s por causa de uma coisa. Voc vai me dar umabofetada e eu tenho de matar algum". Jos Tr-coli largou o Benedito. Heleno estava comprandocadeiras na bilheteria. Meteu a mo nawjg^o de trsda cala, puxou a carteira, pediu dez cadeiras nu-meradas. Estava com umas moas, uns amigos,quem pagava era^ele. "Quanto "? Heleno pagou,enquanto o bilieteiro contava o dinheiro, o Bene-dito deu para gritar: "Heleno, voc que bom!"

oGarotos rodearam o Heleno, o Benedito no

parou mais. "Voc que center-forward, Heleno.Nem o Leonidas chega aos ps de voc, Heleno".Heleno quis ficar serio, no pde. Ali estava umtorcedor gritando que ele era mellior do que o Leo-nidas. E os garotos em volta dele, Heleno! Heleno!"Voc o Diamante Branco, Heleno!" O Bene-dito abriu os braos. Parecia que ia abraar o He-leno, as moas se afastaram, um pouco assustadas,Heleno procurou uns nqueis, umas pratas. O Be-nedito desistiu do abrao,.estendeu a mo. Helenodeixou cair umas pratas na mo aberta do Benedi-to. No deu dinheiro s ao Benedito. Cada garotoque lhe bateu nas costas, que disse Heleno com voz

de admirao, levou um nquel..Primeiro as moas, depois os amigos, depois He-

leno. Heleno estava satisfeito da vida, caoou quau-do o Trcoli rasgou os dez bilhetes de cadeira nu-vierada ao meio. "O meu dinheiro j est queiman-do". E o Benedito, ainda com a mo fechada, aper-tando as praias; "Voc que o bom. Heleno". Eos garotos em coro, cada qual com um nquel.

"He-

leno! Heleno!" Heleno entrou sorrindo. Assim m-lia a pena pagar dez cadeiras, distribuir uns niqnese umas pratas pelos torcedores pobres. Onde ele

Ai Jos Trcoli soube que o Heleno tinha dadoao Benedito quatro cruzeiros. Por isso o Beneditoviera para ali, para morder os botafoguenses dascadeiras numeradas. Ir para a porta da arquiban-cada ou da geral, no adiantava. O pessoal dos cincoe cincoenta, dos trs e trinta, trazia o dinheiro con-tadinho. Nas cadeiras numeradas o dinheiro corria.Havia sempre garotos pedindo: "Me d um niquelpara completar uma geralzinha?" Muitos mostra-vam o que tinham. s vezes faltava pouco. O Be-nedito escolhera bem, sabia que era por ali que pas-savam os torcedores do Botafogo com a carteiracheia. Daqui a pouco chegaria Carlito Rocha.

De quando em quando o Benedito esticava opescoo. Era que um automvel encostava ?io meio-

fio, saltava gente. Se era gente do Amrica, o Be-nedito ficava quieto. Parecia que ele estava espe-rando algum. Quem seria? Para o Jos Trcoli spodia ser o Carlito Rocha. O Carlito Rocha eramo aberta, talvez desse at mais do que o Heleno.Um automvel parou bem defronte do porto u-mero um. O Trcoli viu o Carlito Rocha. Carlitosai tou. pagou, vinha outro carro atrs, era do grupo,Carlito pagou tambm. Depois de pagar, contou osamigos, para saber quantas cadeiras precisava com-

prar. Era amigo que no acabava mais.

Todos tinham jantado com ele no "Bar Ber-- Um", a sobremesa era o match Botafogo e Amri-

ca. "Carlito Rocha o Benedito saiu de debaixodo abrigo Carlito Rocha, esteio do Botafogo:"Carlito estava debruado no "guichet" da bilhete-ria comprando as cadeiras, no escutou direito. OBenedito repetiu, mais alto ainda: "Carlito Roclia,esteio do Botafogo!" A Carlito se virou, viu o pre-to bbedo, estourando os pulmes aos gritos de Car-lito Rocha, esteio do Botafogo. "Para gritares tan-to, deves querer alguma coisa".

"Eu s queria vero jogo, seu Carlito". E para acabar de convencerCarlito Rocha, ele berrou: "Botafogol" Carlito Ro-cha perguntou a Jos Trcoli:

"Quanto custa umaarquibancada?"

Custava cinco cruzeiros e cincoenta centavos."Eu vou te dar o dinlieiro de uma arquibancada.Nem mais um niquel". Sim, porque se ele dessemais o Benedito acabaria nu

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