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A Galeria Vermelho apresenta, de 31 de março a 25 de abril de 2015, individuais da dupla Gisela Motta e Leandro Lima, e de Ana Maria Tavares. Além disso, como parte da programação ligada a SPArte, a Vermelho abriga um conjunto de performances selecionadas em uma parceria da Mostra de Performance Arte VERBO, organizada pela Vermelho desde 2005, com o Centro Universitário Belas Artes. Gisela Motta e Leandro Lima Chora-Chuva Em Chora-Chuva, Gisela Motta e Leandro Lima seguem com sua investigação a respeito da relação do homem com seu entorno. A partir da constatação de uma crise ambiental global, a dupla toca em pontos pertinentes da discussão atual sobre problemas no gerenciamento de recursos. Estão presentes trabalhos que falam do desuso sempre rápido de meios e mídias em detrimento de técnicas mais avançadas e sobre qual o resultado dessas operações. Chora-Chuva, 2014 Na instalação que dá nome à exposição, Chora-Chuva, de 2014, 16 baldes de plástico com água são posicionados sobre mesas como que para conter goteiras que invadem o espaço expositivo. Sob esses baldes foram instaladas caixas de som que ao emitirem sinais e impulsos provocam vibrações na água, emulando gotejar sobre sua superfície. O Trabalho idealizado para a última Bienal de Vancouver, ganha novos significados quando inserido em um contexto de crise de abastecimento de água na maior metrópole do país, chamando atenção para a necessária reflexão de toda a sociedade sobre esse problema. Motta e Lima chamam atenção para um conflito que atinge sua tensão máxima e deve ser resolvido. Chora-Chuva (detalhe), 2014 A água também está presente nas pinturas da série Terrenos, de 2015. Nesses trabalhos, desenhos gerados com tinta enamel (a mesma utilizada para pintar miniaturas de veículos militares) remetem a padrões de camuflagem. Na técnica

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Page 1: Chora, - Galeria Vermelho · chamada Ebru, a tinta é depositada sobre água e o próprio movimento da água tingida é transferido para o suporte.As pinturas remetem a visões de

A Galeria Vermelho apresenta, de 31 de março a 25 de abril de 2015, individuais da dupla Gisela Motta e Leandro Lima, e de Ana Maria Tavares. Além disso, como parte da programação ligada a SPArte, a Vermelho abriga um conjunto de performances selecionadas em uma parceria da Mostra de Performance Arte VERBO, organizada pela Vermelho desde 2005, com o Centro Universitário Belas Artes. Gisela Motta e Leandro Lima Chora-Chuva Em Chora-Chuva, Gisela Motta e Leandro Lima seguem com sua investigação a respeito da relação do homem com seu entorno. A partir da constatação de uma crise ambiental global, a dupla toca em pontos pertinentes da discussão atual sobre problemas no gerenciamento de recursos. Estão presentes trabalhos que falam do desuso sempre rápido de meios e mídias em detrimento de técnicas mais avançadas e sobre qual o resultado dessas operações.

Chora-Chuva, 2014

Na instalação que dá nome à exposição, Chora-Chuva, de 2014, 16 baldes de plástico com água são posicionados sobre mesas como que para conter goteiras que invadem o espaço expositivo. Sob esses baldes foram instaladas caixas de som que ao emitirem sinais e impulsos provocam vibrações na água, emulando gotejar sobre sua superfície. O Trabalho idealizado para a última Bienal de Vancouver, ganha novos significados quando inserido em um contexto de crise de abastecimento de água na maior metrópole do país, chamando atenção para a necessária reflexão de toda a sociedade sobre esse problema. Motta e Lima chamam atenção para um conflito que atinge sua tensão máxima e deve ser resolvido.

Chora-Chuva (detalhe), 2014

A água também está presente nas pinturas da série Terrenos, de 2015. Nesses trabalhos, desenhos gerados com tinta enamel (a mesma utilizada para pintar miniaturas de veículos militares) remetem a padrões de camuflagem. Na técnica

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chamada Ebru, a tinta é depositada sobre água e o próprio movimento da água tingida é transferido para o suporte. As pinturas remetem a visões de regiões da América Latina vistas por satélites (representadas em seus esquemas de cores). As peças da série Terrenos foram construídas com base nos jogos de Tangram. Esse ponto reforça a ideia da camuflagem como desenvolvimento do raciocínio lógico na analise e distinção de suas formas. Com o uso referente a esse tipo de padronagem, os artistas também apontam para as regiões representadas como zonas de conflito, ou como zonas que, por alguma razão, vêm (ou devem ver) o outro como inimigo. Atacama, Tapajós e São Paulo são algumas das localidades representadas na série.

Terreno, Uiramutã, 2015

Outro trabalho ligado às paisagens urbanas e naturais é Relâmpago, de 2015. Os artistas criaram um relâmpago feito com lâmpadas tubulares do tipo activiva. Segundo o fabricante, esse tipo de lâmpada promove o bem estar e a produtividade do ser humano, além de estimular a fotossíntese. Fica evidente a observação dos artistas a respeito da dependência do homem da energia elétrica para seu bom funcionamento, ao menos em perímetros urbanos. É importante, no entanto, investigarmos outros aspectos da simbologia ligada aos relâmpagos: teorias científicas apontam que descargas elétricas possam ter sido fundamentais no surgimento da vida. Na história humana, foi possivelmente a primeira fonte de fogo, fundamental no processo da evolução. De um modo geral, o raio representa um poder ao mesmo tempo criador e destruidor, seja observando por um ponto de vista científico ou mitológico. É simultaneamente a vida e a morte; uma síntese da atividade celeste e suas ações transformadoras.

Relâmpago (projeto), 2015

Essas relações dicotômicas aparecem em outros trabalhos da mostra como em Beija-Flor, 2013. Na peça, dois tripés sustentam uma traquitana que rotaciona hélices de formatos irregulares e sobre elas é projetada a imagem de um beija-flor. A imagem desse pássaro - que vive apenas nas Américas - se forma numa superfície transparente, como uma holografia. As hélices fragmentam a projeção originalmente branca e sua cor percorre todas as cores do espectro em movimento decorrente da insuficiência da frequência de projeção. É como se dessa insuficiência surgisse essa imagem oriunda do reino animal. É o natural que emerge a partir da insuficiência do aparato eletrônico.

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Beija-Flor (detalhe), 2013

A insuficiência das mídias também está presente no vídeo Horizonte, de 2015. Na obra, cordas de um violão formam ondas de dimensões e comprimento distintos a partir da incapacidade – ou incompatibilidade – da câmera de vídeo em captar as vibrações geradas pelo instrumento de cordas.

Horizonte (still do vídeo), 2015

Em Bugado, de 2014, a luz original de um monitor foi removida, deixando apenas a parte frontal, transparente, do equipamento. Por trás dessa tela, os artistas instalaram uma lâmpada fria do tipo econômico. Como o monitor segue funcionando sem a luz original, a lâmpada adicionada permite ver a imagem que é transmitida para o equipamento. O que se vê então são moscas que parecem circular ao redor da luz emitida pela instalação. A impressão que se tem é a de um vestígio de uma cultura material. É, porém, o que sobra em funcionamento nessa ruína, que nos faz ver a natureza ao seu redor, no caso, a imagem das moscas que circundam o objeto.

Bugado, 2014

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Finalmente, em Deposição, de 2013, o desuso aparece na forma da acumulação de enciclopédias impressas que, cortadas como desenhos topográficos aparentam serem estalagmites. Fazem referência, portanto, a uma sedimentação de materiais que se desprenderam de seu contexto original e passaram a estruturar uma forma composta por resíduos.

Deposição, 2013

Sinfonia Tropical para Loos Ana Maria Tavares Em 1927, o arquiteto modernista checo Adolf Loos (1870 –1933) desenvolveu um projeto nunca realizado para a residência da cantora e bailarina afro-americana Josephine Baker (1906 –1975). O projeto partia de uma reforma rigorosa sobre duas casas existentes em uma esquina da Avenue Bugeaud, em Paris. A residência, que seria adornada em seu exterior por listras horizontais de mármore branco e preto, teria janelas fundas e pequenas para propiciar privacidade a sua ilustre moradora e para, como apreciava Loos, manter a atenção no interior da construção. No centro do prédio, estaria uma piscina que rasgaria dois andares da edificação, tendo janelas em seu andar inferior que propiciariam aos convidados da artista observar seu corpo rompendo as águas. A fachada e a piscina planejadas para a composição atestariam a obsessão da arquitetura modernista por superfícies.

Projeto da Casa Baker

Na individual Sinfonia Tropical para Loos, Ana Maria Tavares procura um caminho inverso ao da superfície. Na instalação Parede para Loos, a artista traz a fachada da Casa Baker para o interior do espaço. Tavares circunda todas as paredes do espaço expositivo com as listras características do projeto original, sobrepondo-as com uma projeção que leva o espectador de fora para dentro da casa. No vídeo, a câmera se move pela fachada do prédio e por suas janelas opacas até que essas se dissolvam em uma visão de natureza tropical. Esse jogo entre o natural e a reguladora arquitetura modernista se repete até mergulhar o espectador na piscina do centro da casa de Loos. Vemo-nos então encapsulados tanto pela piscina quanto por uma estrutura arquitetônica criada pela artista, intitulada Bunker, que parece conte-la no vídeo. É nesse ponto que exterior e interior tornam-se igualmente fascinantes, revelando um projeto central e comumente ignorado em discussões sobre arquitetura moderna: sua função disciplinar historicamente ligada à ciência médica eugênica. Leia-se: se a eugenia era um projeto discursivo que dava estrutura para prescrição cultural e investigação médico-moral, ela se encontra e interage com os discursos modernistas acerca da alteridade e da busca por uma identidade nacional. Sob essa ótica, a instalação de Tavares nos faz questionar se estaria a obsessão de Loos por manter o olhar no interior dos espaços construídos por ele, ligada a uma visão de identidade higienizada: eugênica.

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Stills do vídeo

Também nas obras Vitrines, da série Paisagens Perdidas (para Lina Bo Bardi), o interior se eleva ao exterior. Ao trabalhar com elementos museográficos pensados por Lina Bo Bardi para servirem como par para seus célebres cavaletes de vidro, que de fato, nunca foram construidos, Tavares cria corpos suspensos no ar que revelam seus interiores vazios, porém, circundados com imagens de exuberância natural estampadas nos vidros de todas as suas faces. Tavares parece descortinar a iniciativa modernista de organizar, selecionar e conter o natural como algo antagônico ao seu projeto de formulação de identidade.

Vitrines, da série Paisagem Perdida (para Lina Bo Bardi)

Finalmente, Sinfonia Tropical para Loos, decorrente das investigações da artista para as exposições Natural-Natural: Paisagem e Artifício (2013), e Atlântica Moderna: Purus e Negros (2015), traz um grande número de Vitórias Régias encapsuladas por caixas de acrílico com estruturas de aço inox e divididas em conjuntos organizados pelos nomes dos rios brasileiros Cocó e Purus e Negros. Como os outros trabalhos que formam a exposição, as Vitórias Régias compõem um aparato crítico que, conforme afirma a crítica e curadora Fabiola Lopez-Durán “vem relativizar a suposta ameaça do tropical e a tão almejada assepsia e geometria da estética moderna”. A poética aqui, no entanto, remete à lenda de Naiá, de origem tupi-guarani, que, encantada com o reflexo da Lua na água, acaba por se aproximar demais de um rio e se afoga. A Lua (Jaci), compadecida, recompensa o sacrifício da jovem índia e transforma-a numa "Estrela das Águas", única e perfeita - a Vitória Régia. É evidente a aproximação entre a lenda de Naiá e o mito de Narciso que, encantado com sua própria imagem, definha as margens da lagoa de Eco, admirado por seu próprio reflexo na água. Transformado numa flor (narciso) por Afrodite, o filho do deus do rio Céfiso e da ninfa Liríope, segue, mesmo aprisionado em sua nova forma, tentando eternamente contemplar sua imagem no reflexo da água.

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Vitórias-régias para o Rio Cocó

Se lembrarmos da Parede Niemeyer, que Tavares constrói em 1998 recriando a grande parede de espelhos que Oscar Niemeyer ergueu no Cassino da Pampulha (Belo Horizonte), e que para a artista é uma síntese da utopia modernista, poderíamos compreender o presente de Jaci como uma sentença, que faz de Naiá refém de sua forma-flor, assim como nossos concidadãos, que ao admirar o espelho de Niemeyer, contemplam a promessa nunca entregue do projeto modernista brasileiro.

Parede Niemeyer

Verbo e Belas Artes: A Mostra de Performance Arte VERBO, organizada pela Galeria Vermelho desde 2005, firma parceria com o Centro Universitário Belas Artes Artes para organizar uma área para apresentação de performances dentro da feira SPArte, no Pavilhão Ciccilio Matarazzo, no Parque do Ibirapuera. Como parte da programação desse espaço, a Galeria Vermelho recebe no dia 11 de abril, três ações em sua sede. Programa Verbo e Belas Artes:

Sábado, 11 de abril de 2015 14h Parábola (Leonardo Akio, 2010) O objeto performático consiste em longa haste de ferro com suporte para o corpo. A ponta do objeto deve ser colocada na quina entre parede e chão, e os performers devem usar o peso de seus corpos para vergar a linha de ferro. Colocada à altura dos quadris, o prolongamento entre objeto e pernas forma uma curva.

14h30 Reconhecer-se (Magaly Milene, 2010) A performer entra em espaço preparado com uma cadeira de madeira, mesa branca, bacias com água e

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tigelas com pedaços de gaze engessada. Ela se despe, senta-se e engessa a frente de seu corpo dos pés até o pescoço. Após alguns minutos, com movimentos sutis, ela desgruda o molde de si, levanta-se da cadeira, veste-se e sai do espaço, deixando sentada a imagem de seu corpo em gesso. 15h30 Eu sou você (Merien Rodrigues, 2008) A artista abre um grande guarda-chuva embaixo de filete de areia que cai do teto. Os grãos acumulam-se ao redor de seu corpo, formando um círculo branco sobre o chão. Quando a areia termina, ela caminha para outro filete de areia e repete a mesma ação, e assim sucessivamente. No final, a performer deixa o espaço e ficam os círculos desenhados no chão. EXPOSIÇÂO: Gisela Motta e Leandro Lima – Chora-Chuva (salas 1, 2 e Fachada); Ana Maria Tavares – Sinfonia Tropical para Loos (sala 3); ABERTURA: 31 de março às 20h PERÍODO: 01 de abril a 25 de abril, de 2015 LOCAL: Vermelho / Rua Minas Gerais, 350 / 01244010 – São Paulo – SP – tel.: 11 3138 1520 WEB: www.galeriavermelho.com.br Mais informações: [email protected] GRATUITO

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From March 31 through April 25, 2015, Galeria Vermelho is presenting solo shows by the artist duo Gisela Motta & Leandro Lima, and by Ana Maria Tavares. Moreover, as part of the programming linked to the SPArte art fair, Vermelho will host a selection of performances chosen from a joint-effort between the VERBO Performance Art Festival, held by Galeria Vermelho since 2005, and the Centro Universitário Belas Artes.

Gisela Motta & Leandro Lima Chora-Chuva

In Chora-Chuva [Cry-Rain], Gisela Motta & Leandro Lima continue their investigation into man’s relation with his surroundings. Based on the awareness of a global environmental crisis, the duo touches on points pertinent to the current discussion concerning the problems of resource management. The show features works that talk about how mediums and media are very rapidly falling into disuse as they are replaced by more advanced techniques, and about the result of these operations.

Chora-Chuva, 2014

In the installation after which the exhibition is entitled, Chora-Chuva, 2014, a total of 16 plastic pails containing water are arranged on tables as though to catch falling waterdrops invading the exhibition space. Under these pails, loudspeakers were installed in such a way as to create vibrations that simulate the effects of water dripping into them. This work, originally conceived for the last Vancouver Biennial, gains new meanings when inserted within the context of the water-supply crisis currently besetting Brazil’s largest metropolis, calling attention to the need for all of society to reflect on this problem. Motta and Lima thus spotlight a conflict in urgent need of a solution.

Chora-Chuva (detail), 2014

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Water is also present in the paintings of the series Terrenos [Terrains], 2015. In these works, drawings made with enamel paint (the same type used to paint miniature models of military vehicles) resemble camouflage patterns. In the marbling technique called ebru, the paint is placed on the surface of water, and the water’s movement is transferred to the absorbent surface of the artwork. The paintings refer to views of regions of Latin America seen by satellites (represented in their color schemes). The pieces of the series Terrenos were constructed on the basis of the different parts of a tangram puzzle. This point reinforces the idea of camouflage as a development of the logical reasoning in the analysis and distinctiveness of their shapes. By referring to this sort of pattern, the artist also points to the regions represented as zones of conflict, or as zones from which, for some reason, the other is seen (or should be seen) as an enemy. Atacama, Tapajós and São Paulo are some of the places represented in the series.

Terreno, Uiramutã, 2015

Another piece linked to urban and natural landscapes is Relâmpago [Lightning Bolt], 2015. The artists created a lightning bolt made out of fluorescent tubes of the activiva type. According to the manufacturer, this type of light bulb promotes the well-being and productivity of humans, while also stimulating photosynthesis. The artists are evidently referring to man’s dependence on electrical energy, at least in the urban context. It is important, however, to investigate other aspects of the symbolism linked to lightning bolts: scientific theories indicate that electrical discharges may have played an essential role in the origin of life. In human history, lightning was possibly the first source of fire, a milestone in the process of our evolution. Generally, lightning represents a power that is simultaneously creative and destructive, when seen from either a scientific or mythological point of view. It is simultaneously life and death; a synthesis of celestial activity and its transformative actions.

Relâmpago (preliminary design), 2015

These dichotomous relations appear in other works of the show, including Beija-Flor [Hummingbird], 2013. In this piece, two tripods support an apparatus that rotates irregularly shaped fan blades, onto which the image of a hummingbird is projected. The image of this bird – who lives only in the Americas – is formed on a transparent surface, like a holography. The propellers fragment the originally white projection, and its color shifts to all the colors of the spectrum due to a nonsynchronicity between the projector and the fan blades. It is as though this nonsynchronicity gave rise to this image from the animal kingdom. It is something natural that emerges based on the insufficiency of the electronic apparatus.

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Beija-Flor (detail), 2013

insufficiency of media is also present in the video Horizonte [Horizon], 2015. In this work, guitar strings form waves of different size and length based on the incapacity – or incompatibility – of the video camera to capture the vibrations generated by the string instrument.

Horizonte (video still), 2015

In Bugado [Bugged], 2014, the back of an LCD monitor was removed, making it semi-transparent. Behind the screen, the artist installed an energy-saving compact fluorescent light bulb. The monitor continues to work, though we also see the light bulb behind the image it is displaying. The image is that of flies that seem to be circling around the light bulb. The observers get the impression that they were looking at the vestiges of a material culture. Thus, what is left functioning in this ruin is what allows us to see the nature around it, in this case, the image of the flies that circle the object.

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Bugado, 2014

Finally, in Deposição [Deposition], 2013, disuse appears in the form of an accumulation of printed encyclopedias cut like topographic drawings to resemble stalagmites. They therefore refer to a sedimentation of materials that are detached from their original context and begin to structure a shape made up of residues.

Deposição, 2013

Ana Maria Tavares Sinfonia Tropical para Loos

In 1927, the Czech modernist architect Adolf Loos (1870 –1933) created a never-built design for the home of Afro-American singer and dancer Josephine Baker (1906–1975). The design was based on the revamping of two existing houses on a corner of Avenue Bugeaud, in Paris. The residence, whose exterior walls were to be decorated with horizontal stripes of black and white marble, was to have small, deeply inset windows to ensure the privacy of its illustrious inhabitant, while also keeping the attention focused on the house’s interior (as was prefer by Loos). At the center of the house there was to be a pool that would pierce through two floors of the building with windows on the lower floor for underwater viewing, allowing Josephine’s guests to watch her body slicing through the water. The design for both the façade and the pool evince modernist architecture’s obsession for surfaces.

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Design for the Baker House by Loos

In the solo show Sinfonia Tropical para Loos [Tropical Symphony for Loos], Ana Maria Tavares seeks a path running

counter to that of the surface. In the installation Parede para Loos [Wall for Loos], the artist brings the façade of the Baker House into the interior of the space. Tavares puts the stripes of the original exterior design on all the walls circling around the exhibition space, overlaying them with a projection that conveys the spectator from the outside of the house into its interior. In the video, the camera moves along the building’s façade and its opaque windows until the latter are dissolved in a view of tropical nature. This interplay between the natural world and the regulatory modernist architecture is repeated until it immerses the spectator into the pool at the center of the house. We then see ourselves encapsulated both by the pool as well as by an architectonic structure created by the artist, called Bunker, which seems to contain the pool in the video. It is at this point that the exterior and the interior become equally fascinating, revealing a core theme often ignored in discussions about modern architecture: its disciplinary function historically linked to the medical science of eugenics. While eugenics was a discursive project that provided a structure for cultural prescription and medical-moral investigation, it is also found in, and interacts with, the modernist discourses concerning alterity and the search for a national identity. From this standpoint, Tavares’ installation makes us question whether Loos’s obsession for keeping the attention focused on the interior of his designs is perhaps linked to a view of a sanitized identity: eugenics.

Stills from the video

Also in the pieces called Vitrines, da série Paisagens Perdidas (para Lina Bo Bardi) [Display Cases, from the Lost

Landscapes Series (For Lina Bo Bardi)], the interior is raised to the exterior. Working with museum display elements conceived by Lina Bo Bardi to serve in conjunction with her celebrated glass display easels – and that were in fact never built – Tavares creates bodies suspended in the air that reveal their empty interiors, though surrounded with images of the teeming natural world printed on the glass surface of each of their faces. It seems that Tavares reveals the modernist initiative to organize, select and contain the natural as something that conflicts with its project for the formulation of identity.

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Vitrines, da série Paisagem Perdida (para Lina Bo Bardi)

Finally, Sinfonia Tropical para Loos, resulting from the artist’s investigations for the exhibitions Natural-Natural:

Paisagem e Artifício (2013), e Atlântica Moderna: Purus e Negros (2015), features a large number of Vitória Régias [Victoria amazonica lily pads] encapsulated by Plexiglas boxes with stainless steel structures and divided into two sets, designated as being for the Brazilian rivers Cocó and Purus and Negro, respectively. Like the other works in the exhibition, the Vitória Régias compose a critical apparatus that, according to the critic and curator Fabiola Lopez-Durán, “relativizes the supposed tropical threat and the so much desired sterile geometry of the modern aesthetics”. Here the poetics, however, refers to the legend of Naiá, a Tupi-Guarani Indian girl who was so fascinated by the reflection of the Moon in the water that she got too close to a river and drowned. The Moon (Jaci) felt sympathetic and recompensed the Indian girl for her sacrifice, by transforming her into a unique and perfect “Water Star” – the Victoria amazonica. There is an evident parallel between the legend of Naiá and the myth of Narcissus, who fell in love with his own image and pined away on the banks of the lake of Echo, admiring his own reflection in the water. The son of the river god Cephissus and the nymph Leiriope, was transformed by Aphrodite into a flower (the narcissus), in which form he eternally tries to contemplate his image in the reflection of the water.

Vitórias-régias para o Rio Cocó

If we recall Parede Niemeyer [Niemeyer Wall] – which Tavares constructed in 1998, re-creating a large wall of

mirrors designed by Oscar Niemeyer for the Cassino da Pampulha (Belo Horizonte), and which the artist sees as a synthesis of the modernist utopia – we can understand Jaci’s reward as actually being a sentence, making Naiá a hostage of her flower form; just as our fellow citizens, when they admire Niemeyer’s mirror, contemplate the never fulfilled promise of the Brazilian modernist project.

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Parede Niemeyer

Verbo and Belas Artes

The VERBO Performance Art Festival, organized by Galeria Vermelho since 2005, has entered into partnership with the Centro Universitário Belas Artes Artes to organize an area for the presentation of performances at the SPArte art fair, in the Bienal Pavilion, at Ibirapuera Park. As part of the programming for this space, on April 11 Galeria Vermelho is hosting three performance art actions at its headquarters.

Verbo e Belas Artes: Program Saturday, April 11, 2015 2 p.m. Parábola [Parabola] (Leonardo Akio, 2010) The performative object consists of a long iron rod with a support for the body. The point of the object should be

placed in the corner between the wall and the floor, and the performers should use the weight of their bodies to bend the line of the iron. Placed at waist level, the prolongation between the object and the people’s legs forms a curve.

2:30 p.m. Reconhecer-se [To Recognize Oneself] (Magaly Milene, 2010) The performer enters a space containing a wooden chair, a white table, tubs with water, and bowls with pieces of

plastered gauze. She undresses, sits down and plasters the front of her body from feet to neck. After a few minutes, with subtle movements, she unsticks the mold from herself, stands up from the chair, dresses, and leaves the space, leaving the seated image of her body.

3:30 p.m. Eu sou você [I Am You] (Merien Rodrigues, 2008) The artist opens a large umbrella below a stream of sand falling from the ceiling. The sand grains accumulate around

her body, forming a white circle on the floor. When the sand stops falling, she walks to another stream of falling sand and repeats the same action, and so on and so forth. At the end, the performer leaves the space, though the circles on the floor remain. EXHIBITION: Gisela Motta & Leandro Lima – Chora-Chuva (rooms 1 and 2, and the building’s facade); Ana Maria Tavares – Sinfonia Tropical (Room 3);

OPENING: March 31 at 8 p.m. PERIOD: April 1 through April 25, 2015 PLACE: Galeria Vermelho / Rua Minas Gerais, 350 / 01244010 – São Paulo – SP – Brazil – tel.: +55 11 3138 1520 WEB: www.galeriavermelho.com.br Further information: [email protected] FREE ADMISSION