gestão cultural coletivo palafita

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FACULDADE DO AMAPÁ FAMAP CURSO DE ADMINISTRAÇÃO GERAL ANTONIELE LAINE DE MOURA XAVIER GESTÃO CULTURAL: DESENVOLVIMENTO DA CADEIA PRODUTIVA DO COLETIVO PALAFITA E SEUS REFLEXOS NO CENÁRIO DA MÚSICA INDEPENDENTE DO AMAPÁ Macapá-AP 2009

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Page 1: Gestão Cultural Coletivo Palafita

FACULDADE DO AMAPÁ – FAMAP

CURSO DE ADMINISTRAÇÃO GERAL

ANTONIELE LAINE DE MOURA XAVIER

GESTÃO CULTURAL: DESENVOLVIMENTO DA CADEIA

PRODUTIVA DO COLETIVO PALAFITA E SEUS REFLEXOS NO

CENÁRIO DA MÚSICA INDEPENDENTE DO AMAPÁ

Macapá-AP 2009

Page 2: Gestão Cultural Coletivo Palafita

ANTONIELE LAINE DE MOURA XAVIER

GESTÃO CULTURAL: DESENVOLVIMENTO DA CADEIA

PRODUTIVA DO COLETIVO PALAFITA E SEUS REFLEXOS NO

CENÁRIO DA MÚSICA INDEPENDENTE DO AMAPÁ

Trabalho de Conclusão do Curso, apresentado para obtenção do grau de bacharel no Curso de Administração Geral da Faculdade do Amapá, FAMAP.

Orientadora: Professora Maria Cristina Sabóia Leão. Coorientadora: Professora mestre Waldenise Guedes

Macapá-AP

2009

Page 3: Gestão Cultural Coletivo Palafita

ANTONIELE LAINE DE MOURA XAVIER

GESTÃO CULTURAL: DESENVOLVIMENTO DA CADEIA PRODUTIVA DO

COLETIVO PALAFITA E SEUS REFLEXOS NO CENÁRIO DA MÚSICA

INDEPENDENTE DO AMAPÁ

Trabalho de Conclusão do Curso, apresentado para obtenção do grau de bacharel no Curso de Administração Geral da Faculdade do Amapá, FAMAP.

Macapá, 09 de dezembro de 2009

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________________ Profª. Maria Cristina Sabóia Leão – Orientadora

___________________________________________________ Profª. Mestre Waldenise Guedes - Coorientadora

___________________________________________________

Prof. Esp. José Lima – Professor convidado

Page 4: Gestão Cultural Coletivo Palafita

Dedico este trabalho em memória de minha madrinha de

coração, tia Ádila, que estaria compartilhando comigo de

grande felicidade pela concretização deste projeto.

Page 5: Gestão Cultural Coletivo Palafita

AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradeço a Deus por estar presente de forma tão positiva

na minha vida.

Aos meus pais, Rute e Júnior, que dão total apoio na minha caminhada em

busca de conhecimento.

Aos meus avós, Antonieta e Francinato, por serem compreensivos comigo

pelos finais de semana que tive que abdicar junto a eles para a concretização deste

trabalho.

Ao meu tio, Erifrank, que também soube entender a minha falta de

disponibilidade para lhe fazer companhia.

À minha irmã, Adilana, que me pressionava para ser mais organizada com

relação a este projeto (e na minha vida em geral!) – qualidade que admiro nela.

À minha irmã Adriana que mesmo reclamando também compreendeu a minha

ausência nas reuniões com a família para a realização deste projeto.

Ao meu sobrinho, Adan Lucas, que com seu sorriso e abraço carinhoso me

deram ânimo para continuar.

Aos colegas de curso pelo companheirismo nesta etapa que estamos

passando em comum.

À professora Marialva Ramalho que acompanhou a primeira etapa deste

trabalho, por sua dedicação e contribuição para construção deste.

À orientadora, norteadora e iluminadora professora Cristina Leão e pela

colaboração da professora coorientadora Waldenise Guedes.

À minha grande amiga Jenifer, parceira para todas as horas, que me colocou

em contato com a galera do Palafita (valeu Jj!).

À Heluana Quintas e Otto Ramos que me receberam com atenção no Coletivo

Palafita e colaboraram para realização deste projeto.

A todos que direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste

artigo.

Page 6: Gestão Cultural Coletivo Palafita

Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida. Ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem número, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio, mas isso te custaria a tua própria pessoa: tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Aonde leva? Não perguntes, siga-o!

Friedrich Nietzsche

Page 7: Gestão Cultural Coletivo Palafita

GESTÃO CULTURAL: DESENVOLVIMENTO DA CADEIA PRODUTIVA DA

INSTITUIÇÃO COLETIVO PALAFITA E SUAS ESTRATÉGIAS DE GESTÃO NO

CENÁRIO DE MÚSICA INDEPENDENTE NO AMAPÁ.

Antoniele Laine de Moura Xavier1

RESUMO Este artigo trata-se de um estudo de caso sobre a Gestão Cultural da instituição Coletivo Palafita com o objetivo de entender como se desenvolve sua estratégia de gestão no cenário de música independente no Amapá. Com a metodologia utilizada, através da pesquisa descritiva e análise de dados de cunho qualitativo, pode-se perceber a relevância da organização desenvolver e planejar suas ações de maneira estratégica através de uma rede de contatos integrada com auxílio da internet.

PALAVRAS-CHAVE: Gestão Cultural. Identidade coletiva. Sociedade em rede.

1 Bacharelanda do Curso de Administração Geral pela Faculdade do Amapá – FAMAP e concluinte

do curso de licenciatura em Artes Visuais pela Universidade Federal do Amapá – UNIFAP; e-mail: [email protected].

Page 8: Gestão Cultural Coletivo Palafita

RÉSUMÉ Cet article présente une étude de cas sur la gestion culturel de la institution Coletivo Palafita, afin de comprendre comment il développe sa stratégie de gestion de la scène musicale indépendante de l'Amapá. Grâce à la méthodologie utilisée par la recherche descriptive et d'analyse de données avec qualitative, on peut voir la pertinence de l'organisation à développer et planifier leurs actions de manière stratégique par le biais d'un réseau intégré de contacts avec l'aide de l'internet. MOTS CLÉS: Gestion culturelle. Identité collective. Réseau de la société.

Page 9: Gestão Cultural Coletivo Palafita

SUMÁRIO

I INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 09

II FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................. 10

2.1 O ESTADO E O TERCEIRO SETOR .................................................................. 10

2.2 SOCIEDADE EM REDE E IDENTIDADE COLETIVA ......................................... 13

2.2.1 Dimensão simbólica da cultura e identidade cultural ................................. 14

2.2.2 A cibercultura e seus reflexos na cultura do lugar ..................................... 15

2.3 GESTÃO CULTURAL E ORGANIZAÇÕES CULTURAIS ................................... 15

III METODOLOGIA ................................................................................................... 16

3.1 COLETIVO PALAFITA: UM ESTUDO DE CASO ................................................ 17

3.1.1 Pesquisa bibliográfica ................................................................................... 18

3.1.2 Pesquisa qualitativa ....................................................................................... 18

3.1.3 Pesquisa descritiva ........................................................................................ 18

3.1.4 Instrumento de coleta de dados.................................................................... 19

IV ANÁLISE DE DADOS .......................................................................................... 19

V CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 22

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 24

Page 10: Gestão Cultural Coletivo Palafita

9

I INTRODUÇÃO

O Amapá é geograficamente isolado do restante do país. A logística para o

escoamento de sua produção acontece somente via fluvial ou aérea. Por conta disto,

a integração com outros Estados – no referente à produção cultural local – encontra

dificuldades, mas isso não significa que ela não aconteça.

Uma política pública cultural eficiente proporciona o desenvolvimento de

gestões culturais que dialoguem com a sociedade civil investindo em suas

necessidades e mantendo o seu patrimônio cultural (material e imaterial).

Em contrapartida é necessário que a sociedade civil se organize

institucionalmente para participar de forma democrática das decisões referentes ao

Plano de Cultura de seu Estado para assim receber os benefícios dessa gestão que

estarão de acordo com suas necessidades e para desenvolver-se de forma

autônoma.

Em Macapá, um exemplo deste tipo de movimento social é a instituição

Coletivo Palafita que visa promover através de uma network (rede de contatos) as

bandas locais que possuem trabalho autoral independente pelo denominado Circuito

Fora do Eixo que é uma rede de trabalhos que nasceu em 2005, concebida por

produtores culturais das regiões centro-oeste, norte e sul.

Considerando este cenário (o Circuito Fora do Eixo é uma rede de contatos

de trabalhos autorais independentes – sobre ele será discorrido no decorrer do

trabalho). O foco da investigação desta pesquisa será o desenvolvimento da cadeia

produtiva da associação buscando analisar qual o reflexo da sua gestão no cenário

da música independente do Amapá.

Para tanto, este estudo de caso, através da pesquisa descritiva, qualitativa,

bibliográfica e de campo, descreverá o funcionamento da cadeia produtiva do

coletivo, identificará as estratégias utilizadas pela sua gestão, quais os avanços,

problemas e desafios em sua cadeia produtiva e analisará a problemática: como se

desenvolve a cadeia produtiva da instituição Coletivo Palafita, referente às suas

estratégias de gestão cultural no cenário de música independente no Amapá?

As atividades de sua gestão abrem portas para diversos nichos no mercado

cultural, aumentando a cadeia produtiva do setor. Entender suas estratégias de

gestão é relevante para se ter parâmetros para análises dos impactos econômico-

Page 11: Gestão Cultural Coletivo Palafita

10

sociais neste mercado e dar suporte para possíveis projeções deste setor ainda em

desenvolvimento no Estado do Amapá.

II FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 O ESTADO E O TERCEIRO SETOR

Muito se discute sobre qual o papel do Estado no desenvolvimento social.

Debate este promovido pela sintomática “crise mundial de uma concepção de

Estado” (COELHO, 2000. p. 29), ou o chamado welfare state – governos com

serviços padronizados, burocráticos, centralizados, objetivando “suprir as

necessidades sociais da população” (idem).

Como o Estado não supre estas necessidades efetivamente, a sociedade civil

passa a buscar alternativas extra-Estado para solucionar (ou amenizar) a

insuficiência das políticas públicas. Esta consciência refletiu na revisão das funções

dos atores sociais. Para Coelho (2000) a conta dos problemas sociais, passou

também a ser cobrada da iniciativa privada, bem como das organizações da

sociedade civil, e nesta ótica a discussão sobre o papel do terceiro setor passa a ser

novamente discutido.

Sobre o terceiro setor, Coelho (2000) diz que as suas atividades visam

atender às necessidades coletivas ou até mesmo públicas e sublinha a diferença

entre coletivo e público. O primeiro se refere a um grupo específico, é mais restrito,

enquanto que o público diz respeito a questões mais amplas no conjunto da

sociedade.

O termo terceiro setor foi utilizado primeiramente nos Estados Unidos, na

década de 1970 e adotado na década de 1980 pelos europeus e se configura como

“organizações privadas, sem fins lucrativos, e que visam à produção de um bem

coletivo” (COELHO, 2000, p. 58).

A sua relação com o governo está baseada na troca. Essas organizações

oferecem determinado tipo de serviço e em contrapartida o governo pode conceder-

lhe recursos e isenções fiscais previstas legalmente.

Importante relatar que o associativismo é uma prática que antecede o welfare

state. Na visão de Tocqueville (apud, COELHO, 2000, p. 34), seu papel não é

somente social e político. É uma forma de expressão dos valores nacionais, de

Page 12: Gestão Cultural Coletivo Palafita

11

reexaminá-los, reformulá-los e aplicá-los, contribuindo assim, para a saúde cultural e

dinâmica da nação.

Voltando à função do Estado, cabe a ele criar condições econômicas,

políticas e sociais que fomente iniciativas públicas e privadas a atuar de forma

sustentável às necessidades da sociedade. Nesta perspectiva, o Estado limitar-se-ia

a garantir os chamados direitos universais e de fiscalizar e direcionar o restante dos

serviços que a sociedade se responsabilize a fornecer.

Vê-se então a importância da sociedade civil organizar-se, uma vez que o

Estado não supre todas as necessidades da população, mas pode oferecer

condições para que ela seja de certa forma auto-suficiente. É uma via de mão dupla.

Um alimenta o outro, pois sem a lacuna que o Estado deixa na assistência à

população, as organizações do terceiro setor não teriam razão para existir.

Com base nestes aspectos, a instituição Coletivo Palafita ganhou corpo. Ela

iniciou suas atividades em 2006 e este ano de 2009 está se configurando como uma

associação visando prestar serviço à comunidade artística que trabalha de forma

independente no Amapá (seja na música, literatura, artes plásticas, artes cênicas,

audiovisuais e afins) divulgando estes trabalhos por outros circuitos independentes

que já estão mais consolidados pelo resto do país: o chamado “Circuito Fora do

Eixo” (lista dos adeptos disponível no site Circuito Fora do Eixo2), do qual fazem

parte 38 coletivos distribuídos por todo país, como podemos visualizar na figura a

seguir:

2 Disponível em:

<http://circuitoforadoeixo.blogspot.com/search/label/%23%20%20Dados%20sobre%20os%20coletivos>. Acesso em: 28 set. 2009.

Page 13: Gestão Cultural Coletivo Palafita

12

Visto a amplitude das produções que circulam no Circuito Fora do Eixo, este

artigo estará voltado somente à gestão da produção musical independe do Amapá e

sua circulação através da Instituição Coletivo Palafita, atualmente constituída por 17

bandas locais3.

A estratégia utilizada pela instituição é a manutenção e ampliação de sua

network (rede de contatos) que acontece via internet, através de divulgação on-line

das produções locais (como por exemplo, Web Rádio Palafita e Palafita Web TV).

Outro meio de fazer escoar a produção musical independente do Amapá é

promover a participação das bandas associadas ao coletivo em Festivais de Música

do circuito, para disseminar e estimular o consumo da produção amapaense e

proporcionar a troca de experiências e de materiais com outras bandas e coletivos,

fomentando cada vez mais este nicho de mercado.

3 Disponível em: <http://coletivo-palafita.blogspot.com/>. Acesso em: 28 set. 2009.

Imagem 1: Catálogo Circuito Fora do Eixo 2009.

Page 14: Gestão Cultural Coletivo Palafita

13

2.2 SOCIEDADE EM REDE E IDENTIDADE COLETIVA

A reestruturação do capitalismo somada à revolução da tecnologia da

informação, introduziram, segundo Castells (1999), a sociedade em rede. Esta, por

sua vez, caracteriza-se pela articulação das atividades econômicas de modo

estratégico e a globalização de suas atividades.

Esta colocação nos aponta o cenário atual das relações sociais e econômicas

que se mostram cada vez mais globais. Um dos questionamentos que podemos

extrair a partir disto é: como esta globalização computadorizada afeta o modo de

construção das identidades coletivas?

Primeiramente faz-se necessário delimitar o que é identidade coletiva.

Podemos tomar como exemplo a forma como se constitui uma nação – que pode

coincidir com o que se configura Estado ou extrapolá-lo. Ela se constrói através

dos símbolos que um grupo reconhece e legitima como próprios e o que a difere

dos outros (como a língua, por exemplo). É o que Castells define ser construção

de significado no qual há uma “identificação simbólica, por parte de um ator

social” (CASTELLS, 1999. p. 23).

Dentro das identidades coletivas, Castells – que considera a identidade

traspassada por relações de poder e socialmente construída – diz ser possível

observar três tipos: Identidade legitimadora – ligada às instituições dominantes;

identidade de resistência – gerada por atores sociais que estão em posição

descriminada em relação à identidade legitimadora; identidade de projeto –

produtora de sujeitos transformadores na sociedade que se vêem impulsionados

a se auto-afirmarem devido à opressão que estão submetidos.

Após estes apontamentos, a questão inicial sobre globalização e

identidades coletivas, em uma primeira análise parecem excluírem-se, pois o

mundo global, em rede, pressupõe a necessidade de uma homogeneidade na

produção da indústria em geral, visando o mercado mundial.

Segundo Ortiz (2000), a globalização é uma ampliação mais complexa da

internacionalização, integrando atividades econômicas dispersas e se aplica a

bens e serviços, seus modos de produção, distribuição e consumo, utilizando-se

de uma estratégia voltada para um mercado mundial.

Já as identidades coletivas se traduzem na legitimação dos símbolos

culturais que os diferenciam dos outros. Voltando a questão inicial de como essas

Page 15: Gestão Cultural Coletivo Palafita

14

identidades estão se construindo no mundo global, Ortiz faz considerações

dizendo ser um equivoco pensar em uma futura padronização cultural imposta

pelo mercado global, proporcionada pelo capitalismo, consumo ciência e

tecnologia.

Neste sentido, Castells fala que estas identidades coletivas se utilizam

deste cenário global de forma estratégica em prol da sustentabilidade de suas

particularidades identitárias, desafiando assim a globalização computadorizada.

Como os movimentos sociais, elas são “ações coletivas com um determinado

propósito cujo resultado, tanto em caso de sucesso como de fracasso, transforma

os valores e instituições da sociedade” (CASTELLS, 1999. p. 20).

Visto o que foi colocado até então, percebe-se a dinâmica e a

complexidade das relações sócio-econômicas culturais que se constroem em

jogos de poder para a legitimação de um discurso. Pode-se então identificar a

instituição Coletivo Palafita enquanto uma identidade de projeto, formada por

atores sociais que utilizam a globalização estrategicamente para disseminar sua

produção cultural.

2.2.1 Dimensão simbólica da cultura e identidade cultural

Dimensiona-se a instituição foco deste estudo de caso como uma identidade

de projeto devido sua existência partir do pressuposto da pouca visibilidade e meios

de projeção que a produção cultural independente do Amapá ainda encontra para se

firmar no mercado.

É uma forma de resistência (no caso da música independente) que buscou

alternativas para escoar sua produção fora da lógica mercantil concebida por

grandes gravadoras nacionais. Por isso o surgimento em 2005 do Circuito Fora do

Eixo4.

Um ponto interessante de ser lembrado é a relação de poder que se

estabelece entre os indivíduos através dos símbolos produzidos culturalmente.

Bourdieu (2006, p. 11) diz que ao mesmo tempo em que a cultura pode unir, devido

à identificação de um grupo social com determinados símbolos em comum, ela pode

separar, pois quando o indivíduo distingue sua cultura de outra, sua tendência é a de

4 Denominação bastante ilustrativa para identificar os adeptos desta outra forma de difusão de

trabalhos independentes. São os que estão Fora do padrão do mercado.

Page 16: Gestão Cultural Coletivo Palafita

15

subjugar às demais ou a de compará-la como um tipo de subcultura em relação à

cultura dominante.

Então, como as relações de comunicação são sempre relações de poder

dependente do “poder material ou simbólico acumulado pelos agentes (ou pelas

instituições) envolvidas nessa relação” (idem), pode-se dizer, neste contexto, que a

instituição Coletivo Palafita encontra-se nesta “briga” pela legitimação de sua

identidade.

Isto não significa que o objetivo da instituição seja a de ditadora de novas

regras, pois como Castells argumenta: “quando novas instituições políticas são

criadas, ou recriadas, constituem trincheiras defensivas de identidade, e não

plataformas de lançamento de soberania política” (CASTELLS, 1999. p. 47).

2.2.2 A cibercultura e seus reflexos na cultura do lugar

O que se observa diante do exposto é que tanto o Circuito Fora do Eixo,

quanto a instituição Coletivo Palafita não se sustentariam sem o suporte que a

tecnologia globalizante oferece. A integração de coletivos do país inteiro seria difícil

se não fosse a internet.

Esta nova forma de comunicação em rede é a chamada cibercultura.

Podemos resumi-la, conforme o artigo A Cibercultura e o Surgimento de Novas

Formas de Sociabilidade, de Guimarães Jr (1997), como abrangendo “os fenômenos

relacionados ao ciberespaço, ou seja, os fenômenos associados às formas de

comunicação mediadas por computadores”.

A instituição Coletivo Palafita vê este fator como uma oportunidade de ganhar

espaço disseminando a produção cultural independente por intermédio da internet.

2.3 GESTÃO CULTURAL E ORGANIZAÇÕES CULTURAIS

Sobre gestão cultural, no Brasil, um dos nomes de relevância é o de Romulo

Avelar, administrador, produtor e gestor cultural. Em O Avesso da cena: notas sobre

produção e gestão cultural (2008), ele faz um panorama técnico, administrativo,

financeiro e político da cena cultural brasileira.

Nesta obra são citados dados da Pesquisa Mercado Brasileiro de música

2005, realizada pela Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD) que

Page 17: Gestão Cultural Coletivo Palafita

16

apontou a queda do modelo tradicional de distribuição e produção musical devido a

pirataria física, estagnação do consumo e crescente competição com outras mídias

e forma de lazer, assim como a facilidade de acesso a conteúdos fonográficos

através de pirataria on-line.

Estes fatores refletiram, em 2005, segundo a pesquisa citada, em queda de

20% no número de CDs, DVDs e VHSs musicais vendidos. Um dado curioso

mostrado pela pesquisa é que no total de vendas destes tipos de produtos, 76% são

de artistas brasileiros. Um dos percentuais mais altos do mundo, com relação a

consumo de produto musical nacional.

Com todas estas mudanças no mercado, abriu-se oportunidade de expansão

neste segmento no comércio eletrônico. As lojas virtuais de música não precisam

mais limitar seus catálogos aos grandes sucessos, visto que não existe custo de

estoque.

Um dos resultados desta não-limitação é a possibilidade do consumidor ter

acesso a materiais “não-comerciais” – utiliza-se este termo considerando como

parâmetro de análise a lógica antiga de mercado (o que era considerado comercial

era o consagrado pela crítica, ou os grandes hits do momento).

Segundo análise de Avelar, “o público exige cada vez mais opções, abraça a

diversidade, abrindo espaço para o surgimento de um grande mosaico de

minimercados e microestrelas” (AVELAR, 2008, p. 34).

Em Macapá, das bandas associadas à instituição Palafita, tem-se como

exemplo de microestrelas as bandas Mini Box Lunar – com direito a matéria na

revista Rolling Stone, edição de abril de 2009 – e Godzilla – participante este ano do Festival Se

Rasgum, em Belém-PA ocorrido nos dias 13, 14 e 15 de novembro, um dos festivais

de renome no país, contando nesta edição com a participação de 33 bandas, entre

elas Pato Fu (MG) e Nação Zumbi (PE).

III METODOLOGIA

A metodologia em uma pesquisa é necessária para se chegar a um

conhecimento considerado científico, sendo que sua organização, sistematização e

utilização de instrumentos para a coleta de dados variam dependendo dos seus

objetivos, conforme destaca Gil (2002, p. 162).

Page 18: Gestão Cultural Coletivo Palafita

17

Vale ressaltar aqui o que se entende por conhecimento científico que segundo

Lakatos & Marconi (1991, p. 18), constitui um conhecimento de contingências, que

em função de suas proposições ou hipóteses, pode ser verificado a fim de

comprovar sua veracidade ou não. Segue uma sistemática em função de um saber

ordenado, que a qualquer tempo pode estar sujeito a novas proposições que

exigirão o desenvolvimento de novas técnicas, pois o conhecimento nesta ótica não

é fechado e nem tampouco acabado.

Considerando que esta pesquisa é de cunho científico, faz-se necessário a

delimitação e descrição dos métodos utilizados durante este trabalho, apresentados

nos tópicos a seguir.

3.1 COLETIVO PALAFITA: UM ESTUDO DE CASO

O Coletivo Palafita é uma instituição sem fins lucrativos e está em atividade

desde 2006 com o propósito de reunir a produção cultural independente do Amapá,

principalmente o setor musical, fomentando, disseminando e trocando experiências

com outros Coletivos que trabalham de forma independente pelo país.

Esta forma de organização política está se fortificando pelo país e por ser um

movimento relativamente recente – pois ganhou visibilidade a partir da articulação

do Circuito Fora do Eixo, em 2005 –, vê-se a relevância de entender as estratégias

de gestão da instituição Coletivo Palafita, através do estudo de caso como método

científico.

Stake (apud GIL, 2002, p. 138) dimensiona o estudo de caso em três

modalidades: intrínseco, instrumental e coletivo. No estudo de caso intrínseco,

almeja-se conhecer profundamente o objeto de estudo sem o desenvolvimento de

uma teoria como resultado de pesquisa.

No estudo de caso instrumental, o propósito da pesquisa é auxiliar o

desenvolvimento de determinado conhecimento ainda pouco explorado ou na

redefinição do problema de pesquisa.

Delimita-se este artigo, considerando estas modalidades, como estudo de

caso coletivo, pois se pretende estudar as características de uma população

específica, podendo-se aprimorar os conhecimentos referentes ao universo a que o

objeto de pesquisa pertence.

Page 19: Gestão Cultural Coletivo Palafita

18

3.1.1 Pesquisa bibliográfica

A pesquisa bibliográfica para Oliveira (2000, p.34) procura analisar as

variadas formas causais que interferem nos fenômenos estudados, viabilizada

através de documentos, livros ou em centros de pesquisas, onde são encontradas

informações possíveis acerca do assunto pesquisado. Em função do estudo, o

pesquisador organiza uma boa quantidade de informações, com possibilidades de

fundamentar sua pesquisa.

Este tipo de pesquisa será utilizada para sustentar a fundamentação teórica

do projeto. Esta parte da pesquisa efetiva-se através da consulta em livros assim

como utiliza referências de documentos em meio eletrônico (pois a instituição

Coletivo Palafita publica periodicamente suas atividades em blog na internet).

3.1.2 Pesquisa qualitativa

Segundo Gil, para um estudo de caso, o método de análise é

predominantemente qualitativo. Esta pesquisa possui cunho qualitativo, pois a

investigação focará especificamente a gestão cultural do Coletivo Palafita, pois ele

“é o ambiente natural como fonte direta de dados” (GODOY, 1995, p. 22).

3.1.3 Pesquisa descritiva

Sobre a referida abordagem, os fatos segundo Andrade (2003, p. 124), são

observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem a

interferência do pesquisador. O que sugere que os fenômenos do mundo material

não sejam modificados e sim estudados e analisados pelo pesquisador, que não

pode manipular as situações observadas.

Esta pesquisa propõe descrever como ocorre o desenvolvimento da cadeia

produtiva do Coletivo Palafita através da observação e coleta de dados somados à

pesquisa bibliográfica para se ter parâmetros de análise de quais as estratégias de

gestão utilizadas pela instituição no referente à música independente no Amapá.

Page 20: Gestão Cultural Coletivo Palafita

19

3.1.4 Instrumento de coleta de dados

Segundo Gil (2002, p. 114), os instrumentos de coleta de dados mais usuais

são o questionário, a entrevista e o formulário. Eles são utilizados como técnica de

interrogação para se obter dados referentes ao problema a ser investigado e

analisado pela pesquisa.

Em um estudo de caso “podem ser obtidos [dados] mediante análise de

documentos, entrevistas, depoimentos pessoais, observação participante e análise

de artefatos físicos” (GIL, 2002, p. 141)

Para esta pesquisa, optou-se por depoimentos pessoais, pois estes se

mostraram adequados para a coleta de dados realizada juntamente com a pesquisa

de campo em reuniões junto à instituição Coletivo Palafita, assim como análise de

documentos (atas de reuniões e calendários anuais da instituição).

IV ANÁLISE DE DADOS

Os dados aqui apresentados visam atender ao caráter descritivo da pesquisa

realizada na instituição foco deste estudo de caso. Tem-se, desta forma,

depoimento, observações e dados de meios eletrônicos na tentativa de se ter um

panorama da gestão da instituição Coletivo Palafita no tocante a música

independente amapaense por ela administrada.

A instituição Coletivo Palafita localiza-se em Macapá, na Avenida Mendonça

Junior, N° 628, Centro. Caracteriza-se como uma entidade sem fins lucrativos. Desta

forma faz parte do chamado terceiro setor da economia. Este tipo de instituição

“combina a flexibilidade e a eficiência do mercado com a equidade e a

previsibilidade da burocracia pública” (COELHO, 2000, p. 58) visando a “produção

de um bem coletivo” (idem). O propósito da instituição é aglutinar e distribuir

trabalhos artísticos amapaenses que produzem na cena cultural independente.

Para tanto, utiliza-se de uma administração organizada em cinco eixos de

trabalho: música, jornalismo, cultura, audiovisual e arte.

A equipe de música é responsável por articular as bandas integrantes do

Coletivo; a equipe de jornalismo é responsável pelas publicações de resenhas e

divulgação de eventos promovidos pela instituição; o eixo cultura articula as

programações culturais; a equipe de audiovisual produz o material da internet que

Page 21: Gestão Cultural Coletivo Palafita

20

circula na Web Rádio Palafita e Palafita Web TV e a equipe de arte é responsável

por todo design do material gráfico e de arte que circulam para a divulgação das

atividades promovidas pela instituição.

Uma das primeiras articulações importantes direcionada pela instituição

ocorreu em 2007 com a coordenação do festival Grito Rock-AP. Este é o maior

evento de música independente feito em rede no país. Na edição de 2007 contou

com a participação de 34 cidades espalhadas por todo Brasil, incluindo o Distrito

Federal e Bueno Aires, na Argentina.

As principais dificuldades encontradas pelo Coletivo Palafita em sua Gestão é

com relação a sua consolidação e visibilidade no circuito independente. Aos poucos,

o Coletivo vem ganhando prestígio no Circuito. No Circuito Fora do Eixo, o Coletivo

Palafita (que iniciou suas atividades em 2006) está atualmente como gestor do Eixo

Norte, com a responsabilidade de manter integrado todos os coletivos dessa região

com os coletivos das demais regiões.

Apesar de toda dificuldade para iniciar um trabalho consistente, começam a

aparecer os reflexos de suas atividades, como por exemplo, o Festival Quebramar

de música independente ocorrido nos dias 05 e 06 de dezembro de 2008, aberto ao

público, no espaço da Universidade Federal do Amapá. No artigo de Flávio Júnior

intitulado A nova era dos festivais para a revista Bravo! do mês de maio de 2009, o

festival foi considerado um dos cinco mais promissores do país.

O evento trouxe 29 nomes em destaque e revelações da cena nacional

independente, entre os quais Filomedusa, Macaco Bong, Destroyed Empire,

Profética e Jolly Joker juntamente com nomes locais que também estão se

destacando, como Mini Box Lunar, Turbo, Stereovitrola, entre outras.

O Festival, nos dois dias de edição, ofereceu uma intensa agenda de

atividades. Houve mesa redonda com a temática: O poder público e privado e o

fomento da cultura; Workshop's: Jornalismo Cultural e os novos meios de

comunicação, Web Rádio, Como turbinar a sua banda, Fotografia, Coordenação de

palco, Gravação Digital em Protools e Jornalismo Cultural e ainda houve um espaço

de galeria de arte, com trabalhos fotográficos, desenhos, instalações e pinturas de

artistas locais.

Este ano o Quebramar completou sua segunda edição, ocorrido na Praça da

Fortaleza São José de Macapá, nos dias 06 e 07 de novembro, com a mesma

proposta do Festival anterior: promover atividades que contribuam para cena local

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de quem trabalha de forma independente. Além do compartilhamento de

experiências com bandas de outros Estados que atuam da mesma forma.

Ao promover este tipo de evento, o Coletivo Palafita pensa como uma

instituição que se preocupa em dar continuidade aos trabalhos de divulgação da

produção musical amapaense independente, fortalecendo as parcerias com poder

público e privado para se ter condições de trabalhar de forma articulada e

estratégica, ao invés de ser uma produtora de eventos esporádicos de caráter

imediatista – o que segundo Avelar (2008) é o que acontece na maioria das ações

desenvolvidas nos Estados brasileiros na área cultural. É o que Teixeira Coelho

define como “política de eventos” (apud AVELAR, 2008, p. 98).

Dos artistas e bandas integrantes do Coletivo Palafita é exigido que tenham

cadastro na Web através do MySpace. Esta é uma ferramenta de divulgação

utilizada pelo Coletivo para promover os trabalhos autorais produzidos. A lista de

endereços das bandas está sempre disponível no blog do Palafita e sempre que

uma banda é citada em alguma resenha eletrônica, o link de sua página no

MySpace é divulgado, caso o público tenha curiosidade de saber mais sobre a

banda referida.

Nota-se a importância da internet como meio estratégico para as ações,

articulações e comunicação da instituição. Avelar (2008) ratifica este pensamento e

diz que a internet é uma ferramenta muito útil para a divulgação de projetos culturais

por seu tipo de abordagem direta com o público, poder de personalização e

interação elevado e custo inferior aos demais meios de comunicação tradicionais –

sem esquecer que este meio também necessita dos mesmos direcionamentos

vislumbrados pelo marketing, como por exemplo, a definição do público-alvo e sua

localização.

Bandas locais que circulam no Circuito Fora do Eixo, como por exemplo, a

Mini Box Lunar está conseguindo projetar sua carreira fora do Estado, tanto que foi

convidada a gravar uma música para a trilha sonora do filme Augustas (de Francisco

Cesar Filho, mesmo diretor de Cidade dos Homens).

Uma das coordenadoras do Coletivo Palafita, Heluana Quintas, responsável

pela área musical, fala sobre o trabalho realizado até então no blog Papel de Seda:

Estes projetos já comunicam expectativas excitantes. Não obstante às indicações a prêmios (a banda SPS12 foi indicada a Banda Revelação, e o Coletivo Palafita indicado a Categoria Organizações no Portal Dynamite),

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convites para a participação em eventos e matérias em veículos especializados (a banda Mini Box Lunar é matéria da Rolling Stone edição do mês de abril, assinada por Alex Antunes e participa com uma música na trilha do filme Augustas, do mesmo diretor de Cidade dos Homens; a Revista SenhorF escreveu várias vezes sobre a banda Stereovitrola, condecorando-a como sexto melhor EP em 2006; e a banda Marttyrium que participa de várias coletâneas pelo país como Thekingdon of Metal Land, Extreme Union, e Gólgota Records, sendo matéria em revista especializada como: Extreme Brutal Death) (Disponível em: <http://novopapeldeseda.blogspot.com/2009/05/festival-quebramar-na-revista-bravo-de.html>. Acesso em: 22 maio. 2009).

Estes dados apontam um futuro promissor para o cenário da música

amapaense que antes se via presa a uma lógica de mercado comandada por

gravadoras (Dapieve explana sobre no artigo Qual o futuro da música? na revista

Bravo! de março de 2009).

Assim, percebem-se mudanças na forma de difusão da música amapaense e

através deste estudo de caso pode-se compreender a gestão do Coletivo Palafita e

sua estratégia na gestão no cenário de música independente amapaense baseada

em manutenção e ampliação de sua network.

V CONSIDERAÇÕES FINAIS

Discutir Gestão Cultural em um país de proporções continentais é uma tarefa

difícil se não for considerado os fatores históricos das políticas públicas e a taxa

elevada de concentração de renda do Brasil.

Esta área foi se profissionalizando e percebendo, devido à necessidade, que

o setor cultural merecia um tratamento mais adequado, sem amadorismo e pensado

de forma estratégica.

Hoje, apesar das dificuldades ainda existentes, o setor já conta com

profissionais com know-how e visão empreendedora que contribuem com seus

serviços para a gestão da cultura de maneira efetiva.

O Amapá, por ser um Estado isolado geograficamente, não está à parte deste

cenário e utiliza de ferramentas como a internet para manter-se integrado com

outros pontos culturais espalhados pelo país.

É desta forma que se articula a instituição Coletivo Palafita. Através de uma

rede de contatos integrada, divulga a produção de música independente

amapaense. Os meios eletrônicos globalizados ao invés de disseminar uma

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homogeneidade cultural, são utilizados como forma de resistência de uma

identidade coletiva.

Assim, considera-se a arte como instrumento de transformação social. Para

tanto, planejamento e organização são essenciais para que as ações sejam

articuladas de maneira estratégica e não pontual.

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REFERÊNCIAS

AVELAR, Rômulo. O avesso da cena: notas sobre produção e gestão cultural. 1. ed. Belo Horizonte: DUO Editorial, 2008. BOURDIEU, Pierre. O poder do simbólico. 9. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. 5. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999. Catálogo Circuito Fora do Eixo 2009. Disponível em: <http://maps.google.com.br/maps?sourceid=navclient&ie=UTF-8&hl=pt-BR&rlz=1T4GGLL_pt-BRBR338BR338&q=cat%c3%a1logo+Circuito+Fora+do+Eixo+2009>. Acesso em: 24 jun. de 2009. Circuito Fora do Eixo. Disponível em: <http://circuitoforadoeixo.blogspot.com/search/label/%23%20%20Dados%20sobre%20os%20coletivos>. Acesso em: 28 set. 2009. Coletivo Palafita. Disponível em: <http://coletivo-palafita.blogspot.com/>. Acesso em: 28 set. 2009. DAPIEVE, Arthur. Qual o futuro da música?. Bravo!. São Paulo, ano 11, n. 139, p 28-33, mar. 2009. FLÁVIO JÚNIOR, José. A nova era dos festivais. Bravo!. São Paulo, ano 11, n. 141, p 42-45, maio. 2009. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. GODOY, Arilda Schmidt. Pesquisa qualitativa. Revista de Administração de Empresas. São Paulo, v. 35, n. 3, p. 20-29, maio/jun.1995. GUIMARÃES JR, Mário José Lopes. A Cibercultura e o Surgimento de Novas Formas de Sociabilidade. Disponível em: <http://www.cfh.ufsc.br/~guima/ciber.html>. Acesso em: 30 set. 2009.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1991.

OLIVEIRA, Silvio Luis de . Tratado de metodologia científica: projetos de pesquisa, TGI, TCC, monografias, dissertações e teses. 2.ed. São Paulo: Pioneira, 2000. ORTIZ, Renato. Mundialização e cultura. 1. ed. São Paulo: Brasiliense, 2000. Papel de Seda. Disponível em: <http://novopapeldeseda.blogspot.com/2009/05/festival-quebramar-na-revista-bravo-de.html>. Acesso em: 22 maio. 2009.