trecho do livro "pegasus e as origens do olimpo"

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Quarto volume da saga Olimpo em Guerra de Kate O'Hearn

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  • 77

    1

    A luz da Corrente Solar pulsava e brilhava enquanto ela a atra-vessava o mais rpido que podia. Tinha que ir para casa! Mas quan-to mais rpido viajava, mais longa se tornava a jornada. Obstculos bloqueavam seu caminho e a retardavam. Outros mundos a evocavam. Mos invisveis a alcanavam e a puxavam para baixo.

    No! gritava. Tenho que voltar antes que seja tarde demais. Deixem-me em paz!

    Libertando-se do seu domnio, percorreu a Corrente Solar at finalmente chegar em casa. Ela chegou ao templo e se lanou por seus longos corredores de pedra. O corao acelerou e o temor cresceu quan-do sentiu que os outros se reuniam longe do templo. Estavam se unindo e fundindo os poderes. Tinha que alcan-los, juntar-se a eles. No podia ser deixada para trs.

    Emergiu do templo de pedra e adentrou a selva densa e verde. Aumentou a velocidade enquanto se movia ao longo de trilhas mais antigas que o prprio tempo; passou correndo pelas grandes esttuas de seu povo e se esquivou de rvores enormes. Aquele era o seu lar. Seu santurio. Seu mundo. Mas todos estavam prestes a deix-lo. Para seguir em frente.

    Haviam dito que tentariam esperar por ela. Mas, quando as estrelas se alinhassem, teriam que partir com ou sem ela.

    Por favor, no me deixem chegar atrasada... implorava.- Por favor! Por favor!

    O grito de Emily a acordou daquele sonho terrvel, e ela sentiu uma lngua quente em seu rosto. Olhou para cima e viu o magnfico garanho alado, Pegasus, parado ao lado de sua cama.

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  • 8Ele brilhava intensamente enquanto olhava em sua direo e re-linchava suavemente.

    O rosto de Emily estava quente e corado, e a moa arfava pesadamente, como se tivesse participado de uma corrida.

    Estou bem, Pegs disse com tranquilidade enquanto con-templava seus olhos grandes e preocupados.

    Pegasus relinchou novamente e encostou o focinho no rosto dela.

    Em! Seu pai entrou rapidamente no quarto. O que houve? Voc estava gritando e chorando.

    Ela tremia por inteiro. Foi apenas um sonho disse ela. Desde que voltamos da

    rea 51, venho tendo o mesmo sonho repetidas vezes. como se eu fosse outra pessoa e tentasse voltar para casa antes de algo importante acontecer. Estou com tanto medo que no vou con-seguir me lembrar do que se trata. Mas enquanto atravesso a Corrente Solar, coisas que no consigo ver bloqueiam meu cami-nho e alguma coisa tenta me impedir. Ela fitou o rosto preocu-pado do pai. O que isso quer dizer?

    Seu pai se sentou na cama e a puxou para dar-lhe um abrao apertado.

    No sei, querida. Dizem que os sonhos vm do nosso sub-consciente enquanto ele tenta resolver as coisas.

    Como o qu? perguntou Emily. No tenho certeza. Mas voc passou por tanta coisa ultima-

    mente. Talvez sua mente esteja tentando digerir tudo o que acon-teceu. Veja como nossa vida mudou. Vivemos aqui no Olimpo e agora voc tem tantos poderes. Sei que eles a assustam. Talvez seja essa a causa de seus pesadelos.

    No so pesadelos corrigiu Emily. sempre a mesma coisa. Fico desesperada em voltar para casa, onde est rolando algum tipo de reunio. Mas sempre acordo antes de chegar.

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  • 9 Para casa? perguntou ele. Voc est se referindo a Nova York? Quer voltar?

    Emily franziu a testa e balanou a cabea. No, no Nova York, e tambm no o Olimpo. um

    lugar estranho com mato para todo lado. Estou em um templo intricado feito de pedras, cercada por esttuas imensas.

    Pegasus relinchou alto e balanou a cabea. Aproximou-se de Emily e a encarou fixamente. Quando fitou profundamente seus olhos castanhos e afetuosos, Emily teve a viso de um mundo selvagem cheio de grandes esttuas de pedra.

    essa a floresta! Voc tambm andou sonhando com ela?O garanho branco e forte balanou a cabea, arrastou a pata

    no cho e relinchou vrias vezes. Ele virou a cabea na direo da porta. Ento, cutucou o pai de Emily e tornou a se virar para a porta.

    O que foi? perguntou o pai. O que voc est tentando me dizer?

    Ele quer ir a algum lugar explicou Emily. A essa hora da noite?Depois de mais algumas tentativas fracassadas de fazer com

    que Emily e o pai entendessem, Pegasus desistiu e saiu. Voltou alguns instantes depois com um Paelen e Joel muito sonolentos.

    Voc est bem, Em? perguntou Joel meio grogue enquan-to se aproximava de sua cama. Ele s estava usando a parte de baixo do pijama, e ela podia ver onde o novo brao prateado se juntava ao seu corpo largo. Parecia exatamente igual ao antigo que Vulcano havia criado depois que ele perdeu o verdadeiro na luta contra as grgonas. Ela ficou impressionada com a rapidez com que Vulcano conseguiu constru-lo depois que os cientistas da UCP na rea 51 removeram cirurgicamente o antigo.

    Emily fez que sim com a cabea. Estou bem. Tive aquele sonho outra vez. Mas depois Pegs

    me mostrou um lugar exatamente igual ao do meu sonho.

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  • 10

    Paelen bocejou ruidosamente. Seu cabelo estava eriado para todos os lados e sua roupa de dormir estava amassada e desalinhada.

    Voc me acordou porque Emily estava tendo um sonho? E quanto a mim? Eu estava tendo meu prprio sonho incrvel com vrias ninfas das guas.

    Pegasus relinchou e empurrou Paelen. O qu? gritou Paelen. No tenho o direito de sonhar? Paelen, por favor disse Emily. Pegasus est tentando me

    dizer algo, mas no consigo entend-lo. Acho que importante.Paelen se concentrou em Pegasus.

    O que ?O garanho relinchou algumas vezes e balanou a cabea.

    Isso muito estranho disse Paelen. Pegasus diz que o mundo que voc tem descrito nos seus sonhos aquele para o qual voc o enviou quando voc levou um tiro nas instalaes da UCP, no deserto de Nevada.

    Emily franziu a testa. Como? Eu nunca estive l, nem sequer ouvi falar dele. Por-

    que iria sonhar com um lugar que nunca vi? E porque tenho sempre o mesmo sonho?

    Pegasus bateu com a pata no cho e relinchou levemente.Paelen parecia chocado.

    Srio? Por que no ouvimos falar disso quando diz respeito a Emily?

    O que me diz respeito? Emily perguntou. Aparentemente, depois que voltamos da Terra, Jpiter man-

    dou algumas de suas pessoas para o mundo selvagem a fim de explor-lo. Ele tinha curiosidade de saber por que seus poderes mandariam as coisas para l.

    Emily olhou para Pegasus. Voc sabia disso e no me contou?O garanho abaixou a cabea, parecendo estar muito culpado.

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  • 11

    Pegasus acabou de descobrir. Jpiter lhe pediu para no dizer nada, pois temia que isso pudesse deix-la magoada. Depois de tudo o que aconteceu na Terra, ele queria que voc descansas-se por um tempo no Olimpo e no se preocupasse com o mundo selvagem.

    No terem me contado nada o que me deixa magoada! devolveu Emily. Jpiter me prometeu que iramos descobrir isso juntos. Ele no devia ter enviado gente para l sem mim.

    O pai de Emily assentiu com a cabea. Concordo. Deve haver algo que explique porque os poderes

    de Emily enviaram voc e Alexis, a Esfinge, para l. Temos o di-reito de nos envolver na investigao. Vou conversar com Jpiter pela manh e descobrir o que est acontecendo.

    Vou com voc disse Emily. Eu tambm acrescentou Joel. E eu disse Paelen.Pegasus relinchou e balanou a cabea. Emily no precisou

    que Paelen traduzisse. O garanho tambm estaria l.

    O sono no voltaria para Emily. Depois do ltimo sonho, ela no queria mesmo. Em vez disso, ela e Pegasus saram em silncio do palcio e voaram bem alto no cu noturno sobre o Olimpo.

    As estrelas brilhavam intensamente mais acima e projetavam luz suficiente para que pudessem enxergar. Emily olhou para bai-xo na direo dos habitantes noturnos enquanto estes seguiam com suas vidas silenciosas, trabalhando, vivendo e brincando luz das estrelas.

    Pegasus pousou na prateada praia particular que circundava o lago plcido. No havia vento para agitar sua superfcie, e era como se fosse um espelho gigante refletindo as estrelas l de cima.

    Emily desmontou de Pegasus e adentrou na gua fria e calma at a altura dos joelhos. Ela no precisava mais da prtese na perna desde que seus poderes a haviam curado dos ferimentos

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  • 12

    sofridos na rea 51. As revelaes do tempo que passou nas ins-talaes da UCP ainda a incomodavam. S havia confiado o que os cientistas haviam dito sobre ela a Pegasus. Nem chegou a men-cionar nada para Joel ou Paelen por medo do que pudessem pen-sar dela.

    Ser que ela realmente no estava viva? Alegaram que ela no tinha matria fsica do mesmo jeito que todos os organismos vivos tm incluindo os olmpicos. E embora tivesse sangue e um corao para bombe-lo pelo corpo, no precisava deles. Os cien-tistas acreditavam que eles estavam l porque Emily achava que devia ser assim.

    Em momentos de silncio, ou quando estava sozinha com Pegasus, Emily se fazia a mesma pergunta o tempo todo: Quem sou eu?. Mas apesar de todo o apoio e amor por ela, Pegasus no tinha respostas.

    Est to lindo aqui disse ela suspirando assim que Pegasus entrou no lago. s vezes eu gostaria que pudssemos ficar para sempre, sem ter que nos preocupar com todas as outras coisas. S eu, voc e este lago prateado.

    Pegasus encostou a cabea na dela.Ela levantou os olhos na direo do belo rosto do animal e

    tirou a longa crina que caa sobre seus olhos. Alguma coisa mudou. Posso sentir. Eu mudei e isso real-

    mente me apavora. Emily levantou a perna lisa. Olha, no tem nenhum trao da cicatriz. Tudo o que tive que fazer foi ima-gin-la sumindo, e ela sumiu. Mandei voc e Alexis se afastarem sem pensar nisso de verdade e destru a UCP na rea 51 sem fazer nenhum esforo. O fato de eu poder fazer tudo iss