avaliando a criança na ed infantil

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Avaliando a criança na Educação Infantil Angela S.A. I –Introdução O presente texto tem por objetivo, primeiramente apresentar as definições das diretrizes legais, políticas e operacionais que atualmente existem sobre a avaliação na e da educação infantil no Brasil. Além de instrumentações legais expedidas pelo governo federal, portanto, de aplicação geral em todo o país. Diretrizes e orientações práticas dos sistemas de ensino dos Estados, do DF e dos Municípios não entram neste estudo; segundo, apresentar questões centrais do debate sobre avaliação na e da educação infantil e, por fim, sugerir algumas linhas sobre as quais a reflexão deve incidir para garantir que a avaliação na educação infantil seja coerente com as concepções mais avançadas de criança e infância e com as finalidades dessa etapa da educação básica. As preposições “na” e “da” constantes do título distinguem dois objetos e dois contextos da avaliação. A avaliação na educação infantil se refere àquela feitainternamente no processo educativo, focada nas crianças enquanto sujeitos e coautoras de seu desenvolvimento. Seu âmbito é o microambiente, o acontecer pedagógico e o efeitoque gera sobre as crianças. A avaliação da educação infantil toma esse fenômeno sociocultural (“a educação nos primeiros cinco anos de vida em estabelecimentos próprios, com intencionalidade educacional, formalizada num projeto político-pedagógico ou numa proposta pedagógica”), visando a responder se e quanto ele atende à sua finalidade, a seus objetivos e às diretrizes que definem sua identidade. Essa questão implica perguntar-se sobre quem o realiza, o espaço em que ele se realiza e suas relações com o meio sociocultural. Enquanto a primeira avaliação aceita uma dada educação e procura saber seus efeitos sobre as crianças, a segunda interroga a oferta que é feita às crianças, confrontando-a com parâmetros e indicadores de qualidade. 1

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O texto tem por objetivo, primeiramente apresentar as definições das diretrizes legais, políticas e operacionais que atualmente existem sobre a avaliação na e da educação infantil no Brasil. Além de instrumentações legais expedidas pelo governo federal, portanto, de aplicação geral em todo o país. Diretrizes e orientações práticas dos sistemas de ensino dos Estados, do DF e dos Municípios não entram neste estudo; segundo, apresentar questões centrais do debate sobre avaliação na e da educação infantil e, por fim, sugerir algumas linhas sobre as quais a reflexão deve incidir para garantir que a avaliação na educação infantil seja coerente com as concepções mais avançadas de criança e infância e com as finalidades dessa etapa da educação básica.

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A Avaliao na e da Educao Infantil

Avaliando a criana na Educao Infantil

Angela S.A.I Introduo

O presente texto tem por objetivo, primeiramente apresentar as definies das diretrizes legais, polticas e operacionais que atualmente existem sobre a avaliao na e da educao infantil no Brasil. Alm de instrumentaes legais expedidas pelo governo federal, portanto, de aplicao geral em todo o pas. Diretrizes e orientaes prticas dos sistemas de ensino dos Estados, do DF e dos Municpios no entram neste estudo; segundo, apresentar questes centrais do debate sobre avaliao na e da educao infantil e, por fim, sugerir algumas linhas sobre as quais a reflexo deve incidir para garantir que a avaliao na educao infantil seja coerente com as concepes mais avanadas de criana e infncia e com as finalidades dessa etapa da educao bsica.

As preposies na e da constantes do ttulo distinguem dois objetos e dois contextos da avaliao. A avaliao na educao infantil se refere quela feitainternamente no processo educativo, focada nas crianas enquanto sujeitos e coautoras de seu desenvolvimento. Seu mbito o microambiente, o acontecer pedaggico e o efeitoque gera sobre as crianas. A avaliao da educao infantil toma esse fenmeno sociocultural (a educao nos primeiros cinco anos de vida em estabelecimentos prprios, com intencionalidade educacional, formalizada num projeto poltico-pedaggico ou numa proposta pedaggica), visando a responder se e quanto ele atende sua finalidade, a seus objetivos e s diretrizes que definem sua identidade. Essa questo implica perguntar-se sobre quem o realiza, o espao em que ele se realiza e suas relaes com o meio sociocultural. Enquanto a primeira avaliao aceita uma dada educao e procura saber seus efeitos sobre as crianas, a segunda interroga a oferta que feita s crianas, confrontando-a com parmetros e indicadores de qualidade.

No conjunto de documentos legais, normativos e de orientaes pedaggicas encontramos dispositivos sobre avaliao do desenvolvimento das crianas, bem como sobre a poltica de educao infantil, nos seus diferentes aspectos e mbitos de formulao e aplicao.Uma vez que eles so produto de um debate amplamente participativo, do qual tomaram parte estudiosos, pesquisadores, professores, representantes de entidades da rea, eles constituem umconsistente ponto de partida para as respostas que somos instados a dar, neste momento, sobre a avaliao na e daeducao infantil.

A avaliao da educao vem se tornando um assunto cada vez mais presente no mundo todo, tanto no que se refere aplicao de testes quanto no debate sobre as concepes que subjazem sua formulao, sua adequao ou inadequao, seus objetivos e usos.

A educao infantil no est imune a essa onda de avaliao que vem tomando conta do ambiente social e educacional. Ela no sofreu, ainda, a invaso de um teste nacional ou internacional, mas eles esto rondando, com os mesmos argumentos que impulsionam os que vm sendo aplicados nos outros nveis da educao. Educadores resistem aplicao de testesestandardizados, de forma generalizada para todas as crianas, com objetivo de marcar o estgio ou nvel de desenvolvimento eo alcance de objetivos pr-definidos para respectivas idades. E h, tambm, educadores e gestores de sistemas de ensino que veem nos dados coletados por meio de testes, questionrios ou registros de observao, indicaes seguras e precisas para a programao de atividades, oferta de estmulos e incidncia pontual sobre itens que estariam precisando de maior ateno.

O debate est instalado e ter que evoluir para um entendimento mais aproximado da forma justa de apoiar, incentivar e mediar o processo de desenvolvimento e aprendizagem das crianas nos estabelecimentos de educao infantil.II - Situando a questo

A avaliao na educao infantil tema presente na legislao e na poltica pblica de educao no Brasil pelo menos desde 1996. Na prtica pedaggica, ela anterior, uma vez que, formal ou informalmente, deliberada ou sem perceber, sempre estamos avaliando aquilo que vemos, experimentamos ou fazemos. No seria diferente na oferta da educao s crianas.

O tema entra na Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional no calor do embate entrevises tericas e prticasopostas umas querendo adotar na educao infantil os mesmos procedimentos usados nas etapas seguintes da educao bsica, constitudos de provas, testes e trabalhos aos quais se atribuemconceitos e notas; outras, preconizando a observao e o registro dos comportamentos e atitudes, dasexpresses e produes das crianas. As primeiras, pretendendo identificar progressos ou atrasos, deficincias ou a no realizao das aprendizagens esperadas. As outras, almejando reunir um conjunto de indicadores capazes de produzir uma percepo sempre mais aproximada do processo de construo de conhecimentos e desenvolvimento de cada criana para exercer mais eficazmente sua mediao.

A caracterizao da avaliao que a LDB adota objetiva definir a diretriz legal, portanto, obrigatria, para os sistemas de ensino, os estabelecimentos e os professores de educao infantil, dirimindo as possveis polmicas e consolidando um nico procedimento quanto avaliao na educao infantil.

A LDB no trata da avaliao da poltica da educao infantil, mas dos processos internos de acompanhamento do desenvolvimento e aprendizagem das crianas, ou seja, do microambiente criado pela atividade educacional da creche e da pr-escola: o que ela est sendo para as crianas enquanto sujeitos de desenvolvimento integral, nos aspectos fsico, psicolgico, intelectual e social (art. 29).

Os documentos posteriores reproduzem essa diretriz, sugerindo formas de cumpri-la, e estendem o olhar para fora da sala de atividades, abarcando a formulao da poltica de educao infantil, sua articulao com o ensino fundamental ea insero no contexto sociocultural. Introduzem o conceito de qualidade como objetivo a ser alcanado, construindo parmetros e indicadores de qualidade, sobre os quais podem ser criados instrumentos de avaliao.

Esses documentos foram produzidos sob a liderana ou coordenao do Ministrio da Educao (SEB/COEDI) com ampla participao de especialistas e instituies educacionais, movimentos e redes de organizaes com comprovada experincia nos diferentes campos da atividade educacional pesquisa, avaliao, formao de professores, atuao em creches e pr-escolas, polticas pblicas de educao, legislao e gesto de sistemas de ensino.

II - A avaliao nos documentos legais e polticos da educao infantil

1. A LDB, no art. 31,firmou uma posio clara e precisa de que a Na educao infantil, aavaliao far-se- mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento infantil, sem o objetivo de promoo, mesmo para o aceso ao ensino fundamental.

A lei no indica como ser feito o acompanhamento nem que instrumentos se usaro para captar a evoluo no desenvolvimento das crianas. Mas ela assertiva em no permitir que a avaliao seja usada para reprovar ou aprovar a transio das crianas para subetapas seguintes (por exemplo, do Maternal para o Jardim I, do Jardim I para o II, e deste para o Jardim III)nem da educao infantil para o ensino fundamental. Duas razes principaisconduziram o legislador a formular a segunda parte do art. 31: (a) a concepo de desenvolvimento humano, de construo dos conhecimentos, do ritmo e forma prprios de cada criana e (b) a obrigatoriedade do ensino fundamental a partir do stimo ano de vida hoje a partir dos seis -, sem restries de qualquer natureza. Se no h pr-requisito, alm da idade, para entrar no ensino obrigatrio, no cabe avaliar conhecimento ou competncias que o precederiam.

Diversos documentos de diretrizes nacionais, como o Plano Nacional de Educao 2001-2011, a Poltica Nacional de Educao Infantil - 2005, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educao Infantil, do CNE/CEB - 2009, reproduzem e explicitam o texto da LDB, mas vo alm, indicando o contexto em que a educao infantil formulada, viabilizada poltica, administrativa e tecnicamente.

2. Plano Nacional de Educao - PNE 2001-2011Embora esteja vencido o prazo de vigncia desse PNE, importante considerar que posies ele firmou nesse assunto. O objetivo/meta 11 do Captulo sobre a Educao Infantil preconiza a criao de mecanismos de colaborao entre educao, sade e assistncia na manuteno, expanso, administrao e avaliao das instituies de atendimento de crianas de zero a trs anos de idade. O objetivo/meta 19 manda estabelecer parmetros de qualidade dos servios de educao infantil, como referncia para a superviso, o controle e a avaliao, e como instrumento para a adoo de medidas de melhoria da qualidade. E o objetivo/meta 10: que os municpios estabeleam um sistema de acompanhamento, controle e superviso da educao infantil visando ao apoio tcnico-pedaggico para a melhoria da qualidade e garantia de cumprimento dos padres mnimos estabelecidos pelas diretrizes nacionais e estaduais.

O PNE, portanto, no menciona a avaliao do desenvolvimento das crianas, mas preconiza a avaliao da oferta.

3. Poltica Nacional de Educao Infantil: pelo direito das crianas de zero a seis anos educaoNesse documento, a avaliao considerada a que se refere poltica, s propostas pedaggicas (que devem ser avaliadas pelas prprias instituies de educao infantil), ao trabalho pedaggico (que deve ser prevista nas propostas pedaggicas e envolver toda a comunidade escolar). Pode-se entender que o objetivo de Garantir a realizao de estudos, pesquisas e diagnsticos da realidade da educao infantil no pas para orientar e definir polticas pblicas para a rea seja, tambm, uma indicao sobre a avaliao. Novamente aqui, o foco o perfil da realidade em vista de novas polticas ou ajustamento das que se encontram em vigor.

As diretrizes da poltica nacional de educao infantil nofazem meno avaliao do desenvolvimento ou da aprendizagem das crianas.

4. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educao Infantil - RCNEI 2009

So mais explcitas e detalhadas, cumprindo sua funo de orientar a prtica cotidiana:

Art. 10. As instituies de Educao Infantil devem criar procedimentos para acompanhamento do trabalho pedaggico e para avaliao do desenvolvimento das crianas, sem objetivo de seleo, promoo ou classificao, garantindo:

- A observao crtica e criativa das atividades, das brincadeiras e interaes das crianas no cotidiano;

- Utilizao de mltiplos registros realizados por adultos e crianas (relatrios, fotografias, desenhos, lbuns etc.);

- A continuidade dos processos de aprendizagens por meio da criao de estratgias adequadas aos diferentes momentos de transio vividos pela criana (transio casa/instituio de Educao Infantil, transies no interior da instituio, transio creche/pr-escola e transio pr-escola/Ensino Fundamental);

- Documentao especfica que permita s famlias conhecer o trabalho da instituio junto s crianas e os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criana na Educao Infantil;

- A no reteno das crianas na Educao Infantil.

As diretrizes curriculares indicam duas reas de avaliao: (a) o trabalho pedaggico e (b) o desenvolvimento das crianas. Repete a LDB no impedimento de procedimento avaliativo que vise seleo, promoo, reteno ou classificao das crianas.

E apontam dois procedimentos de avaliao: observao das atividades das crianas e registro, feito em diferentes formas pelos adultos e pelas crianas.

5. Plano Nacional pela Primeira Infncia PNPI 2011-2022

Elaborado pela Rede Nacional Primeira infncia num extenso processo participativo, foi aprovado pelo CONANDA e assumido pelo Governo Federal, sob a coordenao intersetorial da Secretaria de Direitos humanos. Esse Plano articula as polticas pblicas voltadas s crianas em vista de uma ao governamental integral e integrada, sugere polticas em direitos at agora no contemplados, define diretrizes, objetivos e metas relativos aos direitos da criana de at seis anos de idade. um plano de longo prazo (2011-2022), abrangente de todos os direitos e do universo das crianas na sua diversidade e prev a elaborao de planos estaduais e municipais segundo os mesmos princpios, diretrizes e objetivos.

No captulo sobre a educao infantil, o PNPI estabelece as seguintes diretrizes sobre a avaliao:

(a) A busca por fazeres pedaggicos cada vez mais qualificados deve constituir uma deciso e um esforo permanente para todas as instituies de educao infantil. Embora o conceito de qualidade se modifique ao longo do tempo, esteja relacionado cultura do grupo, da comunidade e da regio, ele envolve parmetros mnimos nacionais e locais, Tais parmetros devem ser bem conhecidos e utilizados como referentes para a avaliao da instituio, do trabalho docente e da atuao das crianas, bem como para a construo de um plano de busca permanente da qualidade e

(b) a avaliao ocorre permanentemente e emprega diferentes meios, como a observao, o registro, a reflexo sobre o desenvolvimento das atividades e projetos, sobre as hipteses e descobertas das crianas: nunca como ato formal de teste, comprovao, atribuio de notas e atitudes que sinalizem punio (pois esses so) processos externos e artificiais que bloqueiam a manifestao livre e espontnea da criana. Ela (a avaliao) ser sempre sobre a criana em relao a si mesma e no comparativamente com as outras crianas, com objetivo de melhorar a forma de mediao do professor para que o processo de aprendizagem alcance nveis sempre mais elevados.

E a meta:

Estabelecer em todos os Municpios, no prazo de trs anos, um sistema de acompanhamento, controle e superviso da educao infantil, nos estabelecimentos pblicos e privados, visando ao apoio tcnico-pedaggico para a melhoria da qualidade e garantia do cumprimento dos padres mnimos estabelecidos pelas diretrizes nacionais e estaduais.6. Projeto de Lei n 8035/2010 PNE 2012-2022

O novo PNE ainda se encontra em tramitao no Congresso Nacional e, portanto, sujeito a mudanas, mesmo assim interessante registrar o que nele est sendo proposto sobre a avaliao da educao infantil, porque representa, at o momento, o consenso do setor.

A estratgia 1.6 de que se implante, at o segundo ano da vigncia do Plano, a avaliao da educao infantil, a ser realizada a cada dois anos, com base em parmetros nacionais de qualidade, a fim de aferir a infraestrutura fsica, o quadro de pessoal, as condies de gesto, os recursos pedaggicos, a situao de acessibilidade, entre outros indicadores relevantes.

Ele aponta para a avaliao da educao infantil e no na, ou seja, considera estratgico para o alcance da qualidade e da meta que a cada dois anos se avaliem as condies da oferta: os espaos dos estabelecimentos de educao infantil (neles includos os parmetros de acessibilidade), os profissionais, a gesto e os meios didticos disponveis e em uso.

digno de nota que, para o ensino fundamental e mdio, o novo PNE estabelece vrias estratgias sobre avaliao individual dos alunos, ao passo que para a educao infantil determinada apenas a avaliao das condies da oferta, sem meno avaliao das crianas e sua aprendizagem. Ter sido preservada, no PNE, das propostas de aplicao de instrumentos de testes, provas ou outras formas de verificao de desenvolvimento e aprendizagem no , ainda, garantia de que a educao infantil esteja imune da avalanche de instrumentos avaliadores que so indicados pelo mesmo Plano para o ensino fundamental e mdio, como se v a seguir.

Para a meta da universalizao do ensino fundamental, uma estratgia se refere avaliao: a criao de mecanismos para o acompanhamento individualizado dos alunos.

A alfabetizao, que tem uma meta prpria, separada da universalizao do ensino fundamental, tambm recebe a indicao de uma estratgia: 5.2. Instituir instrumentos de avaliao nacional peridicos e especficos para aferir a alfabetizao das crianas, aplicados a cada ano, bem como estimular os sistemas de ensino e as escolas a criar seus respectivos instrumentos de avaliao e monitoramento, implementando medidas pedaggicas para alfabetizar todos os alunos e alunas at o final do terceiro ano do ensino fundamental.

Para o ensino mdio: Universalizar o ENEM, fundamentado em matriz de referncia do contedo curricular do ensino mdio e em tcnicas estatsticas e psicomtricas que permitam comparabilidade de resultados, articulando-o ao SAEB, e promover sua utilizao como instrumento de avaliao sistmica, para subsidiar polticas pblicas para a educao bsica, de avaliao certificadora, possibilitando aferio de conhecimentos e habilidades adquiridos dentro e fora da escola, e de avaliao classificatria, como critrio de acesso educao superior.

A Meta 7, que trata da qualidade da educao bsica, chega ao ponto de fixar as notas mdias nacionais a serem alcanadas pelos alunos, no IDEB, nos anos iniciais e nos anos finais do ensino fundamental e no ensino mdio, no !, no 3, no 5, no 7 e no 10 ano do PNE! Nessa meta identifica-se uma estratgia: a construo de um conjunto (nacional) de indicadores de avaliao institucional com base no perfil do alunado e do corpo de profissionais da educao, nas condies de infraestrutura das escolas, nos recursos pedaggicos disponveis e nas caractersticas da gesto.

Nas entrelinhas d estratgia 7.10 percebe-se o imperialismo da avaliao. Ela faz uma inverso sintomtica: o objetivo finalstico da escola, que a aprendizagem, passa a ser meio para ter boas notas no PISA. Diz o texto do PNE: Melhorar o desempenho dos alunos da educao bsica nas avaliaes da aprendizagem no Programa Internacional de Avaliao de Alunos PISA, tomado como instrumento externo de referncia, internacionalmente reconhecido... e fixa as media a serem alcanadas em diferentes anos at 2021...

A educao especial ter indicadores especficos de avaliao da qualidade (estratgia 7.7)

A pletora de instrumentos est apenas comeando... (a) a alfabetizao de crianas ter instrumentos (no plural) nacionais, aplicados periodicamente, ao longo do processo, a cada ano, e ao final dele e instrumentos criados pelos estados e municpios; (b) o ensino fundamental ter mecanismos de acompanhamento individualizado dos alunos; (c) o ensino mdio, um Enem obedecendo a tcnicas estatsticas e psicomtricas que permitam comparar resultados e forneam uma avaliao classificatria; (d) a qualidade ter o IDEB como instrumento indicador do alcance dos direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento; um conjunto de indicadores de avaliao institucional; instrumentos para as escolas realizarem a autoavaliao contnua e o PISA, com notas mdias em matemtica, leitura e cincias.

III - A avaliao nos documentos de orientao operacional

1. Parmetros Nacionais de Qualidade para a Educao Infantil 2006

A avaliao depende do conceito de qualidade que se adota. O documento resume as seguintes caractersticas da qualidade:

- um conceito socialmente construdo, sujeito a constantes negociaes;

- depende do contexto;

- baseia-se em direitos, necessidades, demandas, conhecimentos e

possibilidades;

- a definio de critrios de qualidade est constantemente tensionada por essas diferentes perspectivas.

Tendo em mente essas caractersticas, os aspectos a serem avaliados sob o enfoque da qualidade so:

- as polticas para a Educao Infantil, sua implementao e acompanhamento;

- as propostas pedaggicas das instituies de Educao Infantil;

- a relao estabelecida com as famlias das crianas;

- a formao regular e continuada dos professores e demais profissionais;

- a infraestrutura necessria ao funcionamento dessas instituies.

O volume 2 atribui ao MEC a competncia de zelar pela qualidade da educao infantil e aos municpios recomenda que adotem medidas para no permitir que se realizem avaliaes que levem reteno de crianas na Educao Infantil. Mas o documento no ingressa no mbito do desenvolvimento infantil como objeto de avaliao.

A contribuio desse documento estabelecer os parmetros ou sinalizaes do que deve ser feito nos estabelecimentos de educao infantil. Um instrumento de avaliao deve ser construdo ou adotado para verificar e registrar o cumprimento daqueles parmetros de qualidade.

2. Parmetros Bsicos de Infraestrutura dos Estabelecimentos de Educao Infantil 2006

O documento sugere que os dirigentes municpios de educao considerem critrios de qualidade para a realizao das obras em seus vrios aspectos: tcnicos, funcionais, estticos e compositivos. E, equipe multidisciplinar, que proponha indicadores para a avaliao da qualidade das edificaes ao longo de sua realizao.

3. Critrios para um Atendimento em Creches que Respeite os Direitos Fundamentais das Crianas - 2009

um instrumento prtico de autoavaliao dos profissionais que atuam em creches. Apresenta uma ampla lista de itens indicativos de uma boa educao na creche em dois campos: a ao pedaggica e a poltica de creche, ambos focados no respeito aos direitos da criana. A leitura desse checklist , por si s, instigador de respostas sim ou no, servindo para a professora apropriar-se de um conhecimento sobre a realidade em que atua e decidir-se por melhorar sua atuao bem como buscar os meios necessrios para atender ao que ali est indicado como direito das crianas. Pode-se dizer que um instrumento de orientao e, simultaneamente, de avaliao da educao infantil na creche.

4. Indicadores da Qualidade na Educao Infantil 2009

um instrumento a ser usado pelos estabelecimentos educacionais para conhecer a qualidade da educao infantil realizada, em seus diferentes aspectos, e elaborar sucessivos planos de correo de falhas e contnuo aperfeioamento das prticas. , por isso, um processo de autoavaliao, do qual participam a direo, os tcnicos, os professores, auxiliares, as famlias e pessoas da comunidade. Quer que se analise o contexto, nos seus aspectos culturais e nas condies objetivas locais, por esse motivo, o processo de definir e avaliar a qualidade de uma instituio educativa deve ser participativo e aberto... (pg. 12). Participativo e aberto no significa que qualquer rumo ou qualquer referencial seja vlido diz o documento pois h princpios e diretrizes nacionais firmados em legislao e constitutivos de prticas pedaggicas reconhecidas como boas, que servem de referncia. Os Indicadores de qualidade foram definidos a partir dos Parmetros nacionais de Qualidade para a Educao Infantil.Dessa forma, se mantm a coerncia entre as normas e orientaes gerais e a anlise local das condies de oferta da educao infantil.

Os Indicadores no so um instrumento de medida nem propem quantificaes dos itens observados. Em vez disso, so um convite e guia para a tomada de conscincia coletiva, das pessoas envolvidas no estabelecimento de educao infantil, de como veem seu desempenho nas seguintes dimenses: (a) planejamento institucional; (b) multiplicidade de experincias e linguagens; (c) interaes; (d) promoo da sade; (e) espaos, materiais e mobilirio; (f) formao e condies de trabalho das professoras e demais profissionais e (g) cooperao e troca com as famlias e participao na rede de proteo social.

4. Referenciais Curriculares Nacionais RCNEI,

Esse documento o mais pontual e especfico, com indicaes concretas e objetivas sobre a avaliao na educao infantil, o que se justifica por ser um texto dirigido aos professores, para ser usado como orientador de sua prtica pedaggica.

A concepo de avaliao que os RCNEI explicitam :

...um conjunto de aes que auxiliam o professor a refletir sobre as condies de aprendizagem oferecidas e ajustar sua prtica s necessidades colocadas pelas crianas. um elemento indissocivel do processo educativo que possibilita ao professor definir critrios para planejar as atividades e criar situaes que gerem avanos na aprendizagem das crianas. Tem como funo acompanhar, orientar, regular e redirecionar esse processo como um todo (pg. 59).

Os instrumentos principais dessa avaliao indicados pelos Referenciais so a observao e o registro. Por meio deles o professor pode registrar, contextualmente, os processos de aprendizagem das crianas; a qualidade das interaes estabelecidas com outras crianas, funcionrios e com o professor e acompanhar os processos de desenvolvimento obtendo informaes sobre as experincias das crianas na instituio. So dadas vrias sugestes de como faz-lo: A escrita , sem dvida, a mais comum e acessvel. O registro dirio de suas observaes, impresses, ideias etc. pode compor um rico material de reflexo e ajuda para o planejamentoeducativo. Outras formas de registro tambm podem ser consideradas, como a gravaoem udio e vdeo; produes das crianas ao longo do tempo; fotografias etc.. E acrescentam os Referenciais: Esta observao e seu registro fornecem aos professores uma viso integral das crianas aomesmo tempo em que revelam suas particularidades.

Cabe, ainda, trazer dois fragmentos dos RCNEI, um sobre a avaliao das crianas e outro sobre o planejamento pedaggico da instituio:

No que se refere s crianas, a avaliao deve permitir que elas acompanhem suas conquistas, suas dificuldades e suas possibilidades ao longo de seu processo de aprendizagem e

A avaliao tambm um excelente instrumento para que a instituio possa estabelecer suas prioridades para o trabalho educativo, identificar pontos que necessitam de maior ateno e reorientar a prtica, definindo o que avaliar, como e quando em consonncia com os princpios educativos que elege (pg. 60).IV - O ASQ-3 Ages and Stages QuestionnnaireEm 2011 iniciou-se uma discusso que se estendeu por todo o pas sobre avaliao do desenvolvimento infantil em creches realizada por um instrumento norte-americano (ASQ-3), validado no Rio de Janeiro e aplicado na rede de creches pblicas e conveniadas com a prefeitura do municpio do Rio de Janeiro, abrangendo 91% das crianas.

A inteno de seus aplicadores de estender ao pas a avaliao do desenvolvimento das crianas que frequentam creches utilizando esse instrumento foi motivo de ampla contestao (). Pesquisadores, especialistas, professores, entidades que congregam gestores, professores e organizaes, por meio de Manifestos, Cartas e Atos de Repdio, vdeos e debates em seminrios, expressaram discordncias e reafirmaram os princpios e diretrizes j consagrados na poltica nacional de educao infantil.

Um Seminrio foi promovido pela SAE Secretaria de Assuntos Estratgicos, da Presidncia da Repblica, em Braslia (5/12/2011), em que a Dra. Jane Squires, uma das autoras do ASQ-3, explicou como o questionrio foi construdo, as fases que teve de aperfeioamento e complementao, suas qualidades comparativamente com outros instrumentos de diagnstico do desenvolvimento infantil.

O ASQ foi concebido como instrumento de triagem faz o diagnstico de problemas ou distrbios no desenvolvimento de crianas pequenas - para encaminhamento a um profissional especializado. Classifica as crianas em trs categorias: (a) necessita uma avaliao em profundidade, (b) monitoramento e estmulos adicionais so recomendados e (c) est se desenvolvendo conforme esperado.Investiga seis dimenses do desenvolvimento infantil: comunicao, motora ampla, motora fina, soluo de problemas, pessoal/social e emocional, informando em qual daquelas dimenses a crianas est menos desenvolvida.O questionrio consta de 30 perguntas e 21 escalas com 620 itens; como existem repeties, o total de itens no repetidos 275. Acompanhando o ASQ-3, h um rol de atividades para ser aplicado s crianas, naquele item em que o desenvolvimento se encontra insatisfatrio.

Vrios documentos (Cartas, Manifestos, Consideraes, Contribuies ao Debate...) por instituies, especialistas e pesquisadores foram escritos e distribudos e encaminhados autoridade educacional sobre o ASQ-3 e a inteno de adot-lo como instrumento geral de avaliao do desenvolvimento infantil na rede de estabelecimentos educacionais.

A Rede Nacional Primeira Infncia enviou uma carta ao Ministro da Educao em que tece comentrios sobre a polmica em torno do ASQ-3 e apresenta o entendimento das organizaes que naquele momento faziam parte da Rede sobre a avaliao do desenvolvimento das crianas nos estabelecimentos de educao infantil.

Alguns fragmentos da carta esclarecem a posio da RNPI:

- Os fundamentos (da poltica nacional de educao infantil) j estabelecidos em documentos oficiais partem do princpio que afirma ser a criana sujeito do presente, historicamente constitudo, geograficamente situado, culturalmente inserido e que precisa de um ambiente onde possa se desenvolver plenamente. Portanto, a Educao Infantildeve ser um espao de interao e desenvolvimento destas mltiplas dimenses, da forma mais integrada possvel. O desenvolvimento infantil, por sua vez, compreendido como um processo de variabilidade especialmente acentuada para as crianas abaixo de 3 anos. H, de fato, marcos do desenvolvimento que so prprios da infncia, mas h particularidades tanto individuais quanto sociais que do a cada criana singularidades que precisam ser consideradas. Procedimentos de avaliao para essa fase, quando aplicados em larga escala, no consideram esta variabilidade. Por estas razes, os estudos de Psicologia do Desenvolvimentosugerem que as avaliaes sejam contextuais e acompanhadas por profissionais qualificados, a fim de evitar que os instrumentos e procedimentos de avaliao produzam processos de classificao e excluso.

- Reconhecendo que os ambientes dos centros de educao infantil ainda precisam de vigoroso investimento para se constituir em locais que promovam o desenvolvimento das crianas, adequados ao cuidado e que possibilitem a aprendizagem, respeitando as mltiplas linguagens das crianas, de se perguntar qual o sentido de uma avaliao de desempenho das crianas antes de fazer esses investimentos? Como avali-las sem ter oferecido as condies a que tem direito para seu desenvolvimento? Anterior a essa, a avaliao de contexto, sim, urgente e necessria e pode gerar respostas prticas para a gesto dos sistemas de ensino.

- Ainda nocampo do direito e da tica, necessrio lembrar que uma avaliao de desenvolvimento no tem a mesma natureza de avaliaes de aprendizagem onde o que medido o processo de aprendizagem dos contedos escolares. O que se avalia nesta escala o desenvolvimento das crianas e resulta em informaes sobre competncias individuais para ser. Neste caso, para preservar o direito das crianas, preciso que as famlias sejam informadas e consintam com o processo.

A RNPI formula perguntas cujas respostas so essenciais para tomar decises em relao a esse Questionrio ou a qualquer outro instrumento padronizado, estandardizado, que toma uma mdia nacional de desenvolvimento:

- Qual a concepo de desenvolvimento humano que est guiando ametodologia de avaliar capacidades da criana?

- Como estabelecerindicadores de desenvolvimento infantil sem considerarcontextos de desigualdade econmica e social que condicionam esse mesmo desenvolvimento?

- Como conciliar o conceito de diversidade e o de incluso, expressos em diretrizes e normas de educao no pas, com a ideia de avaliar habilidades e estabelecer indicadores de desenvolvimentopadro?

V Nova iniciativa do MEC: Grupo de Trabalho de Avaliao da Educao Infantil

Em dezembro de 2011 o Ministro da Educao instituiu, pela Portaria n 1.747, um Grupo de Trabalho para produzir subsdios que contribuam para a definio da poltica de avaliao da educao infantil no Brasil. Em abril de 2012, outra Portaria, de n 379, nomeia os representantes dos rgos e entidades que compem o Grupo de Trabalho de Avaliao da Educao Infantil.

Esse GT tem a tarefa de explicitar uma matriz lgica ou marco de referncia que estabelea diretrizes e metodologia para subsidiar um programa de avaliao da Educao infantil. da competncia legal do INEP criar instrumentos e executar os processos de avaliao da educao no Pas, portanto tambm da educao infantil. Os estudos e sugestesdo GT visam contribuir para essas tarefas do INEP.

O GT foi instalado e realizou a primeira reunio (ampliada com convidados internacionais) em 24 e 25 de abril de 2012, na sede da OEI Organizao dos Estados Ibero-americanos, em Braslia, que organizou, com a parceria do MEC e da Universidade Federal do Paran, um Seminrio Internacional sobre Avaliao da Educao Infantil. Nessa ocasio, duas pesquisadoras italianas, de Reggio Emilia, (Anna Bondioli e Donatella Savio) e uma espanhola (Ana Perez) apresentaram suas concepes, prticas e projeto/instrumento de avaliao. A Maria Malta Campos, da Fundao Carlos Chagas e PUC/SP, apresentou a Pesquisa MEC/BID/FCC: Avaliao Qualitativa e Quantitativa na Educao Infantilsobre qualidade em creche no pas. A Rita Coelho, coordenadora geral de educao infantil do MEC, falou sobre os Indicadores de Qualidade em EI sua construo, distribuio e uso pelos estabelecimentos de educao infantil. O Ricardo Paes de Barros, secretrio de assuntos estratgicos da Presidncia da Repblica, exps a concepo e contedo do ASQ-3 e a experincia de sua aplicao nas creches do sistema de ensino do municpio do Rio de Janeiro.Os debatesforam coordenados por Rosa Blanco, da OEI-Chile, que tambm fez a sntese das ideias apresentadas nos dois dias.A segunda reunio do GT foi no dia 14 de maio, no MEC, em Braslia. E a terceira, na Faculdade de Educao da UFMG, no dia 18 de junho.

A profa. Sandra Zkia foi contratada pelo MEC para assessorar o grupo na elaborao do documento final de sugestes e recomendaes.

VI Sugestes para a delimitao do campo da Avaliao em Educao InfantilH consenso de que a avaliao essencial para conhecer e aperfeioar aquilo que se faz. As opinies e convices se dividem na escolha dos meios e na forma de avaliar.

Naeducao infantil, aavaliao tem especificidades derivadas das caractersticas etrias das crianas, nos aspectos fsicos, psicolgicos e sociais, correlacionadas s formas culturais em que se d sua formao humana, dependentes das finalidades e objetivos que a sociedade determina para essa etapa da educao, dos ambientes e espaos em que ela se realiza edas interaes que se estabelecem entre crianas e entre crianas e adultos. No pode ser tratada, por isso, da mesma forma como o a avaliao do ensino fundamental, mdio ou superior.

Cinco questes-chave devem ser postas previamente:

(a) a concepo de criana, que implica subjetividade, diversidade, etapa da vida com valor-em-si-mesmo e dinmica de desenvolvimento tendente a nveis de crescente complexidade,

(b) concepo de infncia e infncias, contextualizadas histrica e culturalmente,

(c) a poltica nacional de educao infantil

(d) a caracterizao dosespaos (estabelecimentos) e tempos em que ela realizada e

(e) as transies internas da educao infantil e desta ao ensino fundamental num processo que mantm unidade no interior da criana enquanto sujeito e autora de seu desenvolvimento e da aprendizagem.

As concepes tericas e anlises de prticas em cursosobre avaliaoem educao,internacionais e nacionais, nos recomendam alerta e a tomada posio clara nos seguintes pontos:

(a) umacultura de testesvem tomando espao cada vez maior na educao a ponto de serem os grandes, seno os nicos, referenciais da qualidade da educao. A educao parece que vai se estruturando ao redor deles: preciso alcanar tal metas no IDEB, melhorar a posio no PISA, ateno para o peso que cada edio do PISA atribui a uma das trs reas ou disciplinas avaliadas (lngua, matemtica e cincias), valorizao, com prmio, dos professores cujos alunos alcanam notas mais altas.... Essa cultura dos testes uma franca inverso nos processos pedaggicos, colocando os meios no lugar dos fins.

(b) diagnstico e avaliaovem sendo confundidos e at tomados como se fossem a mesma coisa.

(c) aplicao de testesde conhecimento ou habilidades na educao infantil, ainda em pequena escala, mas com tendncia a se expandir, prejudicial s crianas. Testes criam situao de tenso. Artificializam a expresso do conhecimento e do saber fazer. No avaliam valores, atitudes, carter. No avaliam persistncia, esforo, alegria na descoberta, significados internos de coisas feitas. Priorizam a memria de informaes. Recortam um processo dinmico de desenvolvimento, retiram dele uma amostra e generalizam para todo o ser da criana. Tendem a classificar, quantificar, comparar seno com outras crianas, pelo menos com uma mdia considerada padro. Sabendo os professores quanto um mau desempenho nos testes de seus alunos repercute em sua avaliao, so induzidos a trein-los para se sarem bem na prova. Professores que almejam prmio pelo bom desempenho de seus alunos tendem a cobrar deles acertos e notas altas nos testes estandardizados (). O foco do ensino e da aprendizagem muda do conhecimento para o reconhecimento, ou seja, da construo do conhecimento para a sua demonstrao social. Os testes medem as coisas com uma viso estreita e em circunstncias delimitadas, muito diferentes da vida real.

(d) o estabelecimento de rankingsegundo pontos, notas, conceitos ou juzos valorativos, de crianas, turmas, escolas, municpios, pases pernicioso. Como so perniciosas comparaes usando resultados de testes de diagnstico ou de avaliao. Essa posio encontra similaridade com a de outras organizaes educacionais, tais como aAssociao Nacional dos Dirigentes das Instituies Federais de Ensino (Andifes), que no reconhece rankings de avaliao das universidades federais ou do MEC, que tambm no comenta sobre rankings, pois no so a melhor forma de avaliar a educao (comentrio a propsito da avaliao feita pela Quacquerelli Symonds University Ranking - QS, instituio britnica especializada em avaliao de desempenho de instituies de ensino superior (Jornal A Tarde, BA, 15.6.2012). Os critrios para conferir pontos e fazer os ranks so discutveis. Se eles so questionveis no ensino superior, imagine-se na educao infantil, que atende crianas na fase da vida em que esto se constituindo sujeitos, quando as estruturas cognitivas, sociais e afetivas da personalidade comeam a se formar e consolidar.

Somos, no entanto, favorveis avaliao:

a) da aprendizagem e desenvolvimento das crianas, nos termos do art. 31 da LDB: acompanhamento do desenvolvimento, por meio de observaes e registro, usando diferentes formas. As observaes e registros devem ser contextualizados, isto , tomando as crianas concretas, em suas histrias de vida, seus ambientes sociais e culturais. E devem ser variados, tais como a escrita, a gravao de falas, dilogos, fotografias, vdeos, os trabalhos das crianas etc. As professoras anotam, por exemplo, o que observam, as impresses e ideias que tm sobre acontecimentos, descrevem o envolvimento das crianas nas atividades, as iniciativas, as interaes entre as crianas etc.E usam esses registros para refletir e tirar concluses visando aperfeioar a prtica pedaggica.

As crianas devem ser envolvidas na avaliao das atividades, da ao da professora, das coisas feitas pelas crianas. A professora conversa com elas, ouve suas dificuldades, registra a percepo que elas tm sobre e com elas combina formas mais agradveis, mais eficientes, mais desafiadoras nas prximas vezes...

b) dos componentes da oferta de educao infantil. a avaliao do servio, de como ele est sendo posto para as crianas. Os parmetros e os critrios de qualidade so as referncias, e da poltica de educao infantil, em todos os seus mbitos.

A RNPI reafirma o que props no PNPI sobre a avaliao na e da educao infantil:

1 Sobre Qualidade, Parmetros e Indicadores:* A busca por fazeres pedaggicos cada vez mais qualificados deve constituir uma deciso e um esforo permanente para todas as instituies de educao infantil;

* Embora o conceito de qualidade se modifique ao longo do tempo, esteja relacionado cultura do grupo, da comunidade e da regio, ele envolve parmetros mnimos nacionais e locais, Tais parmetros devem ser bem conhecidos e utilizados como referentes para a avaliao da instituio, do trabalho docente e da atuao das crianas, bem como para a construo de um plano de busca permanente da qualidade.

2 Sobre avaliao das crianas:

* A avaliao ocorre permanentemente e emprega diferentes meios, como a observao, o registro, a reflexo sobre o desenvolvimento das atividades e projetos, sobre as hipteses e descobertas das crianas. Pensamos ser recomendvel elaborar um guia ou orientaes para fazer o registro: o que relevante registrar, que meios empregar, quem faz o registro, o que fazer com os registros...;

* Nunca como ato formal de teste, comprovao, atribuio de notas e atitudes que sinalizem punio (pois esses so) processos externos e artificiais que bloqueiam a manifestao livre e espontnea da criana;

* A avaliao ser sempre sobre a criana em relao a si mesma e no comparativamente com as outras crianas* O objetivo da avaliao melhorar a forma de mediao do professor para que o processo de aprendizagem alcance nveis sempre mais elevados.

3 Sobre avaliao dos elementos de oferta da educao infantil:

* Que se crie em todos os Municpios, no prazo de trs anos, um sistema de acompanhamento, controle e superviso da educao infantil, nos estabelecimentos pblicos e privados, visando ao apoio tcnico-pedaggico para a melhoria da qualidade e garantia do cumprimento dos padres mnimos estabelecidos pelas diretrizes nacionais e estaduais (PNPI);

* Que se implante, em dois anos a contar da sano do PNE (2012-2022), um sistema de avaliao da educao infantil, com instrumento aplicado a cada dois anos, que verifique, com base nos parmetros nacionais de qualidade,os elementos da oferta: infraestrutura fsica, as condies de acessibilidade, a gesto, o quadro de pessoal, a proposta pedaggica, os recursos pedaggicos, entre outros indicadores relevantes (PNE 2012-2020). Extrado do Site da SAE:...o ministro de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica (SAE), Moreira Franco, e a secretria municipal de Educao, Claudia Costin, firmaram acordo para a formulao de polticas pblicas voltadas para a primeira infncia do municpio.O termo, que inclui aes nas reas de sade, educao e assistncia social, tambm foi assinado pelo presidente do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP), Ricardo Manuel Henriques, e pelo secretrio municipal de Sade e Defesa Civil, Hans Dohmann. A experincia no Rio de Janeiro vai servir de base para uma proposta de poltica nacional para a primeira infncia, que est sendo debatida pela SAE.

Em ateno ao Programa No Child Left Behind, do governo G.W. Bush, nos Estados Unidos, a direo de Jardins de Infncia forou professores a substituir o brincar e atividades de criatividadee de artes pelo ensino de contedos curriculares que seriam objeto dos testes de conhecimento.

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