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As contribuies das atividades fsicas para a qualidade de vida dos deficientes fsicosZUCHETTO, ngela Teresinha , CASTRO, Rosngela Laura Ventura Gomes de . ResumoEste estudo teve como objetivo analisar as contribuies das atividades fsicas para a qualidade de vida dos deficientes fsicos. Caracterizou-se como descritivo exploratrio, do tipo estudo de caso. A amostra constituiu-se de 18 (dezoito) sujeitos do sexo masculino, deficientes fsicos, participantes de programas regulares de atividades fsicas desenvolvidos no CEFID/UDESC e CDS/UFSC, com faixa etria entre 15 (quinze) e 44 (quarenta e quatro) anos. Como instrumento de coleta de dados utilizou-se um questionrio, do qual, 30 questes foram analisadas descritivamente. A maioria dos entrevistados, (72%), adquiriu a deficincia no perodo ps-natal, tendo como principal causa a poliomielite, (38%), seguido pela Paralisia Cerebral e Leso Medular, ambas com 28%. Poucas comunidades onde residem, (39%), oferecem oportunidades esportivas e de lazer. Constatou-se que quase todos tm um estilo de vida saudvel. Basquete e natao so os esportes preferidos. A maioria, (55%) realiza atividades fsicas 3 vezes por semana, utilizando-se de lh lh e 30m, por dia. Ressaltaram o fortalecimento da musculatura; melhoria da resistncia fsica; a promoo da integrao social e do bem-estar geral, como as principais contribuies do esporte. Destacam ainda, que realizam atividades fsicas por considerarem importante, enfatizando que estas melhoram a sua qualidade de vida.1 2

Palavras-chaves: Atividade Fsica; Qualidade de Vida; Deficientes Fsicos.

IntroduoA modernizao, a industrializao e a informatizao dos dias atuais fazem com que o homem, apesar de ter uma vida muito atribulada, utilize-se cada vez menos de esforos fsicos (caminhar, pedalar, nadar, trabalho braal, etc) para atingir os objetivos do dia-a-dia. A tecnologia tem facilitado muito a vida das pessoas nos seus afazeres mais difceis. Se por um lado isto muito bom, por outro, todas estas facilidades fazem com que o homem se torne mais sedentrio e conseqentemente fique mais exposto s doenas crnico-degenerativas, obesidade, entre outras. As atividades fsicas aparecem como uma forma de melhor ocupar o tempo livre e manter o equilbrio fsico e mental do indivduo. Constituindo-se, portanto em importante aliada dos que desejam ter um estilo de vida mais ativo. A qualidade de vida est associada ao estado de sade, longevidade, satisfao no trabalho, relaes familiares, disposio para a vida, entre outros. A qualidade de vida pode ser definida como um conjunto de parmetros individuais, scio-culturais e ambientais que caracterizam as condies em que vive o ser humano e, para ele, o esporte como1 2

Prof Ad. do Depto de Educao Fsica CDS/UFSC Mestranda em Educao Fsica no Centro de Desportos da UFSC Endereo: Rua Manoel L. de Souza Brito, 62. Vargem Pequena, Florianpolis/SC.

Revista Kinesis, Santa Maria, N 26, p. 52-166, Maio de 2002.

manifestao cultural, destaca-se nesta virada de milnio, pela necessidade de um envolvimento maior em atividades de lazer que contrabalancem o sedentarismo e o desgaste psicolgico das sociedades urbanas . Estudos sobre educao para um estilo de vida ativo , enfatizam que o sedentarismo prejudicial sade e ressalta que a prtica de atividades fsicas de forma regular pode reduzir o risco de doenas e melhorar a qualidade de vida das pessoas. As atividades fsicas esto, indiscutivelmente, entre os fatores que contribuem para um estilo de vida mais saudvel. Atualmente o conceito de qualidade de vida vem se modificando, acrescentando novos fatores de exigncia a ele, dentre os quais, a prtica de atividades fsicas. Um estilo de vida ativo tem sido relacionado melhoria de fatores bio-psico-sociais dos indivduos. Nas ltimas dcadas, a busca por informaes acerca das implicaes biolgicas, psicolgicas e culturais que envolvem a atividade fsica , vem se constituindo numa das principais preocupaes dos especialistas que atuam na rea da promoo da sade. A qualidade de vida definida como sendo "Umapercepo individual relativa s condies de sade e a outros aspectos gerais da vida pessoal", (p.61-65). O termo qualidade de vida tem sido freqentemente utilizado por diversos autores, , e , como um critrio de anlise de estudos onde o sujeito o ser humano. Envolve os mais diversos aspectos da vida das pessoas, como a expectativa de vida, o meio ambiente, relaes sociais, familiares e de trabalho, entre tantos outros. Este conceito passou a ter grande relevncia nos ltimos anos, com a extenso da expectativa de mdia de vida no planeta, para a maioria das sociedades atuais, o objetivo dar condies para melhorar a qualidade de vida das pessoas, destaca . Vrios benefcios psicolgicos tm sido percebidos em indivduos que possuem um estilo de vida mais ativo , como: aumento do bom humor, reduo do stresse, autoconceito mais positivo e mais alta qualidade de vida. A atividade fsica pode promover importantes adaptaes fisiolgicas, agudas ou crnicas , afetando a qualidade de vida das pessoas, ao contrrio, a inatividade fsica reduz a mobilidade, aumenta o peso corporal e diminui a disposio para realizar tarefas da vida diria. Em se tratando de pessoas portadoras de deficincia, a prtica de atividades fsicas de fundamental importncia. Quando bem orientada , influenciar no desenvolvimento bio-psico-social das pessoas, possibilitando uma melhora na sua qualidade de vida. Para esta populao enfatiza-se a prtica de atividades que levem em conta a sua capacidade, necessidades e limitaes, auxiliando os mesmos no desenvolvimento e aprimoramento de movimentos necessrios para a realizao de tarefas essenciais no seu cotidiano. Est comprovado , que a prtica desportiva por pessoas portadoras de deficincia desde a Grcia Antiga. No entanto, foi somente aps a Segunda Guerra Mundial que esta teve maior incremento no contexto da preveno e reabilitao, com objetivo de prevenir distrbios secundrios e reabilitar social, fsica e psiquicamente as pessoas contemporneas a esta Guerra. Se as pessoas sedentrias tm sua capacidade fsica reduzida, mesmo no sendo condicionadas ao uso de cadeira de rodas, muito mais prejuzos tero aqueles que se utilizam dela. As atividades fsicas, alm dos benefcios orgnicos (aspectos metablicos, cardiorrespiratrio e msculo-steo articular), contribuem significativamente para a melhoria do convvio social, para promoo da independncia, de um autoconceito mais positivo, enfim, faz com que os deficientes fsicos sejam encorajados a fazer tudo o que so capazes, buscando otimizar o seu potencial. Sabe-se que pessoas com deficincias tendem a ser mais sedentrias, portanto, o apoio social da famlia e dos amigos considerado fundamental para que elas adotem um estilo de vida mais ativo. Os objetivos para o desenvolvimento da educao fsica para deficientes fsicos so os mesmos das pessoas no deficientes , somente as regras, regulamentos, organizao e procedimentos de cada atividade precisam de um ajuste mnimo para dar flexibilidade e oportunidade gratificante ao1 2 3 4 3 1 5 6 7 8 9 10 11

Revista Kinesis, Santa Maria, N 26, p. 53-166, Maio de 2002.

deficiente, nas atividades de lazer. As pessoas com deficincia fsica podem e devem procurar aderir a programas de atividades fsicas de acordo com sua capacidade funcional. Alm das atividades realizadas em sesses de fisioterapia, to necessrias para sua reabilitao, importante que estas pessoas tenham oportunidade de praticarem atividades e/ou exerccios fsicos, esportivos (competitivos) ou de lazer. Busca-se, com este estudo, esclarecer a importncia da prtica de atividades fsicas por pessoas portadoras de deficincia fsica, com o objetivo de analisar as contribuies da prtica de atividades fsicas para a qualidade de vida dos deficientes fsicos, identificando os benefcios, freqncia, durao e tipo de atividades fsicas realizadas, bem como a oferta de esporte/lazer pelas comunidades onde os deficientes fsicos residem. Caracterizao da pesquisa Esta pesquisa caracterizou-se como um estudo descritivo exploratrio, do tipo estudo de caso. Populao e amostra A populao constituiu-se de indivduos com deficincia fsica, participantes de programas de atividade fsica regular em Florianpolis. A amostra foi selecionada de forma intencional em virtude da necessidade de serem deficientes fsicos e praticantes de programas de atividades fsicas regulares, no CEFED/UDESC (Centro de Educao Fsica e Desportos da Universidade do Estado de Santa Catarina) e CDS/UFSC (Centro de Desportos da Universidade Federal de Santa Catarina). Envolveu 18 (dezoito) sujeitos, com faixa etria entre 15 (quinze) e 44 (quarenta e quatro) anos, todos do sexo masculino. Instrumentos e Procedimentos Utilizou-se como instrumento de coleta de dados um questionrio, com 42 questes abertas e fechadas, adaptado de OLIVER & ZUCHETTO (1996) e SILVEIRA E DUARTE (1995). O questionrio foi submetido a cada participante deste estudo, nos meses de fevereiro e maro de 2000, no seu local de prtica de atividade fsica. O instrumento foi analisado, para validao de contedo, por trs Doutores da rea de Educao fsica. A testagem e exame de clareza e objetividade foram realizados por cinco profissionais da Educao Fsica. Deste questionrio, 30 questes foram analisadas. Tratamento Estatstico Os dados foram analisados descritivamente, atravs de grficos, tabelas resumo e estatsticas (mdia, desvio padro e porcentagem).

Apresentao e discusso dos resultadosConsiderando o perfil da amostra, a anlise dos questionrios mostrou que o grupo predominantemente jovem, com mdia de idade de 29 anos. As estaturas variaram de 1,30m a 1,85, o que levou a uma mdia de l,68m e um desvio padro bastante elevado (9,19), devido a grande diferena entre a maior e a menor estatura. Salientamos que o indivduo com a menor estatura portador de osteognesis imperfecta. Com relao a massa corporal, a mdia foi de 67,5kg. Entretanto, cabe lembrar que cada indivduo tem uma composio corporal difer