responsabilidade social: verificando o cac-php. ?· histórica da evolução do conceito de...

Download RESPONSABILIDADE SOCIAL: VERIFICANDO O cac-php. ?· histórica da evolução do conceito de responsabilidade…

Post on 17-Nov-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • www.unioeste.br/eventos/conape

    III Congresso Nacional de Pesquisa em Cincias Sociais Aplicadas III CONAPE

    Francisco Beltro/PR, 01, 02 e 03 de outubro de 2014.

    1

    RESPONSABILIDADE SOCIAL: VERIFICANDO O ENVOLVIMENTO DAS COOPERATIVAS DE SO JOO

    Patrcia de Souza

    1

    Jucelia Appio2

    Liliane Canopf3

    rea de conhecimento: Administrao. Eixo Temtico: Outros.

    RESUMO

    Empresas assumem diferentes tipos de envolvimento em atividades e obras sociais. Este estudo de natureza terico-emprica, com uma abordagem qualitativo, exploratrio e descritivo, teve como objeto verificar o envolvimento (abordagem da obrigao social, abordagem da responsabilidade social e abordagem da sensibilidade social) de quatro cooperativas de So Joo, Estado do Paran, quanto as aes de responsabilidade social. Para coleta de dados utilizou-se de um questionrio semi-estruturado, contendo uma pergunta fechada e quatro abertas, elaboradas com base em Montana e Charnov (1998) Robbins (2000) e Chiavenato (2003). Para coleta de dados, procedeu-se agendamento antecipado e em seguida realizou-se entrevista in loco entre os dias 04 e 08 de maro de 2013. Foram entrevistados um responsvel pelo departamento de promoo social, um assessor de comunicao e marketing, um presidente e um gerente, resguardando o anonimato dos respondentes e da cooperativa. Tais entrevistas revelam que embora as cooperativas acreditem que esto exercendo prticas de sensibilidade social, muitas delas aplicam seus recursos para realizar apenas o exigido por lei. Ademais, foi possvel perceber, que ainda no se tem um entendimento correto do que responsabilidade social, alguns entrevistados citaram como prticas de responsabilidade social a participao em festa nas comunidades uma vez no ano e ainda promovendo o nome da cooperativa.

    Palavras-chave: Responsabilidade Social. Cooperativas. Envolvimento.

    1 INTRODUO

    Atualmente as organizaes sofrem presso quanto ao seu posicionamento

    diante das questes de responsabilidade social, o consumidor no est mais

    aceitando apenas uma organizao que trabalhe por seus interesses prprios, mas

    que se comprometa com a sociedade e respeite o ambiente onde ela est inserida.

    Muitas destas empresas j apresentam a conscincia da importncia de se adequar

    ao novo padro, no qual suas responsabilidades sociais vo alm de obedecer lei

    e gerar lucros para seus acionistas, mas englobam o conhecer quem so os

    beneficiados e prejudicados com as atividades que elas desempenham e

    1 SOUZA, Patrcia de. Ps-graduada em Gesto Empresarial, pela UNIOESTE.

    pattriciasouzza@hotmail.com 2 APPIO, Jucelia. Dr. em Administrao, pela Universidade Positivo. juceliaappio@yahoo.com.br

    3 CANOPF, Liliane. Dr. em Administrao, pela Universidade Positivo. lilianec@utfpr.edu.br

  • www.unioeste.br/eventos/conape

    III Congresso Nacional de Pesquisa em Cincias Sociais Aplicadas III CONAPE

    Francisco Beltro/PR, 01, 02 e 03 de outubro de 2014.

    2

    desenvolver projetos que intervm positivamente no ambiente social que a empresa

    est inserida (ROBBIN, 2000; SROUR, 1998). Nesse mesmo sentido, temos as

    cooperativas que vm crescendo cada dia mais e sendo grandes entidades tambm

    cobradas e questionadas quando aos aspectos sociais, muitas vezes mais, por j

    terem este conceito inserido na doutrina cooperativista.

    A partir desse cenrio que vem se modificando rapidamente atravs de leis e

    exigncias da populao, este artigo se prope, atravs de uma pesquisa

    bibliogrfica e de campo, identificar e classificar de acordo com a teoria proposta por

    Montana e Charnov (1998) Robbins (2000) e Chiavenato (2003), os diferentes tipos

    de abordagens social, utilizados pelas cooperativas, do muncipio de So Joo, para

    verificar o envolvimento na responsabilidade social das mesmas.

    Dentro da abordagem de Keith Davis, o movimento cooperativista apresenta

    princpios relacionados com esta viso favorvel s aes sociais. Nesse sentido, o

    estudo busca evidenciar o envolvimento das cooperativas com a responsabilidade

    social, atravs de pesquisa que relaciona a teoria com as aes das cooperativas,

    as quais pregam a responsabilidade social como um dos alicerces do

    cooperativismo.

    Para o desenvolvimento deste trabalho, inicialmente foi realizado uma reviso

    histrica da evoluo do conceito de responsabilidade social, conceituando tica e

    descrevendo os diferentes tipos de abordagem, defendidas por dois autores

    importante da rea no obstante, na literatura observou-se que, em sentido

    antagnico, autores tem se posicionado contra a responsabilidade social (Milton

    Friedman) e outros com argumentos da responsabilidade social (Keith Davis). Aps

    ser apresentado a evoluo do movimento cooperativista e os princpios que regem

    as cooperativas.

    O artigo est estruturado em quatro sees, aps esta introduo. Na

    primeira, apresenta-se o quadro terico de referncia. Em seguida, descrevem-se os

    procedimentos metodolgicos realizados na anlise emprica, cujos resultados so

    apresentados e discutidos na seo seguinte. No final, as consideraes deste

    estudo no campo do conhecimento so apresentadas.

  • www.unioeste.br/eventos/conape

    III Congresso Nacional de Pesquisa em Cincias Sociais Aplicadas III CONAPE

    Francisco Beltro/PR, 01, 02 e 03 de outubro de 2014.

    3

    2 RESPONSABILIDADE SOCIAL

    Para Montana e Charnov (1998) foi a partir do sculo XX que as empresas

    passaram a se preocupar mais com suas obrigaes sociais. Essa preocupao

    derivou do continuo crescimento de movimentos ecolgicos e de defesa ao

    consumidor que tem focalizado o relacionamento entre empresa e sociedade. Como

    a ideia de destinar recursos financeiros da organizao para aes que beneficiem a

    sociedade nem sempre foi bem recebida, possvel ver na literatura especializada

    no s a divergncia de tipos de aes, como tambm o questionamento da

    legitimidade de empregar os recursos da empresa (acionista) em aes sociais.

    Ashley, Coutinho e Tomei (2000), fazem a abordagem histrica de

    responsabilidade social dividida em duas fases, uma que trata da prpria introduo

    do conceito nos meios acadmico e empresarial e outra que mostra a sua evoluo

    recente da dcada de 60 at a dcada de 90. At o incio do sculo XX a premissa

    fundamental da legislao sobre corporaes era de que seu propsito era a

    realizao de lucros para seus acionistas.

    De acordo com Ashley, Coutinho e Tomei (2000) essa questo ilustrada

    claramente atravs do julgamento na Justia Americana do caso Dodge versus Ford.

    A causa dizia respeito autoridade do presidente e acionista majoritrio Henry Ford,

    em tomar decises que contrariavam os interesses de um grupo de acionistas da

    Ford, John e Horace Dodge. Em 1916, Henry Ford alegando objetivos sociais,

    decidiu no distribuir parte dos dividendos esperados, revertendo o dinheiro em

    aes como aumento da capacidade de produo, reduo de preos dos carros e a

    melhoria dos salrios dos empregados.

    No ano de 1953, foi retomado o debate sobre a responsabilidade social dentro

    das organizaes, com o caso A.P. Smith Manufacturing Campany versus Barlow

    julgado pela Justia Americana no qual, dessa vez, a Suprema Corte de Nova

    Jersey deu parecer favorvel a doao de recursos para a Universidade de

    Princeton, sendo assim contrrio aos interesses do grupo de acionistas. Desde

    ento surgiram diversos autores que vm debatendo contra e a favor da

    responsabilidade social corporativa dentro das organizaes. (ASHLEY;

    COUTINHO; TOMEI, 2000).

  • www.unioeste.br/eventos/conape

    III Congresso Nacional de Pesquisa em Cincias Sociais Aplicadas III CONAPE

    Francisco Beltro/PR, 01, 02 e 03 de outubro de 2014.

    4

    Montana e Charnov (1998), afirmam que esse debate entre as diferentes

    abordagens bem transparente na obra de dois autores importante Milton Friedman

    (1931) e Keith Davis (1918), no qual, possvel perceber a divergncia no discurso

    deles sobre a responsabilidade social. O primeiro argumenta que a empresa por si

    mesma j contribui para sociedade, enquanto Keith Davis observa que o poder

    econmico provm da sociedade, devendo assim a empresa demonstrar

    sensibilidade social e devolver melhorias mesma. importante lembrar que tanto

    Friedman como Davis afirmam que a empresa deve seguir a lei e realizar os atos de

    responsabilidade social obrigatrios.

    De acordo com Dlano (1980 apud BERGAMASCHI; GOIS; CANOPF, 2008),

    nos ltimos 30 anos a gesto social vem sendo ampliada e tornado-se um quesito

    fundamental na verificao da sade empresarial, segundo muitos defensores do

    tema as corporaes no podem mais ser medidas apenas por indicadores

    econmico-financeiros, mas tambm pelos indicadores sociais.

    2.1 TICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL

    Para Robbins (2000) as expectativas da sociedade em relao aos negcios

    mudaram drasticamente com o passar dos anos, nos anos de 1950 organizaes

    que contaminavam rios e geravam desmatamento tinham quase a certeza que

    sairiam impunes. Atualmente aes como essa se ocorrerem vo cair na primeira

    pgina dos jornais e resultar em investigaes de grande escala.

    De acordo com Srour (2000) foi na dcada de 50, nos Estados Unidos, que

    surgiu a poltica que determinou o economicamente correto, devido influncia das

    instituies religiosas, nessa poca aplicava-se somente transaes financeiras e

Recommended

View more >