astronomia de amadores

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    ASTRONOMIA DE AMADORES

    Revista de divulgao astronmica (n. 45) Julho/Dezembro ano 2013 Propriedade: Associao Portuguesa de Astrnomos Amadores (APAA); P.C. n. 501 213 414. Sede: Rua Alexandre Herculano, 57- 4. Dto., 1250 - 010 Lisboa (telefone: 213 863 702) email: info@apaa.co.pt http://apaaweb.com/

    REPRODUO PROIBIDA, EXCEPTO SOB AUTORIZAO EXPRESSA DA DIRECO DA APAA. AS REFERNCIAS E AS CITAES DEVEM INDICAR EXPLICITAMENTE A ORIGEM.

    REVISTA ASTRONOMIA DE AMADORES

    Equipa redactorial: Pedro R, Guilherme de Almeida. Periodicidade: Semestral Distribuio: a Revista ASTRONOMIA DE AMADORES distribuda gratuitamente a todos os associados que data da publicao do respectivo nmero estejam em pleno gozo dos seus direitos, assim como aos scios honorrios e membros do Conselho Tcnico e Cientfico. Conselho Tcnico e Cientfico: Alcaria Rego, Alfredo Pereira, Antnio Cidado, Antnio da Costa, Cndido Marciano, Carlos Saraiva, Guilherme de Almeida, Jos Augusto Matos, Pedro R e Rui Gonalves. Colaboraram neste nmero: Pedro R, Guilherme de Almeida, Jos Pedro Carreira Martins, Vtor Gonalves, Carlos Bernardino. Artigos para publicao: Os trabalhos destinados a publicao, devem ser fornecidos em formato Word 7 ou anterior, acompanhados de memorando explicitando o fim a que se destinam e sendo o contedo da responsabilidade dos autores. S sero aceites trabalhos originais. Os artigos destinados a publicao sero previamente apreciados por um ou mais membros do Conselho Tcnico e Cientfico ou da Redaco que, caso entendam necessrio, incluiro nota devidamente assinalada. A APAA encoraja os seus scios (e at os no scios) a enviar artigos. Estes traduzem a opinio dos autores, e no necessariamente os pontos de vista da APAA.

    ASSOCIAO PORTUGUESA DE ASTRNOMOS AMADORES (APAA) Direco Presidente: Pedro R; Vice-Presidente: Carlos Saraiva; Tesoureiro: Pedro Figueiredo; Secretrio: Vtor Quinta; Secretrio-Adjunto: Raimundo Ferreira. Mesa da Assembleia-Geral Presidente: Antnio Magalhes; Secretrio: Rui Gonalves; Vogal: Jos Egeia. Conselho Fiscal Presidente: Jos Cardoso Moura; Vogal: Paulo Coelho; Vogal: Miguel Claro. Pagamento de quotas 2 a 5 feira: das 10 h s 13 h e das 15 h s 19 h; Pagamentos em cheque cruzado ordem da APAA, vale postal ou transferncia bancria. Novos scios: Para se inscrever na APAA, basta enviar por carta, ou entregar pessoalmente na sede, uma folha A4 contendo nome, morada, data de nascimento, habilitaes literrias e endereo e-mail (caso tenha), acompanhado de meio de pagamento da inscrio (5 Euros) e das quotas de pelo menos um trimestre (6 Euros). A quota mensal de 2 Euros/ms. Os jovens at 25 anos tm uma reduo das quotizaes de 50%. Em http://apaaweb.com/ existe um formulrio de inscrio on-line que poder facilitar todo este processo.

    OBSERVATRIO APAA Este observatrio resulta de um protocolo estabelecido entre a APAA e o Planetrio Calouste Gulbenkian. Denomina-se "Observatrio Comandante Conceio Silva" e encontra-se anexo ao Planetrio em Belm, junto ao Mosteiro dos Jernimos.

    mailto:info@apaa.co.pthttp://apaaweb.com/http://apaaweb.com/

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    NDICE

    TEORIAS E FANTASIAS ....................................................................... 3 Antnio Magalhes

    UM CASEIRO ASTRNOMO ................................................................ 6 Carlos Bernardino

    CONTRAPESO DE EQUILBRIO PARA TODOS OS TELESCPIOS DE CASSEGRAIN ................................................................................ 8 Jos Pedro Carreira Martins

    COMO CALCULAR UM PRA-LUZ PARA O SEU TELESCPIO ........................ 11 Guilherme de Almeida

    SOBRE O TAMANHO DA IMAGEM NO PLANO FOCAL DE UM TELESCPIO ..... 16 Guilherme de Almeida

    O MITO DO MENISCO DE MAKSUTOV .................................................. 20 Guilherme de Almeida

    METEORIDE, METEOROS E METEORITOS ............................................ 24 Vtor Gonalves

    UNUSUAL TELESCOPES: I - RUSSEL PORTERS UNUSUAL TELESCOPES ......... 29 Pedro R

    UNUSUAL TELESCOPES: II- FIXED EYEPIECE TELESCOPES .......................... 33 Pedro R

    THE 36-INCH CROSSLEY REFLECTOR .................................................... 36 Pedro R

    NOVO LIVRO PARA CONHECER O CU ................................................... 42

    FOTOGRAFIA DA CAPA SUN (MAY, 2013). LUNT152, LUNT60, TV101, DMK51. Pedro R (http://re.apaaweb.com/)

    http://re.apaaweb.com/

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    Pode parecer que as chamadas teorias da conspirao so um fenmeno recente. Na verdade so muito antigas. Em geral essas teorias baseiam-se em indcios mais ou menos concretos e, a partir deles, graas a uma considervel dose de imaginao, construda uma enorme teia. uma tendncia humana: se um assunto nos interessa e no sabemos todos os pormenores, imaginamos o resto.

    A histria da astronomia permite-nos ver como antiqussima a ligao entre os humanos e a

    fantasia. At onde se consegue saber, os nossos antepassados criaram, difundiram e deram novas verses a um sem nmero de mitos.

    No presente, em especial nas cidades, mal se consegue ver o cu. A iluminao artificial no nos deixa contemplar a beleza de um cu cheio de estrelas ou o encanto das noites de luar. E, como se

    tal no bastasse, as motivaes para ficar entre quatro paredes so cada vez mais: televiso, vdeo,

    internet, jogos de computador Numa sociedade como a nossa, os astrnomos amadores so uma espcie em perigo de

    extino. Na sua imensa maioria tm de percorrer muitos quilmetros para encontrar um local onde possam usar os seus telescpios.

    Num passado no muito

    distante, as pessoas apreciavam o cu e sentiam-se dominadas por

    ele, para o bem ou para o mal. Da resultou um nmero infindvel de

    mitos. Alguns deles permanecem nos nomes das constelaes.

    Como se sabe as constelaes

    no passam de desenhos imagin-rios formados pelas estrelas que se

    vem em determinada regio do cu. Alm disso, as distncias

    entre as estrelas da nossa galxia

    so to grandes que o aspecto que vemos a partir da Terra seria o

    mesmo de qualquer outro local do Sistema Solar.

    Fig. 1. A lua cheia, tal como vista da Terra (NASA).

    TEORIAS E FANTASIAS

    Antnio Magalhes antoniomag@gmail.com

    mailto:antoniomag@gmail.com

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    Mesmo que fssemos para um hipottico planeta junto de Alfa do Centauro, a estrela mais prxima do Sol, o cu no ficaria muito diferente. As diferenas mais significativas seriam: a

    Cassiopeia que passaria a ter mais uma estrela brilhante, o nosso Sol; e o Centauro que ficaria sem a sua alfa (que nos iria parecer o nosso sol).

    Claro que se pudssemos ir para muito mais longe, a sim, as constelaes ficariam mesmo diferentes. Ainda hoje, para definir zonas na esfera celeste, continuamos a recorrer s constelaes.

    A maioria resulta da mitologia grega. No h ursas, escorpies, nem touros no cu. Mas conhecemos

    a Ursa Maior, o Escorpio e o Touro Os nossos antepassados imaginaram-nos e inventaram numerosas lendas para explicar a sua presena no cu.

    Tambm aquelas estrelas estranhas que se vo passeando por entre as estrelas, despertaram a imaginao humana e por consequncia so imensos os mitos que lhes esto associados. Refiro-me

    aos planetas e aos cometas.

    Mas para alm de gostarem de fantasiar, os humanos sempre se tiveram em grande conta. Para alm de se sentirem o expoente mximo da Criao, o seu mundo, a Terra, s poderia estar no

    centro do Universo! Durante muitos sculos imaginaram as estrelas como pontos luminosos colados numa esfera de cristal a envolver a Terra.

    At inveno do telescpio havia quem dissesse que a Via Lctea era uma exalao dos pecados da humanidade. Tambm foi considerada o leite derramado por uma deusa ou uma estrada para

    Santiago (de Compostela). Com Galileu comeou a perceber-se que um mar imenso de estrelas

    muito distantes como at j tinha sido afirmado por Demcrito 2000 anos antes.

    At ao incio da era espacial, havia bem perto de ns uma outra fonte de fantasias: a face oculta da Lua. Desde a sua formao o

    nosso satlite natural foi lentamente

    perdendo velocidade de rotao at que esta ficou a coincidir quase

    perfeitamente com aquela com que a Lua gira em torno da Terra. Da

    resultou que apenas consigamos ver

    cerca de metade da superfcie lunar. Durante muito tempo aquela face

    escondida foi tema das mais diversas teorias. Cito apenas as

    duas que me recordo de ouvir: local de paragem das almas dos falecidos

    ou uma base de extraterrestres. As

    naves enviadas pelos soviticos e depois pelos norte-americanos

    destruram tais mitos. Pelo menos o segundo

    Fig. 1. A "misteriosa" face oculta da Lua, no observvel a partir da Terra (NASA).

    Afinal, a face oculta da Lua apenas um mundo de montanhas, rochas e crateras no muito diferente da face que vemos na lua cheia.

    Outra fonte de mitos, esta com direito a novelas, filmes e episdios de pnico na Terra, foi Marte.

    Desde os famosos canais de Schiaparelli em 1877 at s criaturas verdes a invadirem a Terra nos

    ecrs dos cinemas, foram muitas dcadas de fantasia.

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    At que algumas naves terrestres l chegaram e constataram ser um mundo desrtico com um cu

    cor de laranja e onde j ter corrido gua. Claro que o facto de algumas sondas no terem conseguido pousar com sucesso foi aproveitado por

    alguns para especular sobre alguma coisa estranha no planeta. Como se aqui na Terra no acontecessem

    acidentes

    Com a chegada das nossas sondas

    desapareceu o ponto de partida da conspirao

    dos marcianos.

    Fig. 3. O planeta Marte (NASA)

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