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História do Paraná Conhecendo sua História O registro de nascimento e a certidão de identidade são documentos que servem para identificar as pessoas e que todos os brasileiros devem possuir. Eles nos trazem informações importantes sobre as pessoas. Para que você conheça melhor esses documentos, pegue seu registro de nascimento , faça de conta que a carteira de identidade abaixo é sua e copie os dados necessários para o seu preenchimento. O Tempo pode ser medido A vida de um município, de um país ou estado pode ser representada em uma linha de tempo, Para isso precisamos aprender alguns termos referentes a contagem de tempo, tais como: Década = 10 anos Quartel = 25 anos Cinqüentenário = 50 anos Século = 100 anos Milênio = 1000 anos A cronologia, ciência da contagem do tempo, é uma das invenções do homem, que sentia necessidade de controlar o tempo, Com isso criou variados calendários, como o chinês, o judeu ou outros. O calendário que usamos é chamado Cristão, porque os anos são contados a partir do nascimento de Cristo. Assim, se uma pessoa nasceu em 1980, dizemos que ela nasceu 1980 anos depois do nascimento de Cristo. Crie sua linha de tempo, Todo mundo tem uma história, você mesmo, os animais, as cidades, os países, etc... A história do Paraná faz parte da história do Brasil. Nosso país, tomado oficialmente pelos portugueses em 1500, foi colônia de Portugal até 1822, quando foi proclamado a Independência. O Brasil adotou o regime monárquico que se estendeu até 1889, ano da proclamação da república.

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História do Paraná

Conhecendo sua História

O registro de nascimento e a certidão de identidade são documentos que servem para identificar as pessoas e que todos os brasileiros devem possuir.

Eles nos trazem informações importantes sobre as pessoas. Para que você conheça melhor esses documentos, pegue seu registro de nascimento , faça de conta que a carteira de identidade abaixo é sua e copie os dados necessários para o seu preenchimento.

O Tempo pode ser medido

A vida de um município, de um país ou estado pode ser representada em uma linha de tempo, Para isso precisamos aprender alguns termos referentes a contagem de tempo, tais como:

Década = 10 anos

Quartel = 25 anos

Cinqüentenário = 50 anos

Século = 100 anos

Milênio = 1000 anos

A cronologia, ciência da contagem do tempo, é uma das invenções do homem, que sentia necessidade de controlar o tempo,

Com isso criou variados calendários, como o chinês, o judeu ou outros.

O calendário que usamos é chamado Cristão, porque os anos são contados a partir do nascimento de Cristo.

Assim, se uma pessoa nasceu em 1980, dizemos que ela nasceu 1980 anos depois do nascimento de Cristo.

Crie sua linha de tempo,

Todo mundo tem uma história, você mesmo, os animais, as cidades, os países, etc...

A história do Paraná faz parte da história do Brasil. Nosso país, tomado oficialmente pelos portugueses em 1500, foi colônia de Portugal até 1822, quando foi proclamado a Independência. O Brasil adotou o regime monárquico que se estendeu até 1889, ano da proclamação da república.

A chegada dos europeus

O descobrimento do Brasil foi conseqüência das viagens marítimas de portugueses e espanhóis, que percorreram os oceanos antes desconhecidos.

Essas viagens eram conhecidas como as Grandes Navegações e resultaram na descoberta de novas terras.

Alguns anos antes de o Brasil ser descoberto, o rei de Portugal e o rei da Espanha uniram-se para dividir entre os dois países as terras que ainda não eram conhecidas pelos europeus. Eles fizerem um acordo, chamado de TRATADO DE TORDESILHAS.

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Segundo esse tratado, uma linha imaginária serviria de limite as possessões dos dois países. As terras situadas a oeste de Tordesilhas pertenceriam a Espanha e as situadas a leste, a Portugal.

Se condicionarmos ao atual território brasileiro, o meridiano de Tordesilha atravessaria as atuais cidades de Belém (PA) e Laguna (SC).

Observe que a grande maioria das terras paranaense originalmente eram espanholas. Por isso, logo após o descobrimento do Brasil, os espanhóis, com medo de perderem essas terras para os portugueses começaram a ocupar nosso interior.

Portugal toma posse do Brasil

Em 1500, o rei de Portugal, D. Manuel, reuniu uma esquadra com o duplo objetivo de organizar um entreposto comercial nas índias e tomar posse das terras ocidentais pelo tratado de tordesilhas. Seu comandante era Pedro Álvares Cabral. Em 22 de abril de 1500, a esquadra de Cabral chega ao nosso litoral e oficializou a posse portuguesa das novas terras. A partir desse momento, o Brasil passou a ser colônia de Portugal.

Os primeiros donos da terra

No século XVI, quando chegaram ao Paraná, os índios europeus encontraram várias nações indígenas. Cada uma dessas nações eram divididas em tribos. A nação Tupi predominava no litoral, e suas principais tribos em nosso Estado eram os Tinguis, os Carijós, os Caiuás, os Guarapuabas e os Iratens. As tribos da nação Jê ocupavam a região do planalto. As principais eram os Caingangues ou Coroados e os Botocudos.

Os índios viviam da caça, da pesca e da coleta de alimentos. Algumas tribos praticavam uma agricultura simples, plantando principalmente o milho, mandioca, abóbora e batata doce. O trabalho agrícola era normalmente feito pelas mulheres. Algumas tribos desenvolviam um bonito trabalho de cerâmica e cestaria.

Há mais de 7 mil anos, os índios desbravaram as terras que formam hoje nosso Estado, abrindo um sistema de caminhos denominados Peabiru, que cortava o Paraná em várias direções.

Dos indígenas também herdamos nomes de rios e cidades que até hoje conservamos como: Rio Iguaçu, Paranaguá, Umuarama, Goio Erê.

Nos séculos XVII, os europeus foram gradativamente ocupando as terras indígenas. Esse contato levou à destruição dos nativos ou à perda de sua identidade cultural, já que eles eram obrigados a abandonar muito de seus costumes para assimilar os hábitos dos brancos.

A ocupação das terras paranaenses

De acordo com o tratado de tordesilhas, a maior parte do Paraná cabia à Espanha.

Enquanto os portugueses iniciaram a ocupação pelo litoral, os espanhóis vieram pelo interior, através do vale do rio Paraná e dos caminhos do Peabiru. Os portugueses ocuparam o território de forma lenta, porém contínua e sempre em expansão, ao contrário dos espanhóis que a partir de 1640, foram se deslocando em direção ao Paraguai, pressionados pelas expedições portuguesas.

A ocupação portuguesa.

Logo após tomar posse do Brasil, o governos português enviou à colônia algumas expedições para reconhecer e defender o novo território.

A primeira dessas expedições navegou pelo litoral brasileiro em 1501 identificando os acidentes geográficos e dando nome a eles. Há indícios de que os primeiros europeus a chegarem em nosso Estado

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fossem náufragos e deportados das expedições realizadas entre 1501 e 1519, cujo comandante era Gaspar Lemos.

Em 1530, D. João III, rei de Portugal enviou ao Brasil a expedição de Martin Afonso de Souza, entre outras coisas para dar início a colonização, esta percorreu o litoral brasileiro.

A primeira expedição portuguesa ao interior do Paraná foi a de Francisco Chaves e Pero Lobo, enviados por Martin Afonso de Souza em busca de ouro e prata. Foi destroçada por indígenas na década de 1530 e jamais retornou.

As Capitanias Hereditárias

Em 1534, o rei de Portugal introduziu o sistema de capitanias hereditárias, com a finalidade de facilitar a administração do Brasil. A colônia foi dividida em 15 lotes, doados a 12 donatários, que, apesar de terem poder total sobre elas, não eram seus proprietários.

As terras paranaenses estavam distribuídas em duas capitanias.

Uma foi doada a Martin Afonso de Souza, São Vicente, região compreendida entre a Barra da Baia de Paranaguá e Bertioga (SP)

A outra foi doada a Pero Lopes de Souza, chamada Sant’Ana, que descia da barra de Paranaguá até onde fosse legitima, pelo limite do tratado de Tordesilha, a ocupação portuguesa.

Deste modo, a capitania de São Vicente correspondia em nosso Estado, ao município de Guarapuava, Antonina, Paranaguá, e parte de Morretes. A capitânia de Sant’Ana correspondia aos municípios de Matinhos, Guaratuba e parte de Morrestes.

Por vários motivos as capitanias fracassaram e Portugal introduziu o Governo Geral. Os governadores gerais deveriam promover a pacificação dos índios, favorecer o povoamento e desenvolver economicamente a colônia.

Costa do Pau Brasil – Costa do Ouro e Prata

Descoberto o Brasil, realizadas as primeiras expedições e fundados os primeiros núcleo de povoamento, em São Vicente, em Pernambuco e na Bahia, viviam os portugueses, contudo, frustradas as suas expectativas de fácil localização de metais e pedras preciosas.

Encontram no estrato, os paus ricos em tintas que passaram a derrubar e a enviar para a metrópole. Aos portugueses logo vieram juntar-se, na exploração da madeira do litoral brasileiro, outros europeus, principalmente franceses. Desta maneira antes de tornar-se uma economia do açúcar, a economia brasileira foi uma economia da madeira.

O início da colonização efetiva, por Martin Afonso de Souza, fizera surgir também, em São Vicente, o primeiro engenhos de açúcar, e o Brasil que fora apenas madeira, torna-se o complexo escra-açúcar.

Tanto pelas madeiras, como pelo açúcar e pelo tráfico de escravos, a presença de colonizadores efetiva-se apenas ao longo da costa.

Contudo, desde o descobrimento do rio do Prata, o litoral de São Vicente para o sul, "a costa do ouro e prata", era visitada principalmente por espanhóis, atraídos pelas notícias de riquezas no Prata e no Ocidente (espanhóis de Buenos Aires)

No final do século XVI, os vicentinos percorriam o litoral da capitania à procura de índios. Da mesma maneira o planalto curitibano seria também percorrido pelos sertanistas que escravizavam indígenas e procuravam metais.

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O próprio Gabriel de Lara teria participado de movimentos que objetivavam escravizar índios carijós, na região do Taquarí, antes de sua fixação em Paranaguá.

A escravização de indígenas e a constante procura de metais teriam por conseqüência, ainda na primeira metade do século XVII, a ocupação portuguesa de terras do litoral e do primeiro planalto paranaense.

Procura de índios e minas

O índio foi, no sul do Brasil, o braço de trabalho sobre o qual foi possível a colonização e o estabelecimento das instituições de fundo português.

O índio, e mais tarde o negro, tanto no período da escravidão, como no período do aldeiamento, era a mão-de-obra que sustentava todas as estruturas superiores da sociedade colonial.

- nos trabalhos domésticos;

- nas derrubadas e lavouras;

- nas jornadas de minas e na condução de cargas;

- contra índios que deveriam ser caçados;

- nos serviços públicos de estradas;

- nos transportes de munição;

- na condução de mercadorias

- na construção de fortalezas.

Já no final do século XVI, em 1586, os moradores de São Vicente, Santos, São Paulo, pediam ao capitão-mor a organização de bandeiras para caçar índios carijós dos territórios hoje paranaenses e catarinenses.

Nas últimas décadas do século XVII, já estavam extintos as tribos de índios livres dos sertões ao alcance dos paulistas. Restavam apenas, para sustentar as populações do sul, os índios aldeados sob a direção dos jesuítas, dos carmelita, dos franciscanos e dos clérigos seculares. Esses índios eram cedidos aos paulistas para execução de todos os trabalhos da comunidade mediante um salário que a lei estipulava. Os próprio s índios aldeados, submetidos a uma escravidão disfarçada encaminhavam-se para a extinção. Alguns dos aldeados visitados pelo Ouvidor Pardinho, nos princípios do século XVIII, obrigavam apenas velhos imprestáveis para os serviços que deles se exigia.

Não se pode afirmar quando se deu a substituição do escravo índio pelo escravo negro no sul do Brasil, mas pode-se perceber a ocorrência de um período intermediário, durante o qual a falta de escravos acarretou transformações drásticas.

É no início dessa situação, quando chegava ao final do processo da extinção dos carijós dos sertões paranaenses e catarinenses, que os paulistas iniciaram dois grandes movimentos a procura de mais índios no oeste do atual Paraná, na região de Guaíra, e a procura de ouro no leste do Paraná, na região de Curitiba e Paranaguá.

A ocupação Espanhola

Durante os anos de 1541 e 1542, os espanhóis fizeram a primeira travessia de leste para oeste, chegando até o rio Paraná. Para a época, foi um empreendimento audacioso, no qual o capitão espanhol D. Álvaro Nuñez de Vaca, nomeado governador do Paraguai, dirigiu-se a Assunção por via terrestre. Foi uma

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viagem de 10 meses de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, atravessando todo o território do Paraná, até Assunção, no Paraguai. Durante essa viagem foram descobertas as cataratas do Iguaçu.

Em 1554, Diego de Vergara fundou a povoação de Ontivieris, que se situava próximo de onde é hoje a cidade de Faz do Iguaçu. Mais tarde esse povoação foi transferida por Ruy Dias Melgarejo para foz do rio Piquiri, com o nome de cidade Real de Guariá, posteriormente transformada em redução Jesuíta. Atualmente corresponde ao município de Guaíra.

Em 1576, o mesmo Ruy Melgarejo fundou, na confluência do rio Corumbataí com o Ivaí, Vila Rica do Espírito Santo de Fênix. Com o estabelecimento dessas povoações, os caminhos do Peabiru. Estes poderiam cair em mãos dos portugueses, por causa das expedições em busca de índios e metais preciosos empreendidas em território espanhol.

Além das razões de necessidade da posse efetiva da terra e do impedimento da passagem para os metais preciosos, a ocupação espanhola do Guairá, foi sem dúvida, motivada ainda, pela presença de milhares de índios, que procuraram desde logo explorar. Fora já adotado, em outras regiões de colonização, e assim espanhola, o sistema de "encomiendas", e assim os moradores da cidade Real e de Vila Rica, procuraram também reduzi-los a servidão.

Aos "encomiendados" cabia lavrar a terra caçar e pescar para os seus senhores, além de prestar serviços na construção de habitações e outros. Era porém, na coleta da erva-mate, nos grande s ervais nativos da região, que a mão-de-obra indígena constituía a grande e única força de trabalho existente. Os índios, contudo reagiram.

As Reduções Jesuítas

Com o objetivo de conter as revoltas indígenas, o governo espanhol confiou aos padres da Companhia de Jesus a tarefa de pacificação dos índios. Para tanto, os jesuítas transformaram as aldeias indígenas em reduções.

Os padres José Lataldino, Simão Maceta, Lorenzana e Francisco de São Martinho, foram os primeiros a entrar na região, com o novo objetivo, iniciando a obra catequética. As reduções de nossa Senhora de Loreto e de Santo Inácio foram as primeiras estabelecidas no médio Paranapanema, em 1610, Via de regra, procurou-se a proximidade dos rios Paranapanema, Tibagi, Ivaí, Piquiri e Corumbataí para os grandes aldeiamentos.

Foram estabelecidos pelos jesuítas, no Guairá, os seguintes núcleos.

Os índios aldeados nas reduções, eram na sua maioria guaranis, porém, havia outros, entre os quais os tupis e carijós.

As reduções foram organizadas na base de vida comunitária. Suas atividades econômicas foram principalmente á coleta de erva-mate que os padres exportavam, divulgando o uso da erva do Paraguai entre os espanhóis do Prata. Tinham plantações de mandioca, milho e outras, praticavam lavouras coletivas. As terras eram todas de uso comunitário. A criação de gado era realizada em regime de compascuo.

Os homens dedicavam-se principalmente às atividades do setor primário (agricultura e pecuária) enquanto as mulheres eram orientadas para as artes. O artesanato das reduções, com a produção de tecidos de algodão e de lã, alcançou qualidade. Foram os índios carpinteiros, tecelões, ferreiros, estatuários, fundidores.

O aldeamento produzia o necessário para a sua subsistência, exportando os excedentes da sua produção agrícola e pecuária, além da erva-mate. Os seus produtos concorriam como de maior importância dos artigos de exportação.

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As aldeias eram também objeto de planejamento urbano e arquitetônico. Eram divididas em quadras e davam nas praças situadas no centro da povoação. A igreja, os depósitos e o cemitério, geralmente em um único lado, enquanto nos demais estavam os edifícios com as habitações para as famílias indígenas. As casas, em forma simétrica eram feitas de taipa, com tetos de duas águas.

Os indígenas levantavam-se cedo para o trabalho, para o qual seguiam depois do mate. Os empregados na lavoura reuniam-se diante da igreja e seguiam juntos para o campo. Os operários das manufaturas dirigiam-se para as respectivas oficinas. As mulheres para os teares. As crianças para a escola.

A educação era também comunitária, ministrada pelos padres que enfatizavam sua influência sobre a infância e a juventude.

Mas não demorou muito e começou o declínio das reduções. Tanto os espanhóis quanto os portugueses contribuíram para que isso acontecesse.

Os espanhóis, por que não conseguiam evitar as fugas dos índios escravizados pelo branco para as reduções. Onde ficavam livres. Os portugueses por que temiam que os padres jesuítas espanhóis pudessem ampliar os limites da divisa das terras espanholas, invadindo terreno português.

O contato entre brancos e índios modificou alguns hábitos de ambos as culturas. O branco aprendeu a língua dos índios, adquiriu o hábito de dormir em redes ou no chão, de tomar banho todos os dias, etc. O índio, por sua vez, aprendeu, entre as coisas, a ler e escrever, a língua dos brancos e a ter fé na religião cristã.

Os Bandeirantes destoem às reduções

Foi por volta de 1629, que os portugueses e os bandeirantes paulistas resolveram acabar com as reduções, provocando verdadeiras guerras.

Os portugueses queriam conquistar a região ocupada pelas reduções, pois assim poderiam expandir seus limites, tornando-se os legítimos donos das novas terras.

As primeiras entradas que chegaram ao Paraná, vindas de São Paulo, foram as de Jerônimo Leitão, Jorge Correa, Manuel Soeiro e João Pereira de Souza. Datam de 1585 e tinham como finalidade o aprisionamento de indígenas. A partir de 1607 várias entradas penetrando no interior do Paraná a maioria delas acompanhavam o curso do rio Ribeiro, indo em direção ao centro do Estado, onde hoje se situa, as cidades de Ponta Grossa, Castro, Tibagi, Reserva e Cândido de Abreu.

Iniciaram assim as bandeiras e expedições particulares que procuravam capturar os índios e vendê-los como escravos às outras capitanias, para trabalharem principalmente na colheita da cana; procuravam também mais terras e ainda queriam impedir que os espanhóis avançassem em direção ao atlântico.

Após os ataques bandeirantes e a destruição das reduções, bem como do abandono das povoações espanholas, focou o Ocidente do Paraná em completo esquecimento, por mais de um século, pois que, sem o ouro e sem os índios, não mais atraia a atenção.

Organizações da comunidade tradicional

O Paraná assim como outras localidade brasileiras, teve ciclos ou períodos na sua história em que uma atividade econômica se destacava mais do que as outras.

Cada uma destas atividades criou empregos, produziu riquezas e contribuiu para o desenvolvimento do nosso Estado.

O ciclo da economia paranaense

O Ciclo do ouro ou da mineração

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Como já foi visto, o povoamento do Paraná começou pelo litoral. Isso aconteceu porque era muito mais fácil chegar por mar as terras que, no futuro, formariam, o estado do Paraná. Além disso, a partir do século XVII foram descobertas várias minas de ouro e pedras preciosas no litoral.

A descoberta do ouro e das pedras preciosas atraiu muitas pessoas que estavam atrás de riqueza fácil e que acabaram por povoar o litoral e o primeiro planalto, fundando cidades como: Paranaguá, Curitiba, Morretes e Antonina.

A busca de ouro e pedras preciosas também levou à descoberta de novos caminhos entre o litoral e Curitiba. Esses caminhos eram usados para enviar ouro e pedras preciosas para o governo português.

A carência de gêneros, numa população que se formou subitamente, e que se dedicava exclusivamente à cara do ouro, criou tremendos problemas de abastecimento, que raiaram pelo drama da fome. A organização desse abastecimento foi o grande problema enfrentado pelo governo colonial na primeira parte do século XVIII.

O ciclo da pecuária ou tropeirismo

Com o declínio do ciclo do ouro. E aproveitando as ótimas pastagens, o gado que a princípio era criado solto e só para cobrir as necessidades alimentícias dos povoados, começou a ser criado em fazendas e a ser comercializado, transformando-se na principal atividade econômica.

E com isso se inaugurou uma nova fase de atividades econômicas dos habitantes do Paraná e do sul de São Paulo: o tropeirismo. Consistia o negócio em ir comprar as mulas no Rio Grande, no Uruguai, na Argentina, conduzi-las em tropas, numa caminhada de três meses pela estrada de Viamão, inverná-las por alguns meses nos campos do Paraná, e vendê-las na grande feira anual de Sorocaba, onde vinham comprá-las paulistas, mineiros e fluminenses.

O ciclo das tropas começa em 1731 e se esgota na década de 1870, usando as construções das estradas de ferro do café, em São Paulo, desvalorizam o muar como meio de transporte.

O comércio do gado fez com que aparecessem os "caminhos de gado", sendo o mais importante deles a Estada da Mata, que ia de Rio Grande do Sul até a cidade de Sorocaba, no estado de São Paulo.

O ciclo do gado transformou bastante o nosso Estado, modificando não apenas a economia, mas também o modo de vida das pessoas, que passaram a ser mais ligadas ao campo do que aos povoados, as vilas e cidades.

A condução do gado de um lugar para o outro fez também com que surgisse os pousos, locais onde os tropeiros paravam para descansar e se abastecer.

Nesse período surgiram cidades como: Castro, Ponta Gross, Lapa, Palmeira, Jaguaraíva.

Começou nesse ciclo também a agricultura, para alimentar o gado, eles produziam o milho, depois introduziu-se as plantações de feijão e trigo.

O tropeiro desempenhava por conta própria o trabalho de correio, numa época em que o mesmo era praticamente inexistente no interior. O tropeiro era o homem que trazia as notícias dos últimos acontecimentos aos vilarejos por onde passava, era também o portador de bilhetes, recados e o instrumento diário de muitos negócios.

O Paraná e a Independência do Brasil

Nesta época as terras do Paraná faziam parte da capitania de São Paulo, a qual devido a sua extensão, foi dividida em duas comarcas. A comarca do sul teve sede em Paranaguá até 1812, quando esta foi transferida para Curitiba.

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Em 1811, desejando um governo próprio o governo de Paranaguá enviou uma representação a D. João. O líder desse movimento emancipacionista foi Pedro Joaquim Correia de Sá. Foram feitas várias tentativas junto à Corte, no Rio de Janeiro, mas o movimento fracassou.

Em 1821, houve uma nova tentativa de obter a emancipação da comarca, que então se chamava comarca de Curitiba e Paranaguá. Os defensores da emancipação iniciaram um movimento que ficou conhecido como Conjura Separatista. Mais uma vez, o movimento não trouxe resultado positivo, embora o ideal da emancipação não tivesse desaparecido. Nessa luta destacaram-se o tropeiro Francisco de Paula e Silva Gomes e o Coronel Manuel Francisco Correia Júnior.

Como você pode observar, o sete de setembro não alterou a situação política do Paraná.

A emancipação política do Paraná

No período regêncial, duas rebeliões que ocorreram no sul do Brasil tiveram influências na história do Paraná. Uma delas foi a Revolução Farroupilha, que se estendeu de 1835 a 1845, no Rio Grande do Sul. Esse movimento inicialmente defendia a autonomia das províncias que constituíam a Monarquia. Depois adquiriu um caráter separatista, ou seja, propunha a separação do território gaúcho do resto do Brasil.

O segundo movimento rebelde estourou em São Paulo em 1842. Era a Revolução Liberal, que pretendia a volta do Partido Liberal ao poder central.

O governo temia que os paranaenses, apoiando os revolucionários gaúchos, que já atingiam Santa Catarina, ocasionassem a união dos dois movimentos e, consequentemente, a soma das duas forças. Foi prometido a emancipação da comarca de Curitiba e Paranaguá, em troca de sua neutralidade. A proposta foi aceita.

Finalmente em 29 de agosto de 1853, foi criada a província do Paraná e instalada pelo seu primeiro presidente, Zacarias de Goes Vasconcelos, em 19 de dezembro de mesmo ano. Curitiba tornou-se definitivamente a capital do Paraná em 26 de julho de 1854, então se fazia necessário organizá-la. Curitiba era ma pequena cidade, quase uma simples vila, sem quaisquer serviços públicos, nem edifícios próprios para a administração provincial. Com a chegada do presidente da província e do pessoal administrativo, outras construções começaram a aparecer como a Câmara Municipal, o Tesouro, o quartel da força militar, a cadeia.

Embora sede de comarca desde 1812 e a cidade desde 1842, em 1854 era ainda preciso fazer de Curitiba uma cidade de fato, capaz de polarizar a nova província.

Por outros lados a instrução, pública ou particular, era a mais desfavorável em toda a província. Apenas 615 paranaenses em 1854 freqüentavam em escolas públicas cursos de primeiras letras, e a grande maioria no litoral, sobretudo em Paranaguá. Em Curitiba apenas funcionavam cadeiras consideradas de ensino secundário, de Latin e de Francês, com 11 alunos no total. A população da província era entretanto de 62 mil habitantes. Medidas deveriam ser tomadas, não apenas para instalação de novos cursos, mas também para o melhor aproveitamento dos já existentes.

As estradas da províncias encontravam-se intransitáveis e dificultavam a colonização da província e o transporte de produtos agrícolas. Sentindo a urgência de ligar Curitiba ao litoral, o presidente decidiu fazer vários estudos para a construção de estrada. Tomou inclusive a decisão de construir a Estrada da Graciosa, ao lado do já existente Caminho da Graciosa, para ligar Curitiba ao porto de Antonina.

A evolução da Província

Entre a instalação da província do Paraná e a proclamação da República (1889), vários presidentes se sucederam no governo do Paraná. Dentre eles podemos destacar:

o  

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o Francisco Liberato de Matos (1857 – 59), que incentivou a imigração européia e criou uma linha de navegação entre Antonina e Paranaguá.

o  o André de Pádua Fleury (1864-66), que forneceu água potável à população de Curitiba e

fez estudos para uma ligação fluvial entre o Paraná e a província de Mato Grosso.o  o João José Pedrosa (1880-81), que ordenou a construção do Teatro São Teodoro, depois

chamado de Teatro Guaira, e incentivou a cultura de trigo, café e algodão.

A Desagregação da Sociedade Tradicional

A conjuntura da época trazia um rápido processo de empobrecimento para os fazendeiros. Sua riqueza era cada vez mais nominal.

A fazenda, com as estruturas que sobre ela se criaram, não cumpria mais a função de integrar uma comunidade no conjunto nacional, e logo depois, nem a de manter as grandes famílias empobrecidas dentro do contexto social da província e do Estado.

A baixa renda da propriedade, o aumento dos núcleos familiares da sociedade fazendeira, ao mesmo tempo em que chegava ao capítulo final da ocupação das terras de campo com uma resultante de todas esses situações, dissociou-se a família da propriedade. Os membros novos da grande família se viam forçados a procurar outras fontes de renda, ao menos suplementar, diferente da renda da terra.

O ciclo da erva-mate

Com o tempo, a pecuária foi perdendo o lugar de primeira atividade econômica do Estado, sendo substituída pela produção de erva-mate.

A erva-mate é uma planta nativa do Paraná. Conhecida e usada pelos índios era e, é até hoje, muito apreciada. Chegou a ser o principal negócio da Província do Paraná através da sua exportação para a Argentina e Uruguai, o que proporcionou altos lucros para nosso estado.

Além disso, a comercialização da erva-mate fez com que surgissem novos caminhos como a estrada da Graciosa (1871) e a estrada de ferro Curitiba – Paranaguá (1885). O porto de Paranaguá ganhou novo impulso com a exportação da erva-mate.

Ciclo da madeira

Esse ciclo aconteceu ao mesmo tempo que o da erva-mate. Teve inicio no litoral, com a exploração do cedro, da peroba e da canela-preta.

Com a construção da estrada da Graciosa e a estrada de ferro Curitiba – Paranaguá, o pinho do Paraná passou a ser exportado para todo o Brasil e até para o exterior.

O ciclo da madeira trouxe grande desenvolvimento ao nosso Estado através do aumento do número de estradas, desenvolvimento dos rios Paraná e Iguaçu e do aparecimento de novos cidades como Palmas, Campo Mourão.

Por outro lado a extração da madeira de forma desordenada também provocou um grande desmamamento, que modificou o nosso paisagem e alterou o equilíbrio ecológico da região.

O Ciclo do Café

Durante muito tempo, o café foi a atividade econômica mais importante não só para o Paraná como também para o Brasil.

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A plantação do café no Paraná teve início em 1920, mas só em 1960 é que nosso Estado liderou a produção de café no país.

Desde o início o café do a riqueza do Brasil. Porém, só com a descoberta da Terra-Roxa, no norte do Paraná, é que a lavoura cafeeira ganhou um grande impulso, principalmente com a vida de agricultura paulista e mineiros.

Essa ocupação ocorreu em três fases. A primeira delas durou de 1860 a 1920, foi ocupado o chamado "norte velho" compreendendo a divisa do nordeste com o Estado de São Paulo indo até a cidade de Cornélio Procópio.

Cidades como Jacarezinho, Tomazina, Santo Antônio da Platina foram fundados nesta época.

A Segunda fase, conhecida como "norte velho" (1920 – 1950) fez a ocupação de Cornélio Procópio até o rio Ivaí. Nesse período foram fundado as cidades de londrina, Cambé, Rolândia, Maringá, Apucarana.

Na última fase, denominada "norte novíssimo" (1950 – 1960) foi povoada a região entre os rios Piquerí e Ivaí, com fundação de cidades como Umuarama, Xambre, rondo, Cruzeiro do Oeste.

Com o café surgiram novas indústrias, houve um aumento da imigração, com estrangeiros de várias nacionalidades vindo trabalhar na lavoura além de terem surgido novas estradas, para auxiliar, a transporte da produção.

A Proclamação da república

O Brasil foi governado pelo Imperador D. Pedro II, de 1840 a 1889. D. Pedro II representava a monarquia, sistema de governo em que o poder do rei ou imperador passa de pai para filho, por tempo indeterminado,

Seu governo foi muito importante para nossa história, pois foi uma época de muitas realizações. Conheça algumas:

o  o Criação de várias escolas primárias e obrigatoriedade do ensino primário para toda a

população;o  o Desenvolvimento da cultura do café;o  o Grande atividade comercial entre o Brasil e outros países;o  o Instalação das primeiras usinas de eletricidade;o  o Surgimento das primeiras estradas de ferro;

O Movimento republicano

Em 1870, com a fundação do partido republicano, começou no Brasil um movimento para que o país deixasse de ser uma monarquia e se transformasse numa república. Nas repúblicas, é o povo que escolhe seus governantes, que ficam no poder por um tempo determinado. Essa posição era defendida por homens como Deodoro da Fonseca, Benjamim Constant, Rui Barbosa, Quintino Bocaiúva, Silva Jardim entre outros.

Cada vez mais o movimento republicano foi crescendo. A abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888, prejudicou os velhos fazendeiros, que deixaram de Ter mão de obra escrava e, por isso, começaram também a apoiar o partido republicano.

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O Paraná e a república

Em 15 de novembro de 1889, os militares proclamaram a república no Brasil. Apoiados pela classe média urbana, por cafeicultores e intelectuais, os militares organizaram um governo provisório, presidido pelo Marechal Deodoro da Fonseca. Em 24 de fevereiro de 1891, foi promulgada a primeira constituição republicana brasileira, que estabelecia a república como forma de governo, o presidencialismo e o federalismo (as províncias foram transformadas em estados, que tinham autonomia política, econômica e administrativa).

No passado republicano somente ganharam força em 1888, quando o líder político local, Vicente Machado, aderiu à campanha republicana que agitava o país.

A primeira constituição paranaense foi aprovada em 1891, no governo de Generoso Marques dos Santos.

Anexo

Constituições Brasileiras

a.a.  b. 1824 – Impérioc. 1824 – Com a Assembléia fechada, a pressão de alguns deputados e expulsão de

outros, D. Pedro I nomeou um grupo de 10 pessoas para fazer uma constituição que lhe agradasse. A 25 de março de 1824 ele outorgou – isto é, impôs - ao Brasil a sua primeira constituição.

Essa constituição dava plenos poderes ao imperador. Estabelecia 4 poderes: Os três primeiros: Executivo, legislativo e judiciário, o quarto poder – o poder moderador – foi feito especialmente para o imperador, e lhe permitia nomear o ministério, dissolver a Assembléia, nomear os presidentes das províncias, etc. Os senadores eram vitalícios. Só poderiam votar quem ganhasse no mínimo 100.000 reis por ano, tivesse mais de 25 anos da idades e fosse do sexo masculino. Só poderia ser candidato a deputado quem ganhasse no mínimo 400.000 reis por ano, tivesse mais de 25 anuais. Em resumo, a constituição de 1824 estabelecia um governo de poucos, que representava apenas os mais ricos do sociedade.

Durante 67 anos manteve o catolicismo como religião oficial.

Inspirada no liberalismo do início do século XIX.

d. 1891 – Primeira constituição republicana

Promulgada em 24 de fevereiro de 1891, e foi elaborada por um congresso constituinte (representantes escolhidos pelo povo)

Esta constituição estabeleceu três poderes.

o  o Executivo – exercido pelo presidente da república;o  o Legislativo – exercido pelo congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado);o  o Judiciário – exercido pelo Supremo Tribunal Federal

Estabeleceu entre os direitos do cidadão:

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o  o Igualdade de todos perante a lei;o  o Liberdade religiosa;o  o A inviolabilidade do lar e o sigilo da correspondência;o  o O livre exercício de qualquer profissão;o  o A liberdade de associação e de manifestação de pensamento;o  o O ensino leigo (não religioso) nas escolas públicas.

Para votar e ser votado, o cidadão já não precisava Ter renda mínima anual. Bastaria ser maior de 21 anos e do sexo masculino, desde que não fosse mendigo ou analfabeto.

Inspirada no modelo norte americano.

a.a.  b. 1934 – 1937 – Segunda constituição republicanac. Promulgada em 16 de julho de 1934 por uma Assembléia Nacional Constituinte eleita

pelos brasileiros alfabetizados maiores de 18 anos (inclusive as mulheres) . Foi uma constituição bem mais preocupada com os problemas sociais: educação, trabalho, etc. Previa eleições diretas para presidente, com exceção do atual Getúlio Vargas que foi eleito pela constituinte para exercer o mandato até 3 de maio de 1939.

Na constituinte que elaborou a constituição de 1934 eram numerosos os representantes da classe média e dos trabalhadores brasileiros. Por isso mesmo fizeram uma constituição mais voltada para os interesses do povo. Pela primeira vez colocou-se um capítulo sobre a educação e a cultura, instituindo, entre outras coisas, o ensino secundário e o superior também deveriam ser gratuitos para todos, o que nunca acontece. Outro aspecto importante desta constituição foi a defesa dos trabalhadores.

Inspirada na constituição espanhola.

d. 1937 – 1945 – Terceira constituição republicana (imposta)

Com o apoio das Forças Armadas no dia 10 de novembro de 1937 Getulio Vargas instalou o Estado Novo, assim permanecendo no poder. Estabeleceu a ditadura Vargas.

AZ nova constituição estava pronta e foi "dada" ao país no mesmo dia e concedia ao ditador grandes poderes. Entre os quais:

o  o Poder fechar o Congresso Nacionalo  o Poder acabar com os partidos políticos o  o Poder acabar com a liberdade de impressa, por meio da censura prévia;o  o Poder nomear os interventores nos estadoso  o Poder governar até que fosse realizada uma consulta popular – um plebiscito – para

ver se os brasileiros aprovavam ou não o Estado Novo (isso nunca aconteceu)

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Foi inspirada na constituição polonesa

a.a.  b. 1946 – Quarta constituição republicana

Promulgada em 18 de setembro de 1946, representa um avanço democrático em relação a anterior. Restabeleceu eleições diretas para a escolha dos governadores em todos os níveis: presidente, governadores e prefeitos. Foram mantidas as eleições para senadores, deputados federais, estaduais e vereadores.

Voltou a consagrar as liberdades já expressas na Constituição de 1937 que haviam sido suspendidas em 1937.

o  o igualdade de todos perante a lei;o  o Liberdade de manifestação de pensamento, sem censura, a não ser em espetáculos e

diversões publicas;o  o Inviolabilidade do sigilo de correspondência;o  o Liberdade de consciência, de crença e de exercício dos cultos religiosos;o  o Liberdade de associação para fins lícitos;o  o Inviolabilidade da casa como asilo do indivíduo;o  o Prisão só em flagrante delito ou por ordem escrita da autoridade competente;o  o Garantia ampla da defesa do acusado

Sofreu mais de 20 emendas e cerca de 40 atos complementares.

a.a.  b. 1967 – Quinta do período republicanoc. Promulgada em 24 de janeiro de 1967. Dava grandes poderes ao presidente da

repúblicad. 1969 – Nova versão da constituição de 1967.

Promulgada em 17 de outubro de 1969, essa nova versão permitia apenas ao presidente da república propor leis sobre:

o  o Matéria financeira o  o Criação de cargos, funções ou empregos políticoso  o Fixação ou modificação dos efetivos das Forças Armadaso  o Organização administrativa ou judiciária, matéria tributária e orçamentária;o  o Serviços públicos e a administração do Distrito Federal;o  

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o Servidores públicos da união;o  o Concessão de anistia relativa a crimes políticos.

Estabeleceu-se que o AI-5 continuaria em vigor, assim como os demais atos posteriores baixados.

Em abril de 1977 o Presidente Gaisel introduziu novas emendas a constituição reformando o poder Judiciário, refazendo a organização eleitoral. E veio através da emenda a lei do divórcio.

a.a.  b. 1988 – Constituição atual

A Assembléia constituinte eleita pelo povo em 15 de novembro de 1986 começou seus trabalhos em 1º de fevereiro de 1887;

Foi promulgada em 5 de outubro de 1988. Apresentou numerosas vantagens aos trabalhadores. Entre as quais:

o  o Salário;o  o Direito de greveo  o Jornada de trabalho;o  o Aposentadoria;o  o Licença a maternidade

Outras mudanças consideradas importantes:

o  o voto facultativo entre 16 e 18 anos;o  o Estabelecimento de segundo turno nas eleições para presidente, governadores,

prefeitos (mais 200.000 habitantes);o  o Restrições dos impostos em favor dos Estados e Municípios;o  o A garantia por parte do Estado de benefícios e proteção às empresas brasileiras.o  o Limite de 12% ao ano para as taxas de juros;o  o Proibição da comercialização de sangue e seus derivados; o  o Fim da censura a rádio, televisão e cinema.o  o Proteção ao meio ambienteo  o Mandato de 5 anos para presidente da república.

A República Brasileira

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A Revolução Federativa

Em 1892, quando Floriano Peixoto governava o Brasil, estourou no Rio Grande do Sul a Revolução Federalista. Foi um dos mais sangrentos episódios da história do Brasil, que acabou envolvendo vários estados, inclusive o Paraná.

O grupo dos republicanos gaúchos, liberado pelo presidente do estado riograndense, Júlio Castilhos, havia elaborado uma constituição estadual autoritária e centralizadora. O grupo dos federalistas, liderado por Silveira Martins, se opunha a Júlio de Castilhos e defendia a mudança da constituição.

O presidente Floriano Peixoto ficou do lado de Júlio de Castilhos, e os federalistas tiveram o apoio da marinha, que estava rebelada.

Em setembro de 1893, o almirante Custódio de Melo revoltou-se na baia de Guanabara. Em seguida, com alguns navios de guerra, tomou o litoral de Santa Catarina e atacou o Paraná em três frentes: Paranaguá, Tijucas e Lapa.

A "Tomada de Paranaguá" deu-se em janeiro de 1894. A cidade não apresentou resistência, e a ocupação ocorreu sem grandes combates. Também "Tijucas" foi ocupada com facilidade.

Apesar da resistência a cidade da "Lapa" foi tomada pelos federalistas em 1893. Em seguida, eles invadiram Curitiba. O então presidente do Paraná, Vicente Machado, transferiu para Castro a capital da província.

Os federalistas ficaram em Curitiba aproximadamente dois meses; enquanto isso, o Marechal Floriano Peixoto organizava as tropas em São Paulo. Gradativamente, os federalistas foram sendo derrotados, até que em 1895 depuseram as armas, aceitando a anistia decretada pelo presidente da República.

O contestado (1912-1916)

Desde a criação da província o Paraná, em 1853, seus dirigentes questionavam os limites estabelecidos, sobretudo com Santa Catarina. Essa divergência levou ao surgimento da Questão do Contestado. O termo contestado deriva do verbo contestar, questionar e passou a designar a região que foi objeto de disputa entre Santa Catarina e Paraná.

Em 1890, um grupo de catarinenses solicitou ao governo brasileiro uma definição de limites entre os dois estados. Não obtendo resposta, os catarinenses resolveram entrar com uma ação judicial, reivindicando a pose da região situada ao sul dos rios Negro e Iguaçu.

Por duas vezes o governo deu ganho de causa a Santa Catarina, mas o Paraná adiou a execução da sentença.

Paralelamente a essa questão de limites, em 1910, o Brazil Railway Company, uma empresa norte-americana, concluiu a estada de ferro que ligava o estado de São Paulo ao Rio Grande do Sul. Em seguida, cumprindo um dos termos do contrato, a companhia deu inicio a colonização de uma faixa de 15 quilômetros de cada lado da via férrea. Não levou em conta , porém, o fato de essa área já pertencer a pequenos proprietários e lavradores, que ficaram descontentes com a interferência da companhia em suas terras.

Pouco depois, a Lumber, poderosa madeireira estrangeira ligada a Brazil Railway Company, estabeleceu-se na zona sob contestação. Essa companhia tinha autorização para explorar a madeira da região, desde que a coloniza-se.

A atividade dessa empresa, porém, afastava cada vez mais a possibilidade de um acordo entre o Paraná e Santa Catarina, pois ambos queriam apossar-se da região de terras muito férteis, que apresentava grande potencial de desenvolvimento. Enquanto os dois aguardavam uma decisão do governo federal, um fato novo, que veremos a seguir, complicou a situação.

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No século XIX, durante o Segundo Reinado, os habitantes do planalto, tanto paranaense como catarinense, conviveram por muitos anos com João Maria de Agostini, monge italiano que pregava um catolicismo rudimentar, mas que conquistou a confiança das pessoas simples que aí habitavam e adquiriu fama de milagreiro. Da mesma forma que tinha aparecido, João Maria sumiu, ficando porém, com a fama de santo. No período republicano, outro "monge" com o mesmo nome passou a atuar na região situada entre os rios Iguaçu e Uruguai.

O término da construção da estrada de ferro. Em 1910, deixava desempregados cerca de 8 mil trabalhadores, oriundos de vários estados brasileiros. Os donos das fazendas começaram a ficar preocupados com essa massa de desocupados, que, para sobreviver, invadia as propriedades vizinhas.

Nesse momento, na região de Campos Novos, surgiu mais um "monge", na realidade um desertor do exército paranaense que se dizia irmão de João Maria. A população pobre e desempregada, via nele um curandeiro e profeta. Em 1912, o "monge" José Maria conseguiu reunir em Taquaruçu, no município de Curitibanos, grande número de seguidores.

Os fazendeiros e proprietários locais, preocupados com esse grupo, mandaram uma força policial para afastá-lo. Com muito custo, José Maria e seus seguidores saíram da região, atravessaram o rio Peixe e foram para os Campos do Irani, que sob controle do governo do Paraná.

A reação dos paranaenses não se fez esperar. A ordem do governo do Paraná para desocupação da área foi imediata. No dia 22 de outubro de 1912, soldados paranaenses atacaram o acampamento dos rebeldes. Travou-se uma luta sangrenta, na qual morreram José Maria e também o comandante das tropas paranaenses.

A derrota dos paranaenses repercutiu no Brasil todo. Os homens de José Maria retornaram para a região catarinense de Campos Novos. Surgiu entre eles um novo líder, Eusíbio dos Santos, e também um boato de que o "monge" José Maria iria ressuscitar e levá-los a vitória.

Vária foram as tentativas de destruir o reduto de Taquaraçu, todas fracassadas. Somente em 1914, quando uma parte dos rebeldes se retirou para Caraguatá, é que o acampamento de Taquaraçu foi destruído. Uma epidemia de Tifo obrigou os rebeldes a abandonar Caraguatá e formar novos redutos.

Decidindo dar fim ao movimento, o governo federal assumiu o comando das operações, e os redutos rebeldes foram sendo gradativamente destruídos.

Em outubro de 1916, foi assinado a Convenção de limites entre Santa Catarina e o Paraná. Do total da área disputada, estimada em 47.800 Km², o Paraná ficou com 20.310 Km² e Santa Catarina, com 27.510 Km².

O Paraná Contemporâneo

Após o golpe militar de 1964, os governadores do Paraná foram: Paulo Pimentel, Haroldo Leon Pires, Pedro Viriato Parigot de Souza, Emílio Gomes, Jaime Canet Júnior, Ney Braga, José Richa, Álvaro Dias, Roberto Requião, Mário Pereira e Jaime Lerner.

De 1964 até nossos dias, o Paraná sofreu grandes transformações, como a conclusão de rodovias importantes; a construção de usinas hidrelétricas; a conclusão da Estrada de Ferro Central do Paraná; a construção da Ferroeste; a implantação da Cidade Industrial (área industrial) em Curitiba; a implantação de Pólos Industriais em : Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Cascavel, etc; a transformação das faculdades estaduais em universidades.

Com essas mudanças, o Paraná deixou de ser unicamente agrícola e rural, para tornar-se agroindustrial e urbano. Nossa economia hoje é baseada na industrialização de produtos agropecuários, e a maios parte da população mora em cidades.

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Nos últimos anos as crises econômicas e políticas provocaram descontentamento em vários setores da sociedade brasileira, a ponto de aparecer em alguns estados, inclusive no Paraná, movimentos d caráter separatista. No oeste de santa Catarina e oeste e sudoeste do Paraná surgiu um movimento que se propõem a criação do Estado do Iguaçu. A idéia não é nova, uma vez que o território do Iguaçu já existiu na década de 1940. Na década de 1960, outras manifestações separatistas foram sufocadas pelos governos militares. Outro movimento que defende a segurança de Rio Grande do Sul, Santa catarina e Paraná do restante do restante do Brasil chama-se "O Sul é meu País".

O Paraná de Itaipu, da Volvo, da Rodovia do Café, da Ferroeste, das Universidades Estaduais é fruto de transformações ocorridas ao longo do tempo e que exigem, além do dinheiro para concretizá-las, empenho dos governantes.

Contudo temos ainda muitas questões com que nos preocupar: os sem – terras, os sem - tetos, a exploração dos bóia-frias, o menor abandonado, a delinqüência, o problema das famílias que foram retiradas de suas terras por causa de hidrelétricas e até hoje não receberam ma indenização justa do governo, a marginalização dos indígenas, a desvalorização do professor e da educação, etc.

Algumas pessoas declararam não gostar de política e não se interessar por ela. Elas talvez estejam se esquecendo que a política é muito importante e nossas vidas. É por intermédio dela que podemos Ter boas escolas. Boa assistência médica, bons salário, etc.

No período das eleições, observe os candidatos. Verifique se tem capacidade para exercer o cargo que pretendem, se na vida diária e nos negócios mantém boas relações com seus empregados e se respeitam o meio ambiente.

Como o país se organiza

A organização facilita bastante nossas vidas, quando conseguimos nos organizar, as tarefas são mais bem executadas e de modo mais rápido, fazendo o tempo render.

Do mesmo modo, é preciso que haja organização para que o município, o estado, o país possam funcionar da melhor forma possível.

A própria divisão de um país em estados e municípios é um modo de organização: é a sua organização política. Assim, temos: Brasil é o nosso país, Paraná o nosso estado e Cascavel o nosso município. Mas sozinha essa divisão pouco representa: é preciso que seja acompanhada de leis que determinem quais são os direitos e deveres do país, dos estados, dos municípios e dos cidadãos para que a vida em sociedade seja harmoniosa.

A constituição

O documento mais importante que regulamenta a nossa vida em sociedade é a Constituição Federal, estão as diretrizes básicas que orientam todos os que vivem no Brasil. Nossa atual Constituição federal foi promulgada em 5 outubro 1988.

O governo do Paraná

O Paraná, como todos os estados brasileiros, é governado por leis federais, estaduais e municipais.

As leis federais são válidas em todo o território nacional. As estaduais devem ser cumpridas dentro dos limites dos estados, e as leis municipais, dentro dos limites de cada município.

Cada estado brasileiro tem sua própria constituição, na qual estão expressos os direitos e os deveres de seus habitantes. Contudo, as constituições estaduais não podem conter dispositivos que contrariem a Constituição federal.

Nossa atual constituição estadual foi promulgada em 3 de outubro de 1989.

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Para governar o estado, o município e o país existem três poderes, que tem as atividades definidas pela Constituição federal.

Veja no Quadro Brasil Paraná Cascavel

Poder Executivo - Presidente

- Vice Presidente da república

- Ministério do Estado

- Governador

- Vice governador

- Secretários de estado

- Prefeito

- Vice Prefeito

- Secretários Municipais

Poder Legislativo - Senadores

- Deputados Federais

- Deputados Estaduais - Vereadores

Poder judiciário - Juizes

- Ministros (tribunais federais)

- Juizes e desembargadores (tribunais de estado)

Não tem poder judiciário próprio. O estado designa um juiz de direito para alguns municípios

Taxas e Impostos

Os governos federal, estadual e municipal constróem escolas, creches, pavimentam ruas, abrem estradas, criam linhas de ônibus, restauram prédios públicos e muitas outras coisas.

Para executar todas essas obras, é necessário dinheiro. O dinheiro que o governo utiliza vem dos impostos, das taxas e das contribuições de melhoria.

As microregiões do Paraná

Para que os estados brasileiros pudessem ser mais bem administrados, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) agrupou os municípios em microregiões homogêneas.

Cada micro-região é composta por municípios que apresentam clima, relevo, vegetação e atividades econômicas semelhantes.

O Paraná possui 371 municípios, que foram agrupados em 39 microregiões homogêneas. Cada micro-região possui uma sede.

Veja no mapa onde estão localizadas os municípios de cada microregião.

Uma Sociedade Mesclada

Nossa sociedade é formada por uma grande mistura de elementos étnicos e culturais. O território paranaense, ocupado inicialmente pelos indígenas, foi colonizado pelos portugueses e, em seguida, pelos espanhóis. No final do século XVIII e começo do século XIX, chegaram os negros que vieram trabalhar na condição de escravos. Mais tarde vieram os imigrantes. Índios, negros e brancos de várias nacionalidades, todos deixaram suas marcas em nossos costumes, hábitos, tradições e em nossa formação social.

Escravidão no Paraná

A escravidão no Paraná, embora não tão intensa quanto a do nordeste e em Minas gerais, existiu em muitas atividades, iniciando-se na mineração. Com a decadência da mineração, a força do trabalho escravo concentrou-se na pecuária, na agricultura e na exploração da erva-mate.

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A mão-de-obra escrava foi muito importante na exploração da erva-mate, pois os negros é que moviam os engenhos de saque e pilão, até serem substituídos por máquinas.

No dia 13 de maio de 1988, como resultado da luta dos negros e da sociedade brasileira na época e de outros interesses econômicos deu-se a abolição dos escravos. Eles, livres, viram-se em grandes dificuldades, pois ficaram de uma hora para a outra sem casa e sem trabalho, já que estavam despreparados para qualquer outro tipo de atividade.

Apesar da luta pela igualdade de direitos, a discriminação racial existe até hoje tanto nas ofertas de emprego e salários quanto em relação a cor.

A Chegada dos Imigrantes

Os alemães foram os primeiros imigrantes a chegar ao Paraná, em 1829, fixando-se na região do rio Negro.

Em meados do século XIX, a industrialização na Alemanha provocou a saída em massa de imigrantes, já que o uso de máquinas diminuiu a necessidade de mão-de-obra. Para os desempregados a possibilidade de emigrar era uma forma de garantir a sobrevivência. Ao lado disso, o Brasil precisa de substitutos para os escravos e de colonos para as áreas ainda despovoadas. Assim adotou uma política favorável a imigração.

Chegando no Paraná, os alemães encaminharam-se para as regiões de Curitiba, Castro, Rolandia, Entre Rios, Palmeira e Ponta Grossa. Aos poucos, integraram-se ao estado, introduzindo novas técnicas agrícolas e dedicando-se a profissão urbanas, no comércio e na indústria.

Em época próxima a vinda dos alemães, as guerras e a crise econômica na Itália levaram muitos italianos a imigrar para outros países, incluindo-se entre estes o Brasil.

No nosso Estado os italianos estabeleceram-se principalmente em Curitiba, Colombo, Largo e Alexandro. Introduziram o plantio da uva e a fabricação do vinho. Também investiram nos transportes, e é por isso que grande [arte das transportadoras pertence a descendentes de italianos.

Os italianos, porém não marcaram nossa economia apenas na agricultura, mas também em várias indústrias graças ao conhecimento técnico que trouxeram de sua terra natal.

O Paraná também recebeu imigrantes de outras nacionalidades. Os poloneses fixaram-se em União da Vitória, Rio Negro, Curitiba, Campo Largo, Contenda, Araucária, Lapa, São Matheus do Sul, Malet, São João do Triunfo e Irati. Os holandeses fixaram-se em Castro, Carambeí e Arapoti e investiram na pecuária leiteira e em indústrias. Os ucranianos contribuíram para a colonização das regiões de Prudentópolis, Guarapuava. Malet, União da Vitória e Lapa. Os sírios-libaneses dedicaram-se ao comércio nos centros urbanos, e os Japoneses foram para Assaí, Cambará, Uraí, Ubaiti, Tomazina, Londrina, Bandeirantes, Castro e Arapongas, trabalhar na agricultura.

Também a migração interna foi importante para o nosso estado. Gaúchos, catarinenses, paulistas, mineiros e nordestinos adotaram o Paraná como lugar ideal para formar e criar suas famílias.

Como resultado dessa intensa migração, temos no Paraná um pouquinho de cada região. Do nordeste, nos forrós, do Rio Grande do Sul, nos CTGs, da Polônia, nas carroças puxadas por cavalos, da Itália, nos restaurantes e nas pizzarias, da Alemanha, nas festas do chope, etc.

Nossa Herança

Inicialmente nosso estado foi formado por índios, espanhóis, portugueses, africanos, alemães, italianos, holandeses, sírios-libaneses e tantos outros. Todos eles contribuíram para nossa formação étnico-cultural, ou seja, para nossas características físicas, nossos hábitos, nossas tradições e nosso sotaque.

Muitos povos, muitas culturas

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Inicialmente nosso estado foi ocupado pelo mais legítimo dos paranaense: o índio. De sua língua herdamos o nome de muitas de nossas cidades.

o  o Umuarama (local ensolarado de onde os amigos se encontram)o  o Guaratuba (local cheio de garças)

Também nomes de rios

o  o Iguaçu (rio grande)o  o Ivaí (rio das frutaso  o Paraná (rio do pouso)

Os índios também nos legaram entre outros, o hábito de tomar chimarrão, o hábito de tomar banho diário, a técnica da coivara (uma das etapas da queimada) e o cultivo de alguns produtos agrícolas como o milho e a mandioca.

Logo que o portugu6es veio para o Brasil, trouxe o negro para trabalhar como escravo. Ocupando-se inicialmente da agricultura e mais tarde da mineração, o negro deu sua contribuição para a cultura brasileira. No Paraná, essas influências também se manifestaram.

o  o Em palavras como moleque, cachimbo, quindim, quiabo;o  o Na macumba e nos rituais do candomblé e da umbanda;o  o Em pratos como mocotó, a feijoada, o quibebe;

Dentre os brancos, vamos destacar os portugueses, com quem aprendemos a língua e a religião, e de quem herdamos o tipo de roupa que vestimos, de estilo europeu, os costumes em geral e a organização política.

Os açorianos, habitantes da ilha dos Açores, também marcaram profundamente a cultura paranaense. Vieram para o nosso litoral logo após o descobrimento do Brasil e trouxeram técnicas de pesca, caça, danças e comidas (peixe seco, peixe defumado)

os imigrantes exerceram influência decisiva sobre a cultura paranaense. Dos italianos herdamos o costume de comer pizza. E muitas famílias adotaram ainda o costume de comer no café da manhã polenta fria, queijo, salame e tomar um copo de vinho. O modo expancionista e alegre dos italianos está incorporado aos paranaense no jogo de bocha, de truco, na produção e no consumo de vinho.

Paraná; terra do pinheiro e da original

Até pouco tempo uma das melhores cerveja do país era a Original, feita em Ponta Gross, onde se realiza uma das mais famosas festas do Paraná – a München Fest. Festa do chope acontece na maioria das cidades paranaenses.

Cerveja, chope, alegria sadia, indústria e pecuária leiteira são alguns dos hábitos que nos foram transmitido pelos alemães, que também nos ensinaram a gostar de música clássica.

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Nossa Cultura

Dos açorianos herdamos alguns costumes que mante-se até hoje, outros sofreram adaptações à vida moderna.

A embarcação típica do pescador paranaense é a canoa, entalhada em tronco de madeira de boa qualidade, como o guapivuru. A canoa era em geral construída junto ao tronco da árvore corta, precisando portanto ser transportada para as águas. Para isso, o proprietário da canoa organizava um "mutirão, depois do qual era servido o barreado, comida típica do litoral.

O mutirão acontecia assim: no dia anterior, o caiçara e sua mulher iniciavam o preparo do barreado: colocavam carne bovina de Segunda (mais barata) em uma panela de barro, junto com temperos, toucinho e água. Depois lacravam a panela com grude ou farinha de mandioca, para que não soltasse vapor, e a colocavam em fogo brando por 24 horas.

Depois de transportar e "batizar" a canoa, os participantes soltavam fogos para chamar os familiares dos companheiros que os tinha ajudado, dançavam e fandango – sapateado feito com tamancos e acompanhado de viola – e então, abriam a panela, iniciando a refeição. Quando esta terminava, começava o baile.

Outra tradição do nosso litoral é a festa da Tainha. Festa é relacionada à temporada de pesca desse peixe. Acontece nos meses de março, abril de maio, quando as tainhas sobem do Rio Grande do Sul em direção a Santa Catarina e ao Paraná. Os caiçaras se preparam para a pesca, observando, nos morros da ilha do mel, os cardumes se aproximarem da entrada da baía de Paranaguá. É impressionante ver que a enorme distância esses caiçaras distinguem as tainhas dentro da água e a acompanham o movimento dos cardumes.

Quando um cardume se aproxima da paia, o vigia, de cima do morro, indica com brados a movimentação dos peixes para os companheiros, que saem de canoa estendendo a rede. Uma vez lançada a rede, os pescadores, novamente por meio de brados, chamam seus familiares para ajudar a puxar a rede para a beira da praia.

Os peixes são então repartidos entre o dono da rede, o dono da canoa e todos aqueles que ajudaram a puxar a rede.

Também é comum os pescadores fazerem fogueiras na beira da praia para se aquecerem e preparar a moqueca paranaense – peixe enrolado numa folha de bananeira e assado na areia debaixo de uma fogueira.

A pesca da tainha é chamada de festa porque se repete muitas vezes durante esses meses. Assim, enquanto esperam o brado do companheiro avisar sobre novos cardumes, todos os caiçaras ficam na beira da praias, jogando futebol e truco.

Muitas coisas poderiam ser contadas a respeito do litoral paranaense, pois é a região do estado de ocupação mais antiga. Também foi área de mineração de ouro. Nessas regiões, as histórias de assombração eram muito comuns e tinham a finalidade de afastar os curiosos das zonas de extração.

Nosso Estado – Nossas regiões

É muito comum no Paraná dizermos: sou do norte...., vou para o litoral..., minha família mora no sudoeste. Essas expressões indicam como nós paranaenses, gostamos de dividir nosso estado, sem nos preocupar com a divisão oficial.

Tradicionalmente dividimos o estado em quatro regiões: Norte, Oeste e Sudoeste, Sul e Litoral.

 

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Norte: os paranaenses dos pés vermelhos

Abrange toda a parte norte do estado situada entre os rios Itararé, Paranapanema e Paraná. É a região da terra roxa. Solo avermelhado e muito fértil, que estimulou a cafeicultura e deu origem a expressão "pés vermelhos".

Entre o fim do século passado e meados do atual, houve a expansão da cafeicultura paulista no Paraná. Com a participação de migrantes vindos de São Paulo e do Nordeste e também de emigrantes de estrangeiros. Atualmente, é uma região de policultura, pecuária, usinas de açúcar e álcool, agroindústrias (óleo comestível, fiação de algodão), etc.

Em todo o norte, encontramos "um clima agradável, um povo muito simpático e cidades arborizadas, limpas e bem organizadas, com coleta de lixo, água tratada, telefones que funcionam e... muitas festas comunitárias, o ano todo. As mais conhecidas são a Festa do Texas (espécie de rodeio) em Jacarezinho; a Festa dos Cítricos em Paranavaí e a Festa das Confecções em Cianorte.

Em Assaí e Uraí, os imigrantes Japoneses organizam muitas festas com elementos folclóricos de seu país de origem. São imigrantes paranaenses de olhos puxados, pés vermelhos e coração brasileiro.

O Oeste e Sudoeste: o Paraná Gaúcho

É o Paraná do "TU", e não do "você". É o Paraná da bombacha, do chimarrão, dos CTGs, do Grêmio e do Internacional. É a terra do espeto corrido, do vinho e dos rodeios criolos.

Tudo isso por que foi colonizado por descendentes de italianos e alemães que vieram do Rio Grande do Sul.

A construção de Itaipú, no Rio Paraná; e de outras hidroelétricas, no rio Iguaçu, também estimulou a ocupação dessa área por muitos barrageiros e que decidiram ficar depois do término das obras.

A imigração do sírio-libanes é outro fator de ocupação de Faz do Iguaçu. É uma área que apresenta grande produção agrícola, enorme rebanho bovino e indústrias ligadas ao beneficiamento e à transformação de produtos agropecuários.

Sul: O Paraná do Leite Quente

É o Paraná onde se pronuncia bem o "e" no final das palavras.

A ocupação da região se deu por meio da mineração, da criação de gado, da extração de madeira, erva-mate e da agricultura.

É uma região de contraste climático: enquanto as temperaturas no vale Ribeira são geralmente superiores a 18ºC, em Palmas no inverno, neva.

Sua economia está baseada na extração e no beneficiamento da erva-mate, na mineração, na agricultura e na pecuária – principalmente de gado leiteiro.

Litoral: o Berço do Paraná

É o Paraná das praias e da floresta atlântica. Foi ai que o Paraná nasceu. A mineração e depois a agricultura foram os principais fatores de ocupação. A região atualmente desenvolve pequena atividade pesqueira, artesanato, agricultura de cana-de-açúcar, banana e mandioca. Também se criam búfalos nos municípios de Antonina e Guaraqueçaba.

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O turismo e o comércio são muito importantes, principalmente nas áreas de verão. A atividade econômica mais importante do litoral, contudo são as exportações que ocorrem através do porto de Paranaguá.

Folclore

Folclore é toda manifestação cultural de um povo expressa em crenças, lendas, superstições, provérbios, danças, festas, canções e costumes.

O Folclore no Paraná

O folclore do Paraná apresenta manifestações semelhantes às observadas nos demais Estados Sulinos do Brasil. Na sua essência, as tradições, costumes, linguajar, comidas, que são encontradas entre as famílias mais tradicionais e no interior do Paraná, são tipicamente portuguesas.

Nas crenças, superstições, nos ritos religiosos, somam-se várias influências, é certo, notadamente as do negro africano. Nas técnicas e artesanato. Pelo seu caráter mais dinâmico, há contribuições de diferentes culturas estrangeiras e mais remotamente, do próprio indígena brasileiro. A sabedoria popular também segue este esquema.

A Literatura e a Linguagem Popular

As máximas, provérbios, ditados, adágios verdadeiros depositários de ética, moral e filosofia passam de pai para filho e norteiam a conduta. Dando-lhes conhecimentos rudimentares de psicologia humana, adverte-os quanto ao perigo e conseqüências de ações irrefletidas, ensina várias regras de comportamento. Também transmite conhecimentos práticos sobre os mais variados tesouros da sabedoria popular.

Aos provérbios junta-se as frases feitas, as expressões, as advinhas e numerosas formas de linguagem, como as réplicas, apodos, xingamentos, apelidos, pragas, eufemismo, desfemismo e fórmulas de felicitações, cumprimentos, juramentos, etc. Como por exemplo

Provérbios:

o  o Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura;o  o Quem tem boca vai a Romao  o Quem não tem cão caça com gatoo  o Casa de ferreiro, espeto de pauo  o Quanto mais alto o galho, maior o tombo

Xingamentos

o  o Não amole!o  o Vá às favas!o  o Vá pró inferno!o  o Vá plantar batatas!o  

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o Vá pró diabo que te carregue!o  o Vá lamber sabão!

Réplicas

- Quem fochica o rabo espicha, que, se importa o rabo entorta.

Apodos

- Guri lambari quer apanhar pule aqui?

Eufemismo

o  o Descansou (morreu) o  o Pessoa de cor (preto)

Disfemismo

o  o Carola (beato)o  o Esticou as canelas (morreu)o  o Bichas (vermes)

Apelidos, alcunhas

o  o Cabeças chatas (nordestinos)o  o Barriga verde (catarinense)o  o Milico (militar0o  o João pão (padeiro chamado João)o  o Nariz de folha (intrometido)

Fórmulas sociais

o  o Deus te guieo  o Deus te crieo  o Vou indo mas mais ou menos o  o Meus cumprimentos

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o  o Tudo de bom pra você

Juras

o  o Por Deus do céu!o  o Raio que me parta!o  o Palavra de honra!

Ditos

o  o O que arde cura, o que aperta segurao  o Quem vai ao ar perde o lugaro  o O incomodado que se mudeo  o Enfie a carapuça

A literatura oral e a linguagem podem ser recreativas, principalmente quando dirigida as crianças. Elas usualmente visam outras finalidades além de divertir. Procuram o desenvolvimento do raciocínio (advinhas, perguntas e contos armadilhas); da memória (parlendas, jogos de dedos); de novos conhecimentos (fórmulas imitativas, contos etiológicos, jogos de dedos); da linguagem (trava-língua); da religiosidade, moral e sentimentos afetivos (orações, quadrinhas, fábulas e exemplos.

As histórias de fadas e os contos cômicos (Pedro Malasartes) servem para divertir, mas são auxiliares da disciplina e até usados para fazer dormir, como alguns contos acumulativos e certos abicês.

Fórmulas essencialmente recreativas são as fórmulas de entrada e saída de jogos, às fórmulas de escolha, de início e fim de histórias, etc. Vejamos alguns exemplos:

Adivinhas

o  o O que é uma coisa?o  o Desce correndo e sobe chorando? (balde de água)

Parlendas

Um, dois, batata com arroz

Três quatro, feijão no prato,

Cinco, seis, olha o freguês

Sete, oito, olha o biscoito

Nove, dez, olha os pastéis

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Trava – língua

o  o Um tigre, dois tigres, três tigres...

Um ninho de magafagafos

7 magafagafinhos tem

quem os desmafagafar

bem desmagafador será

Prece

o  o Santo anjo do senhor, meu zeloso guardador...

Canto Acumulativo

- Andei, andei e cansei

Cansei e parei

Parei e pensei

Pensei e sentei

Sentei e deitei

Deitei e sonhei

Sonhei que andei

Andei e cansei ... etc...

Fórmulas de jogos entrada

- Cobra cega de onde vem?

Do castelo de Belém

Que trazes de lá?

Cravo e canela

Me dá um?

Não?

Então toma!

- Somos gente que vieram do Oriente... etc...

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Fórmulas de jogos de escolha

o  o Um, dois, três, quatro

Quantos pelos tem o gato

Acabado de nascer

Um, dois, três, quatro

Estórias

o  o Era uma vez...o  o No tempo em que os bichos falavamo  o Acabou feliz para sempreo  o Acabou-se a história, morreu a vitória, quem quiser que conta outra

Mas dentro da literatura oral, sem dúvidas, os "causos" (estórias de assombração, de tesouro enterrado, de caçadores e de pescadores) e as lendas, que revelam mais profundamente o modo de sentir do povo.

A Literatura Escrita

A literatura oral, passa a ser escrita quando aparece imprensa ou manuscrita nos bares, botequins ou vendinhas, sob a forma de fórmulas de não vender fiado, como por exemplo:

- Fiado, só amanhã

Os panos de parede, tão comuns nos lares paranaenses, vem bordados com ponto de cruz ou com outras técnicas mais aprimoradas, trazendo sempre frases relativas à felicidade, paz, prosperidade ou hospitalidade do lar. Os bordados, além de palavras ou frases completas, reproduzem flores, imagens, objetos, ingênuos motivos, com traçado rudimentar, por vezes deformados. Também as palavras não conhecem regras gramaticais, mas revelam o requinte literário e artístico da dona de casa, por mais inculta e humilde que seja.

A literatura popular escrita também aparece nos pára-choques e borrachas protetoras dos pneus traseiros dos caminhões. Retratam uma filosofia de vida bem marcante de grande parte da população.

Certos epitáfios de túmulos são uma tradição de saber folclórico, dentro da sua ingenuidade e autenticidade.

A chamada literatura de "cordel", onde os poetas e repentistas conseguem imprimir as suas produções, não é muito comum no Paraná.

O que mais chama a atenção é a dicção paranaense, que fala de maneira descansada, com "e" e "o" finais abertos, pronunciando foneticamente as palavras.

Procura evitar a gíria, mas a sua conversão, tão cheia de modismos, dá a impressão de pobreza de linguagem. Vejamos quantas expressões poderemos, com facilidade, anotar em uma hora de palestra.

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... quer ver que... veja bem... Sabe como é... espere lá... pois é...escute... Pois é... espere aí... Escute... lá.. veja só... olhe aqui... fora de brincadeira... que engraçado.... mais aí... daí... agora, tem o seguinte... vem cá... o caso é que... isso é demais... não tem nada a ver... será que... eu sei que... está pensando que... mas, como eu ia dizendo...

Como podemos ver são expressões de uso oral que servem para ligar frases ou para acentuar seu sentido, porém perfeitamente dispensáveis

O Folclore Musical

O folclore musical está presente nas brincadeiras infantis, desde as canções de roda aos brinquedos cantados, parlendas e pequenas canções para o desenvolvimento da linguagem e do raciocínio.

As canções de roda ou cirandas são variantes daquelas cantadas em todo o Brasil, apresentando por vezes variações de letra, melodia, andamento ou ritmo, o que as torna bem diferenciadas das cirandas de outros estados.

Os brinquedos cantados incluem o "bom-barqueiro", o "mata-tiro", a "senhora dona condessa", o "escravos de Jó", o Chiquinho do Maranhão", e outras mais.

As modas, toadas, romance desafio

A viola sertaneja acompanha as "toadas", "modas", "romances" e "desafios", onde a alma do caboclo extravasa toda a sua ternura, angústia, lirismo, seu senso de humor, sua filosofia da vida. Belas páginas musicais tem nossos competidores eruditos produzido, inspirados na música dos cablocos paranaenses. Foi Brasílio Itiberê, compositor nascido em Paranaguá, um dos primeiros músicos brasileiros a aproveitar temas melódicos do folclore nacional. Na sua conhecida peça pianística "sertaneja" incluiu o popular "balaio", meu bem, balaio", antiga canção paranaense.

Bento Mussurunga, paranaense de Castro, compôs, violino ou orquestra, que encerram ritmos ou temas ouvidos na sua infância, entoados pelos violeiros da sua terra natal.

O Fandango

O Fandango é a música dos bailes caipiras. Música, letra e coreografia de autoria dos caboclos, tocada, cantada e dançada por eles.

Esses fandangos são freqüentemente assinalados em várias zonas do Paraná, em vias de extinção, conhecidos só das pessoas mais idosas.

Sua coreografia variada e difícil, exige técnica, atenção, agilidade, preparo e calçados especiais para o sapateado.

As mulheres falseiam arrastando os pés, atentas às evoluções, numa atitude inexpressiva, enquanto os homens num ritmo certo, seguindo o acompanhamento das violas e dos pandeiros. Sua atitude é máscula e um pouco rude, deselegante.

A melodia e os versos entoados no fandango, pelos violeiros e pelo coro, contem originalidade, lirismo e humor, levando-nos a admirar a imaginação e a sensibilidade do nosso caboclo.

Vejamos a poesia de algumas marcas de fandangos recolhidos por nossos folcloristas.

- Lajeana

Abri meu peito e vereis

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Meu coração como está

Todo feito em pedacinhos

Sem se poder ajuntar

- Tiraninha

Meu amor falei baixinho

Que as paredes tem ouvidos

Os amores mais encobertos,

Estes são os mais sabidos

O "A" quer dizer amor

Que eu firme te consagrei

Alma, vida, coração

Nas tuas mãos eu entreguei

- Cana Verde

Abaixai-vos, Serra Verde (Serra do Mar)

Que eu quero ver a cidade (Curitiba)

Quero ver o meu amor

Senão morro de saudade

O Boi-de-mamão e a cangadas

São dramatizações sempre acompanhadas de contos e instrumentos.

O boi-de-mamão é uma variante do "bumba-meu-boi", com características locais acentuadas, semelhantes ao "boi-de-mamão catarinense. Este tem sua culminância no carnaval. Nas cidades paranaenses de Antonina e Paranaguá ainda aparece no carnaval, sob a forma de cortejo. Na forma de auto ou dramatização, foi recolhido na colônia Maria Luzia, relatado por Fernando Correa de Azevedo.

Neste auto vários personagens surgem em cena, anunciando cada qual por sua vez pela cantoria dos músicos, que se acompanham de suas violas, rabecas e pandeiros.

O cortejo avoluma-se e exibe-se dando voltas pela apresentação, rodeado pelas assistentes. Estes divertem-se a valer com as brincadeiras dos personagens cômicos, o "Velho e a Velha", e com os sustos provocados pelos arremessos dos animais fantásticos, como o Bernunça e o Barrão e com o próprio boi. O ponto culminante deste auto cômico é a cena da morte do vaqueiro Mateus, que recebe violenta chifrada do boi, seguido de sua ressurreição, graças ao Doutor, que vem trazido pelo Cavalinho.

o  o O senhô dotô

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O senhô Girão (cirurgião)

Venha cura Mateus, ó maninha,

tá morto no chão

O personagem mais popular é o Bernunça, entidade quadrúpede coberta de barba de pau, com enorme boca que abre e fecha procurando engolir as crianças. Neste auto ela aparece acompanhada de animais semelhantes, de quem os cantores dizem:

- Aqui esta nossa Bernunça

que viemo apresentá

Ela brinca muito bem

Ela é a muiés do Barão

A "congada" sobrevive na cidade da Lapa, autêntico auto na sua forma de enredo popular. Trata de assunto religioso e profano sendo legado no ciclo do Natal, particularmente no dia 26 de dezembro, incorporando à festa de São Benedito, comemorada naquela data.

O enredo, semi-erudito, de motivação africana, procura reviver as embaixadas, autrora trocadas entre portugueses e soberanos africanos, ou entre os próprios soberanos da África entre si. O auto é cantado e acompanhado de instrumentos de percussão (tambores) e uma rabeca, às vezes aparecendo a sanfona.

A dança de São Gonçalo e as Folias do Divino e de Reis

São danças e cantos religiosos, podemos incluir a dança de "São Gonçalo" e as "folias do Divino e de reis" no folclore musical.

As danças de "São Gonçalo", são conhecidas em várias regiões do Paraná, constituem a manifestação religiosa coletiva mais freqüente entre nossos caboclos.

Nessa dança os pares realizam complicadas evoluções diante um altar erguido a São Gonçalo. O canto e "puxado" pelo "mestre" e pelo "contramestre", acompanhadas de suas novas violas, e seguidos pelas "cantadeiras" e que os auxiliam nos cantos foram-se duas filas de homens e mulheres, que dançam com devoção e seriedade, de olhos fitos no santo ou no chão fazendo uma série de mesuras cada vez que passam em frente do altar.

Essa dança é executada como pagamento de promessas, geralmente em casos de doenças curadas. Atravessa a noite repetindo-se as "voltas" cada vez que novos "romeiros" entram na dança rodadas de café com pão e outras "misturas" oferecem breve descanso aos músicos. A reza do terço é indispensável e completa a Romaria de São Gonçalo.

As quadrinhas abaixo foram completadas em maio de 1968 perto de Adrianópulis:

_Na hora de Deus começa

Padre, filho, Espírito Santo

Por ser o primeiro verso

Que neste mistério canto.

São Gonçalo do Amarante

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Filho de Virgem Maria

Nos livrai por esta noite

E amanhã por todo o dia

Madalena escreveu

Uma carta pra Jesus Cristo

O portador que levou

Foi o padre São Francisco

As "folias do Divino Espírito Santo" ocorrem 40 dias após a semana santa culminando no mês de julho após as andanças dos "foliões" no seu peditório pela região, a pé ou com auxílio de canoas, se por mar ou pelos rios. Necessariamente compõe-se de porta – bandeira e dos músicos, tocando de casa em casa, de localidade em localidade.

Durante a peregrinação aceitam toda sorte de esmolas. Pedem pousada cantando e se despedem e agradecem também cantando, entoando cantos próprios de folias e pedindo bênçãos para os donos da casa.

As "folias de reis" desenvolvem-se de 3 a 6 de janeiro, personificando os Reis Magos e com o intuito de angariar oferendas, conforme manda a tradição. A cantoria é realizada à noite, pelos sítios e moradas próximos ao povoado. Dia 6 retornam e são recebidos nas casas da vila, terminando, a devoção com louvores cantados, em presépio armado na igreja ou noutro local.

Na cidade de Castro, são as famílias mais tradicionais que interpretam a folia de Reis. Ricamente vestidos, os foliões são recebidos, com prazer, nas casas que visitam, entoando seus cânticos. A tradição leva as famílias a acreditarem que a maldição cai sobre aqueles que se negarem a receber os "Reis Magos".

Vejamos alguns versos duma Festa do Divino recolhidas em julho de 1956 em Guaratuba:

Peditório:

- Senhora dona da casa

está com poder na mão,

pede enfeite para o andor,

pede prenda pró leilão.

Agradecimento:

A oferta desta casa

foi aceita lá na glória

a Trindade vai levar

às mãos de Nossa Senhora

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Despedida:

_ O divino se despede

se despede e vai-se embora

vai deixar sua benção

na casa que você mora.

Entrada na igreja:

_ Deus vos salve, casa santa

onde Deus fez a morada

onde está o "cális" bento

e a hóstia consagrada.

Outros folguedos e festas populares

 

As cavalhadas

As "cavalhadas são reminiscências da reconquista da Península Ibérica e da expulsão dos mouros, espetáculos eqüestres muito comuns no Brasil – colônia. São levadas de tempos em tempos em Guarapuava e Palmas, estando em vias de extinção.

No início apresentam diálogos, desafios, que são trocados entre as "embaixadas" representantes dos mouros e cristãos, que entrarão em luta quando começar o espetáculo eqüestre. Montados em cavalos, simulam combates em singulares evoluções em conjunto ou lutas individuais.

Distinguem-se pelos trajes e suas cores e emblemas. Os cavalos mouros são simbolizados pela cor vermelha e tem como emblema o crescente. Os cristãos usam a cor azul e seu emblema é a cruz. As lutas terminam sempre com a derrota e conversão dos mouros.

Na parte final desse folguedo dramatizado, a festa de confraternização consta de provas de destreza pessoal, demonstração com pistola, espadas e lanças, estando os cavaleiros sempre montados ("sorte das cabeças").

A "sorte das argolinhas" eles passam a galope entre dois postes, onde esta esticado um cordel que sustenta uma argolinha de prata. Quando conseguem fisgá-las com a lança, levam-na triunfantes até o local da assistência onde se encontram suas "damas". A elas oferecem as argolinhas, recebem em troca, fitas e flores, com as quais adornam as lanças.

A parte mais pitoresca é a participação das duas bandas de música que acompanham o desenrolar dos acontecimentos, reforçando a ação dramática. Uma delas tem a função específica de festejar os êxitos dos cavalheiros. A outra, chamada "a banda infernal", executa a "música de pancadaria", fazendo alarde das falhas dos cavaleiros numa algazarra ensurdecedora.

Festas religiosas tradicionais

As festas religiosas mais tradicionais do Paraná são: a de Nossa Senhora do Pilar, em Antonina, a de Nossa Senhora do Rócio, em Paranaguá e a de São Benedito na Lapa.

Page 33: História do Paraná e Santa Catarina

A elas afluem devotos das mais remotas regiões do Paraná, num ato de fé que passou de geração para geração.

A "festa de Nossa Senhora do Pilar" atrai a Antonina devotos e turistas que iniciam seu itinerário visitando a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, relíquia construída há 253 anos, no alto de um outeiro, donde se descortina a baia de Antonina. Precedida de novenas, que movimentam a população local, a festa tem seu encerramento a 15 de agosto, data dedicada a sua padroeira. Estes costumes atualmente estão extintos.

A "festa de Nossa Senhora do Rócio" talvez seja a mais popular das festas citadas, atração religiosa e turística que abarrota os trens e rodovias rumo a Paranaguá, com duplo expectativa: a "descida" da serra e a festa no bairro do Rócio.

A lenda conta que a imagem da santa foi encontrada por mercadores.

A "festa de São Benedito", na cidade da Lapa, possui acentuado sabor folclórico, pois era a culminância da congada, encerrada coma festa do padroeiro, a 26 de dezembro. É um santo muito milagroso, protetor principalmente das gestantes.

Essas festas religiosas tem tradição de 200 a 300 anos e são cultuadas pelo povo com devoção.

Crendices e Superstições

No que se refere as crendices e superstições, estamos tão condicionados a essa herança, que somente quando observamos atentamente, com espírito crítico é que vamos notar esse condicionamento.

Os mais variados hábitos diários, ligam-se as numerosas observações e citações que nos foram repetidas desde as mais tenra idade, primeiros rudimentares regras de comportamento e sabedoria. "Não faça isso", "isso não presta!", "o azar, a boa-estrela", a sorte, o feitiço, a "coisa-feita", a praga, o esconjuro e o enorme cabedal de medidas práticas para solucionar todos os males e evitar azares: as "simpatias", os benzimentos, as orações, as palavras mágicas, os gestos, os esconjuros, as promessas, as sortes, os amuletos, as "mascotes", imagens e gravuras de santos, os votos etc...

Entre as crendices e superstições podemos citar:

- Dá azar, não presta:

Derramar sal na mesa,

Passar por baixo da escada;

Gato preto atravessar à nossa frente;

Grilo cantar embaixo da nossa janela (doença)

Deitar em cima da mesa (agoura, morte)

Chinelo virado (morre a mãe)

Andar pra trás (morre a mãe)

Apontar estrela (dá verruga)

- Dá sorte

Encontrar ferradura;

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Coceira na mão (dinheiro)

Trevo de quatro folhas;

Imagem de elefante com tromba pra cima

Ver estrela-cadente

Quebrar copo de cristal em festa, por acaso

- Várias

Quando cair garfo no chão, visita de homem

Quando cair colher no chão visita de mulher

Vassoura atrás da porta virada ao contrário: a visita vai embora

Fazer figa – afasta o azar

Bater três vezes com os dedos na mesa: afasta o azar

Beber água na concha – não casa

Dar lenço de presente – atrai brigas

Saber ou ciência popular

O saber popular são preceitos práticos de conhecer o tempo, as luas, as marés, o plantio, as colheitas, a postura, as doenças e remédios dos .homens e dos animais. Também leis regras, como normas para jogos de baralho, "jogo do bicho, carreiras, jogos infantis e até certas leis morais, de comportamento, que o grupo estipula para seus componentes.

Sobre o tempo há previsões interessantes como:

o  o A lua crescente com as aspas para cima é sinal de bem tempoo  o A lua vermelha, sinal de bom tempoo  o Lua nova trovejada, 30 dias de molhadoo  o Alvorecer vermelho, vem mal encarado (chuva)o  o Céu pedrento, chuva de ventoo  o Por-do-sol vermelho, bom tempoo  o Nordeste anoitecido, temporal amanhecido (vento anunciando temporal).

Para a cura de doenças, feridas, verminose, "mau olhado", há mil simpatias, ervas, benzimentos; as ervas e outros produtos vegetais são importantes e realmente eficientes.

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N agricultura (plantio e colheita) e na veterinária, o povo aplica conhecimentos que adquiriu de várias gerações, com igual eficiência.

Turismo no Paraná

Quando viajamos a passeio, estamos fazendo turismo, uma atividade muito saudável que nos permite conhecer pessoas e lugares diferentes. As viagens, por mais rápidas e curtas que sejam, são uma excelente oportunidade para observarmos e aprendermos muitas coisas.

O estado do Paraná tem muitos lugares interessantes e bonitos, que encontram os turistas que aqui chegam.

Vamos conhecer alguns desses lugares? Então prepare-se para viajar um pouco pelo seu Estado.

Litoral Paranaense

O litoral é repleto de belas paias, como Paranaguá, Caiobá, Pontal do Sul e Praia de Leste.

Você pode chegar ao litoral pela BR 277, pela Estrada que liga Curitiba a Joinvile, pela Estrada da Graciosa ou ainda pela Estrada de Ferro.

Estrada da Graciosa

Ligando Curitiba a Paranaguá, a Estrada da Graciosa foi aberta em 1873, durante o ciclo do tropeirismo.

Ela é, hoje, uma das principais atrações turísticas do Paraná, por cortar a Serra do Mar, apresentando uma paisagem belíssima. Viajar por ela é fazer um verdadeiro passeio pelo tempo.

Estrada de Ferro: Curitiba – Paranaguá

Viajar de Trem pela estrada de ferro que liga Curitiba a Paranaguá é um passeio quase que obrigatório para quem vai a capital do Estado.

A ferrovia foi construída na época do Império, em 1880. Seu percurso é através da Serra do Mar, atravessando vários túneis e paisagens pitorescas.

Parque Estadual de Vila Velha

Está situado a 93 Km de Curitiba, próximo a Ponta Grossa, e o acesso é feito pela estrada BR 376.

Ai encontramos um conjunto de 23 formações areníticas com desenhos incríveis esculpidos na pedra pela água e pelo vento a milhares de anos.

No parque encontramos também a lagoa Dourada e as Furnas, além de grutas e piscinas públicas.

As Furnas, também chamadas de "caldeirões do inferno", são três buracos enormes que aparecem isolados no solo. Tem mais de 100 metros de profundidade, com água que chega até à metade dessa profundidade. Na maior das furnas foi construído um teleférico que desse 54 metros.

Parque Barigüi

É uma grande extensão de área verde. Localizada em Curitiba. Esse parque dispõe de churrasqueiras, pavilhão de exposição, pista de aeromodelismo, campo de futebol, lago e um Museu do Automóvel.

Parque Nacional do Iguaçu

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É o maior conjunto de quedas d’água do mundo. Fica próximo a cidade de faz do Iguaçu, outra importante cidade turística do Estado.

Ao todo, o parque tem 274 quedas d’água e abriga uma variedade enorme de plantas e animais brasileiros.

 

Curitiba

A capital do Estado, além de ter imensas áreas verdes, ainda conserva o estilo europeu trazido pelos imigrantes e oferece uma série de atrativos ao turista. Entre eles, podemos citar: o bairro italiano de Santa Felicidade, onde se pode saborear as delícias da cozinha italiana, a Rua das Flores, que se transformou num jardim público, a Igreja do Rosário, construída por escravos em 1737; o teatro Guaíra; o Museu Paranaense e a Opera de Arame.

O turismo é também uma atividade econômica importante que cria empregos, incentiva o comércio e a indústria, contribuindo para o desenvolvimento do nosso Estado. E por isso muitas cidades investem e se organizam para atrair para si turistas que vêm em busca de novidades, lazer.

Os Símbolos da Pátria

Símbolos é um objeto, uma imagem ou uma música escolhida para representar, por exemplo, uma instituição ou um país.

Os símbolos que representam o Brasil são a Bandeira Nacional, o Hino Nacional, as Armas Nacionais e o Selo Nacional.

Os Símbolos do Paraná

Nosso Estado também é representado por símbolos, que são a bandeira, o brasão de armas e o hino estadual.

Nossa bandeira foi criada por Manoel Correa de Freitas. A forma original, porém, sofreu modificações.

O brasão de armas do Paraná apresenta os seguintes elementos:

  falcão nhapecane, que faz parte da crença dos antigo índios do Paraná;   As três montanhas, que representam os três planaltos;   sol, representando fonte de vida;   lavrador, que representa a atividade agrícola;   Os ramos de mate e pinho, duas das nossas riquezas.

O hino do Paraná teve sua música composta por Bento Mussurunga. A letra é de Domingos do Nascimento.

1.1.  2. O espaço paranaense em sua integração com outros espaços;3.  4. O espaço do município, da escola, do aluno, é uma parcela do espaço paranaense.

O Espaço do Município

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Você já reparou que as pessoas vivem em lugares diferentes?

o  o no campo;o  o na cidade;o  o nas praias;o  o em reservas florestais;o  o em ilhas;o  o em lugares gelados;o  o em lugares desérticos;o  o em parques industriais.

Muitas pessoas vivem na cidade.

As cidades são chamadas zona urbana.

  Cidade: Complexo demográfico formado por importante concentração populacional, dada a

atividades de caráter mercantil, industrial e cultural.

Outras pessoas moram em chácaras, sítios e fazendas. Elas moram no campo.

  Chácara: pequena propriedade campestre, em geral perto da cidade, com casa de habitação.   Sítio: mesmo que chácara.   Fazenda: grande propriedade rural, de lavoura ou criação de gado.

O campo é também chamado de zona rural.

A zona urbana e a zona rural, juntos formam os municípios.

Alguns municípios só têm zona urbana. Outros têm uma zona rural muito maior do que a zona urbana.

Você sabe qual o nome de seu município.

Gravura Cascavel

Uma das paixões dos habitantes de Cascavel é o automobilismo. Várias categorias são disputadas em seu autódromo.

Criada em 1951, a cidade já é uma das cinco maiores do Paraná, com aproximadamente 200 mil habitantes.

Como a maioria das cidades do nosso estado, Cascavel localiza-se no terceiro planalto. Sua população é formada principalmente por descendentes de imigrantes italianos e alemães vindos do Rio Grande do Sul.

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  Descendentes: que descende de outro, de outra raça.   Imigrantes: entrar (num país estranho) para nele viver.

Cascavel é considerado o município que mais cresce no Paraná, pois é um dos maiores produtores de soja do Brasil, abrigando ainda várias indústrias.

A vida nas cidades

Existem cidades grandes, médias e pequenas.

A vida nas grandes cidades é diferente da vida das cidades médias e pequenas.

As grandes cidades

Nas grandes cidades há sempre muito movimento.

Nos centros e nos bairros, carros e ônibus passam pelas ruas, levando as pessoas para o trabalho, para a escola ou para passear. Caminhões transportando toda espécie de produtos.

Nas ruas do centro e de alguns bairros, há grande movimento de pedestres pelas calçadas.

  Pedestres: pessoas que andam a pé.

Essas cidades tem muitos habitantes.

Por isso, um dos maiores problemas das cidades grandes é falta de espaço e de moradia para todos.

Nas regiões próximas ao centro, as pessoas costumam morar em apartamentos, com pouco espaço, sem área verde para as crianças brincarem e os adultos descansarem de seu trabalho.

  Área verde: lugar que existe grande quantidades de árvores e outros tipos de vegetação (parques,

praças).

Devido a essa falta de espaço, boa parte da população das cidades grandes precisam morar nos subúrbios ou na periferia. Nesses bairros a vida é muito difícil: as ruas nem sempre são afastadas, há lugares onde não existe água encanada, rede de esgoto, luz elétrica. A condução é quase sempre pouca e ruim, e as pessoas precisam viajar muito para chegarem aos seus empregos.

  Periferia: região afastada do centro urbano.

Uma outra parte dos habitantes da cidade mora nos cortiços. Os cortiços quase sempre se formam em enormes casarões antigos que, em vez de serem alugados como uma só casa, são alugados por cômodos, isto é, por quartos onde vivem famílias inteiras.

  Cortiços: habitação coletiva de classes pobres.

Gravura

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Nas grandes cidades, há, também, muitas pessoas que moram nas favelas. Quem mora em favelas vive me barracos feitos de madeira papelão ou outros materiais semelhantes. As favelas costumam desenvolver-se em terrenos baldios, isto é abandonados.

  Favelas: conjunto de habitações populares tolamente construídas.

Gravura

Os moradores das cidades costumam trabalhar na própria zona urbana. A maioria das pessoas trabalha de dia, mas há, também, aquelas que trabalham à noite, como os guardas-noturnos, os lixeiros, as pessoas que trabalham com a saúde e segurança e muitas outras.

 

As cidades pequenas

Nas cidades pequenas, há muito menos movimento que nas cidades grandes, porque elas têm poucos habitantes.

Nessas cidades, as pessoas costumam morar em casas térreas ou sobrados, e as crianças têm mais espaço para brincar.

Mas as cidades pequenas também têm seus problemas: não existem empregos para todos, e muitos de seus habitantes são obrigados a emigrar, para procurar emprego nas cidades maiores.

Nas cidades pequenas, muitos bairros não têm nenhum tipo de melhoramento: luz elétrica, água encanada, rede de esgotos, telefones ou ruas afastadas.

Como os habitantes da cidade se divertem

Os moradores da cidade não vivem só para trabalhar ou estudar. Nas horas de lazer, eles costumam fazer muitas coisas diferentes: uns vão visitar os parentes e os amigos, outros vão ao cinema, aos estádio de futebol, aos clubes, ou mesmo ficam em casa junto com a família.

Nas cidades temos áreas de lazer. São parques ou jardins e praças. Onde as crianças podem brincar e os adultos praticam esportes.

A vida no campo

Se você mora na cidade, talvez nunca tenha pensado nisso, mas quase todas verduras, as frutas e os legumes que você saboreia nas refeições são cultivados na zona rural. Assim, também, a carne de animais como a vaca, a galinha, o porco, provém do campo onde esses animais são criados.

Muitas outras coisas são feitas com produtos que vem da zona rural: o queijo, as comidas enlatadas, os móveis (pois a madeira vem de lá), os livros enfim, quase tudo que você vê ao seu redor.

Assim você pode perceber que é da terra que retiramos quase todas as coisas de que necessitamos para viver.

Na zona rural, as pessoas costumam trabalhar nas plantações ou na criação de animais, em chácaras, sítios, fazendas grandes, ou até mesmo em indústrias.

Nem todas as pessoas que trabalham nos sítios e nas fazendas moram no campo. Existe um tipo de trabalhador rural, conhecido como bóia-fria, que mora em pequenas vilas ou cidades próximas às fazendas onde trabalha.

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A zona rural é ligada a zona urbana por estradas de terra ou asfaltadas.

A vida no campo é diferente da vida na cidade.

Lá, não existe o barulho, a agitação que encontramos na zona urbana. As pessoa levam uma vida mais simples e tranqüila.

Todos costumam dormir cedo, pois é preciso levantar de manhãzinha para começar a trabalhar enquanto o calor do sol está mais fraco.

Mas a vida no campo também tem problemas.

Um deles é o fato de que poucas pessoas são donas de sítios e fazendas, enquanto a maioria dos agricultores não tem terras para cultivar.

As pessoas que não tem terras precisam se empregar nas terras dos outros. O emprego mais comum é o de bóia-fria e arrendatário.

Grande número de trabalhadores rurais abandona a zona rural e vai para as cidades, procurando oportunidades de trabalho.

Um outro problema da vida no campo é o desrespeito que os homens têm pela natureza. Por exemplo: para combater as pragas que atacam as lavouras, há agricultores que usam venenos, os chamados defensivos agrícolas. Quando esses venenos são usados sem cuidados, eles não só contaminam as plantas que nós comemos, como, também, a terra e a água dos rios. É preciso evitar o uso dos defensivos agrícola ou tomar muito cuidado se for preciso usá-los.

Os homens também desrespeitam a natureza, quando realizam desmatamentos, isto é, a derrubada de florestas, sem nenhuma precisão de controle.

Um terceiro problema enfrentados pelos habitantes do campo de muitas regiões é não terem em suas casas nenhum dos melhoramentos que encontramos na zona urbana: luz elétrica, água encanada, rede de esgoto.

Como os habitantes da zona rural se divertem

A vida no campo tem muitas coisas boas.

À noite e nos finais de semana, eles se juntam para tocar, dançar, cantar. Também se visitam muito.

No fim de semana organizam pescarias, vão a cidade fazer compras, realizam grandes festas, organizam torneio esportivos, etc.

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História de Santa Catarina

Cartas geográficas de navegadores de várias nacionalidades, escritas desde o início do século XVI, mencionam pontos que correspondem ao litoral catarinense. O mapa de Juan de la Cosa, piloto da expedição de Alonso de Ojeda assinala "Sant´Ana", uma parte que corresponde ao nosso litoral.

Pela sua importância, registra-se a expedição de João Dias Solis, em 1515, quando um único ponto da costa mereceu ser assinalado: a baía dos "perdidos", que se refere às águas interiores entre a Ilha de Santa Catarina e o continente fronteiro (designação dada em virtude do naufrágio de uma embarcação da mesma esquadra).

A expedição de Sebastião Caboto, italiano a serviço da Espanha, chega ao litoral catarinense por volta de 1526 e, ao publicar seus mapas referentes àquela expedição, denominava a Ilha de Santa Catarina de "porto dos Patos". Mas o nome de Santa Catarina - dado à ilha - aparece, pela primeira vez, no mapa-mundi de Diego Ribeiro, de 1529.

Há divergências quanto ao responsável pela denominação de Santa Catarina: alguns autores atribuem a Sebastião Caboto, que fizera a denominação em homenagem à esposa Catarina Medrano; outros querem que tenha sido em homenagem a Santa Catarina de Alexandria, festejada pela igreja em 25 de novembro. É, portanto, assunto que merece novas reflexões.

Em 1541, aporta, ao continente fronteiro à ilha, a expedição de D. Alvar Nunes Cabeza de Vaca, comandante que intitula-se "Governador de Santa Catarina", dada a sua nomeação, pelo rei da Espanha, para tomar posse das terras da Coroa.

Entretanto, a Ilha de Santa Catarina não foi o único ponto do litoral mencionado pelos primeiros navegadores que aqui aportaram. Em 1527, no planisfério anônimo de Weimar, apareceu a designação de Rio de São Francisco, correspondente à baía de Babitonga, que banha a península da atual São Francisco do Sul.

Os primeiro povoadores: desterrados, náufragos e sacerdotes

O povoamento do território catarinense está intimamente ligado, nos seus primórdios, aos interesses de navegações portuguesas e espanholas, que tiveram o litoral de Santa Catarina como ponto de apoio para atingir, principalmente, a região do Rio do Prata (sem mencionar as expedições de outras nacionalidades).

Pelo fato de o litoral catarinense servir como ponto de apoio, constatou-se que os primeiros povoadores foram náufragos, como, por exemplo, os sobreviventes de uma embarcação da expedição de João Dias Solis, os quais integraram-se à comunidade indígena.

Outros aparecem, como os desertores, elementos que abandonaram a embarcação "San Gabriel" comandada por D. Rodrigo de Acuña, a qual fazia parte de uma expedição espanhola. Da mesma forma, da expedição de Caboto, em 1526, também apareceram desertores.

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Portugal utilizou-se, largamente, do princípio jurídico do "uti possidetis", o direito do primeiro possuidor, tendo em vista a política de ampliação de seu território e a constância das expedições espanholas no litoral catarinense e sul do Brasil no século XVI.

Após a "União Ibérica", isto é, o fim dos laços que uniam Portugal e Espanha (1580-1640), os bandeirantes, cada vez mais, alargaram as fronteiras das terras portuguesas. São as bandeiras vicentistas (provenientes da Capitania de São Vicente), de caça ao índio, que atingem o Brasil meridional.

Desta forma, o litoral catarinense passou a ser percorrido e conhecido, crescendo o interesse pela posse, com conseqüente ocupação.

As fundações vicentistas

São Francisco

O povoamento efetivo do litoral catarinense tem início com a fundação de São Francisco, sob a responsabilidade de Manoel Lourenço de Andrade, que recebeu, de um herdeiro de Pero Lopes de Souza, procuração para estabelecer, mais ao sul, uma povoação que denominou de Nossa Senhora da Graça do Rio de São Francisco, em 1658, cuja data tem sido alvo de discussão.

Desterro

Na marcha da ocupação do Sul, segue-se a fundação da povoa de Nossa Senhora do Desterro pelo bandeirante Francisco Dias Velho, que partiu de São Paulo, em 1672, acompanhado de familiares e índios domesticados, com interesses agropastoris. Com a morte de Dias Velho e a conseqüente retirada de seus filhos, a povoa do Desterro quase desapareceu.

A partir de 1715, com a concessão de sesmarias a portugueses, como Manoel Manso de Avelar, passa-se a sentir a necessidade de povoamento da Ilha, como forma de se defender do assédio constante por parte de navios estrangeiros; isso é demonstrado pelos próprios moradores, através de uma petição ao governo português.

Laguna

A fundação da vila de Santo Antônio dos Anjos de Laguna, como o povoamento do litoral do Rio Grande do Sul, ocorrem em virtude da necessidade de apoio à Colônia do Sacramento e de estabelecer ligação entre a costa e as estâncias do interior.

Deve-se a Domingos de Britto Peixoto a fundação de Laguna, por volta de 1684, após a pacificação de indígenas ali existentes. É a partir desta povoação que os portugueses se lançam à conquista dos territórios mais ao sul, como é o caso dos Campos de Viamão.

A Capital de Santa Catarina foi criada quando a Coroa Portuguesa através da Provisão Régia de 11 de agosto de 1738, desincorporou os territórios da Ilha de Santa Catarina e o Continente do Rio Grande de São Pedro da jurisdição de São Paulo, passando-os para o Rio de Janeiro.

Desta forma, Santa Catarina ficou subordinada diretamente aos Vice-Reis do Brasil. Eram esses que concentravam em suas mãos a grande autoridade administrativa e judiciária aos quais se subordinavam os capitães-generais. Santa Catarina constituiu-se no posto avançado da soberania portuguesa na América do Sul.

As razões são principalmente de ordem política. Tendo-se em vista a recente fundação da Colônia de

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Sacramento e a conseqüente necessidade de dar-lhe cobertura estratégico-militar, foi implantado um sistema defensivo para o litoral, onde se incluía a Ilha de Santa Catarina e a barra do Rio Grande.

A fundação das povoações "vicentistas" no litoral catarinense não fortaleceu o surto demográfico em toda sua extensão, mas tão somente criou três núcleos isolados, vivendo de sua subsistência como foi o caso de São Francisco, Desterro e Laguna. Posteriormente, ocorreu o quase total abandono da povoa de Nossa Senhora do Desterro, com a morte brutal de seu fundador e a fuga dos seus parentes e acompanhantes.

As ilhas do Arquipélago dos Açores, sofrendo abalos sísmicos terrestres ou submarinos, estimularam a saída de parte de sua população. Aliado a este fator estaria o precário desenvolvimento econômico da região, o desejo de lançar-se ao mar, mas principalmente o excesso populacional que em decorrência, provocava a escassez de alimentos em determinadas ocasiões.

O açoriano, embora desenvolva outras atividades de subsistência, mantém a continuidade da tradição pesqueira. Sua chegada coincide com a implantação e o desenvolvimento das "armações" de baleia. Assim, passa a desempenhar aquela atividade em alto-mar e, por conseqüência, surge a construção naval.

Como resultantes culturais, o elenco de manifestações da cultural popular inclui a tecelagem manual, técnicas de pesca, o folguedo "boi-na-vara", os "pão-por-Deus", danças (geralmente denominadas como fandangos), as festividades do ciclo do Divino Espírito Santo, além do substrato lingüístico.

A conquista do sul pelos paulistas foi efetuada inicialmente pelo litoral, através da ocupação desde São Vicente até Laguna, no século XVII.

Em 1720, Bartolomeu Paes de Abreu, sertanista, sugeriu ao Rei de Portugal, a abertura de um caminho que ligasse São Paulo ao atual Rio Grande do Sul. Referia-se às regiões de campos favoráveis à criação de gado, do qual o índio das missões foi o primeiro vaqueiro.

Na ocasião, muitos habitantes da região de Laguna, por determinação do Governador de São Paulo e atraídos pela criação de gado, dirigiram-se para as terras rio-grandenses, passando assim a povoar os "pampas".

A necessidade de um caminho terrestre que interligasse o extremo sul até São Paulo ou Rio de Janeiro prendia-se ao interesse econômico de abastecer as regiões de mineração com alimento e animal de transporte e também como meio de defesa da Colônia do Sacramento, aquele reduto português na região platina.

A iniciativa da construção de uma via de comunicação pelo interior provocou desagrado aos comerciantes tanto de Laguna como da Ilha de Santa Catarina pelo prejuízo que tal caminho poderia causar-lhes já que a atividade comercial era exercida exclusivamente através dos portos.

A fundação de Lages

Entre os tropeiros que, constantemente, através do "caminho do sul", demandavam aos campos de Viamão, em terras rio-grandenses, encontrava-se Antônio Correa Pinto, encarregado em 1766 de fundar uma povoação no sertão de Curitiba, num local que servia de paragem, chamada Lages. A determinação era de que a futura Vila deveria chamar-se Vila Nova dos Prazeres. Como argumento, dizia que havia a

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necessidade de proteção dos habitantes da região, mas também previa o desenvolvimento da agricultura e pecuária local e também como elemento estratégico, contra as investidas dos espanhóis.

Logo após a fundação de Lages, a Câmara da Vila de Laguna determinou a abertura de uma estrada ligando-a ao planalto, acompanhando o curso do rio Tubarão. Esta estrada, com melhorias no seus traçado é a que, hoje, se denomina "estrada do rio do Rastro".Em meados do século XVIII, após a anulação do Tratado de Madri, agravaram-se os conflitos entre as duas nações ibéricas, Portugal e Espanha, com a Guerra dos Sete Anos, na qual combateram Inglaterra e Portugal contra França e Espanha.

Os reflexos dessa guerra fizeram-se sentir na América, imediatamente.Tropas espanholas sob o comando de Cevallos, Governador de Bueno Aires, em 1762, invadiram a Colônia de Sacramento e regiões do atual Rio Grande do Sul.

Quando foi assinado o acordo de paz (Tratado de Paris) entra Portugal e Espanha foi devolvida a Colônia do Sacramento mas os espanhóis permaneceram no Rio Grande.

Diante dessa situação, o governo português, na pessoa do Marquês de Pombal, ministro do rei de D. José I, organizou um plano de expulsão dos espanhóis do Rio Grande, tendo como ponto de apoio a Ilha de Santa Catarina.

Com base nisso, inicia-se em 1774, o preparo da Capitania de Santa Catarina para as eventualidades de uma guerra no sul.

Para enfrentar as forças luso-brasileiras a Espanha organizou uma grande expedição cuja esquadra transportava um expressivo contingente (cerca de 9.000 soldados, além de mais de 6.000 elementos da marinha).

O governo português, além das fortificações já existentes na Ilha de Santa Catarina, preocupou-se em completar o sistema de defesa, através de instruções, recursos humanos, material bélico e embarcações. O forte da Ilha constituía uma força composta de 143 canhões.

2. A ocupação da Ilha de Santa Catarina

Em fevereiro de 1777 a força naval espanhola chega à enseada de Canasvieiras e dali invade com sucesso a ilha, provocando a retirada das autoridades e parte das tropas para o lado do continente.

Diante disso, alguns dias depois, é assinado o termo de capitulação e a entrega da Ilha de Santa Catarina a D. Pedro Cevalles, comandante da expedição.

A capitulação das tropas portuguesas fez-se de forma humilhante, com a fuga de uns e o embarque de outros em direção ao Rio de Janeiro.

O objetivo de dominar a Ilha evidenciou-se com a presença de inúmeros sacerdotes que, acompanhando a expedição, distribuíram-se pelas freguesias da Ilha.

3. O Tratado de Santo Ildefonso

As negociações de um tratado tiveram início após a morte de D. José I e a ascenção de D, Maria I.

Pelas cláusulas do contrato, assinado ainda em 1777, Portugal recebeu de volta a Ilha de Santa Catarina e ficou com quase todo o atual Estado do Rio Grande do Sul. Com respeito à Ilha o Governo português se

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comprometia a não utilizá-la como base naval nem por embarcações de guerra ou de comércio estrangeiros.

A Colonização Alemã

A primeira colônia européia em Santa Catarina foi instalada, por iniciativa do governo, em São Pedro de Alcântara, em 1829. Eram 523 colonos católicos vindos de Bremem (Alemanha).

Em 1829, a Sociedade Colonizadora de Hamburgo adquiriu 8 léguas quadradas de terra, correspondentes ao dote da princesa Dona Francisca, que casa com o príncipe, fundando a colônia Dona Francisca. Apesar das dificuldades do clima, do solo e do relevo, a colônia prosperou, expandindo-se pelos vales e planaltos e dando origem, em 1870, à colônia de São Bento do Sul. O núcleo dessa colônia deu origem à cidade de Joinville.-A colônia de Blumenau (atual Blumenau), no vale do rio Itajaí-Açú, fundada, em 1850, por um particular, Dr. Hermann Blumenau, foi vendida, dez anos após, ao Governo Imperial.

Em 1893, a Sociedade Colonizadora Hanseática fundava o vale do Itajaí do Norte, a colônia de Hamônia (hoje Ibirama).

No vale do Itajaí-Mirim, a partir de 1860, começaram a chegar as primeiras levas de imigrantes, principalmente alemães e italianos, que dinamizaram a colônia de Itajaí, posteriormente denominada Brusque.

Na parte sul da bacia do rio Tijucas, apesar dos insucessos da colônia pioneira de São Pedro de Alcântara, novos intentos colonizadores foram alcançados por alemães, com a criação das colônias de Santa Tereza e Angelina.

A colonização italiana

O elemento de cultura italiana insere-se no contexto populacional catarinense em seis momentos:

Fundação da colônia Nova Itália (atual São João Batista) em 1836, no vale do rio Tijucas, com imigrantes da Ilha da Sardenha.

Em decorrência do contrato firmado, em 1874, entre o governo imperial brasileiro e Joaquim Caetano Pinto Júnior, foram fundadas, a partir de 1875, Rio dos Cedros, Rodeio, Ascurra e Apoiúna, em torno da colônia Blumenau; Porto Franco (atual Botuverá) e Nova Trento, em torno da colônia Brusque. Em 1877, funda-se a colônia Luís Alves no vale do rio Itajaí-Açú e implantou-se, no vale do rio Tubarão, os núcleos de Azambuja, Pedras Grandes e Treze de Maio: no vale do Urussanga, os núcleos de Urussanga, Acioli de Vasconcelos (atual Cocal) e Criciúma.

Fundação da colônia Grão Pará (atuais municípios de Orleans, Grão Pará, São Ludgero e Braço do Norte), por Conde D'Eu e Joaquim Caetano Pinto Júnior.

Efetivação do contrato da Companhia Fiorita com o governo brasileiro em 1891; fundação, em 1893, da colônia Nova Veneza (atuais Nova Veneza e Siderópolis), estendendo-se do vale do rio Mãe Luzia até o vale do rio Araranguá.

Expansão das antigas colônias do médio vale do Itajaí-Mirim em direção ao interior, no encontro de novas terras no alto vale do Itajaí (Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste, assim como as do perímetro do Rio Tubarão).

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Ocupação - a partir de 1910, com a vinda dos ítalo-brasileiros do Rio Grande do Sul - das áreas marginais dos vales dos rios do Peixe e do Uruguai e, paulatinamente, do Médio e do Extremo Oeste catarinense.

A colonização eslava

A partir de 1871, chegou a Brusque o primeiro grupo de poloneses, que mais tarde se transferiu para o Paraná. Em função do contrato com o governo imperial, já ocorria o ingresso de poloneses na então província de Santa Catarina, em 1882.

A partir de 1889, novas levas de imigrantes poloneses e russos chegavam ao Sul de Santa Catarina - nos vales dos rios Urussanga, Tubarão, Mãe Luzia e Araranguá - e outras levas se localizaram nos vales dos rios Itajaí e Itapocu e em São Bento do Sul e adjacências.

Nessa mesma época, os imigrantes que chegavam ao porto de Paranaguá0 foram encaminhados pelo Governo do Paraná para a vila de Rio Negro e daí para a colônia Lucena (atual Itaiópolis).

Em 1900, vão ingressar nas localidades de Linha Antunes Braga, em São Camilo e Braço do Norte, nas terras da antiga colônia Grão Pará, e nas localidades de Estrada das Areias, Ribeirão das Pedras, Pedras Warnow Alto e Vargem Grande, nas terras do então município de Blumenau.

Após a Primeira Guerra Mundial, tem-se novos ingressos na região do vale do rio do Peixe, Médio-Oeste Catarinense, em rio das Antas e Ipoméia (1926); no vale do rio Uruguai, nos tributários do Uruguai, em Descanso (1934); no vale do Itajaí do Oeste (1937); em Faxinal dos Guedes (1938) e alto vale do Itajaí do Norte (1939) entre alguns outros poucos lugares.

Com a Segunda Guerra Mundial, imigrantes poloneses dirigiram-se, em 1940, através do vale do rio Uruguai para Mondaí e, em 1948, do alto vale do Itajaí para Pouso Redondo.

A partir de 1870, o império passou a enfrentar dificuldades crescentes, motivadas pelas mudanças de ordem econômica, tais como: a expansão cafeeira, a substituição da mão-de-obra escrava pela assalariada, a expansão das atividades industriais, comerciais e dos transportes; alterações sociais como o crescimento da população urbana, aumento da classe média urbana, maior escolarização etc.

Além disso, a crescente oposição dos que defendiam a república, organizou um novo partido - o republicano. A campanha em defesa do regime republicano correspondia às aspirações políticas dos novos grupos sociais e dos seus interesses econômicos.

Os vários segmentos da sociedade - como os produtores de café, os militares, os funcionários públicos e os profissionais liberais - reagiram contra a monarquia, cujas críticas concentraram-se no Manifesto Republicano divulgado em 1870, um pouco antes da criação do partido republicano. Essas críticas referiam-se, dentre outros motivos: à estagnação da vida política causada pelos partidos existentes (liberal e conservador); à excessiva centralização política e administrativa, que impedia a autonomia das províncias; à manutenção do trabalho escravo.

Participação de Santa Catarina no movimento republicano

O Partido Republicano consolidou-se inicialmente em algumas províncias, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Assim como o restante do país, Santa Catarina não participou do Manifesto de 1870 e da fundação do Partido Republicano, porém, não ficou à margem dos dois grandes temas da época, abolição da

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escravatura e idéias republicanas, manifestando-se em âmbito regional, com propagandas e movimentos sendo feitos através de clubes e jornais.

Foram fundados o Clube de Camboriú, em 1887, sob a presidência de Manoel Antônio Pereira, o "Clube Republicano Federalista" de Joinville e o "Clube Republicano Esteves Jr.", no Desterro, sob a presidência do farmacêutico Raulino Júlio Adolfo Oto Hom, no mesmo ano, e tendo como vice-presidente Gustavo Richard.

Dentre os jornais que divulgaram as idéias republicanas, surgiu, no Desterro, a "Voz do Povo" que, inclusive, se considerava "órgão do partido Republicano". Em 1886 surge outro, "O Independente", em Tijucas e também "A Folha Livre", que foi o jornal republicano de Joinville. Ainda apareceram "A Evolução" na capital e o "Blumenauer-Zeitung", em Blumenau.

A proclamação e a adesão à República

No dia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, à frente de um grupo militar apoiado por outros grupos republicanos, proclamou a República no Rio de Janeiro. No mesmo dia, foi organizado o governo provisório, chefiado pelo próprio Marechal.

Logo após o recebimento da notícia da proclamação, os associados do Clube Republicano do Desterro e os oficiais da Guarnição Militar aclamam um triunvirato destinado a assumir o governo catarinense. Essa Junta Governativa foi composta por Raulino Hom, pelo Coronel João Batista do Rego Barros (comandante da guarnição militar) e pelo Dr. Alexandre Marcelino Bayma, médico da referida guarnição.

A substituição do Presidente da Província, Dr. Luís Alves Leite de Oliveira Bello, pelo novo governo, foi feita de forma pacífica, com a adesão dos deputados monarquistas presentes. Ao proclamar-se a República, já existia, em território catarinense, uma Câmara Municipal totalmente republicana: a de São Bento do Sul.

Um a um, os demais municípios catarinenses vão aderir ao novo regime, que fortalece as lideranças regionais e Santa Catarina passará a ser governada por seus filhos, com a condução dos negócios públicos de acordo com os anseios da comunidade catarinense.

O primeiro governo republicano

Para o governo de Santa Catarina, foi escolhido o Tenente Lauro Severiano Müller, que chegou ao Desterro em 1889.

Suas primeiras atitudes foram no sentido de fazer o congraçamento da população catarinense através de visitas aos vários municípios. Após a dissolução das Câmaras Municipais, criou as Intendências Municipais.

O novo governo federal convocou, de imediato, uma Assembléia Constituinte e, em 1890, foram realizadas as eleições. Desta maneira, com a saída de Lauro Müller, o governo do Estado ficou sob a responsabilidade de Gustavo Richard, que era o 2o vice-governador.

Em 24 de fevereiro de 1891, foi promulgada a Constituição Federal que estabeleceu, no Brasil, a República Federativa, correspondente à união dos estados autônomos.

Alterou bastante a organização do Estado, como por exemplo, o Presidente da República seria eleito pelo povo: senadores e deputados também seriam eleitos pelo povo, cujo direito de voto caberia aos cidadãos homens, maiores de 21 anos e alfabetizados; as províncias passariam a ser Estados, com maior autonomia

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política e administrativa etc.

Em seguida, estabeleceram-se as eleições para a Assembléia Constituinte Estadual. A Constituinte de Santa Catarina foi instalada a 28 de abril de 1891 e, no mês seguinte, elegia para governador o mesmo Lauro Müller e, para primeiro e segundo vices, Raulino Hom e Gustavo Richard, respectivamente. Em junho, os constituintes davam, ao Estado, a sua primeira Constituição.

A partir daí, foi efetiva a participação política de Lauro Müller, galgando os mais altos postos, como: governador do Estado, senador, ministro da viação e obras públicas e ministro das relações exteriores.

O período regencial caracterizou-se por uma série de agitações de ordem social e política. Ocorrência de revoltas em vários pontos do país, muitas das quais colocaram em perigo a unidade nacional, motivadas pelas dificuldades econômicas e pelo descontentamento político.

A república foi proclamada em 1836, na Câmara Municipal de Piratini e a pretensão de estendê-la a outras províncias fez com que chegasse até Santa Catarina.

As idéias liberais em Santa Catarina

O desenvolvimento das idéias liberais em Santa Catarina pôde ser visto através das publicações de Jerônimo Francisco Coelho e das atividades da "Sociedade Patriótica". Ao romper a Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, desenvolveu-se ainda mais o espírito liberal nas terras catarinenses.

A eclosão daquele movimento encontrou na Presidência da Província de Santa Catarina, Feliciano Nunes Pires. Logo, em seguida, foi substituído pelo Presidente José Mariano de Albuquerque Cavalcanti. Ao tomar conhecimento das manifestações surgidas na laguna em favor dos farroupilhas, tentou abafá-las.

Em Lages, encontrou-se outro grande defensor da causa farroupilha, na pessoa do seu pároco, o Padre João Vicente Fernandes. É interessante destacar a intensa pregação liberal praticada pelo clero naquele período. As tendências liberais propagadas pela província catarinense provocaram a constante substituição dos seus presidentes.

Tendo assumido a presidência, o Coronel José Joaquim Machado de Oliveira realizou uma política de conciliação, pois, não lhe era estranha à adesão dos catarinenses aos ideais farroupilhas. Isto provocou sua substituição em outubro de 1837, pelo português Brigadeiro João Carlos Pardal.

O Brigadeiro Pardal exerceu suas funções com despotismo e muita arbitrariedade, o que provocou ainda o descontentamento dos catarinenses. Quando de sua administração deu-se à tomada de Laguna pelos farroupilhas aumentando o foco liberal no litoral da Santa Catarina. Entre os principais defensores das idéias liberais pode-se destacar, na Capital da Província, João Antônio Rodrigues Pereira, Francisco Duarte Silva, João Francisco de Souza Coutinho, Joaquim Cardoso e João José de Castro.Além da receptividade quanto aos ideais liberais, a investida dos farroupilhas à Laguna, levou em consideração o seu valor como centro abastecedor das tropas e por ser um porto de mar à disposição, no momento em que estavam sem saída para o mar, no Rio Grande do Sul. Daí o interesse de incorporá-la à República de Piratini.

A tomada de Laguna foi feita pela ação conjugada das forças farroupilhas, as de mar sob comando de Giuseppe Garibaldi e as de terra tendo à frente Davi Canabarro.

Assim, a 22 de julho de 1839, estava Laguna em poder dos farroupilhas. Deram-lhe o nome de "Cidade Juliana de Laguna" e instalaram o Governo Provisório da "República Catarinense", sob a presidência de

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Davi Canabarro. Propôs o mesmo, que se organizasse de forma democrática, a nova república e, para tal, ordenou que a Câmara Municipal procedesse à eleição provisória do Presidente da "República Catarinense".

A extensão das forças liberais no litoral catarinense exigiu, por sua vez, que o Governo Central colocasse na Presidência da Província um elemento com larga experiência; tratava-se do Marechal Francisco José de Souza Soares Andréa, militar de relevantes serviços à causa legalista. Imediatamente foi organizada a repressão, ocasionando a derrota farroupilha.

A derrota naval dos farroupilhas ocorreu no final de 1839 e a eles, só restou, como alternativa, marchar por terra em direção ao planalto sob o comando do Coronel Joaquim Teixeira Nunes e de Garibaldi.

É nesse trajeto que muitos deles são aprisionados, entre eles Ana de Jesus Ribeiro (Anita Garibaldi) que consegue fugir e reunir-se a Garibaldi em Lages, para seguirem logo após para o Rio Grande do Sul.

Em março de 1840 desaparece a efêmera república em Santa Catarina. Entretanto, apenas em 1845 finaliza a Revolução Farroupilha quando o Governo Imperial aceita muitas das reinvindicações dos gaúchos.

Anita Garibaldi

A catarinense Ana Maria de Jesus Ribeiro tornou-se legendária nas lutas liberais dos dois lados do Oceano Atlântico -- quer nas terras brasileiras, quer nas da península italiana -- e, por isso, foi denominada de "Heroína dos Dois Mundos", com o nome de Anita Garibaldi.

A presença de Garibaldi na Laguna fez com que Anita se envolvesse com a causa farroupilha participando da reação contra as forças imperiais e acompanhando os revolucionários na retirada da Laguna em direção ao planalto.

Em janeiro de 1840, Anita foi feita prisioneira quando os farroupilhas são atacados de surpresa, em local próximo ao rio Marombas. Entretanto, consegue fugir e, embora grávida, vai reunir-se a Garibaldi em Lages e dai seguem para o Rio Grande do Sul. A partir daí, sofreu todos os contratempos que uma revolução possa trazer, sempre acompanhando o seu Garibaldi.

Em 1841 partem para o Uruguai onde lutam em favor da preservação da república uruguaia, com a "Legião Italiana de Montevideo", onde Anita continua como enfermeira dedicada aos companheiros do marido.

Acompanha Garibaldi, em 1848, quando este retorna à terra natal para prosseguir na luta pela unificação da Itália. Neste mesmo ano Anita veio a falecer em território italiano. A disputa travada entre as províncias do Paraná e Santa Catarina, pela área localizada no planalto meridional entre os rios do Peixe e Peperiguaçu, estendendo-se aos territórios de Curitibanos e Campos Novos era antiga, originada antes mesmo da criação da província do Paraná, em 1853, permanecendo em litígio até o período republicano.

Em 1855, o governo da província do Paraná desenvolvia tese de que a sua jurisdição se estendia por todo o planalto meridional. Daí em diante, uma luta incessante vai ter lugar no Parlamento do Império, onde os representantes de ambas as províncias propunham soluções, sem chegar a fórmulas conciliatórias.

Depois de vários acontecimentos que protelaram as decisões - como a abertura da "Estrada da Serra" e também a disputa entre Brasil e Argentina pelos "Campos de Palmas" ou "Misiones" - o Estado de Santa Catarina, em 1904, teve ganho de causa, embora o Paraná se recusasse a cumprir a sentença.

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Houve novo recurso e, em 1909, nova decisão favorável a Santa Catarina, quando, mais uma vez, o Paraná contesta. Em 1910, o Supremo Tribunal dá ganho de causa a Santa Catarina.

A Guerra do Contestado e as operações militares

A região contestada era povoada por "posseiros" que, sem oportunidade de ascensão social ou econômica, como peões ou agregados das grandes fazendas, tomavam, como alternativa, a procura de paragens para tentar nova vida.

Ao lado desses elementos sem maior cultura - mas fundamentalmente religiosos, subordinados a um cristianismo ortodoxo - vão se congregar outros elementos como os operários da construção da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, ao longo do vale do rio do Peixe.

Junto a esta população marginalizada, destaca-se a atuação dos chamados "monges", dentre os quais o primeiro identificado chamava-se João Maria de Agostoni, de nacionalidade italiana, que transitou pelas regiões do Rio Negro e Lages, desaparecendo após a Proclamação da República.

Após 1893, consta o aparecimento de um segundo João Maria, entre os rios Iguaçu e Uruguai. Em 1987, surge outro monge, no município de Lages. Em 1912, em Campos Novos, surge o monge José Maria, ex-soldado do Exército, Miguel Lucena de Boaventura, que não aceitava os problemas sociais que atingiam a população sertaneja do planalto.

O agrupamento que começou a se formar em torno do monge, composto principalmente de caboclos saídos de Curitibanos, se instala nos Campos do Irani. Esta área, sob o controle do Paraná, teme os "invasores catarinenses" e mobiliza o seu Regimento de Segurança, pois esta invasão ocorre, justamente, naquele momento de litígio entre os dois Estados.

Em novembro de 1912, o acampamento de Irani é atacado pela força policial paranaense e trava-se sangrento combate, com a perda de muitos homens e de grande quantidade de material bélico do Paraná, o que fez desencadear novos confrontos, além do agravamento das relações entre Paraná e Santa Catarina.

Os caboclos vão formar, pela segunda vez, em dezembro de 1913, uma concentração em Taquaruçu, que se tornou a "Cidade Santa", com grande religiosidade e, na qual, os caboclos tratavam-se como "irmãos". Neste mesmo ano, tropas do Exército e da Força Policial de Santa Catarina atacam Taquaruçu, mas são expulsas, deixando, ali, grande parte do armamento.

Após a morte de outro líder, Praxedes Gomes Damasceno, antigo seguidor do monge José Maria, os caboclos se encontram enfraquecidos. No segundo ataque, Taquaruçu era um reduto com grande predomínio de mulheres e crianças, sendo a povoação arrasada.

Outros povoados, ainda, como Perdizes Grandes, seriam formados e diversos outros combates, principalmente sob a forma de guerrilhas, se travariam até que o conflito na região realmente terminasse.

O primeiro município a ser criado na Capitania de Santa Catarina foi o de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco do Sul, hoje São Francisco do Sul, no ano de 1660; em 1714, era criado o segundo município, Santo Antônio dos Anjos da Laguna, atual Laguna.

Em 1726, desmembrava-se de Laguna o município de Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis.

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Pelos caminhos de Lages foram se fixando povoações em direção ao Rio Grande do Sul e, em 1770, Lages emancipava-se da Capitania de São Paulo, anexando-se à Capitania de Santa Catarina.

Por volta de 1832, emancipavam-se de Florianópolis: Porto Belo, São Miguel (hoje Biguaçú) e São José. Após 27 anos, Porto Belo perdia sua autonomia, retornando-a em 1925. Em 1859 foi a vez da emancipação de São Sebastião da Foz do Rio Tijucas, atual Tijucas.

Em 1839, o Governo da República Farroupilha decretava a cidade de Laguna como a capital de Santa Catarina, com o nome de Juliana, época movimentada que terminou em março de 1845.

A vinda de imigrantes europeus para colonizar terras de Santa Catarina contribui para a expansão dos povoados e consequente aumento da população.

O mapa de 1907 mostra os contornos imprecisos do Estado, devido a questões de limites com os Estados do Rio Grande do Sul e Paraná. Em 1917, foi estabelecido o "Acordo de Limites" entre Paraná e Santa Catarina, passando o limite desses Estados pelo divisor de águas entre as bacias hidrográficas dos rios Iguaçu e Uruguai, incorporando-se definitivamente a Santa Catarina todo o oeste e os municípios de Mafra e Porto União, ao norte.

No ano de 1930, ficou resolvido o problema divisório entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, anexando-se ao território catarinense o trecho da nascente do rio Mampituba, entre o arroio Josafá e a encosta da Serra Geral. Nessa época Santa Catarina, contava com 34 municípios.

Em 1934, desmembrava-se de Blumenau: Timbó, Indaial, Ibirama e Gaspar; de Joaçaba: Concórdia; de Campos Novos e Joaçaba: Caçador; e de Joinville: Jaraguá do Sul.

Em 1934, o Estado de Santa catarina sofreu uma redução com a criação do Território de Iguaçú, porém por pouco tempo, pois em 1946 Santa Catarina retomava este território.

No ano de 1953, 8 municípios conseguiam sua autonomia: Dionísio Cerqueira, Itapiranga, Mondaí, Palmitos, São Carlos, São Miguel d'Oeste, Xanxerê e Xaxim, fragmentando, pela primeira vez, o município de Chapecó.

Em 1958, mais de 30 municípios foram criados; e de 1961 a 1967 foram criados mais 91.Após um intervalo de 15 anos, em 1982, emanciparam-se de Lages, os municípios de Otacílio Costa e de Correia Pinto.

O maior número de desmembramento ocorreu nas zonas coloniais de maior densidade populacional, como nos vales dos rios Itajaí, do Peixe, Tubarão e Chapecó.

Lauro Severiano Müller – 1889 a 1891

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1º Vice – Raulino Júlio Adolfo Horn2º Vice – Gustavo Richard

Foi o primeiro governador republicano de Santa Catarina, nomeado em 02 de dezembro de 1889 pelo Marechal Deodoro da Fonseca, para o período de 1889 a 1890. Foi eleito, ainda, pela Assembléia, para um segundo período, governado até 1891.

Em 07 de janeiro de 1890, Müller dissolve as câmaras municipais e cria conselhos, constituídos por intendentes municipais. Em 24 de agosto do mesmo ano, deixa o governo e toma posse na Câmara Federal.

No dia 16 de setembro de 1890, são realizadas as primeiras eleições indiretas para governador e vices. São eleitos os republicanos Lauro Müller como governador, Raulino Horn como primeiro-vice e Gustavo Richard como segundo-vice.

Em 29 de setembro, um mês após ter tomado posse na Câmara Federal, Lauro Müller reassume o governo do Estado, pois Deodoro da Fonseca havia dissolvido o Congresso.

Müller fica no poder até o dia 05 de outubro, quando passa o cargo ao seu primeiro vice, Raulino Horn, e retorna ao Rio de Janeiro para assumir como deputado, já que a Câmara havia sido reconvocada por Floriano Peixoto, que substituiu Deodoro. Raulino governa por apenas cinco dias, passa o governo ao segundo-vice Gustavo Richard e segue para o Rio de Janeiro, onde assume como senador.

Em novembro de 1891, Lauro retorna e reassume o governo. Em 28 de dezembro, renuncia ao cargo e volta para a Câmara. Como representante do Estado a nível nacional, faz o plano viário para Santa Catarina. Em 1890, é inaugurada, ainda, a estrada entre Nova Trento e Tijucas e também de Tijucas a Porto Belo.

Em 29 de dezembro de 1891, Lauro Müller renuncia ao governo, por pressão dos federalistas catarinenses, que haviam enviado um grupo para agredir fisicamente Müller, intimidando-o a deixar o governo. Ainda assim, o governador resiste para evitar derramamento de sangue. Assim, Müller volta para o Rio de Janeiro, assume seu cargo de deputado federal e continua defendendo a queda do federalismo.

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Manoel Joaquim Machado – 1892 a 1894

Vice Eliseu Guilherme da Silva

Foi nomeado interventor de Santa Catarina, por decreto de Floriano Peixoto. Assumiu o governo em 1º de março de 1892. Em 15 de setembro do mesmo ano, foi eleito, pelo Congresso Representativo do Estado, para o cargo de governador, administrando até 08 de setembro de 1893. Em 1893, criou a Junta Comercial do Estado.

Denunciado e processado, pela prisão de um funcionário federal, Manoel Joaquim Machado teve que se afastar em junho de 1893, assumindo o poder Eliseu Guilherme, o vice.

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Com o estabelecimento do Governo Provisório e Revolucionário da República, em Desterro, voltou a governar no período de 24 de fevereiro a 15 de abril de 1894, quando foi deposto pelas tropas legalistas chefiadas pelo coronel Antônio Moreira César.

Durante a administração de Joaquim Machado, foi criada a Escola Normal, que deu origem ao Instituto Estadual de Educação.

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Hercílio Pedro da Luz – 1894 a 1898

Vice Polidoro Olavo Santiago

Primeiro governador republicano eleito pelo povo de Santa Catarina, assumiu em 28 de setembro de 1894.

Três dias depois de sua posse, sancionou o projeto de lei do legislativo que propôs a alteração do nome de Desterro para Florianópolis.

Tentou criar o primeiro sistema de iluminação pública de Florianópolis e, para tanto, foi criada uma sociedade - entre Joaquim Manuel da Silva, Francisco José Ramos e Paul Darché - que recebeu a concessão municipal de luz elétrica em 8 de setembro de 1897. Mas a sociedade não conseguiu levar a bom termo o projeto inicial e, desta forma, a luz foi inaugurada somente em 25 de setembro de 1910, tanto na capital como em Blumenau e Joinville.

Sob seu governo, em 1986, é instalada e inaugurada, na região do Contestado, a linha telegráfica entre Joinville e São Bento. Fez várias intervenções no sistema viário estadual e adotou medidas para melhorar o transporte marítimo e fluvial. Elegeu-se vereador em 13 de dezembro de 1898.

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Felipe Schmidt – 1898 a 1902

Vice Coronel Firmino Lopes do Rego

Assumiu em 28 de setembro de 1898 e permaneceu no cargo até 28 de setembro de 1902.

Esta primeira administração de Felipe Schmidt foi marcada pela preocupação com o ensino médio e pela dedicação ao ensino agrícola. Em seus dois governos, a questão predominante era o Acordo de Limites entre os estados de Santa Catarina e Paraná.

Durante esse seu primeiro governo, houve uma forte cisão no PRC (Partido Republicano Catarinense) que prejudicou o desenvolvimento do Estado, já castigado anteriormente pela guerra civil. Esta foi a maior crise em seu governo, que ocorreu em 1900. Todo o desacordo dentro do partido aconteceu em virtude da lista de deputados estaduais elaborada por Felipe Schmidt, com 22 nomes. Os membros da Comissão Diretora acusaram o então governador de favorecer, em sua chapa, empregados públicos e pessoas sem

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nenhuma expressão eleitoral. Felipe Schmidt foi pressionado, de um lado pelo governo de seu primo Lauro Müller e, de outro pela maior parte de seu partido.

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Lauro Severiano Müller – 1902 a 1906

Vice Vidal Ramos

Assumiu em 28 de setembro de 1902, porém permaneceu no cargo apenas 44 dias por preferir o cargo de Ministro de Viação e Obras Públicas de Rodrigues Alves. Assumiu o Vice, que permaneceu até 28 de setembro de 1906.

Vidal Ramos, assumindo o governo, tinha como meta reformar o ensino e, em 1904, o Estado de Santa Catarina almejava seguir o exemplo paulista, o que veio a acontecer em 1911, durante seu segundo governo.

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Gustavo Richard – 1906 a 1910

Vice Abdon Batista

O vice doutor Batista assume, em 28 de setembro de 1906, por impedimento ocasional do governador Richard. Em 21 de dezembro do mesmo ano, Gustavo Richard assume o cargo.

Durante sua administração, foram implantados, na Capital, o sistema telefônico, o serviço de abastecimento público de água e o de iluminação elétrica. Foram, ainda, construídas pontes metálicas sobre alguns rios importantes do Estado. Foi inaugurada a primeira sede da Assembléia Legislativa, incendiada em 1956.

Outros benefícios vieram, como a construção do Palácio do Congresso, a Biblioteca Pública, a Diretoria de Higiene, o Liceu de Artes e Ofícios, o calçamento da Praça XV de Novembro e a reforma do Jardim Oliveira Belo.

Sua administração teve forte oposição de Hercílio Luz e, em 27 de fevereiro de 1908, os dois políticos romperam as relações.

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Vidal José de Oliveira Ramos – 1910 a 1914

Vice Eugênio Luis Müller

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Tomou posse em 29 de setembro de 1910, permanecendo até 28 de setembro de 1914. Foi responsável pela primeira reforma do ensino catarinense. Para o governador, a mudança proposta deveria caracterizar-se por: “ fundar um novo tipo de escola, dar à mocidade um professorado cheio de emulação e estabelecer uma fiscalização técnica e administrativa real e constante”.

A reorganização do ensino deflagrada em seu governo – e considerada uma das mais decisivas do setor em Santa Catarina – seguiu as linhas básicas da escola pública do Estado de São Paulo e desenvolveu-se sob a orientação do professor paulista Orestes Guimarães, especialmente contratado para este fim.

A Escola Normal foi a primeira unidade de ensino atingida pela ação desse educador. O programa de admissão foi reorganizado e ela recebeu novo regulamento. Sofreu reforma física, ampliação, passou a ter mais horas de atividade escolar, a ensinar Pedagogia e Psicologia e um terço de suas aulas deviam ter caráter prático.

Durante o governo de Vidal Ramos, ocorreu, ainda, a Guerra do Contestado, que iniciou em 1912 e desenvolveu-se até 1915 por motivo da abertura da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande. A guerra teve como espaço o meio-oeste cararinense e como centro o Rio do Peixe, que era uma região constestada pelos estados do Paraná e Santa Catarina.

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Felipe Schmidt – 1914 a 1918

Vice Lauro Müller

Assumiu em 28 de outubro e permaneceu até 28 de outubro de 1918. Em 20 de outubro de 1916, Felipe Schmidt e Affonso Alves de Camargo (governador do Paraná) assinaram Acordo de Limites entre os dois estados, por imposição do presidente da república, Brás Pereira Gomes.

Dedicou-se, neste seu segundo governo, a questões como a ligação viária entre diferentes regiões do Estado e às despesas públicas, na tentativa de levantar a situação financeira do Estado.

Preocupou-se com o sanemento básico, instalando a rede de esgoto.

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Hercílio Pedro da Luz – 1918 a 1922

O governador eleito foi Lauro Müller e o vice, Hercílio Luz (em 04-08-1918), mas quem tomou posse foi Hercílio Luz (em 28-09-1918). Fez-se constar em Ata que o Lauro Müller não assumiu porque deixou de prestar juramento ao cargo de governador, por não haver comparecido.

Durante seu primeiro governo, já havia uma preocupação com o problema do saneamento básico e, neste seu segundo governo, imprimiu nova conceituação ao plano de saneamento no arroio da Bulha. Com esta

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empreendimento, criou uma avenida, que mais tarde se chamaria Avenida Hercílio Luz. Esta se estendia até a Baía Norte, onde fica hoje a Heitor Luz. Posteriormente, a parte norte lhe foi retirada. Combinada então à nova formulação da rua José Veiga, resultou na Avenida Mauro Ramos.

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Hercílio Pedro da Luz – 1922 a 1926

Vice Antônio Pereira Oliveira

Assumiu em 28 de setembro, faleceu após dois anos de administração, em 20 de outubro de 1924.

Não chega a exercer o poder integralmente nesse período, sendo substituído durante longos meses pelo vice Antônio Pereira Oliveira.

Assumiu o governo o vice, que governou até 23 de março de 1926, quando assumiu o governo Antônio Vicente Bulcão Vianna, Presidente do Congresso Estadual, que permaneceu até 28 de setembro de 1926.

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Adolpho Konder – 1926 a 1930

Vice Valmor Argemiro Ribeiro Branco

Assumiu o governo em 28 de setembro. Governou até 19 de fevereiro de 1929, quando candidatou-se ao Congresso Nacional e passou o governo para o Presidente do Congresso Estadual, Antônio Vicente Bulcão Vianna.

Ao abrir a sessão legislativa de 1927, o governador Adolpho Konder já tinha, em 22 de julho do mesmo ano, vontade de reformar a Constituição Estadual. Ele propunha que a Carta fosse realizada como “medida justa e imprescindível”. Em 1928, quando abriu a sessão legislativa, o assunto era a reforma constitucional.

Em 02 de julho de 1929 foi nomeada a Comissão encarregada de dar parecer sobre a Reforma Constitucional, composta pelo deputados Artur Ferreira da Costa, Carlos Gomes de Oliveira, Álvaro Catão, Manoel da Nóbrega, Dorval Malchiades de Sousam Luiz Gallotti e Marcos Konder (irmão de Adolpho). Esta Constituição foi promulgada em 27 de julho de 1929.

Konder, em 1929, realizou viagem histórica ao ponto final do território catarinense, encontrando-se com Getúlio Vargas, então governador do Rio Grande do Sul. Viajou em lombo de cavalo e foi o primeiro governador a chegar ao Oeste catarinense. Ao chegar a Dionísio Cerqueira, fundou um escola, sediou um destacamento da Polícia Militar e nomeou um exator para a arrecadação de tributos.

Suas obras foram muitas e, dentre elas, destacam-se a campanha em prol do cultivo de trigo, a transformação e adaptação do edifício do jornal oficial A República em sede do Poder Judiciário, a construção da Penitenciária do Estado, na capital, e o apoio às obras da maternidade local, depois

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denominada Carlos Corrêa.

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Fulvio Aducci – 1930

Último governador da República Velha, assumiu em 29 de setembro.Foi o governador que por menos tempo ocupou o governo do Estado. Em 25 de outubro de 1930, em virtude da Revolução de 30, viu-se obrigado a renunciar, entregando o cargo a uma junta de militares que, no dia seguinte, passou ao interventor revolucionário gaúcho General Ptolomeu de Assis Brasil.

A Revolução de 1930 teve muitos reflexos, dividindo a classe política catarinense. De um lado, ficou o PRC (Partido Republicano Catarinense), liderado pelos herdeiros políticos do “laurismo” – Lauro Müller – e do “hercilismo” – Hercílio Luz – representado pelos irmãos Konder (Adolpho, Vitor e Marcos) e por Fúlvio Aducci (último governador da Primeira República). De outro, a AL (Aliança Liberal) de Nereu Ramos, Francisco Barreiros Filho Oswaldo Melo e Gustavo Neves, que apoiava a Revolução.

Com a Revolução de 1930 e a conseqüente saída de Aducci do poder, iniciou-se um novo período na vida política brasileira e catarinense: a Segunda República, que se estende de 1930 até 1945.

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INTERVENTORES DE 1930

A Intervenção de 1930 a 1947

Junta Governativa

No dia 25 de outubro de 1930, em decorrência da Revolução de 30, o governador republicano Aducci se viu obrigado a renunciar ao seu cargo, assumindo o governo uma Junta Governativa.

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Ptolomeu de Assis Brasil – 1930 a 1932

No dia seguinte, 26 de outubro de 1930, quando as tropas militares cruzaram a ponte Hercílio Luz, comandadas pelo gaúcho Ptolomeu de Assis Brasil, a Junta passou-lhe o governo do Estado, tendo o general sido nomeado interventor militar em Santa Catarina.

Dias depois ter sido nomeado interventor, Ptolomeu foi efetivado no governo e instalou o Governo Provisório de Santa Catarina. Em 1932, renunciou ao governo, alegando problemas de saúde, motivos

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particulares e de foro íntimo.

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Rui Zobaran – 1932 a 1933O interventor que sucedeu Assis Brasil foi o também gaúcho Major Rui Zobaran (posse em 26 de outubro de 1932). Os catarinenses sentiram-se marginalizados diante da escolha de mais um gaúcho.

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Aristiliano Laureno Ramos

Em 19 de outubro de 1933, Aristiliano Ramos (catarinense) foi nomeado interventor federal de Santa Catarina, em substituição ao gaúcho Rui Zobaran. Recebeu o governo de Marechal Pedro da Silveira, interventor interino e administrador do Estado.

Durante este período assumiram interinamente secretários de Estado, como: Cândido Ramos, Manoel Pedro da Silveira, Luís Carlos de Morais, Plácido Olímpio de Oliveira.Aristiliano foi candidato na eleição ao governo do Estado (março de 1934) e derrotado por seu primo Nereu Ramos. Para não entregar o governo ao primo e inimigo político, renunciou à interventoria, passando a Fontoura Borges do Amaral Mello.

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Nereu Ramos – 1935 a 1945

Assumiu em 1º de maio de 1935, eleito por voto indireto, e, durante seu governo, o Estado foi dotado de uma das melhores redes de estradas do país, tanto pela extensão quanto pela conservação. Distribui dezenas de postos de saúde, creches, maternidades e escolas por todo o território catarinense. A medida política que mais notabilizou sua administração foi a nacionalização do ensino. A atitude provocou profundos conflitos com as populações de origens estrangeiras, principalmente alemãs e italianas, simpatizantes, na época, do nazismo, integralismo e fascismo. As escolas que ensinavam língua estrangeira foram fechadas mas acabaram não sendo substiruídas, provocando a redução da escolaridade em Santa Catarina após a guerra.

Além disso, instituiu a obrigatoriedade da educação primária para crianças de oito a quatorze anos e proibiu a adoção de nomes estrangeiros por núcleos populacionais e escolas.

Em 1937, foi nomeado interventor federal do Estado pelo Presidente Getúlio Vargas. Exerceu esta função até 1945, quando foi deposto em 29 de outubro de 1945.

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Luiz Gallotti – 1945 a 1946Foi nomeado para o cargo, assumindo em 08 de novembro de 1945. Deixou o cargo em 05 de fevereiro de 1946.

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Udo Deeke – 1946 a 1947Foi nomeado para o cargo, assumindo em 05 de fevereiro de 1946. Permaneceu até 26 de março de 1947.

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GOVERNOS DO ESTADO DE SANTA CATARINA A PARTIR DE 1947 E TRANSMISSÃO DE CARGOS

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Aderbal Ramos da Silva – 1947 a 1951

Assumiu em 23 de março de 1947 e permaneceu no cargo até 31 de janeiro de 1951. Nos períodos de afastamento por saúde, foi substituído por José Boabaid, presidente da Assembléia Legislativa.

Durante seu governo, houve grande preocupação com o desenvolvimento da produção rural. Nesse período, foi criado o Serviço Florestal do Estado, bem como construída a adutora de Pilões e as torres que passaram a transmitir a energia gerada pela Usina Hiderelétrica de Capivari e Florianópolis. As duas últimas obras objetivavam resolver um problema que afligia a vida dos florianopolitanos na década de 40: a falta de água e de luz.

--------------------------------------------------------------------------------Irineu Bornhausen - 1951 a 1956

Assumiu em 31 de janeiro de 1951 e governou até 31 de janeiro de 1956. No governo Irineu Bornhausen, criou-se a Secretaria de Estado da Agricultura e o Tribunal de Contas do Estado.

Algumas das mais importantes ações do seu governo foram: o pagamento de todas as dívidas do governo anterior, remodelamento de duas importantes rodovias, construção de estradas, início da obra de abertura da rodovia da Serra do Rio do Rastro.

Bornhausen tinha, também, grande preocupação com a agricultura e a pecuária do Estado.

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No governo Irineu Bornhausen,assim como no governo de Aderbal Ramos da Silva, não houve vce-governador. De acordo com a Constituição de 1947, não havia o cargo de vice. Posteriormente, em 1955, foi criado o cargo através da Emenda Constitucional 3. Caso fosse necessário substituição, assumiria o Presidente da Assembléia, que, no governo Irineu Bornhausen, foram os seguintes parlamentares:

1951 – Deputado Volney Colaço de Oliveira1952 – Deputado Protógenes Vieira1953 – Deputado Volney Colaço de Oliveira1954 – Deputado Oswaldo Rodrigues Cabral

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Jorge Lacerda – 1956 a 1958

Vice Heriberto Hülse

Em 31 de janeiro de 1956, Irineu Bornhausen assume o cargo de governador do Estado e falece, em acidente aéreo com Nereu Ramos, em 16 de junho de 1958.Seu governo, embora breve, foi marcado por duas grandes obras fundamentais: a primeira rodovia asfaltada feita com recursos estaduais, ligando Itajaí a Blumenau e a constituição da Sociedade Termo-Elétrica de Capivari, mais tarde incorporada à ELETROSUL.

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Heriberto Hülse – 1958 a 1961

Hülse assume o cargo no dia 16 de junho de 1958, em substituição a Jorge Lacerda, que faleceu no mesmo dia, em acidente aéreo.

Em 21 de janeiro de 1959, Heriberto Hülse viaja para a capital da República, assumindo o presidente da Assembléia Legislativa, Dr. José de Miranda Ramos, até o dia 30 de janeiro de 1959.

Em 31 de dezembro de 1960, Heriberto Hülse interrompe, por alguns dias, o exercício de suas funções, assumindo, até o dia 10 de janeiro de 1961, o deputado Rury Hülse, presidente da Assembléia Legislativa.

Em sua administração, o Estado deu a grande arrancada desenvolvimentista que Celso Ramos, a partir de 1961, se encarregou de consolidar. Um dos fundadores da UDN (União Democrática Nacional) em Santa Catarina, Hülse instalou o partido em Criciúma, onde, desde muito cedo, começou a aparecer como importante liderança política regional.

Dentre suas obras, está a construção do hospital de Lages e dos fóruns de Criciúma e Tubarão.

--------------------------------------------------------------------------------Celso Ramos – 1961 a 1966

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Vice: Francisco Xavier Fontana

Assume em 31 de janeiro de 1961. Em 30 de junho de 1963, Celso Ramos viaja para fora do país, assumindo, até o dia 01 de agosto de 1963, Ivo Silveira, presidente da Assembléia Legislativa.

O fato de o PSD contar com maioria de votos (metade mais um), na Assembléia Legislativa, permitiu que seu governo realizasse todas as obras planejadas.

Sendo assim, inaugurou toda a estrutura que faltava ao desenvolvimento catarinense: um banco estatal (BESC), uma universidade (UDESC), uma concessionária de energia (CELESC) e um fundo de desenvolvimento (o FUNDEC). Elaborou, ainda, o primeiro orçamento plurianual de um estado brasileiro; foram construídas milhares de escolas e dezenas de ginásios; e foram criadas a ERUSC (Empresa de Eletrificação Rural de Santa Catarina) e a Secretaria dos Negócios do Oeste.

Santa Catarina, durante seu governo, foi escolhida como sede do encontro regional dos três estados do Sul, com os governadores Leonel Brizola (Rio Grande do Sul) e Ney Braga (Paraná) e a reunião aconteceu no Palácio Rosado, hoje Palácio Cruz e Sousa.

--------------------------------------------------------------------------------Ivo Silveira – 1966 a 1971

Vice: Francisco Dall´Igna/ Jorge Konder Bornhausen

Em 31 de janeiro de 1966, Ivo Silveira, presidente da Assembléia Legislativa, assume o cargo de governador do Estado.

Em 10 de março de 1967, o vice Francisco Dall´Igna teve seu cargo cassado por ser do PTB, partido do presidente da república João Goulart, que havia sido deposto em 31 de março de 1964. Assim, Jorge Konder Bornhausen assume a vice-governança, permanecendo no cargo até 15 de março de 1971.

Em seu governo, Silveira implantou uma ação, que serviu de exemplo para o país, para resolver o problema de perda de dinheiro dos produtores, que não tinham armazéns para estocar sua produção, vendendo-a na oportunidade certa. Ivo Silveira determinou à Secretaria do PLAMEG que abrisse uma linha de crédito especial, com juros baixos e prazos longos, para financiar cooperativas agropecuárias que quisessem construir seus armazéns. A atitude motivou o governo federal a modificar as normas de crédito bancário.

O governo de Ivo Silveira serviu mais uma vez de exemplo ao país na reforma na rede de distribuição de energia elétrica, que passou de 134 localidades em 1966 para 715 em 1968.

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GOVERNADORES DO ESTADO DE SANTA CATARINA ELEITOS POR VOTO INDIRETO

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Colombo Machado Salles – 1971 a 1975

Atílio Francisco Xavier Fontana

Em 15 de março de 1971, o engenheiro Colombo Machado Salles assume o cargo de governador do Estado.

Seu governo fundamentou-se no Projeto Catarinense de Desenvolvimento, depois transformado em Ação Catarinense de Desenvolvimento. A estratégia do projeto era a dinamização dos centros urbanos já relativamente desenvolvidos, que concentrassem parcelas de renda e estas permitissem um reimpulsionamento econômico com repercussões sociais.

Em seu governo, a mais cara de suas obras foi a implantação de 85 mil telefones. Além disso, foi construída a Ponte Colombo Salles.

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Antônio Carlos Konder Reis – 1975 a 1979

Vice: Marcos Henrique Büechler

Em 15 de março de 1975, Antônio Carlos Konder Reis assume o cargo de governador do Estado.

Na administração de Konder Reis, algumas obras e serviços como a construção de rodovias federais tiveram o apoio do governo federal, através do presidente Geisel.O lema do governo de Konder Reis era “Governar é encurtar distâncias”. O lema se referia a encurtar distâncias sociais e econômicas e a prioridade no plano de governo era a construção de estradas.

Outras ações importantes: criação do BADESC (Banco de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina); eletrificação rural, através da ERUSC (Eletrificação Rural de Santa Catarina); construção de novos hospitais; instalação do CNPSA (Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves), na área agrícola; construção de vários campus universitários etc.

--------------------------------------------------------------------------------Jorge Konder Bornhausen – 1979 a 1982

Vice Henrique Córdova

Em 15 de março de 1979, Jorge Konder Bornhausen assume o cargo de governador do Estado.

Em 05 de maio de 1980, Jorge Bornhausen viaja para o exterior, assumindo, até o dia 12 de maio de 1980, o governo o Presidente da Assembléia Legislativa Deputado Moacir Bértoli.

Na administração de Bornhausen, pavimentou mil quilômetros de rodovia em três anos; foi construído o

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Terminal Rita Maria; instalou 15 quilômetros de linhas de eletrificação rural; construiu o CIC (Centro Integrado de Cultura) e a FCEE (Fundação Catarinense de Educação Especial).

Bornhausen não terminou seu mandato em virtude de ter se candidatado e eleito senador.

--------------------------------------------------------------------------------Henrique Helion Velho de Córdova – 1982 a 1983

Em 14 de maio de 1982, Jorge Bornhausen transmite o cargo de governador ao Vice Henrique Córdova, em virtude da renúncia advinda da eleição para seu novo cargo.

Em 05 de janeiro de 1983, Henrique Córdova viaja para o exterior em caráter particular, assumindo, até o dia 10 de janeiro de 1983, o Desembargador Francisco May Filho, Presidente do Tribunal de Justiça.

Em 10 de janeiro de 1983, é transmitido o cargo de governador, de Francisco May Filho, Presidente do Tribunal de Justiça, ao Presidente da Assembléia Legislativa Deputado Epitácio Bittencourt, até 27 de janeiro de 1983.

As metas de seu governo eram o salário e as obras municipais, sendo o primeiro governador a dar uma reposição salarial fora dos padrões que existiam na época. Por isso, foi a Brasília explicar porque havia dado aumento acima dos limites: é que Santa Catarina tinha condições para fazer isso, mas os outros estados não.

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GOVERNADORES DO ESTADO DE SANTA CATARINA A PARTIR DE 1983, ELEITOS POR VOTO DIRETO

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Esperidião Amin Helou Filho – 1983 a 1987

Vice Victor Fontana

Em 15 de março de 1983, Esperidião Amin Helou Filho assume o cargo de governador do Estado.

Em 24 de junho de 1986, viaja para o exterior e o Desembargador Geraldo Gama Salles, Presidente do Tribunal de Justiça, assume o governo até o dia 01 de julho de 1986.

Amin criou, em sua administração, a Secretaria da Reconstrução, extinta após o fim de seu governo, que objetivava restaurar as perdas decorrentes das enchentes de 1983 e 1984 e da seca de 1985.

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O destaque de seu governo foi para os transportes: foram construídos mais de mil quilômetros de rodovias pavimentadas.

O apoio aos pequenos empresários rurais e urbanos também foi algo positivo em seu governo: chegou a criar uma linha de crédito no BESC, denominada Pequenos Negócios.

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Pedro Ivo Figueiredo de Campos – 1987 a 1990

Vice Casildo João Maldaner

Em 15 de março de 1987, Pedro Ivo Campos assume o governo do Estado.Em 27 de fevereiro de 1990, morre, de câncer, o governador do Estado, Pedro Ivo Campos.

Houve um esforço do governo para a recuperação financeira do Estado; além do BADESC, a principal instituição financeira, o BESC era o grande desafio. Para sanear o banco, a administração tomou várias decisões como: redução no número de diretorias, de infra-estrutura e de empregados, entre outras.

Destaca-se, neste governo, a reforma ou ampliação de uma unidade de saúde por semana; a quadruplicação da capacidade de processamento do CIASC.

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Casildo Maldaner – 1990 a 1991

Em 28 de fevereiro de 1990, em decorrência da morte de Pedro Ivo Campos, Casildo Maldaner assume o governo do Estado.

Em 02 de janeiro de 1991, Casildo Maldaner viaja para o exterior, assumindo o governo, até o dia 10 de janeiro de 1991, o Presidente da Assembléia Legislativa, Deputado Heitor Sché.

Dentre as preocupações administrativas, destacou-se a proteção com o meio ambiente, com a criação da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental.Tornou-se popular pelo uso de frases e trocadilhos.

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Vilson Pedro Kleinübing – 1991 a 1995

Vice Antônio Carlos Konder Reis

Em 15 de março de 1991, Vilson Pedro Kleinübing assume o governo do Estado.Em 25 de maio de 1992, Vilson Kleinübing viaja para o exterior (Washington), assumindo o governo, até 01 de junho de 1992, o Deputado Otávio Gilson dos Santos, Presidente da Assembléia Legislativa. Obs: O Vice-governador Antônio Carlos Konder Reis viajou nesta mesma época para a Antártida.

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Em 02 de abril de 1994, Konder Reis assume o governo, em virtude da renúncia do Senhor Vilson Kleinübing, pelo imperativo da Legislação Eleitoral.

O SIM (Saúde, Instrução e Moradia) era o tripé no qual apoiou o seu programa de governo. Porém, os investimentos feitos atingem muitas outras áreas, como as de tecnologia, transportes, turismo e agricultura. A recuperação do patrimônio público, em escolas e redes hospitalares, também foi um passo importante para o Estado.

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Paulo Afonso Evangelista Vieira – 1995 a 1999

Vice José Augusto Hülse

Em 01 de janeiro de 1995, Paulo Afonso Evangelista Vieira assume o cargo de governador do Estado, elegendo como diretrizes a “construção de um Estado de Qualidade”, com diversos projetos em áreas prioritárias.

Em 29 de janeiro de 1997, Paulo Afonso transmite o cargo de governador ao Presidente da Assembléia Legislativa Deputado Pedro Bittencourt Neto, que permanece até 06 de fevereiro de 1997. Paulo Afonso realizou viagem a Suíça, para participar da Reunião Anual do World Economie Fórum, bem como outros países europeus para contatos com empresários estrangeiros e encontros com representantes de instituições internacionais.

Em 22 de maio de 1998, Paulo Afonso transmite o exercício do cargo de governador ao Exmo. Sr. Desembargador João Martins, Presidente do Tribunal de Justiça, que permanece até o dia 01 de junho de 1998.

Em 30 de julho de 1998, Paulo Afonso viaja ao exterior, transmitindo o cargo de governador do Estado ao Exmo. Sr. Desembargador João Martins, Presidente da Assembléia Legislativa, que permanece até 31 de julho de 1998.

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Governo Esperidião Amin Helou Filho - 1999 a 2003

Vice Paulo Roberto Bauer

Em 01 de janeiro de 1999, o Exmo. Sr. Esperidião Amin Helou Filho assume o governo do Estado.

Nessa sua segunda gestão, fixou cinco postulados para seu planejamento governamental, a saber: “Incluir, Crescer, Preservar, Parceria e Bom Exemplo”.Em 10 de janeiro de 2001, Esperidião Amin Helou Filho viaja aos Estados Unidos da América, passando o cargo de governador do Estado ao Deputado Gilmar Knaesel, tendo em vista que o vice-governador está em período de licença. O deputado permanece no cargo até 14 de janeiro de 2001.

Em 10 de maio de 2002, Esperidião Amin Helou Filho viaja ao exterior, passando o cargo de governador

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ao Desembargador Antônio Fernando do Amaral e Silva, Presidente do Tribunal de Justiça, que permanece até o dia 21 de maio de 2002.Em 13 de agosto de 2002, Esperidião Amin Helou Filho viaja ao exterior, passando o cargo de governador ao Desembargador Antônio Fernando do Amaral e Silva, Presidente do Tribunal de Justiça, que permanece até o dia 16-08-2002.

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Governo Luiz Henrique da Silveira – 2003 a 2007

Vice Eduardo Pinho Moreira

Em 01 de janeiro de 2003, o Exmo. Sr. Luiz Henrique da Silveira assume o governo do Estado.

O ponto chave de seu governo é a descentralização, para que o governo esteja efetivamente presente em todo o território catarinense. Para tanto, está sendo realizada uma reengenharia da estrutura governamental, que promove a redistribuição de funções, substituindo funções centralizadas por regionalizadas. Essa regionalização fundamenta-se nas secretarias e nos conselhos de desenvolvimento regional.

Além desta característica da gestão, estão presentes a municipalização, a prioridade social e a modernização tecnológica.