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2 A HISTRIA DA EDUCAO DO CAMPO NO BRASILA Educao do Campo nasceu das lutas dos movimentos sociais camponeses, em contraponto Educao Rural. Para Caldart (2009) esse modelo de educao nasceu vinculada aos trabalhadores pobres do campo, aos trabalhadores sem-terra, sem trabalho, dispostos a reagir, a lutar, a se organizar contra situao em que se encontravam ampliando o olhar para o conjunto dos trabalhadores do campo.

Nessa perspectiva, a Educao do Campo diferente da educao rural, pois construda por e para os diferentes sujeitos, prticas sociais, territrios e culturas que compem a diversidade que compem o campo. Ela se apresenta como uma garantia de ampliao das possibilidades dos camponeses que criarem e recriarem as condies de existncia no campo. Portanto, a educao uma estratgia importante para a transformao da realidade dos sujeitos do campo, em todas as suas dimenses (sociais, ambientais, culturais, econmicas, ticas, polticas), por esse motivo para entendermos essa modalidade de educao, ser necessria uma abordagem histrica sobre todo o seu processo histrico. Neste sentido esse primeiro capitulo visa discutir essas transformaes que agregaram e envolvem a educao do campo.2.1 A EDUCAO DO CAMPO E SEU PROCESSO HISTRICO NO BRASIL: da chegada dos jesutas at a atualidadePara compreender a histria da educao do campo no Brasil preciso conhecer a situao do pas desde o perodo colonial, quando os Jesutas chegaram ao pas por volta de 1549, juntamente com o primeiro governador geral, Tom de Sousa. A misso dos Jesutas era difundir a moral, os costumes, a lngua, e a religio europeia, por serem padres, eram capacitados para esse trabalho. Dessa forma, os ndios eram catequizados pelos Jesutas, os quais ensinava-os tanto a ler a escrever como, tambm outras atividades como prticas agrcolas como afirma Aranha: [...] sabe-se que os Jesutas conseguiram tornar essas misses auto-suficientes ensinando no s a ler e escrever, mas a se especializar em diversas artes e ofcios mecnicos, alm, claro, de submet-lo converso religiosa. A aldeia organizava-se em torno de rigorosa, administrao fortalecida durante os sculos XVII e XVIII e sustentada por invejvel infraestrutura. Asilo, escola, casa; os ndios aprendiam as prticas agrrias e de criao de gado bem como a fabricar instrumentos musicais, artigos em couro, embarcaes, tecelagem etc.(ARANHA, 2012, p.124).

Pode-se perceber que nesse processo de catequizao dos ndios, havia tambm o interesse da corte portuguesa em explorar a mo de obra dos mesmos. No que se refere questo educacional vale ressaltar que os Jesutas segundo Silva, Pereira e Lima (2010) contriburam com a educao no Brasil criando escolas e trazendo no apenas a cultura europeia, mas tambm mtodos pedaggicos, os quais penduraram por mais de duzentos anos,quando foram expulsos em1759, pelas novas diretrizes da economia da poltica portuguesa.

Aps a sada dos Jesutas estabeleceu-se um grande caos na educao quando o ento primeiro Ministro Sebastio Jos Carvalho, denominado de Marques de Pombal instituiu reforma educacional pombalina, essa reforma tirou o comando da educao das mos de Jesutas e passou o para o Estado. De acordo com Seco e Amaral: Os objetivos que conduziram a administrao pombalina a tal reforma, foram assim, um imperativo da prpria circunstncia histrica. Extintos os colgios jesutas, o governo no poderia deixar de suprir a enorme lacuna que se abria na vida educacional tanto portuguesa como de suas colnias. Para o Brasil, a expulso dos jesutas significou, entre outras coisas, a destruio do nico sistema de ensino existente no pas (Seco; Amaral, 2006, p.3.).O governo de Pombal desestruturou o sistema de educacional organizado pelos Jesutas, confiscando os bens e fechando os colgios fundados por eles, criando assim, as aulas rgias as aulas de Latim, Grego, Filosofia e Retrica, para substituir os extintos colgios Jesutas, segundo Seco e Amaral (2006, p.4):As aulas rgias eram autnomas e isoladas, com professor nico e uma no se articulava com as outras. Desta forma o ensino passou a ser fragmentado e disperso, as aulas eram ministradas por professores leigos que no tinham o preparo adequado. As autoras ressaltam ainda que as aulas rgias foram a primeira experincia promovida pelo Estado, entretanto essas aulas era destinada a poucos, a maioria filhos da elite colonial. Portanto, a organizao educacional instituda pelo Marqus de Pombal no representou avano, principalmente pela dificuldade de obter recursos e pessoas preparadas para ensinar. Com o enfraquecimento poltico e econmico de Portugal, ocorreu na dcada de 1822, uma grande conquista brasileira, a Independncia do pas, conforme Nascimento, (2006) essa conquista se deu com base em acordos polticos de interesse da classe dominante, formada pela camada senhorial brasileira, a qual entrava em concordncia com o capitalismo europeu. De acordo com a autora:

A Assembleia constituinte e Legislativa aps a proclamao da Independncia para legar nossa primeira constituio, iniciou os trabalho propondo uma legislao particular sobre a instruo, com o objetivo de organizar a educao Nacional (NASCIMENTO, 2006, p.1).Essa primeira Constituio outorgada em 1824 durou todo o perodo imperial, ela estabelecia que a instituio primria fosse gratuita para todos os cidados. Segundo Nascimento (2006), em 15 de outubro de 1827, a Assembleia Legislativa aprovou a primeira lei relacionada instruo poltica nacional do Imprio do Brasil, a qual estabelecia que nas cidades vilas e lugares populosos houvessem escolas primeiras letras, quantas fossem necessrias, entretanto a autora explica que os relatrio do ministro do Imprio Lino Coutinho de 1831 a 1836 demonstraram que os resultados da implantao da Lei de 1827 foram negativos, pois o ensino elementar no pas estava em pssimo estado, conforme a autora, Lino Coutinho:Argumentava que, apesar dos esforos e gastos do Estado no estabelecimento e ampliao do ensino elementar, a responsabilidade pela precariedade do ensino elementar era das municipalidades pela ineficiente administrao e fiscalizao, bem como culpava os professores por desleixo e os alunos por vadiagem. Admitia, no entanto, que houve abandono do poder pblico quanto ao provimento dos recursos materiais, como os edifcios pblicos previstos pela lei, livros didticos e outros itens. Tambm apontava o baixo salrio dos professores; a excessiva complexidade dos conhecimentos exigidos pela lei e que dificultavam o provimento de professores; e a inadequao do mtodo adotado em vista das condies particulares do pas. (NASCIMENTO, 2006, p.1).O governo, portanto dizia estar preocupado em oferecer a instruo ao povo sem providenciar os recursos para dar condies para as existncias das escolas e para o trabalho dos professores. Com a descentralizao da educao, que ocorreu atravs do Ato Adicional de 6 de agosto de 1834, surgiu a primeira Escola Nova do Brasil situada em Niteri no ano de 1835.Segundo Nascimento (2006), aps a referida escola foram fundadas outras, j em 1837 foi criado o Colgio Pedro II, o qual oferecia o diploma de bacharel, que era o ttulo necessrio para cursar o nvel superior. Com a reforma Lencio de Carvalho em 1879, a qual institucional a liberdade de ensino foram criados os colgios protestantes e positivistas. Apesar de todos esses a acontecimento a situao educacional no Brasil no perodo imperial no foi satisfatrio, pois alm de ser um perodo de escravido as melhores escolas, o melhor ensino era para a elite, portanto: A presena do estado na educao no perodo imperial era quase imperceptvel, pois estvamos diante de uma sociedade escravista, autoritria e formada para atender a uma minoria encarregada do controle sobre as novas geraes. Ficava evidente a construo da lei que propugnava a educao primria para todos, mas na prtica no se concretizava (NASCIMENTO, 2006, p.2).Segundo a referida autora o quadro geral do ensino no final do imprio era de poucas instituies escolares, os cursos normais eram de quantidade insatisfatria. Percebe-se, portanto o abismo educacional que a populao brasileira se encontrava, principalmente os pobres excludos do interesse do governo imperial.Na chamada Repblica Velha de 1889 a 1930, ocorreram muitas transformaes polticas e econmicas no pas, com a elaborao da Constituio de 1891, o Brasil passou a ter um regime presidencialista e representativo, no entanto somente a elite participava das discusses polticas, ficando a povo excludo. Nesse perodo, segundo Paiva (1990), a maioria da populao era analfabeta, no tinham direito ao voto. Com esse analfabetismo a situao educacional do pas entra no caos, entretanto para tentar modificar essa situao, no perodo de 1889 a 1925 foram feitas diversas reformas no pas. Segundo Clark:

Durante o perodo de 1889 a 1925 vrias reformas educacionais foram promovidas com o objetivo de melhor estruturar o ensino primrio e secundrio. Depois de ser criada a Escola Normal Caetano de Campos (1891) em So Paulo, O governo paulista atravs do Decreto Estadual n 248, de 26 de setembro de 1894 (So Paulo - Estado 2000), resolveu criar o Grupo Escolar (CLARK, 2006, p. 10).

Esse foi um perodo em que a educao passou por transformaes, entretanto, percebe-se que em nenhum momento da histria dede dos Jesutas at 1930 no foi citada a educao do campo, muito menos dada essa modalidade ou especificidade de ensino no Brasil, s ento por volta de 1940, que surgiu no perodo final do regime militar, as polticas pblicas voltadas para a educao do campo com a finalidade de encontrar na educao a ideologia da mo de obra barata das classes operrias agrcolas vinculando uma poltica centralizada e sendo modelo para todo o pas.Aps a II Guerra Mundial foi criada a Comisso Brasileiro-Americana de Educao das Populaes Rurais, no mbito da interferncia da poltica norte-americana no pas. Foram instaladas as Misses Rurais e, ao final dos anos de 1940, foi criada a Empresa de Assistncia Tcnica e Extenso Rural. As aes governamentais eram marcadas pelo entend