prova vest 2008 2

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prova vestibular cederj 2008

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  • 1 - Voc receber do fiscal um caderno de questes, um caderno de respostas e um carto de respostas.2 - O caderno de questes contm o tema da redao, as 40 questes objetivas e as 5 questes discursivas

    da sua disciplina especfica. Verifique se o caderno no contm rasuras ou falhas na paginao.3 - Verifique se seu nome, nmero de inscrio e nmero do documento de identidade esto

    corretos.4 - Voc dispe de cinco horas para fazer a prova, inclusive a marcao do carto de respostas. Faa-a com

    tranqilidade, mas controle o seu tempo.5 - Utilize caneta preta ou azul para a marcao do carto de respostas e para responder s questes discursivas.6 - Cada questo objetiva apresenta cinco alternativas de respostas sendo apenas uma delas a correta. A

    questo com mais de uma alternativa assinalada receber pontuao zero.7 - Voc no pode usar calculadora ou qualquer equipamento eletrnico. Por favor, desligue o seu

    celular.8 - Aps o incio das provas, voc dever permanecer na sala por, no mnimo, noventa minutos.9 - Aps o trmino da prova, entregue ao fiscal o carto de respostas assinado e o caderno de respostas.10 - Caso necessite algum esclarecimento solicite a presena do chefe de local.

    INSTRUES

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    REDAOOs fragmentos de textos a seguir abordam o mesmo tema:inveja. Ora vista como um sentimento mau ora como umsentimento bom.

    Aos que pretendem empreender essa viagem, o autor pede quelevem consigo, para o caso de se perderem, trs distines bsicas:cime querer manter o que se tem, cobia querer o que no setem; inveja no querer que o outro tenha.E que prestem ateno: a inveja um vrus que se caracteriza pelaausncia de sintomas aparentes. O dio espuma. A preguia sederrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxria se oferece.O orgulho brilha. S a inveja se esconde.

    Ventura, Zuenir. Inveja mal secreto. So Paulo: Palavra, 2005.

    A inveja, virtude principal, origem de prosperidades infinitas;virtude preciosa que chega a suprir todas as outras, e ao prpriotalento.A inveja no seno uma admirao que luta, e sendo a luta agrande funo do gnero humano, todos os sentimentos belicososso os mais adequados sua felicidade. Da vem que a inveja uma virtude.

    Machado de Assis, Memrias Pstumas de Brs Cubas.RJ:Nova Aguilar,1994.

    A inveja a tristeza de ser o que se .Frei Betto.

    Podemos dizer que nunca tantos jovens, ricos e famosos foramto invejados como so algumas das celebridades da TV, do cinemae das passarelas da moda.

    Programa de TV.

    Elementos da potncia brasileira: o quinto maior pas do planetaem superfcie, que pode se tornar, dentro de dez anos, o principalprodutor agrcola mundial. As realizaes (do Brasil) no campoda agricultura so desde j impressionantes: primeiro produtor eexportador mundial de acar, de caf, de suco de laranja, primeiroexportador mundial de tabaco, de carne bovina e de frango, esegundo exportador de soja, afirmava o impressionado jornalfrancs Le Monde, em 24 de maio ltimo. E acrescentava: Nototal, ele (o Brasil) sobe para o terceiro degrau do pdio, atrs dosEstados Unidos e da Unio Europia. A Argentina, um pas metidoa europeu, tem inveja de que a verdadeira potncia da Amrica doSul seja o Brasil.

    Felinto, Marilene. In: Caros amigos, 28/06/2005.

    Com base na leitura dos trechos transcritos, possvelconcordar com a idia de que a inveja seja uma virtude?

    Para responder a tal indagao, redija um textodissertativo-argumentativo, de 25 a 30 linhas, em prosae de acordo com a norma culta.

    QUESTES OBJETIVASLNGUA PORTUGUESA E

    LITERATURA BRASILEIRA

    O espelhoEsboo de uma nova teoria da alma humana

    Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma queolha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... Aalma exterior pode ser um esprito, um fluido, um homem, muitoshomens, um objeto, uma operao. Est claro que o ofcio dessasegunda alma transmitir a vida, como a primeira; as duascompletam o homem, que , metafisicamente falando, uma laranja.Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade daexistncia; e casos h, no raros, em que a perda da alma exteriorimplica a da existncia inteira. Agora, preciso saber que a almaexterior no sempre a mesma...

    Convm dizer-lhes que, desde que ficara s, no olharauma s vez para o espelho. No era absteno deliberada, no tinhamotivo; era um impulso inconsciente, um receio de achar-me um edois, ao mesmo tempo, naquela casa solitria; e se tal explicao verdadeira, nada prova melhor a contradio humana, porque nofim de oito dias deu-me na veneta de olhar para o espelho com o fimjustamente de achar-me dois. Olhei e recuei. O prprio vidro pareciaconjurado com o resto do universo; no me estampou a figura ntidae inteira, mas vaga, esfumada, difusa, sombra de sombra. A realidadedas leis fsicas no permite negar que o espelho reproduziu-metextualmente, com os mesmos contornos e feies; assim devia tersido. Mas tal no foi a minha sensao. Ento tive medo; atribu ofenmeno excitao nervosa em que andava; receei ficar maistempo, e enlouquecer. De quando em quando, olhava furtivamentepara o espelho; a imagem era a mesma difuso de linhas, a mesmadecomposio de contornos... Subitamente por uma inspiraoinexplicvel, por um impulso sem clculo, lembrou-me... Se foremcapazes de adivinhar qual foi a minha idia...

    Lembrou-me vestir a farda de alferes. Vesti-a, aprontei-me de todo; e, como estava defronte do espelho, levantei os olhos,e... no lhes digo nada; o vidro reproduziu ento a figura integral;nenhuma linha de menos, nenhum contorno diverso; era eu mesmo,o alferes, que achava, enfim, a alma exterior.

    ASSIS, Machado. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

    O espelhoTemi-os, desde menino, por instintiva suspeita. Tambm

    os animais negam-se a encar-los, salvo as crveis excepes. Soudo interior, o senhor tambm; na nossa terra, diz-se que nunca sedeve olhar em espelho s horas mortas da noite, estando-se sozinho.Porque, neles, s vezes, em lugar de nossa imagem, assombra-nosalguma outra e medonha viso.

    O espelho inspirava receio supersticioso aos primitivos,aqueles povos com a idia de que o reflexo de uma pessoa fosse aalma. Via de regra, sabe-o o senhor, a superstio fecundo ponto departida para a pesquisa. Outros, alis, identificavam a alma com asombra do corpo; e no lhe ter escapado a polarizao: luz-treva.No se costumava tapar os espelhos, ou volt-los contra a parede,quando morria algum da casa? Se, alm de os utilizarem nos manejosda magia, imitativa ou simptica, videntes serviam-se deles, como dabola de cristal, vislumbrando em seu campo esboos de futuros fatos,no ser porque, atravs dos espelhos, parece que o tempo muda dedireo e de velocidade? Alongo-me, porm. Contava-lhe...

    ATENO: use a pgina 15 para o rascunho da Redao.

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    Tanto dito que, partindo para uma figura gradualmentesimplificada, despojara-me, ao termo, at total desfigura. E aterrvel concluso: no haveria em mim uma existncia central,pessoal, autnoma? Seria eu um... des-almado? Diziam-me isso osraios luminosos e a face vazia do espelho com rigorosa infidelidade.E, seria assim, com todos? Seramos no muito mais que as crianas o esprito do viver no passando de mpetos espasmdicos,relampejados entre miragens: a esperana e a memria.

    Mas, o senhor estar achando que desvario e desoriento-me, confundindo o fsico, o hiperfsico e o transfsico, fora domenor equilbrio de raciocnio ou alinhamento lgico na contaagora caio. Estar pensando que, do que eu disse, nada se acerta,nada prova nada. Mesmo que tudo fosse verdade, no seria maisque reles obsesso auto-sugestiva, e o despropsito de pretenderque psiquismo ou alma se retratassem em espelho...

    ROSA, Guimares. Primeiras histrias. Rio de Janeiro: Jos Olympio, 1962. (adaptado)

    1. O conto O espelho integra o terceiro livro de Machado deAssis, intitulado Papis avulsos, que foi lanado em 1882 comhistrias curtas que ilustram sua fase realista. Nele se narra a histriade cinco amigos reunidos em uma casa e que discutem questes dealta transcedncia. Uma delas o tema central do conto:

    (A) a supremacia do ser em relao ao parecer;(B) a postura implacvel na representao dos desvios norma;(C) a anlise do poder e de seus mecanismos psicolgicos;(D) a diviso/duplicao da alma;(E) a oposio entre a vida pblica e os impulsos da vida interior.

    2. Podemos dizer que o narrador do conto de Machado de Assisreafirma a natureza contraditria do ser humano, j que:(A) no se olhava no espelho, mas se achava pessoa de boa figura;(B) apesar de temer se olhar no espelho, olhava-se por teimosia;(C) mesmo temendo as conseqncias, queria ver-se duplo;(D) de quando em quando, olhava-se no espelho com mau humor;(E) para desafiar as leis da fsica, olhava-se no espelho.

    3. O conto O espelho compe a obra Primeiras estrias, deGuimares Rosa, e narrado em primeira pessoa. Diante de umespelho, o narrador vai descobrindo com o passar dos dias:

    (A) uma experincia cientfica;(B) a falta de lgica e sentido do mundo;(C) a mentira que a aparncia humana;(D) o espelho, que um instrumento mgico;(E) a devassa da figura humana.

    4. No conto de Guimares Rosa, o narrador defende a tese de queespelhos devem ser temidos. Entre os itens abaixo, o que NOlhe serve de argumento para sustentar essa idia :

    (A) as imagens medonhas que o espelho pode refletir;(B) a origem primitiva do interlocutor;(C) a superstio das pessoas do interior;(D) o fato de animais no se olharem no espelho;(E) o uso de espelhos em jogos de adivinhao do futuro.

    5. Nos contos de Rosa e Machado, h um personagem que narra ahistria para algum. A marca lingstica que comprova a existnciade personagem(ns) ouvinte(s) est presente em:(A) em lugar de nossa imagem (Rosa) / assim devia ter sido

    (Machado);(B) temi-os desde menino (Rosa) / lembrou-me (Machado);

    (C) forem capazes (Rosa) / disse comigo (Machado);(D) alongo-me, porm (Rosa) /