preciso reverter o rompimento entre negcios e educao com urgncia

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Uma excelente reportagem da HSM que trata da educao, da economia, da tecnologia no mundo; da construo de talentos e dos empecilhos da proposta educacional padronizada (ENEM) colocada na viso de uma das mais respeitadas autoridades mundiais em inovao e educao - Ken Robinson. A entrevista simplesmente fantstica e de um rico contedo.

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  • 1. AltA gernciA preciso reverter orompimentoentre negciose educao com urgncia, dizken robinson,em entrevistaexclusivaA entrevista de Adriana Sallesgomes, editora-executiva deHSM MAnAgeMent. DESTRUMOS TALENTOS Foto: Divulgao22 HSMManagement hsmmanagement.com.br

2. c omo diagnosticou recentemente Carlos Arruda, espe- Sabe o que mudou essencialmente? Ficou muito maiscialista em competitividade da Fundao Dom Cabral, oforte a ideia de que temos a tendncia de fazer pouco usoBrasil no tem capacidade humana para se sustentar comoinstitucional do talento das pessoas e que assistimos a umum pas desenvolvido. A raiz disso pode ser distinta do queenorme desperdcio de potencial humano e possibilidades.pensa a maioria, contudo, pois talentos no faltam; eles sosistematicamente destrudos. o que diz sir Ken Robinson, Mas as empresas entendem de fato que h esse desperdciouma das maiores autoridades mundiais em inovao e de potencial humano e que ele afeta os negcios?educao, no apenas sobre o Brasil, mas sobre boa par-Esse desperdcio afeta a economia inteira! A educao daste do planeta. Esse britnico que migrou para a Califrnia pessoas e a economia so coisas intimamente ligadas earma que, pior do que isso, a relao entre a educao eessa rea vai muito mal. Vejo que algumas empresas estoos negcios foi rompida e o resultado pode ser desastroso. comeando a entender a gravidade do problema. Um pon- Em entrevista exclusiva editora-executiva Adriana to favorvel ao mundo dos negcios que, nele, as pessoasSalles Gomes, Robinson alerta para uma revoluo silen-esto sinceramente interessadas na inovao, apenas nociosa (indesejvel para as empresas) j em curso, diz quesabem como promov-la.a soluo est na personalizao da educao, compara aPor anos e anos as empresas partiram do pressuposto deinovao com o rock e recomenda aos lderes que se con-que, ao serem formalmente instrudas, as pessoas tero ascentrem em criatividade, entre outros conselhos prticos.habilidades, aptides e competncias de que os negcios precisam. Os pais, por sua vez, tambm presumiam que,Voc escreveu o livro Out of Our Minds 11 anos atrs e agora uma vez educados, seus lhos teriam emprego e renda. So est relanando com grande impacto no Brasil, ser in-que essa relao entre negcios e educao est rompida;titulado libertando o Poder criativo. Quero saber se quemns destrumos talentos.leu a primeira edio precisa ler essa tambm...Eu digo s pessoas que leram a primeira edio que a jo- So fortes essas afirmaes, sir Ken.guem fora e comprem esta [risos]. um livro completa- Sim, e so absolutamente realistas. As escolas esto sendomente novo. Muito do que falei em 2001 ainda verdade,sufocadas com essas exigncias de testes padronizados e,s que aconteceram milhares de coisas nesses anos quepor isso, passam uma viso estreita de habilidades. O re-no podiam ser previstas, da recesso mundial aos smart- sultado que os futuros adultos perdem o contato com suaphones, iPads e redes sociais. Se um livro sobre a neces-criatividade, ironicamente a habilidade mais necessria ssidade e a forma de mudar, tudo isso pesa. empresas na atualidade. O sistema de educao baseado em uma srie de mal-A economia e a tecnologia influenciam tanto assim? -entendidos entre as comunidades educacionais e as deNem a tecnologia em si que inuencia, mas a maneiranegcios e os propsitos comuns de ambas.como as pessoas a usam, que imprevisvel. Quando oTwitter foi lanado alguns anos atrs, sinceramente, ele como desfazer o n? Por exemplo, no caso do Brasil, testesme pareceu a mais ridcula das ideias. Mas, nos ltimospadronizados so a regra absoluta, no acesso ao ensino su-cinco anos, virou esse fenmeno global, tomando parteperior, na mtrica de desempenho enem.em revolues e tendncias de mercado, e ajudou a mu- necessrio fazer uma revoluo na educao. Uma dasdar a forma como as pessoas se comunicam e os assun- razes que o mundo j se encontra em estado de revolu-tos de que tratam. At eu me converti ao Twitter.o, pois vem mudando rpida e profundamente. Os desa-As ferramentas da internet e os games podem ajudar os que nossos lhos enfrentaro no tm precedentes, sejamuito a excitar a imaginao e a energizar crianas e jo-na rea de energia, nas questes culturais, nos alimentosvens, o que urgente. Agora, no substituem as pessoastemos epidemias de inanio e obesidade ao mesmo tem-na educao. Hans Zimmer, que um dos compositorespo! H uma gigantesca e diclima agenda para a humani-de msicas para lmes mais bem-sucedidos do mundodade enfrentar no futuro prximo. O que permitir que li-todo e curiosamente foi expulso de cinco escolas, me dem com isso? Nos anos 1920, H.G. Wells, escritor de cocontou recentemente que compe todas suas msicas no cientca, dizia: A civilizao est em uma corrida entrecomputador, mas faz questo de grav-las no estdio coma educao e a catstrofe. A educao o permitir, s quemsicos tocando, porque nenhum software substitui arevolucionada. E a revoluo j est em curso; como todasvitalidade e a sensibilidade humanas. Eu tinha tudo isso as revolues, comeou embaixo e no em cima.a dizer e muito mais. Aprendi muito nesses dez anos deintenso contato com as empresas, por exemplo; isso enri- O sonho revolucionrio da maioria das empresas no Brasil queceu demais minha experincia, que era principalmenteo modelo educacional sul-coreano. O que voc pensa dele?com escolas, universidades e governos. E tambm vir para O modelo de diversos pases da sia, como Taiwan, Chi-a Califrnia foi um grande aprendizado.na, e aconteceu no Japo tambm. Seu princpio o de pro-HSMManagementhsmmanagement.com.br 23 3. AltA gernciA mover uma hipercompetio entre as crianas, fazendo-asnam e o que fazem na sala de aula, estaro revolucionando esforar-se para absorver mais informaes, passar em pro- o sistema educacional. exatamente assim que funciona a vas, fazer tarefas. Acho que um engano terrvel, pois se ba- mudana social. Quando eu era jovem, na Inglaterra, todos seia numa regra vlida no sculo 20 que agora expirou: Se fumavam e ningum usava cinto de segurana em carro. zer tudo certo na escola e na universidade, voc arrumar Hoje, quase ningum fuma e todos usam cinto. Uma vez que emprego. Por que expirou? Porque isso s funciona quan- os hbitos mudam e uma nova ideia se torna vital, ela se do poucas pessoas tm diploma universitrio. E, alm deespalha e revoluciona a cultura rapidamente. no haver mais essa garantia, os prossionais que chegam s empresas no tm a competncia de que elas precisam,As empresas podem ter um papel a cumprir a? Voc costuma porque pagaram um preo enorme por essa obsesso com-falar em parcerias criativas entre empresas e escolas... petitiva. Cada criana que passou por esse tipo de sistema Gosto de citar a iniciativa capitalismo consciente, que par- e no conseguiu ir para a universidade certa tornou-se umtiu do empresrio John Mackay, da varejista Whole Foods ser humano frustrado, ansioso, deprimido. Ento, desperdi- Market, e vem atraindo cada vez mais empresas. Seu racio- amos, ou destrumos, uma quantidade incomensurvel de cnio de que, apesar de as companhias serem criadas para talentos em nome de um propsito que no mais verdade. gerar lucros, elas j podem escolher entre formas ticas eno ticas de faz-lo. No futuro, tal-vez precisem ser ticas, desenvol-vendo novos papis ligados a res-ponsabilidade e sustentabilidade ema insatisfao com a educaoconjunto com as comunidades. Issovale tanto para a educao criativatradicional leva as pessoas dentro da prpria empresa, comofaz o Google, por exemplo, quantopara as tecnologias virtuais para sua conexo com a comunida-de externa, que pode ser feita com asescolas. Nos EUA, h toda uma redede escolas chamadas Big PictureSchools, em que as crianas podem Voc falou em revoluo. Que sinais podemos ver? passar dois dias por semana trabalhando em organizaes Um dos motivos pelos quais as pessoas esto usando tanto que esto fazendo o que lhes interessa, como estdios de as tecnologias virtuais sua insatisfao com a educaodesign, clnicas veterinrias, delegacias de polcia etc. E isso tradicional. Preferem aprender sozinhas online. E, quantoest provando ser muito ecaz. Alm disso, muitas empre- mais baratos carem os computadores e aparelhos mveis,sas mantm programas internos de educao, contabilizan- mais gente far isso at tomar o controle da prpria educa-do isso como parte do trabalho, e muito bom. A maioria v o, sem deixar espao para as instituies. como investimento, no despesa, e no corta o oramento A mudana de paradigma genuna acontece assim. Nona hora do aperto. sculo 19, a cidade de Londres dependia de cavalos, que puxavam carruagens e carroas, e havia um pnico geral Que reforma voc sugeriria para o governo brasileiro? por causa de toda a urina dos animais acumulada nas ruas,Certamente eu aconselharia o Brasil a olhar menos para a contribuindo para espalhar doenas. As pessoas no acha- Coreia e mais para a Finlndia, embora entenda que di- ram uma forma de se livrar da urina, mas se livraram dos fcil comparar um pas pequeno com um grande. Observe cavalos quando inventaram o carro.o sistema PISA, da OCDE [Organizao para Cooperao eDesenvolvimento Econmico], que compara a performan- Vo se livrar das escolas... Algum governo j acusa o golpe? ce de alunos de diferentes pases em matemtica e cincias, Parece que no, tanto que os governos reagem no sentidoparticularmente: a Finlndia sempre se destaca no topo das contrrio, porque estreitam ainda mais a viso nas escolas,avaliaes PISA, mas no pratica testes padronizados, nem aumentam sua dependncia de testes padronizados e des- obcecada por matemtica e cincias. Refora humanidades, personalizam cada vez mais a educao, tornando-a um artes, educao fsica, projetos prticos, jogos e, por incrvel processo ainda mais industrial. Eles esto fechando os olhos.que parea, vai muito bem em cincias e matemtica. En-quanto a taxa de desistncia da escola nos Estados Unidos Anarquia na educao soa como fazer justia com as prpriasca em torno de 30%, na Finlndia zero. mos... saudvel ficar sem instituies? H como reagir? Sempre digo a professores e diretores de escolas, pelos quaisPor conta da necessidade de inovar, o Brasil tambm anda tenho grande respeito, que, se mudarem o jeito como ensi-muito preocupado com a falta de interesse das crianas24 HSMManagement hsmmanagement.com.br 4. DESTRUMOS TALENTOSem matemtica e cincias. Humanidades lhes interessammuito mais. O que explica o caso finlands?Em primeiro lugar, preciso entender que criatividade einovao no dependem nem s das cincias, nem s das o ritual importa,artes, mas de como as duas reas trabalham em conjun-to; hoje o crescimento econmico de um pas depende demltiplos talentos. Agora, h um estudo muito interessan-te do professor Vivek Wadhwa [autoridade em inovao doVale do Silcio] sobre o histrico educacional dos lderes depor Ken Robinsoncerca de 650 empresas de alta tecnologia do Vale. Contra osenso comum, 60% ou mais deles tm formao em artesou humanidades, e mesmo os cientistas que lideram essasempresas foram para escolas com mtodo alternativo, comoMontessori, quando eram crianas. Curioso, no?!Como tornar-se um sir? Voc vai ao Palcio de Bu-ckingham, em Londres, curva-se diante da RainhaMuito curioso! Voc conhece o educador brasileiro Paulo Elizabeth II e ela coloca uma espada em seu ombro.Freire? talvez por ele ser associado esquerda, a classe em- grandioso! Eu fiquei muito orgulhoso, por trs mo-presarial no presta muita ateno a suas lies... tivos: primeiramente, porque inspirar tanta confian-Sou um grande admirador do trabalho de Paulo Freire e ele a nas pessoas um sentimento maravilhoso vocme inspirou muito quando eu era estudante. Suas preocu- no pode se candidatar a ser sir, isso tem de partirpaes com a necessidade de cultivar talentos e habilidades da vontade alheia; em segundo lugar, porque enchiindividuais e educar a sensibilidade coincidem exatamente minha me de orgulho ela estava com 84 anos,com o que falo. Tambm compartilho suas preocupaesmorreu dois anos depois e creio que morreu feliz,com essa institucionalizao da educao que aumenta as porque, para sua gerao, a Rainha tem uma impor-diferenas entre os estudantes. Se precisamos de mltiplostncia significativa; em terceiro, porque a Rainha talentos, precisamos de todos. Todas as crianas nascem uma pessoa extraordinria, muito querida.com talentos maravilhosos; estes s no podem ser destru- Rituais e mitologias so extremamente importan-dos pelo sistema, e sim alavancados.tes. Eu era estudante nos anos 1960 e 1970 e muitos Agora, devo dizer que o Brasil no est sozinho nesse en-de meus colegas no queriam ir cerimnia de gra-gano: recentemente o presidente Obama falou sobre pro-duao, achando que era ultrapassada e um tantomover a inovao e criatividade no sistema educacional dosridcula. Estavam errados. Esses ritos de passagemEUA, ligando isso ao crescimento econmico, e referiu-secelebram conhecimentos e conquistas e nos propor-apenas a cincia, tecnologia, engenharia e matemtica. cionam um momento de pausa e reflexo, rodeadosum erro gigantesco. No Reino Unido, em 1999, o governode pessoas que amamos e/ou admiramos, para en-me pediu para desenvolver uma estratgia para a criativi- tender melhor nossos sentimentos, preparando-nosdade no sistema educacional, o que virou o relatrio All Ourpara os prximos conhecimentos e conquistas naFutures, e j naquela poca montamos um grupo de 15 pes-longa busca que nossa vida. como a jornada dosoas que inclua desde msicos, escritores e danarinos at heri descrita por Joseph Campbell, e o verdadeiroeconomistas, cientistas e lderes empresariais. benefcio desses ritos de passagem espiritual nosentido de nos deixar cientes de nossas conquistas eDizem que a gente muda por duas coisas: amor ou medo. Osnos fazer sentir orgulho.gestores podero comear a agir por uma dessas emoes?Acredito que as empresas tambm devam utilizarTemos uma grande chance de os gestores, e as pessoas em rituais para manter uma cultura saudvel de inovao,geral, agirem, porque tambm so pais, preocupados com ocom o cuidado para que esses rituais no sejam artifi-futuro de seus lhos. Estou, alis, escrevendo um novo livro, ciais, mas tenham significado. Eu estive em Las Vegasa ser lanado em 2013, sobre como achar o elemento, essah pouco tempo, em uma empresa chamada Zappos,paixo que todos devem procurar em si, seu talento natural. que muito bem-sucedida, com uma cultura internaA primeira regra que no adianta nem os pais nem a es-maravilhosa, e a cada trimestre eles fazem um ritualcola forarem uma criana a aprender matemtica. Se ela desses, que uma reunio chamada All Hands [To-no quer, por achar entediante ou muito difcil. A formadas as Mos], em que juntam todos os colaboradoresde resolver o problema investir em professores e recursos em um grande teatro, para celebrar sinceramente asmelhores para a educao da cincia, e no empurr-la ex- conquistas das pessoas, financeiras e de outros tipos.cluindo outras matrias. Para comprometer as crianas coma educao, voc tem de se comprometer pessoalmente comHSMManagementhsmmanagement.com.br25 5. AltA gernciADESTRUMOSTALENTOS elas, a m de energiz-las. Elas querem ser estrelas do rock nos. Mas ela foi muito pragmtica e isso era prioridade nos- ou jogadores de futebol porque isso excita sua imaginao. sa. No digo que sempre acertamos, porque um processoUm amigo meu, o msico de rock Brian Cox, agora pro-e requer muito improviso. Mas o fato que o que funciona fessor de astronomia em Manchester, na Inglaterra, e estpara uma criana no funciona necessariamente para ou- apresentando uma srie de documentrios na BBC sobre tra. Quando viemos para a Amrica, tentamos coloc-los na astronomia. Ele se parece com um astro de rock, mas suamesma escola e tivemos de mudar quando vimos que no outra paixo , e sempre foi, astronomia. O fato de ele fa-funcionava para a Kate. Podamos ver a luz indo embora de lar apaixonadamente sobre astronomia na BBC aumentou seus olhos e a tiramos de l para recuperar seu brilho. enormemente o nmero de inscries para o curso univer- sitrio de astronomia. Ele exci-como resumir as recomenda- tou a imaginao dos jovens. Oes do robinson report? empresrio Peter DiamandisSua essncia vai no sentido est to interessado em via-de criar um ambiente onde as gens no espao porque, quan- do criana, sua imaginao foisempre defendopessoas se sintam conantes para tentar, onde novas ideias ativada pela srie de TV Star Trek [Jornada nas Estrelas]. Eua personalizao surgiro e comearo a o- rescer. Inovao, assim como sempre defendo a personali- zao da educao, tanto pelada educao; educao, um processo or- gnico, no mecanizado. Con- percepo de quo diferentes nossas crianas e seus talentosdeve ser vista siste em dar s pessoas um senso de inspirao, de possi- so como pelo reconhecimen- to da importncia de educarcomo uma arte bilidades, de encorajamento e, principalmente, de permisso. a educao precisa ser vista Trabalhei com os ministros como uma forma de arte. da Educao, Indstria e Co- mrcio e Cultura da Irlanda Voc tem dois filhos. como foi sua educao-arte com eles? do Norte para desenvolver um plano de implementao A primeira observao que eles so completamente di- do relatrio chamado Unlocking Creativity [Destrancando ferentes em termos de talentos e interesses, o que parte a Criatividade]. Sei que muitas recomendaes foram exe- biolgico, parte cultural. Essa uma das razes pelas quais cutadas, sim; contaram-me que o relatrio gerou cerca de precisamos obrigatoriamente personalizar a educao. 160 milhes de libras de investimento na poca e levou amuitos novos negcios. Agora, Oklahoma [EUA] que quer isso vale para programas de desenvolvimento de empresas? aplicar essas ideias para se tornr o estado da criatividade. Sem dvida, se a empresa est interessada em inovao, e no apenas em ecincia. no contexto corporativo, a questo tambm a permisso?Pense em cultura organizacional como hbitos mais habitat Voltemos a seus filhos...hbitos so as formas de comportamento e os valores que Hoje, meu lho, James, tem 27 anos e minha lha, Kate, 23, as encorajam, a maneira como a organizao gerenciada, e mas, quando eram crianas, minha esposa e eu estvamos o habitat o local fsico em que as pessoas trabalham. Todas sempre prontos a tentar achar a melhor escola para cadaessas coisas tm grande impacto no que as pessoas sentem um individualmente. Minha lha, por exemplo, era muito como permitido. Se est na cultura da empresa, a inovao menos impelida por trabalhos acadmicos convencionais, permitida. Se no est, no . A maioria das companhias est porm mostrava ser tima escritora, danarina, com exce- interessada em inovao, mas esta no se encontra em seus lente gosto para design e muito hbil no relacionamentohbitos e habitat, no permitida. E no funciona. com as pessoas. J meu lho um timo ator, brilhante com os idiomas, mas tambm muito interessado em teorias e tra- Uma organizao hierrquica comporta inovao? estudos balhos acadmicos convencionais, com uma mente voltada antropolgicos detectam muita hierarquia no Brasil. para a abstrao. Ento, mais por mrito de minha esposa,Hierarquia serve a quem busca ecincia e status quo, mas devo dizer, sempre tentamos coloc-los nos ambientes que no se surpreenda se no houver inovao nesse ambiente. fossem melhores para eles, e que eram distintos. Inovao requer mltiplas lideranas, no uma nica, comoocorre na hierarquia. como o rock; no h apenas um jeito isso me parece quase heroico! Sua mulher trabalhava fora?de fazer rock, mas muitos, e essa variedade fundamental. Sim, era professora de teatro em uma escola de Liverpool; Vale a pena entender a relao entre a imaginao, a cria- dava aulas para crianas de 10 anos em uma sala de 42 alu- tividade e a inovao numa cultura organizacional. A ima-26 HSMManagement hsmmanagement.com.br 6. AltA gernciA DESTRUMOS TALENTOS SAIBA MAIS SOBRE KEN ROBINSON Em 1998, o educador Ken Robinson, professor da Universi-Autor de oito livros entre os quais, ty of Warwick, liderou uma comisso do governo britnicoLibertando o Poder Criativo, que ser encarregada de analisar as relaes entre educao, criati- lanado pela HSM Editora, sir Ken, vidade e economia. O resultado, o relatrio All Our Futures,como costuma ser chamado, vir pela que ficou mais conhecido como Robinson Report, teve imen- primeira vez ao Brasil em novembro prximo para falar aos sa repercusso mundial e suas recomendaes passaram agestores na HSM ExpoManagement. Ele admirador decla- ser adotadas por atores to distintos quanto o governo da rado de Paulo Freire e Miguel Nicolelis e se diz ansioso por Irlanda do Norte (como parte do processo de paz) e o de Sin-conhecer o Pas, que associa a uma criatividade abundante. gapura. Desde ento, tornou-se interlocutor frequente deNascido na Liverpool dos Beatles, o especialista morou na lderes governamentais e empresariais em busca de inova-Stratford-upon-Avon de Shakespeare e agora vive na Cali- o. Robinson foi condecorado Cavaleiro do Imprio Brit- frnia de Hollywood, dedicando sua vida a garimpar talentos, nico sir em 2003 e includo entre as principais vozesindividual e coletivamente. Sir Ken trata disso tanto em Liber- do mundo em 2005 pelas revistas Time e Fortune e pelatando o Poder Criativo como em seu prximo livro, Finding emissora de TV CNN, dos EUA. A real popularidade, contu-Your Element (uma continuao de The Element), que deve do, veio em 2006, com uma palestra TED, que se viralizouser lanado em maio de 2013, com dez lies que pretendem pela internet de maneira impressionante.ajudar cada um a descobrir e explorar seu verdadeiro talento. ginao, fundao de tudo, a capacidade de trazer a nossaexplique melhor o processo disciplinado da criatividade... mente coisas que no so reais a nossos sentidos. Todos os No tem nada a ver com perder o controle. Voc no pode seres humanos tm isso e devem ser encorajados a mostrar.ser um msico criativo se no sabe tocar um instrumento, A criatividade o processo de ter ideias originais e gerar va-nem um cientista criativo se no souber matemtica. lor a partir da um processo, no um evento isolado; re-Um dos grandes lderes atuais Richard Branson e no quer disciplina e uma viso crtica das ideias e um balancea-por ser carismtico. De um lado, ele muito liberal, porque mento interessante entre liberdade e controle. A inovaose limita a inspirar as pessoas a fazer as coisas, mas seu gru- colocar as boas ideias em prtica. As empresas precisampo empresarial bem disciplinado. H o balanceamento. cultivar a imaginao de seu pessoal, dar-lhe habilidadesA viso crtica fundamental e John Lennon ensina isso. para o processo criativo e criar um ambiente em que tudo Entrevistei Paul McCartney para meu livro The Element, isso seja valorizado e encorajado. Com esses fatores aplica- de 2009, e ele descreveu como os dois compunham: come- dos, as ideias viro, geralmente de fontes inesperadas, noavam com o que viesse cabea frase ou acorde e no s das pessoas criativas, como reza a lenda. levantavam enquanto no terminassem. Ao nal de umaMas, em uma empresa hierrquica, isso dicilmente vin-dessas sesses, saram para beber, e Paul disse a John: E ga, porque muitas boas ideias vm de baixo e porque acon-se no conseguirmos nos lembrar da msica pela manh?. tecem de maneira melhor quando uem entre disciplinasE John respondeu: Se no pudermos nos lembrar, por que diferentes, em equipes multidisciplinares. mais algum se lembraria? [risos]. Voc fala em lder criativo. Qualquer lder pode ser criativo? e como desenvolver a imaginao, achando seu elemento? Sim, potencialmente. O lder no precisa entender a ino- uma busca primeiro interna, em que se aprende mais so- vao, e sim a criatividade. Deve pensar seriamente sobrebre si, e depois externa, para experimentar coisas novas e ela. Como eu disse a Tony Blair [ex-primeiro-ministro bri- se pr prova. a jornada dupla de descobrir a paixo e tnico] quando ele foi eleito, educao diz respeito a pro-construir a atitude. Como? Quebrar a rotina uma forma. mover a criatividade e entend-la, mas o governo tinha polticas educacionais que a destruam. E digo o mesmo aos lderes de empresas. HSM Management28 HSMManagement hsmmanagement.com.br

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