revolução e contra-revolução

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A Direita Catolica contra-atacando a Esquerda Catolica, que desde muito tempo atras estah por tras de partidecos de esquerda, nominalmente o PT, o mais influente deles.TAGS: Comunismo, ICAR, Igreja Catolica Apostolica Romana, Cristianismo, Estado.

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  • 5/20/2018 Revolu o e Contra-Revolu o

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    Revoluo e Contra-RevoluoPlinio Corra de Oliveira

    Introduo

    Catolicismo d a lume, hoje1, seu centsimo nmero, e quer assinalar o fato marcando apresente edio com uma nota especial, que propicie um aprofundamento da comunicao de alma,j to grande, que tem com seus leitores.

    ara isso, nada lhe pareceu mais oportuno do que a pu!licao de um artigo so!re o temaRevoluo e Contra-Revoluo.

    " fcil e#plicar a escolha do assunto. Catolicismo um jornal com!ati$o. Como tal, de$e serjulgado principalmente em funo do fim que seu com!ate tem em $ista. %ra, a quem, precisamente,quer ele com!ater& ' leitura de suas pginas produ( a este respeito uma impresso tal$e( pouco

    definida. " freq)ente encontrar, nelas, refuta*es do comunismo, do socialismo, do totalitarismo, doli!eralismo, do liturgicismo, do maritainismo, e de outros tantos ismos. Contudo, no se diria quetemos to mais em $ista um deles, que por a+ nos pudssemos definir. or e#emplo, ha$eria e#ageroem afirmar que Catolicismo uma folha especificamente antiprotestante ou antisocialista. -irseia, ento, que o jornal tem uma pluralidade de fins. ntretanto, perce!ese que, na perspecti$a emque ele se coloca, todos estes pontos de mira t/m como que um denominador comum, e que este oo!jeti$o sempre $isado por nossa folha.

    % que esse denominador comum& 0ma doutrina& 0ma fora& 0ma corrente de opinio& emse $/ que uma elucidao a respeito ajuda a compreender at suas profunde(as toda a o!ra deformao doutrinria que Catolicismo $eio reali(ando ao longo destes cem meses.

    2 2 2% estudo da 3e$oluo e da Contra3e$oluo e#cede de muito, em pro$eito, este o!jeti$o

    limitado.ara demonstrlo, !asta lanar os olhos so!re o panorama religioso de nosso a+s.

    statisticamente, a situao dos cat4licos e#celente5 segundo os ltimos dados oficiaisconstitu+mos 678 da populao. 9e todos os cat4licos f:ssemos o que de$emos ser, o rasil seriahoje uma das mais admir$eis pot/ncias cat4licas nascidas ao longo dos $inte sculos de $ida da;greja.

    or que, ento, estamos to longe deste ideal& odos lhesentem os efeitos, mas poucos sa!eriam di(erlhe o nome e a ess/ncia.

    'o fa(er esta afirmao, nosso pensamento se estende das fronteiras do rasil para as na*eshispanoamericanas, nossas to caras irms, e da+ para todas as na*es cat4licas. m todas, e#erceseu imprio indefinido e a$assalador o mesmo mal. em todas produ( sintomas de uma grande(atrgica. 0m e#emplo entre outros. m carta dirigida em 16?@, a prop4sito do -ia =acional de 'ode Araas, a 9ua min/ncia o Cardeal -. Carlos Carmelo de Basconcelos otta, 'rce!ispo de 9.aulo, o #mo. 3e$mo. ons. 'ngelo -ellD'cqua, 9u!stituto da 9ecretaria de stado, di(ia queem conseqncia do agnosticismo religioso dos Estados, ficou amortecido ou quase perdido na

    sociedade moderna o sentir da Igreja. %ra, que inimigo desferiu contra a sposa de Cristo estegolpe terr+$el&

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    Como se $/, dificilmente um tema poderia ser de mais flagrante atualidade.

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    ste inimigo terr+$el tem um nome5 ele se chama 3e$oluo. 9ua causa profunda umae#ploso de orgulho e sensualidade que inspirou, no dir+amos um sistema, mas toda uma cadeia desistemas ideol4gicos. -a larga aceitao dada a estes no mundo inteiro, decorreram as tr/s grandesre$olu*es da Eist4ria do %cidente5 a seudo3eforma, a 3e$oluo Francesa e o ComunismoG.

    % orgulho le$a ao 4dio a toda superioridade, e, pois, H afirmao de que a desigualdade em simesma, em todos os planos, inclusi$e e principalmente nos planos metaf+sico e religioso, um mal. " oaspecto igualitrio da 3e$oluo.

    ' sensualidade, de si, tende a derru!ar todas as !arreiras. la no aceita freios e le$a H re$oltacontra toda autoridade e toda lei, seja di$ina ou humana, eclesistica ou ci$il. " o aspecto li!eral da3e$oluo.

    'm!os os aspectos, que t/m em ltima anlise um carter metaf+sico, parecem contradit4riosem muitas ocasi*es, mas se conciliam na utopia mar#ista de uma para+so anrquico em que umahumanidade altamente e$olu+da e emancipada de qualquer religio $i$esse em ordem profunda sem

    autoridade pol+tica, e em uma li!erdade total da qual entretanto no decorresse qualquerdesigualdade.

    ' seudo3eforma foi uma primeira 3e$oluo. la implantou o esp+rito de d$ida, oli!eralismo religioso e o igualitarismo eclesistico, em medida $ari$el alis nas $rias seitas a quedeu origem.

    9eguiuselhe a 3e$oluo Francesa, que foi o triunfo do igualitarismo em dois campos. =ocampo religioso, so! a forma do ate+smo, especiosamente rotulado de laicismo. na esfera pol+tica,

    pela falsa m#ima de que toda a desigualdade uma injustia, toda autoridade um perigo, e ali!erdade o !em supremo.

    % Comunismo a transposio destas m#imas para o campo social e econ:mico.

    stas tr/s re$olu*es so epis4dios do uma s4 3e$oluo, dentro da qual o socialismo, oliturgicismo, a politique de la main tendue, etc., so etapas de transio ou manifesta*esatenuadas. 9o!re os erros atra$s dos quais se opera a penetrao lar$ada do esp+rito da 3e$oluoem am!ientes cat4licos, o #mo. 3e$mo. 9r. -. 'nt:nio de Castro aIer, ispo de Campos,

    pu!licou uma Carta astoral da maior importJnciaK.

    2 2 2

    Claro est que um processo de tanta profundidade, de tal en$ergadura e to longa durao nopode desen$ol$erse sem a!ranger todos os dom+nios da ati$idade do homem, como por e#emplo acultura, a arte, as leis, os costumes e as institui*es.

    0m estudo pormenori(ado deste processo em todos os campos em que se $em desenrolando,

    e#cederia de muito o Jm!ito deste artigo.=ele procuramos limitandonos a um $eio apenas deste $asto assunto traar de modo

    sumrio os contornos da imensa a$alancha que a 3e$oluo, darlhe o nome adequado, indicarmuito sucintamente suas causas profundas, os agentes que a promo$em, os elementos essenciais desua doutrina, a importJncia respecti$a dos $rios terrenos em que ela age, o $igor de seu dinamismo,o mecanismo de sua e#panso. 9imetricamente, tratamos depois de pontos anlogos referentes HContra3e$oluo, e estudamos algumas das suas condi*es de $it4ria.

    'inda assim, no pudemos e#planar, de cada um destes temas, seno as partes que nospareceram mais teis, no momento, para esclarecer nossos leitores e facilitarlhes a luta contra a3e$oluo. ti$emos de dei#ar de lado muitos pontos de uma importJncia realmente capital, mas deatualidade menos premente.

    Gc$r .eo /III* Enc0clica (ar$enus H la BingtCinquiLme 'nne)* de &+-III-&+'1 2 (3onne Presse)* Paris* vol 4I* p 15+6KCarta astoral so!re os ro!lemas do 'postolado oderno- 3oa Imprensa .tda* Campos* &+,7* 18 edio

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    % presente tra!alho, como dissemos, constitui um simples conjunto de teses, atra$s das quaismelhor se pode conhecer o esp+rito e o programa de Catolicismo. #or!itaria ele de suas

    propor*es naturais, se conti$esse uma demonstrao ca!al de cada afirmao. Cingimonos tosomente a desen$ol$er o m+nimo de argumentao necessrio para p:r em e$id/ncia o ne#o e#istenteentre as $rias teses, e a $iso panorJmica de toda uma $ertente de nossas posi*es doutrinrias.

    >endo Catolicismo leitores em quase todo o %cidente, pareceu con$eniente pu!licar umatraduo deste tra!alho, em separata. referimos o franc/s, j consagrado pela tradio diplomtica,

    por ser o idioma de pa+s cat4lico mais uni$ersalmente conhecido.ste artigo pode ser$ir de inqurito. % que, no rasil e fora dele, pensa e#atamente so!re a

    3e$oluo e a Contra3e$oluo o p!lico que l/ Catolicismo, que certamente dos mais infensosH 3e$oluo& =ossas proposi*es, em!ora a!rangendo apenas uma parte do tema, podem darocasio a que cada um se interrogue, e nos en$ie sua resposta, que com todo o interesseacolheremos.

    Parte I A REVOLUO

    Captulo I - Crise do Hoe Contepor!neo

    's muitas crises que a!alam o mundo hodierno do stado, da fam+lia, da economia, dacultura, etc. no constituem seno mltiplos aspectos de uma s4 crise fundamental, que tem comocampo de ao o pr4prio homem. m outros termos, essas crises t/m sua rai( nos pro!lemas dealma mais profundos, de onde se estendem para todos os aspectos da personalidade do homemcontemporJneo e todas as suas ati$idades.

    Captulo II - Crise do Hoe O"idental e Cristo

    ssa crise principalmente a do homem ocidental e cristo, isto , do europeu e de seusdescendentes, o americano e o australiano. enquanto tal que mais particularmente a estudaremos.la afeta tam!m os outros po$os, na medida em que a estes se estende e neles criou rai( o mundoocidental. =esses po$os tal crise se complica com os pro!lemas pr4prios Hs respecti$as culturas eci$ili(a*es e ao choque entre estas e os elementos positi$os ou negati$os da cultura e da ci$ili(aoocidentais.

    Captulo III - Cara"teres dessa Crise

    or mais profundos que sejam os fatores de di$ersificao dessa crise nos $rios pa+ses

    hodiernos, ela conser$a, sempre, cinco caracteres capitais51. UNIVERSAL

    ssa crise uni$ersal. =o h hoje po$o que no esteja atingido por ela, em grau maior oumenor.

    2. UNA

    ssa crise una. ;sto , no se trata de um conjunto de crises que se desen$ol$em paralela eautonomamente em cada pa+s, ligadas entre si por algumas analogias mais ou menos rele$antes.

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    um fato nico, englo!ando numa realidade total os mil inc/ndios parciais, por mais diferentes, alis,que cada um destes seja em seus acidentes.

    ' Cristandade ocidental constituiu um s4 todo, que transcendia os $rios pa+ses cristos, semos a!sor$er. =essa unidade $i$a se operou uma crise que aca!ou por atingila toda inteira, pelo calorsomado e, mais do que isto, fundido, das sempre mais numerosas crises locais que h sculos se $/m

    interpenetrando e entreajud

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