Águia - primeiro capítulo

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Leia o primeiro capítulo de Águia, de Manda Scott. Este é o primeiro volume da trilogia Boudica.

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  • BOUDICA

    guia

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  • Da Autora:

    BOUDICA

    guia

    Touro

    Co

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  • MANDA S COTT

    BOUDICA

    guiaLivro 1

    TraduoClaudia Gerpe Duarte

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  • Copyright 2003, Manda Scott

    Mapas: David Atkinson

    Ttulo original: Boudica Dreaming the Eagle

    Capa: Raul Fernandes

    Editorao: DFL

    Texto revisado segundo o novo Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa

    2010Impresso no BrasilPrinted in Brazil

    prova

    Willett, MarciaA hora das crianas/Marcia Willett; traduo Flvia Carneiro

    Anderson. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.350p.

    Traduo de: The childrens hourISBN 978-85-286-1280-6

    1. Romance ingls. I. Anderson, Flvia Carneiro. II. Ttulo.

    CIP-Brasil. Catalogao na fonteSindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ

    Todos os direitos reservados pela:EDITORA BERTRAND BRASIL LTDA.Rua Argentina, 171 2. andar So Cristvo20921-380 Rio de Janeiro RJTel.: (0XX21) 2585-2070 Fax: (0XX21) 2585-2087

    No permitida a reproduo total ou parcial desta obra, por quaisquer meios, sem a prvia autorizao por escrito da Editora.

    Atendimento e venda direta ao leitor:mdireto@record.com.br ou (21) 2585-2002

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  • Para Robin e Elaine, com amor

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  • SUMRIO

    Agradecimentos 9

    Europa Ocidental, 32 d.C. 10-11

    Prlogo: Outono 32 d.C. 13

    I: Primavera-Outono 33 d.C. 17

    Britnia Tribal, 32 d.C. 18

    II: Inverno-Primavera 37 d.C. 171

    Fortaleza de Cunobelin 172

    III: Primavera 39 d.C.-Primavera 40 d.C. 337

    Glia, Blgica e as Germnias, 39 d.C. 338

    IV: Final do Vero-Outono 43 d.C. 537

    Rotas da Invaso, 43 d.C. 538

    Eplogo 643

    Nota da Autora 647

    A Pronncia dos Nomes 651

    Bibliografia 655

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  • AGRADECIMENTOS

    QUALQUER TRABALHO DESTA NATUREZA REQUER UMA QUANTIDA-

    de extraordinria de pesquisa histrica. Gostaria de agradecer s seguin-tes pessoas pela orientao e ajuda especializada: Dr. Gilly Carr, Dr. JonCoe, Philip Crummy, Dr. J. D. Hill, professor Lawrence Keppie e OwenThompson, que concederam generosamente seu tempo e sua opinioespecializada, bem como aos membros da lista de discusso da Brit-arch,que frequentemente deram respostas a perguntas triviais. Agradeo espe-cialmente a H. J. P. (Douglas) Arnold, astrnomo e anteriormentePrimus Pilus no grupo de reencenao da Legio Secunda Augusta, porseu constante apoio e inestimveis comentrios durante todo o trabalho.Como sempre o caso, quaisquer falhas tcnicas so totalmente minhas,assim como minha a interpretao dos fatos.

    Agradeo tambm a Jane Judd, minha agente, e a Selina Walker, daTransworld, por terem confiado em mim desde o incio, e a Kate Miciake Nita Taublib, da Bantam US, pelo entusiasmo e pelo apoio que me con-cederam.

    Sou particularmente grata a Leo, que me apresentou viso, bemcomo a Carol, Hillary, Eliot e Ken, entre outros, que me mostraram comoviv-la.

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    EUROPA OCIDENTAL, 32 d.C.

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  • PRLOGOOUTONO 32 D.C.

    OATAQUE COMEOU POUCO ANTES DO AMANHECER.A menina acordou com a fetidez da palha recm-queimada eo som dos gritos da me. L fora, na clareira atrs da cabana,ouviu a resposta do pai e o chofre do ferro no bronze. O grito de outrohomem, que no o seu pai, ecoou, e ela se levantou, livrando-se das pelesque a cobriam, procurando no escuro, atrs do leito, a faca de esfolar, oumelhor, o machado, no encontrando nenhum dos dois. Ouviu de novo ogrito da me, diferente dessa vez. A menina avanou s apalpadelas, sen-tindo na pele o chamuscar do fogo e a dor deslizante do medo que era aameaa de uma lmina penetrando a espinha. Seus dedos se fecharamsobre um cabo de madeira desgastado e desceram em direo reentrn-cia familiar que ela passara horas oleando com a reverncia de sua poucaidade; a lana do pai, prpria para caar javalis. Ela a libertou com umasacudidela, virando e puxando de uma s vez o envoltrio que protegia almina. Uma onda de luz da aurora atingiu-lhe os olhos quando a peleque cobria a porta foi rasgada no lugar onde estava pendurada e imedia-tamente substituda por uma sombra. Um vulto dominou o vo da entra-da. A luz do alvorecer tremeluziu na lmina de uma espada. Perto, o paitrovejou o seu nome: Breaca!

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  • Ela ouviu o grito e mostrou-se na claridade. O guerreiro no vo daentrada sorriu, exibindo os poucos dentes que lhe restavam, e arremeteu.Sua espada captou os raios do sol e os distorceu, cegando a ambos. Semrefletir, a menina fez como havia praticado mentalmente, na segurana doscercados dos cavalos mais embaixo, e certa vez na floresta mais distante.Tambm investiu, colocando no arremesso da arma o peso dos ombros, ojogo das costas e o impulso retificador das pernas. Mirou no plido segmen-to de pele que conseguia discernir. A lana penetrou e afundou na gargan-ta do guerreiro, no ponto onde a tnica acabava e o elmo ainda no come-ara. O sangue esguichou e desceu reluzente. O homem engasgou e parou.A espada que buscava a vida de Breaca desceu sibilante, impelida pela velo-cidade do arremesso dele. Ela se jogou para o lado, lenta demais. Sentiu ador lancinante entre os dedos e largou a lana. O homem tombou para olado contrrio ao dela, devido ao peso do punho da espada. Ela viu a entra-da da cabana se iluminar e depois voltar a escurecer. Era o seu pai.

    Breaca? deuses, Breaca... Ele tambm parou. O homem cadono cho apoiou a mo debaixo do corpo, tentando se levantar. O martelodo seu pai desceu zunindo, calando para sempre o inimigo. O pai a abra-ou com fora, acariciando-lhe o rosto, passando os dedos grandes e largosde ferreiro pelos cabelos da filha. Voc o matou? Minha guerreira,minha menina de ouro. Voc o matou. deuses, isso foi bom. Eu nosuportaria perder as duas...

    Ele a embalou de um lado para o outro, como fazia quando ela erapequena. Ele cheirava a sangue e a algo cido, como vmito. Ela desceu osbraos pelo peito dele para se certificar de que ele estava inteiro e consta-tou que estava. Tentou libertar-se do abrao para examinar o resto docorpo dele. O alento do pai mudou, o abrao ficou mais forte e ela sentiuum calor molhado descer-lhe pelo pescoo e chegar clavcula, avanan-do depois para o seu peito plano. Ela deixou ento que ele a abraasseenquanto chorava e no perguntou por que a me no viera com ele suaprocura. Sua me, que carregava no ventre o filho dele.

    MANDA SCOTT 14 BOUDICA

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  • O cheiro cido vinha de sua me. Estava cada perto da entrada e tam-bm tinha nas mos uma lana. J a usara antes, com bons resultados, masdessa vez enfrentara dois adversrios, e a criana dentro de si dificultaraseu giro. O corte da arma inimiga a abrira do esterno ao quadril, fazendosaltar para fora o beb e as entranhas. Breaca agachou-se ao lado da meenquanto a luz vacilante do dia que nascia imprimia cor s coisas.Abaixando-se, virou para cima o pequeno fardo enrugado que jazia aolado do corpo da me. Voltando-se para o pai, que estava atrs dela, disse:

    Teria sido um menino. Eu sei retrucou, repousando a mo no ombro da filha, os dedos

    imveis. Ele j no soluava, e ajoelhou-se e abraou-a com fora.Pressionou o queixo contra a cabea dela e, quando falou, o som guturalde sua voz trepidou ao longo do pescoo de Breaca, seguindo at o peito.

    Por que preciso de outro filho quando tenho uma filha capaz deenfrentar um guerreiro armado e sobreviver?

    Sua voz era clida e sua trgica dor encerrava orgulho, o que fez comque faltassem foras a Breaca para dizer ao pai que agira por instinto e nopor coragem ou por ter um corao de guerreiro.

    A me de Breaca fora lder dos icenos, primognita da linhagem real; poressa razo, alvo na morte das mesmas homenagens que recebera em vida.Seu corpo foi cingido com fino linho e peles, que encerraram a criananovamente dentro do seu abdmen. Construram uma plataforma de ave-leira e olmo, e sobre ela deitaram o corpo, levando-o para mais perto dosdeuses e deixando-o fora do alcance dos lobos e ursos. Os trs guerreirosmortos dos coritnios, que haviam desrespeitado as leis dos deuses, aomatar uma mulher grvida, e as dos ancios, ao assassinar a lder de umatribo vizinha sem uma batalha justa, foram desnudados e arrastados paraa floresta para servir de alimento a quem os encontrasse primeiro. Breacarecebeu a espada que pertencera quele que ela matara, mas no a dese-java. Ela a entregou ao pai, que a partiu sobre o seu bloco de forjar, dizen-

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  • do que fabricaria outra melhor, em tamanho natural, para quando elacrescesse. Por sua vez, Airmid, uma das meninas mais velhas, deu a elauma pena de corvo com o clamo tingido de vermelho e amarrado em cr-culo com crina de cavalo azul, a marca de quem j tinha a seu crdito umamorte. Seu pai lhe mostrou como tranar os cabelos dos lados, como osguerreiros fazem quando se preparam para a batalha, com a pena caindolivre sobre a tmpora.

    No final da manh, Eburovic, guerreiro e ferreiro dos icenos, levou afilha at o rio para lav-la, limpar o sangue da batalha e fechar o corte emsua mo, con