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    Howard e Robillard (2008), acrescentam a esta problemtica uma outra viso

    afirmando que, o problema persiste, ainda que utilizemos uma poltica contra plgio,

    cdigos de Honra, programas de deteo ou avaliaes especificamente preparadas para

    evitar prticas de plgio.

    Por seu turno, para Salmons (2008), o plgio implica dilemas ticos de duas ordens:

    uma relativa apropriao/deturpao de trabalhos alheios e /ou consequentes violaes

    das regras de copyright, outra relativa aos processos de ensino-aprendizagem.

    Exatamente por isso passemos ao Ato 4.

    ATO 4 - Uma terceira via - Para grandes males? Grandes remdios-

    passemos por favor Educao!

    Bowman afirma:

    Uma boa escolaridade requer uma boa tica de trabalho, a aceitao dosprocedimentos de trabalho existentes e a capacidade para reconhecer e no perder orasto s fontes originais relativas s inmeras peas de informao. Isto pode serensinado. As nossas referncias culturais, tecnolgicas e filosficas, podem ser muito

    diferentes das dos nossos alunos. Ainda assim, ns podemos efetivamente comunicarde modo eficaz com eles, se os abordarmos com a mente aberta, sensibilidade erespeito pelos seus diferentes antecedentes e experincias. 75(2004, p.10)

    A questo da educao como forma de preveno da desonestidade acadmica

    recorrente. Aqueles que no so apologistas da punio e que consideram que a fraude

    no meio acadmico se deve ao desconhecimento dos procedimentos, ao no saberem

    como fazer, ausncia de competncias na expresso escrita ou exegese do texto,

    75Good scholarship requires good work ethics, a working knowledge of accepted procedures, and the

    ability to recognize and keep track of the origins of numerous pieces of information. These we can teach.

    Our cultural, technological, and philosophical touchstones may be very different than those of our

    students. Still, we can effectively communicate if we approach them with open mind, sensitivity, and

    respect for their differing background and experiences

    Texto 3 - tema 1 -#ECOiMOOC14

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    consideram que estas questes podem e devem ser ultrapassadas colocando-se o

    enfoque na educao, surgindo esta como forma de preveno deste tipo de

    comportamentos. Porque mais vale prevenir do que remediar, eduquemos.

    A educao requer a compreenso do novo mundo digital em que os estudantes

    se movem, otimizando essa relao estabelecida de forma produtiva. Como referem

    Bhattacharya e Jorgenson No sculo XXI, difcil pensar a vida sem a internet. No

    passado nunca existiu um acesso livre e fcil informao.76(2008, p. 194) Tal como

    os autores, ns tambm consideramos esta realidade, por um lado vista como uma

    bno, por outro como uma maldio. Exploremos o lado da bno.

    A educao pressupe que o comportamento tico se ensina, tal como os

    restantes comportamentos e prticas,devendo este constituir-se como princpio inerente

    ao processo de aprender a aprender, deixando o professor de lado o papel de detetive

    (Gilmore, 2008) e assumindo o seu verdadeiro papel: o de educador.

    Ao sermos capazes de ensinar e/ou desenvolver nos estudantes as dimenses em

    que efetivamente falham, porque no sabem como fazer ou simplesmente desconhecem

    os procedimentos, contribumos para a diminuio de todo o tipo de cheatinge para o

    aumento de comportamentos academicamente ntegros, ou seja, desenvolvemos

    processos de aprendizagem efetivos. (Ibid)

    Cvetkovic e Anderson (2010) acrescentam ser imperioso que os educadoresexpliquem por que motivo plagiar errado e a quem este ato fere, bem como a

    necessidade da criao de uma tica de trabalho acadmico, a qual implica o

    reconhecimento das normas existentes, dotando os estudantes de um conjunto de

    habilidades que lhes permitam identificar e detetar as fontes consultadas. Desta forma,

    trabalha-se com o objetivo de alterar prticas erradas institudas.

    Estes autores veiculam tambm a seguinte ideia: na medida em que os

    estudantes de hoje contribuem igualmente para a imensa quantidade de informaoexistente na internet, provvel que os mesmos no apreciem o facto de verem os seus

    pensamentos, fotos e palavras, serem partilhados sem a sua permisso e sem a meno

    dos respetivos autores, consciencializando-os assim para a necessidade de atriburem

    sempre a autoria nos trabalhos.

    76In the 21stcentury, it is difficult to think about life without the internet. In the past there has never

    been such free and easy access to information.

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    Verem-se de repente no lugar do outro pode alterar percees e prticas,

    levando-os a compreenderem, desta forma, a importncia da autoria, j que os seus

    materiais podem tambm ser alvo de plgio e de utilizao indiscriminada. Nada como

    uma inverso de papis para constatarem, por si prprios, o uso dessas prticas

    desonestas.

    Cvetkovic e Anderson (2010) acrescentam ainda que, para a diminuio do

    plgio, mais do que o medo da punio no meio escolar, que se tem revelado pouco

    eficaz, a existncia de redes sociais, desempenham um papel muito mais eficiente, dada

    a importncia assumida pela exposio a que estas prticas esto sujeitas, tornando

    assim maior a humilhao pblica entre pares, nestas redes.

    Quando nestas comunidades em rede, o plgio no tolerado, mais depressa os

    plagiadores inibem o seu comportamento. Entre pares e de modo pblico, muito mais

    intimidante a humilhao.

    Por seu turno, para Spencer (2010), as tecnologias deviam ajudar as pessoas a

    realizarem melhor o seu trabalho, e no induzi-las a realizarem um trabalho pior,

    considerando ainda que os plagiadores esto a perder todo o divertimento que a

    aprendizagem oferece, pois desaproveitam a oportunidade de desenvolverem a sua

    prpria voz, de se envolverem e desenvolverem um determinado tema.

    Adianta, no entanto que, para o estudante conseguir o lugar que lhe pertence, oseu modo muito prprio de refletir, digerir, exprimir, explicar o que leu, saber distinguir

    o que seu daquilo que no , so necessrios tempo e prtica, constituindo-se assim

    numa tarefa difcil, para os que se esto a iniciar nestas lides.

    A ideia transmitida a de que aprendizagem permite a autonomia mas o plgio

    no. A aprendizagem adquire-se praticando. Adquire-se atravs dos professores que

    orientam, os quais, segundo a mesma autora, tm pouco tempo para o fazer.

    Baer (2007) reitera a ideia de que existem duas formas de combate ao plgio: ouatravs da sua deteo ou atravs da educao. Relativamente primeira, ainda que

    consiga deter alguns infratores, possui limitaes uma vez que no consegue alterar os

    comportamentos. A segunda, ensina ao estudante o que o plgio e por que motivo o

    mesmo uma prtica errada.

    J Dick, Sheard e Hansen, (2008) consideram que uma viso mais abrangente do

    fenmeno de cheatingimplica quatro aspetos:

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    Educao, Preveno; Deteo e Consequncia, agrupando os dois primeiros, e

    os dois ltimos.

    Relativamente educao: esta deve incidir no s sobre os alunos mas tambm

    sobre os professores. Aos primeiros, deve providenciar o alcance das competncias e

    conhecimentos necessrios que lhes permitam evitar comportamentos desonestos.

    Aos segundos, por um lado, garantir a compreenso dos procedimentos da

    universidade relativamente s prticas de cheating, por outro, contribuir igualmente para

    a diminuio da desonestidade, por intermdio da implementao de boas prticas

    educativas.

    No que diz respeito preveno: os autores referem uma conceo de avaliao

    que dificulte as prticas desonestas de molde a que as tentativas dos estudantes sejam

    travadas.

    Quanto deteo, sustentam ainda o estabelecimento de medidas que permitam

    ao professor a identificao de prticas desonestas sempre que estas ocorram, mas

    simultaneamente a implementao de prticas que permitam que os estudantes

    verifiquem (antes da submisso dos seus trabalhos) problemas e que possam corrigi-los,

    dando como exemplo a prtica, j referida neste estudo, de passarem o seu trabalho pelo

    crivo de um programa de deteo.

    O quarto aspeto, relativo s consequncias, defende a necessidade da criao deprocessos que permitam um tratamento justo e equitativo das questes de cheating, e

    que os mesmos sejam adequados s circunstncias de cada caso especfico.

    Os autores consideram que, o enfoque na educao e preveno, mais

    adequado do que o da deteo e respetiva consequncia, j que estes ltimos consomem

    demasiado tempo e so difceis de lidar, mesmo na melhor das hipteses.

    No entanto, referem que a educao e preveno, no so suficientes para que se

    consiga compreender a perspetiva dos estudantes. Para tal, fundamental determinarno s as motivaes, como a compreenso que os estudantes tm das prticas de

    cheating.

    Sutherland-Smith (2008) elenca 7 estratgias que podem contribuir para reduzir

    a prtica de plgio e que sucintamente se traduzem em:

    1- Alterar regularmente os tipos de avaliao;

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    2- Definir tarefas que obriguem o estudante a relatar as suas experincias para

    que a teoria se relacione com as suas prticas;

    3- Exercitar uma variedade de tarefas de avaliao menos importantes, mas que

    possibilitem a construo de nveis gradativos de competncias;

    4- Garantir aos estudantes que, como professor que se , se est igualmente

    comprometido com prticas ticas de trabalho acadmico, as quais so

    abertamente dialogadas com os alunos. Sutherland-Smith considera que o

    professor, ao exigir citaes e referncias bibliogrficas, tem

    necessariamente que as utilizar nos seus materiais de trabalho, servindo de

    referncia, de modelo aos seus alunos;

    5- Dialogar com os alunos sobre os programas de deteo de plgio,

    explicitando a sua prtica sobre esta temtica, para que os estudantes saibam

    exatamente com o que podem contar, da parte do professor, nesta matria;

    6- Debater com os estudantes as suas percees sobre o que o plgio e o que

    tencionam fazer para o evitarem;

    7- Garantir que os estudantes compreendam a necessidade de adoo de

    posturas crticas face s informaes recolhidas na Webe debater critrios de

    avaliao dos recursos/fontes a recolhidos.

    Por ltimo, considera que os professores devem efetuar uma introspeo sobreas suas prticas relativamente s questes de plgio, focando-se no tipo de ensino que

    adotam: prticas de transmisso de contedos ou de transformao de contedos?

    que o primeiro modelo, relativo transmisso de contedos, tem como

    consequncia um papaguear de informao de modo acrtico, o segundo,

    transformao de contedos, apela emergncia do esprito crtico, transformao do

    conhecimento de forma pessoal, sendo o professor um guia que facilita esta viagem. A

    primeira abordagem promove uma cultura de cpia, a segunda faz emergir opensamento crtico.

    O desenvolvimento do pensamento crtico, como estratgia utilizada para

    combater a desonestidade acadmica, defendida por Roberts-Cady que efetua a

    seguinte questo O que significa pensar de forma crtica? Acredito que o pensamento

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    crtico significa colocar novas questes, mais questes e melhores questes. 77

    (2008,p.63)

    De acordo com o autor, para que os estudantes possam atingir este objetivo, isto

    , pensar de forma crtica os seus valores, necessrio que estes aprendam a identificar

    os seus pressupostos ticos, fazendo uma avaliao crtica sobre eles e por fim,

    encontrando razes que consigam justificar os seus prprios valores.

    No fundo, e como refere Baer (2007), a educao foca a sua ateno na

    aquisio e desenvolvimento de competncias por parte dos estudantes, as quais lhes

    permitem evitar o plgio.

    Reflexo Final

    A reviso da literatura e a investigao autnoma da professora investigadora

    permitiram que os principais pilares da desonestidade acadmica vissem a luz do dia.

    Fez-nos compreender a complexidade desta temtica, o porqu e o como. Permitiu que

    esta viagem sobre o universo acadmico e as prticas dos estudantes nos

    sensibilizassem mais ainda para estas questes.

    So muitos os fatores que contribuem para comportamentos intelectualmente

    desonestos, so vrios os desafios que estudantes, professores e instituies tm queenfrentar. A par dos desafios, so tambm diversas as respostas dadas.

    Desde a preveno num plano macro, atravs de cdigos de Honra ou da

    utilizao pedaggica dos programas eletrnicos de deteo, sua utilizao a

    posteriori, educao do indivduo num plano micro, atravs da ao do professor, so

    inmeras as respostas e perspetivas.

    Conclumos que a educao realizada atravs de diferentes Atos ou aes e

    foram alguns desses atos que descrevemos ao longo deste captulo.Esta viagem dotou-nos de uma certeza: a de que possvel e imprescindvel uma

    ao vigorosa e assertiva que permita, paulatinamente, alterar este estado de coisas,

    ao essa que pressupe que o estudante represente o papel principal no seu percurso.

    Educar definitivamente a palavra de ordem.

    77What does it mean to think critically? I believe critical thinking is about asking new questions,morequestions, and better questions.