Manejo sustentvel dos recursos florestais da caatinga

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Manejo sustentvel dos recursos florestais da caatinga

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  • Ficha catalogrfica

    B 823m Brasil. Ministrio do Meio Ambiente. Secretaria de Biodiversidade e Florestas. Departamento de Florestas. Programa Nacional de Florestas.Unidade de Apoio do PNF no Nordeste.

    Manejo sustentvel dos recursos florestais da Caatinga / MMA. Secretaria de Biodiversidade e Florestas. Departamento de Florestas. Programa Nacional de Florestas.Unidade de Apoio do PNF no Nordeste.__Natal : MMA, 2008. 28p. : il.

    Projeto Conservao e Uso Sustentvel da Caatinga - MMA/PNUD/GEF/BRA/02/G31

    1. Manejo Florestal. 2. Caatinga. 3. Desenvolvimento Sustentado.I. Ttulo.

    CDU 630.03

    As opinies e informaes contidas neste documento so de inteira responsabilidade dos autores e no refletem,necessariamente, a posio do Governo brasileiro a respeito do assunto.

    Ministro do Meio AmbienteCarlos Minc

    Secretria de Biodiversidade e FlorestasMaria Ceclia Wey de Brito

    Departamento de Florestas/Programa Nacional de Florestas - PNFFernando Paiva Scardua

    Unidade de Apoio do PNF no NordesteNewton Duque Estrada Barcellos

    Projeto Conservao e Uso Sustentvel da Caatinga (MMA/PNUD/GEF/BRA/02/G31)Leonel Graa Generoso Pereira

  • APRESENTAO

    A presente preocupao com as questesecolgicas e as demandas pelos produtose servios ambientais nos obrigam aestabelecer uma relao entre o usosustentvel e a conservao dabiodiversidade nos diferentes biomas.

    A Caatinga, um dos principais biomasbrasileiros, vem colaborando para odesenvolvimento regional, seja comofonte energtica para as indstrias efamlias agricultoras, seja nofornecimento de forragem para amanuteno dos rebanhos ou aindaofertando outros produtos florestaismadeireiros e no-madeireiros.

    O manejo dos recursos florestais,importante instrumento de gestoambiental, representa, hoje, umaalternativa vivel e legalizada paraobteno de vrios produtos florestais, de forma sustentada.

    Este guia contm informaes sobre o manejo dos recursos florestais da Caatinga, queresultaram da experincia acumulada pela pesquisa e sua aplicao prtica na regioNordeste h mais de vinte anos.

    Destina-se queles que lidam com o recurso florestal, seja como produtor, consumidore comerciante, ou como pesquisador, estudioso e pblico em geral.

    O objetivo deste guia contribuir para a conservao e uso sustentvel dos recursosflorestais, indispensveis para o desenvolvimento social e econmico do Nordeste,buscando a melhoria da qualidade de vida da sua populao.

  • CARACTERSTICAS GERAIS DA CAATINGA

    A vegetao nativa dominante no serto nordestino a Caatinga, floresta arbreo-arbustiva adaptada ao clima semi-rido, com ocorrncia de cactos e bromlias e estratoherbceo abundante durante o perodo chuvoso.

    A Caatinga apresenta uma grande diversidade de fitofisionomias, em funo dediferentes padres de precipitaoe solo. Essa diversidade se refletena definio de oito eco-regies,conforme mapa ao lado.

    A vegetao arbrea da Caatingatem como principais caractersticas:

    alta densidade deindivduos, com 1.000 a5.000 rvores por hectare;

    rvores de pequeno a mdioporte, com altura dominantevariando entre 3m e 6m;

    regenerao por rebrota detocos e razes;

    perodo curto de crescimentoe rpida resposta s chuvas;

    estoques baixos, porm comincrementos mdios anuaisrelativamente altos;

    alta resilincia, ou seja, altacapacidade de recuperaoaps algum tipo deinterveno;

    alto percentual de espcies arbreas forrageiras.

    Dentre as regies semi-ridas do mundo, o serto nordestino apresenta uma dasmaiores densidades populacionais, o que acarreta uma alta presso antrpica sobreos recursos naturais.

    Eco-regies da CaatingaEcorregies do Bioma Caatinga

    Superficie total: 850.000 km2

    Fonte: Ecorregies Propostas para o Bioma Caatinga. Recife: Associao Plantas do Nordeste;Instituto de Conservao Ambiental The Nature Conservancy do Brasil, 2002.

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  • A Caatinga condiciona profundamente a atividade humana do semi-rido nordestino.Como fornecedora de produtos madeireiros, a vegetao a base da produo delenha, carvo, estacas, material para construo, etc. Outros produtos florestais no-madeireiros como frutos, plantas medicinais, fibras, mel, entre outros, tm elevadaimportncia para a populao e a economia da regio.

    Esta importncia demonstrada pelo volume e o valor da produo comercial: lenha ecarvo vegetal tm um destaque principal, com um consumo industrial e comercialestimado em 25 milhes de metros estreos de lenha por ano (base 2005), o que geraem torno de 90.000 empregos diretos na zona rural. No Nordeste, esses biocombustveisslidos so responsveis pelo atendimento de 30% da matriz energtica. O valor anualobtido com a comercializao, a preo de atacado, de aproximadamente R$ 80 milhespara carvo vegetal e R$ 150 milhes para lenha.

    Alm disso, essa vegetao extremamente importante para a manuteno da pecuriaextensiva regional, pois fornece a forragem, principalmente na poca seca.

    Vagens para uso farmacutico Coleta de frutos do umbu Mel Lenha para uso domstico

    Carvo vegetal Forragem Lenha para indstrias Palha de carnaba

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  • MANEJO SUSTENTVEL DOS RECURSOS FLORESTAIS

    O QUE :

    o conjunto de intervenes efetuadas em uma rea florestal, visando obtenocontinuada de produtos e servios da floresta, mantendo a sua capacidade produtiva.

    OBJETIVOS:

    Um manejo vivel deve basear-se no potencial existente na floresta, de modo a obter-se a maior produo sustentvel do ponto de vista econmico, social e ambiental. fundamental, ento, definir claramente os objetivos do manejo:

    Produo de bens: madeireiros: lenha, estacas,

    madeira para serraria, etc; no-madeireiros: forragem, frutos,

    sementes, resinas, leos, etc.

    Produo de servios ambientais: conservao de gua e solo manuteno da biodiversidade captura de carbono

    Essa escolha que estabelecer, a partir da capacidade davegetao, a forma de manejo a ser aplicada.

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    Lenha para energiaForragem

    Conservao de gua

    Na Caatinga, a legislao ambiental estabelece que 20%da rea da propriedade seja destinada para a ReservaLegal. Alm disso, obrigatrio proteger as reas dePreservao Permanente. O restante da propriedadepode ser utilizado para atividades agrcola, pecuria ouflorestal. Entretanto, s o manejo florestal sustentvel capaz de conservar a biodiversidade.

  • ONDE FAZER:

    O manejo florestal da Caatinga s pode ser feito nas regies e propriedades que aindapossuem vegetao florestal em rea e qualidade suficientes para possibilitar umaproduo regular.

    Alm disso, o manejo deve ser feito para atender umademanda dentro de um raio econmico vivel quedepende do valor do produto e do custo do transporte:

    - carvo para siderrgica - at 1000 km;- lenha para cermica - at 100 km;- lenha para padaria - at 50 km.

    Assim, h dois aspectos importantssimos a considerarno manejo florestal:

    1. Existncia/disponibilidade de vegetao;2. Existncia de consumo que justifique e

    viabilize a produo.

    A QUEM INTERESSA:

    - Produtores rurais, que podero incrementar ediversificar a produo e a renda de suas propriedades;

    - Consumidores, comerciantes e transportadores deprodutos florestais, que podero garantir o seuabastecimento atravs de uma oferta constante, legalizadae isenta da obrigao da reposio florestal.

    Reposio florestal o conjunto de aesdesenvolvidas com a finalidade de estabelecer acontinuidade do abastecimento de matria-primaflorestal aos diversos segmentos consumidores,atravs da obrigatoriedade da recomposio dovolume explorado, mediante o plantio com espciesflorestais adequadas. Pequena olaria

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    Corte da floresta por produtor rural

  • Agricultura

    8

    Reserva Legal

    Caatinga a ser manejada

    PastagemCaatinga a ser manejada

    Agricultura

    Mapa da Propriedade

    8

    ASPECTOS TCNICOS

    Os principais aspectostcnicos necessrios paraimplementar o manejoflorestal so: a definio darea a ser manejada, oinventrio florestal, aestimativa do crescimento, astcnicas de interveno, oarranjo da explorao e ostratos silviculturais.

    DEFINIO DA REA

    A rea manejvel deve estarcompreendida dentro dos limitesda propriedade. Mesmo que oCdigo Florestal permita omanejo da Reserva Legal - RL(desde que no se utilize o corteraso), recomenda-se no inclu-lana rea a ser manejada. Outrasclasses de uso da terra como rea dePreservao Permanente (APP),agricultura, pastagens e suas futurasexpanses devero constar em um mapa.

  • Agricultura

    Reserva Legal

    Caatinga a ser manejada

    PastagemCaatinga a ser manejada

    Agricultura

    Medio das parcelas

    Mapa dapropriedadee localizao

    das parcelas

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    INVENTRIO FLORESTAL

    Somente possvel manejar (utilizar) bem a Caatinga sabendo quais as reas disponveispara o manejo e como constituda a vegetao destas reas. necessrio conheceras espcies existentes na propriedade, a quantidade e tamanho dasrvores e o volume utilizvel (tecnicamente denominado estoque).

    Para se obter essas informaes necessrio fazer ummapeamento e um inventrio. Para oinventrio so instaladas parcelasamostrais onde so medidas todas asrvores. Essas parcelas sodistribudas aleatoriamente na reaa ser manejada e oferecem, no seuconjunto, uma boa representaoda rea total.

    Estas informaes possibilitarodefinir o tipo de manejo ouexplorao mais adequado paracada propriedade.

    Parcela Amostral

  • ESTIMATIVA DO CRESCIMENTO

    O crescimento o aumento do estoque florestal ao longo do tempo, resultante doaumento no dimetro, na altura e no nmero de rvores na floresta. O IncrementoMdio Anual IMA a forma mais comumente utilizada para expressar o crescimentomdio, normalmente em volume de madeira por hectare e por ano, em metroscbicos ou metros estreos (metro de lenha empilhada).

    Conhecer o crescimento fundamental para definir o perodo necessrio para obtenodo rendimento mximo do produto desejado de forma sustentada. Este perodo ociclo de corte, ou o nmero de anos entre um corte e o seguinte.

    Corte Rebrota

    Final do cclo Regenerao avanada

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  • TCNICAS DE INTERVENO FLORESTAL

    As principais tcnicas de interveno baseiam-se em dois tipos de corte: corte rasoou talhadia simples e corte seletivo ou talhadia seletiva.

    De forma geral, independentementeda tcnica utilizada, os restos daexplorao (galhos e folhas),tambm conhecidos comoserrapilheira, ficam espalhados narea para proteo do solo e darebrota e para a reciclagem dosnutrientes. A recuperao davegetao ocorre principalmente porrebrota dos tocos e razes, e,secundariamente, pela germinaode sementes.

    Corte Raso ou Talhadia Simples

    Nesta prtica cortam-se todas asrvores e arbustos, independentementede tamanho e espcie. Tem comovantagens:

    facilita a retirada dosprodutos e maximiza o volume extradopor rea, sendo, portanto, comum paraproduo de lenha;

    permite a obteno de outrosprodutos como estacas, moures,varas, cascas, etc.;

    adapta-se perfeitamente aocomportamento da regenerao dacaatinga.

    Galhadas espalhadas aps corte raso

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    Regenerao aps 18 anos de aplicao do corte raso

  • Corte Seletivo ou Talhadia Seletiva

    Esta tcnica pode ser feita de duas maneiras:

    Por dimetro mnimo

    Cortam-se todas as rvores acima de um dimetro pr-determinado em funo doproduto desejado e conservam-se as menores. mais utilizada na obteno de estacas,moures, toras, etc.

    Por dimetro e espcie

    Esta modalidade tem como objetivo a obteno de certosprodutos de determinadasespcies florestais: estacas desabi ou de jurema preta,toras de imburana de cambo,mouro de angico, dentreoutros. Para cada espciedevero ser aplicados tratossilviculturais que garantam asustentabilidade da produo.

    Corte seletivo por dimetro mnimo

    Toras de imburana Manejo para produo de estacas de sabi

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  • 13

    Talho 4

    Talho 8

    Talho 7

    Talho 9

    Talho10

    Talhonamento para ciclo decorte de 10 anos

    PastagemAgricultura

    Caatinga a ser manejada

    Caatinga a ser manejada

    Reserva Legal

    Talho 1

    Talho 3

    Talho 2

    Talho 5

    Talho 6

    T10

    T9

    T8

    T7

    T6

    T5

    T4

    T3

    Reserva Legal

    T1

    T9

    T8

    T7

    T6

    T5

    T4

    T3

    T2

    T10

    ARRANJO DA EXPLORAO

    A rea a ser manejada deve ser dividida emUnidades de Produo Anual (UPA) ou Talhes. Onmero de talhes normalmente igual ao ciclode corte, que o tempo necessrio para avegetao se recuperar. A rea dos talhes seraproximadamente igual se a vegetao forhomognea. Em cada talho aplica-se o tipo decorte selecionado.

    Talhes SimplesA explorao abrange um talho inteiro, podendoprogredir em talhes vizinhos ou alternados,recomendando-se inici-la naqueles de maiorestoque.

    Talhes com Faixas AlternadasNeste caso, cortam-se faixas alternadamente dentrodo talho. Corta-se, ento, a metade de dois talhes acada ano. Em cada faixa cortada pode-se aplicar qualquertipo de corte selecionado.

    T= TalhoT1 e T2 - Ano 1 e 6T3 e T4 - Ano 2 e 7T5 e T6 - Ano 3 e 8T7 e T8 - Ano 4 e 9T9 e T10 - Ano 5 e 10

    A alternncia detalhes e faixas temcomo vantagema melhoria dosservios ambientaisem grandes reas.

  • TRATOS SILVICULTURAIS

    As prticas mais adotadas so:

    Controle da rebrota

    Selecionam-se os melhores brotos,procurando obter maiores dimetros emum menor tempo. Este trato justifica-seapenas para espcies ou produtos de altovalor (estacas e toras).

    Controle de espcies

    Consiste no corte de espcies no desejadas. mais aplicado em sistemas silvopastoris,para reduzir a concorrncia com espcies forrageiras.

    Manejo para a produo de estacas Manejo para produo de pasto

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    Controle da rebrota

  • DIVERSIFICAO DO MANEJO

    As caractersticas sociais e econmicas do Semi-rido, bem como as caractersticasda vegetao, apontam para um uso mais diversificado, alm do manejo florestalmadeireiro. A explorao, beneficiamento e comercializao de produtos florestaisno-madeireiros garante a sobrevivncia de muitas famlias do serto nordestino.

    Um desses produtos tem importncia fundamental na manuteno da pecuria nessaregio: a forragem. Em funo dessa importncia foram desenvolvidos sistemas demanejo especficos que visam integrao da produo pecuria ou agropecuria coma produo florestal. No entanto, um aspecto da produo dominante, sendo o outrotemporrio ou complementar.

    A Embrapa Caprinos, em Sobral/CE, desenvolveu alguns sistemas de manejosilvopastoril. Estes so:

    Rebaixamento corte das rvores e arbustos em altura de30 a 40 cm do solo para manter as copas ao alcance dos

    animais, principalmente caprinos.

    Raleamento controle dadensidade das espcies lenhosas,especialmente as no forrageiras,reduzindo o sombreamento e criando condies para ocrescimento do estrato herbceo. Mais adequado criaode ovinos e bovinos.

    Rebaixamento com raleamento aplicao das duastcnicas anteriores ao mesmo tempo, deixando em p rvoresde maior valor madeireiro ou forrageiro, no podendo exceder30% da cobertura.

    Enriquecimento aps umraleamento da vegetao, faz-se uma semeadura comespcies forrageiras herbceas para o aumento da produoe qualidade da forragem.

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  • 16

    Alm da forragem, muitos outros produtos contribuempara a gerao de emprego e renda para ascomunidades rurais do serto nordestino. Plantasapcolas, frutferas, medicinais, oleaginosas,ornamentais e produtoras de fibras vm sendoutilizadas de forma tradicional h vrias geraes.

    Algumas comunidades tm conseguido comercializarseus produtos em mercados nacionais einternacionais, o que demonstra o potencial daproduo florestal no madeireira. Alguns exemplospodem ser citados como casos de sucesso: palha dacarnaba (Copernica prunifera), umbu (Spondiastuberosa), pequi (Caryocar coriaceum) e caro(Neoglaziovia variegata). Outras espcies do origema produtos que so comercializados em feiras locaise regionais como os taninos dos angicos(Anadenanthera colubrina var. cebil, Parapiptadeniargida), os leos do babau (Orbignya cf. phalerata)e da oiticica (Licania sclerophylla).

    Apesar dessa importncia, o uso no-madeireiro dasespcies nativas tem sido objeto de poucos estudos,tanto do ponto de vista de validao do conhecimentotradicional, como tambm, e principalmente, no quese refere a estudos de produtividade, variabilidadegentica e sistemas de produo sustentvel.

    Extrao do caro - PE

    Produtos derivados do umb - BA

    Comercializao de objetos de palha de carnaba - RN

  • ASPECTOS LEGAIS

    O manejo florestal est previsto na legislao ambiental em vigor, especialmente nosartigos 19, 20 e 21 da Lei n 4.771/1965 (Cdigo Florestal).

    A competncia pela gesto dos recursos florestais, incluindo o seu manejo, passou aser dos Estados, atravs dos seus rgos de meio ambiente, por fora da Lei n11.284/2006. A seguir, relao dos rgos estaduais de meio ambiente no Nordeste:

    Alguns Estados j dispem de instrumentos legais prprios que regulamentam o manejoflorestal da Caatinga. Naqueles que ainda no dispem destes instrumentos, aplica-se alegislao federal pertinente. Os instrumentos em vigor esto disponveis no Portal da GestoFlorestal no site do Servio Florestal Brasileiro (www.sfb.gov.br).

    17 Estado Instituio Endereo Telefone Site

    Alagoas Av. Major Ccero de G. Monteiro2197 - Mutange Macei/ALInstituto do Meio Ambiente-

    IMA(82)3315-1738(82)3315-1747 www.ima.al.gov.br

    Bahia Superint. de Biodiversidade, Florestase Unid. de Conservao-SEMARH Av. Luz Viana Filho 390, Plataforma IV/Ala

    norte Centro Adm. da Bahia Salvador/BA(71)3115-3800(71)3115-3801 www.semarh.ba.gov.br

    Cear Sup. Estadual do Meio Ambien-te- SEMACE

    R. Jaime Benvolo 1400, Bairro deFtima, Fortaleza/CE

    (85)3101-5547(85)3101-5546 www.semace.ce.gov.br

    Paraba Superint. de Administrao doMeio Ambiente - SUDEMA

    Av. Mons. Walfredo Leal 181,Tambi - Joo Pessoa/PB

    (83)3218-5576(83)3218-1574 www.sudema.pb.gov.br

    Pernambuco Agncia Estadual de Meio Ambiente,Recursos Hdricos e Florestais - CPRH Rua Santana 367, Casa Forte

    Recife/PE (81)3182-8860 (81)3182-8927 www.cprh.pe.gov.br

    Piau Secretaria de Meio Ambiente eRecursos Hdricos-SEMAR R. Desembargador Freitas 1599Ed. Paulo VI, Centro, Teresina/PI (86)3216-8038 www.semar.pi.gov.br

    Rio Grande doNorte

    Inst. de Defesa do MeioAmbiente-IDEMA

    R. Nascimento de Castro 2127,Lagoa Nova - Natal/RN

    (84)3232-2111 www.idema.rn.gov.br

    Sergipe Secretaria de Meio Ambiente eRecursos Hdricos-SEMARH Av. Herclito Rollemberg, 4444Distrito Industrial de Aracaj (79)3179-7337 www.semarh.se.gov.br

    A legislao determina a obrigatoriedade da reposio florestal para os consumidoresde produtos florestais oriundos de vegetao nativa, exceo das seguintessituaes: a) auto-consumo, e b) consumidores que obtm sua matria-prima dereas de manejo florestal, os quais esto isentos da reposio florestal obrigatria.

  • ASPECTOS SOCIOECONMICOS

    O manejo florestal oferece vantagens econmicas, sociaise financeiras:

    Produo e rendimento imediatos a partir do incioda explorao;

    Obteno de outros produtos no-madeireiros (mel,frutos e ervas medicinais), advindos da mata nativa,que podem continuar a ser obtidos, proporcionandofonte de renda complementar para o produtor rural;

    Ocupao de mo-de-obra, principalmente naestao seca;

    Baixo investimento inicial referente basicamente aocusto da elaborao do Plano de Manejo Florestal.Este valor necessita ser desembolsado antes doincio da produo, mas representa um custo nico.

    Contribuio para o atendimento das necessidadesbsicas de segurana alimentar, hdrica e energticadas famlias agricultoras.

    Produo de mel Carregamento de forno Coleta de umbu

    Carregamento de lenha em caminho

    Corte de lenha

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  • O quadro abaixo apresenta um exemplo da relao custo/benefcio de um plano demanejo florestal em uma rea de 450 hectares, com talhes anuais de 30 ha e estoquede 120st por hectare, onde so explorados lenha, estacas e moures destinados comercializao. O pr-investimento refere-se elaborao do plano de manejo e taxascartoriais, totalizando R$ 11.500,00.

    Considerando uma amortizao do pr-investimento nos trs primeiros anos, tem-se umlucro lquido de R$ 10.823,00 (R$ 902,00 por ms), nesse perodo, e de R$ 14.673,00 (R$1.222,00 por ms) nos anos seguintes. importante lembrar que outras atividades podem serrealizadas concomitantemente durante o perodo de vigncia do Plano de Manejo, como porexemplo a apicultura, a criao de gado de forma extensiva e controlada, o que gera outrasfontes de renda.

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    Custos Componente Custo unitrio Quantidade R$

    Custos anuais Amortizao do pr-investimento para recuperar em 03 anos

    3.850,00

    Taxa de vistoria 419,00 1 419,00

    Aceiros 0,13 2600 metros 338,00 Corte da lenha 4,00 3.300 st 13.200,00 Corte de estaca 1,00 6.000 unidades 6.000,00 Assistncia tcnica 360,00 12 meses 4.320,00 Total (ano 1-3) 24.277,00

    Total (ano 4 - 15) 20.427,00 Rendimentos

    Componente Valor unitrio (R$) Quantidade R$

    Lenha (3.300st) 7,00 3.300 st 23.100,00 Estacas-moures 2,00 6.000 unidades 12.000,00 Outros

    Total 35.100,00

    Lucro anual Lucro lquido (ano 1 - 3)

    10.823,00

    Lucro lquido (ano 4 - 15) 14.673,00

    (R$)

  • ASPECTOS ECOLGICOS

    Um Plano de Manejo, composto por talhes de diferentesidades, integrados com reas de Reserva Legal e dePreservao Permanente, forma um conjunto de ampladiversidade ambiental que oferece mltiplos nichoscapazes de sustentar populaes de espcies vegetaise animais. Desta forma, as reas sob manejo florestalda Caatinga so ncleos de conservao dabiodiversidade.

    As reas manejadas contribuem, por um lado, para acaptao e armazenamento de carbono atmosfrico.Por outro lado, o uso final energtico dos produtos domanejo, como a lenha e o carvo vegetal, evita emissesde carbono fssil decorrentes do uso de petrleo e carvomineral. O manejo florestal contribui, assim, para reduziro aquecimento global.

    O manejo no Semi-rido, por meio da manuteno deuma cobertura florestal a longo prazo, garante aconservao do solo e a manuteno do regime hidrco,alm de propiciar oportunidade de emprego e rendapara a populao rural. Constitui-se, assim, em uminstrumento de preveno e combate desertificao.

    A conservao de reas florestadas naturais tem umalto valor em termos de manuteno de paisagem ebeleza cnica, contribuindo para o aumento do potencialecoturstico da regio.

    Lenha de rea manejada

    Paisagem - Parque Nacional Sete Cidades/PI

    Carnaubal/RN

    20 Galo de campina - Paroaria dominicana

  • O PLANO DE MANEJO FLORESTAL

    Para que o manejo seja oficializado junto aos rgos ambientais competentes, o interessadodever apresentar o Plano de Manejo Florestal da rea. Este Plano consiste de umdocumento tcnico que apresenta todas as informaes do inventrio, os aspectos tcnicosdo manejo florestal aplicados (estimativa de crescimento, ciclo de corte, tratos silviculturais,produo estimada, talhonamento, etc.), alm de toda a documentao exigida por lei.

    O Plano de Manejo Florestal dever ser elaborado e acompanhado por um profissionalhabilitado que assume formalmente a responsabilidade tcnica pelo mesmo.

    Aps ser protocolado no rgo ambientalcompetente, o Plano de Manejo ser analisadotecnicamente, incluindo vistoria de campo. Se houvernecessidade sero exigidas modificaes nodocumento apresentado. Com a aprovao, poderser iniciada a explorao do primeiro talho.

    A cada 12 meses, o responsvel tcnico deveapresentar o relatrio tcnico anual e o detentor doPlano de Manejo dever solicitar autorizao paracontinuar o manejo no ano seguinte. Inventrio florestal - trabalho de campo

    Elaborao do mapa da propriedade Anlise dos dados

    21

  • 22

    PLANO DE MANEJO FLORESTALETAPAS A SEGUIR

    Reunir a documentao necessria

    Definio da propriedade e rea a manejar

    Mapeamento Inventrio

    Estimativa de estoque e espcies

    Definio do tipo de explorao

    Definio do ciclo de corte

    Definio dos talhes Viabilidade tcnica e econmica

    Plano de Manejo

    Apresentao ao rgo competente

    Anlise e vistoria Pendncias e ajustes

    Aprovao e autorizao para corte do primeiro

    talho

    Explorao Anualmente: relatrio, vistoria e autorizao

    para o manejo do prximo talho

  • REDE DE MANEJO FLORESTAL

    A Rede de Manejo Florestal da Caatinga foi criada em dezembro de 2003 com o apoioda Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministrio do Meio Ambiente. resultadode um esforo de mais de 20 anos em estudos e pesquisas sobre a questo florestal naregio nordeste, por meio de projetos de cooperao tcnica entre o Governo Brasileiroe as Naes Unidas. Atuando em todo o bioma, tem por objetivo consolidar e ampliara base tcnico-cientfica de experimentao de manejo florestal, bem como gerar,sistematizar e divulgar informaes e recomendaes para os diferentes setores eatores que trabalham em prol do desenvolvimento do Nordeste.

    Os principais temas estudados so: o comportamento da vegetao sob diversas formasde interveno, o ciclo de corte, crescimento e estrutura, diversidade de espcies, tipode corte, impacto do pastoreio e do fogo, controle da rebrota, impactos sobre fauna eflora, entre outros.

    Os parceiros da Rede so instituies governamentais e organizaes no-governamentais, produtores rurais e empresas privadas.

    Angico AlmasAngico Sertnia

    Unidades Experimentais daRede de Manejo Florestal da Caatinga

    Para maiores informaes,visite o portal de Rede de Manejo

    Florestal da Caatinga:http://www.plantasdonordeste.org/manejo

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    ESEC Serid-Serra Negra do Norte/RNPA Venncio Zacarias-Macau/RNFazenda Maturi-Caucaia/CESo Joo do Piau/PI

    Resultados das Unidades Experimentais da Rede de Manejo Florestal da CaatingaUnidade Experimental Local Ano de

    implantao Tratamento IMA

    Estao Ecolgica do Serid

    Serra Negra do Norte - RN

    1989 1. Corte Raso com Destoca e com Queima 2. Corte Raso sem Destoca e com Queima 3. Corte Raso sem Destoca e sem Queima 4. Corte Seletivo (DNB>7,5cm)

    2 Blocos: com e sem pastoreio

    IMA 15 anos 1. 0,27 m2/ha.a 2. 0,29 m2/ha.a 3. 0,27 m2/ha.a 4. 0,31 m2/ha.a independente do pastoreio extensivo

    Fazenda Taboquinha Exu - PE 1996 Regenerao aps corte raso com queima e uso agropecurio.

    IMA - 8 anos 1,6 m2/ha.a

    Fazenda Belo Horizonte Itapetinga S.A.

    Mossor - RN 1984 1. Corte raso 2. Corte seletivo (DAP > 3 cm)

    IMA 20 anos 1. 0,36 m2/ha.a 2. 0,47 m2/ha.a

    PA Venncio Zacharias (antiga Faz. Bela Vista)

    Macau - RN 1995 1. Corte raso 2.Corte seletivo DNB < 15 cm (Corte Raso com Matrizes). 3. Corte seletivo DNB > 10 cm. 4. Corte seletivo DNB < 5 cm e DNB > 10 cm.

    IMA 9 anos 1. 0,16 m2/ha.a 2. 0,06 m2/ha.a 3. 0,32 m2/ha.a 4. 0,21 m2/ha.a

    PA Recanto III (antiga Faz. Recanto)

    Lagoa Salgada - RN

    1996 1. Corte raso. 2. Corte seletivo DNB > 5 cm 3. Corte seletivo, DNB10 cm. 4. Corte seletivo DNB 5cm e DNB < 15 cm.

    IMA 8 anos 1. 0,50 m2/ha.a 2. 0,46 m2/ha.a 3. 0,55 m2/ha.a 4. 0,59 m2/ha.a 5. 0,57 m2/ha.a

    Estudo 2 ciclo na Fazenda Maturi e Fazenda Formosa

    Caucaia e Pacajus - CE

    2005 Corte raso em faixas alternadas IMA 9 a 14 anos 0,9 a 1,3 m2/ha.a

    Obs.: Os valores do IMA (Incremento Mdio Anual) referem-se aos resultados encontrados em 2004, ou seja, so valores paraperodos distintos em cada unidade experimental. DNB - Dimetro na Base; DAP - Dimetro Altura do Peito.

    (m2/ha.a)aos 15 anos

    aos 8 anos

    aos 9 anos

    aos 20 anos

    aos 8 anos

  • LINHAS DE FINANCIAMENTO

    O manejo florestal da Caatinga pode ser financiado por linhas definanciamento especifcas para apoio sua implementao, atravs doPRONAF Florestal, operado pelo Banco do Brasil e Banco do Nordeste, ouatravs do FNE Verde, operado pelo Banco do Nordeste.

    Para obter informaes sobre o acesso e a operacionalizao dessas linhasentre em contato com as agncias locais das instituies bancrias.

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  • CRDITOS:

    Texto:Maria Auxiliadora Gariglio - IBAMA/MMA/SBF/PNF/UAP-NEEnrique Riegelhaupt - Projeto MMA/PNUD/GEF/BRA/02/G31Frans Pareyn - Associao Plantas do Nordeste-APNENewton Duque Estrada Barcellos - IBAMA/MMA/SBF/PNF/UAP-NE

    Colaboradores:Adailton Epaminondas de CarvalhoAdriana Amrico de Souza - IDEMA/RNAlcioly Galdino dos Santos Jnior - APNEFrancisco Barreto Campello - IBAMA/Projeto MMA/PNUD/GEF/BRA/02/G31Jos Lvio Barreto Ferreira - IDEMA/RNJoselma Maria de Figueira - APNEJlio PaupitzKleber Costa de Lima - APNELuzia Ins Lopes - IDEMA/RNPaola Bacalini - APNEStephenson Ramalho de Lacerda - Fundao Araripe

    Fotos:Carlos GoldgrubIrwin GrossJoo Ambrsio de A. FilhoJoo VitalPeter GassonAcervo APNEAcervo MMA/SBF/PNF/UAP-NE

    Reviso de texto:Anette Maria de A. Leal - IBAMA/PB

    Design Grfico:Domingos Svio Gariglio

    Comit Editorial:Maria Auxiliadora GariglioAnette Maria de A. LealJoselma Maria de Figueira

  • CONTATOS:

    Ministrio do Meio AmbienteSecretaria de Biodiversidade e FlorestasDepartamento de FlorestasSEPN 505, LOTE B, Edifcio Marie Prendi Cruz 5 andar - salas 501, 503 3 507- W3 Norte70730-542 Braslia/DFFone: 61 3105-2132www.mma.gov.br/florestas

    Unidade de Apoio ao Programa Nacional de Florestas no Nordeste UAP-NEAv. Alexandrino de Alencar 1399, Tirol59015-350 Natal/RNFone/Fax: 84 3201-8180e-mail: uapne@interjato.com.br

    Projeto Conservao e Uso Sustentvel da Caatinga MMA/PNUD/BRA/GEF/02/G31Pa. Ministro Joo Gonalves de Souza s/n Ed. SUDENE 12 andar50670-900 Recife/RNFone/Fax: 81 3453-1464

    Rede de Manejo Florestal da CaatingaAssociao Plantas do Nordeste APNERua Dr. Nina Rodrigues, 265 - Iputinga50731-280 Recife/PEFones: 81 3271-4256/3271-4451www.plantasdonordeste.org/manejoe-mail: suporte@plantasdonordeste.org