teoria do conhecimento em maturana e varela

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Trabalho apresentado durante o Seminário Teoria do Conhecimento em Maturana e Varela na Faculdade Salesiana Dom Bosco, Manaus-AM, 2012.

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Teoria do Conhecimento em Maturana e Varela

BIOLOGIA DA COGNIÇÃO

Augusto Rodrigues de Sousa

SUMÁRIO

1. Introdução2. Biografia, Contexto e Percurso Intelectual2. O problema do conhecimento: O mundo-

idéia ou representação?3. O sujeito Cognoscente: um sistema que

tem algo a dizer4. O Comportamento Humano5. Domínios Lingüísticos e Consciência

Humana6. A Árvore do Conhecimento7. Considerações Finais

1. Introdução

Se conhecer é distintivo da natureza humana, o agente, o

sujeito do conhecer humano é o próprio homem

Todos os homens tendem ao saber

ARISTÓTELES. Metafísica

Esta constatação, à primeira vista ingênua e tautológica, no entanto, levou Humberto

Maturana e Francisco Varela à reformulação dos conceitos da

epistemologia tradicional.

1. IntroduçãoParmênides: a univocidade do ser

RACIONALISMO CONCEITUALSÓCRATES, PLATÃO...

Heráclito: um universo instável do qual não se pode dizer muito

de forma apodítica.EMPIRISMO

ARISTÓTELES

Einstein e a Teoria da Relatividade

Ambas as visões de mundo (racionalista e empirista) pecam

por excesso

1. Introdução

A razão entendida como uma atividade lógica

A “aura” certeza

A razão humana dogma para o conhecimento.

1. Introdução

Maturana e Varela propõem uma reavaliação deste binômio razão-

certeza

Razão Certeza

2. Biografia, contexto e Percurso Intelectual

Humberto Maturana(1928, Santiago- Chile)

Ph.D. em Biologia (Harvard, 1958),

Professor da Universidade do Chile,

Fundador do Instituto de FormaciónMatríztica

Campos de Ação

2. Biografia, contexto e Percurso Intelectual

Humberto Maturana

Biologia da Cognição, Autopoiese,

Biologia do Amor, Educação,Pensamento Sistêmico, Filosofia

Ética, Política, Transdisciplinaridade

Temas recorrentes

2. Biografia, contexto e Percurso Intelectual

Francisco J. Varela(1946, Santiago – 2001,

Paris)

Ph.D. em Biologia (Harvard, 1970)

Diretor do CNRS (Paris)Professor da École

PolytechniqueFundador do Instituto Mind &

Life

Campos de Ação

2. Biografia, contexto e Percurso Intelectual

Humberto Maturana

Biologia da Cognição, Autopoiese,

Biologia do Amor, Educação,Pensamento Sistêmico, Filosofia

Ética, Política, Transdisciplinaridade

Temas recorrentes

2. Biografia, contexto e Percurso Intelectual

Um trabalho a duas mãos

Uma nova abordagem biológica a partir da interação com o

meio

“De Máquinas y Seres Vivos: Uma Teoría de la Organizacíon

Biológica”

A separação pelo Regime Militar

A árvore do Conhecimento

Caminhos diversos

2. Biografia, contexto e Percurso Intelectual

Contexto intelectual

EDGAR MORINComplexidade

NORBERT WIENERCibernética, Inteligência

Artificial

FRITJOT CAPRAPensamento Sistêmico

ERNST VON GLASERSFELD

Psicologia, Construtivismo

EVAN THOMPSONFilosofia da Mente,

Cognição

STUART KAUFFMANBiologia, Evolução, Vida

3. O Problema do conhecimento

O que é o real?

“ Na tradição cultural do Ocidente, na qual a ciência moderna e a tecnologia surgiram, nós falamos, na vida diária, de realidade e do real, como um domínio de entidades que existem independentemente do que façamos como observadores.”

MATURANA, Humberto. La objetividade: un argumento para obligar.

Santigao, Chile: DolmenEdiciones S.A., 1997, p. 39. (Tradução nossa)

3. O Problema do conhecimento

A objetividade: certeza como empecilho

“ Tendemos a viver num mundo de certezas, de solidez perceptiva não contestada, em que nossas convicções provam que as coisas são somente como as vemos e não existe alternativa para aquilo que nos parece certo. Essa é nossa situação cotidiana, nossa condição cultural, nosso modo habitual de ser humanos”MATURANA, Humberto e VARELA, Francisco. A árvore do conhecimento – As bases biológicas da compreensão humana. Traduçao: Humberto Mariotti e Lia Diskin. São Paulo, SP: Palas Athena, 2001, p. 22.

3. O Problema do conhecimento

A luta histórica: racionalismo e

empirismoRACIONALISMO

Parmênides

O Cogito Cartesiano

A matemática

Unilateral no pensamento única fonte e no dogmatismo

EMPIRISMO

Heráclito

D. Hume

As ciências naturais

Unilateral: não reconhece nenhum conhecimento que

não seja experimental

3. O Problema do conhecimento

Maturana e Varela: Uma via média

A solução do problema do conhecimento passa pela compreensão exaustiva do

homem e de seu funcionamento biológico

4. O Sujeito Cognoscente

Os aforismos-chave

“Todo fazer é um conhecer e todo conhecer é um fazer”

“Tudo o que é dito, é dito por alguém

4. O Sujeito Cognoscente

O “Alguém que diz” : ser vivo cognoscente

O sujeito cognoscente, é primeiramente um ser vivo,

tudo o que se aplica a um ser vivo, aplica-se também a ele

O conhecer: processo complexo e unitário, que

envolve todas as dimensões daquele que conhece

4. O Sujeito Cognoscente

“para compreender a organização do ser vivo é necessário, primeiramente, compreendê-lo em sua

materialidade”(MATURANA, 2001,p.41)

Uma fenomenologia biológica

Uma viagem

Distinção e Unidade

Tudo é agrupamento

4. O Sujeito Cognoscente

O ser vivo é uma rede

Podemos distingui-lo a partir de sua organização

autopoiética

Organização e Estrutura

4. O Sujeito CognoscenteAutopoeise

O sistema produz constantemente a si mesmo

Por ser autopoiético o ser vivo é autônomo

Autônomo e Dependente: um paradoxo

4. O Sujeito Cognoscente

A célula como unidade fundamental para

compreender o ser vivo

Sistemas fechados e autônomos, mas em relação com o meio e

com outras unidades autopoiéticas

Acoplamento EstruturalOntogenia

Autopoiese

Fechamentooperacional

Acoplamentoestruturalmeio/ser

Acoplamentoser/ser

4. O Sujeito Cognoscente

4. O Sujeito Cognoscente

Este processo impulsionou a rede de relações com o

meio que possibilitou:

o processo reprodutivo; a hereditariedade;

a diversidade (ou variedade genética)- consequência

natural do processo reprodutivo

4. O Sujeito Cognoscente

A série de reproduções

possibilitou a filogenia

A Filogenia possibilitou o

processo evolutivo: DERIVA NATURAL

Determinismo Estrutural

4. O Sujeito CognoscenteA ontogenia recapitula a filogenia

5. O Comportamento Humano

Determinismo Estrutural e Sistema Nervoso: o

representacionalismo sem fundamentação

Clausura Operacional do Sistema Nervoso

5. O Comportamento Humano

Entre Cila e Caribdes: o fio da navalha entre

compreensões reducionistas

5. O Comportamento Humano

Afinal, que é o comportamento?

Chama-se comportamento às mudanças de postura ou

posição de um ser vivo, que um observador descreve como

movimentos ou ações em relação a um determinado

ambiente

MATURANA, 2001, p.152

Aquilo que tradicionalmente foi definido de modo representacionista

não encontra apoio na estrutura biológica do humano.

5. O Comportamento Humano

Uma nova abordagem do conhecimento:

Falamos em conhecimento toda vez que observamos um comportamento efetivo (ou adequado) num contexto

assinalado. Ou seja, num domínio que definimos com uma pergunta

(explicita ou implícita) que formulamos como observadores

Maturana, 2001, p. 195

A descrição dos fenômenos humanos é apenas descrição. Todo conhecer implica,

desse modo, um universo conceitual e gnosiológico pré-definido.

5. O Comportamento Humano

Os comportamentos não são resultantes de um processo de

interferência e determinação do meio sobre o indivíduo

Os domínios comportamentais humanos tem sua raiz na

capacidade de comunicação dos sujeitos entre si

Para Maturana e Varela a comunicação não se efetiva a

partir da transmissão-recepção de uma informação

5. O Comportamento Humano

Uma nova abordagem da comunicação:

Cada pessoa diz o que diz ou ouve o que ouve segundo sua

própria determinação estrutural (e não por um conduto

que liga emissor-receptor)

Maturana, 2001, p.218

Os fenômenos sociais resultam da manutenção de certa regularidade

comunicativa

5. O Comportamento Humano

Uma nova abordagem da cultura:

Entendemos por conduta cultural a estabilidade transgeracional de

configurações comportamentais ontogeneticamente adquiridas na

dinâmica comunicativa de um meio social.

MATURANA, 2001, p.218

A linguagem, dessa forma, é uma dimensão de relevo na biologia da

cognição de Maturana e Varela

6. DOMÍNIOS LINGUÍSTICOS E CONSCIÊNCIA HUMANA

Domínios LingüísticosLingüística

Toda descrição semântica parte de um “observador” do

fenômeno, que lhe dá um significado

Todo ato comunicativo não passa de um componente do acoplamento estrutural entre organismos, é a partir de um

observador que estes atos podem ser vistos como

significados de uma conduta

6. DOMÍNIOS LINGUÍSTICOS E CONSCIÊNCIA HUMANA

A representação acontece apenas no campo linguístico do

acoplamento estrutural, e não no Sistema Nervoso como sede da

capacidade cognitiva.

A Linguagem: eminentemente, mas não exclusivamente, humana, ainda que o ser humano esteja em

um patamar evolutivo mais elevado

6. DOMÍNIOS LINGUÍSTICOS E CONSCIÊNCIA HUMANA

O modo de vida social peculiar dos seres humanos e o intenso

acoplamento lingüístico desenvolvido entre estes,

possibilitou o surgimento de um fenômeno completamente novo: a

mente e a consciência

6. DOMÍNIOS LINGUÍSTICOS E CONSCIÊNCIA HUMANA

Todo o percurso empreendido até este ponto nos direciona para a

questão: qual fenômeno apareceu primeiro, a linguagem ou a

consciência?

Vida Social

Linguagem

Consciência

7. A Árvore do Conhecimento

No longínquo caminho percorrido pelos biólogos, eles foram, ao

mesmo tempo, armando e graduando um sistema explicativo com capacidade de mostrar como

surgiram os fenômenos próprios dos seres vivos, os fenômenos sociais e, finalmente, a linguagem, como fruto

dos fenômenos sociais

7. A Árvore do Conhecimento

A experiência do cotidiano do conhecer nos permite dar uma

explicação de sua própria origem 

7. A Árvore do ConhecimentoNão existem certezas!

Deixar de lado referenciais fixos e absolutos

THOMAS KUHN

KARL POPPER

GASTON DE BACHELARD

7. A Árvore do Conhecimento

Estamos imersos no mundo, e nosso processo cognitivo criando

nosso mundo (nossa visão de mundo) nos coloca no centro de

toda sua vivacidade

Uma tradição biológica nos faz ver um mundo comum... Nossas

diferenças culturais nos apresentam mundos diversos

O conhecer nos coloca em vigília contra as certezas

7. A Árvore do Conhecimento

Toda a reflexão de Maturana e Varela nos conduz para a

Biologia do Amor, visto como aceitação do outro (o outro

como mundo, o outro ser humano, o outro ser vivo)

Na aceitação do processo autopoiético do outro e do

acoplamento social que vivemos que crescemos na

socialização e na humanização

7. A Árvore do Conhecimento

Um sistema autopoiéticoauto-mutilador é um sistema doente

Uma nova postura ética diante do mundo que geramos e que nos gera:

é preciso decidir se queremos promover o círculo doentio e vicioso

da morte ou o círculo sadio e virtuoso da vida.

Considerações Finais

Admirar-se: encantamento e imbricação

O enfretamento da incerteza

A biologia humana não é um casulo determinista, mas um

elemento que constitui o homem enquanto homem

Reducionismo ou envolvimento?

REFERÊNCIAS- ARAUJO, Lindenberg Medeiros. Teoria do Conhecimento em Maturana e

Varela- movimento autopoiese e realidade.- ARISTÓTELES. Metafísica. Tradução para o italiano de Giovanni Reale.

Tradução para o português: Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 2002- MARIOTTI, Humberto. Autopoiese, Cultura e Sociedade. São Paulo, 1999- MATURANA, Humberto.La objetividade: um argumento para obligar.

Santiago, Chile: DolmenEdiciones S.A., 1997- MATURANA, Humberto e VARELA, Francisco. A Árvore do Conhecimento-

as bases biológicas da compreensão humana. Tradução: Humberto Mariotti e Lia Diskin. 3ª ed. Tradução: Juremir Machado da Silva. São Paulo: Palas Athena, 2001.

- MORIN, Edgar. O Método III- O Conhecimento do Conhecimento- 3ª ed. Tradução: Juremir Machado da Silva. Porto Alegre: Sulina, 2005.

- ____________. Sete Saberes necessários para a educação do futuro. Tradução: catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne.- 2ª Ed. São Paulo: Cortez, Brasília: UNESCO, 2000.

Obrigado!

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