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ESTUDO DE CASO: MANUTENÇÃO INTELIGENTE NO SERPRO - IMPLANTAÇÃO PILOTO DO RME-WEB PARA GESTÃO DO CONHECIMENTO DAS TÉCNICAS DE MANUTENÇÃO Bruno Gomes da Cunha (1) Dilmar Gonçalves da Cunha (2) Leonardo Batista Porto (3) RESUMO Em busca de um software que resolvesse os problemas existentes no gerenciamento e fiscalização dos serviços de manutenção executados em suas instalações por empresas contratadas, o SERPRO – Regional Brasília decidiu avaliar uma implantação piloto do Sistema RME-Web®, um software de código aberto disponível no mercado. O RME-Web® utiliza os atuais recursos da tecnologia da informação, e é uma evolução de antigos sistemas precursores implantados na CEMIG nos últimos vinte anos. É um sistema especialista em manutenção, aplicável a qualquer equipamento das instalações de empresas do setor elétrico e industrial, que fornece os seguintes benefícios: Gestão do conhecimento através da padronização dos métodos e técnicas de manutenção, preservando o capital intelectual nas empresas e com foco na sustentabilidade tecnológica; Implantação do "Prontuário das Instalações Elétricas da NR10" em atendimento às exigências do MTE – Ministério do Trabalho e Emprego (Portaria 598 - 08/12/2004), para minimizar os riscos de acidentes do trabalho; Informatização do "Protocolo de Avaliação dos Sistemas de Proteção das Instalações do Sistema Interligado Nacional" estabelecido pelo MME - Ministério de Minas e Energia (Portaria 576 - 31/10/2012), para minimizar os riscos de blecautes; Relatórios e gráficos, incluindo curvas de tendências das medições registradas, para controle da qualidade da execução dos serviços de manutenção; Atualização, compartilhamento e intercâmbio das informações de manutenção através de qualquer navegador de internet instalado em qualquer plataforma (computadores, tablet's e smartphones). Esse trabalho apresenta os resultados obtidos nessa avaliação, as customizações realizadas, sugestões e melhorias propostas, e o parecer conclusivo sobre a aplicabilidade e a adaptabilidade da solução. Apresenta também o diferencial em relação aos softwares de manutenção existentes no mercado e a sua conformidade com os atuais conceitos de gestão de ativos. 1 Eng. Eletricista – Analista da Divisão de Engenharia e Gestão de Infraestrutura - SERPRO 2 Mestre Eng. Elétrica, Esp. Tecnologia da Informação - Diretor Executivo da D&V Consultoria. 3 Eng. Eletricista - Chefe da Divisão de Engenharia e Gestão de Infraestrutura - SERPRO

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ESTUDO DE CASO: MANUTENÇÃO INTELIGENTE NO SERPRO - IMPLANTAÇÃO PILOTO DO RME-WEB PARA GESTÃO DO

CONHECIMENTO DAS TÉCNICAS DE MANUTENÇÃO

Bruno Gomes da Cunha (1) Dilmar Gonçalves da Cunha (2) Leonardo Batista Porto (3)

RESUMO Em busca de um software que resolvesse os problemas existentes no gerenciamento e fiscalização dos serviços de manutenção executados em suas instalações por empresas contratadas, o SERPRO – Regional Brasília decidiu avaliar uma implantação piloto do Sistema RME-Web®, um software de código aberto disponível no mercado. O RME-Web® utiliza os atuais recursos da tecnologia da informação, e é uma evolução de antigos sistemas precursores implantados na CEMIG nos últimos vinte anos. É um sistema especialista em manutenção, aplicável a qualquer equipamento das instalações de empresas do setor elétrico e industrial, que fornece os seguintes benefícios: Gestão do conhecimento através da padronização dos métodos e técnicas

de manutenção, preservando o capital intelectual nas empresas e com foco na sustentabilidade tecnológica;

Implantação do "Prontuário das Instalações Elétricas da NR10" em atendimento às exigências do MTE – Ministério do Trabalho e Emprego (Portaria 598 - 08/12/2004), para minimizar os riscos de acidentes do trabalho;

Informatização do "Protocolo de Avaliação dos Sistemas de Proteção das Instalações do Sistema Interligado Nacional" estabelecido pelo MME - Ministério de Minas e Energia (Portaria 576 - 31/10/2012), para minimizar os riscos de blecautes;

Relatórios e gráficos, incluindo curvas de tendências das medições registradas, para controle da qualidade da execução dos serviços de manutenção;

Atualização, compartilhamento e intercâmbio das informações de manutenção através de qualquer navegador de internet instalado em qualquer plataforma (computadores, tablet's e smartphones).

Esse trabalho apresenta os resultados obtidos nessa avaliação, as customizações realizadas, sugestões e melhorias propostas, e o parecer conclusivo sobre a aplicabilidade e a adaptabilidade da solução. Apresenta também o diferencial em relação aos softwares de manutenção existentes no mercado e a sua conformidade com os atuais conceitos de gestão de ativos. 1 Eng. Eletricista – Analista da Divisão de Engenharia e Gestão de Infraestrutura - SERPRO 2 Mestre Eng. Elétrica, Esp. Tecnologia da Informação - Diretor Executivo da D&V Consultoria. 3 Eng. Eletricista - Chefe da Divisão de Engenharia e Gestão de Infraestrutura - SERPRO

1. INTRODUÇÃO O cenário atual das áreas de manutenção das instalações do SERPRO, Serviços Federal de Processamento de Dados, não é muito diferente do cenário encontrado nas áreas de manutenção da maioria das empresas do setor elétrico e industrial, sendo caracterizado pela tendência crescente das seguintes dificuldades: enorme quantidade, diversidade, complexidade, obsolescência e envelhecimento dos equipamentos instalados, além da escassez recursos financeiros para projetos de melhoria e substituição. Dentro desse cenário tão adverso, as áreas de manutenção passam a ter um foco estratégico e estão sendo cada vez mais exigidas a enfrentar as dificuldades apresentadas. O problema se agrava pelo fato da manutenção não estar preparada para enfrentar essas dificuldades, nem mesmo de forma paliativa, devido aos seguintes problemas normalmente encontrados na maioria de suas áreas técnicas responsáveis pela execução dos serviços: O conhecimento e a experiência estão nas cabeças dos especialistas; Falta de métodos padronizados do “que fazer” e de “como fazer”; Os resultados obtidos nas manutenções são predominantemente

arquivados em papel; As informações arquivadas são, na maioria das vezes, incompletas,

imprecisas ou mesmo inexistentes, e sem uma referencia comum; Não é feita uma análise sistêmica dos resultados de manutenção; Inexistência de itens de controle consolidados, como MTBF (tempo médio

entre falhas) e MTTR (tempo médio de reparo); As decisões gerenciais são tomadas pelo sentimento e experiência, e não

por fatos e dados; Perda de domínio tecnológico face à terceirização dos serviços de

manutenção e à perda de mão-de-obra especializada; Comprometimento da qualidade e dos custos de manutenção. Esse diagnóstico foi relatado na dissertação de mestrado [1], onde é apresentado um modelo de manutenção suportado por ferramentas computacionais especializadas, os aplicativos RME-Win® e RME-Web® cuja principal meta é permitir que as áreas de manutenção das empresas do setor elétrico e industrial possam solucionar os problemas diagnosticados. 2. HISTÓRICO A fase inicial de levantamento de dados foi sempre o primeiro e grande obstáculo que impedia os órgãos de engenharia de manutenção cumprir sua missão e solucionarem os problemas existentes. Além disso, sendo os serviços de manutenção executados por equipes de qualificação heterogenia, como se poderia garantir uma padronização nos métodos de manutenção, para que os estudos de engenharia de manutenção se realizassem sob uma referência comum? Percebendo esses problemas a CEMIG desenvolveu, no período de 1888 à 1991, em linguagens Clipper e C, o Sistema Especialista em Manutenção,

chamado de Sistema RME para ambiente DOS. Esse sistema foi implantado em fevereiro/1992 e utilizado até dezembro/2000 em todas as regionais responsáveis pela manutenção dos equipamentos do sistema elétrico CEMIG. Desde janeiro/2001 está sendo utilizada a versão do software para ambiente Windows, chamado de RME-Win®, desenvolvido em Delphi pela empresa D&V Consultoria e Informática Ltda. Recentemente foi concluído o desenvolvimento de uma nova versão para uso na internet e em intranet de empresas, chamada de RME-Web®. Um aspecto importante que deve ser ressaltado aqui é que a filosofia de projeto do sistema sobreviveu a todas as mudanças ocorridas com a tecnologia da informação nos últimos anos. Do velho sistema operacional DOS, o software juntamente com sua base de conhecimento e seu banco de dados foram migrados para o ambiente Windows e posteriormente para a WEB, de forma totalmente transparente aos usuários. 3. O NOVO APLICATIVO RME-WEB® O Aplicativo RME-Web® é um sistema especialista em manutenção desenvolvido para organizar e armazenar o conhecimento dos melhores métodos de trabalho, de forma padronizada e colaborativa, e disponibilizá-los a todo o pessoal envolvido no processo de manutenção dos equipamentos das instalações das empresas do setor elétrico e industrial. Utiliza os mais modernos recursos da tecnologia da informação, podendo ser acessado por qualquer navegador de internet em computadores, tablets e smartphones, como mostrado na figura I. Assim informações ficam disponíveis em tempo real e em toda a parte. O RME-Web® pode ser implantado em intranets e na internet (cloud) e para a instalação em plataformas desktop existe ainda a versão RME-Win®.

Figura I: Acesso por qualquer navegador de internet.

3.1. Objetivos:

Padronizar os métodos de manutenção (“o que fazer ” e “como fazer”) dos

equipamentos do sistema elétrico; Facilitar e simplificar a execução dos serviços de manutenção; Armazenar os resultados obtidos nas manutenções em bancos de dados

locais e estabelecer um fluxo de dados para um banco de dados sistêmico; Fornecer índices para avaliar a qualidade dos serviços de manutenção;

3.2. Um sistema especialista

Ser um sistema especialista é o diferencial do RME-Web® em relação aos demais sistemas de informação voltados para a programação dos serviços de manutenção existentes no mercado. Indivíduos que têm a habilidade de resolver problemas em áreas específicas do conhecimento são chamados de “especialistas” em seu campo de atuação. Como exemplos de especialistas podemos citar médicos capazes de diagnosticar rapidamente uma doença, técnicos de manutenção capazes de solucionar problemas em equipamentos do sistema elétrico, dentre outros. Os especialistas adquirem suas habilidades por meio da educação e da experiência. A experiência ao longo de vários anos ajudam os especialistas a desenvolverem habilidades que lhes permitem resolver problemas de forma rápida e eficiente. Profissionais da ciência da computação desenvolvem programas de computador chamados de “sistemas especialistas” (“expert system”) que podem emular a habilidade de especialistas humanos na solução de problemas em domínios específicos do conhecimento. Emular um especialista humano significa dizer que o programa tem que resolver problemas usando métodos similares aos empregados pelo especialista. Como os especialistas humanos frequentemente usam regras para descrever o que eles conhecem, a maioria dos sistemas especialistas usa como principal forma de armazenamento de conhecimento a incorporação de regras em sua base de conhecimento (knowledge database). Essas regras seguem a seguinte forma:

SE condição antecedente ENTÃO condição conseqüente

O processo de armazenamento do conhecimento em um sistema especialista envolve pelo menos dois indivíduos: um especialista e um engenheiro do conhecimento. O engenheiro do conhecimento (knowledge engineer) é a pessoa treinada para interagir com um especialista a fim de capturar o seu conhecimento. Uma vez capturado, o engenheiro do conhecimento utiliza uma ou mais ferramentas computacionais para programar o algoritmo do novo conhecimento adquirido dentro do sistema especialista. Assim, um sistema especialista deve ter um código aberto que permita aos usuários incorporarem novos programas.

3.3. A Base de Conhecimento do RME-Web®: Além de um banco de dados convencional, é parte integrante do RME-Web® uma base de conhecimento que lhe confere a característica de sistema especialista. O Aplicativo RME-Web® possui o Menu de Padronização que é responsável pela criação de sua base de conhecimento, também chamada de Biblioteca Técnica Padrão.

A padronização dos métodos de manutenção para cada modelo de equipamento é realizada utilizando-se dessa opção do menu do aplicativo, o qual permite armazenar o conhecimento das técnicas ou métodos de trabalho da manutenção em forma de dados, imagens, vídeos e programas; Essa biblioteca é uma coletânea de informações técnicas de manutenção (o que fazer e como fazer), compiladas das instruções de seus fabricantes e também da experiência adquirida ao longo dos anos pelos especialistas das áreas de manutenção.

3.4. Folhas de testes inteligentes: Contém o “o que fazer” nos serviços de manutenção, como também, realiza todos os cálculos necessários, o que reduz significativamente o serviço de campo e aumenta sua confiabilidade. São calculados todos os valores esperados, os limites admissíveis, e as magnitudes e ângulos das grandezas vetoriais a serem aplicadas nos ensaios do equipamento. Esses cálculos são realizados a partir das configurações e ajustes cadastrados pelos usuários e dos algoritmos de cálculos existentes em sua Biblioteca Técnica Padrão. Essa Folha de Teste é gerada de forma personalizada para cada equipamento instalado e permite o registro “online” dos valores encontrados e deixados obtidos nas inspeções, ensaios e medições realizados durante a execução dos serviços de manutenção. Os dados vão sendo digitados pelo usuário diretamente na tela de cadastramento à medida que vai sendo feita a sua leitura nos instrumentos. Valores fora dos limites admissíveis são mostrados em vermelho e dentro dos limites em verde. Vide figura II.

Figura II: Folha de Testes personalizada para cada equipamento.

Como mostrado na figura III, ensaios automatizados é outra possibilidade oferecida pelo software especificamente para os equipamentos de proteção, os quais sofreram um maior impacto dos avanços da tecnologia digital. Isso foi possível graças à evolução paralela que sofreram também os instrumentos de testes desses equipamentos, permitindo a realização de testes forma automatizada. Os testes automatizados e padronizados em equipamentos de proteção fogem ao escopo desse trabalho. Mas, informações detalhadas sobre o assunto podem ser obtidas nas referências bibliográficas [2] e [3].

Figura III: Ensaios Automatizados realizados pelo RME-Web®.

3.5. Procedimentos de manutenção: Contém o “como fazer” os serviços de manutenção especificados nas folhas de testes, passo a passo, de forma detalhada. Os detalhes técnicos da execução dos serviços são mostrados através de textos, imagens até vídeos. Atualmente a forma mais fácil e popular de aprender algo novo e de produzir esses procedimentos de manutenção é utilizar o recurso de vídeo-aulas. Na figura III é mostrada uma vídeo-aula postada no YouTube® acessada diretamente pelo RME-Web®.

3.6. Banco de Dados Sistêmico da Manutenção: Todos os resultados obtidos nos serviços de manutenções realizados enviados para o banco de dados sistêmico da manutenção. O grande benefício oferecido por esse banco de dados é facilitar o levantamento de amostragens de dados necessárias aos estudos de engenharia de manutenção. Essas amostragens garantem a confiabilidade e uma referência comum aos vários estudos de engenharia de manutenção, como interpretação estatística dos resultados, definição de periodicidade, custos de manutenção, obsolescência, desempenho, fim de vida útil etc. Informações detalhadas sobre esse assunto podem ser obtidas na referência bibliográfica [2].

3.7. Indicadores: O RME-Web® oferece as opções “Gráficos” e “Relatórios” no menu principal que permitem aos usuários selecionar e estratificar, de forma interativa, amostragens de dados do banco para o monitoramento e avaliação da qualidade da manutenção em nível local e sistêmico. Vide figura IV.

Figura IV: Gráficos interativos para o controle da qualidade da manutenção.

4. IMPLANTAÇÃO PILOTO NO SERPRO Percebendo que diagnóstico apresentado na introdução desse trabalho é bastante aderente à situação existente em suas áreas de manutenção, o SERPRO – Regional Brasília decidiu avaliar uma implantação piloto do Aplicativo RME-Web®, para solucionar os problemas existentes no gerenciamento e fiscalização dos serviços de manutenção executados em suas instalações por empresas contratadas. A proposta inicial da D&V foi de disponibilizar uma versão do aplicativo RME-Web® nas “nuvens” (cloud computing), sem qualquer ônus para a Divisão de Engenharia do SERPRO, por um período inicial de seis meses para avaliação. Ficou definido que a implantação piloto seria para a usina dos Grupos Motores-Geradores (GMG), composto por 12 GMG’s instalados em duas plantas e com três fabricantes diferentes. Esses equipamentos são de missão crítica, pois no caso de falta de energia elétrica da concessionária de distribuição, eles devem estar em condições de entrar em serviço para manter a continuidade dos serviços de processamento de dados da união. Ficou também definido um facilitador (engenheiro do conhecimento) que seria treinado pela D&V e teria a função de estabelecer os padrões de manutenção dos GMG e cadastrá-los na Biblioteca Técnica Padrão (base de conhecimento) do RME-Web®. Esses padrões de manutenção foram estabelecidos a partir dos catálogos dos fabricantes e das exigências estabelecidas no contrato de prestação de serviço com a empresa terceirizada responsável pela execução dos serviços de manutenção preventiva e corretiva. A partir dos próximos contratos, sempre deverão ser utilizados os métodos padronizados pelo SERPRO, independentemente da empresa que ganhar a licitação para a execução dos serviços de manutenção dos GMG.

Nas figuras seguintes, estão apresentadas algumas das principais telas do Aplicativo RME-Web® para analisar as customizações realizadas e as sugestões e melhorias propostas pela equipe do SERPRO nessa fase de implantação piloto.

4.1. Modelos Padronizados: Na figura V abaixo são mostrados os modelos de cada GMG padronizados pela equipe de engenharia do SERPRO na implantação piloto.

Figura V: Grupos Motores Geradores (GMG) padronizados pelo SERPRO.

4.2. Equipamentos Cadastrados:

Esses três modelos padronizados permitem atender ao cadastramento de dez GMG’s na instalação Regional Brasília e a dois GMG’s na instalação Sede. Ou seja, cada modelo padronizado atende a todos os equipamentos cadastrados do mesmo modelo. Isso garante que todos os equipamentos de um mesmo modelo possuam uma mesma metodologia padronizada de manutenção e reduz significativamente o volume de padronização e de cadastramento. A figura VI mostra os dez GMG’s da instalação Regional Brasília.

Figura VI: GMG’s cadastrados para a instalação Regional Brasília.

Os quatro ícones na coluna da esquerda da tela mostrada na figura VI permitem editar os dados cadastrados; cadastrar e consultar os documentos relativos a cada equipamento (catálogo de fabricante, procedimentos de manutenção nos mais diversos formatos de arquivo, como PDF, imagens e vídeos); cadastrar e consultar parametrizações, configurações e ajustes dos equipamentos; e por fim, cadastrar e consultar as manutenções realizadas nos mesmos.

4.3. Programação dos serviços de manutenção: A figura VII mostra o recurso de programação dos serviços de manutenção realizado pelo SERPRO para controlar as contratadas. Essa opção encontra-se no “menu principal => serviços => programação”. As datas em verde significam as programações das manutenções em uma data futura. As programações para uma data já passada e que ainda não foi feito o cadastramento, ficam com as datas vermelhas.

Figura VII: Tela com a listagem de manutenções programadas.

4.4. Procedimento padrão: As figuras VIII e IX mostram o procedimento de manutenção padronizado para o grupo motor gerador de fabricação FG-Wilson. Observa-se que os campos em cinza atendem às exigências da NR-10 em seu artigo 11 relativo aos procedimentos de trabalho e às medidas de controle de riscos em seu artigo 2. Outra observação importante é que foi utilizado o conceito de “Lógica Fuzzy ou Difusa” de forma a dar um tratamento numérico às avaliações subjetivas e não quantificáveis, como ‘ótimo’, ‘bom’, ‘Regular’, ‘Ruim’, ‘Péssimo’ e ‘Não inspecionado’. Isso força ao executante a associar uma nota à sua avaliação e não lhe permite informar um vago “OK” em sua avaliação como de costume.

Figura VIII: Procedimento de Manutenção Padrão para GMG’s de fabricação

FGWilson.

O procedimento fornece uma descrição passo-a-passo das tarefas a serem realizadas, que podem ser desde uma mera inspeção, passando por testes, medições e até ensaios mais sofisticados. Todas essas tarefas recebe um código na fase de padronização, através do qual todos os critérios de busca, seleção, totalização, pesquisas, relatórios, gráficos são realizados. A ajuda do RME-Web® fornece as leis de formação desse código. Ao lado da descrição passo-a-passo, o procedimento também fornece as orientações técnicas de segurança, onde é fornecida a “receita de bolo” de forma bem sucinta de como realizar a tarefa. Também são incluídas imagens para melhor detalhar a execução de cada tarefa.

Figura IX: Continuação do Procedimento de Manutenção Padrão para GMG’s de

fabricação FGWilson.

4.5. Folha de testes e medições padronizada para o GMG FG-Wilson: A figura X mostra uma folha de testes impressa padronizada e específica para o grupo motor gerador Nº G1. Ela é útil para locais que não possuem acesso à internet, e os testes têm que ser registrados em papel para posterior cadastramento. A folha de testes possui um conjunto de campos de IDENTIFICAÇÃO onde constam os dados padronizados associados ao modelo e um conjunto de campos de LOCALIZAÇÃO onde constam os dados cadastrados especificamente para o local de instalação do equipamento. O conjunto de campos DADOS DE MANUTENÇÃO especificam as informações relativas a cada manutenção sofrida pelo equipamento.

Figura X: Impressão da Folha de Teste do GMG Nº1.

O grupo de perguntas do DIAGNÓSTICO vão orientar as pesquisas realizadas no campo de texto OBSERVAÇÕES, onde são descritos os problemas encontrados nos serviços de manutenção. No campo RECURSOS MATERIAIS UTILIZADOS são informados od números de identificação dos instrumentos de testes e ferramentas usados nos serviços. Os campos CONFIGURAÇÕES E AJUSTES contêm os valores cadastrados para as parametrizações definidas na padronização do modelo de equipamento (o que não foi utilizado na padronização dos equipamentos GMG). Por fim, os campos de INSPEÇÕES, ENSAIOS E MEDIÇÕES que correspondem aos testes detalhados no procedimento padrão, para o nível de manutenção informado. Nesse exemplo, são apresentados os testes que devem ser realizados nas manutenções quinzenais. Além do campo código e descrição são calculados, a partir da base de conhecimento, e mostrados os limites admissíveis e os valores calculados ou esperados, e deixados os espaços para o registro dos valores encontrados e deixados.

4.6. Cadastramento dos resultados de manutenção: As figuras XI e XII mostram em tela a mesma folha de testes padronizada e específica para o grupo motor gerador Nº G1, para cadastramento dos resultados de manutenção de forma online. Essa opção só é válida para locais que possuem acesso à internet, e os testes podem ser registrados diretamente na tela do computador, tablet ou smartphone.

Figura XI: Tela para cadastramento dos dados de manutenção.

Os campos apresentados nas figuras XI e XII são análogos aos descritos para a folha de teste impressa em papel. Na figura XII é mostrado o processo de entrada de dados dos resultados de medições e ensaios. Nota-se que quando os valores estão fora dos limites

admissíveis, inferiores ou superiores, os valores ficam em vermelho, caso contrário são mostrados em verde. As descrições que estão mostradas na cor azul são os dados padronizados que não podem ser alterados pelos usuários que executam a manutenção, mas apenas pelo responsável pela padronização do modelo de equipamento.

Figura XII: Tela para cadastramento dos testes e medições.

4.7. Relatório das Observações Registradas: O relatório da figura XIII fornece uma listagem analítica de todas as OBSERVAÇÕES selecionadas de acordo com critérios de seleção e classificação previamente estabelecidas.

Figura XIII: Relatório das Observações Registradas.

O CAMPO OBSERVAÇÃO é o campo de texto livre, preenchido durante os serviços de manutenção, onde são descritas textualmente todas as ocorrências julgadas relevantes pelo executante. Obtida listagem, podemos selecionar os dados, copiar com CTRL C e colar com CTRL V no Excel, por exemplo, e trabalhar ainda mais esses dados.

4.8. Relatório das Medições Realizadas: No relatório da figura XIV são mostradas as MEDIÇÕES que são os dados do tipo numérico, padronizados e obrigatoriamente registrados durante a execução dos serviços manutenção. Previamente é fornecida uma tela com um conjunto de campos para seleção ou estratificação das informações. São basicamente cinco campos: VC = Valor Calculado ou esperado VE = Valor Encontrado VD = Valor Deixado L I = Limite Inferior da faixa de tolerância LS = Limite Superior da faixa de tolerância..

Figura XIV: Relatório das Medições Realizadas.

4.9. Gráficos de Tendência dos Resultados: Além de cinco gráficos para controle da qualidade dos serviços de manutenção, o RME-Web® disponibiliza para cada medição cadastrada, um gráfico de tendências mostrando a variação dos resultados dos Valores Encontrados (VE) e dos Valores Deixados (VD) ao longo do tempo.

A figura XV mostra esse gráfico que é de fundamental importância na previsão do fim de vida útil dos equipamentos.

Figura XV: Relatório de Tendência dos Resultados.

5. CONCLUSÃO Os resultados obtidos na avaliação da implantação piloto do Aplicativo RME-Web® nas instalações do SERPRO foram amplamente satisfatórios, o que pode ser claramente observado ao serem comparadas as situações encontradas antes e depois da implantação piloto. Durante a implantação, foram sugeridas varias melhorias e customizações pela equipe de engenharia de manutenção do SERPRO, com destaque para a inclusão de janelas modais (prompts) que forçam o executante a informar o motivo pelo qual os valores encontrados ou deixados das medições ficaram fora dos limites admissíveis. Outra melhoria também sugerida foi a inclusão dos limites admissíveis inferiores e superiores no gráfico de tendências. O parecer do SERPRO foi conclusivo quanto à aplicabilidade e a adaptabilidade do RME-Web® para resolver os problemas existentes em suas áreas de manutenção. A tendência é a utilização da solução nas demais instalações e equipamentos do SERPRO, o que depende ainda de previsão de verba orçamentária. Um dos facilitadores é a existência de versões do RME´Web® com licença de uso gratuita, com custo apenas para suporte e manutenção. Outros facilitadores são o enquadramento do RME-Web® na inexigibilidade de licitação conforme o artigo 25 da Lei 8666, por se tratar de um software inédito e sem concorrentes no mercado, e a existência do paradigma CEMIG que utilizou esse recurso no contrato de sistemas precursores.

Por fim, a gestão do conhecimento profissional especializado é de alta prioridade, pois além de seu aprendizado ser difícil e de longo prazo, pode ser perdido se não administrado adequadamente. A aquisição e o armazenamento esse tipo de conhecimento só é factível através da utilização de sistemas especialistas em áreas de domínio específico. O estudo de caso CEMIG, de sucesso comprovado, é uma referência para a implantação de sistemas especialistas como suporte à gestão do conhecimento nas áreas de manutenção das concessionárias do setor elétrico. Esse estudo do caso SERPRO, vem comprovar a transcendência do RME-Web®, que pode ser aplicado à manutenção de qualquer tipo de equipamento de qualquer instalação, e pode ser utilizado quaisquer outras empresas do setor elétrico e industrial. Nesse caso, seria estabelecida naturalmente uma rede de relacionamento dos usuários do RME-Web®, cujo benefício maior seria a colaboração e o intercâmbio do conhecimento especializado em manutenção. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] Cunha, Dilmar G., “Modelo de manutenção integrada para equipamentos de sistemas elétricos e ferramentas computacionais de suporte”, Dissertação de Mestrado, Pós-Graduação em Engenharia Elétrica, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007. [2] COSTA, André L. M.; CUNHA, Dilmar G.; GOMES, João L. O; Testes automatizados e padronizados em equipamentos de proteção. XVII SNPTEE, Uberlândia, MG, Anais, out. 2003. [3] CUNHA, Dilmar G., COSTA, André L. M., GOMES, João L. O. CEMIG achieves automated maintenance. T&D WORLD, Kansas, EUA, V. 50, n. 6, p. 58 - 68, mai. 1998.