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  • 7/25/2019 Artigo Benedito a Costa - Rascunho

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    REMOO E REDISTRIBUIO NO QUADRO DESERVIDORES DA JUSTIA ELEITORAL: ADEQUAO EDELIMITAO DE CONCEITOS.

    Por Benedito Antonio da CostaApresentado como exigncia parcial para obteno do ttulo de

    Especialista em Direito Administrativo Anhanguera Uniderp

    e-mail: [email protected]

    RESUMO

    A partir dos institutos da Remoo e Redistribuio, praticados no mbitoda Justia Eleitoral, o texto faz uma detida anlise dos termosadministrativos "cargo" e "vaga", ao passo que analisa o sentido de"carreira" em se tratando do Quadro de Servidores da Justia Eleitoral. Oconceito de "quadro" tambm analisado. Para ilustrar as proposiessignificativas inclui-se analogias didticas.

    INTRODUO

    A remoo um desejo comum a muitas pessoas que finalmente passam num concurso para integrar o

    quadro de servidores da Justia Eleitoral, como o para outras carreiras do servio pblico. Os cargos

    pertencem ao Poder Judicirio da Unio, com abrangncia nacional, e a possibilidade de ficar mais perto

    de casa, ou do lugar preferido, real. A remoo o meio pelo qual este sonho se realiza.

    Mas a remoo tambm pode significar ficar longe de casa, caso seja realizada de ofcio, para um local

    distante. Sorte que, tendo em vista as muitas ferramentas que possui o administrador eleitoral para suprir

    necessidades pontuais no servio, a utilizao da remoo de ofcio rara, e quando utilizada por vezes

    revela uma certa dose de perseguio pessoal. S aps esgotadas as possibilidades administrativas

    normais, como o preenchimento de vagas abertas para preenchimento por concurso pblico, as

    requisies, as remoes a pedido, os concursos de remoo, etc., que ser possvel se admitir alguma

    espcie de remoo ex ofcio, para atender situao que sem esta ferramenta seria insolvel. Contudo, a

    remoo ex oficio deve ser exceo, tendo em vista sua alta carga de reflexos negativos nas vidas do

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    servidor pblico e dos integrantes de sua famlia.

    O instituto clssico da remoo, previsto no Art. 36 da Lei 8.112/90, significa deslocamento do

    servidor, que pode dar-se a pedido ou de ofcio, com ou sem mudana de sede, dentro de um mesmoquadro, dum mesmo Poder.

    A remoo de ofcio, j comentada, dar-se- no interesse da Administrao, o que s pode significar que

    partir dela a iniciativa de remover o servidor. Numa terminologia mais atual e consentnea com a teoria

    do interesse pblico, se diria que a remoo de ofcio aquela em que a iniciativa parte da Administrao,

    sendo obrigatria para o servidor.

    A remoo a pedido, a critrio da Administrao significa que, embora haja pedido, tambm

    conveniente para a Administrao remover o servidor requerente, havendo juno a dos dois interesses:

    pblico (strictu sensu) e pessoal do servidor. Num sentido largo de interesse pblico pode-se considerar

    que mesmo na remoo a pedido (permuta) estar presente o interesse pblico, pois impensvel cogitar-se

    de haver interesse pblico na infelicidade das pessoas, por ofensa ao postulado da dignidade da pessoa

    humana. Havendo-se possibilidade administrativa de correo das lotaes sem prejuzo ao servio

    pblico esta dever ser feita, em respeito razoabilidade da providncia. Meros gastos pontuais devem ser

    considerados investimento na qualidade de vida dos servidores, o que, por certo, resultar em maior

    produtividade e salubridade, necessria ao servio pblico.

    J a remoo a pedido para outra localidade independente do interesse da Administrao, se d em

    algumas situaes: para acompanhar cnjuge servidor pblico deslocado no interesse da Administrao,

    por motivo de sade do servidor ou familiares/dependentes e em virtude de processo seletivo, havendo

    mais interessados que vagas disponveis. Para esta ltima hiptese, haver a necessidade de normas

    preestabelecidas em Edital, com critrios objetivos.

    Assim, trataremos no Captulo 1 sobre a noo de Quadro na estrutura do Judicirio Federal e sobre o erro

    conceitual que se observa sobre o tema.

    No Captulo 2 abordar-se- as acepes da palavra "cargo", com os sentidos que lhe do a lei e a doutrina,

    abordando a existncia de cargos organizados ou no em "carreira", para que se possa entender as

    finalidades e possibilidades de "remoo" num mesmo quadro.

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    No Captulo 3 trataremos da redistribuio, que ser melhor entendida devido s consideraes feitas

    sobre os conceitos de "cargo" e "quadro", e tece algumas consideraes sobre a resoluo do CNJ sobre o

    assunto, apontando certa desnaturao das definies legais.

    J no Captulo 5 faremos analogias que achamos necessria para que o leitor entenda os aspectos prticos

    dos conceitos delineados nos captulos at aqui percorridos.

    1. REMOO DE SERVIDORES DO JUDICIRIO FEDERAL E ANOO DE QUADRO

    A Lei 11.416/2006, que dispe sobre a carreira dos servidores do Poder Judicirio da Unio, conceitua

    Quadro a estrutura de cada Justia Especializada. Significa dizer que, numa interpretao estrita, de

    acordo com as Leis 8.112/90 e 11.416/2006, s lcita a remoo dentro do quadro das Justias

    componentes do Poder Judicirio da Unio (Eleitoral, Federal, do Trabalho e Militar), mas noentre as

    Justias. Conclui-se, ento, que, na literalidade das leis, no poderia haver remoo entre servidores da

    Justia Eleitoral e da Justia do Trabalho, por exemplo. Os Tribunais vm flexibilizando esta regra, como

    mais logo veremos no caso do CNJ e, por ltimo, do TCU.

    A remoo dos servidores ocupantes de vagas de cargo de provimento efetivo (a confuso surge quando se

    encurta essa frase para ocupante de cargo de provimento efetivo) do Quadro de Pessoal da Justia

    Eleitoral era regulada pela Resoluo TSE n 23.092/2009, que tambm refletia certa dificuldade na

    definio dos institutos, como quando, por exemplo, se refere a "carreiras dos quadros" de pessoal da

    Justia Eleitoral, sendo que, na realidade, a Justia Eleitoral , ela mesma, um quadro. No h quadros

    de servidores da Justia Eleitoral. H apenas o Quadro. Bastaria simplesmente que a resoluo

    previsse a disciplina da remoo de servidores no quadro da Justia Eleitoral, pois quadro compe-se de

    cargos e vagas.

    A Resoluo traz, tambm, definies importantes, mas incompletas, como a do art. 12, que prev

    permuta como deslocamento recproco de servidores, observadas a equivalncia entre os cargos, a rea

    de atividade e a especialidade." De acordo com nossa exposio, melhor seria que se previsse que fosse

    "observada a identidade de cargo e especialidade".

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    O art. 20 da Resoluo, inovando na ordem jurdica, cria uma espcie de reverso de remoo, prevendo

    retorno do servidor removido ao rgo de origem, cessadas algumas situaes. Isso deve ser mais bem

    analisado, a nosso ver, pois o instituto da reverso da remoo, ou remoo condicional, no prevista noEstatuto.

    No se entende a razo jurdica pela qual a citada Resoluo previu que o servidor removido no perde o

    vnculo com o rgo de origem" (art. 6). Pensamos no haver, salvo raras excees, motivo jurdico ou

    prtico nesta disposio, que vai de encontro s prprias noes de quadro nico e de definitividade

    inerente ao instituto da remoo. Se para resguardar eventuais direitos pessoais dos servidores, tal

    disposio desnecessria, por ser irrelevante para o fim almejado.

    Por meio da recente Resoluo n 146/2012 o CNJ passa a dispor sobre a redistribuio de cargos

    efetivos dos quadros de pessoal dos rgos do Poder Judicirio da Unio, pretendendo regulamentar o

    art. 37 da Lei 8.112/1990, definindo-a como deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou

    vago, entre os rgos do Poder Judicirio da Unio.

    Ao passo que o art. 37 da Lei 8112/90 se refere apenas ao interesse da administrao como de

    observncia obrigatria na redistribuio, a Resoluo do CNJ o qualifica, exigindo interesse objetivo

    da administrao.

    A Resoluo do CNJ tambm no reproduz o inciso IV do art. 37 da Lei 8.112/90 (IV- vinculao entre

    os graus de responsabilidade e complexidade das atividades).

    Observe-se que as exigncias do art. 37 da Lei 8.112/90 (equivalncia de vencimentos, manuteno da

    essncia das atribuies do cargo, manuteno dos graus de responsabilidade e complexidade, nvel de

    escolaridade, especialidade, habilitao profissional e compatibilidade entre as atribuies do cargo e as

    finalidades institucionais do rgo ou entidade) perdem muito de sua razo de ser devido noo de

    Quadro, onde os cargos so de mesma natureza, atribuies e remunerao.

    O art. 4 da Resoluo do CNJ dispe que redistribuio por reciprocidade poder envolver um cargo

    provido e outro vago, ou dois providos. A confuso generalizada neste ponto.

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    de difcil compreenso o art. 10 da Resoluo n 146/2012 do CNJ na parte em que veda a utilizao da

    redistribuio para atender interesse exclusivamente pessoal do servidor. Revela este dispositivo um certo

    desconhecimento dos sentidos de interesse pblico. H interesse pblico mesmo quando a

    redistribuio (leia-se permuta) de interesse preponderantemente pessoal do servidor, mas que podeser atendido sem que o interesse pblico latu sensu seja prejudicado.

    Mas reconheamos que o embarao conceitual que vem dificultando a operacionalizao das remoes,

    mesmo que dentro do Quadro da Justia Eleitoral, pois falta a exata compreenso do prprio conceito de

    quadroe do tipo de cargos que compem o Quadro da Justia Eleitoral.

    Apesar de a Lei se referir a carreira dos servidores do Poder Judicirio da Unio, os cargos dos

    servidores que a compe no so, a rigor, organizados em carreira, conforme veremos agora.Precisamos, com urgncia, afinar nossa noo dos significados de cargo, quadros e carreiras.

    2. ACEPES DA PALAVRA CARGO E QUADROS COM E SEMCARREIRA. REMOO NUM MESMO QUADRO.

    Celso Antonio Bandeira de Mello (2005) define cargos como unidades de competncia a serem

    expressas por um agente, previstas em nmero certo, com denominao prpria, encerrando num mesmo

    conceito a noo conjunta de cargo (como previso genrica de atribuies) e vaga (como posto de

    trabalho), pois se refere a denominao e competncia, mas tambm a nmero certo e agente. Faltou ao

    eminente administrativista apenas uma explicao mais clara quanto a estes diferentes, mas palpveis,

    conceitos.

    Quanto ao significado de quadro, explica-nos o mestre citado que Quadro o conjunto de cargos

    isolados ou de carreira.

    Os cargos sero (I) de carreira quando encartados em uma srie de "classes"escalonada em funo do grau de responsabilidade e nvel de complexidade dasatribuies.

    Classe o conjunto de cargos da mesma natureza de trabalho.

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    Os cargos dizem-se (II) isolados quando previstos sem insero em carreiras.[2](MELLO:235)

    No h contudo, uma uniformidade doutrinria na definio de cargo. O prprio Jos dos Santos Carvalho

    Filho critica a definio legal de cargo como "conjunto de atribuies", e, para ele, "cargo no um

    conjunto de atribuies; cargo uma clula, um lugar dentro da organizao; alm do mais as atribuies

    so, isto sim, cometidas ao titular do cargo." Claramente este doutrinador vai ao outro extremo e, ao no

    diferenciar os sentidos que a palavra cargo pode ter, toma a palavra apenas na noo de vaga

    (CARVALHO FILHO, 2009, p. 351).

    A Constituio Federal, tambm, utiliza a palavra cargo tanto no sentido de conjunto de atribuies

    quanto para se referir s vagas criadas e possveis de serem titularizadas por agente pblico, que

    desempenhar aquelas atribuies, peculiares a um determinado cargo, pertencente a quadro de rgo.

    Cumpre ao intrprete, ento, com sensibilidade, perceber quando a Constituio e a Lei usam o termo

    cargo em um e em outro sentido (ver apndice).

    Assim, existem cargos componentes de carreiras e cargos isolados. E quais so as implicaes prticas

    desta distino? Muitas. Por exemplo, no instituto de provimento derivado chamado de promoo1.

    Como explica Alexandrino e Paulo de forma didtica:

    A promoo forma de provimento derivado, nas carreiras em que odesenvolvimento do servidor ocorre por provimento de cargos sucessivos eascendentes. O conceito um tanto complexo. No se aplica aos cargos isolados,somente aos escalonados em carreira e sempre se refere ao progresso dentro damesma carreira, nunca passagem de uma carreira outra, o que seriaimpossvel por provimento derivado. (PAULO, ALEXANDRINO, 2008, p.235).

    Os citados autores colacionam trecho do voto do Min. Moreira Alves, relator da ADIn 837-4/DF para

    aclarar a definio:

    1No nos entenda mal aqueles que percebem que geralmente se denomina de "carreira" as normas que

    dispe sobre a organizao dos cargos, seus padres de remunerao e os demais detalhes especficosdaquele conjunto de cargos e vagas criados por Lei. No disso que se trata.

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    "O critrio do mrito afervel por concurso pblico de provas ou de provas ettulos indispensvel para cargo ou emprego pblico isolado ou em carreira.Para o isolado, em qualquer hiptese; para o em carreira, para o ingresso nela,que s se far na classe inicial e pelo concurso pblico de provas ou de provas e

    ttulos, no o sendo, porm, para os cargos subseqentes que nela se escalonamat o final dela, pois, para estes, a investidura se far pela forma de provimentoque a promoo. No h promoo de uma carreira inferior para outra carreirasuperior, correlata, afim ou principal. Promoo - e esse o seu conceito jurdicoque foi adotado pela Constituio toda vez que a ele se refere, explicitando-o - provimento derivado dentro da mesma carreira."

    Os tpicos cargos organizados em carreiras so, por exemplo, os dos juzes, promotores e advogados

    pblicos. Organizam-se em terceira, segunda, primeira instncias ou terceira, segunda e categorias

    especiais, e assim por diante. A passagem de uma classe para outra significa a mudana de remunerao,

    responsabilidade e at de ttulos, como, por exemplo, desembargador. S haver correspondncia perfeita

    entre cargo e vaga quando o cargo for isolado e nico, como, por exemplo os cargos de chefe do poder

    executivo dos entes federados. H um cargo e uma vaga apenas.

    J os cargos chamados isolados, espcie na qual se insere os analistas e tcnicos judicirios, cargos tpicos

    dos servidores do judicirio da Unio, apesar de suas muitas especialidades, no so organizados em

    Carreira, no sentido de que no h provimento derivado quando da passagem de um padro de vencimento

    para outro. H apenas incremento remuneratrio.

    H, portanto, quadros com ou sem carreira. Nos quadros com carreira, h provimentos derivados

    sucessivos no decorrer do desenvolvimento do agente na carreira. No quadro no organizado em carreira

    h apenas um nico provimento inicial. Nos quadros organizados em carreira geralmente h jurisdio, ou

    atribuio pelo menos. Nos quadros no organizados em carreira h apenas lotao e funo. Nos quadros

    com carreira h competncias mais bem definidas. Nos quadros sem carreira h apenas fora de trabalho.

    Nos quadros com carreira a movimentao trabalhosa, pois quase sempre pressupe provimento por

    promoo (por merecimento, antiguidade, etc). Nos quadros sem carreira a movimentao mais fcil,

    pois os agentes que ocupam vagas do cargo so, via de regra, intercambiveis funcionalmente.

    Assim, no h que se falar em dificuldade quando houver necessidade de movimentao de servidores no

    Quadro de Servidores da Justia Eleitoral, tendo em vista o permissivo legal e a natureza dos cargos no

    organizados em carreira. Uma vez analista judicirio, o servidor ser analista judicirio at a

    aposentadoria, variando apenas sua remunerao, em funo do tempo no cargo e da avaliao de

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    desempenho. H a facilidade de movimentao de servidores no quadro pois trabalha-se apenas com

    numerrio de vagas, e no com o conceito complexo de carreira, no sentido de provimento derivado de

    cargos.

    Conclui-se, portanto, que no h razo para a eterna vinculao do servidor do quadro ao rgo (Tribunal)

    de origem, o que, na prtica, e com o exerccio das remoes por permuta entre os Tribunais, resultar em

    um verdadeiro emaranhado de vnculos, imaginrios e artificiais e, ao final, inteis juridicamente,

    contraproducentes no sentido da prtica administrativa. A movimentao do servidor dentro do quadro

    no lhe retirar nenhum direito, nem significar novo provimento, por suposto. O que no pode haver

    aumento das vagas criadas no mbito de cada Tribunal, pois, dessa forma, estar-se-ia criando cargos e

    despesas sem previso oramentria e autorizao legislativa. O correto e mais lgico que, aps

    remoo, o servidor passa a estar vinculado ao sub quadro do Tribunal no qual passa a ser lotado,ocupando l a vaga. Isso no prejudicar em nada o equilbrio oramentrio do quadro, apenas ser o

    desfecho lgico e til do conceito de quadro.

    Algumas espcies de remoo, contudo, significam, necessariamente, o incremento no nmero de vagas

    (numerrio) de determinado sub-quadro, como, por exemplo, a remoo para acompanhar cnjuge ou

    por motivo de sade. Esta vaga, muitas vezes sem correspondncia, no poder ser provida no rgo da

    qual saiu, enquanto perdurar a situao de falta de correspondncia. Contudo, surgindo vaga, inexistindo

    concurso em andamento e no havendo outro tipo ressalva, haver a possibilidade de preenchimentodefinitivo da vaga, liberando a vaga no rgo do qual o servidor foi removido. Alm de legal, tal prtica

    desejvel, pois evita os famosos claros de lotao, que muitas vezes obrigam a verdadeiros

    malabarismos administrativos para seu suprimento.

    Da poder-se-ia questionar, pretendendo-se derrotar todo o nosso discurso proposto: se assim for, ento a

    remoo teria o condo de gerar vacncia, pois a remoo permitiriao preenchimento de vaga. Tal

    alegao demonstra ainda a falta de entendimento da lgica que expusemos, pois no h vacncia (gerao

    de vaga) na remoo por permuta. H, apenas e to somente, mudana na lotao de titulares, que trocarode lugar. A vacncia, pelos motivos elencados no art. 33 da Lei 8112/90, tem o condo de permitir

    novo provimento no Quadro.A remoo por permuta, no.2

    2O mais tcnico, a nosso ver, seria se lei previsse nestes termos: "Ficar desocupada, permitindo-se seu provimento,a vaga de cargo pblico quando ocorrer:

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    No faz nenhum sentido, na remoo em quadro sem carreira, falar-se nos termos de que cargo vai ou

    cargo vem,no sentido de cargo como conjunto de atribuies. Isso correto apenas quando se refere a

    vaga. O princpio que no haja criao de vagas dentro de um quadro sem autorizao legal. As

    remoes por permuta so apenas troca de servidores, e no troca de cargos, quando se restringe o sentidotcnico da palavra. Os cargos, no Quadro do Judicirio Federal, so trs, analista, tcnico e auxiliar

    judicirio. O resto so vagas e especialidades.

    Num mesmo Quadro poder-se- tambm haver as devidas compensaes dos quantitativos de cargos

    quando as remoes so derivadas dos casos independentemente do interesse da Administrao a que se

    refere o art. 36 da Lei 8.112/90. O fator a considerar a ser o quantititativo de vagas dos cargos em cada

    sub-quadro, que no deve ultrapassar o quantitativo geral do Quadro.

    3. REDISTRIBUIO

    Agora redistribuio outra coisa. Significa, sim, o deslocamento de vaga, ocupada ou vaga no mbito

    do quadro, para ajustamento de lotao e da fora de trabalho s necessidades dos servios, inclusive

    nos casos de reorganizao, extino ou criao de rgo ou entidade. Em se tratando de redistribuio,

    manipula-se o quantitativo das vagas dos rgos, que ficaro com mais ou menos servidores, a depender

    do remanejamento efetuado pela redistribuio. , realmente, conceito diverso da remoo, pois depende

    de um rgo central com poderes sobre todo o quadro. Mas muito da dificuldade existente deve-se

    confuso entre os conceitos, s vezes vagos e utilizados de forma intercambivel. A pretensa

    redistribuio por reciprocidade, quando feita dentro do quadro, nada mais do que a remoo a pedido,

    no interesse da administrao, efetuada por permuta. No se concebe, no entanto, tal redistribuio por

    reciprocidade entre quadros diversos, que seria nada mais do que "transferncia recproca" de servidores

    entre quadros diversos, figura j estirpada do ordenamento jurdico.

    A organizao do corpo de servidores em "Quadro" revela afinidade de aglutinao de competncias,

    especializao de atividades, similitude de concursos, formao assemelhada nas especialidades,

    treinamentos afins e at mesmo especialidades peculiares.

    Recentemente o CNJ editou resoluo (Ato Normativo 0008089-90.2010.2.00.0000) normatizando a tal

    redistribuio por reciprocidade, colocando alguns critrios e considerando, um tanto quanto

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    artificialmente, diga-se de passagem, como quadro nico o conjunto de quadros das Justias e Tribunais

    Superiores da Unio.

    Parece que este conceito amplo no condiz totalmente com os limites legais e prticos do conceito deQuadro. Os cargos pertencem ao mesmo Poder, mas na realidade pertencem verdadeiramente a quadros

    que diferem em ordem hierrquica, formacional e oramentria, , alm de desvirtuar o conceito legal e

    histrico de quadro, retirar-lhe a utilidade prtica.

    Entre quadros diferentes haver objetivos institucionais distintos, o que faz irradiar peculiaridades para

    todo o quadro. No quadro da Justia Eleitoral, o objeto principal eleio. No quadro da Justia Federal,

    as matrias de interesse da Unio. No quadro da Justia do Trabalho, o objeto o Direito Trabalhista. As

    peculiaridades dos quadros se refletem em todo planejamento da vida funcional do servidor, desde asmatrias escolhidas para o concurso pblico de provimento, passando pelos treinamentos constantes, pelas

    qualificaes e especializaes, e chegando at abranger funes totalmente diversas. Eis a noo que

    temos de quadro e de sua utilidade, e o motivo pelo qual chegamos a questionar o interesse pblico de se

    permitir movimentao de servidores entre quadros diversos, mas no vemos problema algum em

    movimentaes dentro de um mesmo quadro.

    De duas uma: ou o Judicirio da Unio se compe de quadro nico, e h apenas remoo ou permuta entre

    os rgos, ou cada Justia Especializada um quadro (como diz a Lei) e no h possibilidade de haver

    redistribuio.

    Ademais, no devemos perder de vista que o CNJ rgo ao qual compete to somente "o controle da

    atuao administrativa e financeira" e no a positiva atuao e gesto genrica, fazendo as vezes de gestor

    de cada Justia, sem que neguemos a atuao disciplinar do rgo. Compete tambm ao CNJ providenciar

    o cumprimento da lei, e no cri-la. Os atos regulamentares devero, por certo, estar adstritos lei e,

    sobretudo, autonomia de cada Tribunal, seno a consequncia ser a de que, sempre que o CNJ entender

    por bem normatizar determinada questo que envolva gesto, significar a anulao da competncia dos

    Tribunais, tambm fundada na mesmssima Constituio, fazendo-nos vislumbrar uma usurpao de

    competncias constitucionais.

    Temos que reconhecer que o art. 37 da 8.112/90 destinado ao executivo, pois no h outra razo para se

    falar em SIPEC, ou rgo central do sistema de pessoal do Poder Executivo, seno regular as

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    redistribuies daquele poder. O dispositivo precisa ser redesenhado, replanejado, modificado com

    urgncia, para que possa ser aplicado com mais suavidade a todos os Poderes da Unio.

    Num primeiro relance nota-se que a resoluo do CNJ, na realidade, cria um instituto, ou melhor, chamapor outro nome um instituto j existente, ou, se no existente, pelo menos concebvel.

    O caput do art. 37 fala de cargo, no no sentido de conjunto de atribuies, mas no sentido de vaga. Esta,

    ocupada ou vazia, que pode ser deslocada para outro rgo do mesmo Poder, no mbito do quadro geral

    de pessoal, ex officiopara ajustamento de lotao e da fora de trabalho s necessidades dos servios. Ou

    seja, h excesso de "cargos" aqui, e falta de cargos ali. Este o sentido de ajustamento.

    Fala-se em "quadro geral de pessoal". O que significa isso? A reunio de quadros menores? Pode ser.

    Mas, ento, esta troca de lotaes que se quer chamar por todo jeito de "redistribuio por reciprocidade"

    ser, no fim, tudo somado e dividido, apenas remoo por permuta.Trata-se apenas de mudana de

    lotao, nada mais. Redistribuio distribuir novamente os cargos entre os rgos. No trocar seis por

    meia dzia, por assim dizer, o que ocorre no caso de permuta, sendo essa sua ideia essencial.

    A impresso que se d a de que tenta-se atender a uma demanda legtima por um meio legal errado.

    Cremos que o tempo ajustar estas questes, colocando os pingos nos "is".

    4. CARGO E VAGA: ANALOGIA COMPLETA

    Mas vamos l, no vamos fugir do aprofundamento, e completemos a ideia.

    Quando se fala em cargo, s vezes se refere, como faz a Lei, ao conjunto de atribuies e

    responsabilidades previstas (art. 3 da Lei 8.112/90), afetas a uma espcie de cargos, como por exemplo,

    cargo de analista judicirio, e s vezes se refere a cargo no sentido de vagas, como, por exemplo,

    quando se indaga quantos cargos de tcnico administrativo existem em determinado Tribunal.

    Poderamos, correndo sempre certo risco, usar a biologia e a fico, comparando cargo, no sentido de

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    conjunto de atribuies, ao conceito de espcie, e cargo no sentido de vaga com o conceito de espcime,

    ao passo que podemos atribuir o conceito ao quadro ao gnero, que compreende mais de uma espcie

    (espcies, que, em nossos exemplos, seriam analista, tcnico e auxiliar) 3

    Mudar o espcime (ou especimen) de lugar no significa alterar em nada o conceito de espcie.

    Quando, por exemplo, um cargo (espcie) desaparece, por extino ou desnecessidade, o servidor deixar

    de ser espcime daquela espcie, e ser uma alma sem corpo, esperando para ser reaproveitado em outra

    espcie de cargo. Nesse sentido, a Lei 8112/90, usando agora a terminologia que temos por correta, dispe

    que (art. 31) o servidor sem cargo ser aproveitado em vaga que vier a ocorrer nos rgos ou entidades.

    Correto, pois.

    As permutas e remoes so formas simples de movimentao de titulares das vagas, sem nunca, jamais,envolverem troca de cargos. No h troca de cargos porque troca de cargo significa, num rigor

    terminolgico, ou troca de quadro (redistribuio) ou desenvolvimento dentro de uma carreira escalonada

    em cargos (promoo), o que no o caso, nem de uma forma nem de outra.

    A redistribuio a realocao de vagas, que podero, inclusive, assumir a forma de outros cargos

    similares, transmudando sua espcie em outra similar, tudo com finalidade administrativa especfica.

    Bem, vamos incrementar a analogia, fazendo uma comparao com o que em metafsica hindu se chama

    de "avatar". Em tal construo, um ser de outra dimenso se "materializaria" em um "corpo", utilizando-o

    para agir em um ambiente que no o seu. Seria como um ser "autmato", controlado a distncia por

    outra pessoa.

    Fazendo esta analogia, temos que o que a lei chama de cargo vago, na realidade, apenas vaga

    desocupada, um avatar vazio. Cargo seria, em nossa ousada comparao, a espcie de avatares, criados

    para serem titularizados por agentes que agiro utilizando os poderes (funes eatribuies) do avatar.

    Quando morre, se aposenta, exonerado ou demitido, o servidor no mais poder continuar titularizando

    uma vaga, ou seja, abandonar de vez a possibilidade de utilizar a vestimenta avatar previamente existente

    (vaga), deixando-o livre para que outro indivduo o encarne de maneira originria.

    3No fiquemos ofendidos com a comparao, pois, afinal, somos todos animais pensantes.

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    Na remoo por permuta ou naquelas em que pode haver preenchimento de vaga desocupada, no faria

    sentido se falar em troca de avatares idnticos (vagas) entre diferentes rgos de mesmo quadro, pois as

    vagas semelhantes so sempre da mesma natureza. E os servidores podem encarnar avatares (vagas) de

    cargos idnticos de semelhante especialidade em outros rgos do mesmo quadro, sem que isso apresenteabsolutamente problema algum, a no ser aqueles imaginrios, derivados, pensamos, de um entendimento

    incompleto da natureza das coisas e de uma definio imprecisa da lei e da doutrina. 4

    Com a comparao acima pretendemos que se complete as metfores necessrias para o entendimento dos

    conceitos. Cargo a denominao da espcie de vagas que sero abertas para serem preenchidas por

    agentes.

    Em quadros organizados em carreira, cargo tambm espcie vaga (avatar), com caractersticas

    especiais, e a carreira compe-se de vrias espcies de cargos (chamada s vezes de classes), cada um

    mais poderoso e geralmente melhor retribudo que outro. Os integrantes de uma carreira organizada em

    classe de cargos ocupam avatares de diferentes espcies no decorrer de seu desenvolvimento, passando de

    uma espcie de avatar para outro avatar mais poderoso, ao passo que nos quadros no organizados em

    carreira o servidor ocupar apenas um tipo de avatar (cargo) por toda a sua vida funcional (o que no

    significa absolutamente que sempre ocupar o mesmo avatar - ou vaga). 5

    Dessa foma, toda a dificuldade est em se tomar o gnero (cargo como conjunto de especialidades) para

    designar tambm a espcie (cargo como vaga criada). Com uma explicao especfica e uma analogia

    compatvel, cremos ter melhor explanado o sentido de "cargo".

    4As chamadas remoes dentro de um mesmo Tribunal so resolvidas no mbito de lotao, sendo de natureza

    ainda mais simples, demonstrando bem a teoria que acabamos de apresentar.5 o que acontece, por exemplo, com as carreiras da Advocacia Geral da Unio, que, segundo a Lei Complementar73/93, compe-se de carreira de Advogado da Unio, carreira de Procurador da Fazenda Nacional e carreira deAssistente Jurdico. Cada carreira destas dividida basicamente em trs cargos, um inicial, um intermedirio e umfinal. A carreira de Advogado da Unio, por exemplo, composto de Advogado de Unio de 2a categoria, 1acategoria e categoria especial. A lei fala corretamente em "o nmero de vagas da carreira", ao invs de nmero decargos. As promoes so por antiguidade e merecimento e permitem acesso a uma categoria de cargosimediatamente superior.

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    6. CONSIDERAES FINAIS

    Esta comparao que fizemos acima e tudo o que dissemos para demonstrar que: a rigor, ento, deve-se

    falar em vaga titularizada como vaga ocupada. Que vaga sem titular seria uma vaga vazia, desocupada.

    Que num Tribunal h tantas vagas do cargo de analista judicirio e tantas vagas do cargo de tcnico

    judicirio. Que no quadro de servidores da justia eleitoral h apenas trs cargos: analista, tcnico e

    auxiliar judicirio e muitas vagas nestes trs cargos bsicos, espalhadas em vrios rgos (Tribunais). Que

    classes e padres, em se tratando de quadros no organizados em carreira, so simples formas de

    incremento de remunerao. Que dentro do quadro da Justia Eleitoral, ou de qualquer outra Justia

    Especializada Federal (mas no entre elas), a movimentao dos servidores pode ser realizada de forma

    definitiva, sem obrigatoriedade da continuidade da vinculao do servidor removido ao rgo de origem. 6

    Que a pretendida redistribio or reciprocidade , na realidade, e como posta pelo CNJ, apenas simples

    remoo por permuta.

    A discusso est lanada. Os institutos administrativos esto a, a espera de lapidaes que, bem efetuadas

    por ns, cultores do Direito Administrativo, contribuiro para o funcionamento suave e legal das nossas

    instituies.

    6O TCU entende que a chamada redistribuio por reciprocidade ilegal, por entender configurar transferncia,

    espcie de provimento no admitida na Constituio. Data vnia, o TCU est confundindo conceitos tambm, poisdentro de um mesmo quadro no h que se falar em transferncia, pois esta pressupunha (art. 23, da Lei 8112/90,revogado) passagem de servidor para quadro de pessoal diverso. A remoo, ou mesmo a redistribuio, que

    ocorre no mbito das Justias Federais se d, como vimos, num mesmo quadro. Apenas esta noo j tem o

    condo de corrigir o equvoco na interpretao do TCU, afastando qualquer imputao de ilegalidade.

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    APNDICE

    Citemos alguns exemplos do uso intercambivel que a Constituio da Repblica faz quando utiliza apalavra "cargo":

    1. Quanto a Constituio usa a palavra cargocomo conjunto de atribuies

    Art. 14: (...)

    3 - So privativos de brasileiro nato os cargos: (...)

    9 (...) funo, cargoou emprego (...)

    Art. 37.I - os cargos, empregos e funes pblicas so acessveis aos brasileiros (...)

    XVI - (...)

    b) a de um cargode professor com outrotcnico ou cientfico;

    Art. 39. 1 A fixao dos padres de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratrioobservar: - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargoscomponentes de cadacarreira;

    2. Quando a constituio utiliza a palavra cargono sentido de vaga:

    Art. 27 (...)

    3 - Compete s Assemblias Legislativas dispor sobre seu regimento interno, polcia e serviosadministrativos de sua secretaria, e prover os respectivos cargos.

    Art. 37

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    IV - durante o prazo improrrogvel previsto no edital de convocao, aquele aprovado em concursopblico de provas ou de provas e ttulos ser convocado com prioridade sobre novos concursados paraassumir cargoou emprego, na carreira;

    VIII - a lei reservar percentualdoscargos[das vagas] e empregos pblicos para as pessoas portadorasde deficincia e definir os critrios de sua admisso;

    XVI - vedada a acumulao remunerada de cargospblicos, exceto, quando houver compatibilidade dehorrios, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI.

    a) a de doiscargosdeprofessor;

    7 A lei dispor sobre os requisitos e as restries ao ocupante de cargoou emprego da administrao

    direta e indireta [ocupante de vaga em emprego ou cargo pblico]

    Art. 41. 1 O servidor pblico estvel s perder o cargo: [s perder o direito de ocupar a vaga]

    Art. 61. 1 - So de iniciativa privativa do Presidente da Repblica as leis que:II - disponham sobre:c)servidores pblicos da Unio e Territrios, seu regime jurdico, provimento de cargos [vagas], estabilidadee aposentadoria;

    Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da Repblica:VI - dispor, mediante decreto, sobre:b)extino de funes ou cargos pblicos, quando vagos; [extino de vagas desocupadas]

    XXV - prover e extinguir os cargos pblicos federais, na forma da lei; [prover e extinguir as vagas]

    Art. 96. Compete privativamente:I - aos tribunais:c) prover, na forma prevista nesta Constituio, oscargos de juiz de carreira da respectiva jurisdio; [prover as vagas do cargo de juiz]

    Art. 96. Compete privativamente:

    I - aos tribunais:

    e) prover, por concurso pblico de provas, ou de provas e ttulos, obedecido o disposto no art. 169,pargrafo nico, os cargos necessrios administrao da Justia, exceto os de confiana assim definidosem lei; [ou seja, prover as vagas, pois os cargos so criados por lei]

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    Quando a Constituio utiliza a palavra cargo abrangendo os dois sentidos(conjunto de atribuies e vaga)

    Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:III - aprovar previamente, por voto secreto, apsargio pblica, a escolha de:f) titulares de outros cargos que a lei determinar;

    XIII - dispor sobre sua organizao, funcionamento, polcia, criao, transformao ou extino doscargos, empregos e funes...

    Art. 54. Os Deputados e Senadores no podero:d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato pblicoeletivo.

    Art. 61. 1 - So de iniciativa privativa do Presidente da Repblica as leis que:II - disponham sobre:a)criao de cargos, funes ou empregos pblicos na administrao direta e autrquica ou aumento de suaremunerao;

    Art. 96. Compete privativamente:II - ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aosTribunais de Justia propor ao Poder Legislativo respectivo, observado o disposto no art. 169: b) a criaoe a extino de cargos e a remunerao dos seus servios auxiliares e dos juzos que lhes foremvinculados... [ou seja, propor a criao de cargos e vagas nesses cargos]

    Art. 169. 3 6 O cargo objeto da reduo prevista nos pargrafos anteriores ser considerado extinto,vedada a criao de cargo, emprego ou funo com atribuies iguais ou assemelhadas pelo prazo dequatro anos. [ou seja, se vagas forem extintas, no podero ser criadas novas vagas pelo perodo de quatroanos, naquele cargo ou em cargo assemelhado]

    Quando a Constituio utiliza cargo no sentido de conjunto de atribuies,componente de carreira

    Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, dispor sobre o Estatuto daMagistratura, observados os seguintes princpios:I - ingresso na carreira, cujo cargo inicialser o de juizsubstituto,II - promoo de entrncia para entrncia, alternadamente, por antigidade e merecimento,

    Art. 134. A Defensoria Pblica instituio essencial funo jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe aorientao jurdica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do art. 5, LXXIV.)

    1 Lei complementar organizar a Defensoria Pblica da Unio e do Distrito Federal e dos Territrios e

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    prescrever normas gerais para sua organizao nos Estados, em cargosdecarreira, [ou seja, em quadroorganizado em carreira, composta de classes de cargos] providos, na classe inicial, mediante concursopblico de provas e ttulos, assegurada a seus integrantes a garantia da inamovibilidade e vedado oexerccio da advocacia fora das atribuies institucionais.

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. So Paulo: Malheiros, 2005

    CARVALHO FILHO, Jos dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 21 ed. Rio de Janeiro: LumenJuris, 2009

    PAULO, Vicente; ALEXANDRINO, Marcelo. Direito administrativo descomplicado. 16. ed. rev. e atual. - So

    Paulo : Mtodo, 2008