avaliaÇÃo do estado nutricional de escolares da rede...

44
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE NUTRIÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DE CUIABÁ E VÁRZEA GRANDE, MT E SUA RELAÇÃO COM A ADESÃO À ALIMENTAÇÃO ESCOLAR MONIQUE CRISTINE DA SILVA BODONESE Cuiabá-MT, Abril de 2019

Upload: others

Post on 13-Jul-2020

8 views

Category:

Documents


0 download

TRANSCRIPT

Page 1: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE NUTRIÇÃO

AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES

DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DE CUIABÁ E VÁRZEA

GRANDE, MT E SUA RELAÇÃO COM A ADESÃO À

ALIMENTAÇÃO ESCOLAR

MONIQUE CRISTINE DA SILVA BODONESE

Cuiabá-MT, Abril de 2019

Page 2: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE NUTRIÇÃO

AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES

DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DE CUIABÁ E VÁRZEA

GRANDE, MT E SUA RELAÇÃO COM A ADESÃO À

ALIMENTAÇÃO ESCOLAR

MONIQUE CRISTINE DA SILVA BODONESE

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a

Faculdade de Nutrição da Universidade Federal

de Mato Grosso, como parte dos requisitos

exigidos para obtenção do Título de Bacharel em

Nutrição.

Orientadora: ProfªDrª Shirley Ferreira Pereira

Cuiabá-MT, Abril de 2019

Page 3: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada
Page 4: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE NUTRIÇÃO

AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA

REDE ESTADUAL DE ENSINO DE CUIABÁ E VÁRZEA GRANDE,

MT E SUA RELAÇÃO COM A ADESÃO À ALIMENTAÇÃO ESCOLAR

MONIQUE CRISTINE DA SILVA BODONESE

Orientadora:

Prof. DSc. Shirley F. Pereira

MEMBROS DA BANCA EXAMINADORA

Julgado em: 11/04/2019

Page 5: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

AGRADECIMENTOS

Nenhuma batalha é vencida sozinha, e no decorrer desta luta algumas pessoas

estiveram ao meu lado e percorreram este caminho como verdadeiros soldados, estimulando

que eu buscasse a minha vitória e conquistasse o meu sonho.

Agradeço em primeiro lugar a Deus, que me ouviu nos momentos mais difíceis, me

confortou e me deu forças para chegar onde estou.

A minha mãe e a minha avó, que não só neste momento, mas em toda minha vida

estiveram comigo, me apoiando me estimulando, e me ensinando a ser uma mulher de força e

um ser humano íntegro, com caráter, coragem e dignidade para enfrentar a vida, amo muito

vocês.

Ao meu marido que esteve presente nos momentos mais importantes da minha vida,

tendo paciência e aguentando minhas crises de choro, e principalmente por entender a minha

ausência, amo muito você.

As minhas filhas, que me fizeram descobrir em mim uma força que eu nem imaginava

que existia, me desculpe pela minha ausência e muitas vezes a minha falta de paciência, vocês

são tudo em minha vida, amo vocês acima e tudo.

Ao meu irmão, que sempre esteve ao meu lado pra tudo, eu me orgulho muito de você

e no homem que se tornou.

E a toda minha família que sempre acreditou no meu potencial, mesmo quando eu não

acreditei.

As amigas que conheci no decorrer da faculdade, e que sempre me ajudou nos

momentos que mais precisei e que levarei para toda vida.

Agradeço a minha orientadora pela compreensão, pelo auxilio e pela paciência, com

que me conduziu até esse momento.

Enfim, a todos que de alguma forma estiveram próximos de mim de forma direta e

indireta, fazendo parte da minha vida durante toda a graduação.

Muito obrigada!

Page 6: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO E REVISÃO DE LITERATURA ........................................................ 8

2. OBJETIVOS .................................................................................................................... 14

2.1. OBJETIVO GERAL ...................................................................................................... 14

2.2. OBJETIVOS ESPECIFICOS ........................................................................................ 14

3. POPULAÇÃO E MÉTODO ........................................................................................... 15

3.1. POPULAÇÃO ........................................................................................................... 15

3.2. MÉTODO .................................................................................................................. 15

3.2.1. DEFINIÇÃO DO GRAU DE ADESÃO À ALIMENTAÇÃO ESCOLAR ...... 16

3.2.2. AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL ................................................ 16

3.3. ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS DADOS ................................................................ 17

3.4. ASPECTOS ÉTICOS ................................................................................................ 17

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO .................................................................................... 19

4.1 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DOS ESCOLARES: ........................... 20

4.2. ADESÃO A ALIMENTAÇÃO ESCOLAR .................................................................. 25

4.3 RELAÇÃO ENTRE A ACEITABILIDADE DA ALIMENTAÇÃO ESCOLAR E O

ESTADO NUTRICIONAL DOS ADOLESCENTES ......................................................... 26

5. CONCLUSÕES ............................................................................................................... 29

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 30

APÊNDICE 1-DADOS DOS ALUNOS PARA AVALIAÇÃO NUTRICIONAL ................ 35

ANEXO 1- QUESTIONÁRIO DE ADESÃO À MERENDA ESCOLAR ............................. 36

ANEXO 2- AUTORIZAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA E PESQUISA ................................ 38

ANEXO 3 - TERMO DE ASSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ............................. 43

ANEXO 4 - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ......................... 44

Page 7: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

RESUMO

Este trabalho é um estudo de abordagem quantitativa, descritivo e transversal realizado em 5 escolas públicas

estaduais dos municípios de Cuiabá e Várzea Grande-MT, com o objetivo de avaliar a relação entre o estado

nutricional dos adolescentes com a adesão à alimentação escolar. O grupo estudado foi composto por 105

estudantes com idade entre 14 e 16 anos, de ambos os sexos cursando o 9º ano do ensino fundamental. Foi

aplicado questionário contendo perguntas sobre dados de identificação pessoal, sociodemográficos e de adesão à

alimentação escolar. Foi realizado aferição do peso e da estatura dos escolares, para a avaliação do estado

nutricional. Os indicadores Índice de Massa Corporal para a Idade (IMC/I) e estatura para a idade (E/I) foram

calculados no programa Anthroplus da Organização Mundial de Saúde e avaliados em percentil. Para tabulação

e análise dos dados foi utilizado o programa Epi-Info versão 3.5.4. Foi utilizado o Teste do Qui-quadrado para

comparação entre a prevalência das variáveis estudadas. Os resultados mostraram que 11,4% dos adolescentes se

encontravam com risco de baixo peso e 20% com sobrepeso/obesidade, e apenas 10,5% com risco de baixa

estatura. Não foram encontradas diferenças significativas neste grupo entre os sexos e idades. Observamos uma

tendência a maior prevalência de risco de baixo peso entre os que aderiram à alimentação escolar regularmente

frente ao que não aderiram, sendo o sobrepeso/obesidade e o risco de baixa estatura semelhante entre os dois

grupos. Esses dados reafirmam que o excesso de peso em adolescentes é um crescente atualmente, e que a

adesão à alimentação escolar não está influenciando na melhoria do estado nutricional. Intervenções devem ser

feitas, para que haja uma redução do agravo do estado nutricional nesse grupo e prevenir as doenças crônicas na

vida adulta.

PALAVRAS-CHAVE: avaliação nutricional; adolescentes; alimentação escolar; sobrepeso; baixo peso.

ABSTRACT

This work is a study of quantitative, descriptive and transversal approach performed in 5 State public schools in

the municipalities of Cuiabá and Várzea Grande-MT, with the objective of assessing the relationship between

the nutritional status of adolescents with the accession to the school meals. The group studied was composed of

105 students aged between 14 and 16 years, of both sexes attending the ninth grade of elementary school. Was

applied questionnaire with questions about personal identification, demographic data and membership of the

school meals. Weight measurement was carried out and of the stature of the school, for the assessment of

nutritional status. The body mass Index indicators for age (IMC/I) and height for age (E/I) were calculated in

Anthroplus program of the World Health Organization and evaluated in percentile. For tabulation and data

analysis was used the Epi-Info version 3.5.4. We used the Chi-square test for comparison between the

prevalence of the studied variables. The results showed that 11.4% of the adolescents were at risk of low birth

weight and 20% Overweight/obesity, and only 10.5% with risk of short stature. No significant differences were

found in this group between sexes and ages. We observed a tendency to higher prevalence of low birth weight

risk among those who joined the school meals regularly joined the front, being overweight/obesity and the risk of

stunting similar between the two groups. These figures reaffirm that the overweight in adolescents is a growing

today, and that membership of the school feeding is not influencing the improvement of nutritional status.

Interventions should be made, so there is a further reduction of nutritional status in this group and prevent

chronic diseases in later life.

KEY WORDS: nutritional evaluation; adolescents; school feeding; overweight; low weight

Page 8: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

8

1. INTRODUÇÃO E REVISÃO DE LITERATURA

A adolescência compreende o período da vida que se inicia aos 10 anos de idade e se

prolonga até os 19 anos, ocorrendo, durante este percurso intensas transformações físicas,

psicológicas e comportamentais. Coexistem o elevado ritmo de crescimento e importantes

fenômenos maturativos (SBP, 2018).

O indivíduo passa por transformações físicas e fisiológicas que modificam sua

composição corporal e proporcionam crescimento e desenvolvimento. A forma como ocorrem

estas transformações varia consideravelmente entre os indivíduos, sendo que fatores sociais,

culturais e econômicos envolvidos neste processo podem acentuar ainda mais as diferenças já

existentes entre os adolescentes de mesma idade e sexo (LOURENÇO, TAQUETTE;

HASSELMANN, 2011).

A adolescência é uma fase com extrema vulnerabilidade em questões nutricionais,

pelo fato de haver maior necessidade de nutrientes, que ajudam no crescimento e

desenvolvimento físico (BRASIL, 2013).

Wolf et al. (2019), relatam que, pelo fato da adolescência ser uma fase de risco

nutricional, podendo estar associado a doenças crônicas na vida adulta, tem-se priorizado a

vigilância nutricional nessa fase, para que possa-se avaliar e intervir no comportamento

alimentar, prevenindo assim os prejuízos ao crescimento e à saúde desse grupo. As intensas

transformações físicas, psíquicas e sociais ocorridas neste período acabam por influenciar o

comportamento alimentar dos adolescentes, que se tornam suscetíveis a preferências

alimentares que podem acarretar hábitos inadequados e deficiências nutricionais.

Com isso o monitoramento do estado nutricional se torna importante para todas as

faixas de idade, principalmente na adolescência, onde o crescimento pode ser comprometido.

Se isso for percebido precocemente pode-se prevenir possíveis agravos à saúde e riscos de

morbimortalidade, especialmente com a crescente prevalência de sobrepeso/obesidade no

Brasil e no mundo (CONDE et al., 2018).

A desnutrição, o sobrepeso e a obesidade em adolescentes têm sido considerados

importantes problemas de saúde pública, em razão dos riscos para a vida adulta, predispondo

assim maior incidência de distúrbios metabólicos e funcionais. Esse fato pode ser em parte

justificado por se tratar de um período marcado por transformações relacionadas à formação

da imagem corporal, que se constitui na forma como se percebe o corpo, e que sofre

influencias sociais (SILVA, OLIVEIRA; LANA, 2017).

Page 9: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

9

A prática alimentar inadequada e o aumento do sedentarismo entre os adolescentes

estão relacionados ao processo de transição nutricional no Brasil, e a prevalência desse

comportamento pode ser elevada entre os adolescentes. Atualmente a mídia tem se destacado

por exercer grande influência na formação da imagem corporal, ao estimular a valorização da

magreza e do corpo perfeito, sendo os adolescentes um dos grupos etários mais vulneráveis às

pressões da sociedade (SILVA, OLIVEIRA; LANA, 2017).

A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada vez mais

importante no estabelecimento de situações de risco, no diagnóstico nutricional e no

planejamento de ações de promoção à saúde e prevenção de doenças. Sua importância é

reconhecida por que auxilia no acompanhamento do crescimento e do estado de saúde do

adolescente, ajudando assim na detecção precoce de distúrbios nutricionais, sejam eles a

desnutrição ou a obesidade (SBP, 2009).

A definição do estado nutricional de adolescentes esbarra em uma série de

dificuldades, tendo em vista a necessidade de considerar a etapa de crescimento e

desenvolvimento em que se encontram e uma forma de fazer essa definição, é através da

mensuração do desenvolvimento corporal. Por essa razão o monitoramento de peso e estatura

de adolescentes em relação à população de referência tem se firmado como uma atividade

essencial, tanto pela sua praticidade, como também por seu baixo custo. A ampla utilização da

antropometria se deve ao fato deste ser um método barato, não invasivo, universalmente

aplicável, de boa aceitação por parte da população e extremamente útil para rastrear a

obesidade e outros agravos nutricionais, na determinação de estimativas de prevalência e da

gravidade de alterações nutricionais (ARAUJO; CAMPOS, 2008).

Para facilitar acompanhamento do seu crescimento desde a infância, a Organização

Mundial de Saúde (OMS) recomenda o Índice de Massa Corpórea [IMC = peso (kg) /

altura2(m)] associado ao critério estatístico do escore Z do percentil, que estabelece o quanto

determinado grupo se distancia da média de uma população (BRASIL, 2011). A OMS destaca

o uso deste índice para a triagem de adolescentes com sobrepeso e obesidade, por ser bem

correlacionado à gordura corporal e de fácil obtenção, ter referências para comparar diferentes

populações e ainda permitir uma continuidade do critério utilizado para avaliação de adulto

(THOMAZ, SILVA; COSTA, 2013).

A avaliação do estado nutricional por meio da antropometria é bastante complexa em

adolescentes, devido à grande variabilidade do crescimento e das dimensões corporais nessa

faixa etária – variabilidade esta que depende do estado nutricional dos indivíduos, bem como

do desempenho do crescimento nas idades anteriores e de fatores hormonais relacionados ao

Page 10: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

10

processo de maturação sexual (OLIVEIRA et al., 2012). Utiliza indicadores que são capazes

de fornecer, de acordo com o parâmetro utilizado, informações sobre a adequação nutricional

de um indivíduo ou coletividade em relação a um padrão compatível com a saúde em longo

prazo (GOMES, ANJOS; VASCONCELOS, 2010).

Em crianças e adolescentes a avaliação do estado nutricional leva em conta um

conjunto maior de parâmetros. Além da análise do IMC feita de acordo com a idade, leva-se

em conta outros fatores como a estatura para idade (CLEMENTE et al., 2011).

O monitoramento contínuo do crescimento auxilia na identificação das alterações

nutricionais dos adolescentes, ajudando na prevenção e no diagnóstico de distúrbios

nutricionais. Vale ressaltar que existem algumas deficiências nutricionais especifica que

podem ocorrer sem comprometimento antropométrico imediato, e sua detecção depende da

realização de uma cuidadosa anamnese nutricional (TOZZATO, SANTOS; MENEZES,

2014).

Atualmente a prevalência da obesidade tem aumentado em todo o mundo e em todas

as faixas etárias e níveis socioeconômicos. E um dos fatores para esse aumento é a mudanças

no padrão alimentar e nutricional que está ocorrendo no mundo, inclusive no Brasil,

resultando no aumento da obesidade e na redução da desnutrição (BERLESE et al., 2016).

Entre os fatores relacionados a esse padrão alimentar, as mudanças no estilo de vida e

nos hábitos alimentares têm importante papel. Observa-se, entre outros alimentos e bebidas

consumidas pela população, maior consumo de bebidas não alcoólicas açucaradas. Ao mesmo

tempo, ocorreu a redução no consumo de leite e derivados, principalmente entre os

adolescentes (BERLESE et al., 2016). Para estes autores entre as causas ambientais da

obesidade na adolescência, destacam-se as mudanças no padrão nutricional, motivadas por

transformações políticas e econômicas, ocorridas em todas as nações. A forte tendência para o

consumo de alimentos e bebidas processados e ultraprocessados é geral.

A prevalência de obesidade em adolescentes em todo o mundo aumentou de menos de

1% (equivalente a cinco milhões de meninas e seis milhões de meninos) em 1975 para quase

6% em meninas (50 milhões) e quase 8% em meninos (74 milhões) em 2016. Combinado, o

número de obesos com idade entre cinco e 19 anos cresceu mais de dez vezes, de 11 milhões

em 1975 para 124 milhões em 2016 (BRASIL, 2017a).

As crianças e adolescentes passaram rapidamente de uma maioria com desnutrição

para uma maioria com sobrepeso em muitos países de média renda. Boff et al. (2018)

evidenciam que isso pode refletir um aumento no consumo de alimentos densos em energia,

Page 11: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

11

especialmente carboidratos altamente processados, que levam ao aumento de peso e a baixos

resultados de saúde ao longo da vida.

Atualmente o cenário nutricional em que muitas crianças e adolescentes se encontram

é algo preocupante, mas essa preocupação já existe há muitos anos e foi pensando nisso que o

governo brasileiro em 1955 criou a campanha que na época foi intitulada de Merenda Escolar,

implantando em 1979 no Brasil o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

O PNAE é o mais antigo programa do governo brasileiro na área de alimentação

escolar e de Segurança Alimentar e Nutricional, sendo considerado um dos maiores e mais

abrangentes do mundo no que se refere ao atendimento universal aos escolares e a garantia do

direito humano à alimentação adequada e saudável (COSTA et al., 2017).

Esta política pública, gerenciada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da

Educação (FNDE), atende a todos os alunos matriculados na Educação Básica nas etapas

Educação Infantil (creche e pré-escola), Ensino Fundamental e Ensino Médio e nas

modalidades indígena, quilombola, Atendimento Educacional Especializado (AEE) e

Educação de Jovens e Adultos (EJA), matriculados em escolas públicas, filantrópicas,

comunitárias (conveniadas com o poder público) e confessionais (mantidas por entidades

filantrópicas), bem como aqueles matriculados nas escolas federais, em conformidade com o

Censo Escolar do ano anterior ao do atendimento (SOARES et al., 2018).

O PNAE tem por objetivo contribuir para o crescimento e o desenvolvimento

biopsicossocial, a aprendizagem, o rendimento escolar e a formação de hábitos saudáveis dos

alunos, por meio de ações de educação alimentar e nutricional e da oferta de refeições que

cubram as suas necessidades nutricionais durante o período em que permanecem na escola

(SILVA et al., 2018). Esse programa atinge mais de 97% das escolas públicas existentes no

país, e seu objetivo é que as crianças em unidades de educação, em período parcial e integral,

recebam refeições adequadas e balanceadas, que venham a atingir, no mínimo, 30 e 70%,

respectivamente, das necessidades nutricionais diárias de cada aluno e com isso incentivar a

prática de hábitos alimentares saudáveis durante sua permanência na

escola, contribuindo assim para o seu crescimento, desenvolvimento, aprendizagem e o

rendimento escolar (BRASIL, 2018).

A alimentação escolar visa fornecer aporte energético e nutricional capaz de contribuir

para o crescimento biopsicossocial e o pleno exercício das aptidões

dos educando, considerando-se o processo ensino-aprendizagem durante o período de

permanência na instituição educacional (TURPIN, 2015).

Page 12: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

12

De acordo com Libermann e Bertolini (2015), o PNAE constitui uma importante

estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional, ao promover o Direito Humano à

Alimentação Adequada através da alimentação escolar. Suas diretrizes sugerem o emprego da

alimentação saudável e adequada, a inclusão da educação alimentar e nutricional no processo

de ensino e aprendizagem, a descentralização das ações e a articulação, em regime de

colaboração, entre as esferas de governo e o apoio ao desenvolvimento sustentável.

A educação alimentar e nutricional pode ser considerada fundamental para a formação

de bons hábitos alimentares e a influência dessas escolhas pode mudar os hábitos ao longo de

suas vidas, sendo a alimentação escolar uma ferramenta utilizada como uma de suas

estratégias (PEDRAZA, 2016).

No Brasil, todos os alunos matriculados em escolas públicas têm direito á alimentação,

no entanto a aceitação é variável. Para os alunos de nível socioeconômico menos favorecidos,

essa alimentação é primordial, sendo em muitos casos a principal ou até mesmo a única

refeição do dia. Mesmo assim, o consumo da alimentação escolar em alguns municípios

brasileiros é considerado baixo (MOTA, MASTROENI; MASTROENI, 2013). Um estudo

feito no centro-oeste por Carvalho (2015), sobre adesão a alimentação escolar em escolas

públicas, identificou uma média de adesão de 75%, considerada alta conforme a classificação

de Guerra (2015), que define que resultados de até 30% são considerados como muito baixa

adesão, entre 30 e 50% baixa, entre 50,1 e 70% média e acima de 70% é considerada alta

adesão

Com o objetivo de avaliar a adesão à alimentação escolar o Fundo Nacional de

Desenvolvimento da Educação (FNDE), optou por recomendar um teste de aceitabilidade que

consiste um conjunto de procedimentos metodológicos, cientificamente reconhecidos,

destinados a medir o índice de aceitabilidade da alimentação oferecida aos escolares. A

aceitação de um alimento pelos estudantes é um importante fator para determinar a qualidade

do serviço prestado pelas escolas em relação ao fornecimento da alimentação escolar. Além

disso, evita o desperdício de recursos públicos na compra de gêneros alimentícios rejeitados.

Para verificar a aceitação de algum tipo de alimento, o teste de aceitabilidade é um

instrumento fundamental, pois sua execução é fácil e permite uma verificação da preferência

média dos alimentos oferecidos (BRASIL, 2017b).

Para melhorar a aceitabilidade a alimentação escolar deve ser planejada, desde a

seleção dos gêneros, as quantidades necessárias o valor nutritivo, e por fim o seu preparo e

distribuição. Cada uma dessas etapas precisa ser cuidadosamente desenvolvida, para que ao

final cada aluno possa receber uma alimentação de qualidade. Essa alimentação deve

Page 13: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

13

consequentemente refletir em uma boa aceitação, além de ser saudável, colorida, ter

variedade, ser balanceada, equilibrada e saborosa (BASAGLIA, MARQUES; BENATTI,

2015), e colaborar com a melhoria dos hábitos alimentares e do estado nutricional dos

estudantes. Segundo estes autores a merenda escolar é um dos artifícios que motivam a

frequência dos alunos nas escolas, em muitos dos casos essa refeição é a única que esse

estudante vai ter ao longo de seu dia.

JUSTIFICATIVA DO ESTUDO:

Uma alimentação aceita e saudável favorece a adesão na escola, melhora o

desenvolvimento do estudante em sala de aula, promove a formação de bons hábitos

alimentares e um estado nutricional adequado (BRASIL, 2017a).

E em Mato Grosso não foram encontrados estudos que avaliassem a adesão à merenda

escolar. E com isso para se avaliar a relação entre o estado nutricional dos adolescentes e a

aceitabilidade da alimentação escolar, que atualmente não tem sido bem estabelecida.

Realizou-se um estudo, onde se avaliou o estado nutricional de alguns adolescentes e

relacionou com a aceitabilidade da merenda escolar servida nas escolas. Espera-se que essas

informações coletadas ajudem os profissionais, nas mais diversas áreas a refletir sobre

possíveis estratégias para melhorar a aceitabilidade da merenda escolar no Brasil.

Page 14: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

14

2. OBJETIVOS

2.1. OBJETIVO GERAL

Avaliar a relação entre o estado nutricional de adolescentes de escolas estaduais do

município de Cuiabá e Várzea Grande, MT, com a adesão à alimentação escolar

2.2. OBJETIVOS ESPECIFICOS

Caracterizar os estudantes de acordo com variáveis sociodemográficas;

Avaliar o estado nutricional dos adolescentes;

Verificar o grau de adesão dos adolescentes à alimentação escolar;

Avaliar a relação da adesão à alimentação escolar com o estado nutricional dos

alunos.

Page 15: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

15

3. POPULAÇÃO E MÉTODO

Este estudo foi desenvolvido como parte de um projeto de pesquisa intitulado como

“Avaliação da regularidade e da qualidade do Programa Nacional de Alimentação Escolar em

escolas da rede estadual de Cuiabá e Várzea Grande, MT.” “Alimentação Digoreste”,

desenvolvido por docentes e discentes da Faculdade de Nutrição, em convênio com a

Ouvidoria Regional da União Regional Mato Grosso e a Secretaria Estadual de Educação de

MT, do qual participaram cinco escolas públicas estaduais, três de Cuiabá e duas de Várzea

Grande, durante o ano letivo de 2018.

3.1. POPULAÇÃO

As escolas foram selecionadas entre as com nível sócio econômico médio classificado

pelo ENEM em 2017 sendo excluídas aquelas que não tinham turmas de 9ª ano ou que a

direção não concordasse em participar do estudo.

A amostra do estudo foi composta por alunos de ambos os sexos, que cursavam o 9º

ano do ensino fundamental de 5 escolas públicas estaduais, da área urbana dos municípios de

Cuiabá e Várzea Grande, MT, durante o ano letivo de 2018.

Critérios de inclusão: alunos cursando o 9º ano do ensino fundamental, idade entre 12

e 18 anos, aceitaram participar do estudo e entregarem o Termo de Consentimento Livre e

Esclarecido assinado pelos pais ou responsáveis.

Critérios de exclusão: escolares que apresentarem alguma limiação que impedissem a

aferição das medidas antropométricas.

3.2. MÉTODO

Foi realizado um estudo transversal de abordagem quantitativa. A coleta dos dados foi

realizada nas escolas, pela pesquisadora e pela equipe previamente treinada para a pesquisa,

com horário previamente agendado. Constituiu na aplicação de questionário e aferição de

medidas antropométricas.

Para investigação das características sóciodemográficas e grau de adesão dos

estudantes à alimentação escolar foram aplicados um questionário de (CUNHA, 2019).

Page 16: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

16

Contendo perguntas sobre dados de identificação pessoal, sociodemográficos e de adesão à

merenda (ANEXO 1).

3.2.1. DEFINIÇÃO DO GRAU DE ADESÃO À ALIMENTAÇÃO ESCOLAR

Os estudantes responderam questões referentes ao seu hábito de consumir a refeição

escolar e sobre aquisição de alimentos da cantina da escola. Para calcular o índice de adesão,

foram desconsiderados os alunos que relataram não consumir ou consumir a refeição escolar

esporadicamente (de um a dois dias por semana).

Como critérios de classificação foram utilizados os pontos de corte recomendados pelo

PNAE, que foram obtidos em um estudo realizado pela Faculdade de Engenharia de

Alimentos da Universidade de Campinas (GUERRA, 2015). Este autor classificou a adesão

dos escolares em quatro categorias: alto (acima de 70% dos estudantes), médio (50 a 70%),

baixo (30 a 50%) e muito baixo (menor que 30%).

O número de estudantes que afirmaram consumir a alimentação regularmente (entre três

e cinco dias por semana) foi multiplicado por 100 e dividido pelo número total de

participantes.

3.2.2. AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL

A coleta dos dados foi realizada nas escolas, pela pesquisadora, com horário e local

previamente agendado. Foi feita a aferição do peso e da estatura, pela pesquisadora, no

período das aulas (APÊNDICE 1).

Peso: Os adolescentes foram pesados em uma balança digital eletrônica da marca

Wisocare, capacidade de 180kg e graduação de 100g, sem sapatos ou meias, trajando o

uniforme da escola, sem enfeites e prendedores de cabelos conforme recomendação da

Organização Mundial de Saúde (OMS, 2011).

Estatura: Foi aferida com um estadiômetro fixado à parede sem rodapé, com prancha

colocada sobre o topo da cabeça do adolescente, a fim de se obter um ângulo reto com a

parede durante a leitura. Os alunos foram orientados a permanecerem eretos, com a cabeça

posicionada de modo que o plano de Frankfurt ficasse horizontal, o corpo, os tornozelos,

glúteos e ombros fiquem em contato com a parede, braços relaxados e mãos voltadas para o

corpo. A medida foi realizada em duplicata, utilizando uma média dos valores na análise dos

dados, com o objetivo de minimizar os erros de medição (OMS, 2011).

Page 17: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

17

O indicador Índice de Massa Corporal Idade (IMC/I) foi calculado no programa

Anthroplus da OMS e avaliado em percentil pela Norma Técnica do Sistema de Vigilância

Alimentar e Nutricional (SISVAN) (BRASIL, 2011), sendo os adolescentes classificados

como:

< Percentil 15-Risco de baixo peso;

≥ Percentil 15 e ≤ Percentil 85 – Eutrofia;

> Percentil 85 a ≤ Percentil 97 – Sobrepeso;

> Percentil 97-Obesidade.

Para a análise entre a adesão alimentar e o estado nutricional dos escolares os

adolescentes com sobrepeso e obesidade foram agrupados como excesso de peso.

Para a avaliação da estatura em relação à idade utilizou-se os percentis calculados no

programa Anthroplus da OMS e classificados como (BRASIL, 2011):

E/I < Percentil 15-Risco de baixa estatura para a idade

E/I ≥ Percentil 15-Estatura adequada para a idade

Como não foram encontrados escolares abaixo do percentil 3 de IMC/I e E/I foram

considerados aqueles com risco de déficit nutricional abaixo do (< percentil 15).

3.3. ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS DADOS

Para tabulação e análise dos dados foi utilizado o programa Epi-Info versão 3.5.4. Os

resultados foram apresentados sob a forma de frequências, e aplicado o Teste do Qui-

quadrado para comparação entre a prevalência das variáveis estudadas. Para significância

estatística foi considerado o nível de confiança de 95% (p <0,05).

3.4. ASPECTOS ÉTICOS

O presente estudo foi submetido à aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Área

de Saúde da UFMT (CEP-SAÚDE). Número do CAAE: 87454918.9.00008124; Número do

Parecer: 2.615.535, aprovado em 04/06/2018. (ANEXO 2).

Os estudantes foram convidados a participar da pesquisa através de um Termo de

Assentimento (ANEXO 3) onde foram esclarecidos sobre os objetivos e desenvolvimento da

mesma. Eles receberam duas vias do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ANEXO

Page 18: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

18

4),os quais foram entregues devidamente assinados pelos pais ou responsáveis, ficando uma

via sob sua posse e a outra devolvida ao entrevistador.

Riscos e desconfortos: Este projeto não envolveu nenhum risco ou desconforto físico

para os adolescentes, pois os dados foram coletados durante a aula, na presença do

responsável da turma.

Benefícios: Os resultados foram encaminhados à direção das escolas e servirão para

nortear políticas públicas que visem melhorar o estado nutricional dos escolares. Foram

realizadas palestras de orientação sobre alimentação saudável e sobre prevenção da obesidade

pela equipe envolvida no estudo.

Page 19: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

19

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Participou do estudo uma amostra de 105 alunos de um total de 571 alunos matriculados

no 9° Ano do ensino Fundamental, pertencentes de cinco escolas estaduais, através da

avaliação do estado nutricional e a adesão à refeição ofertada. Desse total 62,9% pertenciam

ao gênero feminino e 37,1% ao masculino. Entre os alunos 82,8% estavam na faixa etária de

14 anos. Foi avaliado o grau de instrução da mãe onde se identificou que 14,3% não

concluíram o 1º Grau, e a maior parte delas tinha concluído o 2º Grau (40,0%).

Quadro 1: Caracterização dos adolescentes das escolas estaduais avaliadas (MT, 2018).

Variável n %

Sexo

Masculino

Feminino

39

66

37,1

62,9

Idade

14 anos

15 anos

16 anos

87

14

04

82,8

13,3

3,9

Escola

E.E. Estevão Alves Correia

E.E. Prof° João Crisóstomo

E.E. Deputado Salim Nadaf

E.E. Prof° Eliane Digigov

E.E. Maria Leite Markoski

17

20

21

19

28

16,2

19,0

20,0

18,1

26,7

Grau de instrução da mãe

1° Grau Incompleto

1° Grau Completo

2° Grau Completo

Superior Completo

Não sabe

15

18

42

11

19

14,3

17,1

40,0

10,5

18,1

Total 105 100

Page 20: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

20

4.1 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DOS ESCOLARES:

Para se avaliar e monitorar o estado nutricional dos adolescentes, a avaliação

antropométrica é uma excelente ferramenta. Matarroyos et al. (2013) destacam que as

medidas antropométricas têm passado por um processo de transformação a nível global para

um melhor entendimento do processo de crescimento e desenvolvimento do corpo humano,

sendo ele um método importante para avaliação do estado nutricional dos indivíduos.

Observa-se no quadro 2 que 11,4% dos adolescentes se encontravam com risco de baixo

peso e 20% com sobrepeso/obesidade. Esses dados reafirmam que o excesso de peso em

adolescentes é um crescente atualmente, mostrando que com o passar dos anos os riscos de

obesidade será maior que a desnutrição.

Em 2015 a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PENSE), indicou a prevalência de

aproximadamente 32% de excesso de peso entre adolescentes de 12 a 19 anos, sendo 18% de

obesidade. Conde et al. (2018), analisando os dados deste estudo, indicaram que o estado

nutricional dos adolescentes escolares do Brasil se caracteriza por baixas prevalências de

déficit de peso e prevalência elevada do excesso de peso. Os resultados encontrados neste

estudo corroboram com esta afirmação.

Os autores Pereira, Pereira e Angelis-Pereira (2017), esclareceram que os hábitos

alimentares inadequados e o alto índice de sobrepeso e obesidade entre os adolescentes se

apresentam como um grave problema de saúde pública mundial, colaborando com o

desenvolvimento de futuras doenças crônicas não transmissíveis

Em relação ao indicador Estatura/Idade, observa-se que 10,5% dos adolescentes foram

classificados com risco de baixa estatura, esse resultado deve-se a prevalência de déficit de

altura através do ponto de corte utilizado: < percentil 15. Estudo realizado por Salvador,

Kitoko e Gambardella (2014), mostrou que 4,0% dos alunos estudados apresentaram déficit

de estatura (abaixo do percentil < 5 de E/I). Analisando esses autores, a prevalência de baixo

peso foi menor, no entanto vale ressaltar que a utilização do ponto de corte < percentil 15,

como valor crítico do déficit de peso em adolescentes, pode apresentar um maior grupo, sendo

assim, requer análises adicionais e discussão mais ampla, antes de sua eventual adoção.

Conde et al. (2018) explicam que, atualmente, o estado nutricional dos adolescentes está

pressionado por dois vetores relevantes e de ação oposta. Um deles é o ritmo de aumento da

altura média entre as crianças, que consequentemente contribui para a redução do déficit de

altura, e com isso pode conter a expansão da obesidade na adolescência, o outro é a expansão

Page 21: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

21

da obesidade entre adultos, que em geral antecipa o aumento da prevalência de obesidade em

toda a população.

Ramires et al. (2014) destacam que no Brasil foi encontrada uma prevalência de excesso

de peso de 32% e de 18% de obesidade em adolescentes nas faixas etária de 12 a 19 anos. E

os valores de IMC indicam probabilidade elevada de manutenção do peso não saudável na

vida adulta e com isso uma elevada probabilidade para desenvolverem precocemente doenças

crônicas não transmissíveis.

Mas o aumento na estatura da população não significa, necessariamente, que as pessoas

estejam se alimentando de forma correta e saudável, isso nos mostra que atualmente a

prevalência de obesidade é muito maior, e para conter a expansão da obesidade na

adolescência é necessária uma mudança nos hábitos de vida ainda na infância (DALLA

COSTA et al., 2011).

Quadro 2: Classificação do estado nutricional dos adolescentes das escolas estaduais avaliadas

(MT, 2018).

Variável n %

Classificação E/I

Risco de déficit estatural

Estatura adequada

Total

11

94

105

10,5

89,5

100,0

Classificação IMC

Risco de déficit ponderal

Estatura adequada

Excesso de peso

Total

12

72

21

105

11,4

68,6

20,0

100,0

Quando o indicador IMC/I é relacionado com o sexo (tabela 1), observa-se que os

escolares do sexo feminino apresentam maior ocorrência de risco de baixo peso, embora a

diferença não tenha sido estatisticamente significativa. Essa diferença pode ser causada pelo

fato das meninas nessa fase estarem construindo a sua identidade. As meninas ficam

facilmente insatisfeitas com seu corpo, e com isso acabam desejando ser mais magras, e com

esse desejo acabam adotando estratégias na esperança de uma mudança na imagem corporal, e

que muitas vezes são perigosas para o próprio corpo (COPETTI; QUIROGA, 2018). Estes

autores falam que todas as mudanças decorrentes do período e a auto-aceitação na

adolescência estão condicionadas a critérios formulados pelo grupo de amigos que são

Page 22: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

22

motivados pelos modelos sociais. Amigos e familiares, por vezes, contribuem para a

necessidade de estar, de forma constante, dentro dos padrões e expectativas sociais.

Um estudo entre adolescentes de 13 a 19 anos feito por Dumith et al. (2018) em alguns

municípios do semiárido brasileiro, definiu a prevalência de baixo peso para IMC como

abaixo de menos dois escore-z, e encontraram uma prevalência de 4,2% para toda a amostra,

sendo 4,9% para o sexo masculino e 3,6% para o sexo feminino, percentual um pouco maior

do encontrado pela Pesquisa de Orçamentos Familiares, em 2008-2009, com adolescentes de

10 a 19 anos que foi de 3,4%.

Outro estudo no interior de São Paulo feito por Peres, Latorre e Slater (2012),

utilizando o mesmo indicador, mostrou que a prevalência de baixo peso entre meninos e

meninas foi semelhante (4,2% para meninos e 5,6% para meninas), e esse baixo peso seria por

conta de comportamentos alimentares inadequados. Segundo Mattos et al. (2010), a TV aberta

é a maior fonte de lazer e informação da maioria da população, moldando opiniões e

comportamentos. Por isso, ao mesmo tempo em que a TV pode transmitir importantes

mensagens sobre a promoção da saúde e prevenção de doenças, a exposição excessiva a ela

parece ser um indicador de aumento nos riscos à saúde.

Os adolescentes estão sendo influenciados por fortes tendências sociais e culturais, que

promovem a busca pelo corpo ideal. Esse perfil socialmente aceito pode introduzir no

adolescente uma alimentação inadequada e, futuramente, propiciar o desenvolvimento de

Transtornos alimentares (COPETTI; QUIROGA. 2018). Em geral, a auto-estima de pessoas

com sobrepeso/obesidade encontra-se comprometida, principalmente em adolescentes do sexo

feminino, o que mostra a importância de se estar atento às funções psicossociais dessas

adolescentes (HOERLLE, BRAGA; PRETTO, 2019).

Quando a análise é realizada em relação ao sobrepeso/obesidade, observamos em

nosso estudo um excesso de peso de 25,6% para os meninos e 16,7% para as meninas, embora

a diferença não tenha sido significativa. Um estudo feito por Guimarães et al. (2018) mostra

que na região centro-oeste a prevalência de sobrepeso entre meninos foi de 21,1% e das

meninas de 22,9%, evidenciando que o grupo de escolares estudado obteve um resultado

muito semelhante, ao contrário do obtido em nosso estudo.

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da

Síndrome Metabólica (ABESO, 2016), a região do Centro-Oeste é a terceira com maior

prevalência de sobrepeso e obesidade entre adolescentes de 10 a 19 anos, ficando atrás

somente da Região Sul e Sudeste. Cidrão et al. (2019) destacam que elevados índices de

prevalência da obesidade têm sido observados não somente nos países desenvolvidos, como

Page 23: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

23

também naqueles que estão em fase de desenvolvimento, como por exemplo, o Brasil, e vem

aumentando também na população de baixa renda.

Tabela 1 - Distribuição dos adolescentes de acordo com o indicador IMC/I e o sexo (MT, 2018).

Sexo

Classificação do IMC/I

Total Risco de baixo

peso

Eutrofia Excesso de peso

n % n % n % n %

Feminino 09 13,6 46 69,7 11 16,7 66 100,0

Masculino 03 7,7 26 66,7 10 25,6 39 100,0

Total 12 11,42 72 68,58 21 20,0 105 100,0

Qui-quadrado = 1,777 p valor = 0,411

Quando o sexo é relacionado com o indicador E/I (tabela 2) observa-se que os

adolescentes estudados apresentaram um percentual de risco de baixa estatura muito

semelhante e abaixo do esperado. Vidal et al.(2018) ressaltam que o padrão de crescimento e

o estado nutricional são indicadores de saúde e bem-estar, e que esse crescimento adequado se

dá perante as condições de vida às quais são submetidos os adolescentes. Podemos analisar

que nossos adolescentes estão com crescimento adequado considerando que fazem parte de

escolas com nível sócio-econômico médio.

Tabela 2: Distribuição dos adolescentes de acordo com o indicador E/I e o sexo (MT, 2018).

Classificação de E/I Total

Sexo Risco de baixa

estatura

Estatura adequada

n % n % n %

Feminino 07 10,6 59 89,4 66 100,0

Masculino

04 10,3 35 89,7 39 100,0

Total 11 10,5 94 89,5 105 100,0

Qui-quadrado = 1,034 p valor = 0,323

Em relação à faixa etária, observa-se na tabela 3 a tendência a um aumento na

distribuição de jovens classificados com sobrepeso/obesidade conforme aumenta a idade. O

risco de baixo peso também foi mais alto nos jovens de 16 anos.

O IMC como indicador do estado nutricional na adolescência, embora apresente

importante variação no que tange à idade e a maturidade sexual, tem sido considerado um

bom indicador de sobrepeso em adolescentes, apresentando importante relação com medidas

antropométricas futuras (OLIVEIRA et al., 2008).

Page 24: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

24

Gatti e Ribeiro (2007) destacam em seu estudo que quando se avalia o crescimento

físico envolvendo o estado nutricional na adolescência além do peso e da estatura, deve-se

considerar a maturação sexual que é representada pelo aparecimento dos caracteres sexuais

secundários sendo que a idade cronológica na adolescência deixa de ser um parâmetro seguro.

Porém a avaliação da maturação sexual baseada nos caracteres sexuais secundários apresenta

dificuldades para sua realização devido a fatores culturais, necessidade de local apropriado e

profissionais qualificados.

Ao longo da adolescência o aumento dos valores de IMC pode ser interpretado como

um marcador do amadurecimento, expresso pelo aumento na estatura e nas alterações da

composição corporal. A diferença no ritmo de amadurecimento sexual entre os sexos é

evidentemente maior no período de até 15 anos, período esse de maior contraste, decrescendo

depois, à medida que os estagiamentos de meninas e meninos se aproximam (GATTI e

RIBEIRO, 2007).

Como esse estudo mostra um aumento de adolescentes com excesso de peso a partir

do aumento da idade, vale ressaltar que a prevenção deve ser feita desde a infância, já que se

torna algo muito mais difícil de reverter quando se chega à vida adulta já com obesidade, por

isso a importância de programas de educação alimentar envolvendo toda a família.

Tabela 3 - Distribuição dos adolescentes de acordo com o indicador IMC/I e a idade (MT, 2018).

Idade

Classificação do IMC/I

Total Risco de baixo

peso

Eutrofia Excesso de peso

n % n % n % n %

14 anos 10 11,5 61 70,1 16 18,4 87 100,0

15 anos 01 7,2 10 71,4 03 21,4 14 100,0

16 anos 01 25,0 01 25,0 02 50,0 04 100,0

Total 12 11,42 72 68,58 21 20,0 105 100,0

Qui-quadrado = 3,951 p valor = 0,412

Na tabela 4 observa-se que o risco de baixa estatura também aumenta com a idade,

mostrando que o déficit de estatura vai se agravando, provavelmente porque os alunos mais

velhos, já fora da idade adequada para a 9ª ano, são os que têm problemas de crescimento,

desenvolvimento e aprendizagem. Apesar do aumento significativo da média da estatura nos

países em desenvolvimento, seu déficit ainda continua sendo um problema de saúde pública

em muitos deles. Pedraza e Menezes (2014) falam que as estimativas da Organização das

Nações Unidas indicam que 34% das crianças de todo o mundo apresentam risco de déficit de

Page 25: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

25

estatura, percentual que aumenta para 44% quando analisados os países menos desenvolvidos.

De acordo com a análise destes autores, a determinação do déficit de estatura se dá por três

níveis de variáveis: as condições socioeconômicas, os antecedentes maternos e as

características das crianças, representando assim a interação de múltiplos fatores na expressão

do crescimento linear.

Tabela 4 - Distribuição dos adolescentes de acordo com o indicador E/I e idade (MT, 2018):

Idade

Classificação de E/I

Total Risco de baixa estatura Estatura adequada

n % n % n %

14 anos 08 9,2 79 90,8 87 100,0

15 anos 02 14,3 12 85,7 14 100,0

16 anos 01 25,0 03 75,0 04 100,0

Total 11 10,5 94 89,5 105 100,0

Qui-quadrado = 1,268 p valor = 0,530

4.2. ADESÃO A ALIMENTAÇÃO ESCOLAR

A partir do momento que ocorreu a descentralização do Programa Nacional de

Alimentação Escolar (PNAE), onde o poder de compra dos alimentos foi transferido para a

administração dos estados e municípios, houve uma melhora na aceitabilidade da alimentação,

por permitir mais autonomia para essas administrações havendo uma maior diversidade do

cardápio, além de apresentar alimentos in natura e respeitar os hábitos dos estudantes

(FARIA, 2017).

Raphaelli et al. (2017) discutem que para se ter uma boa aceitação dos alunos na

alimentação escolar, deve ser feita a realização de diagnósticos sobre as suas preferências

alimentares e que essa alimentação oferecida seja de qualidade, mas sempre se deve levar em

consideração os hábitos alimentares de cada região, as características nutricionais, o custo,

horário de distribuição e estrutura das cozinhas das escolas.A aceitação da merenda pelos

escolares, mostra a qualidade do serviço prestado e com isso permite conhecer os hábitos

alimentares regionais para que assim possa se facilitar na elaboração de cardápios.

Em nossa equipe de estudo Cunha (2019), observou que 69,5% dos jovens consumiam

habitualmente a merenda ofertada (3 ou mais vezes por semana), muito abaixo do que o

Manual para aplicação dos testes de aceitabilidade do Fundo Nacional de Desenvolvimento da

Educação (BRASIL, 2017b) preconiza que é de 85% a 90%. De acordo com Guerra (2015) a

adesão foi média pelo fato de que as escolas participantes do projeto mantêm em suas

Page 26: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

26

dependências cantinas, sendo assim os alunos muitas vezes preferem comprar um alimento na

cantina a invés de comer a refeição ofertada pela escola. Observamos que 69,5% dos jovens

estudados compravam merenda na cantina.

4.3 RELAÇÃO ENTRE A ACEITABILIDADE DA ALIMENTAÇÃO ESCOLAR E O

ESTADO NUTRICIONAL DOS ADOLESCENTES

A tabela 5 mostra que 15,1% dos alunos que consomem a merenda encontram-se com

risco de déficit ponderal versus 3,13% dos que não consomem. Este resultado, apesar de não

apresentar diferença estatisticamente significativa, nos leva a pensar que a adesão à

alimentação escolar é maior entre aqueles que têm risco nutricional.

Basaglia, Marques e Bematti (2015) destacam que esse é um dado preocupante já que

a alimentação saudável, balanceada e nutritiva é um direito de todos. Mas devido às

necessidades socioeconômicas da população em geral isso nem sempre é possível. Sendo

assim, o ambiente escolar se torna propício para o desenvolvimento de práticas alimentares

saudáveis, melhorando o nível educacional e reduzindo transtornos de aprendizado causados

por deficiências nutricionais, tais como anemia e desnutrição.

O sobrepeso e a obesidade foram alterações nutricionais mais freqüentes entre os

adolescentes avaliados (20,5% entre os que consomem a alimentação escolar VS 18,7% entre

os que não consomem). Essa observação está de acordo com a situação que vem sendo

relatada a partir de dados populacionais, que mostram um aumento na prevalência de

sobrepeso e redução na ocorrência de baixo peso em jovens brasileiros (CORRÊA, COGNI;

CINTRA, 2008) e independe da aceitação ou não da alimentação escolar, já que a prevalência

de excesso de peso foi semelhante entre os dois grupos.

Carlini, Costa e Mesquita (2015) destacam que o estímulo e a realização de práticas de

educação nutricional são necessários já que, mesmo aderindo efetivamente à alimentação

escolar, existem adolescentes que não a avaliam como saudável, já que muitos estudantes

entendem como alimentação saudável um tipo de refeição que, além de fazer bem para a sua

saúde, deve estar em correspondência com os seus hábitos alimentares. Contudo, sabe-se que,

nessa população, de um modo geral, os hábitos alimentares se caracterizam pela substituição

de alimentos tradicionais por outros com baixo valor nutricional e elevada concentração de

energia e de mais fácil consumo, sendo eles destacados os refrigerantes e guloseimas,

alimentos esses que não fazem parte dos cardápios escolares. Mais uma vez, ressalta-se a

importância de atividades de educação alimentar e nutricional, as quais podem contribuir para

Page 27: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

27

que os estudantes façam suas escolhas de modo consciente e, de preferência, optem e

solicitem alimentos saudáveis (VALENTIM et al., 2017).

Fatores como idade e o estado nutricional dos estudantes, o consumo de alimentos

inadequados, são fatores relevantes, para uma efetivação em atividades de educação alimentar

e nutricionais nas escolas, para que com isso adesão a alimentação ofertada seja sempre

satisfatória (CESAR et al., 2018).

Tabela 5 - Distribuição dos escolares de acordo com a aceitabilidade da alimentação escolar e a

classificação do estado nutricional segundo o IMC/I (MT, 2018).

Adesão à alim.

escolar

Classificação segundo o IMC/I

Total Risco de baixo

peso

Eutrofia Excesso de peso

n % n % n % n %

Sim 11 15,1 47 64,4 15 20,5 73 100,0

Não 01 3,1 25 78,1 06 18,7 32 100,0

Total 12 11,42 72 68,58 21 20,0 105 100,0

Qui-quadrado = 3,425 p = 0,180

Ao se analisar a tabela 6, nota-se que os alunos que não consumiam a merenda tiveram

uma prevalência de risco de déficit de crescimento um pouco maior dos que os que

consumiam a merenda, embora sem diferença estatisticamente significativa, ao contrário do

observado com o déficit ponderal.

Santos et al. (2005) explicam que a estatura final pode ser resultado da interação entre a

influência de fatores genéticos e ambientais, e essas variações na estatura podem refletir

problemas nutricionais associados às diferenças socioeconômicas, sendo comum a presença

de déficit estatura em adolescentes brasileiros de classes econômicas menos favorecidas.

Tabela 6 -:Distribuição dos escolares de acordo com a aceitabilidade da alimentação escolar e a

classificação do estado nutricional segundo o Indicador E/I (MT, 2018).

Adesão à

alim.

escolar

Classificação segundo E/I

Total Risco de baixa

estatura

Estatura adequada

n % n % n %

Sim 07 9,6 66 90,4 73 100,0

Não 04 12,5 28 87,5 32 100,0

Total 11 10,5 94 89,5 105 100,0

Qui-quadrado = 0,0104 p = 0,918

Nas últimas décadas tem-se estudado muito os hábitos alimentares neste estágio de vida.

Alguns autores descrevem que nesta fase há um alto consumo de alimentos processados,

Page 28: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

28

como lanches fastfood, refrigerantes e doces, ricos em gorduras, sódio e açúcares simples que,

somados ao sedentarismo e ao longo período destinado à TV, computador e videogames,

estão diretamente relacionados com a incidência de obesidade entre outras doenças crônicas

não transmissíveis durante a adolescência e a vida adulta (PEREIRA, PEREIRA; ANGELIS-

PEREIRA, 2017).

Sendo assim mudanças no estilo de vida desses adolescentes são necessários para

combater o atual perfil nutricional desses indivíduos, por isso ressalta-se a importância da

implementação de programas voltados para alimentação saudável e que incentivem a prática

de exercícios físicos (SANTOS, 2018).

Quando se trabalha com adolescentes é importante ressaltar que intervenções devem ser

implantadas para que haja uma redução do agravo do estado nutricional nesse grupo, e assim

proporcionar a prevenção de doenças na vida adulta.

Para a eliminação das taxas de risco de baixo peso e obesidade, é necessário intensificar

os investimentos públicos em saneamento, saúde e educação, fatores para que haja melhorias

no desenvolvimento adequado desses adolescentes.

Este período da adolescência pode ser a última oportunidade para programar estratégias

a fim de se corrigir déficits no desenvolvimento (PERES, LATORRE; SLATER, 2012), o que

reforça a urgência de se adotar programas de educação alimentar e nutricional tendo como

público alvo principal estes indivíduos, destacando-se neste caso a escola como um dos canais

mais efetivos para a incorporação destas ações.

Page 29: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

29

5. CONCLUSÕES

Com os resultados obtidos em nosso estudo, podemos concluir que:

Entre a população estudada foi alta a prevalência de sobrepeso/obesidade,

principalmente no sexo masculino, e aumentando com a idade.

A prevalência de risco de baixo peso foi baixa, semelhante entre os sexos, e

aumentando com a idade.

A adesão à alimentação escolar foi baixa, agravada pelo fato das escolas

participantes do projeto manter cantinas em suas dependências.

O estudo mostrou que a prevalência de alunos estudados com risco de déficit

ponderal foi maior entre os que consumiam a alimentação escolar, entretanto o excesso de

peso foi semelhante entre os dois grupos.

O risco de baixa estatura também foi semelhante entre os que consumiam ou

não a alimentação escolar.

Page 30: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

30

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAÚJO, A. C. T.; CAMPOS, J. A. D. B. Subsídios para a validação do estado nutricional

de crianças e adolescentes por meio de indicadores antropométricos. Alimentação e

Nutrição, Araraquara, v. 19, p. 219-25, 2008.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME

METABÓLICA. Diretrizes Brasileiras de Obesidade. 4ª ed. São Paulo, 2016.

BASAGLIA, P.; MARQUES, A. S.; BENATTI, L. Aceitação da Merenda Escolar entre

alunos da Rede Estadual de Ensino da Cidade de Amparo-SP. Revista Saúde em Foco, n. 7,

p. 126-138, 2015.

BERSELE D. B. et al. Ambiente social, mídia e obesidade na adolescência: proposta de

reflexão. Adolescência e Saúde, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 118-125, 2016.

BOFF, R. M. et al. O Modelo Transteórico para auxiliar adolescentes obesos a modificar

estilo de vida. Trends in Psychology, Ribeirão Preto, v. 26, n. 2, p. 1055-1067, 2018.

BRASIL. Ministério da Saúde. Orientações para a coleta e análise de dados

antropométricos em serviços de saúde: Norma Técnica do Sistema de Vigilância Alimentar

e Nutricional - SISVAN. Brasília, DF, 2011.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção

Básica. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Brasília, DF, 2013.

BRASIL. Organização Pan-Americana de Saúde. Obesidade entre crianças e adolescentes

aumentou dez vezes em quatro décadas, revela novo estudo do Imperial College London

e da OMS. 2017a. Disponível em:

<https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5527>. Acesso

em: 20 mar. 2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.

Manual para aplicação de Teste de Aceitabilidade no Programa Nacional de

Alimentação Escolar (PNAE). 2° Edição, Brasília, DF, 48p. 2017b.

BRASIL. Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009. Dispõe sobre o atendimento da alimentação

escolar e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica. Diário

Oficial da União, Brasília, DF, 04 de set. 2018.

CARLINI, N. R. B. S.; COSTA, F. F. P.; MESQUITA, R. V. S. C. Aceitabilidade e adesão à

alimentação escolar por estudantes do IF Sertão Pernambucano – campus Salgueiro. Revista

Semiárido de Visu, v. 3, n. 1, p. 3-10, 2015.

CARVALHO, Nágila Araújo de. Fatores associados à não adesão e à não aceitação da

alimentação escolar por alunos de escolas publicas de tempo integral. Dissertação

(Mestrado em Nutrição e Saúde) – Universidade Federal de Goiás, Goiás, Goiânia, 2015.

CESAR, J. T. et al. Adesão à alimentação escolar e fatores associados em adolescentes de

escolas públicas na região Sul do Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, [s. l.], Online ISSN

Page 31: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

31

1678-4561, Ago. 2018. Disponível em:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=0102-8650&lng=pt&nrm=iso. Acesso

em: 22 mar. 2019.

CIDRÃO, G. G. B. et al. Obesidade na adolescência: análise de fatores de risco em estudantes

da Rede Pública Estadual de Fortaleza-CE. Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e

Emagrecimento, São Paulo, v. 13, n. 77, p. 129-40, 2019.

CLEMENTE, A. P. G. et al. Índice de massa corporal de adolescentes: comparação entre

diferentes referências. Revista Paulista de Pediatria, São Paulo, v. 29, n. 2, p. 171-7, 2011.

CONDE, W. L. et al. Estado nutricional de escolares adolescentes no Brasil: Pesquisa

Nacional de Saúde dos Escolares 2015. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v.

21, n. 1, p. 1-12, 2018.

COPETTI, A. V. S.; QUIROGA, C. V. A influência da mídia nos transtornos alimentares e na

autoimagem em adolescentes. Revista de Psicologia da IMED, Passo Fundo, v. 10, n. 2, p.

161-77, 2018.

CORRÊA, T. A. F.; COGNI, R., CINTRA, R. M. G. C. Estado nutricional e consumo

alimentar de adolescentes de uma Escola Municipal de Botucatu, SP. Simbio-Logias: Revista

Eletrônica de Educação, Filosofia e Nutrição, v. 1, n. 1, p.130-144, 2008.

COSTA, C. N. et al. Disponibilidade de alimentos na alimentação escolar de estudantes do

ensino fundamental no âmbito do PNAE, na cidade de Codó, Maranhão. Cadernos Saúde

Coletiva, Rio de Janeiro, v. 25, n. 3, p. 348-54, 2017.

CUNHA, J. R. S. Adesão à Alimentação Escolar e Fatores Associados em Escolas

Estaduais. 2019 38 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Nutrição), Faculdade

de Nutrição, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, 2019.

DALLA COSTA, M. C. et al. Estado nutricional de adolescentes atendidos em uma unidade

de referência para adolescentes no Município de Cascavel, Estado do Paraná, Brasil.

Epidemiologia e Serviços de Saúde, Brasília, v. 20, n. 3, p. 355-61, 2011.

DUMITH, S. et al. Avaliação de critérios diagnósticos e pontos de corte para predição de

baixo peso em adolescentes do semiárido brasileiro. Revista Brasileira de Saúde Materna

Infantil, Recife, v. 18, n. 1, p. 231-7, 2018.

FARIA, Andréa Alice da Cunha. Merenda escolar, uma estratégia de apoio ao

desenvolvimento local. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia) -

Centro de Educação, Universidade Federal da Paraíba, Paraíba, João Pessoa, 2017.

GATTI, R. R.; RIBEIRO, R. P. P. Prevalência de excesso de peso em adolescentes segundo a

maturação sexual. Revista Salus, Guarapuava, vol. 1, n. 2, p. 175-182, 2007.

GOMES, F. S.; ANJOS, L. A.; VASCONCELLOS, M. T. L. Antropometria como ferramenta

de avaliação do estado nutricional coletivo de adolescentes. Revista de Nutrição, v.23, n.4,

p.591-605, 2010.

Page 32: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

32

GUERRA, S. O consumo de peixe anchoita na alimentação escolar: aceitabilidade e

adesão. 2015. Dissertação (Graduação em Nutrição) - Faculdade de Medicina, Universidade

Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2015.

GUIMARÃES, M. S. J. et al. Fator de risco cardiovascular: a obesidade entre crianças e

adolescentes nas macrorregiões brasileiras. Revista Brasileira de Obesidade Nutrição e

Emagrecimento, São Paulo. v.12. n.69. p.132-42. 2018.

HOERLLE, E. L. V.; BRAGA, K. D.; PRETTO, A. D.B. Alteração da percepção corporal e

prevalência de transtornos alimentares em desportistas do Município de Pelotas-Rs. Revista

Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo. v. 13. n. 78. p.212-8. 2019.

LIBERMANN, A. P.; BERTOLINI, G. R. F. Tendências de pesquisa em políticas públicas:

uma avaliação do Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE. Revista Ciência e

Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 20, n. 11, p. 3533-46, 2015.

LOURENÇO, A. M.; TAQUETTE, S. R.; HASSELMANN, M. H. Avaliação Nutricional:

antropometria e conduta nutricional na adolescência. Revista Adolescência e Saúde, Rio de

Janeiro, v. 8, n. 1, p. 51-8, 2011.

MATARROYOS, E. C. L.; COSTA, K. R. L.; FORTES, R. C., Antropometria e sua

importância na avaliação do estado nutricional de crianças escolares. Comunicação em

Ciências e Saúde, Brasilia, v. 24, n. 1, p. 21-26, 2013.

MATTOS, M. C. et al., Influência de propagandas de alimentos nas escolhas alimentares de

crianças e adolescentes. Revista Psicologia Teoria e Pratica., São Paulo , v. 12, n. 3, p. 34-

51, 2010 .

MOTA, C. H.; MASTROENI, S. S. B. S.; MASTROENI, M. F. Consumo da refeição escolar

na rede pública Municipal de ensino. Revista Brasileira de Estudos

Pedagogicos. Brasília, v. 94, n. 236, p. 168-184, 2013.

OLIVEIRA R. M. S. et al. Estado nutricional no final da adolescência como fator

determinante da situação nutricional na vida adulta de indivíduos do sexo masculino em

Viçosa, MG . Adolescência & Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 39-44, 2008.

OLIVEIRA, L. P. M. et al. Índice de massa corporal obtido por medidas autorreferidas para a

classificação do estado antropométrico de adultos: estudo de validação com residentes no

município de Salvador, estado da Bahia, Revista Epidemiologia e Serviço de Saúde,

Brasília , v. 21, n. 2, p. 325-32, 2012.

PEDRAZA, D. F.; MENEZES, T. N. Fatores de risco do déficit de estatura em crianças pré-

escolares: estudo caso-controle. Ciência e Saúde Coletiva. v. 19, n. 5, 2014.

PEDRAZA, D.F. Estado Nutricional e hábitos alimentares de escolares de Campina Grande,

Paraíba, Brasil. Ciência e Saúde Coletiva. Campina Grande, v. 22, p. 469-77, 2016.

PEREIRA, T. S.; PEREIRA, R. C.; ANGELIS-PEREIRA, M. C., Influência de intervenções

educativas no conhecimento sobre alimentação e nutrição de adolescentes de uma escola

pública. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 22, n. 2, p. 427-35, 2017.

Page 33: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

33

PERES, S. V.; LATORRE, M. R. O.; SLATER, B., Prevalência de excesso de peso e seus

fatores associados em adolescentes da rede de ensino público de Piracicaba, São Paulo.

Revista Paulista de Pediatria, São Paulo, v. 30, n. 1, p. 57-64, 2012.

RAMIRES, E. K. N. M. et al. Estado nutricional de crianças e adolescentes de um municipio

do semiárido do Nordeste brasileiro. Revista Paulista de Pediatria, São Paulo, v. 32, n 3, p.

200-207, 2014.

RAPHAELLI, C. O. et al. Adesão e aceitabilidade de cardápios da alimentação escolar do

ensino fundamental de escolas de zona rural. Brazilian Journal of Food Technology,

Campinas, v. 20, n. 2, p. 2-9, 2017.

SALVADOR, C. C. Z.; KITOKO, P. M.; GAMBARDELLA, A. M. D. Estado nutricional de

crianças e adolescentes: fatores associados ao excesso de peso e acúmulo de gordura. Revista

Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, São Paulo, v. 24, n. 3, p. 313-

319, 2014.

SANTOS, et al. Perfil antropométrico e consumo alimentar de adolescentes de Teixeira de

Freitas – Bahia. Revista de Nutrição, Campinas, v. 18, n. 5, p. 623-632, 2005.

SANTOS, Rayssa Leal dos Santos. Avaliação do estado nutricional de adolescentes: uma

análise de tendência (2014 a 2016). 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em

Nutrição) - Centro de Ciências da Saúde, Departamento de Nutrição, Universidade Federal da

Paraíba, João Pessoa, 2018.

SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal da Saúde. Coordenação de Epidemiologia e

Informação - CEInfo. Boletim ISA - Capital 2008, Prevalência de Hipertensão Arterial e

Diabetes Mellitus. Estado Nutricional de Adolescentes. São Paulo: CEInfo, 2011, nº 4,

40p. 2011.

SILVA, F. M; OLIVEIRA, T. R. P. R.; LANA, M. R. A. Imagem corporal e estada

nutricional de adolescentes escolares da Região Barreiro, Belo Horizonte. Revista Médica de

Minas Gerais. Belo Horizonte, v. 26, p. 1-6, 2017.

SILVA, S. U. et al. As ações de educação alimentar e nutricional e o nutricionista no âmbito

do Programa Nacional de Alimentação Escolar. Ciência e Saúde Coletiva, v. 23, n. 8, p.

2671-2681, 2018.

SOARES, P. et al . Programa Nacional de Alimentação Escolar como promotor de Sistemas

Alimentares Locais, Saudáveis e Sustentáveis: uma avaliação da execução financeira. Ciência

e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 23, n. 12, p. 4189-4197, 2018.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Avaliação nutricional da criança e do

adolescente: manual de orientação. São Paulo, 112 p., 2009.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manual de Alimentação da infância à

adolescência. Departamento de Nutrologia, 4 ed. São Paulo: SBP, 2018 172p.

THOMAZ, P. M. D.; SILVA, E. F.; COSTA, T. H. M. Validade de peso, altura e índice de

massa corporal autorreferidos na população adulta de Brasília. Revista Brasileira e

Epidemiologia, São Paulo , v. 16, n. 1, p. 157-169, 2013.

Page 34: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

34

TOZZATO, V.; SANTOS, B. B.; MENEZES, K. A. Prevalência de sobrepeso e obesidade em

crianças de 4 a 6 anos de Escolas Públicas das Regiões Leste e Sul de São Paulo. In:

CONGRESSO NACIONAL DE INICIAÇÃO CIENTIFICA, 14., 2014, São Paulo. Anais

[...]. São Paulo, p. 1-8.

TURPIN, M. E. A alimentação escolar como fator de desenvolvimento local por meio do

apoio aos agricultores familiares. Revista de Segurança Alimentar e Nutricional,

Campinas, v. 16, n. 2, p. 20-42, 2015

VALENTIM, E. A. et al. Fatores associados à adesão à alimentação escolar por adolescentes

de escolas públicas estaduais de Colombo, Paraná, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, São

Paulo, v. 33, n. 10, 2017.

VIDAL, S. et al., Indicadores antropométricos em adolescentes - correlação e concordância.

Revista Junior de Investigação., v.5, n.1, p. 43-84, 2018.

WOLF, V. L. W. et al. Efetividade de programas de intervenção para obesidade com base em

orientações para escolares adolescentes: revisão sistemática. Revista Paulista de Pediatria,

São Paulo, v. 37, n. 1, p. 110-20, 2019.

Page 35: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

35

APÊNDICE 1-DADOS DOS ALUNOS PARA AVALIAÇÃO NUTRICIONAL

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE NUTRIÇÃO

AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL

Escola: ...................................................................................................

Turma: ..................................................................................................

Nome do aluno

Data Nascimento

Gênero Peso Estatura IMC Percentil IMC/I

Percentil E/I

Page 36: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

36

ANEXO 1- QUESTIONÁRIO DE ADESÃO À MERENDA ESCOLAR

Page 37: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

37

Page 38: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

38

ANEXO 2- AUTORIZAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA E PESQUISA

Page 39: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

39

Page 40: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

40

Page 41: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

41

Page 42: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

42

Page 43: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

43

ANEXO 3 - TERMO DE ASSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

FACULDADE DE NUTRIÇÃO

TERMO DE ASSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Você está sendo convidado a participar da pesquisa “Avaliação da regularidade e

qualidade do Programa Nacional de Alimentação Escolar em escolas da rede estadual de

Cuiabá e Várzea Grande, MT”. O estudo será realizado junto ao projeto de Ouvidoria Ativa

de iniciativa da Ouvidoria-Geral da União, Monitorando a Merenda.

Terá como objetivo geral avaliar a regularidade e a qualidade da alimentação servida em

escolas estaduais de Cuiabá e Várzea Grande, MT, e sua relação com o desenvolvimento de

escolares regularmente matriculados no nono ano. O Projeto será desenvolvido por

professores e alunos do Curso de Nutrição da Universidade Federal de Mato Grosso,

previamente treinados, em local e horário combinados com os diretores e professores de cada

escola, durante as aulas de educação física, conforme calendário pré-estabelecido.

Você participará realizando medidas de peso e altura e respondendo a uma entrevista

sobre a sua alimentação. O risco será mínimo, pois as medidas serão tomadas durante a aula

de educação física sob a supervisão dos professores e as entrevistas manterão o sigilo do seu

nome.

Após o término da coleta destes dados vocês serão convidados a participar de palestras

sobre alimentação saudável e caso apresentem alguma alteração de peso serão atendidos pelo

grupo de nutricionistas da equipe. Este estudo contribuirá para a melhoria da alimentação

escolar em nosso estado.

A participação desta pesquisa é voluntária, caso não deseje participar você não terá

nenhum prejuízo. Mesmo que tenha concordado, você pode solicitar para sair do estudo a

qualquer momento. Não terá custos para você e não haverá nenhuma compensação

financeira adicional, sendo todas as informações sigilosas, os dados guardados em local

seguro, sem identificar os participantes e a divulgação dos resultados será realizada em

revistas científicas da área.

Qualquer dúvida pode ser tirada com a professora Shirley Pereira, telefone (65) 3615

8808 ou (65) 99972 7763, endereço: Faculdade de Nutrição, Av Fernando Correa da Costa,

2367, Boa Esperança, Cuiabá, MT - CEP 78060-900 (e-mail: [email protected]) ou

diretamente no CEP-SAÚDE, com a prof. Bianca Galera, pelo telefone (65) 3615-8254,

endereço: Rua Fernando Correa da Costa 2367, Boa Esperança, Cuiabá-MT (e-mail:

[email protected]).

Eu, ____________________________________________________, fui informado (a)

dos objetivos do presente estudo de maneira clara e detalhada e esclareci minhas dúvidas. Sei

que a qualquer momento poderei solicitar novas informações, e o meu responsável poderá

modificar a decisão de participar se assim o desejar. Tendo o consentimento do meu

responsável já assinado, declaro que concordo em participar desse estudo. Recebi uma via

deste termo assentimento e me foi dada a oportunidade de ler e esclarecer as minhas dúvidas.

Cuiabá, ____ de ______________ de 2018.

____________________________________

Assinatura do(a) menor

Page 44: AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES DA REDE ...bdm.ufmt.br/bitstream/1/1624/1/TCC_2019_Monique... · A avaliação do estado nutricional tem se tornado um instrumento cada

44

ANEXO 4 - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

FACULDADE DE NUTRIÇÃO

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Seu filho(a) está sendo convidado a participar da pesquisa “Avaliação da regularidade e

qualidade do Programa Nacional de Alimentação Escolar em escolas da rede estadual de

Cuiabá e Várzea Grande, MT”. O estudo será realizado junto ao projeto de Ouvidoria Ativa

de iniciativa da Ouvidoria-Geral da União, Monitorando a Merenda.

Terá como objetivo geral avaliar a regularidade e a qualidade da alimentação servida em

escolas estaduais de Cuiabá e Várzea Grande, MT, e sua relação com o desenvolvimento de

escolares regularmente matriculados no nono ano. O Projeto será desenvolvido por

professores e alunos do Curso de Nutrição da Universidade Federal de Mato Grosso,

previamente treinados, em local e horário combinados com os diretores e professores de cada

escola, durante as aulas de educação física, conforme calendário pré-estabelecido.

Seu filho(a) participará realizando medidas de peso e altura e respondendo a uma entrevista

sobre a sua alimentação. O risco será mínimo, pois as medidas serão tomadas durante a aula

de educação física sob a supervisão dos professores e as entrevistas manterão o sigilo do

nome de seu filho(a). Após o término da coleta destes dados os alunos serão convidados a

participar de palestras sobre alimentação saudável e caso apresentem alguma alteração de

peso serão atendidos pelo grupo de nutricionistas da equipe. Este estudo contribuirá para a

melhoria da alimentação escolar em nosso estado.

A participação de seu filho(a) nesta pesquisa é voluntária, caso não deseje participar você não

terá nenhum prejuízo. Mesmo que tenha concordado, você pode solicitar para sair do estudo a

qualquer momento. Não terá custos e não haverá nenhuma compensação financeira adicional,

sendo todas as informações sigilosas, os dados guardados em local seguro, sem identificar os

participantes e a divulgação dos resultados será realizada em revistas científicas da área.

Qualquer dúvida pode ser tirada com a professora Shirley Pereira, telefone (65) 3615 8808 ou

(65) 99972 7763, endereço: Av Fernando Correa da Costa, 2367, Boa Esperança, Cuiabá, MT

- CEP 78060-900 (e-mail: [email protected]) ou diretamente no CEP-SAÚDE, com a

prof. Bianca Galera, pelo telefone (65)3615-8254, endereço: Rua Fernando Correa da Costa

2367, Boa Esperança, Cuiabá-MT (e-mail: [email protected]).

Eu,___________________________________________________________________,CPF:_

_____________________________, fui informado(a) dos objetivos da pesquisa acima de

maneira clara e detalhada e esclareci minhas dúvidas e autorizo a participação do meu filho(a)

na pesquisa. Sei que em qualquer momento poderei solicitar novas informações e modificar

minha decisão se assim o desejar. Fui informado(a) que todos os dados desta pesquisa serão

confidenciais. Em caso de dúvidas poderei entrar em contato com a coordenadora ou com o

Comitê de Ética em Pesquisa.

Cuiabá,_____/_____/2018

__________________________________

Assinatura do(a) responsável pelo aluno