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A ORIGEM DA FILOSOFIAA ORIGEM DA FILOSOFIA

Um mito é um relato em forma de narrativa com caráter explicativo e/ou simbólico, profundamente relacionado com uma dada cultura e/ou religião.

O termo é, por vezes, utilizado de forma pejorativa para se referir às crenças comuns (consideradas sem fundamento objetivo ou científico, e vistas apenas como histórias de um universo puramente maravilhoso) de diversas comunidades.

No entanto, até acontecimentos históricos se podem transformar em mitos, se adquirem uma determinada carga simbólica para uma dada cultura. Na maioria das vezes, o termo refere-se especificamente aos relatos das civilizações antigas que, organizados, constituem uma mitologia - por exemplo, a mitologia grega e a mitologia romana. (Wikipédia)

Funções do mitoAlém de acomodar e tranqüilizar o homem em face de um mundo assustador, dando-lhe a confiança de que, através de suas ações mágicas, o que acontece no mundo natural depende, em parte, dos atos humanos, o mito também fixa modelos exemplares de todas as funções e atividades humanas.

O mito, portanto, é uma "primeira fala sobre o mundo", uma primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre a qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel, e cuja função principal não é explicar a realidade, mas acomodar o homem ao mundo.

Thor – mitologia nórdica Hinduismo

Funções do mito

Embora o mito também seja uma forma de compreensão da realidade, sua função primordial é acomodar e tranqüilizar o ser humano num mundo assustador, além de garantir a coerência das primeiras comunidades humanas

Então é preciso tomar cuidado quando falamos dos mitos e de épocas “primitivas”.

São “primitivos” porque nós adotamos a perspectiva contemporânea. Dessa maneira só vemos o que o mito ou as sociedades arcaicas não são: “sem escrita”, “sem comércio”, “sem história”, etc.

Precisamos abandonar a tendência a ver esses grupos como inferiores. São diferentes.

Nessa perspectiva, o mito não é apenas uma lenda, mas é verdade. Uma verdade intuída, cujo critério é a crença, a fé, a tradição transmitida de geração para geração.

O SURGIMENTO DA FILOSOFIA

•A Filosofia, entendida como aspiração ao conhecimento racional, lógico e sistemático da realidade natural e humana, da origem e causas do mundo e de suas transformações, da origem e causas das ações humanas e do próprio pensamento, é um fato tipicamente grego.

•Evidentemente, isso não quer dizer, de modo algum, que outros povos, tão antigos quanto os gregos, como os chineses, os hindus, os japoneses, os árabes, os persas, os hebreus, os africanos ou os índios da América não possuam sabedoria, pois possuíam e possuem. Também não quer dizer que todos esses povos não tivessem desenvolvido o pensamento e formas de conhecimento da Natureza e dos seres humanos, pois desenvolveram e desenvolvem.

•Quando se diz que a Filosofia é um fato grego, o que se quer dizer é que ela possui certas características, apresenta certas formas de pensar e de exprimir os pensamentos, estabelece certas concepções sobre o que sejam a realidade, o pensamento, a ação, as técnicas, que são diferentes das características desenvolvidas por outros povos e outras culturas.

•Através da Filosofia, os gregos instituíram para o Ocidente europeu as bases e os princípios fundamentais do que chamamos razão, racionalidade, ciência, ética, política, técnica, arte.

Aliás, basta observarmos que palavras como lógica, técnica, ética, política, monarquia, anarquia, democracia, física, diálogo, biologia, cronologia, gênese, genealogia, cirurgia, ortopedia, pedagogia, farmácia, entre muitas outras, são palavras gregas, para percebermos a influência decisiva e predominante da Filosofia grega sobre a formação do pensamento e das instituições das sociedades européias ocidentais.

O LEGADO DA FILOSOFIA GREGA PARA O OCIDENTE

•Por causa da colonização européia das Américas, nós também fazemos parte - ainda que de modo colonizado - do Ocidente europeu e assim também somos herdeiros do legado que a Filosofia grega deixou para o pensamento ocidental europeu.

•Desse legado, podemos destacar como principais contribuições as seguintes:

1) A idéia de que a Natureza opera obedecendo a leis e princípios necessários e universais, isto é, os mesmos em toda a parte e em todos os tempos. Assim, por exemplo, graças aos gregos, no século XVII da nossa era, o filósofo inglês Isaac Newton estabeleceu a lei da gravitação universal de todos os corpos da Natureza.

A lei da gravitação afirma que todo corpo, quando sofre a ação de um outro, produz uma reação igual e contrária, que pode ser calculada usando como elementos do cálculo a massa do corpo afetado, a velocidade e o tempo com que a ação e a reação se deram.

Essa lei é necessária, isto é, nenhum corpo do Universo escapa dela e pode funcionar de outra maneira que não desta; e esta lei é universal, isto é, válida para todos os corpos em todos os tempos e lugares.

Um outro exemplo: as leis geométricas do triângulo ou do círculo, conforme demonstraram os filósofos gregos, são universais e necessárias, isto é, seja em Tóquio em 1993, em Copenhague em 1970, em Lisboa em 1810, em São Paulo em 1792, em Moçambique em 1661, ou em Nova York em 1975, as leis do triângulo ou do círculo são necessariamente as mesmas.

A idéia de que as leis necessárias e universais da Natureza podem ser plenamente conhecidas pelo nosso pensamento, isto é, não são conhecimentos misteriosos e secretos, que precisariam ser revelados por divindades, mas são conhecimentos que o pensamento humano, por sua própria força e capacidade, pode alcançar.

2) A idéia de que nosso pensamento também opera obedecendo a leis, regras e normas universais e necessárias, segundo as quais podemos distinguir o verdadeiro do falso. Em outras palavras, a idéia de que o nosso pensamento é lógico ou segue leis lógicas de funcionamento.

Nosso pensamento diferencia uma afirmação de uma negação porque, na afirmação, atribuímos alguma coisa a outra coisa (quando afirmamos que "Sócrates é um ser humano", atribuímos humanidade a Sócrates) e, na negação, retiramos alguma coisa de outra (quando dizemos "este caderno não é verde", estamos retirando do caderno a cor verde).

Nosso pensamento distingue quando uma afirmação é verdadeira ou falsa. Se alguém apresentar o seguinte raciocínio: "Todos os homens são mortais. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal", diremos que a afirmação "Sócrates é mortal" é verdadeira, porque foi concluída de outras afirmações que já sabemos serem verdadeiras.

3) A idéia de que as práticas humanas, isto é, a ação moral, a política, as técnicas e as artes dependem da vontade livre, da deliberação e da discussão, da nossa escolha passional (ou emocional) ou racional, de nossas preferências, segundo certos valores e padrões, que foram estabelecidos pelos próprios seres humanos e não por imposições misteriosas e incompreensíveis, que lhes teriam sido feitas por forças secretas, invisíveis, sejam elas divinas ou naturais, e impossíveis de serem conhecidas.

4) A idéia de que os acontecimentos naturais e humanos são necessários, porque obedecem a leis naturais ou da natureza humana, mas também podem ser contingentes ou acidentais, quando dependem das escolhas e deliberações dos homens, em condições determinadas.

Dessa forma, uma pedra cai porque seu peso, por uma lei natural, exige que ela caia natural e necessariamente; um ser humano anda porque as leis anatômicas e fisiológicas que regem o seu corpo fazem com que ele tenha os meios necessários para a locomoção.

No entanto, se uma pedra, ao cair, atingir a cabeça de um passante, esse acontecimento é contingente ou acidental. Por quê? Porque, se o passante não estivesse andando por ali naquela hora, a pedra não o atingiria. Assim, a queda da pedra é necessária e o andar de um ser humano é necessário, mas que uma pedra caia sobre minha cabeça quando ando é inteiramente contingente ou acidental.

Todavia, é muito diferente a situação das ações humanas. É verdade que é por uma necessidade natural ou por uma lei da Natureza que ando. Mas é por deliberação voluntária que ando para ir à escola em vez de andar para ir ao cinema, por exemplo. É verdade que é por uma lei necessária da Natureza que os corpos pesados caem, mas é por uma deliberação humana e por uma escolha voluntária que fabrico uma bomba, a coloco num avião e a faço despencar sobre Hiroshima.

Um dos legados mais importantes da Filosofia grega é, portanto, essa diferença entre o necessário e o contingente, pois ela nos permite evitar o fatalismo - "tudo é necessário, temos que nos conformar e nos resignar" -, mas também evitar a ilusão de que podemos tudo quanto quisermos, se alguma força extranatural ou sobrenatural nos ajudar, pois a Natureza segue leis necessárias que podemos conhecer e nem tudo é possível por mais que o queiramos.

5) A idéia de que os seres humanos, por Natureza, aspiram ao conhecimento verdadeiro, à felicidade, à justiça, isto é, que os seres humanos não vivem nem agem cegamente, mas criam valores pelo quais dão sentido às suas vidas e às suas ações.

A Filosofia surge, portanto, quando alguns gregos, admirados e espantados com a realidade, insatisfeitos com as explicações que a tradição lhes dera, começaram a fazer perguntas e buscar respostas para elas, demonstrando que o mundo e os seres humanos, os acontecimentos e as coisas da Natureza, os acontecimentos e as ações humanas podem ser conhecidos pela razão humana, e que a própria razão é capaz de conhecer-se a si mesma.

A Filosofia surge quando se descobriu que a verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso, que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos, mas que, ao contrário, podia ser conhecida por todos, através da razão, que é a mesma em todos; quando se descobriu que tal conhecimento depende do uso correto da razão ou do pensamento e que, além da verdade poder ser conhecida por todos, podia, pelo mesmo motivo, ser ensinada ou transmitida a todos.

OS FILÓSOFOS DA NATUREZA

(OS PHYSIKOI)

• A nossa história começa na cidade de Mileto uma cidade na Jônia - colônia grega na costa ocidental do Mar Egeu (Ásia Menor).

•Século VI a.C.

•Essa cidade produziu três filósofos Tales, Anaximandro e Anaxímenes.

•Além de data e local de nascimento, a filosofia possui, ao nascer, um conteúdo preciso: é uma cosmologia.

•COSMOLOGIA = é uma explicação racional sobre a origem e ordem do mundo (cosmos).

•KOSMOS é a ordem que se opõe ao KHAOS primordial.

• No mito temos COSMOGONIAS e TEOGONIAS

• Pergunta da Cosmogonia: como do caos surgiu o mundo ordenado (cosmos)?

•Resposta dada pelo pensamento mitológico: narrando uma genealogia dos seres.

•Por meio da personificação dos elementos (água, ar, terra e fogo) e das relações sexuais entre eles.

•Na Teogonia é contada a geração dos deuses – temos uma antropomorfização / projetar o mundo humano sobre as coisas que não são humanas.

•O mito usa METÁFORAS, PARÁBOLAS E ANALOGIAS.

•A cosmologia retira os deuses e apresenta princípios naturais e forças impessoais (água, terra, fogo e ar).

•A ordem e origem do mundo são naturais.

•É preciso descobrir qual o princípio originário e racional que é origem e causa das coisas e de sua ordenação.

A PALAVRA OU O CONCEITO MAIS IMPORTANTE NO SURGIMENTO DA FILOSOFIA: LOGOS.

LOGOS =linguagem, pensamento, razão e regra.

TUDO AGORA PRECISA SER PROVADO, ARGUMENTADO OU DEMONSTRADO PARA A CONVENCER A RAZÃO.

OS PERÍODOS DA FILOSOFIA GREGA

1) Pré-socrático ou cosmológico – vai de Tales de Mileto a Sócrates de Atenas

2) Antropológico ou socrático- de Sócrates e os sofistas até Aristóteles

3) Helenístico-romano, vai do Império de Alexandre até o final do império Romano (epicuristas, estóicos, neoplatônicos e céticos).

AS ESCOLAS

PRÉ-SOCRÁTICAS

(SÉC VI – séc IV a.C)

4 GRANDES TENDÊNCIAS (ESCOLAS) DO PENSAMENTO PRÉ-SOCRÁTICO

1) ESCOLA JÔNICA (ÁSIA MENOR): Tales, Anaximandro e Anaxímenes (os três de Mileto) e Heráclito (de Éfeso).

2) ESCOLA PITAGÓRICA OU ITÁLICA (Magna Grécia) – o principal é Pitágoras.

3) ESCOLA ELEATA (Magna Grécia) – os principais são Parmênides e Zenão.

4) ESCOLA ATOMISTA (Trácia) os principais são Demócrito e Leucipo, ambos de Abdera.

•Esses filósofos revolucionaram o pensamento.

•Eles procuraram o princípio material único e imutável de todas as coisas.

•Por princípio (archê) entendiam algo que explica ou causa algo. Eles abandonam as explicações mitológicas e buscam “ o princípio material que constitui tudo o que existe, de onde essas coisas surgem e para onde terminarão indo.”

ESCOLA JÔNICA (ÁSIA MENOR)

•Conhecer o primeiro princípio material dava unidade à diversidade da experiência; permitia entender como as coisas são e a ordem que está por trás delas apesar da desordem das aparências.

•Para os primeiros filósofos, o princípio material de todas as coisas é o substrato básico que sustenta toda mudança (ele mesmo não muda, é eterno).

•Aristóteles explica que os primeiros filósofos concluiram que “ Nada é gerado ou destruído, já que esse substrato sempre se conserva.”

•Os Milesianos rejeitaram o senso comum e o testemunho dos sentidos, em favor de uma visão do mundo logicamente correta.

•Nesse momento, nasceu a filosofia.

• Reparem que a preocupação deles era explicar a mudança.

•O que muda está em movimento. Há diferentes tipos de movimento.

•O que está em constante mudança é chamado de natureza.

•Natureza em grego diz-se physis. Quem estuda a physis é o physikoi.

• Então, os primeiros filósofos chamam-se físicos. A física e a filosofia nascem no mesmo instante.

•E, se ocorre uma separação, ela acontece não pela derrota da filosofia especulativa (como muitos pensam), mas pela vitória da filosofia natural.

A frase de Tales “Tudo é água” é a certidão de nascimento da ciência ocidental.

•A grande questão não era saber como tudo surgiu do nada. A Grande Questão não era a criação.

•O que os instigava era a transformação constante da natureza.

•Como a água pode se transformar em peixes vivos? Como um bebê pode ser gerado do corpo de sua mãe? Como a terra sem vida pode se transformar numa árvore?

•Como essas transformações eram possíveis?

Como uma substância pode se transformar em algo completamente diferente?

Os primeiros filósofos tinham uma crença em comum: eles acreditavam que determinada substância básica estava por trás de todas as transformações.

Essa substância básica era a causa oculta de todas as transformações da natureza.

•Para nós, o mais importante não é saber que respostas esses filósofos encontraram. O interessante é saber que perguntas eles fizeram e que tipo de respostas buscavam.

•Importa saber como, e não o que pensavam exatamente.

•Sabemos que eles colocavam questões referentes às transformações que podiam observar na natureza, na tentativa de descobrir algumas leis naturais que fossem eternas. Eles queriam entender os fenômenos naturais sem ter que recorrer aos mitos .

•Observar a natureza.

IÔNICOS

• Tales água / estudo racional da

(c 600) natureza

•Anaximandro o Ilimitado / primeiro modelo

(c 550) mecânico do cosmos

•Anaxímenes ar / esferas cristalinas

(c 520)

• Heráclito fogo / tudo está em fluxo

(c 500)

ELEATAS

• Parmênides toda mudança é ilusória

(c 480) não há pluralidade (Um)

não há destruição/geração

não há movimento

não há vazio

•Zenon paradoxos do movimento

(c 460) mecânico do cosmos

PITAGÓRICOS

• Pitágoras misticismo numérico

(c 520) matematização da natureza

•Filolau modelo do cosmos com

(c 450) fogo central

ATOMISTAS

• Leucipo tudo é feito de átomos

(c 430) indivisíveis

•Demócrito elaboração da hipótese

(c 400) atomista

Teoria Atômica de Leucipo e Demócrito

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